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0:00 Tá? Então, o nosso segundo encontro é dedicado ao currículo cultural da educação física em ação. Lá na primeira conversa, nós estudamos, né, junto com a professora Patrícia, os marcadores sociais da diferença, a sua interseccionalidade. Eh, é importante lembrar que a ação educativa, a ação curricular, ela é uma um processo de subjetivação, ela vai constituindo identidades. E se nós queremos uma sociedade democrática, se nós estamos querendo construir uma sociedade menos desigual, uma sociedade mais justa, nós precisamos, portanto, trabalhar com experiências que se relacionem com todos os grupos
0:45 sociais presentes na sociedade. Então, aquela discussão da semana passada, ela nos ajuda a pensar numa maneira de lidar com as questões da diferença na sala de aula, mas nos ajuda a pensar também no que nós vamos selecionar e como é que nós vamos trabalhar do ponto de vista pedagógico, qual prática corporal selecionar e como que nós vamos tematizar essa prática pedagógica. Então, nós gostaríamos de muito rapidamente eh fazer com vocês aqui uma localização epistemológica e didática da perspectiva cultural da educação física, do currículo cultural. Na sequência nós vamos passar a palavra pro Jorge e pro Luís, depois, em seguida para o
1:31 Renan e aí no final a gente abre aí paraas colocações, etc., paraas perguntas. Ou seja, a expectativa é que vocês dialoguem com os colegas, né, que são professores da rede municipal de São Paulo e que tem aí a muito eh da rede municipal e acumulando com a rede estadual e que tem muito aí a nos ensinar. Bom, este é o currículo da cidade, gente, que é um documento que está para consulta pública. Eh, eu já fui da rede, não sou mais da rede, eh, mas acompanho as ações da rede e eu tô muito feliz de ver a rede produzindo um documento, deixando à disposição para que as pessoas entrem, façam seus comentários, contribuam para que esse documento seja também discutido
2:17 nas atividades formativas. Eu recomendaria que vocês eh [limpando a garganta] entrassem no site deles lá específico. >> Pera aí. agressão trabalho. É, >> eu recomendaria que vocês entrassem no site do do da, né, do do currículo da cidade, porque vocês vão eh localizar lá em especial um vídeo gravado, [limpando a garganta] gravado pela professora, um vídeo institucional gravado pela professora Elizabeth Freire, que ela vai abordando algumas das contribuições que as pessoas fizeram para o currículo da cidade e ela
3:03 vai esclarecendo alguns pontos. me parece um material assim muito importante, muito relevante para vocês entenderem bem essa proposta. Então, ó, a Raquel já colocou aí a, né, o link. Obrigado, Raquel. Então fica aí a sugestão para quem quiser acessar o documento, quem ainda não fez, e também eh acessar o vídeo da professora Elizabe. Bom, deste documento, na página 30, na página 60, que eu memorizei porque não quis colocar o número, aí eu extraio esta parte que dialoga muito com o que foi discutido na semana passada e dá um rumo para aquilo que a gente vai conversar eh junto com os colegas hoje. Então, como vocês estão vendo, é um print de um pedacinho de uma página.
3:50 Desde 2007, documentos oficiais da rede municipal de ensino entendem a prática da educação física como linguagem, fundamentando-se nos estudos culturais e no multiculturalismo crítico, os quais encontram sua grande produção nas universidades paulistas. A educação física, na perspectiva cultural compreende, em sua prática pedagógica, que o corpo traz as marcas históricas dos sujeitos e da cultura. tudo que a professora Patrícia conversou conosco na semana passada com este aporte epistemológico, ou seja, o corpo como construção cultural, os estudos culturais, [limpando a garganta] o multiculturalismo crítico, a educação física reforça sua relação com a cultura e seus processos de subjetivação. Isto é, as lentes são colocadas para o
4:36 modo como a cultura influencia a construção de quem somos, a maneira como nos percebemos, nos conduzimos em cada situação, como falamos de nós mesmos acerca dos outros e das práticas corporais. Então, nós somos sujeitos construídos em meio à cultura. eh aquilo que dizem sobre nós, aquilo que circula sobre nós, as nossas vivências, as nossas experiências vão nos constituindo como sujeitos, mas nós também somos sujeitos construídos pelas práticas corporais que nós acessamos. Por quê? Olha só, diante deste quadro, os gestos presentes tem um, né, um n a mais aí, os gestos presentes nas práticas corporais
5:22 são percebidos como forma de expressão e comunicação que difundem os modos de ser, pensar e de agir das pessoas de diferentes grupos sociais. Então, colegas, nesta perspectiva, as práticas corporais brincadeira dança luta esporte e ginástica, elas são produtos da gestualidade, elas são textos da cultura, elas são patrimônios de um determinado grupo social que às vezes circula de um grupo pro outro. Estava lendo na Folha de São Paulo, né, ontem ou hoje de madrugada, não sei, não lembro mais, que não é mais só o pop coreano, o Kpop. Agora também tem o JP, que é o pop japonês, que também tá circulando e a garotada tá acessando. Então essa prática corporal, que já é
6:08 uma reelaboração de outra prática corporal, ela é apropriada pelas crianças que estudam na sua escola, pelos jovens que estudam na sua escola, ela se torna também patrimônio desse grupo e ela vai modificando esse corpo, essa gestualidade, essa forma de expressão, isso que as pessoas são. Então, pensar na perspectiva cultural da educação física é colocar a cultura no centro do processo. Gente, pensar na perspectiva cultural da educação física é apenas duas ações. Desenvolver uma experiência pedagógica que ajude as pessoas a entenderem como as práticas corporais se organizam e funcionam e a entender e produzir essas práticas corporais. Então, quando a educação
6:54 física tá na área das linguagens, como os documentos estão desde 2007, quando a educação física tematiza as práticas corporais, nós, professoras e professores, desenvolvemos situações didáticas que ajudam as crianças e jovens, adultos e adultas, idosos, e idosas e bebês a produzirem e lerem essas práticas corporais. É por isso que nesse documento da Prefeitura de São Paulo a gente destacou também estas situações didáticas. Não vou ficar lendo, tá lá para vocês baixarem, verem. Mas são essas situações que os nossos colegas vão trabalhar hoje conosco. O mapeamento, a vivência, a leitura, reintificação aprofundamento a ampliação, o registro e a avaliação. Então, se vocês olharem cada uma dessas
7:40 situações didáticas, que ela pode ser, ela pode eh incorporar um conjunto grande de atividades, né? Então, uma atividade de leitura da prática corporal pode ser observar os colegas durante pega-appega, pode ser observar um jogo acontecendo, mas também pode ser analisar um vídeo de um jogo ou ir numa pista de skate e ver o pessoal andando skate. Isso é uma atividade de leitura da prática corporal. uma atividade de ressignificação da prática corporal pode ser reelaboração da prática corporal, pensar em outras em outros gestos, pensar em outras regras e assim por diante. Então existem muitas atividades de mapeamento, muitas de aprofundamento, muitas de registro, muitas de avaliação, mas esse conjunto ela se se congrega em
8:27 situações didáticas, mapeamento, vivência leitura aprofundamento ampliação, registro e avaliação. Tudo bem, gente? Então, sempre que houver um professor ou uma professora trabalhando com o currículo cultural, educação física, ele está pensando em atividades que ajudem a ler, portanto, a compreender as práticas corporais e atividades que ajudem a produzir, a reelaborar essas práticas corporais. Com isso, eu encerro, passo a palavra para o Jorge e para o Luiz. Agradeço muitíssimo a disponibilidade deles. Os três aceitaram o convite de bate pronto, que para nós é muito bom, porque nós entendemos que esse tipo de trabalho que começa a partir de agora é
