Breve Resumo
Este vídeo do curso de História da Democracia analisa a Era da Catástrofe no século XX, marcada pela crise de 1929 e a ascensão do fascismo como principal adversário da democracia. O vídeo explora a definição de fascismo, regimes totalitários, e a eventual consolidação da democracia com os direitos humanos e a paz. Também aborda os desafios atuais da democracia, como a crise de representatividade, populismos, extremismos e os impactos da pandemia de COVID-19.
- A Era da Catástrofe (primeira metade do século XX) foi um período de guerras, crises econômicas e ascensão de regimes autoritários.
- O fascismo, originário na Itália, ganhou força com a crise de 1929 e influenciou o nazismo na Alemanha.
- A Segunda Guerra Mundial foi crucial para a defesa da democracia contra a ameaça fascista.
Introdução
A aula retoma o curso de História da Democracia, recapitulando a análise da origem do conceito de democracia na Grécia Antiga, especialmente em Atenas. É enfatizado que o significado das palavras evolui com o tempo, exigindo contextualização e reinterpretação dos conceitos. A democracia ateniense, com suas instituições e participação direta na Ágora, difere significativamente dos modelos atuais. Após a queda de Atenas, o termo "democracia" entrou em ostracismo por mais de dois mil anos, sendo ressignificado no século XVIII à luz do Iluminismo, incorporando a defesa da liberdade, ausente na democracia antiga. O século XIX viu a formação das principais forças ideológicas, como liberalismo, democracia, doutrinas sociais, conservadorismo e nacionalismo.
Era da Catástrofe
O período da primeira metade do século XX é denominado "Era da Catástrofe" devido à sucessão de eventos trágicos. Uma pessoa nascida em 1900 testemunhou a Primeira Guerra Mundial, uma guerra total que envolveu toda a sociedade, alterando o cotidiano e impulsionando a inserção das mulheres no mercado de trabalho. A economia se adaptou ao esforço de guerra, com fábricas convertendo sua produção. Em 1917, a pandemia da gripe espanhola se somou ao cenário de guerra, resultando em fome, escassez e morte. Após a guerra, a década de 1920 trouxe a difusão da liberal democracia e a fusão dos valores liberais e democráticos. Os "anos loucos" foram marcados por libertação nos costumes e otimismo, mas essa euforia durou pouco.
Anos Loucos e a Crise de 1929
A moda na década de 1920 refletiu a liberalidade da época, com a estilista Coco Chanel lançando o perfil da mulher moderna. No entanto, os "anos loucos" terminaram abruptamente com a crise de 1929, o crash da Bolsa de Nova York, que gerou uma crise econômica global. A crise foi interpretada como uma falência do liberalismo econômico devido à falta de regulamentação estatal, o que arrastou consigo o liberalismo político e a democracia. A partir da década de 1930, houve uma proliferação do fascismo e de regimes autoritários, com a descrença no regime democrático levando à busca por alternativas autoritárias.
Ascensão do Fascismo e Nazismo
Na Alemanha, o partido fascista, conhecido como nacionalsocialismo, ascendeu ao poder em 1933, liderado por Hitler, que implementou um projeto de reconstrução do mundo eliminando vestígios democráticos e liberais. Esse projeto culminou na Segunda Guerra Mundial em 1939, um conflito ainda maior que a Primeira Guerra, com mais de 60 milhões de mortos. A guerra trouxe o Holocausto, a eliminação sistemática de judeus e outros grupos considerados impuros, e terminou com o lançamento de bombas nucleares, demonstrando a capacidade humana de extinguir a própria espécie. A combinação de guerras, crise econômica, pandemia, nazifascismo e regimes autoritários justifica a denominação "Era da Catástrofe".
O que é Fascismo
O fascismo é definido como o regime que mais se opôs à liberal-democracia, originado na Itália. Após a Primeira Guerra Mundial, a Itália enfrentou um sentimento de "vitória mutilada", o que gerou ressentimento e radicalização política. Os "camisas negras" formaram o "fácil de combatimento", um grupo paramilitar para combater adversários políticos de esquerda e liberais. O símbolo do fascismo, feixes atados com um machado, representa a união e a força da totalidade sobre a unidade, além de simbolizar autoridade. O fascismo, inicialmente um movimento paramilitar, moderou seu discurso para destruir a democracia por dentro, transformando-se em um partido político.
