Conexões | Autorregulação emocional e autoeficácia na escola

Conexões | Autorregulação emocional e autoeficácia na escola

Breve Resumo

Este vídeo aborda a importância da autorregulação emocional e da autoeficácia no contexto escolar, especialmente na adolescência. A Dra. Fabiana Versute discute como as escolas podem promover um ambiente emocionalmente seguro, onde os alunos se sintam acolhidos e capazes de lidar com suas emoções, o que impacta positivamente o aprendizado e o bem-estar. Além disso, ela apresenta estratégias práticas e recursos para psicólogos e educadores fortalecerem a saúde mental e o desenvolvimento socioemocional dos estudantes.

  • A importância da autorregulação emocional e da autoeficácia no contexto escolar.
  • Estratégias para promover um ambiente emocionalmente seguro.
  • Recursos para fortalecer a saúde mental e o desenvolvimento socioemocional dos estudantes.

Apresentação e Introdução

Juliana Mendes, conselheira do CRP, inicia o encontro apresentando a Dra. Fabiana Versute, psicóloga e professora da USP, que irá abordar o tema da autorregulação emocional e autoeficácia na escola, com foco no papel do psicólogo escolar na adolescência. Fabiana Versute expressa sua satisfação com o convite e ressalta a importância de refletir e discutir sobre o papel do psicólogo no contexto escolar, visando transformar e repensar as práticas diárias. Ela menciona que coordena um laboratório de psicologia, educação e tecnologia na USP de Ribeirão Preto, onde desenvolve parcerias com redes de ensino, destacando a crescente importância do psicólogo nesse contexto.

Objetivos da Apresentação

Fabiana Versute define os objetivos da apresentação, que incluem refletir sobre as relações entre autorregulação emocional, autoeficácia e aprendizagem na adolescência, discutir o papel do psicólogo escolar na promoção da saúde mental e no desenvolvimento socioemocional, e analisar estratégias e práticas escolares que favoreçam vínculos, pertencimento e crenças de capacidade nos adolescentes. Ela levanta questões sobre como a escola responde às emoções dos adolescentes e como as crenças que eles constroem sobre si mesmos influenciam sua aprendizagem, enfatizando que nem sempre a dor emocional é visível e que é essencial considerar as relações entre crenças, sentimentos e emoções.

Emoções e Aprendizagem

A apresentação aborda a relação entre emoções e aprendizagem, destacando que escolas que se preocupam com a segurança psicológica e permitem a expressão das emoções têm melhores resultados acadêmicos e menor rotatividade docente. Alunos que desenvolvem habilidades socioemocionais apresentam melhor desempenho acadêmico e maior persistência nas tarefas, enquanto estados emocionais positivos ampliam a capacidade de atenção, memória e resolução de problemas. É importante construir um espaço emocionalmente seguro na escola, onde as emoções são acolhidas, os erros não geram punição imediata e há espaço para diálogo, escuta e respeito, transformando a escola em uma instituição promotora de saúde mental.

Autoeficácia de Docentes e Engajamento dos Estudantes

Uma pesquisa da Fundação Carlos Chagas investiga a relação entre a autoeficácia de docentes e os impactos em sala de aula no engajamento dos estudantes. A pesquisa revela que sentir-se capaz de ensinar e engajar os estudantes a lidarem com suas próprias emoções faz diferença no cotidiano escolar. Esse dado é importante para psicólogos, pois revela a importância de cuidar das relações e da especificidade da área da psicologia no contexto escolar.

A Importância da Escola na Saúde Mental

A escola é um ambiente onde os jovens passam grande parte de suas vidas e pode atuar como um espaço de acolhimento e apoio. O psicólogo escolar pode promover um clima emocionalmente seguro, e é importante que todos na escola se sintam capazes de promover esse clima de confiança. Ações de promoção de saúde mental devem ser incluídas nas escolas, promovendo uma cultura de cuidado e acolhimento generalizada, não apenas circunscrita à figura do psicólogo. A escola pode ser um espaço de identificação de necessidades, oferecimento de apoio e estímulo à busca por ajuda, normalizando o cuidado com a saúde mental e fortalecendo a autonomia dos estudantes.

