Mais clareza nos seus atendimentos: diagnóstico diferencial na prática!

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Breve Resumo

Este vídeo aborda a importância do diagnóstico diferencial na prática clínica, visando uma maior clareza nos atendimentos e a ampliação das possibilidades de manejo terapêutico. A palestrante discute como diferenciar quadros clínicos que se confundem, construir uma compreensão diagnóstica diferencial e o que observar além dos sintomas.

  • Diagnóstico diferencial como parte da compreensão diagnóstica.
  • A importância de considerar o contexto e a história do paciente.
  • Cinco atitudes para diferenciar quadros clínicos.

Introdução

A aula tem como objetivo trazer mais clareza para os atendimentos clínicos, ampliando as possibilidades de manejo terapêutico e auxiliando no desenvolvimento de um trabalho ético e cuidadoso. O foco é aprofundar a compreensão diagnóstica e o diagnóstico diferencial, elementos considerados fundamentais na prática clínica.

Retomada da Aula 1

A aula anterior abordou a importância de entender a psicopatologia para a prática clínica, respondendo a dúvidas frequentes e explorando as mudanças que ocorrem quando há um aprofundamento no tema. Foram discutidos pontos fundamentais a serem considerados ao iniciar os estudos sobre psicopatologias.

Objetivos da Aula 2

O foco da aula é fornecer mais clareza nos atendimentos através do diagnóstico diferencial na prática. Serão abordados os seguintes tópicos: como diferenciar quadros clínicos que se confundem, como construir uma compreensão diagnóstica diferencial e o que observar além dos sintomas. A ideia é aprofundar a compreensão e levar reflexões importantes para a prática clínica.

O que é Diagnóstico Diferencial

O diagnóstico diferencial é um processo para distinguir entre diferentes possibilidades diagnósticas relacionadas aos sintomas de uma pessoa. A primeira pergunta a ser feita é se existe uma psicopatologia presente. Se a resposta for sim, a próxima pergunta é qual psicopatologia. Se a resposta for não, é preciso continuar a compreensão diagnóstica para entender as características do funcionamento da pessoa.

Compreensão Diagnóstica

A compreensão diagnóstica é uma visão ampla de como a pessoa funciona no mundo, em suas relações e contextos. O diagnóstico diferencial é uma parte dessa compreensão, focando na presença ou ausência de psicopatologias. Cada sintoma pode ser visto como uma cor em um guarda-chuva, representando a singularidade da experiência de cada indivíduo, mesmo dentro de um mesmo quadro clínico.

Como Construir uma Compreensão Diagnóstica Diferencial

Para construir uma compreensão diagnóstica diferencial, é essencial conhecer os principais transtornos e seus sintomas. Dentro de uma mesma classificação, como os transtornos de ansiedade, é preciso diferenciar as manifestações, como o transtorno de ansiedade generalizada e o transtorno de pânico, pois cada um exige cuidados e manejos terapêuticos específicos.

A Importância da Compreensão Diagnóstica Diferencial

Realizar um diagnóstico diferencial preciso evita erros de diagnóstico, direciona melhor as intervenções, aumenta a clareza do manejo clínico, respeita a singularidade do paciente e reduz o risco de tratamentos inadequados. É fundamental distinguir entre transtorno, reação a um contexto e traço de personalidade, analisando os sintomas sempre em relação ao contexto.

Cinco Atitudes para Diferenciar Quadros Clínicos

Para diferenciar quadros clínicos, é importante: ter conhecimento sobre psicopatologia, praticar a escuta qualificada (livre de preconceitos e julgamentos), realizar uma investigação coerente (atento à fala e aos comportamentos), avaliar o contexto desde o surgimento dos sintomas e observar para além dos sintomas (considerando o impacto no terapeuta, falas espontâneas, omissões, potencialidades e limites).

Observações Além dos Sintomas

Além dos sintomas, é crucial observar o que impacta o terapeuta, as falas espontâneas do paciente, as omissões em seu discurso, suas potencialidades e seus limites. Aquilo que chama a atenção no paciente pode revelar algo importante sobre ele, e as omissões podem indicar áreas não exploradas ou evitadas.

Pilares para o Diagnóstico Diferencial

Os quatro pilares para o diagnóstico diferencial são: história e contexto (quando os sintomas começaram e como evoluíram), padrões de funcionamento (frequência, intensidade e desencadeadores), o que mantém os sintomas (função do sintoma e o que ele protege) e influências orgânicas (considerar a possibilidade de disfunções biológicas).

Desafio Maior

O maior desafio é transformar o diagnóstico em intervenção, ou seja, pensar em um plano terapêutico e em manejos adequados para a vivência da psicopatologia do paciente. É essencial conhecer as peculiaridades de cada psicopatologia para direcionar as intervenções de forma eficaz, sem reducionismos e respeitando a singularidade do indivíduo.

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Transcrição

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0:01 Olá, gente linda. E bora para mais uma aula sobre psicopatologias na prática clínica. Hoje nós vamos falar sobre mais clareza nos seus atendimentos, diagnóstico, diferencial na prática. Então, hoje a gente vai conversar um pouquinho sobre compreensão diagnóstica, diagnóstico diferencial. Então agora a gente vai, ó, aprofundar ainda mais, caminhar ainda mais por compreensões que são fundamentais quando a gente pensa nas psicopatologias da nossa prática clínica. Então, bora lá, minha gente. Muito bom ter vocês

0:46 aqui. Se vocês quiserem mandar mensagens aqui, ó, no chat, eu tô de olho. Vocês podem conversar e bora pra gente falar mais um pouquinho dessa temática tão importante. Antes da gente começar, eu quero fazer minha audiodescrição, né? Então, hoje eu estou com uma blusa perolada. Perolada. Existe é um branco meio off white com brilhinho assim, ó, com duas pérolas na região do pescoço. Tô com cabelo solto, cabelo preto, eh, ondulado, né? Sou uma mulher de pele clara, tô de batom rosa. Então, só para me aproximar um pouquinho mais aí das

1:32 pessoas com deficiência visual também para vocês se sentirem aí bem pertinho de mim. Tô no meu escritório, né, o mesmo cenário de ontem, com as mãos aqui no fundo, né, na cor azul, um fundo de verde com umas plantas artificiais e várias luzes amarelas aqui também. Então, galera, acho que podemos começar o a nossa aula. Já vou compartilhar aqui o material psicopatologias na prática clínica, aula dois, porque temos muita coisa para discutir, para conversar e não quero perder tempo com vocês neste momento. Quero, ó, dar conta do

2:18 conteúdo. Então, pegue seu caderno, pegue suas canetas coloridas, pegue o seu tablet, seu Google Docs, o seu computador, seu notebook, né, o material que você tiver para fazer as suas anotações, porque daí a gente pode, você pode então fazer, né, registros de coisas que são muito importantes que a gente vai estar discutindo na nossa aula de hoje, OK? Então, só relembrando, o objetivo do nosso curso Psicopatologias na prática clínica é trazer mais clarezas para os seus atendimentos, é ampliar suas possibilidades de manejo terapêutico. Tô vendo que a minha câmera deu uma embaçadinha aqui, ó. Pronto, já voltou. Então, ampliar suas possibilidades de

3:05 manejo terapêutico, auxiliar no desenvolvimento de um trabalho ético e cuidadoso. Então, são [limpando a garganta] todos os objetivos do nosso curso e todo o conteúdo que eu vou trazendo para vocês, desde a aula um, agora nessa aula e também na aula três, vai ser alinhado com esses objetivos, né? Inclusive a aula de hoje traz até no nome, né, mais clareza pros atendimentos, porque construir um diagnóstico diferencial favorece muito a essa clareza que a gente pode ter nos nossos trabalhos, no nosso atendimento, além de também favorecer, né, mais possibilidades de manejo e de intervenções que sejam coerentes com o que a pessoa tá

3:50 vivenciando naquele momento. consequentemente, a gente vai desenvolvendo um trabalho ético, um trabalho cuidadoso junto das pessoas que estão conosco, ok? Então, ó, só retomando a aula um. Se você ainda não assistiu a aula um, volta lá para assistir a aula um, depois você assiste a aula dois, porque tem toda uma construção de conhecimento importante, né, que a gente vai caminhando aula por aula, né? Então é muito importante que vocês vejam a aula um para depois vocês assistirem a aula dois e sentirem, né, essa com essa costura, né, de conhecimentos de um de um conteúdo pro outro conteúdo também. Tá bom? Então, na aula um, a gente viu porque entender

