A história do mesozoico: ascensão e queda dos dinossauros

A história do mesozoico: ascensão e queda dos dinossauros

Breve Resumo

Este documentário explora a evolução dos dinossauros desde o seu surgimento no Triássico até à sua extinção no final do Cretáceo, destacando os principais grupos, as suas características únicas e o contexto ambiental em que viveram. Aborda a classificação dos dinossauros em Ornitísquios e Saurísquios, as adaptações que permitiram o seu sucesso, como o bipedalismo e a respiração eficiente, e os eventos que marcaram a sua história, incluindo extinções em massa e mudanças climáticas. O documentário também explora o surgimento das aves como os únicos descendentes vivos dos dinossauros.

  • Os dinossauros surgiram no Triássico e dominaram os ecossistemas até o final do Cretáceo.
  • A era mesozóica é dividida em Triássico, Jurássico e Cretáceo, cada um com faunas distintas.
  • Adaptações como bipedalismo, respiração eficiente e metabolismo homeotérmico foram cruciais para o sucesso dos dinossauros.
  • Os dinossauros são classificados em Ornitísquios (extintos) e Saurísquios (que incluem as aves).
  • O impacto de um asteroide no final do Cretáceo causou uma extinção em massa que eliminou os dinossauros não avianos.

Introdução à Era Mesozoica e aos Dinossauros

A era mesozóica, também conhecida como a era dos dinossauros, é dividida em três períodos: Triássico, Jurássico e Cretáceo, abrangendo de 251 a 66 milhões de anos atrás, representando apenas 4% da história da Terra. No início do Triássico, existia apenas uma grande massa continental, a Pangeia, com um vasto deserto interior. O mundo se recuperava da extinção do Permiano, que eliminou mais de 90% das espécies. No final do Cretáceo, a Terra estava fragmentada em vários continentes, resultado de intensas transformações geológicas e atividade vulcânica. Apesar da crença anterior de que a era mesozóica era sempre quente, sabe-se agora que os polos podiam ter temperaturas abaixo de zero durante o inverno, especialmente no Jurássico Médio. Os dinossauros surgiram no Triássico, num período de calor extremo e baixos níveis de oxigênio (cerca de 12%).

Características Únicas dos Dinossauros

Os dinossauros são definidos por uma ancestralidade comum, formando um grupo que inclui o ancestral comum e todos os seus descendentes, distinguindo-os de outros répteis pré-históricos. Características únicas no crânio, membros e quadril são compartilhadas por todos os dinossauros, incluindo as aves. O bipedalismo, ou seja, andar sobre duas pernas traseiras, é uma característica fundamental que evoluiu independentemente poucas vezes na história dos animais. Os primeiros dinossauros eram pequenos e bípedes, com pernas posicionadas diretamente sob o corpo, permitindo agilidade para caçar e fugir de predadores. A respiração eficiente, com um sistema unidirecional que extrai oxigênio tanto na inalação quanto na exalação, é outra característica importante, especialmente nos saurísquios, e foi herdada pelas aves. O metabolismo permitia um crescimento rápido, com análises ósseas mostrando grandes cavidades e muitos vasos sanguíneos, indicando ganho de peso rápido. Esse metabolismo era parcialmente homeotérmico, permitindo o controle da temperatura corporal e atividade constante, mas exigindo maior consumo de alimentos.

Classificação e Filogenia dos Dinossauros

O clado Dinosauria é dividido em dois grandes grupos: Ornitísquios e Saurísquios. Os Saurísquios incluem os Terópodes (carnívoros bípedes, incluindo as aves) e os Saurópodes (herbívoros pescoçudos). Os Ornitísquios estão extintos e são conhecidos por serem herbívoros com formas corporais bizarras. Dentro dos Ornitísquios, temos os Tireóforos (estegossauros e anquilossauros) e os Serápodes (ornitópodes e marginocefálios). É importante notar que nem todos os dinossauros viveram ao mesmo tempo, com cada período do Mesozoico tendo seu próprio conjunto de dinossauros.

