0:00 me encarregaram hoje de conversar com vocês sobre taxa de juros. Eu gostei muito de ter sido convidado para tratar desse assunto, porque uma das minhas grandes queixas nos debates que eu participo pelo Brasil afora é que esse assunto diz da vida e da morte, não tem exagero retórico nenhum, diz da vida e da morte de toda a nação brasileira, mas como ele atende ao interesse do baronato que comprou o poder político no Brasil, esse assunto não é pedagogizado na grande mídia. Não se deixa a população entender bem concretamente isso parece que é um assunto dos economistas, sendo um assunto dramaticamente popular. Senão, vejamos se a taxa de juros numa economia
0:47 que o governo paga por um papel é mais alta do que o lucro médio da economia real, essa economia tende a paralisia. Escute bem o que é economia real. um escritório de advocacia, um consultório de dentista, uma fábrica, uma loja, uma roça, qualquer nível de atividade econômica real, se o governo pagar por um papel um juro, ou seja, um prêmio pelo dinheiro aplicado mais alto do que o lucro médio do escritório, do consultório, da roça, da fábrica ou da loja, essa economia tende a parar. Ninguém tende a precisa ser economista, prêmio Nobel e ter passado em Harvard, etc, etc. Para
1:33 entender isso é muito simples, é muito trivial. É assim, se eu tenho dinheiro, o que que eu vou fazer? Eu boto na renda fixa, que me dá 15% de lucro por ano, ou eu boto no meu consultório ou na minha no meu escritório ou na minha loja que me dá 5 6% ao ano? É uma pergunta simples. Se eu tenho dinheiro, eu vou botar para ganhar 15 ou vou botar correndo risco e trabalhando para ganhar seis sete, que é o lucro médio das atividades concorrenciais da economia real. Porém, se eu não tenho dinheiro, que é esmagadora realidade da vida brasileira, nós somos uma nação de muita vocação empreendedora, mas de baixíssimo nível de
2:19 poupança. Todos nós temos na ideia uma cabeça, na cabeça uma ideia de empreender, porém não temos dinheiro. Pergunto, quem é que vai tomar dinheiro emprestado a 40, 50, 60% de juro ao ano para botar num negócio que rende 5, 6, 7, 8% ao ano? É muito fácil de entender. Por isso, por quem não tem dinheiro tomar dinheiro emprestado mais caro do que o lucro que esse dinheiro aplicado vai gerar ou tendo dinheiro ter um rendimento mais baixo do que o que tiria na renda fixa, a economia tende a parar. Ninguém aplica mais em atividade produtiva, porque a renda fixa é muito mais rentável. Essa é a realidade brasileira, por média, com pequenas
3:05 oscilações, que a gente pode explicar ao longo dos últimos 25 anos. O Brasil que tinha um pulso de crescimento econômico, que foi chamado outrora de milagre econômico, nós crescemos a 15% no único ano. Nós crescemos a 10, 12% no único ano, passamos a crescer uma média de 2,3% ao ano ao longo dos últimos 20 e poucos anos. volto a dizer, com pequenas oscilações que apenas existem para afirmar, como exceções a regra. É uma inerência do modelo. Então, vamos entender porque que essa impertinência acontece. Primeiro, o piso da taxa de juros numa sociedade é fixado no mundo inteiro pelo Banco Central.