9:14 um conhecimento que o professor e que a professora produzem no momento da sua ação didática. Então esse é um conhecimento fundamental que o professor Marcos Neira não tem condição de trabalhar com ele porque não estou na sala de aula do do, né, do ensino fundamental. trabalhando com os alunos. Estou bem distante, nem sei aquilo que os alunos estão fazendo, mas o Jorge, o Luís e o Renan estão aí para compartilhar conosco aquilo que eles estão fazendo e os conhecimentos que eles estão produzindo. Era isso, Bel. Passo a palavra. >> Obrigada, Marcos. Acho que o Jorge que vai começar a apresentação, agradecer aos colegas, né, a disponibilidade de compartilhar suas práticas. Acho que esse diálogo vai ser bem importante para para
10:01 inspirar mesmo, né, as nossas conversas. Então, Jorge, passo a bola para você. Muito obrigada. >> Bom, boa noite a todos e a todas. Eu já vou compartilhar a tela. Eh, e antes, né, gostaria de agradecer, reforçar aqui o o agradecimento, né, o pelo convite, pela oportunidade de compartilhar né eh um pouco do que a gente desenvolve, né, tematiza em sala de aula. Eh, só confirmem para mim se apareceu, por favor. >> Tá OK? Sim, >> tudo certo. Então, vamos lá. Eh, então, né, eu me chamo Jorge, né, eu sou
10:46 professor de de educação física da rede municipal eh desde 2008, né, e este e desde 2008 na mesma escola, né, na EMF Raimundo Correia, que fica localizada lá na DR São Miguel, na na região do Jardim Helena, né, e o Luís, se eu não me engano, aí depois a gente combinou, tá, que eu vou fazer a fala inicial. E o Luiz e ele vai dar sequência. Eh, o Luí, se eu não me engano, ele chegou na escola em 2010, né? Ou 2010 ou 2011, agora, se não me falha a memória. Mas desde então a gente vem arriscando, né, vem tentando colocar o currículo cultural eh da educação
11:31 física em ação, né? Então, eh, nós produzimos alguns relatos, já participamos de alguns outros eventos em que podemos expor a nossa prática pedagógica, né? E é sempre uma alegria, né, poder compartilhar esse momento com vocês, né? E essa tematização, né, esse título, eh, quando dois professores artistam uma tematização, musculação e corpos saudáveis em debate, ela ela ocorreu por assim, teve um contexto, né, que eu vou explicar melhor um pouco mais à frente, tá? Então, essa aqui é a escola, né, como eu disse, a escola que eu já estou há há 18 eh eh 18 anos, né, a eh lecionando as aulas de educação física na mesma escola. Fiquei um ano de
12:18 CP em outra escola, né, como CP eh eh como CP designado, mas retornei, né, o bom filho, a casa torna e de lá continua, continua até os dias atuais. Eh, e aí o contexto da tematização, ela ocorreu, né, em 2024, entre os meses de maio e agosto, né, eh, para quem não é da rede municipal, né, eh, em julho, eh, tem o período de recesso, né, na maioria das escolas, eh, menos algumas escolas de educação infantil, né, que elas não param e aí fazem alguns polos, né, de atendimento, mas na maioria das escolas, o mês de julho, duas eh eh varia né? Mas geralmente duas semanas tem o período de recesso. Eh, então a gente começou em
13:04 maio, aí eh parou pro recesso e depois a gente continuou, né, após o recesso até o mês de agosto. Eh, ela envolveu turmas de oitavo e 9o anos, né? E foi uma uma tematização bem interessante. Por quê? Porque eh como todo mundo, né, que trabalha na rede, né, como a Bel disse, a Mônica e o Marcos disseram, né, que há professores que são da rede, que não são da rede. Então, uma breve explicação. Eh, a carga horária do eh docente de educação física e das outras disciplinas, né, ela prevê 25 aulas, né, na semana. Eh, e às vezes e na educação física, eh, para quem leciona no ensino fundamental um, né, do primeiro ao 5inº ano, são duas aulas só, né, na semana.
13:51 Duas aulas só, né, são duas aulas de educação física na semana. E no ensino fundamental dois, elas são três, né? E o que acontece eh eh na nossa escola, o que tem acontecido com mais frequência agora na nossa escola, eh devido a essa carga horária eh eh professores dividirem eh agrupamentos de turma, né? Nesse caso, eu fiquei responsável pelo oitavo ano C, enquanto o Luís ficou com oitavo ano A e B e os nonos A, B e C, né? E porque desde 2020 também, eh, desde o período da pandemia, até um pouquinho antes, né, e se intensificou depois da pandemia, a escola ela se preocupou bastante coletivamente, né, envolveu todo o grupo docente a eh
14:37 produzir um currículo com a cara da escola, né, algo que influenciado pela BNCC, né, e influenciado principalmente pelo [limpando a garganta] currículo da cidade, mas produzir o seu próprio currículo, né, com as suas próprias, seus próprios tempos. tema, suas próprias discussões, enfim. Eh, e a educação física, né, ela participou desse processo e o que o que foi um resultado disso foi que eh Luís e eu, nós eh devido a essa divisão das turmas, nós nos envolvemos bastante no planejamento coletivo, né? como eu tinha uma turma e ele tinha duas e também tinha os 9os anos, nós combinamos, né, e e fruto, né, desse trabalho coletivo da
15:24 escola, esse esforço coletivo da escola, eh nós eh resolvemos então planejar as tematizações juntos, né? Então a gente pensando nos oitavos anos, né, oitavo A, B e C. E como nós dois fazíamos Jeif, eh, toda segunda-feira a Jeif ela é um período estendido, né? E aí a gente conversou com o coordenador, que é uma pessoa super eh, bacana nesse sentido, né? e a gente conseguiu negociar e durante toda a segunda-feira, né, eh eh na no último período da JEIF, eh Luiz e eu, a gente se reunia numa outra sala e a gente planejava eh a nossa tematização, né? E foi bem interessante esse momento. Por quê? Porque toda
16:10 segunda-feira a gente planejava e o mais interessante é que a gente chegava, né, com as nossas anotações, os nossos registros do mapeamento, né, o mapeamento docente, que é aquele mapeamento que a gente faz a todo momento, né, a gente tá atento, a gente percebe certas coisas, né, durante a aula, fora dela, enfim. E a gente nessa nossa reuniãozinha a gente conversava, trazia as impressões do que havia acontecido durante a semana nas aulas, nas turmas, e ali a gente pensava na semana seguinte. E foi bem interessante, na semana seguinte, não, né, na semana, porque era de segunda. E foi bem interessante esse movimento, porque em alguns momentos a gente compartilhava material, né? Então, ou seja, teve um momento que a gente falou assim: "Olha,
16:55 eh, vamos compartilhar, eh, olha, eu achei esse vídeo, né, sobre os exercícios de musculação. Ah, beleza, compartilha comigo que eu também vou passar". Só que assim, a, a discussão em sala de aula não não teria como ser igual, né? Aí cada professor artistou eh à sua maneira, né? Desenvolveu a tematização à sua maneira. Eh, mas também teve momento que a gente percebeu assim, olha Luí, eu falava pro Luiz, olha, eu percebi algum que algumas turmas falaram isso, né? E o Luiz falava: "Olha, eu percebi, mas eu percebi eh esse essa mesma situação, mas de um outro modo." E aí a gente falava: "Beleza, então essa semana vamos seguir, né? Vamos seguir do jeito que a gente eh eh acha que a gente tem que ir com a nossa turma." E aí [risadas] na semana
17:41 seguinte trazia novas novas eh >> acho que tem um telefone um microfone aberto. >> Chega, eu tava cansada. >> Eh, eu vou continuar mesmo assim, tá? Eh, então a aí a gente decidia, né, eh, desenvolvia a tematização na semana e aí na outra segunda a gente voltava e trocava a impressão e conversava bastante sobre o que havia acontecido, né? e assim planejava semana a semana, né, eh a nossa tematização. A gente planejou semana a semana. Eh, e também, né, como eh todos aqui, todas aqui já tiveram eh experiências na escola, né, na educação básica, a gente sabe que o nosso planejamento, esse momento de planejamento não se reduziu a Jeif, né?