O Triássico: Origem e Diversificação Inicial

Os primeiros dinossauros surgiram no meio do Triássico e se diversificaram no final do período. A fauna do Triássico era diversificada, com muitos arcossauros (grupo que inclui dinossauros e crocodilos) e sinápsidos. Os primeiros dinossauros eram pequenos terópodes bípedes que se alimentavam de insetos. Por volta de 245 milhões de anos atrás, surgiram os silesaurídeos, animais enigmáticos com hábitos alimentares variados, cuja posição na árvore genealógica dos dinossauros é incerta. Uma hipótese é que eles são dinossauriformes (próximos, mas fora dos dinossauros), enquanto outra sugere que são ornitísquios basais, o que os tornaria os dinossauros mais antigos conhecidos.

O Evento Pluvial Carniano e a Ascensão dos Dinossauros

Por volta de 233 milhões de anos atrás, no estágio Carniano do Triássico, grandes mudanças climáticas, como os derrames basálticos vranguelianos, aqueceram os oceanos e a atmosfera, causando um aquecimento global e um aumento da umidade. Esse evento, conhecido como Episódio Pluvial Carniano, durou 2 milhões de anos e causou a extinção de várias linhagens bizarras do Triássico. Os dinossauros foram os grandes vencedores, tornando-se mais comuns após as chuvas do Carniano, embora ainda não dominantes.

Os Primeiros Dinossauros na América do Sul

A América do Sul é considerada o berço dos dinossauros, com formações na Argentina e no Rio Grande do Sul, Brasil, apresentando uma fauna exuberante do Carniano, cerca de 233 milhões de anos atrás. Stauricossauro e herrerassaurídeos como Herrerassaurus são considerados alguns dos primeiros dinossauros, predadores bípedes que convergiram evolutivamente com os terópodes. Os sauropomorfos foram o grupo de dinossauros mais comum e diverso desse período, explorando diversos modos de vida, desde insetivoria até herbivoria e caça de pequenos animais.

O Final do Triássico e o Surgimento dos Primeiros Terópodes

No final do Triássico, os sauropomorfos herbívoros se tornaram os primeiros dinossauros de grande porte, como Plateossaurus. Também surgiram os primeiros terópodes verdadeiros, como Celofaces, um caçador esguio e ágil. Alguns terópodes atingiram grandes portes, como Lilien Sternos, demonstrando a capacidade dos terópodes de escalar a pirâmide alimentar em poucos milhões de anos.

A Extinção do Triássico-Jurássico e o Início do Jurássico

O Triássico terminou com uma extinção em massa causada por atividade vulcânica na província magmática do Atlântico Central, que envenenou a atmosfera e causou aquecimento global. Crocodiliformes, dinossauros e piterossauros foram os únicos arcossauros sobreviventes. Esse evento abriu oportunidades ecológicas para os dinossauros se tornarem a megafauna dominante. O período Jurássico começou com a Pangeia se dividindo em Laurásia e Gondwana. As temperaturas diminuíram e a umidade aumentou, permitindo a diversificação de plantas como pinheiros e samambaias. Mamíferos e aves surgiram nesse período, e os dinossauros tomaram formas familiares.

Diversificação dos Ornitísquios e Tireóforos no Jurássico Inferior

O início do Jurássico foi um momento de intensa diversificação dos dinossauros ornitísquios. Heterodontossaurus, um ornitísquio basal, é conhecido por sua dentição especializada para uma dieta onívora. Pequenos tireóforos como Scutelossaurus também surgiram, com algumas linhagens sobrevivendo até o Cretáceo, como o Jacapil. Celidossaurus, um tireóforo maior, era provavelmente parecido com os ancestrais comuns dos anquilossauros e estegossauros.

Sauropodomorfos e o Surgimento dos Saurópodes Verdadeiros no Jurássico Inferior

O Jurássico Inferior também foi repleto de sauropodomorfos herbívoros, como Plateossaurus. Vulcanodon, uma forma transicional, ligava os primeiros sauropodomorfos aos saurópodes verdadeiros. O Jurássico foi quando os terópodes se diversificaram e cresceram, tornando-se os maiores predadores terrestres do planeta.

Terópodes Predadores do Jurássico Inferior e Médio

Dilofossaurus e Criolofossaurus foram predadores clássicos do início do Jurássico, com cristas chamativas que provavelmente indicavam saúde e maturidade. No Jurássico Médio, surgiram novos predadores como Megalossauros, que tinha braços grandes e fortes. Megalossauros foi o primeiro dinossauro nomeado, inaugurando a era moderna dos dinossauros.