3:51 O Banco Central no mundo inteiro fixa a taxa de juros com um olhar contraditório. O Banco Central dos Estados Unidos, que chama FED, Federal Reserva, o Banco Central Europeu, o Banco Central chinês, o banco central japonês, todos eles são obrigados pelas leis locais a estabelecer a taxa de juros com um olho no gato, o outro no peixe. O que é o gato? O nível de inflação. O que é o peixe? o nível de atividade econômica, o nível de emprego, o nível de crescimento ou não da economia. Então é uma contradição que nem o Ministério da Educação que é obrigado a fazer a melhor educação possível com orçamento apertado, que nem o o Ministério da Saúde que é melhor, que tem a obrigação de entregar a melhor
4:36 saúde possível com a a o orçamento apertado. O Banco Central do mundo inteiro, portanto, tem essa missão, olhar a inflação com um olho na no nível de atividade econômica. No Brasil, em plena pandemia, sem discussão com ninguém, de novo, a imprensa cuidou de não deixar ninguém participar. Nós outros pensamos que isso não é conosco. Olhamos o horóscopo no jornal, olhamos a página policial, olhamos se o Fortaleza foi desclassificado ou não da Copa do Brasil, se o Ceará tá indo bem na Copa na Copa e na Série A da da Copa Brasileira, mas na economia a gente meio que passa a página assim, porque é um assunto que não é não nos ajudam. pedagogicamente a entender como resumo das novelas quanto grave, quanto central
5:23 aquilo é pro nosso viver comum. Pois bem, aqui no meio da pandemia, o Lira, minha mulher disse para não falar o nome das pessoas, tá bom? Então, o ex-presidente da Câmara na época passou numa votação virtual um estatuto do Banco Central que é único. Aqui o Banco Central só olha o nível de inflação e aí atira com a taxa de juros e o Brasil então tem a maior taxa de juros do planeta Terra. Ah, não é não. A Turquia, a Rússia e tal. Aqui o que eu quero dizer é que a taxa de juros brasileiras é a maior do planeta Terra por uma circunstância, porque tem a queda. O Banco Central estabeleceu que a taxa básica de juros, a tal
6:09 Selic. Ao ano, lembra que o lucro médio das empresas é 67? Só o piso da taxa de juro no Brasil, para quem bota o dinheiro na renda fixa no Banco Central é 14.75. Porém aqui tem a COIS, tem a queda, que é essa taxa básica, muito alta, e tem o COIS. Qual é? Ao longo dos últimos 20 anos, o governo brasileiro permitiu que se concentrasse em 83% de todas as transações financeiras. Lei-se, crediário, cartão de crédito, cheque especial, empréstimo para trabalhar, etc, etc. Todas as transações financeiras do país, 83% foram concentrados ao longo dos últimos 20 anos na mão de apenas cinco
6:55 bancos. Só para vocês terem uma ideia de comparação, os americanos, epicentro do capitalismo global tem 5.000 bancos competindo. O que é uma competição de 5.000 bancos? É bajular o freguês, é reduzir a taxa de juros, é reduzir as tarifas, é não botar o freguês, né, numa numa linha telefônica. Tim tim tin tim, aperte 14, aperte 128 e depois cai a linha e você começa tudo de novo e tal. Por quê? Porque não tem concorrência no Brasil, porque eles fazem um jantar, cinco donos de bancos. E o mais grave, a política brasileira vendida a esse cartel de bancos permite que o Banco do Brasil e a Caixa Econômica, ambos estatais, façam parte desse cartel. Então, dos cinco bancos, dois são
7:40 estatais. O resto é Santandé, Itaú. Pronto, falei e e e Bradesco, né? Não era para falar o nome de ninguém, mas enfim. Cinco. Eles me odeiam e eu não tenho nenhum problema que eles me odeiem, porque não é que eu odeio eles, eu odeio o que eles fazem com o meu país. Então, veja bem, esse é o problema número um. Quais são as consequências disso? Eu tô gostando do auditório, tô com medo do tempo aqui. Quais são as consequências disso? Eu vou resumir para vocês. A primeira consequência disso, só em ordem de apresentação, é o custo fiscal impossível de ser honrado, de ser pago pela nação. Sim, porque você não não lhe deixam estudar o assunto, ter o
8:26 assunto como popular, mas essa dívida com esse juro alto volta todinha cobrando esse valor de juros dos cofres públicos, que é o meu, o seu, o nosso dinheirinho, que vai ser mais ou menos cobrado de impostos, que vai ser mais ou menos discutido num conflito distributivo entre mais dinheiro paraa segurança pública, que parece ser um flagelo dos tempos modernos no Brasil, ou em saúde pública, que é sempre uma emergência paraa maioria popular que não tem plano de saúde, ou pra educação, que é a preocupação de um país que está ficando perigosamente fora da corrida tecnológica em tempos de inteligência artificial e de robótica. Então repare,
