Breve Resumo
Este documentário explora a pirataria moderna na Nigéria e na Somália, destacando as motivações, os métodos e o impacto econômico dessa atividade criminosa. Na Nigéria, a pirataria é impulsionada pela pobreza, pela falta de empregos e pela corrupção, enquanto na Somália, a ausência de um estado funcional e a presença de grupos armados facilitam os sequestros e os roubos de navios. O documentário também aborda as medidas de segurança implementadas pelas empresas de petróleo e pelas forças navais internacionais para combater a pirataria, bem como os custos financeiros e humanos associados a essa atividade.
- A pirataria é motivada por fatores econômicos e políticos, como pobreza, corrupção e falta de um estado funcional.
- A pirataria tem um impacto significativo na indústria do petróleo e no transporte marítimo global, causando perdas financeiras e ameaçando a segurança dos trabalhadores e das tripulações.
- As medidas de segurança implementadas para combater a pirataria são caras e nem sempre eficazes, e a solução a longo prazo requer o combate à corrupção e o fortalecimento dos estados.
Esta é a Minha Terra!
O documentário começa apresentando John Togo, um líder pirata nigeriano procurado por atacar refinarias de petróleo e sequestrar expatriados. Togo justifica seus atos acusando as companhias de petróleo de explorar a riqueza do país sem beneficiar a população local, tendo como alvos instalações da NNPC, Shell, Agip e Chevron. Após a morte de Togo em um ataque do exército, a pirataria no Delta do Níger se intensifica, com diversas gangues aterrorizando a região e sequestrando para obter resgate, causando prejuízos de milhões de dólares às empresas de petróleo.
Ameaçando o Comércio Global
Lagos, a capital econômica da Nigéria, é apresentada como uma cidade de contrastes, onde a riqueza petrolífera convive com a pobreza extrema. A Nigéria, um dos maiores exportadores de petróleo da OPEP, atrai diversas empresas multinacionais, tornando os expatriados alvos frequentes de sequestros por piratas. O documentarista viaja para Warri, no Delta do Níger, onde a maioria da população vive na pobreza, buscando contato com gangues de piratas. Após negociações, um grupo concorda em se encontrar, mas sem a escolta militar do documentarista, devido ao risco de confronto com o exército em território pirata.
Encontro com Piratas
Após uma longa viagem de barco pelo Delta do Níger, o documentarista encontra um grupo de piratas armados que sequestram navios para obter resgate. O líder do grupo revela que realizou cerca de 15 ataques no ano anterior e que o valor do resgate de um navio pode variar entre 200 e 900 milhões de nairas. A entrevista é abruptamente interrompida quando o líder se recusa a dar mais detalhes sobre os sequestros. Outra tentativa de entrevista com outro grupo de piratas falha devido à desconfiança e agressividade do líder.
Gestão de Risco Criminal
De volta à França, o documentarista, que é professor de gestão de risco criminal, explica aos seus alunos como a pirataria é um negócio de baixo custo e alto retorno, com um impacto significativo na indústria do petróleo. Ele compartilha sua experiência de 10 anos investigando o crime organizado na Nigéria, onde construiu uma rede de contatos que o informam sobre ataques e a localização dos piratas. O documentarista retorna ao Delta do Níger para tentar entrevistar o líder de uma gangue que não conseguiu entrevistar anteriormente, apesar dos riscos representados pelas patrulhas do exército.
Black Devils
Após uma viagem tensa, desviando das patrulhas do exército, o documentarista encontra o líder da gangue Black Devils, conhecido como Akru Omega 5. Akru revela que tem 45 homens em terra e que alguns deles estão em uma operação de sequestro de um expatriado no mar. Ele explica como seus ataques são realizados com lanchas rápidas e como ele escolhe seus alvos com base na segurança do navio. Akru afirma que já matou muitos soldados e que, após atirar, ele sobe a bordo e exige dinheiro do capitão, ameaçando matá-lo caso se recuse. Ele também revela que prefere sequestrar americanos e franceses, pois são mais valiosos. O dinheiro do resgate é usado para comprar munição, lanchas rápidas e para sustentar as famílias dos piratas, que não têm emprego.
Condições de Vida
O documentarista visita uma comunidade pobre no Delta do Níger, onde as condições de vida são precárias, sem saneamento básico e acesso a serviços de saúde. O chefe da comunidade reclama que a petroleira Agip, que opera uma plataforma de perfuração próxima, não emprega moradores locais e que a pesca está diminuindo devido à poluição causada por vazamentos de óleo. Ele acredita que a falta de emprego é a principal causa da pirataria marítima, pois os jovens não veem outra alternativa para sobreviver.