4:35 psicopatologia pode mudar a sua prática clínica, inclusive esse é o nome da aula um. E aí nós abordamos dúvidas frequentes que aparecem na prática clínica, o que costuma acontecer quando não temos um aprofundamento sobre as psicopatologias. Nós vimos também na aula um, o que muda quando você começa a se aprofundar na temática das psicopatologias e também o que é fundamental levar em consideração quando a gente inicia os nossos estudos sobre as psicopatologias. pontos importantes que nós temos que levar em consideração quando a gente trabalha essa temática. A gente já deu start nesse conhecimento lá na aula um

5:22 e aqui na aula dois, minha gente, o que nós vamos ver aqui nesta aula dois. Nome da aula: Mais clareza nos seus atendimentos, diagnóstico diferencial na prática. Então, como eu estava dizendo para vocês, ó, o que nós vamos trabalhar hoje. Já anota aí o que nós vamos trabalhar hoje para você nem se perder. Como diferenciar quadros clínicos que muitas vezes se confundem na prática. Como construir uma compreensão diagnóstica diferencial e o que realmente observar além dos sintomas. Isso aqui é muito importante, né, gente? É muito comum eh que quando a gente

6:10 começa a estudar psicopatologia, a gente dê bastante ênfase, às vezes fique até preso à visão dos sintomas e a compreensão dos sintomas. Não há problema nenhum em observar os sintomas e em compreender os sintomas. Na verdade, é fundamental que façamos isso, inclusive para fazer uma compreensão diagnóstica diferencial. A grande questão é que nós não podemos ficar somente nos sintomas, né? Nós não podemos olhar somente para as características nozológicas do quadro. Existem outros elementos que precisam estar presentes numa compreensão diagnóstica diferencial. E nós vamos trabalhar esses elementos na aula de

6:55 hoje também. Então vocês estão vendo que a tia aqui, ó, tá com objetivos ousados para a aula de hoje, né? da gente se aprofundar mesmo e de vocês já levarem assim reflexões importantes para mudar a compreensão de vocês a respeito da prática clínica de vocês a partir de agora, de hoje, de 1 2 3 e já. Isso mesmo. Então vamos ver diagnóstico diferencial, né? Vamos começar agora então trabalhar exatamente esse conceito que é o conceito da aula de hoje, que é um conceito que tem por objetivo então eh ampliar a clareza do nosso

7:44 trabalho na prática clínica, tem por objetivo, né, fazer com que a gente então consiga compreender com mais profundidade eh os conceitos, né, o funcionamento da pessoa que eu estou atendendo e se existe a vivência de uma psicopatologia ou não, tá gente? Então, olha que bonitinho que ficou esse material aí, ó. Diagnóstico diferencial, o que é. Eu coloquei esse guarda-chuva colorido aí por um motivo bastante importante, né, que eu vou trazer aqui para vocês já. O que que esse guarda-chuva tá fazendo no meio da frase do diagnóstico

8:29 diferencial? Que será que tá fazendo aí, minha gente? Quem quem souber aí, quem achar que sabe que que o diagn que que o guarda-chuva tá fazendo no meio do diagnóstico diferencial, já coloca aí no chat para eu ver se vocês conseguem aí se antecipar ao que eu vou trazer para vocês hoje ou se vocês estão só curiosos. Então, olha lá, gente, o que que é um diagnóstico diferencial, que é o tema principal da nossa aula. O diagnóstico diferencial, ele é um processo no qual nós vamos distinguir entre diferentes possibilidades diagnósticas que podem estar relacionadas aos

9:17 sintomas de uma pessoa, certo? Então aqui a gente tá falando sobre diferenciar se a pessoa primeiro está vivenciando um transtorno ou não. Então, ó, anota aí que isso não tá no material. Qual é a primeira pergunta que a gente precisa se fazer quando a gente vai construir uma compreensão diagnóstica diferencial? A primeira, qual é a primeira pergunta que a gente vai se fazer? Ao construir uma compreensão diagnóstica diferencial. Existe a vivência de uma psicopatologia aqui? Sim ou não?

10:04 Né? Então essa é a primeira questão que a gente vai levar em consideração quando a gente pensa no diagnóstico diferencial. Existe uma psicopatologia ou não existe uma psicopatologia? Certo? Primeira pergunta, Laí, a pessoa tá vivenciando uma psicopatologia? Sim, né? Essa característica, esses sintomas, eles não são sintomas soltos, eles não são sintomas brandos. Eu tenho assim bastante clareza de que o que tá acontecendo aqui é sim uma experiência de uma psicopatologia.

10:49 OK? Então a próxima pergunta é: qual psicopatologia é essa, né? E é aí que a gente começa a se aprofundar nesse diagnóstico diferencial. Laí, e se eu perguntar, existe uma psicopatologia nessa vivência? E a resposta for não. Bom, se eu perguntar, existe uma psicopatologia nessa vivência e a resposta for não, então eu também já estou construindo esse diagnóstico diferencial. Então, OK. Então, não existe uma experiência de uma psicopatologia. Esses sintomas e esses traços são características do quê, né? Então a minha compreensão ela não

11:35 morre aí, ela precisa continuar. Ah, então se a pessoa não vivencia uma psicopatologia, eu não vou dar continuidade na minha compreensão diagnóstica. Não, jovem gafooto. Claro que você vai continuar fazendo sua compreensão diagnóstica, mas sem a inclusão de um quadro nozológico, sem a inclusão dessa psicopatologia. Ah, professora, eu percebo que o paciente que eu tô atendendo, ele tem um assim, ele tem uma característica mais ansiosa, ele fala bastante rápido, né? Ele balança ali um pouco as pernas, mas pelo que eu tô observando, não me parece assim um transtorno de ansiedade, parece mais assim um funcionamento ansioso.

12:23 Pode existir isso, gente? Pode existir isso? Claro que pode existir isso. Então, sem dúvida nenhuma, a gente vai entender que quando a gente vai construir um diagnóstico processual na um diagnóstico diferencial processual é uma das características do diagnóstico também, né? Quando a gente vai construir um diagnóstico diferencial, uma das características é a possibilidade de existir uma psicopatologia ou não. Primeira pergunta. Segunda pergunta, se não existe uma psicopatologia, então qual é a compreensão que eu faço, né, desse desse funcionamento que eu estou percebendo? Ai Laí, eu percebo que esse

13:08 meu paciente tem um funcionamento ansioso. Então, mas tem a ver com um contexto, com o momento em que ele tá vivendo, tem a ver com um jeito de ser no mundo, uma característica dele? Eu continuo a minha compreensão. Percebam? Agora vamos para o outro caminho. Aonde existe a experiência de uma psicopatologia. Não, laí, essa pessoa com certeza tá vivenciando um quadro psicopatológico. Aí a segunda pergunta é: qual quadro é esse? Qual psicopatologia é essa? Porque nada é tão simples, né, minha gente? >> [suspirando][risadas] >> Se nós pegarmos o DSM, gente, o DSM atual são mais de 300 transtornos apresentados ali, né? Aí

13:56 como é que eu faço, tia Laí, para fazer uma compreensão diagnóstica diferencial de tantas experiências possíveis psicopatológicas que essa pessoa está apresentando, né? Então, nós precisamos conhecer os principais transtornos que mais aparecem na nossa prática clínica. E isso nós vamos conversar na nossa aula três, tá? Na aula três, eu vou falar um pouquinho desses principais que vão exigir de nós mais estudo, mais aprofundamento para que a gente possa fazer essa compreensão diagnóstica diferencial. OK? Mas e o guarda-chuva? Que que o guarda-chuva tem a ver? com essa história toda, minha gente.