9:12 o primeiro efeito mortal, não pensem que eu estou exagerando, desta exorbitância da taxa de juros é quanto custa pagar. E quem paga isso é o contribuinte, somos nós que eles não deixam que a gente perceba. Então, repare, sabe o quanto custa nos últimos 12 meses pagar a conta da taxa de juros mais alta do planeta Terra que o atual governo e como igualzinho o governo passado, como igualzinho o governo antecedente nos últimos 25 anos é uma inerência do modelo. Não se trata de Chico Mariol Manel. É a mesma prostração ideológica, o mesmo modelo econômico. Sabe quanto custou nos últimos 12 meses? 1 trilhão150 bilhões deais. com T de
9:59 tapioca. Trilhão é dinheiro que gente besta como eu não sabe contar. Mas é, vale a pena aqui a gente dizer que 1 trilhão são 1000 bilhões. 1000 bilhões de reais custaram nos 12 meses. Quando o governo arrecada todos os impostos que arrecada e paga maliporcamente todos os pagamentos que tem que pagar, faltam ainda este ano 75 bilhões. Então, bota 1.ão1 mais 75 bilhões de déficit, que é a diferença entre tudo que o governo arrecada e tudo que ele tem que pagar. Esse trilhão2 vai tudo paraa dívida pública. E a dívida pública não pense que é um assunto marciano. A dívida
10:44 pública é um assunto nosso. Se nós soubéssemos o custo disso pro nosso viver do dia a dia, talvez não fôssemos tão passivos ou tão omissos na consciência política dessa perversão extraordinária. Vou dar um número para vocês. Quando começou esse esse governo, o quinto governo do PT, sem querer fazer polêmica, eu tô datando as coisas apenas pra gente saber. E eu volto a dizer, não é problema de Chico, Maria ou Manel, problema de modelo. A dívida pública brasileira era de 7 trilhões com T de tapioca no dia 1o de janeiro de 2023. Hoje ela está em R 9 trhões300 bilhões deais. Quando a quando uma dívida explode o o valor, o que que
11:32 acontece? Transportem isso, não é? Da dívida pública, dessa coisa, não é? Teórica de uma palestra lá no no na na na no centro de eventos, etc. E vamos pra nossa vida mesmo real. Se eu tenho uma dívida que cresce muito e muito rapidamente, o que que ela acontece com ela, com o meu credor? Duas coisas óbvias. Primeiro, o credor começa a esquentar esse dinheiro, começa a querer de volta. Ponto, esse cara vai quebrar. Esse cara vai quebrar. É hoje ou amanhã ele vai quebrar. Então eu Ele começa a encurtar o prazo de renovação dessa dívida que se você não pode pagar. Mas a segunda consequência paraa gente entender porque que já começar a entender porque que esse juro é tão selvagem, é que ele começa a encarecer o preço da dívida para pagar o risco, que é o juro mais alto. Resultado, 9
12:19 trilhões e 300 bilhões deais é muito dinheiro, é pouco dinheiro. Vamos comparar. Não é muito dinheiro ou pouco dinheiro. Não é assim que se mede o a situação patrimonial das pessoas e dos governos. se mede pela capacidade de honrar o fluxo. Deixa eu explicar o que que eu quero dizer. Se você ganha R$ 10.000 e tá devendo R$ 100.000 que vence amanhã, você está quebradinho da Silva. Todo mundo dá para ver isso. Porém, se você ganha R$ 10.000 e tá devendo R$ 100.000 em 8 anos prazo disso, você está muito bem obrigado a dar até para acelerar um pouco e fazer um pouquinho mais de dívida. mal comparando, é assim a vida das nações. E essa é a tragédia brasileira. Sabem em quanto tempo vence
13:07 a dívida brasileira? Metade vence hoje, ou seja, overnight. Nós estamos permitindo, o mundo inteiro trata dívida pública como referência ao PIB. Por quê? Porque a dívida pública, por definição, na literatura e no mundo, é de longo prazo. No Brasil, o a a o poder político permitiu que essa dívida vencesse. Metade dela, lembram? 9300 dá 4700 bilhões, trilhões de reais que vence por dia. É impagável, não tem fluxo para isso. O Brasil está na eminência de quebrar. Este é o primeiro efeito para eu não não lhes desocupar, nem cansar muito mais. O segundo efeito disso é o efeito deletério na vida real
13:53 das pessoas. Então, o primeiro efeito do juro alto é o colapso fiscal, é o caminho acelerado do Estado brasileiro para a falência. Falência aqui em ambiente de juristas é um termo incorreto. Tecnicamente, as nações não falem, as nações não não entram não entram em em em recuperação judicial. é diferente. Elas entram em defor, que é o a expressão internacional para explicar quando ela não começa a dar não dá conta de honrar os seus fluxos de pagamento. Quando isso acontece, o efeito num Brasil, num país como o Brasil, pessoas que carregam essa dívida, que são os especuladores financeiros, os bancos e e 10.000 famílias abastadas, essas pessoas com medo de perder o dinheiro, de micar, é