Gigantismo dos Saurópodes no Jurássico Médio e Superior

No Jurássico Médio, os dinossauros ficaram verdadeiramente gigantes, especialmente os saurópodes, herbívoros pescoçudos que contavam com características anatômicas compartilhadas com as aves, como ossos ocos e sacos aéreos, para se tornarem os maiores animais terrestres da história. Os sacos aéreos aumentavam a eficiência respiratória e trocavam calor com o ambiente, impedindo o superaquecimento. O longo pescoço aumentava o envelope alimentar. Os saurópodes se dividiram em duas grandes linhagens: diplodocoides e macronários.

Diversidade de Saurópodes e Predadores no Jurássico Superior

No final do Jurássico, os saurópodes estavam por todo o mundo, com mais de 20 gêneros conhecidos, especialmente na formação Morrison, na América do Norte. Diplodocoides eram adaptados para comer folhas rasteiras, enquanto macronários exploravam vegetação mais alta. Com herbívoros gigantescos, surgiram carnívoros maiores. Os alossauroides, como Alossauros, eram predadores robustos preparados para abater herbívoros gigantes. Ceratossauros, um carnívoro menor, também foi bem-sucedido.

Surgimento dos Celurossauros e Maniraptores no Jurássico Superior

No Jurássico Superior, floresceu a linhagem dos celurossauros, que se dividiram entre os tiranossauroides e maniraptores. Os tiranossauroides mais antigos eram pequenos, como Guan Long. Os maniraptoromorfos incluem os raptores e as aves. Muitos fósseis transicionais, como o Archaeopteryx, documentam a transição dos dinossauros não avianos para os avianos. As penas surgiram inicialmente para isolamento térmico, comunicação e exibição, mas foram adaptadas para o voo nas aves.

A Evolução do Voo e os Escansoriopterigídeos

O voo evoluiu apenas três vezes nos vertebrados: piterossauros, aves e morcegos. As aves dividiram os céus com os piterossauros por quase 100 milhões de anos. Os escansoriopterigídeos, como Yi, tinham dedos longos e uma membrana de pele que os conectava, permitindo que planassem de árvore em árvore.

Diversificação dos Estegossauros e Anquilossauros no Jurássico Superior

O Jurássico Superior também foi palco da diversificação dos estegossauros, conhecidos por suas placas ósseas e espinhos na cauda. Miragaia tinha um pescoço extremamente longo, parecido com um saurópode. Os anquilossauros eram relativamente raros no final do Jurássico, mas se tornaram diversos no Cretáceo. Os anquilossauros tinham osteodermes e, em alguns casos, uma clava pesada na cauda. Borealopelta é o dinossauro mais bem preservado já encontrado, preservando detalhes da pele e da organização dos osteodermes.

Surgimento dos Serápodes e Ornitópodes no Jurássico Superior

Os serápodes, que incluem os ornitópodes e ceratopsianos, surgiram no Jurássico Médio. No final do Jurássico, eles se dividiram em pelo menos duas grandes linhagens. Os primeiros ornitópodes, como Driossauros, eram pequenos, bípedes e corredores rápidos. Os primeiros ceratopsianos, como Long, eram menores e tinham uma pequena projeção no final do crânio. Lindadromeus tinha cerdas queratinosas, demonstrando que a estrutura que deu origem às penas estava presente em praticamente todas as linhagens de dinossauros.

O Período Cretáceo: Transformações e Protagonismo dos Serápodes

O Cretáceo foi o período mais longo da era mesozóica, com continentes mais fragmentados, clima mais quente e florestas espalhadas por todo o planeta. As plantas com flores (angiospermas) se tornaram as plantas mais diversas e abundantes, mudando a composição da fauna herbívora. Os serápodes ganharam protagonismo, especialmente os ornitópodes, que se tornaram os dinossauros mais abundantes e bem-sucedidos, adaptados para comer a nova vegetação florida. A mastigação foi uma adaptação importante, permitindo uma digestão mais eficiente.