14:42 O guarda-chuva, ele tá aqui por dois motivos. Primeiro motivo, inclusive quis deixar ele bem coloridinho aí, ó, do jeito que vocês estão vendo, né? Então tem a imagem aqui de um guarda-chuva eh com várias cores. Cada partezinha ali da aba dele, né, na parte de cima dele tem uma cor, amarelo, verde, azul, roxo, violeta, rosa claro, rosa escuro, laranja, várias cores aqui no guarda-chuva. Então, a primeira ideia que eu que eu acho bastante interessante de trazer para vocês, inclusive anotem isso porque isso vai fazer muita diferença na compreensão geral da da nossa aula de hoje. Quando a gente pensa no diagnóstico

15:28 diferencial, a gente tá pensando em uma partezinha da compreensão diagnóstica, tá gente? A compreensão diagnóstica é como se fosse esse guarda-chuva que vocês estão vendo. Compreensão diagnóstica, ela vai envolver vários elementos que precisam ser levados em consideração na construção dessa compreensão diagnóstica e dessa hipótese diagnóstica. Nós vamos falar mais sobre alguns elementos desses durante a aula, tá? O diagnóstico diferencial, ele é uma parte da compreensão diagnóstica, OK? Tá? Então, a compreensão diagnóstica é o qu Então, Laí, vamos lá que a tia vai facilitar a vida de vocês. A compreensão diagnóstica, que é esse guarda-chuva

16:14 bonitão que vocês estão vendo, ela é uma ela é uma compreensão de como a pessoa funciona no mundo. OK? Então, vamos lá de novo, né? compreensão diagnóstica é uma compreensão de como a pessoa funciona no mundo, nas suas relações, né, nos diversos contextos onde ela contextos onde ela está inserida, no próprio setting terapêutico, né? Então a gente costuma dizer que a compreensão diagnóstica, ela vai responder, né, aquela ideia do como essa pessoa se relaciona, do do quem é você,

17:01 digamos assim, né? Mas sem esse esse cunho paralisado, né, do eu sou assim, eu nasci assim, você sempre assim, Gabriela, né? Por isso que ao invés de falar que a compreensão diagnóstica vai trazer quem é nosso paciente, e a gente prefere usar a palavra como ele funciona, né? Porque como ele funciona dá uma sensação de movimento, de transformação, né, de relacional, porque como a gente funciona se transforma, porque como a gente funciona tem a ver com as nossas relações também, né? Então, o diagnóstico diferencial, ele é uma parte da compreensão diagnóstica. A compreensão diagnóstica é como o meu paciente funciona no mundo.

17:49 No jeito dele funcionar do mundo, pode existir uma psicopatologia ou não. E aí é que entra o diagnóstico diferencial dentro da compreensão diagnóstica, OK? Então, compreensão diagnóstica, como o meu paciente funciona no mundo, todas as suas características, as suas potências, inclusive as suas qualidades, a sua singularidade, as características que ele tem compartilhada, as características que ele tem, que que ele compartilha somente com algum grupo de pessoas e as características que são únicas, absolutamente subjetivas dessa pessoa que eu estou atendendo. Então tudo isso vai estar aparecendo, né, os seus contextos, as suas relações,

18:36 as suas experiências, tudo isso contendo, né, os seus bloqueios na compreensão diagnóstica. E aí quando a gente começa a olhar se existe uma vivência de uma psicopatologia ou não, né, se existe uma vivência de psicopatologia, qual psicopatologia é essa? Aqui a gente já tá adentrando numa dessas bordinhas aí do guarda-chuva, que é o diagnóstico diferencial. Uma outra analogia interessante que a gente pode utilizar para esse guarda-chuva aí que vocês estão vendo todo coloridinho, é que a gente pode pensar que cada corzinha pode ser um sintoma que a pessoa apresenta, né? Então, imagina que o amarelinho é um sintoma, o azulzinho é um sintoma, o

19:22 laranjinho é um sintoma. Então, uma pessoa que ela vivencia um quadro depressivo, ela vai ter, né, o seu guarda-chuvinha ali, alguns sintomas mais comuns, mais frequentes, que uma outra pessoa que vivencia um transtorno de ansiedade vai ter outros sintomas, outras cores no seu guarda-chuva. Ainda assim, como essa pessoa ela é um ser único no mundo e cada um vai viver a experiência da psicopatologia de formas diferentes, nós nunca teremos um guarda-chuva igual ao outro. Mesmo que duas pessoas estejam vivenciando um quadro de depressão maior, ainda assim, uma vai apresentar um pouco mais de um sintoma X, a outra vai apresentar um pouco mais de um sintoma Y. E nós

20:10 teremos então sempre guarda-chuvas que são diferentes uns dos outros. Porém, existem alguns sintomas que vão invariavelmente aparecer na experiência da maioria das pessoas que vivenciam um transtorno depressivo e que não vai aparecer na experiência da maioria das pessoas que vivenciam um transtorno de ansiedade. E são essas corezinhas aí, são esses sintomas similares e diferentes que também nos ajudam a fazer uma compreensão diagnóstica diferencial. Aí sobre isso eu vou falar um pouquinho mais aqui, ó, neste próximo slide, neste

20:55 próximo material. Como construir uma compreensão diagnóstica diferencial? Então, não é isso? Você já me falou que a compreensão diagnóstica diferencial, ela é uma parte dessa compreensão diagnóstica mais ampla, né? Ela traz ali um olhar se existe uma psicopatologia ou não. E se existe, qual psicopatologia é isso? que essa pessoa tá vivendo é um transtorno de ansiedade. Professor, eu tenho certeza que essa pessoa é extremamente ansiosa de um nível que assim, não tem como isso não ser um transtorno. OK, mas que tipo de transtorno de ansiedade essa pessoa tá vivendo, né? Porque se a gente pegar o 10m, a gente tem 11 possibilidades, por exemplo, né? Então,

21:41 é um transtorno de ansiedade generalizada, é um transtorno de pânico. Percebam aqui começa já uma diferenciação, porque existem sintomas diferentes no transtorno de ansiedade generalizada e no transtorno de pânico, inclusive na crise de ansiedade e na crise de pânico. É, por isso que nós temos que ter esse conhecimento. Várias vezes eu pergunto pros meus alunos: "Ai, professor, ele teve uma crise de ansiedade assim, assim, assado. Como foi essa crise de ansiedade? Ah, foi assim, foi assim, foi assim. Você perguntou tal coisa, você perguntou outra coisa. Então, se eu sei a diferença de uma crise para outra crise, eu sei o que eu preciso perguntar pro paciente para daí eu começar a construir uma

22:27 compreensão diagnóstica diferencial. Se eu nem sei que existe diferença entre uma crise de pânico, uma crise de ansiedade, ambas são crises de ansiedade, né? Mas uma crise de ansiedade mais generalizada e uma crise de pânico. Se eu não sei qual é a diferença na construção do diagnóstico diferencial, eu não vou saber nem fazer uma investigação coerente para que o meu paciente possa apresentar para mim o que ele viveu naquele momento, o que ele experienciou naquele momento. E eu consegui fazer essa diferenciação, se ele tá vivenciando um transtorno de pânico ou um transtorno de ansiedade generalizada. Ah, Laí, mas que diferença faz eu saber se é um transtorno de ansiedade generalizada ou um transtorno de pânico?

23:13 Muita diferença, né? Então, como eu falei, a gente não vai olhar só para isso. A gente não vai ter uma visão reducionista, a gente não vai olhar pra pessoa e dizer: "Esse é o pânico ou esse é a ansiedade", né? Mas existem alguns cuidados no manejo terapêutico, né? Existem algumas particularidades que a gente precisa estar atento que vai diferenciar quando eu estou trabalhando com uma pessoa que vive um transtorno de ansiedade generalizada, de quando eu tô trabalhando com uma pessoa que tem ali a questão do transtorno de pânico. Então, dentro de uma mesma classificação, que são os transtornos de ansiedade, a gente precisa fazer uma compreensão diagnóstico diferencial, né? E como lais

24:01 que eu vou construir essa compreensão diagnóstica diferencial? Aí aqui, gente, nós temos que conhecer esses principais transtornos mesmo, né? E essa não é o esse nem é o desafio maior, né? Porque o desafio maior é a gente depois de uma compreensão diagnóstica, pensar o que que eu vou fazer com isso, né? como que eu vou olhar para essa pessoa sem perder a singularidade dela, mas como que eu também vou ajudar essa pessoa, né, no enfrentamento disso que ela tá vivenciando agora? Que caminhos terapêuticos eu posso ter? Que manejos eu posso fazer? Que manejos eu não devo fazer, uma vez que ela tá vivenciando essa experiência, né? Então, eh, tô até me lembrando aqui,

24:47 né, de alguns manejos que não são muito adequados para alguns tipos de experiências psicopatológicas e que é muito comum de chegar dentro do processo de supervisão, né, eh, por um desconhecimento mesmo, né, e às vezes até um acreditar que eu estou realmente ajudando essa pessoa ao fazer esse tipo de intervenção ou esse tipo de intervenção, como o exemplo que eu dei na aula anterior. né, da pessoa que vivencia ali um transtorno depressivo e ela chega pro processo terapêutico com todas as limitações dessa experiência e o terapeuta quer trabalhar com essa pessoa do mesmo jeito que ele trabalha com todas as outras pessoas do consultório dele e se sente frustrado porque o processo não caminha, né? Mas claramente

25:34 essa pessoa vai exigir de nós outros caminhos e outras possibilidades, porque ela tem limitações muito significativas na no momento de vida atual que ela está vivendo, exatamente pelo atravessamento da psicopatologia. Então aqui na compreensão diagnóstica diferencial, gente, não tem jeito. Temos que conhecer quais são os sintomas de um transtorno de pânico, quais são os sintomas de um transtorno de ansiedade generalizada, né? Qual que é a diferença de crise de transtorno? Qual que é a diferença de uma psicopatologia para uma característica da personalidade da pessoa, né? Então, a gente vai precisar conhecer com profundidade esses quadros nozológicos, né? não para