18:28 Então, horário de entrada e saída, no horário do cafezinho, no horário do almoço, algum momento ali no corredor, né, algumas mensagens no WhatsApp de noite, de fim de semana. Então isso daí também foi algo que que marcou essa tematização, né, e que a gente levou assim, foi bem tranquilo para levar, tá? E aí, eh, aqui, né, depois das primeiras aulas, que o Luiz vai explicar melhor, eh, vai falar melhor sobre o relato de experiência, após as primeiras aulas, né, o primeiro contato, a gente retornou ao currículo da cidade, né, e a gente definiu esses objetivos, né, que é com a permissão, né, vou ler, experimentar, vivenciar e fruir um ou mais tipos de ginástica de condicionamento físico,
19:14 conhecer alguns dos diferentes procedimentos técnicos empregados durante a prática da musculação, analisar criticamente, criticamente o discurso estabelecido sobre a corporeidade, padrões de saúde e beleza e, por fim, conhecer alguns dos diferentes procedimentos técnicos empregados durante a prática da musculação. Aí ressalto, né, que esses objetivos eles não foram pensados a priori, né? a gente esperou eh eh agora, pelo que eu me lembro, o passou uma semana, duas semanas após o mapeamento em um dos nossos planejamentos, né, depois de duas, três semanas de aula, né, algumas aulas, aí a gente pensou, olha, vamos pensar nesses objetivos aqui até para cumprir também com a com a exigência escolar do plano eh bimestral,
20:02 né? Então, foram esses objetivos que foram pensados. E aí, eh, a, a definição do tema, né? Eh, algumas algumas eh alguns aspectos foram bem importantes, né, paraa definição desse tema nesse momento, né? Eh, e aí muito agenciados, né, nós dois, muitos muito agenciados pelos princípios ético-políticos do currículo cultural, né, entre eles, eh, o princípio do reconhecimento da cultura corporal da comunidade, né, eh, o princípio da justiça curricular e também, por que não, o princípio eh da descolonização do currículo, né, e da articulação ao projeto político pedagógico, né, por quê? Porque eh a gente entende que não somente o projeto
20:49 político pedagógico eh que precisa eh eh ser articulado com a escola, eh ser articulado com a tematização, desculpa, mas também os documentos curriculares, né? Eh, no nosso caso, o currículo da cidade. Então, ele é um documento que consegue articular as tematizações ou trabalho pedagógico como um todo na escola, tá? Então, alguns aspectos, né? eh que a musculação ela ainda não havia sido tematizada com as turmas, né? A ginástica ela foi tematizada com o professor Luís, né? Porque o professor Luiz durante muito tempo ele dá aula ainda até hoje, né? Ele dá aula pro ensino fundamental um e eu fico mais com o ensino fundamental dois, né? E que a ginástica com essas mesmas turmas, ela
21:35 foi tematizada quando essas turmas ainda estavam no quarto, né? terceiro, quarto ou quinto ano, agora eu não sei ao certo. E foi uma tematização de ginástica geral, né, ou de eh tal eh outros tipos de ginástica que não a ginástica de condicionamento físico, no nosso caso, a musculação, né? Então, a gente achou importante considerar essa tematização nesse momento, né? Eh, e também por no nosso mapeamento nós percebemos eh que alguns, né, assim, muitos, não muitos, né, mas boa parte dos estudantes, eles eram praticantes de musculação, né, por se tratar de oitavo e nono ano. E a gente vai ver nas fotos e o Luiz vai explicar melhor, eh tem alguns algumas alguns registros fotográficos que mostram os estudantes e
22:22 as estudantes que são praticantes, elas eh eles e elas contribuindo, né, eh compartilhando seus conhecimentos, ajudando os colegas. E foi bem interessante nesse sentido, eh, durante a tematização e também acho que como eh não só o território do Jardim Helena, mas principalmente dele, que é onde a gente eh que é onde a escola tá situada, é a proliferação de muitas academias de musculação, né? e que com essa ideia da dessa proliferação das academias de musculação, desse discurso da saúde, as narrativas discentes, né, que a gente pôde mapear também nesse primeiro contato com as turmas, né, de que a musculação serve para emagrecer, né, de que a musculação serve para deixar sarado, né, que uma pessoa gorda ela não
23:08 tem saúde, né, e que, né, que olha, vamos fazer musculação, professor. Por quê? porque é projeto bumbum na nuca, né, que é um termo muito comum, eh, muito popular hoje em dia, né? Eh, e aí o que o que que a gente conversava no nosso na nossa conversa semanal, né, nosso planejamento semanal, é que esses discursos eles carregam a ideia de corpo ideal, né, de corpo padrão. Então, foram esses esses principais aspectos que fez com que a gente tematizasse a musculação nesse período. Agora eu passo a palavra pro Luís. >> Boa noite. Eh, me ouvem bem? Tranquilo. Eh, primeiramente agradecer o convite do
23:55 professor Marcos. Eh, me sinto muito eh honrado em participar, né, como cursista e também agora apresentando o relato de experiência que foi realizado junto com o parceiro, irmão Jorge, né, como ele mencionou lá no começo, eu tô no Raimundo Correa há 16 anos, fiz 16 anos esse ano desde 2010. Acumulo com a rede estadual, não moro na escola, né? Eu tô na escola, mas não moro nela, faço a GF noturna e como não ia dar tempo para mim locomover para casa, eu tô fazendo a a apresentação daqui e daqui a pouco eu vou. Enfim, como bem explicitado pelo Jorge, eu vou dar continuidade falando
24:41 das das nossas situações didáticas que o tudo aquilo que a gente planejou. Como o Jorge Bem mencionou, a gente chega nessa tematização da ginástica porque percebemos no mapeamento com as turmas que a ginástica só tinha sido estudada lá no fundamental um e levando em consideração os princípios que o Jorge pontuou, a gente achou importante voltar pra ginástica, mas pensando nas ginásticas que as crianças, os jovens, né? Crianças eu confundo muito porque como eu pego eles desde o primeiro ano, então eu sempre chamo eles de crianças. Então me desculpem se eu trocar aqui crianças por jovens, né? Mas eh por levar em consideração ter muitos jovens, né, fazendo
25:27 musculação e a gente tá num bairro que a gente viu aparecer muita academia ginástica, né? A gente opta pela ginástica eh de condicionamento de melhoria da saúde, né? Então eh para começar o estudo, a gente pontuou imagens de pessoas eh gordas, de pessoas eh com um porte físico mais forte, pessoas com porte físico mais magras, homens e mulheres, né? E a partir daí as crianças foram, os jovens foram pontuando o que eles pensavam sobre esses corpos. Então a gente usa como um o esse essas imagens como um disparador, né, para mapear esses saberes que as crianças possuíam. A partir daí surgem muitas
26:12 falas pejorativas a respeito do corpo gordo, muitas falas valorizando o corpo forte, né, masculino e o corpo forte feminino sendo também de certa forma ridicularizado, como se elas fossem homens, né, mulheres trans, enfim, a gente daí para começar a pensar nas outras situações. Então, a gente tá vendo a situação de vivência aqui pra gente iniciar. a vivência, a gente eh pegou os aparelhos que nós tínhamos, a escola tem bastante eh eh material e a gente também pediu alguns outros, né? Pedimos emprestado para para colegas que que são praticantes da da