A Marcha sobre Roma e a Ditadura Fascista
Em 1922, a "Marcha sobre Roma" marcou a tomada do poder por Mussolini na Itália, com o apoio das direitas tradicionais, que erroneamente acreditavam poder controlar os fascistas. Em 1926, o fascismo se consolidou como uma ditadura, com sistema unipartidário, controle da imprensa, polícia política e corporativismo. As esquerdas foram eliminadas e as direitas que apoiaram o fascismo também foram suprimidas. Inicialmente, o fascismo era visto como uma experiência isolada na Itália, mas a crise de 1929 mudou essa percepção.
A Crise de 1929 e a Ascensão do Nazismo na Alemanha
A crise de 1929 levou ao colapso do sistema liberal e da democracia, abrindo caminho para a ascensão de partidos inspirados no fascismo italiano. Na Alemanha, Hitler copiou o modelo fascista, transformando o Partido Trabalhista Alemão no Partido Nacional Socialista. Após a crise, o apoio ao Partido Nazista cresceu exponencialmente, tornando-se o maior partido no parlamento alemão em 1932. Em 1933, Hitler foi nomeado chanceler e, após o incêndio do parlamento alemão, consolidou a ditadura nazista. As Leis de Nuremberg afirmaram a ideia eugênica do nazismo, discriminando e descredibilizando cidadãos com base em critérios raciais.
O Nazismo como Referencial de Futuro
Diferente da Itália, a Alemanha sob Hitler experimentou um grande crescimento econômico, tornando-se um referencial para outros países em crise. O fascismo passou a ser visto como o futuro, com Hitler recuperando a economia alemã, eliminando o desemprego e rearmando o país. O movimento artístico futurista na Itália, com seu manifesto de 1909, já expressava ideias fascistas antes mesmo do surgimento do fascismo. Hitler adaptou a ideia fascista para criar o nazismo, adicionando dois elementos: o "Lebensraum" (espaço vital), uma política externa agressiva de anexação de territórios, e a ideia de uma raça superior, a ariana.
Futebol e Política na Itália Fascista
A Copa do Mundo de 1934, realizada na Itália fascista, exemplifica a instrumentalização política do esporte. A seleção italiana usou camisas negras, a cor dos fascistas, e venceu a Copa em meio a controvérsias. Na década de 1940, a democracia era vista como o regime dos fracos, e o número de democracias no mundo diminuiu drasticamente. Em 1940, de 65 países, apenas 11 eram democracias, com destaque para os Estados Unidos e o Reino Unido. O Brasil, sob o regime de Vargas, era de inspiração fascista.
A Ameaça Fascista e a Segunda Guerra Mundial
A democracia era um "acidente histórico" prestes a desaparecer, tornando a Segunda Guerra Mundial crucial. O conflito envolveu projetos opostos: a continuidade da democracia e a fundação de um mundo novo sob uma lógica fascista. A França de Vichy, após a invasão alemã, recunhou suas moedas, substituindo os símbolos republicanos por referências ao Estado francês e aos valores de trabalho, família e pátria. Em 1942, a Europa estava quase totalmente dominada pelo Eixo, com o Reino Unido resistindo sozinho sob a liderança de Winston Churchill.
Winston Churchill e a Resistência Britânica
Winston Churchill desempenhou um papel crucial na resistência britânica contra a Alemanha nazista. Contrariando a elite política britânica, Churchill se recusou a negociar com Hitler, permitindo que a Inglaterra resistisse sozinha. A Operação Dínamo resgatou tropas francesas e inglesas em Dunkerque, e a Batalha da Inglaterra impediu a invasão alemã. A combinação de Churchill, Roosevelt e Stalin foi essencial para evitar a supremacia do Eixo.
A Virada na Guerra e a Vitória dos Aliados
Hitler, após não conseguir invadir o Reino Unido, rompeu seu pacto com Stalin e invadiu a União Soviética, um erro estratégico. A entrada dos Estados Unidos no conflito forneceu recursos para os Aliados, e a sinergia entre Churchill, Roosevelt e Stalin levou à derrota do fascismo. Alan Turing, no Reino Unido, inventou o protótipo do computador, que decifrou o código nazista, auxiliando os Aliados. A vitória dos Aliados marcou o fim da ameaça fascista e a preservação da democracia.