14:39 hoje, amanhã, elas correm pro dólar. resultado. De vez em quando vocês assistem o dólar sair, aí todo mundo que vai para Miami para para Disney já já sente no bolso, né? Mas assim, o camarada tava a 4,60, 4,50, de repente 6,20. O que é isso? É um medinho, porque essa turma fica exigindo juro alto em curto prazo, mas fica com olho na porta de saída. Qual é a porta de saída? Vender real e comprar dólar. Se todo mundo compra dólar ao mesmo tempo, o que que acontece? Eles fogem do Brasil. Ontem o governo, para vocês verem como as coisas são, eu morro de vergonha. Ontem o governo fez uma coisa que eu advoga há 20 anos, que era colocar um IOF equivalente ao imposto aqui para
15:26 quem tirar dinheiro do Brasil. fez ontem, era 7 horas da noite. Hoje às 5:30 da manhã o meu meu meu meu Google me avisou que o governo tinha voltado atrás para vocês verem quem é que de fato manda nesse país. Ou seja, um uma pessoa da classe média que vai para Miami, que não sei o que e tal, e usa o cartão de crédito, paga lá 1,1% de IOF. Quem especula paga 0,38. Eu defendia sempre que fosse de 0,38 para 3, 3,5, que era o valor de um tributo sobre grandes fortunas, porque se o cara não pagar na grande fortuna, paga na corrida para fora do país, ou até um pouco mais. Resultado, fizeram e desfizeram em menos de 12 horas para vocês verem de fato
16:11 quem dá as cartas no país. Então o segundo efeito estratégico é basicamente esse que eu abro a conversa de hoje falando para vocês. A economia tende a paralisia. Ah, mas a economia cresceu 1,3% no trimestre e tal. Eu sei, a propaganda é poderosa. 1,3% no trimestre. Quando você vai olhar a explicação, de novo, é a exceção que explica a regra. Quem é que puxa esse crescimento vegetativo que sinaliza para dois, dois e pouco, que é a tal média que o modelo permite. Quem puxa o agronegócio. Sabe o que é o agronegócio? O governo meteio trilhão de reais de subsídio na taxa de juros. Ou seja, o governo cobra um juro do povo todo lá em cima, 14.75, mas quando vai
16:56 emprestar pro pro barão do agronegócio, tô nem falando nada contra, tô só explicando. Ele pega e subsidia com o dinheiro público a diferença e o agronegócio, então, tem um juro de padrão internacional. Aí o agronegócio cresce, exporta em dólar, não paga um centavo de imposto e isso explica esse pedacinho, não é, tal. A outra parte desse crescimento vem do consumo das famílias. O crescimento que se sustenta vem do investimento. Claro, todo mundo vai entender. Eu tenho uma fábrica, invisto e crio outra fábrica sem aquela primeira fechar. Isto é um tipo de crescimento. Mas existe um outro tipo efêmero, insustentável, que é o consumo. Eu tenho hoje que a a população brasileira consome 100 kg de carne e por alguma razão ela passou a consumir 103 kg de
17:43 carne, 102 kg de carne no ano no ano seguinte. OK? Cresceu o consumo das famílias. cresce o PIB por conta desse consumo das famílias. O que é que faz o governo? O o Banco Central manda juro alto pros ricos e estatiza o risco do crédito popular. Prestem bem atenção, meus companheiros advogados e estudantes. Estatiza o risco do crédito popular entregando um dinheiro bom, que é o saldo do FGTS, para lastrear um dinheiro ruim, que é a dívida inadimplida da maioria do povo. Vocês acompanharam isso? e tá esterilizando um grande acervo de poupança vinculado ao investimento da saúde, vinculado ao investimento da educação, vinculado ao investimento especialmente da construção civil via moradia popular e saneamento
18:30 básico. Pois bem, esse é o segundo efeito. Existem efeitos, entretanto, difusos que são gravíssimos. Por exemplo, vocês têm ideia de quantos brasileiros estão hoje humilhados no serviço de proteção ao crédito SPC Serasa? Vocês têm ideia? Alguém tem ideia? Arriba o braço, por favor, quem tiver ideia. Não é possível tanta gente nesse auditório e eu sei que é assim por quê? Porque eles não deixam as pessoas saberem. Eu digo para vocês, atualizadinha a valor de hoje, de manhã, 73 milhões de brasileiros estão no SPC e no Serasa. Supondo que crianças e adolescentes não pode assinar porória
19:15 nem nem boleto, essas coisas e tal, nós estamos falando de quase toda a população adulta do país está essa população inadimplente, humilhada no serviço de proteção ao crédito e no Serasa. 73 milhões de pessoas. Esse é um estilhaço dessa política ruinosa. Mas tem mais. O Brasil tem hoje, dados atualizados, para eu vir aqui conversar com vocês, a maior estatística de recuperação judicial de toda a história econômica do país. Ouviram o que eu acabei de falar hoje? A quantidade deempresas que estão indo à justiça pedir recuperação judicial porque tombaram pela incapacidade de honrar seus débitos é o maior volume da