26:57 musculação, eh Barra Anilha eh, Alter, então eles também emprestaram, né? Elas também emprestaram. a gente pode usar durante a aula e a gente deixou na quadra para que eles pudessem manusear, eh, utilizar da forma como eles sabiam, da forma que eles como eles conheciam, né? E essas imagens vocês estão vendo foram foram essas essas vivências iniciais. A gente parte daí para começar a a vivenciar. nessas vivências mesmo as crianças, eh, os jovens que que não sabiam tinham certa ajuda de quem de quem já praticava. Então, eles iam falando, mencionando como como se fazia eh o levantamento da barra. Eh, também alguns sabiam nomes,
27:46 né? né? Ó, a rosca faz assim, o supino faz assado. Eles iam falando essas essas questões. Eh, partindo dessa vivência, a gente se organiza, eu e o Jorge, né, planejando algo mais eh de certa forma mais organizado. Então, tinham muitas muitos jovens que não sabiam manusear, por exemplo, a corda náutica. muitos também tinham dificuldade de de fazer o exercício da forma correta, mesmo com a ajuda dos amigos. A gente parte para paraa leitura da prática, colocando vídeos onde eles pudessem eh se orientar com pessoas explicando como se fazer o exercício, como eh fazer eh eh por exemplo, o agachamento, como se
28:32 fazer o manuseio da corda náutica. E a partir daí a gente foi também separando os grupos musculares. A gente preparou uma aula mostrando os grupos musculares, membros inferiores, membros superiores. E aí a partir daí a gente elaborou circuitos para que eles pudessem fazer as vivências primeiro de um grupo, depois de outro, rodiziando esses grupos. E dentro dessas aulas, a gente ia percebendo que as crianças iam citando que estavam sentindo, começando a sentir dor no no músculo, dor no corpo. E a gente ia anotando isso nos nossos cadernos de registro, né? Tanto o Jorge quanto eu, a gente tem um caderno e as crianças vão falando, a gente vai anotando essas falas para depois a gente
29:17 discutir o no nosso planejamento. Partindo dessa dessas falas das crianças, a gente organiza uma aula explicando como acontece a hipertrofia, né? Mais uma aula de leitura, de aprofundamento, onde eles puderam ver que que a hipertrofia ela acontece a partir do rompimento dos das fibras musculares né? Então elas, pô, não sabiam dessa questão. Partem eh eh a gente partiu paraa leitura desse desse vídeo para que elas pudessem entender melhor. A gente também foi explicando, né, esse crescimento muscular. Eh, e depois organizamos mais vivências também para que elas pudessem eh fazer de forma mais orientada, como elas
30:03 tinham visto no vídeo. A gente foi percebendo também que aquele gelo também inicial das crianças não se aproximarem tanto, né, por se tratar de oitavo e nono, foi meio que quebrando. A gente tinha um dia da semana onde onde eu e o Jorge nos encontrávamos na quadra, ele com a turma de oitavo e eu com uma turma de nono. Então elas também trocavam entre elas, a gente aproveit aproveitava esse momento para fazer a vivência juntos né coletivamente. Eh, e uma turma ajudava a outra, né? a gente tinha bastante eh jovens do 9o ano que faziam, então ajudavam as crianças do nono do do oitavo a realizar o exercício. E depois a gente olha novamente para para o nosso mapeamento inicial e
30:48 observa que nós precisávamos voltar para discutir sobre a questão dos corpos gordos, da saúde, do corpo forte. E a gente parte para essa discussão levando para eles isso, a gente planejou junto, né? Tanto eu quanto o Jorge, a gente parte para pra discussão da saúde levando o conceito de saúde da OMS, né? O con o conceito de saúde da OMS também chamou a atenção da gente, né? que saúde para OMS é o completo estado de bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença. Quando a gente leva eh eh esse conceito paraas turmas, elas começam a pensar: "Pô, mas eh uma pessoa doente eh não
31:36 necessariamente ela não tem saúde. a gente vai partindo dessas questões para dialogar com a turma e pensar que não é só o fato de não ter doença, que significa que a pessoa é saudável, né? A gente foi discutindo para chegar depois na situação da problematização dos corpos gordos, né? Então, em um momento a gente selecionou vídeos da Thala para que a gente pudesse dialogar com as turmas a respeito da da da pessoa gorda. E a Thais Carla, esse vídeo que a gente pegou da Thí Carla, a gente pegou de um podcast onde ela participa mencionando o que ela sofre quando ela procura uma academia, né? Quando ela quando ela coloca o corpo dela para jogo, foi um termo que ela usou para atividade física. E aí, eh,
32:25 tiveram falas muito, muito preconceituosas pejorativas. Em um certo momento isso aconteceu na minha aula, né, eu fiquei bastante nervoso com as falas e como eu sabia que eles estavam muito, eles são principalmente os meninos, né, eles são muito fãs do Neymar e o Neymar em 2024 tava machucado, eh, uma coisa muito difícil de acontecer. [limpando a garganta] Ah, eu falo pras crianças que a a Taiscar tinha muita muito mais saúde que o Neymar. Aí, pronto. Aí eu fui também massacrado pelas pelos jovens. Mas aí, lógico, né, levando tudo na brincadeira, mas eu mencionei, pô, o Neymar só vive machucado e até esse cara tá fazendo atividade física, quem tem mais saúde, né? e a gente foi discutindo, dialogando
33:11 sobre isso, eh, para poder, né, trazendo essas atividades, para poder, eh, fazer com que as, eh, eh, essas essas falas de certa forma pudessem ter outras representações, né, por parte das crianças. Eh, um outro momento, né, continuando a o aprofundamento da da prática da musculação, a gente leva eh a à discussão o que é um corpo ideal, né, o que o que que caracteriza um corpo ideal. as turmas foram falando, né? E a partir dessas falas das turmas, surgiu [limpando a garganta] a questão do uso de suplemento alimentar e do anabolizante, né? E para discutir
34:00 essas questões, o professor Jorge tinha realizado um TCA em 2023 com uma turma de 9o ano. TCA, para quem não é da prefeitura, é um trabalho colaborativo de autoria. Ele pode acontecer no sétimo, no oitavo ou no 9º ano. Geralmente nossa escola, ela começa com pequenas eh eh pequenos trabalhos de pesquisa no sétimo para no nono ano culminar com uma escolha de um tema maior. E a partir desse tema, as turmas fazem eh eh pesquisas com o professor orientador, a professora orientadora e aí vão pesquisar o o tema de interesse daquele grupo que que foi escolhido ali. E o Jorge orientou, o professor Jorge orientou um grupo que tratava desse
34:47 assunto, né, eh, da questão do consumo de suplemento alimentar por parte dos jovens, né, nessas pesquisas que o grupo do professor Jorge realizou aqui na escola, foi dentro da escola. Eh, a gente poôde perceber na apresentação que foi realizada depois da pesquisa que muitos jovens faziam uso de suplemento alimentar, BCA, eh, creatina e às vezes sem saber para que que servia, mas talvez por alguma, eh, algum ali eh alguma influência familiar, eles faziam uso. a gente foi discutindo eh para que que cada produto, cada suplemento servia.
35:34 E aí a gente achou importante trazer alguém que tivesse mais vivência para poder dialogar com as crianças. E aí surge a ideia de conversar com um amigo que no caso é meu amigo, já foi meu aluno, né, o Mateus. Ele é professor de educação física hoje e ele também é fisiculturista. Agora eu não me recordo qual categoria que ele que ele participava de fisiculturismo, mas é aquela que se apresenta de bermuda. Ele explicou tudo isso em vídeos porque as crianças elaboraram perguntas, né? Tanto as crianças do professor Jorge quanto as minhas eh elaboraram perguntas pra gente poder entrevistá-lo. Ele não pôde vir à escola, mas ele pegou as perguntas e respondeu elas em forma de stories.
