Breve Resumo
Este vídeo da Embrapa apresenta uma capacitação em fruticultura tropical, focando em citros, desde o plantio até a colheita. O palestrante, Dr. Eduardo Augusto Girardi, aborda a história, a importância econômica, as variedades, os porta-enxertos, o clima, o solo, a produção de mudas, o plantio, a nutrição, o manejo de plantas daninhas, a irrigação, os tratos culturais, as doenças e pragas, a colheita e a comercialização de citros no Brasil.
- Origem e história dos citros
- Variedades e porta-enxertos
- Manejo e tratos culturais
- Pragas e doenças
Introdução à Capacitação em Fruticultura Tropical
Sérgio Abud, supervisor de transferência de tecnologia da Embrapa Cerrados, inicia o segundo módulo da capacitação em fruticultura tropical, apresentando o tema "Citros: Do Plantio à Colheita". Ele convida os participantes a se inscreverem no chat para receber notificações sobre os próximos módulos e a enviarem perguntas para o Dr. Eduardo Augusto Girardi. O chefe de transferência de tecnologias da Embrapa Cerrados, Dr. Fábio Faleiro, dá as boas-vindas aos participantes, mencionando o apoio de diversas unidades da Embrapa e outras instituições. O chefe-adjunto de transferência de tecnologia da Embrapa Mandioca e Fruticultura, Dr. Aldo Trindade, também saúda os participantes, destacando a importância da fruticultura para o país e a relevância da capacitação e transferência de tecnologia.
Apresentação do Palestrante: Dr. Eduardo Augusto Girardi
Sérgio Abud apresenta o palestrante, Dr. Eduardo Augusto Girardi, engenheiro agrônomo com vasta experiência em agronomia e citricultura. Dr. Girardi é pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura e responsável pela Unidade Mista de Pesquisa e Transferência de Bom Dia Unity cinturão cítrico Lula entre Embrapa coopercitru e fundo de defesa da citricultura o fundecitrus sediado em Araraquara São Paulo. Dr. Girardi expressa sua satisfação em participar da capacitação e destaca a importância da iniciativa para a atualização de conhecimentos sobre fruticultura.
Origem e História dos Citros
Os citros são originários do Sudeste Asiático, especificamente de uma região que abrange o sul da China, o nordeste da Índia e o sudeste da Ásia. Eles pertencem à família das rutáceas, que inclui 150 gêneros e duas mil espécies. As plantas de interesse comercial pertencem à subtribo Citrinae, com destaque para os gêneros Citrus, Poncirus, Fortunella, Microcitrus e Eremocitrus. Estudos recentes de filogenética demonstraram que existem apenas quatro espécies verdadeiras de Citrus: Citrus medica (cidras), Citrus maxima (pomelos), Citrus reticulata (tangerinas) e Citrus micrantha (pámpanos). A partir dessas espécies, ocorreram diversas hibridações naturais, originando as variedades que conhecemos hoje. O cultivo de citros começou na China há mais de dois mil anos antes de Cristo, e a expansão para outras regiões do mundo ocorreu por meio de navegações e introduções em diferentes épocas.
Importância Econômica dos Citros no Brasil e no Mundo
Os citros são uma das culturas frutíferas mais cultivadas no mundo, com destaque para as laranjas doces, limas ácidas, limoeiros e tangerinas. No Brasil, a citricultura se desenvolveu ao longo de séculos, com um impulso significativo a partir de 1808, com a chegada da família real portuguesa. No século XIX, surgiu a laranja Bahia, uma mutação genética que se tornou popular em todo o mundo. A partir de 1937, a cadeia de citros se tornou uma indústria voltada à exportação de frutas frescas, mas uma crise fitossanitária causada pela tristeza dos citros dizimou grande parte dos pomares. A retomada do cultivo foi possível graças à pesquisa científica e à substituição do porta-enxerto. Nos anos 60, a industrialização da laranja para a produção de suco impulsionou o crescimento da citricultura brasileira, que se tornou líder mundial em produção e exportação de suco de laranja. A partir de 2004, a presença do HLB (greening) mudou o quadro técnico e socioeconômico da cultura. A cadeia de citros é muito importante para o Brasil, gerando bilhões de dólares anuais e empregando milhares de pessoas.
Distribuição Geográfica dos Citros no Brasil
Os citros são cultivados em todo o Brasil, mas as principais áreas de produção estão concentradas no estado de São Paulo, que representa cerca de 75% da produção nacional. Outras regiões importantes são o sudoeste mineiro, o noroeste do Paraná, a região dos Lagos no Rio de Janeiro, Capitão Poço no Pará e o sul de Sergipe com o litoral norte da Bahia. As tangerinas são mais concentradas no centro-sul do Brasil, com destaque para São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro.