26:20 fazer reducionismo, não somente para classificar é isso ou é aquilo, mas paraa gente ter uma compreensão diagnóstica diferencial que vai favorecer todas as intervenções que eu vou fazer junto com essa pessoa, ok? Então, o principal aqui, né, na compreensão diagnóstica diferencial é estar atento aos sintomas que podem estar presentes em mais de uma psicopatologia. e o que os diferencia, né? Então, vamos falar de um erro diagnóstico super comum, transtorno bipolar e transtorno borderline. Muito comum, né? Tem pessoas, gente, que chegam até para nós trazendo essa ideia

27:08 de que elas são são, entre aspas, com os dedos, né? Porque quem é que é um transtorno? Ninguém é um transtorno, né? Mas que elas são borderline e bipolares. Ai Laí, não pode, pode, tudo pode nessa vida, não é, minha gente? Existe a possibilidade da gente ter sim uma comorbidade, como a gente costuma dizer, né? A junção de dois sintomas, de dois sintomas, não, né? De dois diagnósticos, mas é bastante raro, né? é mais raro do que costuma aparecer como diagnóstico na clínica, né? Então, muitas vezes isso sinaliza um diagnóstico diferencial ali que não foi feito. A pessoa apresenta algumas

27:54 características. Existem características que são similares do transtorno bipolar e do transtorno borderline. E como ela apresenta essas características, então eu dou os dois diagnósticos para os dois diagnósticos para essa pessoa. E não é bem assim, né? Então assim, pode sim acontecer da pessoa vivenciar os dois quadros clínicos, mas é bastante raro. É mais comum que apareçam para nós eh, como eu posso dizer, erros de diagnóstico mesmo, que trazem uma comorbidade quando, na verdade existe um quadro psicopatológico, mas não houve uma um diagnóstico diferencial tão bem elaborado.

28:40 Outro quadro também que é muito comum, né, da gente fazer, a gente perceber essa confusão, transtorno depressivo maior, diferenciar dos quadros depressivos do transtorno bipolar, principalmente do transtorno bipolar, tipo dois. Tipo um, às vezes é mais fácil de fazer essa diferenciação, mas o tipo dois muito comum que a pessoa conviva com o diagnóstico errado por muito tempo da sua vida. E aí todo tratamento é absolutamente diferente, todo manejo é absolutamente diferente, né? Então eu deixo de ajudar essa pessoa com profundidade porque de alguma forma eu não consigo fazer ter essa clareza na

29:26 compreensão diagnóstica diferencial. Então aqui é conhecer a psicopatologia, é estudar o quadro nozológico mesmo, é saber quais são os sintomas comuns, é saber quais são os sintomas diferentes. E aí, claro, né, gente, a gente tem que eleger as principais psicopatologias que a gente vai estar estudando, porque não vai dar para est se aprofundando nas 300, né? Acho muito difícil que, né, algum profissional consiga ter profundidade em todos os transtornos que são apresentados ali no DSM. Mas quando a gente vai percebendo com transtornos, né, pessoas que estão vivenciando um transtorno com bastante frequência, com muita, né, eh, várias vezes a gente tá percebendo as pessoas diferentes chegando com diagnósticos similares.

30:13 Então, ali é um bom sinalizador para eu começar a me aprofundar um pouco mais nessa sabedoria para fazer esse diagnóstico diferencial. E aí, claro, né, que a gente vai ter as particularidades de cada clínica. a gente estuda os principais, os que mais aparecem e se na sua clínica individual ali, né, tem outros transtornos que estão aparecendo também, daí você também vai precisar se aprofundar nesses conhecimentos, sem dúvida nenhuma. Mas por que que é tão importante, né, fazer um diagnóstico processual, fazer um diagnóstico diferencial e fazer essa compreensão que vai, né, fazer esse estudo que vai aprofundar essa visão de eh

31:01 sintomas né gente sintomatologia né essa diferenciação peculiar, o que que diferencia esse transtorno daquele transtorno? Porque como eu disse, se eu sei o que diferencia um transtorno, né, uma crise de ansiedade, uma crise de pânico, eu sei o que investigar junto com o meu paciente. Eu sei o que perguntar. Quantas vezes a gente se vê sem saber o que perguntar pro paciente, né? Meus alunos chegam na supervisão, eu falo: "Você perguntou isso, você perguntou aquilo? Você perguntou: "Ih, professor, não perguntei nada disso". Foi, então anote aí e pergunte na próxima sessão, porque saber disso é muito importante pra gente fazer essa construção diagnóstica diferencial. Beleza, gente? Tudo certo até aí?

31:47 Então, bora lá. Por que que é tão importante fazer essa compreensão? Então, porque evita erro de diagnóstico, né? né? E quando a pessoa vivencia um erro diagnóstico, é muito ruim, porque a gente vai fazendo todo um caminho terapêutico que muitas vezes não vai sendo benéfico pro processo, quando envolve tratamento medicamentoso, então nem se fale, né? Então ela vai começar todo um tratamento, né, direcionado para um uma vivência de uma psicopatologia. Não é exatamente aquela experiência que ela tá vivendo no nosso trabalho clínico também a gente vai ter essas dificuldades. Ó lá, ó, quando eu tenho essa boa compreensão, faço, faço essa compreensão diagnóstica diferencial, eu consigo direcionar melhor as minhas

32:33 intervenções, né? consigo trabalhar melhor com essa pessoa que tá aparecendo ali no processo terapêutico, tendo clareza da experiência que ela tá vivenciando, aumenta a clareza do nosso manejo clínico, respeita também a singularidade do paciente e reduz o risco de tratamentos inadequados, ok? Então, sempre que a gente vai construindo um diagnóstico diferencial, a gente vai ter, né, todos esses benefícios a favor do processo terapêutico e a favor dos nossos clientes. Sempre liim, meus amores. Que bom.

33:21 Então, bora lá. Um dos grandes desafios, então, que a gente enfrenta ao fazer uma compreensão diagnóstica diferencial é diferenciar o que é transtorno, o que é reação a um contexto e o que é um traço de personalidade. Então, foi o que eu trouxe para vocês anteriormente. Lembra que eu falei para vocês que de alguma forma a gente quando vai fazer eh uma compreensão diagnóstico diferencial, a primeira pergunta que a gente vai fazer é: existe uma psicopatologia ou não? Então, se existe uma psicopatologia, a

34:06 gente tá falando no âmbito dos transtornos, né? Ah, é um transtorno de ansiedade generalizada, é um transtorno depressivo maior, é um transtorno distímico, é um transtorno bipolar. Ou será que esse conjunto de sintomas que eu tô vi que é que o meu paciente tá vivenciando é uma reação ao contexto. Então, gente, nós não podemos só avaliar sintomas isolados. Lembra que eu falei para vocês que hoje em dia a gente tem a medicalização do cotidiano e que esses dias a tia quebrou o ovo lá no lixo e que dava para fazer um diagnóstico bem bonitinho da tia por esse por este episódio isolado. Qual que era o contexto,

34:53 né? que que a tia tava na cabeça ali que ela não estava percebendo que ela tava desatenta naquele dia. Então aquela desatenção tinha a ver com contexto ou é absolutamente descontextualizada, né? Por exemplo, quando a gente vai trabalhar depressão, diagnóstico diferencial, depressão ou luto, eu preciso analisar esse contexto, né? Então, se eu fico preso só nos sintomas do luto, é muito fácil eu entender que é uma depressão quando não é, né? Então, eu não posso nunca, gente. Anota isso. Passa grifa texto, ó, meu grifa texto aqui. Passa grifa texto aí. Tem grifo também no nos tablet hoje em dia, né? Tem a canetinha lá grifa.