36:21 E aí ele foi respondendo cada dúvida das crianças, né, sobre saúde, que que ele pensava que era saúde de um corpo ideal. ele foi pontuando que saúde eh eh ele foi o o que ele falou sobre saúde foi muito próximo do que a gente discutiu aqui em relação à saúde ser eh não só a falta de doença, mas um completo equilíbrio entre o o físico, o mental, né, e a sua condição ali de trabalho. Ele pontuou que ele já tinha usado anabolizante porque foi uma pergunta também feita pelos jovens, né? E essa atividade de ampliação nos ajudou a a a tentar fazer com que os jovens pudessem ver a prática a partir de alguém que
37:09 realmente realiza essa essa essa vivência, né, que tem essa vivência, como o Marcos pontuou, a vivência e a experiência elas vão nos constituindo. Então, o o professor Mateus, ele tinha muita experiência para falar e respondeu diversas perguntas e foi também um ponto um ponto chave para pra gente discutir um um texto sobre o mercado bilionário de suplementos, né, que que o professor Jorge pontuou, eu também levei para pra minha aula. A gente discutiu essa essa esse bound de mercadoria que a gente tem aí exposta em Instagram. Facebook, YouTube, de muitas pessoas falando, usando, dizendo que dá certo, mas que dá certo paraa pessoa e talvez
37:55 pra gente não dê, né? E sempre vivenciando, fazendo a a a vivência da da prática com uma maturidade muito maior do que no começo. Muitos jovens mostrando o músculo. Ó, professor, o tamanho do meu bíceps, olha o tamanho do meu tríceps, olha a minha coxa, meu reto femural. Professor, olha aqui, ó, minha batata da perna. Eu falava o nome do músculo, né? Isso não dá para falar não, professor. Gastroquinêmiêmo, essas coisas a gente ia discutindo ali na aula. E a gente ia percebendo nesses momentos também o quanto eles iam eh eh eh de certa forma ali se se inteirando daquilo que a gente tratava como ação. Então, em alguns
38:41 momentos, a gente também eh percebeu quando, por exemplo, eles falavam o músculo, quando eles eh diziam o nome do exercício, quando eles fizeram as perguntas pro professor Mateus, a gente também usou isso como uma avaliação no nosso trabalho. A gente foi percebendo que que eh o trabalho tava tava caminhando da forma como a gente havia pensado, como a gente estava pensando. Bom, para tentar depois eh investigar o quanto as nossas ações tinham ali, né, sido bacanas e e tinham sido interessantes, a gente propõe um registro onde os jovens tinham que escrever aquilo que eles tinham entendido sobre o
39:27 estudo, aquilo que eles tinham achado mais interessante e o que que eles sugeri eh tinham de sugestão para as próximas tematizações que a a gente faria. Então, nessa atividade de registro, teve bastante coisa interessante na na escrita da das crianças. Eu peço licença para ler uma e já partindo pro final, é bem curtinho. Aprendi que nem sempre um corpo magro seja saudável. Ontem eu estava assistindo alguns vídeos no Instagram e me deparei com o vídeo do Renato Cariani falando de uma mulher de 61 anos e ela pegava 200 kg na carga. E ela não tinha um corpo padrão e a saúde dela melhorou muito. E antes eu tinha um pensamento muito ignorante a
40:12 respeito de pessoas que tinham o corpo fora do padrão, achava que estavam ruins da saúde, mas com as aulas e essa mulher de 61 anos, o nome dela é Marl. Aí terminou aqui o registro. Então assim, partindo dess desses registros, a gente percebeu que o trabalho ele ele deu conta daqueles objetivos que o professor Jorge mostrou para vocês. E é isso. Se o professor Jorge quiser pontuar mais alguma coisa que eu tenha deixado de lado, né? de novo, agradecer estar aqui apresentando a prática, é muito importante. E valeu, valeu, Marcos, pelo convite. Muito obrigado. >> Nós que agradecemos, Luiz e Jorge.
41:00 Palminhas, palminhas para eles, palminhas. Vamos lá, Renan. Boa noite. Parabéns, Luiz. Parabéns, Jorge. Legal a apresentação de vocês. Que bom reencontrá-los aqui também. Eh, boa noite, gente. Eu sou o Renan. Vou compartilhar minha tela. Gente, eu tô aqui no improviso porque acabou de queimar o transformador aqui na rua de casa, bem aqui em frente. Então, eu tô com o celular aqui iluminando, roteando e vamos que vamos. vai dar certo. Eh, vou compartilhar minha tela com vocês, ter uma apresentação um pouco
41:47 mais sucinta. Só um pouquinho. >> Se você precisar de algum apoio para compartilhar, você avisa, tá, Renan? Se você chegou a mandar a apresentação. >> Ah, não, pera aí. Tá, >> coloquei. Não tá comigo aqui. >> Beleza. >> Espera só um pouquinho. Então, tô com um relato de prática aqui que eu vou compartilhar com vocês. Eu tô vendo a minha tela. Vocês estão
42:32 vendo o professor Renan também? >> Sim, estamos vendo. Tá muito bom. >> Tá beleza. Eh, então esse sou eu. A escolha dessa foto foi para mostrar um pouco de serviço por causa das cores. Eh, atualmente eu tô num cé, para quem não é aqui de São Paulo, é um centro educacional unificado, onde EMF, SEI, EMEI, entre outras atividades esportivas e culturais acontecem. Para quem é de outras regiões, às vezes para ficar mais fácil compreensão, é muito é próximo àquela escola parque, né, de Aniso Teixeira, ela foi inspirada nelas e aqui em São Paulo nós temos algumas unidades, eu tô em uma que fica na Dre São Mateus,
43:18 eh, bem localizada, ela faz fronteira entre Santo André, São Mateus e Sapupemba, região de Sapupemba, na zona leste de São Paulo. Neste ano, 2026 eu tô com turmas de segundo, terceiro e quarto ano e do fundamental do eu tô com sótimo ano. O meu relato de prática foi com o sexto ano do ano passado, tá? Já vou falar sobre isso. Então esse sou eu. Dentre todas essas coisas que estão escritas aí, o mais importante que sou corintiano tá? Eh, então o meu relato de prática deu o nome de um ano de circo. Espero que vocês compreendam. Eh, mas um dos motivos de
44:04 eu colocar esse nome, de eu tematizar o circo e colocar um ano de circo, é porque a gente vive num momento como professor onde vem algumas coisas parece que vem fracionadas, né? Então, cada bimestre a gente tem que trabalhar algumas coisas. Parece que a gente tem que seguir aquela cartilha e aí a gente tematizar uma prática um ano. Parece que a gente parece não, né? a gente rompe com algumas demandas de algumas perspectivas de de ensino, né, que tão vigente nesse momento. Então, vai ser um ano de circo. Foi com turma de sexto ano de ano passado nesse céu, no céu chamado Domingos Rubino, fica no céu Rosa da China.