Variedades Comerciais de Citros no Brasil
Os citros são classificados comercialmente em laranjas doces, limas ácidas, limoeiros, tangerinas e toranjas. As laranjas doces são divididas em tipos comuns (usadas para suco), de umbigo (para consumo in natura), sem acidez e sanguíneas. As tangerinas incluem diversos híbridos e mexericas. A diversidade de variedades permite a produção de citros durante todo o ano no Brasil. As variedades podem ser classificadas em precoces, de meia estação e tardias, dependendo do tempo necessário para a maturação dos frutos. Em São Paulo, a laranja pêra é a mais cultivada, seguida pela Valência, Natal e outras variedades americanas. No caso das limas ácidas, a variedade Tahiti é predominante, enquanto entre as tangerinas, destacam-se a ponkan e a murcote. Novas variedades, como a laranja cara cara e o pomelo Flame, vêm ganhando importância no mercado.
Porta-Enxertos Utilizados na Citricultura Brasileira
Os citros são multiplicados por enxertia, utilizando porta-enxertos para o sistema radicular. No Brasil, a diversificação de porta-enxertos é limitada, com o limoeiro cravo sendo o mais utilizado historicamente. No entanto, com o surgimento da morte súbita dos citros, o citrumelo Swingle se tornou o porta-enxerto mais importante. Outras opções incluem a tangerina Sunki e o trifoliata Flying Dragon. O citrumelo Swingle é tolerante a diversas doenças, mas incompatível com algumas variedades. O limoeiro cravo é sensível a doenças, mas tolerante à seca e à salinidade. A escolha do porta-enxerto deve considerar a compatibilidade com a copa, a tolerância a doenças e estresses abióticos, e as características do solo e do clima. O uso de plantas ananicantes, que induzem o nanismo, facilita a colheita e o adensamento do plantio.
Clima e Solo Adequados para o Cultivo de Citros
Os citros são cultivados em uma faixa de temperatura que vai de 15°C a 32°C, com uma temperatura basal de 12°C. Temperaturas abaixo de 20°C durante a noite são indutoras de florescimento, enquanto temperaturas acima de 30°C podem prejudicar o pegamento dos frutos. A precipitação ideal para os citros é de 1200 mm anuais, mas eles podem ser cultivados em regiões com menor pluviosidade, com o uso de irrigação complementar. Além do frio, o estresse hídrico também induz o florescimento. Os citros são sensíveis a ventos fortes e podem ser cultivados desde o nível do mar até 2.000 metros de altitude. A altitude influencia a coloração da casca dos frutos, com temperaturas mais baixas favorecendo a produção de pigmentos. Os citros se adaptam a diversos tipos de solos, mas preferem os arenosos ou de textura média, bem drenados e profundos. O pH ideal do solo é entre 5,5 e 6,5, e os citros são sensíveis à salinidade.
Produção de Mudas de Citros
A produção de mudas de citros é feita por enxertia de uma variedade copa sobre um porta-enxerto. O processo dura cerca de um ano. O porta-enxerto é obtido por semeadura e transplantado para tubetes ou sacolas. Após atingir o diâmetro adequado, é feita a enxertia do tipo "T" invertido. As mudas são produzidas em viveiros protegidos, utilizando substratos orgânicos, para garantir a sanidade das plantas. É fundamental utilizar mudas certificadas e evitar a introdução de mudas de origens duvidosas.
Preparo do Solo e Plantio de Citros
Se a área foi cultivada com citros anteriormente, é importante fazer uma rotação de culturas com grãos por pelo menos duas ou três safras. O plantio deve ser feito em áreas com declividade inferior a 15% e lençol freático a mais de 1,5 metro de profundidade. O plantio é recomendado na forma quadrada, com linhas retas, para facilitar as operações de manejo. O preparo do solo envolve gradagem leve, subsolagem tríplice na linha de plantio, incorporação de calcário e nutrientes, e coroamento. Após o plantio, as mudas são irrigadas.
Espaçamento e Adensamento do Plantio de Citros
A densidade de plantio de citros tem aumentado nos últimos anos, com o objetivo de aumentar a produtividade. No entanto, o espaçamento deve ser ajustado ao tamanho da planta e ao vigor da árvore. Plantas muito vigorosas exigem maior espaçamento, enquanto plantas nanicas podem ser plantadas em maior densidade.