Medidas de Segurança
O documentário mostra as medidas de segurança implementadas em uma plataforma de petróleo para proteger os expatriados, incluindo barcos de patrulha com fuzileiros navais nigerianos e um barco blindado chamado Utai. Julien, um ex-comando das Forças Especiais que lidera a equipe de segurança, explica que os ataques de piratas são frequentes e que sua equipe está sempre em alerta. O capitão do barco de patrulha, que já foi atacado anteriormente, revela que um de seus marinheiros morreu no ataque. As medidas de segurança custam caro, cerca de 1 milhão de dólares por mês para essa plataforma, representando 15% do orçamento total.
Bunkering
Além da pirataria, a indústria do petróleo na Nigéria enfrenta outro problema: o "bunkering", que é o roubo de petróleo bruto por meio da conexão ilegal a oleodutos. O petróleo roubado é refinado em refinarias ilegais no Delta, produzindo combustível, diesel e querosene. O processo é extremamente perigoso e causa graves danos ambientais, com vapores tóxicos matando a vegetação e poluindo os rios. Apesar da presença militar na região, as refinarias ilegais operam livremente, sugerindo corrupção generalizada.
Corrupção
A corrupção é apontada como a principal causa da pirataria e do "bunkering" na Nigéria. A ONG Transparência Internacional classifica a Nigéria como um dos países mais corruptos do mundo, com políticos desviando recursos destinados ao desenvolvimento para seus próprios bolsos. A corrupção permite que os piratas "anestesiem" as forças de segurança com dinheiro, garantindo que possam operar livremente. A queda no preço do petróleo torna o custo da pirataria insuportável para as petroleiras, levando algumas a deixarem o país.
Somália
O documentário muda o foco para a Somália, onde a pirataria ameaça o transporte marítimo global. Após 25 anos de guerra civil, a Somália está dividida em feudos controlados por chefes tribais, e a região de Galmudug é um foco de pirataria. O documentarista viaja para Galkayo, onde é recebido pelo vice-governador, que mobiliza uma milícia para sua proteção. A viagem para Hobyo, um dos principais centros de pirataria, é perigosa e leva horas.
Ataque de Piratas
Ao chegar em Hobyo, o documentarista presencia um ataque de piratas a um navio cargueiro iraniano. Os piratas levam o navio para a praia e sequestram reféns. O documentarista identifica as caminhonetes dos piratas como pertencentes à gangue de Afweyne, um lendário pirata somali que se aposentou em 2013. Os homens do governador não intervêm para impedir o sequestro, e os piratas vão embora tranquilamente com os reféns.
Conluio
Na mesma tarde, o governador se encontra com o líder dos piratas, o homem por trás do sequestro dos reféns. As conversas duram horas, e os piratas parecem ter a vantagem. No final, o líder dos piratas vai embora sem ser incomodado. Essa cena ilustra a falta de poder das autoridades sobre os territórios dos piratas na Somália. Duas semanas depois, o dono do navio paga um resgate de 1,5 milhão de dólares para recuperar o navio e os reféns.
Libertação de Reféns
No aeroporto de Galkayo, o documentarista presencia a libertação de reféns, incluindo marinheiros de um cargueiro malaio que foram mantidos em cativeiro por três anos e meio. Um dos marinheiros relata que foi torturado e que um de seus colegas foi morto pelos piratas. Mais tarde, o documentarista presencia a libertação de três quenianos que foram sequestrados enquanto trabalhavam para uma ONG. Um dos reféns relata as condições precárias de seu cativeiro, incluindo a ameaça de cobras, escorpiões e aranhas.
Impacto Econômico
O documentário aborda o impacto econômico da pirataria no transporte marítimo global. Em 2012, o custo total da pirataria para o setor naval foi estimado em quase 6 bilhões de dólares, incluindo prêmios de seguro, custos de proteção dos navios e o pagamento de resgates. Diante da escala dos ataques, a União Europeia criou a Força Atalanta em 2008, a primeira Força Naval Europeia, para patrulhar as águas da Somália. A operação foi bem-sucedida em reduzir os ataques de piratas, mas custa 300 milhões de dólares por ano para o contribuinte europeu.
Conclusão
O documentário conclui que a pirataria é motivada por fatores econômicos e políticos, como pobreza, corrupção e falta de um estado funcional. A pirataria tem um impacto significativo na indústria do petróleo e no transporte marítimo global, e a solução a longo prazo requer o combate à corrupção e o fortalecimento dos estados. Com o aumento das áreas sem lei e a diminuição do poder dos estados, a pirataria tem futuro, e já há ataques em outras regiões do mundo, como na América do Sul e na Ásia.