44:51 Eh, pautado em duas questões que o Marcos já iniciou bem. Eh, então eu utilizo do currículo cultural, eh, porque já alguns anos participando do GPF, do grupo de estudos, a gente vai compreendendo isso, compreendendo a educação física na área de linguagem. Então eu me apoio muito no currículo cultural para que eu consiga organizar as aulas e também no currículo da cidade, né, que ele traz muito muito forte, como o Marcos também trouxe, é a perspectiva, né, do da cultura corporal e etc. Então, eu coloquei as situações didáticas aqui. Eh, eu só coloquei como
45:37 forma de compartilhar e aí eu vou comentando de acordo com a minha apresentação, tá? Eu vou fazendo dessa forma porque essas situações didáticas elas não são gradativas no sentido de depois que eu mapeiei eu vou paraa vivência, depois que eu vou paraa vivência eu aprofundo, depois que eu aprofundo eu ressignifico. Não, ela não vai de forma linear, né? Então muitas vezes eu preciso voltar a mapeamento. Nossas vivências elas são replanejadas. alguns aprofundamentos eles eh ele acontecem dependendo de como a turma entende, porque a gente vai replanejando. Então, vou tentar organizar dessa forma. Por mais que eu tenta eh tenha feito algumas situações,
46:23 elas não foram de forma linear assim, tipo uma seguind a outra. Por isso que não tá sequência didática, tá? ão situações didáticas onde eu pensei dessa forma, né? Então, iní eh vou mostrar um vídeo para vocês e daqui a pouco eu vou falando mais e colocando algumas situações. Espero que ele rode bem a situação que eu tô. Então, eh, já vou começar falando do do slide passado. Eh, eu tenho como costume, ficar registrando por vídeo, porque como tem aulas bem diferentes, segundo, terceiro, nesse ano, sétimo ano, então é difícil às vezes eu lembrar porque eu saio, eu tô até no céu tem aula integral, então às vezes dou oito aulas
47:10 no dia, então às vezes fica complicado eu lembrar que que aconteceu com a turma. Então, eh, chegou uns materiais lá na escola e esses materiais que veio da prefeitura de São Paulo tinha materiais tidos como materiais de circo, mas olhando o documento, ele é tido como materiais de ginástica. E aí eu entreguei para eles e falei: "Gente, a gente tem esses materiais." Então, as claves foi usada como taco de beasebol. Eles falavam: "Ah, isso é para atacar, né? as bolinhas serviam para reforçar isso. E aí sempre nos espaços eu ia falando com eles, gente, como como que a gente pode usar esse material, para que que ele serve, como é que ele serve? Então eu usava meio como apeamento, não só nos discursos, mas também na gestualidade que eles
47:56 apresentavam. Então isso que vai apresentando é vida real, tá? Então, os espaços que a gente usando eh vocês viram que foi pátio, foi um espaço externo que tem lá no céu. Compreendo. >> E aí, nesse espaço, a gente conseguiu encontrar essa sala que não até então não era disponibilizada paraa IMF. E aí eu fui colocando algumas situações para que eles pudessem vivenciar. O que tá aparecendo agora foi que a gente no território a gente foi numa fábrica de cultura e nessa fábrica de cultura tem aula de circo. E aí a gente foi lá para vivenciar e aprofundar um pouquinho mais >> o que a gente tem
48:42 >> como situação didática, né? E na hora que a gente retornou, eu fui colocando mais materiais. Eh, e a gente sempre fazia, como o Jorge falou, no ensino fundamental dois, a gente tem três aulas por semana, então em alguns momentos a gente ficava na sala para refletir sobre situações de do que aconteceu para ouvir deles, como é que eram feito. >> Então, até esse momento que eles estão apresentando, eh, a gente tá chegando no fim do primeiro semestre. No retorno tem esse dia da família na escola. Então eles falaram: "Ah, que que você vai apresentar?" Falei: "Não, vou montar uma sala e vou deixar o material disponível
49:28 igual eles têm na aula". Então, na hora que eu deixei esses materiais disponíveis, eles foram, as famílias chegavam e os próprios estudantes, as próprias estudantes, elas já mostrando, ó, olha o que eu sei fazer, olha o que eu consigo fazer, olha como é que eu faço. Porém, o [limpando a garganta] que me intrigava era que se se eles perguntarem o que que é circo, [limpando a garganta] eles não vão conseguir definir bem o que que é circo, por causa que a gente ia ampliando os materiais, né? Então, as argolas, as fitas, o corpo, eles foram ampliando eh até corda. A gente viu situações de pular corda eh nas apresentações. E aí esse era um dos momentos onde a gente fez uma dinâmica deles conversarem. E aí daqui a
50:15 pouco eu explico um pouco melhor porque que a gente fez essa dinâmica. Ali foi uma vivência com o mágico, porque próximo ao dia das crianças a escola tinha contratado o mágico. Aí eu perguntei: "O mágico pode fazer uma oficina com a gente?" Porque o mágico também faz parte desse universo circens. E aí de bate pronto ele aceitou e ele foi conversar com as turmas. Por ser um céu, a gente tem um teatro e aí a ideia era a gente fazer uma apresentação no teatro. Eu falei: "Então vamos no teatro ver os efeitos, né?" né? E eles foram, fizeram perguntas pro técnico de som e foram fazendo as situações. E a maior parte disso eles iam fazendo. Falei: "Ó, se a gente for fazer uma apresentação, como que a gente faz? Que que a gente usa? Como é que a gente se organiza?" E aí eles foram construindo e se
51:01 organizando. E isso por fim foi uma vivência que eu vou explicar mais a fundo com a turma que fica no integral, né? que eles entram à tarde e aí eles se organizaram para preparar para uma turma de primeiro ano que estava no primeiro ano lá. Então esses são são os meus registros, né? Em alguns momentos eu ia eu ia passando. Falando agora de outra situação didática de de aprofundamento e mapeamento, né? Quando eu digo mapeamento nessa primeiro, nesse slide aqui, é no sentido de que a gente já tinha iniciado, a gente já tinha feito algumas vivências, porém e na hora que eu perguntava o que que era circo, muitos estudantes traziam que era coisa
51:48 de criança, era coisa muito simples, era eh circo de picadeiro, de lona. Então, a gente fez um jogo onde eu colocava a imagem, eles separados em grupos, eles tinham que em um minuto escrever o máximo possível que eles identificavam nas imagens. Então, eh, não sei se minha seta aparece, mas aqui tem as imagens do de PowerPoint que eu fiz mesmo, colocando para eles situações de circo. Aí, então, tem circo na rua, tem circo na lona, tem circo no E isso foi uma forma de ampliar também a percepção de algum de alguns de algumas estudantes no sentido de onde que o circo acontece. Eh, depois em algumas vivências a gente, eu cheguei até no meu planejamento, porque
52:34 toda, toda aula eu saí inquieto. Eram ter três turmas de sexto ano, cada umas com suas características. Eu saí inquieto assim, meu, que que eu digo que é que é circo, o que que eu faço? Porque eles trazer algumas questões. Aí eu descobri esse esse documentário Circo é Circo, que tá no Sesc TV. E aí eu separei alguns trechos, um trecho tava falando sobre o risco de que se corre, né, com essa numa prática circense, sobre como que o circo saiu da lona e foi pro teatro, conselho de algumas pessoas, eh o palhaço, a questão da palhaçaria e os locais, que que aconteceu com esses locais. fala também sobre a questão do público, o circo tá na rua, o circo ter público.
53:20 E nesse momento eu descobri que o CESC ele mantém eh uma questão muito forte, uma presença muito forte do circo, né, de toda essa prática circens. É até difícil falar do circo, porque nesse processo a gente foi descobrindo que circo é circo, como diz o documentário, que circo é circo. Então os estudantes em nesse momento que a gente foi chegando mais pro final do ano, eh se perguntasse que que é circo. Aí eles ah, circo é circo, mas pular corda é circo. Aí também é porque dependendo de como você organiza, dependendo de como você se apresenta, de como você movimenta o corpo, disso também é. Então no vídeo que passou agora a pouco, eh, dá pra gente fazer
54:07 leituras onde a gente pode posicionar em outros loca outros lugares, tipo ginástica tipo eh, movimentos ginásticos com fita, movimento com argola, movimento com arco ou brincadeiras ou alguma coisa cômica. E aí, tipo, como que a gente leva isso pro circo? E para quem que a gente leva no circo? E nessas situações aconteceu que algumas pessoas, e não foram poucas, relataram, ouvi falando, que eles nunca tinham ido ao circo. Nunca tinha ido ao circo, nada próximo que só essa essa tematização que os aproximara do circo, que até então era algo do que passava na TV ou em alguns casos de YouTube. Por
54:53 isso que eles associavam muito com a criança, né, com com esse fato de ser algo infantil. E aí em uma aula eu abri lá, eu falei: "Gente, se hoje, nesse momento, a gente quiser ir no circo, que que a gente faz?" "Ah, professor, eh, não sei, só a gente no círculo, tá? Mas aonde que tem um círculo próximo?" "Ah, não tem. Tinha um que ficava num num terreno aqui perto. Sério? E quanto que era?" Ah, não sei. Eu só passo na frente. E aí, usando do telão que tem nas salas, aí eu pesqu Vamos ver então qual que é o círculo mais próximo. E o círculo mais próximo, ele ficava a uns 15 km da unidade colar, que era um círculo do Patati Patatá. Eu falei: "Olha, se a gente precisar, tem são uns
55:38 15 km, é longe e a gente teria que organizar". Eu falei, não é simplesmente sair e organizar tem o ingresso: "Ah, professor, você paga?" Falei, "Se fosse pagar, o quanto que eu teria que pagar?" a gente fez as contas, foi entrando no site, foi detalhando e aí eles chegaram num momento que a gente começou a perceber que o circo não fazia parte daquele para aquele grupo de pessoas, porque era algo muito distante, tanto em território quanto em questão financeira. Então eles não se achavam pertencentes ao circo. E a gente também chegou no momento deles refletirem sobre a importância do lazer, porque eles falaram: "Ah, então nem vou no circo. Para que que eu vou no circo? Vou com quem? Vou como?" E aí entrou num, não aprofundei tanto
56:26 por causa do tempo e da, da demanda, porque precisei explicar um pouco sobre o contexto de de que nós somos pessoas que temos direito ao lazer, não só o trabalho e que o circo é uma oportunidade de lazer. Algumas pess e aí eu perguntei, tá? Que que vocês fazem no tempo livre? Ah, eu limpo a casa, eu venho pra escola. Eu: "Tá, mas vocês têm opção de escolha? a gente tem opção de escolha, de escolher o que a gente faz. Eh, você pode não gostar de circo, mas isso é uma opção, sim ou não? Austo? Não, não é opção, não. Então a gente foi tratando isso como como é importante ter o lazer e não só o lazer, mas que também há profissionais que trabalham com isso. Então, como alguns nunca tinha ido,
57:12 nunca tinham ido a gente fez por causa da pandemia, muita coisa ficou disponibilizada no YouTube, aí me indicaram esse coletivo chamado Círculo do Asfalto. Falei: "Então, gente, vamos escolher um." Então, dentro dessas opções de espetáculo inteiro, cada turma escolheu um para assistir e eles tinham um relatório para fazer. Aí vocês vão entender um pouquinho também desse relatório. Outro que aí é tido como o melhor eh companhia de circo, né, do mundo para alguns. E aí eu coloquei as opções que estavam disponível inteiro pra gente ver um trecho durante a aula. Aí preparei a sala, etc. pra gente assistir. E coloquei isso para eles fazerem esse registro no caderno, então que eles poderiam escrever por tópico.