Nutrição Mineral e Adubação de Citros
Os citros são tipicamente calcíferos, ou seja, o cálcio é o nutriente mais exigido pela planta. Além do cálcio, os citros demandam nitrogênio, potássio, fósforo, magnésio, boro, zinco e manganês. A análise de solo e de folhas é fundamental para orientar as adubações. A correção do solo é realizada no plantio, com o objetivo de atingir 70% de saturação de bases. A gessagem pode ser utilizada para promover o arraste do cálcio em profundidade. A adubação de base é feita com cálcio, micronutrientes e fósforo. Durante a fase de formação, a adubação é calculada por planta, enquanto na adubação de produção, o cálculo é feito por estimativa de produtividade. A fertirrigação vem ganhando importância na citricultura. A adubação orgânica, com estercos e coberturas vegetais, também é muito benéfica para os citros.
Manejo de Vegetação Espontânea e Plantas Daninhas
Na linha de plantio, o solo deve ser mantido limpo, com controle químico de plantas daninhas. Entre as linhas de plantio, o manejo recomendado é a roçagem de coberturas vegetais, sejam plantadas ou espontâneas. O manejo de coberturas vegetais contribui para o controle de plantas daninhas, a incorporação de matéria orgânica, o aumento da disponibilidade de água, a redução da erosão e da compactação do solo, e o aumento da biodiversidade. O feijão de porco e a braquiária ruziziensis são exemplos de coberturas vegetais utilizadas na citricultura.
Irrigação na Citricultura
A irrigação é fundamental para a citricultura, especialmente em regiões com longos períodos de seca. A irrigação pode aumentar a produtividade em até 40%. A quantidade de água a ser aplicada depende do clima, do solo e da planta. Os sistemas de irrigação mais utilizados são a aspersão, a microaspersão e o gotejamento. As fases críticas para a irrigação são o florescimento, a fixação dos frutinhos e o crescimento dos frutos. A irrigação também é utilizada para induzir o florescimento fora de época. O zoneamento agroclimático de risco climático de citros auxilia no planejamento da irrigação.
Tratos Culturais: Poda, Raleio e Anelamento
A poda é um trato cultural importante na citricultura, com o objetivo de controlar o tamanho da planta e manter a planta no espaço que foi destinado a ela. Existem três tipos de poda: a poda de formação, a poda de limpeza e a poda de produção. A poda de produção é mecanizada, utilizando equipamentos de serra ou disco. O raleio manual dos frutinhos é recomendado para tangerinas, com o objetivo de evitar a sobrecarga da planta. O anelamento do tronco pode ser feito para aumentar a qualidade e a fixação dos frutos. A aplicação de reguladores de crescimento, como o ácido giberélico, pode ser utilizada para reduzir a queda de frutos e retardar o envelhecimento da casca.
Consorciação de Culturas na Citricultura
A consorciação de culturas é pouco comum na citricultura do sudeste, mas é frequente na região norte e nordeste. A consorciação pode ser feita com plantas arbóreas, fruteiras ou culturas anuais.
Doenças e Pragas dos Citros
O HLB (greening) é a principal doença dos citros no Brasil, causada por bactérias transmitidas pelo psilídeo Diaphorina citri. O manejo do HLB envolve a produção de mudas em ambiente protegido, a erradicação de plantas doentes e o controle do vetor. Outras doenças importantes são a mancha preta dos citros, a leprose dos citros, o cancro cítrico, o amarelinho e o declínio dos citros. As pragas-chave dos citros incluem os ácaros, as moscas-das-frutas, as cochonilhas, os pulgões, o bicho furão, a larva minadora e a mosca negra.
Colheita e Comercialização de Citros
Os citros são frutos não-climatéricos, ou seja, não amadurecem após a colheita. A colheita deve ser feita no ponto de maturação ideal, considerando o objetivo (consumo in natura ou processamento). A colheita pode ser feita manualmente ou mecanizada. É importante tomar cuidados para evitar danos aos frutos durante a colheita. Para o mercado de mesa, é importante seguir os padrões de qualidade estabelecidos pela Ceagesp. Para ser competitivo na produção de laranja, é necessário atingir uma produtividade de pelo menos 40 toneladas por hectare.
Recomendações de Livros sobre Citricultura e Encerramento
O palestrante recomenda três livros sobre citricultura: "Citros" (editado pela Dromico), "Cultura do Citros" (editado pela Agropecuária Tropical) e "Lima Ácida Tahiti" (específico sobre essa cultura). Ele convida os participantes a visitarem a área experimental da Embrapa em Bebedouro e a estação da Embrapa Mandioca e Fruticultura em Cruz das Almas. O palestrante agradece a atenção dos participantes e encerra a apresentação, abrindo espaço para perguntas. Sérgio Abud agradece a apresentação do Dr. Girardi e convida os participantes a se inscreverem para o próximo módulo da capacitação.