35:41 Nunca eu vou olhar os sintomas desconectados do contexto. Sempre preciso entender esse contexto, né, para daí fazer um bom diagnóstico diferencial. Ou também preciso perceber se é um traço de personalidade dessa pessoa, né? né? Então, às vezes é um traço de personalidade. Às vezes essa pessoa, ela tem características que fazem parte do jeito dela ser no mundo. E isso não necessariamente é um transtorno. Não quer dizer que não possa vir a ser também, tá? Gente, vou dar até um exemplo meu. Por exemplo, eu sou uma pessoa bastante ansiosa em termos de funcionamento, personalidade. Sempre fui desde criança. Eu era criança pipoquinha. Pique pique pique pique

36:27 pique pi, sabe? a criança não para um segundo, né? Então, eu era uma criança pipoquinha. [roncando] Eh, eu não tenho um diagnóstico de TDH, por exemplo, não tenho hoje um diagnóstico de transtorno de ansiedade, mas eu tenho um traço de personalidade bastante agitadinho, com pensamentos bastante acelerados. Socorro, gente. O tanto de reunião que eu faço comigo é uma coisa assim, ó. Se eu ganhasse por hora com as reunião que eu faço, eu tava, olha, com os bolsos cheio, porque o tanto de reunião que eu faço comigo é assim, espetacular. Então, gente, é uma característica, um

37:13 jeito de ser, não é um transtorno de ansiedade, não gera danos significativos com relação à vida, né? Mas é um jeito de ser, é um jeito de funcionar. é uma característica da Laí, vai fazer parte da minha compreensão diagnóstica, só não vai entrar como um transtorno, uma psicopatologia e eu preciso saber fazer essa diferenciação na prática clínica, o que não quer dizer que não possa vir a ser, né? Então eu já vivi na minha vida, né, a experiência de ter um transtorno de ansiedade, né? E não recomendo para vocês, vocês puderem passar melhor, né? uma experiência de grande sofrimento. E aí eu não estava mais falando da Laí,

38:00 que tem um funcionamentinho ansioso. Ali eu estava falando da Laí, que já não consegue mais entender que o futuro é o futuro e o presente é o presente, com catastrofização constante, né, com ruminações mentais, que não eram pequenas reuniões de mim comigo, né? era uma desconexão com o mundo externo de tanta conexão e ruminação de pensamentos. Então, a gente tinha ali, né, um conjunto de sintomas que não demonstravam só um traço de personalidade, mais a gente tinha um conjunto de sintomas que demonstravam a experiência de uma psicopatologia. E ter este olhar é muito importante

38:46 para que a gente possa fazer essa compreensão diagnóstica diferencial. e tomar também um cuidado pra gente não classificar, compreender experiências de funcionamento, de jeitos de ser no mundo, de traços de personalidade ou, né, reações que estão extremamente coerentes com o contexto. A gente confundir isso com a psicopatologia, né? Então, porque percebam, até os encaminhamentos eles vão ser muito diferentes quando uma pessoa tem um traço de personalidade de quando ela tem de fato uma experiência de psicopatologia. Os encaminhamentos vão ser diferentes, o tratamento vai ser diferente, o manejo

39:32 terapêutico vai ser diferente também. Então, por isso que fazer uma boa compreensão diagnóstica diferencial faz toda a diferença no nosso trabalho clínico. Todo manejo terapêutico, ele precisa estar ancorado numa compreensão. Se eu não desenvolvo com profundidade uma compreensão diagnóstica diferencial ou se eu não consigo fazer com clareza essa compreensão diagnóstica diferencial, eu vou me sentir insegura com relação aos meus trabalhos, ao meu atendimento, às minhas intervenções, né? Isso, gente, só tô dando ênfase agora à questão das experiências sintomáticas, que podem ser classificadas como transtorno, né, como uma reação ao contexto ou como um traço de personalidade.

40:19 É óbvio que quando a gente vai falar de compreensão diagnóstica como guarda-chuva, nós vamos falar de várias outras coisas que não só os sintomas e a psicopatologia, tá gente? Então, a gente vai sempre fazer uma compreensão diagnóstica diferencial, que é o guarda-chuva grandão. Não, a gente sempre vai fazer uma compreensão diagnóstica, que é o guarda-chuva grandão. E uma parte dessa compreensão diagnóstica vai envolver o diagnóstico diferencial, né, que vai olhar então para esses sintomas e perceber é transtorno, é reação ao contexto ou é traço de personalidade. Então, essas três perguntinhas vocês precisam se fazer sempre que vocês vão construir um diagnóstico diferencial. Isso que a pessoa tá vivenciando, esse

41:05 conjunto de sintomas, está falando da vivência de um transtorno, está falando de uma relação ou contexto ou está falando de um traço de personalidade, tá? É claro que aí vamos complicar um pouquinho mais, né? Às vezes a pessoa pode ter um contexto que favoreça o desenvolvimento de um transtorno também, tá? Então não é porque existe um contexto que deixa a pessoa um pouco mais ansiosa. Vamos falar sobre fazer provas, por exemplo. Fazer prova é uma coisa que geralmente deixa as pessoas ansiosas, né, de funcionamento mais ansioso. E aí pode ser que essa pessoa nas semanas de prova fique com alguns sintomas, tenha lá umas dores de barriga, né? às vezes tenha uma

41:52 psicossomática desenvolva né uma pessoriase, uma dor de garganta, fique doente, etc. Então eu tô entendendo que existe uma reação ao contexto, né, que existe ali um uma ansiedade aparecendo nesses contextos e que faz sentido, porque é um contexto ansiógo, né, você pensar numa semana de provas, né, várias atividades ali avaliativas que são importantes pro seu desenvolvimento profissional, né? Então isso é ansiógeno, faz sentido que possa vir acontecer. Claro que eu vou precisar trabalhar isso também em termos terapêuticos, né? Porque tá gerando muito sofrimento. Porém, esse mesmo contexto, ele pode gerar reações muito mais agravadas, né,

42:39 da pessoa não conseguir fazer a prova, dela ter crises mais agravadas. Então, mesmo que exista um contexto, isso não significa que a pessoa não possa desenvolver um transtorno, né, dentro desse contexto que favorece inclusive o desenvolvimento desse transtorno. Então, a gente precisa também avaliar isso quando vai fazer uma compreensão diagnóstica diferencial, mas a gente sempre tem que contextualizar. A gente nunca pode olhar para isso assim, ah, sem contexto nenhum. Então, deixa eu entender, sempre na semana de provas, sempre quando tem prova, em outros contextos fora da universidade, isso acontece também. Em outras situações avaliativas, isso acontece também. E você sempre lançando um olhar para

43:24 compreender ainda mais esse contexto mais amplo aonde esses sintomas estão aparecendo. Beleza, gente? Tudo certo até aqui? Então, bora que vamos. aqui. Olha lá. Então agora a gente vai falar sobre cinco atitudes que te ajudam a diferenciar quadros clínicos que muitas vezes se confundem na prática clínica. Ó, já vai fazendo as suas anotações aqui, que isso é muito

44:11 importante, sem dúvida nenhuma, isso vai fazer diferença aí na sua prática clínica para você pensar, então, coisas que você pode já aplicar no seu na sua construção de diagnóstico diferencial, tá bom? Acabei de ver aqui, minha gente, que o chat não está aberto para vocês. Eu tô vendo que vocês não estão falando comigo e aí eu abri aqui a página do lado, tá? Então vocês mandam embaixo aqui, ó, embaixo tem um lugar de dúvidas e comentários. Vocês manda aí que depois eu vejo o que é que vocês estão conversando. Deve ter sido algum errinho aqui na hora do de fazer a live no YouTube, né? Daí ele não ativou o

44:58 chat hoje, tá bom? Mas então, se vocês ficarem com alguma dúvida ou algo nesse sentido, aqui embaixo da aula tem um lugarzinho onde vocês podem deixar comentários, né, perguntas ou coisas nesse sentido e aí eu vou respondendo vocês. Mas senti falta aí da presença de vocês hoje. Então, bora lá, minha gente. cinco atitudes que te ajudam a diferenciar quadros clínicos que muitas vezes se confundem na prática. Primeiro, ter conhecimento sobre a psicopatologia. Não vou nem me delongar aqui porque, como eu falei para vocês, pra gente fazer essa compreensão diagnóstica diferencial, a gente precisa saber essas características, né? né? Então, como que

45:43 eu vou perceber se eu tô falando de um transtorno ou não? Ou se eu tô falando do transtorno X ou do transtorno Y se eu não tenho esses conhecimentos? Então, isso vai gerar muita confusão no meu trabalho, no meu manejo, eu vou me sentir perdida, não vou saber o que fazer, né? E então essa falta de conhecimento das psicopatologias não vai favorecer eh a construção do diagnóstico diferencial. Ela precisa existir, a gente precisa se aprofundar nessa temática. Mas tem outros outras coisas também que vão ajudar nesse processo, sem dúvida nenhuma. O segundo tópico que eu coloquei, ele é fundamental, né, gente, que são que é o processo da escuta qualificada. O que é uma escuta qualificada? Vocês já devem estar cansados de saber o que que

46:29 é uma escuta qualificada, né, gente? Nós desenvolvemos isso muito bem na nossa construção profissional, né? Eu acredito que dentro da psicologia, um dos lugares onde a gente mais fala sobre escuta, não que a gente treine muito, nós deveríamos treinar mais a escuta, mas a gente discute temas e textos e poesias que falam sobre o processo da escuta. É, e nós realmente trabalhamos muito com esse lugar de de acolhimento, de uma escuta sem julgamentos, né, de uma escuta que tá ali curiosa, disponível para poder conhecer essa pessoa e conhecer o seu contexto e e conhecer seu sofrimento, né? Então essa escuta ela é muito importante. O que