57:58 Então, tipo, quais habilidades que eles conseguiam ver no no espetáculo, eh, quem que tava lá? Então, qual que é a diferença de espetáculo para uma apresentação? Eh, que isso era todas as coisas que a gente foi, eh, conversando durante o ano. Eh, e aí de tudo que apareceu, que que eles conseguiam fazer? é possível fazer ou naquela questão do risco é uma questão de tipo: "Ah, é bonita, é legal, mas porque isso é uma coisa que chama atenção, o risco, você vê alguém pendurado, alguém de ponta cabeça e se era muito difícil, você faria diferente?" Você teve ideia? E até interessante, eh, eles pens eles pensaram porque teve um uma apresentação que a pessoa fazia malabarismo com os
58:43 sacolinha plástica, até porque falando uma questão de reciclagem e tal, ela fez com sacolinha plástica. E aí eles pensarem também, eh, para que público eles estão fazendo, porque assim, uma piada, às vezes sexto ano, a gente que dá aula, tem umas coisas que a gente lê como boba, mas eles estão se divertindo, tão rindo e muitas vezes a gente reprime. Então, se eles querem ser engraçado, qual que é o público? Isso é um exemplo, né? E aí, entre outras coisas, porque fala: "Ah, não vou dar uma cambalhota". É muito simples, mas é simples para quem? Para qual público, qual contexto, qual ideia? Então, tudo isso são situações censas que a gente foi eh problematizando e conversando e eles foram compreendendo. E aí a gente chegou no momento de ler
59:29 essa reportagem que a gente começou a aprofundar um pouquinho mais. E aí eu retorno porque a gente nesse momento, desculpa que eu que eu passei sem comentar, quando eu falei: "Você acredita ser possível fazer o que a gente assistiu determinados espetáculos?" a gente tava ressignificando, trazendo assim: "Ah, eu vi e aí eu ressignifico, eu consigo fazer dessa forma, eu consigo fazer com algum material, eu faço de acordo com o contexto que eu estou, que era o contexto aqui do do nosso céu." E aí em seguida a gente leu também esse texto. Minha avó era palhaço, que conta sobre uma neta falando da avó dela, que [roncando] que a avó dela era palhaço no masculino mesmo, onde ela se vestia de
1:00:16 do palhaço Chamego. E aí ela se apresentava como palhaço e ela retrata toda essa questão do gênero e era uma mulher negra que não é muito comum ser representado como um palhaço, que também fazia parte do círculo, onde ela tinha diversas habilidades para poder representar esse palhaço. que por último, na questão da leitura que a gente fez, foi ler esse texto falando circo popular ou bod na corda bamba, onde ele fala sobre como que o circo era uma arte que tava nas periferias onde ele chegava, que até essa parte assim do bode na corda bamba, é uma representação onde o circo chegou
1:01:03 no território da pessoa que tava escrevendo esse texto e tinha um bode na corda bamba que era uma atração, era onde as pessoas se encontravam, onde as pessoas se reuniam ali de de determinado bairro e onde eles tinham determinada forma de lazer. >> Não encontrei essa seus contatos. >> Aí por fim, eh eu quero concluir com esse texto, com esse texto, não, com esse vídeo da de como eles se organizaram para apresentar pro pros primeiros anos. Então, foi um trabalho assim que movimentou a nossa unidade, movimentou no sentido literal mesmo, porque a professora que fica responsável pelo ensino integral de organizar, ela tava tentando alguma coisa paraas crianças do
1:01:50 integral, mas por causa de horário e por causa de distância e locomo e valores, ele não conseguiu. Falei, os estudantes estão tematizando o circo, eles podem fazer uma oficina para eles, então em uma hora eles conseguem fazer, então entrega autorização para as famílias que eles iam ficar um período a mais, porque o integral entra meio-dia e essa turma do fundamental saía meio-dia. Os estudantes eles toparam logo de cara, falei: "Então vocês vão se preparar, vão organizar como é que vocês fazem." E aí eles, ah, a gente separa em grupo, um grupo fica com malabarismo, outro grupo fica com saltos, outros com movimentos acrobáticos. Eles se organizaram e aí como eram três turmas, uma turma ficou nessa sala de dança que aí eu consegui filmar, outra no pátio e outra em outra sala da unidade que aí a gente conseguiu mais espaços para fazer isso. Então, fiz um breve resuminho aqui.