Desafios da Escola na Promoção da Saúde Mental

A escola enfrenta desafios para atuar na promoção da saúde mental, como a necessidade de conhecimento para intervir com segurança, a escassez de recursos e o desconhecimento sobre as possibilidades de ação. É importante fortalecer parcerias entre universidades e instituições de ensino para fomentar práticas de cuidado de saúde mental. Além disso, há o receio de agravar problemas de saúde mental e as demandas próprias de saúde mental da instituição, incluindo seus gestores e equipe. Cuidar de quem cuida é fundamental para promover ações eficazes voltadas à adolescência.

Adolescência e Vulnerabilidade Emocional

A adolescência é uma fase marcada por transformações físicas, sociais e emocionais que aumentam a vulnerabilidade ao adoecimento emocional. É um período crítico em que há maior probabilidade de precisar de ajuda e dificuldade em buscar apoio. A equipe escolar deve estar preparada para lidar com essas questões, tornando o conhecimento sobre emoções e conceitos básicos da psicologia essencial para todos.

Conhecimentos Básicos sobre Emoções

É fundamental reconhecer as emoções como fenômenos fisiológicos que envolvem respostas automáticas do corpo e do cérebro, com reações de curta duração que afetam diferentes partes do corpo. Entender as emoções como respostas complexas que integram corpo, mente e contexto é um conhecimento básico que pode emancipar adolescentes e profissionais da educação. O ciclo das emoções envolve entender, avaliar, reconhecer sensações, intencionalidade e o impacto interpessoal, influenciando e sendo influenciado pelas pessoas ao redor.

A Importância da Interpretação na Autorregulação Emocional

A interpretação desempenha um papel crucial na autorregulação emocional, pois interpretações equivocadas ou distorcidas podem prolongar o efeito da emoção além do tempo necessário. Essa interpretação no contexto educacional pode ser prejudicial, com consequências para a vida do indivíduo. As consequências positivas ou negativas no ambiente são moldadas pela interação entre emoções e interpretações, influenciando os comportamentos humanos.

Passos para a Regulação Emocional

A regulação emocional envolve validar a importância das emoções e trazê-las para a educação. Todos vivenciam emoções e lidam com elas de maneiras eficazes e ineficazes. O problema não é sentir emoções desagradáveis, mas sim a capacidade de reconhecê-las, aceitá-las e usá-las quando possível, continuando a funcionar apesar delas. Os passos para a regulação emocional incluem: consciência de si, nomear as emoções, contextualizar a emoção e responder à emoção, considerando diferentes opções e mudando o comportamento diante da emoção.

Autorregulação Emocional na Adolescência

Autorregular não é controlar ou reprimir emoções, mas sim reconhecer, compreender e manejar emoções de forma funcional para responder às situações do cotidiano de maneira mais saudável. A apresentação oferece exemplos de situações comuns na adolescência, como tirar uma nota baixa, conflitos com colegas, exposição em sala de aula e feedback do professor, mostrando como interpretações equivocadas podem gerar emoções negativas e comportamentos disfuncionais. A escola pode ser um espaço de apoio para que os adolescentes aprendam a lidar com as emoções, fortalecendo sua autoconfiança e acreditando em seu potencial.

Autoeficácia na Adolescência

A autoeficácia, conceito de Albert Bandura, refere-se à crença na capacidade de organizar e executar ações necessárias para lidar com determinada situação. A autoeficácia é contextual e está relacionada à persistência, enfrentamento de dificuldades, engajamento, manejo emocional, participação e autonomia. Pessoas com baixa autoeficácia tendem a não se engajar, enquanto aquelas com maior autoeficácia persistem mesmo diante de dificuldades. A autoeficácia é construída com experiências de sucesso anteriores, modelação, feedbacks construtivos e apoio social.

Considerações Finais e Estratégias Efetivas

É essencial sensibilizar e provocar reflexões para que se consiga pensar em estratégias efetivas para desenvolver competências e lidar com o sofrimento emocional na escola. Este é um trabalho contínuo que exige formação continuada, prática, supervisão e construção coletiva. Não basta esperar que a escola responda às demandas emocionais da adolescência apenas pela experiência ou boa vontade; é preciso escuta qualificada, práticas baseadas em evidências e espaços institucionais de cuidado e desenvolvimento. O CRP e outros grupos fortalecem as práticas nesse sentido.