20:01 história do país. Tem mais, hoje, atualizado o dado de hoje, o volume de retomada de moradias financiadas por inadimplência é também o maior da história do país. Então, quando a gente fala que a taxa de juros é mortal, há fundamento para além do, vamos dizer, de um esforço retórico de dizer isso. Eu então caminho paraa conclusão para ser obediente, não levar uma gongada ali do nosso apresentador boiadeiro. Não sei onde é que ele arrumou esse esse esse chapéu, se ele não é do Mato Grosso do Sul, né? Cadê ele? Enfim, vejam bem, alguém há de me perguntar, mas Ciro, se é assim, por que que as coisas são desse jeito? Será que tá tudo errado desse jeito, como você tá
20:47 falando e os caras estão em Brasília fazendo assim, tudo errado, só de maldade? Claro que não. Claro que não é de maldade. Primeiro, é uma inerência de um modelo que eu ajudei lá atrás a montar como um modelo sério, bem intencionado, mas muito precário na origem. O que era isso? Chama-se plano real. Eu saí às pressas do governo do Ceará, assumi o Ministério da Fazenda porque eu tinha ajudado a construir o real fora do governo. Eu, mas o Tio Gereçado tinha montado uma equipe para montar uma estrutura e tal. E ali o seguinte, os caras eram contra, os técnicos eram contra lançar o Plano Real e a gente forçou a mão. Então, no Plano Real a
21:32 gente pensou o seguinte: "Olha, vamos resolver o problema conjuntural, emergencial da superinflação." Em seguida, a gente substitui esse conjunto de providências emergenciais por um conjunto estrutural de uma nova institucionalidade que seja capaz de sustentar uma moeda que não seja inflacionária como todas as moedas anteriores. E assim nós combinamos. Qual era a ideia? Aumentar os juros pra estratosfera com três finalidades. A primeira, nós íamos fazer nascer um uma uma moeda nova conversível ao P com o dólar. Ora, quem que acreditar que uma moeda de um país, né, desmoralizado, como era o Brasil, como tá voltando a ser o Brasil, ia valer igual a um dólar? Para isso,
22:18 nós precisamos garantir a convensibilidade. Mas botamos na lei que criou o real, dizendo fica criado o real. Artigo segundo, cada real vai valer dólar. Artigo terceiro, quem duvidar traga o seu real que a gente troca pro dólar. E aí a turma diz assim: "Mas cadê o dólar? juro alto. Um monte de dólar veio do estrangeiro para simular que nós tínhamos os dólares suficientes para bancar a convenibilidade do real. Ah, mas isso não se sustenta. Claro, sustenta por 2, 3, 4, 5 meses. A gente elegerge o Fernando Henrique e na sequência o Fernando Henrique entra e toma as providências estratégicas, substitui essa providência precária, embora bem intencionada e tal e tal e tal. Segunda razão, completa estupidez. Nós vamos tentar antecipar a explosão de
23:03 demanda que sempre se segue a coisa. Isso é um equívoco grave, porque aí os manuais de economia internacionais não conhecem as casas da Bahia, não conhece a a Magalu, não não sabe o que é o o o o Zeni, não não são lojas, magazines, são bancos. Por quê? Porque aprendemos aqui que o povo quer tão microondas não tem dinheiro para isso. E eles então picam o forno microondas em 24 vezes, mete um juro gigantesco dentro, o cidadão leva. Por quê? Porque o fluxo da prestação cabe no bolso. Se fosse do tamanho do preço, ele não podia comprar, mas ele compra por causa do fluxo. Evidente que é um engano, senão não dava aquele número que eu acabei de mostrar a vocês. 73 milhões de brasileiros humilhados no SPC e no Serasa. Retomada de de de coisa e
23:49 recuperação judicial. etc. Por fim, a razão do do juro alto que foi criado lá atrás era, enfim, arbitrar diante de uma população desconfiada que a moeda era para valer. Realmente deu certo. E o Fernando Henrique então ao invés de levar o doente anestesiado para ol chegou e tirou o chapéu. Tirou o chapéu. Ficou mais bonito, né? mentir. Em vez de levar o doente para fazer a cirurgia, já anestesiado, levou pro baile funk. E aqui está então a primeira razão, um erro estratégico de modelo. A segunda é que nós viciamos os bancos e deixamos os bancos comprarem o poder político. E esse é o grande drama
24:36 contemporâneo. E quando eu digo os bancos compraram o poder político, não duvidem. É disso que se trata e isso põe em risco a própria democracia brasileira. [Música]