47:15 atrapalha uma escuta qualificada, né? Então, a ansiedade do terapeuta atrapalha a escuta qualificada, o desejo do terapeuta, né, de muitas vezes estar afobado ali, querendo uma resposta rápida, querendo um resultado rápido, né, querendo mostrar serviço, né? Então, toda a insegurança do terapeuta, ela pode atrapalhar a escuta qualificada. Que mais atrapalha uma escuta qualificada, né? a experiência de alguns preconceitos, a gente não conseguir abrir mão de alguns julgamentos que a gente faz. Isso pode atrapalhar a nossa escula, né? Quando a gente tem pré-julgamentos e pré-concepções a

48:01 respeito do que o nosso paciente tá falando, de uma vivência que ele tá trazendo, isso pode acionar, né, uma série de bloqueios, uma série de defesas no nosso funcionamento que vai afetar a nossa qualidade de escuta. E quando envolvem as psicopatologias, isso é muito sério, gente, porque nós temos na nossa sociedade muita muita desvalorização, a gente tem muitos tabus, a gente tem muita eh muitos preconceitos a respeito das psicopatologias, né? Hoje em dia a gente até fala sobre isso, né? A gente chama de psicofobia, né? esse processo da gente não poder falar das psicopatologias,

48:48 de você se sinalizar que vivencia uma psicopatologia, você ser visto como menos ou você ser visto somente pela psicopatologia ou somente por esses sintomas, né? A pessoa deixa de ver você e sua identidade começa a ver só essa visão estereotipada dessa psicopatologia. Então, a gente ainda vivencia isso, isso é uma realidade e a gente tem que cuidar porque dentro da própria psicologia isso pode acontecer, né? Inclusive, quantas vezes, né, muitos profissionais da psicologia vivenciaram psicopatologias, como eu falei, né, da minha experiência com transtorno de ansiedade e tiveram muita vergonha, muita dificuldade de poder falar assim abertamente que

49:35 vivenciaram essas psicopatologias, né? Porque a gente ainda tem essa visão muito errônea de que, nossa, o psicólogo, minhas gente, você nem sabe. Vai lá fazer psicologia que você sai sem transtorno mental nenhum nunca mais, né? Ha só que não, né, minha gente? A gente tá saindo com mais do que as pessoas que nos procuram, né? Não, eu que acompanho os alunos na universidade. Então, olha, vou contar para vocês e a próprio processo, né, da graduação, dos estudos e tudo mais, muitas vezes são altamente adoecedores, inclusive, né? Então, não é uma verdade, né, que o psicólogo ele é imune a qualquer psicopatologia porque

50:22 ele estudou, né, sobre a cabeça humana, né, como a gente ouve por aí. E você talvez já deva ter ouvido também aí na sua prática, na sua experiência sobre essas visões que a gente tem sobre o psicólogo. Às vezes se a gente dá uma estressadinha já é suficiente para alguém soltar um nossa, mas não é psicólogo, né? Ah, quem nura. Depois vocês deixa aí no comentário se já falaram para você. Nossa, mas você é psicólogo, né? Então, gente, isso mostra de um processo de psicofobia mesmo, né? do quanto que a nossa sociedade ainda tem dificuldade de olhar pros adoecimentos mentais, né,

51:07 pros transtornos e entender que são experiências que qualquer pessoa pode vivenciar e que precisa de uma compreensão diagnóstica e de um tratamento, como se eu quebrasse meu braço precisaria. Ah, se um dia a gente chegar nesse grau de compreensão, né? É claro que o manejo, a compreensão diagnóstica, ela é diferente de um braço quebrado, né, gente? Quando a gente tem um braço quebrado, a gente pode fazer um raio X e aí mostra lá a fratura. Quando uma pessoa vivencia uma psicopatologia, a maioria da compreensão diagnóstica, ela vai ser pelo nosso olhar clínico,

51:52 né? Não existe um exame que vá dizer, você tem isso ou você tem aquilo. Existem sim algumas psicopatologias que podem passar por algum tipo de avaliação específica, né, como TEA, como TDH. Existem algumas alterações neuroquímicas que podem ajudar a gente a compreender também. Existem algumas avaliações nesse sentido, mas no geral a maior parte do nosso processo de compreensão diagnóstica das psicopatologias é na nossa compreensão diagnóstica, é na nossa observação. Então, precisamos ter esse conhecimento de norte, de fundo, para poder sustentar essa compreensão diagnóstica que essa pessoa tá buscando quando nos procura,

52:39 né? O processo psicoterapêutico, ele é um processo que hoje em dia, né, em sua maioria, ele é elitizado, né, ele é um processo caro, digamos assim, e a pessoa investe nesse tratamento, ela tá buscando um sofrimento e aí muitas vezes o profissional não tem esse conhecimento para oferecer. E mesmo se você atua na clínica social, numa clínica de plano de saúde ou você atua, né, na na saúde pública, ainda assim o nosso compromisso em termos de código de ética é igual, né, de oferecer um serviço de excelência paraa pessoa que nos procuram, né? Então eu sinto, eu sinto que isso é uma coisa que ainda falta muito. Por mais que a gente tenha na graduação muito sobre escuta, a gente treina pouco

53:27 a nossa escuta de qualidade. Embora a gente até tenha conteúdos que vão trazer os quadros nozológicos, a gente tem pouca discussão sobre diagnóstico diferencial, sobre o que realmente diferencia transtorno de personalidade, de reação ao contexto, o que realmente diferencia, né, uma psicopatologia X de uma psicopatologia Y. Isso a gente ainda tem pouco, OK? Então, terceiro tópico, investigação coerente. Então, como eu falei, essa investigação, ela só vai acontecer, né, com bastante coerência se eu tenho esse conhecimento a priori. Se eu sei que existem alguns sintomas que são comuns no transtorno de ansiedade generalizada, na crise de ansiedade, mas que não são

54:13 comuns na crise de pânico. Eh, eu preciso perguntar, quando o meu paciente disse que teve uma crise de ansiedade, eu preciso perguntar essas características para ele, para eu poder fazer essa distinção mais para mim do que necessariamente para ele, né? Muitas vezes a compreensão diagnóstica é mais pra gente do que necessariamente pro paciente. Pra gente pensar possibilidade de manejo, pra gente pensar encaminhamentos que possam ser feitos de acordo com essa diferenciação, né? Se eu sei características que são comuns na pessoa que vivencia os quadros depressivos da bipolaridade e que muitas vezes fica diagnosticada como depressão maior, eu sei o que perguntar, né? Então essa investigação coerente, ela vai est conectada ao tópico um, que são os conhecimentos da

54:59 psicopatologia. E estar atento não somente a fala, isso aqui é muito importante, gente. Inclusive a psiquiatria também trabalha muito com essa observação. Quando a gente vai estudar sobre exame de estado mental, quando a gente vai estudar sobre observação, né, de diagnóstico diferencial do dos quadros clínicos que vão aparecendo na experiência das pessoas. Eh, não só na psicologia, estar atento para além da fala é algo muito importante. A psiquiatria usa muito desse tipo de intervenção também e nós precisamos usar, sem dúvida nenhuma, o jeito que a pessoa chega, o jeito que ela se comunica, quem é que entrou em contato com vocês, foi ela ou foi outra

55:45 pessoa. O jeito que ela se veste, o jeito que ela se senta, se senta, não sei se existe [risadas] o jeito em que ela senta, o jeito em a postura que ela tem, né, ali na hora que ela tá falando com você, na hora que ela, né, tá na sua frente, tudo isso precisa ser levado em consideração, né? A gente não pode, né, os comportamentos, o gesto, a gente não pode ficar preso somente a fala. Então, muitas vezes os meus alunos chegam e trazem: "Ai, professora, o cliente disse que a questão dele é com ansiedade, porque ele isso, porque ele aquilo porque ansiedade isso, ansiedade aquilo, blá blá". Eu falo: "Tá, e que você percebeu na relação terapêutica?