Atuação da Psicologia Escolar

A atuação da psicologia escolar visa promover o desenvolvimento integral dos estudantes e fortalecer processos educativos que favoreçam aprendizagem, bem-estar e participação de todos na escola. Isso inclui promoção da saúde mental, fortalecimento de vínculos, ações preventivas, trabalho institucional, mediação de relações, apoio aos professores, construção de práticas emocionalmente seguras e desenvolvimento de habilidades socioemocionais. A psicologia escolar não se resume ao atendimento individual, não medicaliza dificuldades escolares e não individualiza problemas, realizando práticas baseadas em evidências, prevenção, trabalho coletivo, escuta qualificada e ética.

Primeiros Socorros em Saúde Mental

Uma ação importante é a formação em primeiros socorros em saúde mental, que visa fortalecer o apoio a pessoas em crise ou sofrimento emocional, reduzindo os impactos negativos. Qualquer pessoa pode implementar esses primeiros socorros após a formação, não sendo necessário um especialista. Profissionais da educação preparados para aplicar os primeiros socorros favorecem a implementação de práticas de cuidado baseadas em evidências, o desenvolvimento de habilidades de enfrentamento e o aumento da confiança para agir em situações de risco.

Formação em Primeiros Socorros em Saúde Mental e Pesquisa

A formação em primeiros socorros em saúde mental está com inscrições abertas e é online, com um momento de estudo prévio e uma etapa prática obrigatória. O certificado é emitido pela USP após o cumprimento das duas etapas. Há também uma pesquisa para professores sobre saúde mental na adolescência, com o objetivo de entender como eles se sentem capazes de apoiar o bem-estar e promover a saúde mental.

Considerações Finais e Agradecimentos

Fabiana Versute expressa sua felicidade em participar do evento e espera ter contribuído para fortalecer as práticas de cuidado. Juliana Mendes agradece a Fabiana pela contribuição e ressalta a importância da cultura do cuidado e da promoção da saúde mental para o aprendizado integral. Ambas destacam a importância de fomentar práticas de cuidado, escuta e atenção qualificada, entendendo os limites e potencialidades do trabalho do psicólogo no contexto escolar.

Discussão e Perguntas

A discussão aborda a dificuldade de trabalhar com equipes restritas e a importância de entender os limites e potencialidades do trabalho do psicólogo. A formação é toda online, com uma parte prática síncrona em datas específicas. Psicopedagogos e outros profissionais da comunidade educativa que atuam com adolescentes podem participar da formação. A autorregulação pode ser desenvolvida em diferentes contextos, e a equipe escolar pode estimular esse desenvolvimento.

Links e Materiais Adicionais

São compartilhados links para acessar a página de inscrição na formação e para materiais sobre autolesão não suicida e prevenção do suicídio nas escolas. É enfatizado que o programa é para quem está inserido no contexto escolar e atua com adolescentes. A timidez não deve ser punida, e é importante entender os limites e potencialidades de cada aluno, trabalhando com autoeficácia para fortalecer a crença na capacidade de agir.

Conselho Tutelar e Trabalho em Rede

O Conselho Tutelar deve ser parceiro no trabalho escolar, e não apenas notificado. É fundamental que os conselheiros também passem por formações para que as questões não se limitem à notificação. A Psicologia Escolar Educacional precisa trabalhar em rede, e isso deve ser claro para as secretarias estaduais e municipais. A lei da inserção do psicólogo e assistente social deve andar junto com outras leis para garantir um trabalho efetivo.

Encerramento e Agradecimentos Finais

Juliana Mendes agradece a Fabiana Versute e a convida para futuras parcerias. Fabiana Versute se coloca à disposição e espera contar com a participação de muitos profissionais na formação. Ambas reforçam a importância do trabalho em rede e da articulação para mudar a história de muitos adolescentes e da comunidade educativa como um todo.

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