Breve Resumo
Este vídeo do ImunoCanal oferece uma revisão detalhada da resposta TH1, um componente crucial da imunidade celular. A aula aborda desde os mecanismos iniciais de ativação dos linfócitos T até os fatores de transcrição e citocinas envolvidas na resposta TH1, além de sua importância na defesa contra patógenos intracelulares, tumores e em doenças autoimunes.
- A resposta TH1 é essencial para combater infecções por microrganismos intracelulares, como vírus e algumas bactérias.
- A ativação do perfil TH1 envolve a secreção de IL-12 pela célula dendrítica, que induz a produção de interferon gama.
- O interferon gama ativa macrófagos e promove a troca de classe de imunoglobulinas para IgG, potencializando a resposta imune.
Introdução à Resposta Imunológica e Células T
A resposta imunológica inicia-se com mecanismos inatos, como a ativação de macrófagos, evoluindo para respostas mais específicas mediadas por linfócitos T e B. As células T subdividem-se em perfis como TH1, TH2 e TH17, cada um respondendo a diferentes tipos de infecção. A resposta TH1 é crucial contra microrganismos intracelulares, como vírus e certas bactérias (ex: Mycobacterium tuberculosis, Listeria monocytogenes) e parasitas (ex: Leishmania). A ativação dos linfócitos T para este tipo de resposta é denominada TH1, onde "H" significa "helper" (auxiliadora).
Ativação dos Linfócitos T
A ativação dos linfócitos T requer a apresentação de antígenos por células apresentadoras de antígeno (APCs), como as células dendríticas. A célula dendrítica captura e processa o microrganismo, apresentando um peptídeo no MHC de classe II. A célula dendrítica migra para a área de células T no linfonodo para apresentar o antígeno. A ativação do linfócito T envolve três sinais: a ligação do MHC ao TCR (receptor de célula T), a interação B7-CD28 e a ação de citocinas secretadas pela célula dendrítica. O padrão de citocinas determina a polarização para TH1, TH2 ou TH17, dependendo do tipo de microrganismo.
Localização e Especificidade dos Linfócitos T
Os linfócitos T são ativados na área paracortical do linfonodo. A célula dendrítica entra no linfonodo pelo vaso linfático aferente e encontra o linfócito T específico para o peptídeo que está apresentando. A ativação requer a ligação do TCR ao MHC, a interação B7-CD28 e a presença de citocinas específicas. As citocinas presentes durante a apresentação do antígeno pela célula dendrítica determinam se a célula T se diferenciará em TH1, TH2 ou TH17.
Fatores de Transcrição e Desenvolvimento dos Subtipos de Células T
Durante o desenvolvimento dos subtipos de células T (TH1, TH2, TH17), cada um expressa seus próprios fatores de transcrição. Fatores de transcrição são proteínas que regulam a transcrição do DNA em RNA mensageiro. Após a ativação do linfócito T, esses fatores migram para o núcleo da célula, ligam-se a regiões promotoras de genes específicos e induzem a produção de citocinas características de cada perfil. Por exemplo, a IL-12 secretada pela célula dendrítica ativa fatores de transcrição que levam à produção de interferon gama na resposta TH1.
Resposta TH1: Ativação e Citocinas
Na resposta TH1, a célula dendrítica apresenta o antígeno e secreta IL-12, que ativa o linfócito T. A IL-12 liga-se ao seu receptor no linfócito T, ativando o fator de transcrição STAT4, que migra para o núcleo e induz a produção de interferon gama. O interferon gama é a citocina de assinatura do perfil TH1. O interferon gama secretado atua de forma autócrina, ligando-se ao receptor na própria célula T, ativando STAT1 e, subsequentemente, o fator de transcrição TBET, que potencializa a produção de interferon gama.
Regulação Mestre do Perfil TH1: TBET
O TBET é considerado o regulador mestre do perfil TH1, pois controla diretamente a identidade funcional das células TH1. Ele ativa genes essenciais para TH1, como o interferon gama, e reprime genes de outros subtipos, como o GATA3 (envolvido no perfil TH2). Além disso, mantém a expressão do receptor de IL-12, tornando a célula mais sensível a essa citocina e amplificando a produção de interferon gama. Sem TBET, uma célula T não pode se diferenciar plenamente para TH1.
Funções da Resposta TH1
A resposta TH1 é acionada em infecções por microrganismos intracelulares, como vírus, e está envolvida em tumores e autoimunidade. Na esclerose múltipla, a resposta TH1 está associada à patogênese da doença. Em tumores, as células TH1, juntamente com as células TCD8 (CTLs), inibem o desenvolvimento do câncer, em parte, aumentando a expressão de moléculas de MHC de classe I nas células tumorais, facilitando a destruição pelas células TCD8.
Mecanismos de Ação da Resposta TH1: Ativação de Macrófagos
A resposta TH1 atua produzindo interferon gama, que ativa macrófagos e promove a troca de classe de imunoglobulinas. O interferon gama ativa macrófagos que fagocitaram microrganismos intracelulares, aumentando a produção de enzimas lisossomais, óxido nítrico e espécies reativas de oxigênio, potencializando a destruição do patógeno. A ativação do macrófago também aumenta a apresentação de antígenos e a produção de citocinas inflamatórias, como IL-1, IL-12 e TNF alfa.
Troca de Classe das Células B para IgG
As células TH1 que permanecem no linfonodo interagem com os linfócitos B, promovendo a troca de classe para IgG. O interferon gama produzido pelas células TH1 induz os linfócitos B a produzirem IgG1 e IgG3 em humanos, e IgG2a e IgG3 em camundongos. Essa troca de classe resulta na produção de plasmócitos de vida longa que secretam IgG, melhorando a resposta humoral contra o patógeno.
Ações Adicionais do Interferon Gama e Finalização da Resposta TH1
O interferon gama melhora a apresentação de antígenos, aumentando a expressão de moléculas de MHC de classe I e II. O MHC de classe II ativa os linfócitos TCD4 (helper), enquanto o MHC de classe I ativa os linfócitos TCD8 (citotóxicos), que destroem as células infectadas. A resposta TH1 inicia-se com a IL-12 produzida pela célula dendrítica, que polariza o linfócito T para o perfil TH1, cuja citocina característica é o interferon gama. Essa resposta é crucial para combater infecções intracelulares, tumores e algumas doenças autoimunes, além de promover a troca de classe das células B para IgG.