56:32 Como assim, professora? Na relação terapêutica, ué, você atendeu ele durante 50 minutos? Você sentiu ele ansioso? Aí, professora, não prestei atenção. Então, relembre a sessão aí e perceba. Ah, professora, agora que você tá dizendo, eu acho que não. Não senti ele muito ansioso naquele dia. Ele tava falando tranquilo, eu não mexia as pernas, eu também me senti muito conectada, também não me senti muito ansiosa, né? Eu acho que naquele momento ele tava bastante calmo, não tava muito ansioso. Hum. Isso é um dado muito importante, né? Porque o que a pessoa fala e o que a pessoa faz às vezes tá incongruente. Não quer dizer que necessariamente ele não

57:17 tenha crise de ansiedade e experiencia um transtorno de ansiedade. Mas eu vou incluir isso aqui na minha observação. Não posso deixar isso passar porque isso pode ser um dado bastante importante, né? ou não, professora. Ele já entrou na minha frente, já foi abrindo a porta, ele já sentou no meu lugar, depois percebeu que sentou no meu lugar, pediu desculpa, sentou no outro lugar, já começou a falar e já começou a beber água. Até enquanto ele tava bebendo água, ele já tava falando, até eu fui ficando ansiosa com a fala dele. Já é um outro, uma outra compreensão que a gente vai ter aqui nesse caso, né? Então, a pessoa não só está dizendo sobre ansiedade, ela está manifestando essa ansiedade em vários comportamentos dela. Então, a gente precisa estar atento, não somente à fala, né, mas

58:05 também a todas essas características que aparecem no setting terapêutico, OK? E óbvio, trago novamente aqui, mas que muitas vezes passa batido, que é avaliar o contexto desde quando a psicopatologia ou os sintomas surgiram até o momento atual. Eu sempre falo pros meus alunos, quando a pessoa começa a trazer um sintoma, pergunta que momento que isso costumou acontecer, né? Que momento você percebeu que essa característica foi aparecendo, né? Então, às vezes a pessoa vai dizer: "Ah, a vida inteira eu fui assim". Ou às vezes a pessoa vai dizer: "Ah, foi de uns três meses para cá. Ah, foi de um ano para cá, foi, né?" Ela vai sinalizar

58:51 mais ou menos em que momento ela começa a perceber que esses sintomas vão aparecendo ou vão se agravando. Pode ser que a pessoa diga: "Eu sempre fui assim". Mais de uns três meses para cá, eu percebi que a corre desandou e ficou muito mais forte, né? E aí é importante a gente investigar se algo de significativo aconteceu nesse momento. Não para fazer uma visão cause efeito. Por favor, gente linda, não faça isso. Obrigada. Muitos dos meus alunos falam: "Ai, professora, é porque aconteceu tal coisa, então por isso que ele tá assim, ponto final". Nossa, só isso aconteceu na vida dele. Mais nada. Não tem uma história de vida, não tem passado, não

59:38 tem projeto futuro, não tem momento presente, não tem nada, só aquilo ali que aconteceu, né? Então assim, calma, jovem gafanhoto, né? O contexto ele é importante, ele vai trazer algumas informações. Às vezes a pessoa vai falar: "Não, não aconteceu nada de interessante". E aí você continua, continua continua. E aí ela fala assim, então, né? Ela fala que foi no final do ano que começou os sintomas, não aconteceu nada. Nada aconteceu no final do ano. Daqui a pouco ela fala: "Então, porque no Natal e aí solta uma bomba, né?" Aí você fala: "Ah, no Natal é no final do ano, não é?" É. Então ela fala: "Então foi em dezembro que começou esse sintom que aconteceu". E daí daqui a pouco ela pessoa fala que não percebe nada e daqui a pouco ela se lembra de alguma coisa ou traz uma

1:00:23 informação nova. E aí você tem que est atento com a tua escuta qualificada, né, e com a tua avaliação de contexto. Eh, e como eu tava dizendo, gente, ter acontecido alguma coisa vai favorecer muitas vezes o desenvolvimento do sintoma, mas só aquele episódio não é uma explicação, eu costumo dizer, né, não explica eh eh não é uma justificação, né, é uma compreensão. E uma compreensão precisa colocar mais dados além desses, né? Então, às vezes a pessoa fala: "Ah, foi quando eu me separei". Aí você fala: "É, então quando você se separou começou a ter esses sintomas. Aí a pessoa já faz assim com o olho, já já ela mesma vai ampliando o conhecimento dela do que tava

1:01:09 acontecendo ali no contexto." Aí às vezes ela fala assim: "Você acha que é por causa disso, doutora?" É. E aí você vai dizer: "Olha, calma, jovem gafanhoto, nós estamos ainda começando a compreender tudo isso, mas me parece que uma separação é um conflito suficiente aí para gerar uma série de mobilizações emocionais, inclusive essa que você tá se queixando. Como que é para você perceber que os sintomas apareceram mais ou menos nesse momento?" E aí a gente deixa a pessoa falar como foi a separação, se foi, né, uma coisa repentina ou não, se é algo que já vinha de anos, como que a pessoa lidou com isso, como que tá sendo todo esse processo de lá para cá, né? A gente vai

1:01:57 aumentando dados, aumentando dados. Por isso que um bom profissional tem que ter uma escuta muito boa e uma capacidade investigativa muito boa, não só para fazer conexões, né? também para fazer algumas conexões de uma coisa com outra, mas para ampliar dados. Quando a gente tem bastante pecinha de quebra cabeça, é muito mais fácil da gente montar. A sensação de ficar perdido muitas vezes é porque nós temos três, quatro pecinhas, não sabe nem do que que é o quebra-cabeça. Será que é um quebra-cabeça de bombeiros ou será que é um quebra-cabeça de fazendinha? Nem sei, porque eu só tenho uma pecinha vermelha aqui, uma pecinha verdinha aqui e um gatinho. Não sei do que é esse quebra-cabeça. Então, sempre que a gente favorece, né, a nossa investigação e

1:02:45 favorece a a que a pessoa traga mais dados pro processo terapêutico, a gente vai ter uma melhor compreensão diagnóstica para ser desenvolvida. E a avaliação de contexto, ela é fundamental. Então, nunca deixem de fazer essa pergunta, né? Olha como como são os seus sintomas, como ah, eu tenho ansiedade. Ah, você tem ansiedade, então tá bom. Desde quando? Ah, desde dezembro ano passado começou a ficar mais forte. Ah, entendi. Eh, e que que você acha que a terapia pode te ajudar? Não perguntou nada. Você tem ansiedade? O que que é ansiedade? Fala da sua ansiedade. Traz as características dessa ansiedade. Quando elas aparecem agora, antes de você ir lá pro contexto, quando elas aparecem? Em que momento você percebe,

1:03:32 onde você percebe no corpo, que sintomas aparecem em você, porque nem sempre são todos os sintomas que a pessoa vai vivenciar. Às vezes nem são sintomas de ansiedade. Já aconteceu de atender um caso da pessoa falar: "Não, eu tô muito ansiosa, né? Eu acho que eu eu sofro de ansiedade e é muito difícil isso". É. Me fala um pouco dessa ansiedade, o que que você sente? Ah, eu sinto assim muito desânimo. Eu tenho dificuldade de sair de casa. Eu eu tenho dificuldade de sair da cama. Tem dias que eu não quero se eu pudesse ficar o dia inteiro de pijama. Nem Isso, gente, é sintoma de ansiedade, desânimo, desmotivação, falta de desejo de sair de casa. Todo mundo se autodiagnosticando aqui agora.

1:04:19 vontade de ficar de pijama, nem de tomar banho. Aqui eu tenho características de sintomas muito mais próximos da depressão do que da ansiedade. Mas às vezes o nosso paciente fala: "Ah, eu tenho ansiedade". E a gente nem pergunta que ansiedade é essa. A gente acha que a pessoa ela já chegou, ela já tem esse conhecimento, porque o chat e diz para mim ou porque o Google diz para mim. Não é bem assim, né, jovens gafanhotos, né? Até o chatzinho dá uma erradinha, o Googlezinho dá uma erradinha às vezes. Ou alguém falou que isso é ansiedade, então eu preciso investigar, será que tá falando mesmo de uma ansiedade? Que ansiedade é essa? Que jeito ela aparece? Em que momentos fica mais frequente?

1:05:05 Eh, o que que você faz quando ela aparece? E aí, claro, sempre perguntar, desde quando você percebe esse sintoma, né? E se algo significativo aconteceu naquele momento, ó, tô trazendo muita coisa legal aqui para vocês, hein, minha gente. Acho que já dá para ter um olhar bem interessante aí pra prática clínica de vocês. E talvez perguntas que vocês já façam e você vai dizer: "Ai, eu sempre trabalho desse jeito". Ou perguntas que você fala: "Olha que interessante". Eu acho que eu vou incluir mais essas perguntas e essa investigação quando aparecer características como essa. E é claro, né, gente? Temos que fazer observações para além dos sintomas. Olha que bonito esta frase do nosso maravilhoso Dalgalorondo.