1:02:55 eles apresentaram na primeira vez e depois eles deixaram as crianças vivenciarem um pouquinho. Isso. Então assim, a gente terminou. havia uma possibilidade de deles apresentarem algo no final do ano assim no teatro, mas acabou não dando certo por causa da agenda do teatro da nossa unidade. Então, eh, tentei ser sucinto porque em um ano muita coisa foi acontecendo, né? Eh, em um ano muitas coisas foram eh tematizadas, não? com esse tema circo, né? Então esse se desdobrou em
1:03:42 diferentes questões, mas aí é isso que a gente conseguiu fazer dentro do nosso território, dentro da das nossas vivências, práticas e aprofundamentos. Obrigado gente. >> Valeu, Renan. Nós que agradecemos, Isabel. Vamos lá. Vamos abrir para as perguntas comentários. Sim, sim, exatamente. Esse agora é o momento, né? Hoje a gente conseguiu reservar um tempinho um pouquinho maior, né, pra gente ouvir vocês, para tirar dúvidas, para comentar. Queria parabenizar, né, os colegas pelas apresentações, além das experiências, né, eh, serem muito interessantes e ricas. E, e a gente vai, né, eu, eu pelo
1:04:28 menos vou vendo as imagens, vou pensando muito nesse dia a dia da escola. Parece que eu tô até escuto assim aquele som da escola, né, que é tão a gente sente saudade, né, a gente que não tá na escola todo dia. Então, agradecer novamente vocês, né, por compartilharem a prática. Eh, e acho que agora com a discussão a gente caminha bastante aí em compreender como é que vocês estão pensando o currículo cultural e a gente vai ter oportunidade também com as atividad, com a próxima atividade assíncrona, de fazer uma conexão teórica, né, com as produções eh intelectuais do currículo cultural, que vão falar um pouquinho dessa relação com a prática, das situações didáticas. Então, vamos lá, a roda tá aberta. Mãos levantadas, abram microfones. Quem preferir participar pelo chat também,
1:05:14 fica à vontade. Moxo, levantou a mão. Moxo, vai lá. Eu vou eu vou inaugurar. Quer dizer, desculpa que eu tenho assim, eu tava meio no começo da da aula eu não tava presente que eu tava visitando um amigo que tava no hospital, não é? Eu cheguei no momento que tava tendo, não esse último relato, o penúltimo relato, eu não sei se tiveram outros, né, onde tava comentando essas questões da saúde, a questão da obesidade, etc., né? e, né, a
1:06:00 um pouco da dificuldade que os alunos tinham, né, de compreender essa, né, de de ter uma de ter uma compreensão do conceito de saúde. Talvez eu acho que para ajudar, né, nessa discussão, né, uma das coisas que a gente tenta, pelo menos quando, né, a gente tá na na graduação, comentar com os alunos, é que não existe mais a ideia que alguém é perfeitamente saudável, né? Ninguém é saudável. Porque todos nós, independente da idade, a gente tem alguma assim algum estado de doença, né? Então é muito assim, talvez uma das coisas que é interessante que aí a gente a gente absorveu isso das outras áreas da saúde, né, que é a questão da
1:06:47 funcionalidade. Então, eh o o que determina o, né, assim, o quanto que a gente é ou não é saudável, né, não é a presença ou não deas, mas é o quanto que a gente é que é capaz de fazer as coisas, né? Então, eh, essa essa noção de que as pessoas assim que a gente, né, se o nosso corpo, né, e nossa mente, né, assim, permite a gente se envolver nas atividades, permite a gente fazer eh ter uma relação social com outras pessoas e interagir e fazer o que a gente busca fazer, isso é o que importa, né? Eh, os problemas que vão aparecer no nosso corpo, né, sejam funcionamento ou
1:07:33 por causa de doenças, elas se tornam mais complexas quando elas impedem as pessoas de fazer as suas atividades da vida diária, né? Então, talvez conversar com as crianças sobre essa questão, né, que não existe mais essa essa questão de estar ou não estar com saúde, né? É um contínuo, né? Não existe um uma perfeita saúde, nem existe uma perfeita doença. Porque pode ser que, por exemplo, vou pegar o a questão extrema, que uma pessoa que tá no cuidado paliativo de câncer, né, mas ela pode ter uma saúde mental melhor do que uma pessoa que não tem nenhuma doença física, né? Então ela pode estar uma ela pode
1:08:19 ter uma condição mental e encarar os problemas da vida e resolver problemas da vida melhor que uma pessoa que não tem nenhuma doença física, né? Então acho que esse é isso é uma é uma ideia importante da noção atual de saúde. >> Maravilha. Eh, Cíntia que levantou a mão. Obrigada, amor. Cíntia. Sim, boa noite. Tá tudo bem com áudio? Sim. Eh, eu gostaria aí parabenizar os colegas, né, primeiramente pelas aulas que foram realizadas aí na escola, trazer essa experiência pra gente. E aí
1:09:06 eu gostaria assim de também trazer uma questão sobre, por exemplo, os migrantes, né? a gente sabe que temos aí um público eh grande nas nossas escolas, né? E aí eu gostaria de verificar com o Jorge, com o Luiz e com o Renan durante a prática deles nessas aulas, né? Se houve alguma interação aí também trazendo um pouquinho sobre o que nós tivemos na aula passada, né, aqui no nosso encontro falando sobre esse multicultur culturalismo, né? na questão de eles trouxeram alguma experiência no caso desses alunos, né, que seriam aí mais migrantes de vivências, por exemplo, ah,
1:09:53 na onde eu morava, eh, nós fazíamos isso com a avó, sabe? alguma alguma questão assim que eles se, né, se houve essa questão na aula em alguma dessas desses momentos e como que o professor trouxe, né, para poder também relacionar com o dia a dia de um ambiente novo para eles, pros migrantes, mas também experiências que eles trazem pros alunos que estão ali dentro daquele espaço. Então eu gostaria de verificar, né, se eles tiveram esse momento e como que foi se houve, como que foi feita essa abordagem né?
1:10:38 >> Legal, Ctnia. Não sei se a gente roda pra Mônica, a gente faz um bloco de três comentários e aí os meninos compreendem. Que que você acha, Mônica? Não sei qual acho. Acho que não, pelo menos nesse caso não. Tá pedindo mais um exemplo, né, da vivência dos meninos para eles responderem. Beleza. Eh, bom, eu vou comentar, tá, essa a fala da Cíntia, né? Obrigado, Cíntia, pela pergunta, enfim, pelo comentário. E aí depois o Luiz, né, e o Renan no trabalho de de prática circência aí também comenta, né? Eh, como eu estava só com uma turma de oitavo ano e o Luís,
1:11:24 né, estava com as outras turmas, né, dos oitavos e dos nonos, eh, eu não eh nós tínhamos, né, eh, alguns estudantes eh oriundos de outras regiões, né, da América Latina, né, isso a gente já sabia, estava lá conosco desde o primeiro aninho, segundo aninho. Mas nesta tematização em específico, eh, nós não mapeamos, nós não percebemos, enfim, algo relacionado à cultura, né, a cultura corporal dessas pessoas, né, desses estudantes. É, uma vez, né, aí extrapolando um pouco essa tematização, eh, em um momento, há um tempo atrás, eu
1:12:10 tematizei dança, até tava tematizando danças e uma aluna que era oriunda, né, originária, oriunda, né, a família era oriunda da Bolívia, ela compartilhou danças, músicas, né, músicas que as famílias eh faziam, eh, escutavam aos fins de semana. quando se reuniam, enfim, mas não no contexto da musculação, né? No contexto da musculação, o que a gente pôde perceber bastante foi esse discurso, eh, o discurso muito forte, né, que pelas relações de poder coloca ele como como algo inquestionável, né, sobre o corpo ideal, sobre o padrão e sobre essa busca incessante
1:12:56 para se ter esse corpo ideal e que para isso vale tomar eh anabolizante, tomar suplemento né fora os os relatos dos influenciadores, né? Enfim, que naquela época já existia e a cada ano que passa parece que esse discurso ele só se modifica, mas tá muito forte, né? Mas nós, pelo menos nas nossas reuniões semanais, nós não conseguimos mapear essa essa situação. Aí se o Luiz quiser comentar, né, de alguma situação. >> É bem o que o Jorge falou, desculpa não ligar a câmera que eu tô me locomovendo para casa, mas no nessa tematização específico não apareceu nada assim, em relação a às crianças migrantes. A gente
1:13:43 não tem no Raimundo hoje também muitas crianças que vem de outros lugares, né, de outros países. Então, nesse caso também da da musculação, não surgiu nada também das minhas turmas, tá? É, no meu contexto aqui, eh, a gente, eu dos três sextos anos que estavam lá, eu tinha só uma estudante que ela nasceu em Angola, mas ela veio muito nova. aqui antes dos 5 anos, ela mudou pro Brasil. A questão de migração não pegava muito. O que pegava é a questão racial mesmo. Eh, o que muitos, muitas pessoas de origem africana falam que conhece o racismo quando chegam aqui. Então, esse
1:14:30 foi um dos motivos da escolha do texto sobre minha minha avó era um palhaço, de pegar uma representação negra para aquilo, colocar até naquele texto também eh o circo e o e o bod na corda bamba, era a representação do Mateu. Então, aquela figura que tava lá é o Mateu, uma figura da muito presente na cultura popular eh brasileira, né? uma manifestação popular brasileira. Então, infelizmente na na escola que eu tô tem uma questão racial muito presente, um racismo recreativo muito comum, então eles se xingam. Eh, o embate não funciona, não funciona porque só sai do
1:15:16 do que é visível pro que é pro que é invisível. Eles continuam se tratando
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