Diversificação dos Ornitópodes e Adrossaurídeos no Cretáceo

Uma das famílias mais significativas de serápodes ornitópodes do começo do Cretáceo é a dos iguanodontídeos, como o Iguanodon. Do meio para o final do Cretáceo, esses ornitópodes deram origem aos adrossaurídeos, que se tornaram os dinossauros mais populosos e os herbívoros mais predominantes. O Granossaurus é um exemplo de forma transicional entre os iguanodontídeos e os adrossauros. Os adrossaurídeos são conhecidos por suas ornamentações bizarras na cabeça, como a crista de Parasaurolofos, usada para amplificar sons. Edmontossauros não tinham cristas chamativas, mas viviam em manadas e eram presas difíceis. Chantungossaurus foi o maior adrossauro e possivelmente o maior dinossauro ornitísquio.

Marginocefálios: Ceratopsianos e Paqufalossauros no Cretáceo

O Cretáceo também foi palco da diversificação dos marginocefálios, especialmente os ceratopsianos. O pequeno Aquilops é o menor ceratopsiano conhecido. Psitacossauros é um dos dinossauros mais bem estudados e reconhecidos no registro fóssil. Os protoceratopsídios retornaram para uma postura quadrúpede e ganharam escudos ósseos. Protoceratops foi preservado batalhando com um Velociraptor. Os ceratopsianos mais derivados, os ceratopsídios, eram animais maiores, quadrúpedes, com escudos imensos e chifres faciais. Triceratops era um verdadeiro tanque vivo. Os paqufalossauros tinham domos no topo de suas cabeças, usados em combates.

Saurópodes e Predadores Terrestres no Cretáceo

Durante o Cretáceo, os saurópodes perderam diversidade, mas ganharam tamanho. Os titanossauros se tornaram os únicos saurópodes do planeta, especialmente abundantes na América do Sul, onde espécies como Patagotitã se tornaram os maiores animais terrestres de todos os tempos. O Cretáceo também foi o tempo dos predadores terrestres mais brutais, todos eles terópodes.

Espinossaurídeos: Predadores Pissívoros e Semiacquáticos no Cretáceo

Os megalossauroides do Jurássico se diversificaram e se especializaram em dietas pissívoras e hábitos semiaquáticos durante o Cretáceo, dando origem à família dos espinossaurídeos. Barionix tinha características transicionais entre os espinossaurídeos mais derivados e megalossauroides mais basais. Espinossauros é um dos maiores terópodes que já existiram, com uma imensa vela nas costas.

Carcharodontossaurídeos e Abelissauros: Predadores do Cretáceo

Os carcharodontossaurídeos, como Carcharodontossaurus e Giganotossaurus, eram alossauroides maiores e predadores de topo. Os abelissauros se tornaram alguns dos predadores de médio e grande porte mais comuns nos continentes do sul durante o Cretáceo, como Carnotaurus.

Tiranossaurídeos: Predadores Supremos nos Continentes do Norte

Nos continentes do norte, os tiranossaurídeos reinavam supremos até o fim do Cretáceo. Tiranossauros Rex foi o maior de todos, adaptado para triturar ossos.

Megaraptores e Dromeossauros: Diversidade de Predadores no Cretáceo

Os megarraaptores eram terópodes de grande porte com braços imensos e garras afiadas. Os dromeossauros, como Velociraptor, eram leves e viviam em bandos.

Maniraptores Herbívoros e Onívoros no Cretáceo

Os maniraptores também se diversificaram nas principais linhagens de terópodes herbívoros e onívoros durante o Cretáceo. Os ornitomimossauros eram rápidos e viviam em grandes grupos. Os terisinossaurídeos tinham garras imensas. Os oviraptorídeos ostentavam cristas elaboradas e uma boca sem dentes.

A Extinção dos Dinossauros e o Legado das Aves

A extinção dos dinossauros foi causada por um impacto extraterrestre que gerou incêndios globais, terremotos, tsunamis e uma camada de fuligem que privou o planeta de luz. Todos os animais com mais de 10 kg foram eliminados, exceto as aves, que sobreviveram devido a modos de vida semiaquáticos. As aves se diversificaram e se tornaram um grupo de vertebrados terrestres mais diverso da atualidade.

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