1:05:52 Quem já estudou da galorondo, ergue a mãozinha aí, joga embaixo, né? Tô até aqui com ele. Eu vou fazer algumas indicações de livros hoje também. Então, ó, psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. Quem nunca leu este livro não fez a graduação de psicologia, porque nós estudamos esse desde a graduação, um livro muito bom, inclusive. E olha o que o tio Dalga diz pra gente. Não se pode compreender ou explicar tudo que existe em um ser humano por meio de conceitos psicopatológicos. Assim, ao se ao se diagnosticar Vangog como esquizofrênico e fazer uma análise psicopatológica da sua biografia, nunca

1:06:38 explicaremos totalmente a sua vida e a sua obra. Então, olhar pros sintomas, entender os sintomas, entender os seus contextos, ter uma escuta qualificada, entender as diferenças de um sintoma para outro, de uma psicopatologia para outro, não tem por por objetivo ficar somente num reducionismo, não tem por objetivo compreender o ser humano, que é um universo inteiro que tá na minha frente, mas tem por objetivo me ajudar, né, a fazer uma compreensão de uma parte dessa pessoa e a impensar intervenções que possam ajudar essa pessoa, uma vez que essa psicopatologia face presente,

1:07:24 né, na vida dela. Mas como eu falei para vocês, na compreensão diagnóstica, o guarda-chuva grandão, não vão entrar só sintomas e psicopatologias, precisam entrar outras características mais dessa pessoa. E a gente vai falar um pouquinho mais disso agora. Tá, já estamos caminhando pro final que eu já vi que eu já dei minha hora aqui e ó que eu nem tô conversando com vocês hoje, hein. Eu acho que foi assim, ó, uma progressão [risadas] [suspirando] porque senão nós ia ter 2 horas meia de aula. Mas olha quanta coisa legal que a gente tá discutindo. Depois vocês deixa o comentário de vocês aqui embaixo se vocês tão gostando da aula e se tão levando aí conteúdos para já utilizar na prática de vocês, para já

1:08:10 colocar na maletinha de ferramenta de vocês. Então, olha lá, já que nós vamos observar para além dos sintomas, a gente não vai ficar preso só numa compreensão de sintomas, que mais que eu preciso observar, Laí? Aí eu trouxe aqui outro livro que eu vou indicar para vocês, livro três da coleção de gestal terapia, se chama a clínica, a relação psicoterapêutica e o manejo em gestal de terapia da Frasão e da, né, da Lilian Frasão e da Karina Fucumitsu. Nesse livro tem um capítulo muito bom sobre compreensão diagnóstica e escrito pela Lilian inclusive. E este, neste capítulo, existem alguns pontos de observação que eu quis trazer

1:08:56 aqui para vocês, que a gente também vai incluir ao fazer uma compreensão diagnóstica. Então, a gente não vai olhar só pro sintoma, a gente precisa olhar também para aquilo que nos impacta. Diz a Lília Laí. Como assim aquilo que nos impacta? Sabe quando você chega aqui, a gente tá falando de habilidades sociais, né, gente? Habilidades humanas. Sabe quando você chega para conversar com alguém? Você chega na sessão e a pessoa não te olha nos olhos e de cabeça baixa entra e isso te chama atenção. Isso é algo que te impacta. Ah, Laí, eu faço atendimento online. Sabe quando você liga a câmera e a pessoa tá com moletom?

1:09:42 E aí você pensa: "Onde é que essa pessoa mora, né? Deve tá frio lá." E ela mora numa cidade muito quente e ela tá com a touca aqui em cima e ela tá aqui, né, com aquele moletom, aquela touca, as janelas todas fechadas e aquilo te impacta o jeito que ela tá vestida, o lugar aonde ela tá, a hora que ela abre a câmera. Às vezes o que te impacta é aquela mão ali no fundo do cenário da laí que aparece várias vezes e se repete, né? Às vezes é uma coisa no cenário da pessoa, às vezes é uma fala. Então, nossa, essa pessoa disse isso

1:10:28 várias vezes. Isso tá me chamando atenção. Preste atenção naquilo que te chama atenção. Aquilo pode dizer algo importante sobre aquela pessoa, tá? Então, o que vai dizer Laí? Não faço a menor ideia. Isso precisa ser incluído na compreensão diagnóstica completa, né? Então, uma pessoa que se veste dessa maneira, pode táar dizendo o quê dela? pode estar dizendo que, sei lá, ela tá num contexto aonde o ar condicionado fica ligado muito gelado e ela sente muito frio, por isso ela tá desse jeito. Ou isso tá dizendo de, né, uma

1:11:13 dificuldade, uma dessensibilização e uma dificuldade de sentir o corpo. Não sei, não precisa ter uma compreensão a priori, né? Eu costumo sempre usar um exemplo assim de de um adolescente que chega com uma camiseta escrito fuck you pensou? Você tá atendendo? Primeiro dia de atendimento. Oi, tudo bem? Vamos lá. A criatura entra, você recebe, ela se senta e aquela camiseta, aquele escrito gigantesco, né? Então, às vezes a gente aquilo impacta. Caramba, olha essa camiseta. Então, por que me impactou? Eu já vou dar um sentido. Às vezes a gente já dá um sentido, minha, nossa, vai ser difícil trabalhar com esse adolescente.

1:11:59 Olha só a camiseta que ela veio, né? Às vezes isso já me impacta de um jeito que já faz dar ter uma compreensão no sentido a priori. A gente entende que a gente precisa investigar aquilo que nos impacta e não dar um uma compreensão a priori. Então beleza, ela chegou com aquela camiseta, eu pensei: "Nossa, já tive uma compreensão prior, vai ser difícil atender essa pessoa". Eu faço e poqué, eu jogo para fora esse meu julgamento e eu fico só com impacto. E eu posso até perguntar, às vezes eu não sinto que dá para trabalhar muito, eu guardo com uma informação, se isso se repete, se isso se repete, se repete. Num determinado momento, com um pouco mais de vínculo, eu posso dizer, posso falar uma coisa para você? Me chama

1:12:45 atenção. Todas as vezes, né, que a gente faz a terapia, eu abro a câmera, você tá vestido desse jeito, né? Você tá com a touca na cabeça, o ambiente onde você tá é escuro, né? Você tá com uma blusa de frio, embora na sua cidade costuma ser uma cidade meio quente, eu não sei se tem ar condicionado aí. Me fala um pouco sobre isso. Então, a gente pergunta, a gente investiga aquilo que nos impacta, claro, se a gente tiver vínculo suficiente para isso. Então, vamos supor que essa adolescente chegue e aí eu pergunte para ela: "Nossa, e essa camiseta, né?" Ela chega e eu já me sinto confortável de dizer para ela: "Nossa, e essa camiseta?" E ela fala: "Laí, você não sabe o que aconteceu? Tava na casa da minha amiga, eu derrubei suco na

1:13:32 minha camiseta e ela me emprestou essa camiseta. Eu tô morrendo de vergonha, né? Então aquela camiseta me impactou, mas aquela camiseta não estava dizendo nada necessariamente a respeito dela, a respeito de bloqueios dela ou coisas nesse sentido. A gente também tem que tomar um cuidado com aquilo que nos impacta pra gente não fazer, né, interpretações a prior. A gente guarda aquele dado e vai juntando um dado com outro dado, com outro dado, com outro dado e vai investigando junto com a pessoa e vai verificando junto com ela. Pode ser que ela dissesse que que tem minha camiseta. Você gostou? Eu ia dizer, achei bastante interessante, né? Tá bem, tá bem escrito aí o que você quer dizer, né? É isso mesmo que eu quero dizer e eu quero que

1:14:18 todo mundo vá para aquele lugar. Pode ser que essa adolescente responda isso. Isso também está dizendo alguma coisa dela. Então, aquilo que nos impacta precisa ser um dado de observação, que às vezes eu vou guardar no meu bolso e esperar um momento mais oportuno para trabalhar ou vou juntar com outros dados de observação, né? ou posso já investigar imediatamente, dependendo de qual é esse dado. Então, comecei a atender essa pessoa, que características me impactam? Isso aqui, gente, são pontos para você colocar na construção da sua compreensão diagnóstica, tá? Então, eu tô trabalhando um caso aqui, eu tô pensando um pouquinho sobre este caso, sobre o funcionamento dessa pessoa. Pega esses

1:15:05 tópicos aqui e observa isso, né? Porque também são pontos de investigação que ajudam as nossas perguntas, como eu falei, né? Aquilo que nos impacta ajuda a gente a investigar. As falas espontâneas. Então, às vezes a pessoa toda hora fala: "Ai, desculpa, ai, desculpa, ai desculpa, ai desculpa, ai, desculpa". [suspirando] Cada sessão 33 desculpa. A pessoa corre, pede desculpa para

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