Aula 3 - Responsabilidade Institucional

Resumo Breve

Neste vídeo, é discutida a responsabilidade institucional na educação inclusiva, abordando a importância da colaboração entre família, escola e profissionais no processo educativo. São apresentados pontos essenciais sobre como promover um ambiente inclusivo, destacando a necessidade de estrutura administrativa, apoio pedagógico e o papel de todos envolvidos na educação.

  • A responsabilidade na inclusão deve ser compartilhada entre todos os atores da comunidade escolar.
  • A educação inclusiva é um direito garantido e deve ser atendida sem discriminação.

Introdução à responsabilidade institucional

A sessão começa com uma introdução sobre a importância de discutir a responsabilidade institucional na educação inclusiva. O apresentador contextualiza a abordagem dentro do módulo que trata de família, comunicação e relações institucionais. Ele enfatiza a necessidade de todos os envolvidos – Secretaria de Educação, diretores, professores e equipe de apoio – colaborarem na construção de um ambiente educativo inclusivo.

A importância da inclusão na educação

O vídeo destaca que a inclusão não é resultado de esforços isolados, mas requer responsabilidade compartilhada entre todos os componentes da instituição. O apresentador explica como a infraestrutura, recursos humanos e equipamentos precisam estar alinhados para garantir a acessibilidade e a permanência de todos os alunos, independentemente de suas condições.

Responsabilidade da secretaria e gestão administrativa

A parte administrativa desempenha um papel crucial em garantir que a educação inclusiva ocorra de maneira eficaz. A gestão da Secretaria de Educação deve assegurar a disponibilidade de recursos e a implementação de políticas que atendam às necessidades de todos os alunos. O apresentador descreve a burocracia necessária para garantir que materiais e suporte sejam providenciados, incluindo o cumprimento de legislações e o envolvimento conjunto de todos os profissionais.

Papel pedagógico na educação inclusiva

Nesta seção, o foco é sobre o planejamento pedagógico, que deve contemplar a inclusão desde o projeto da escola. O apresentador ressalta a importância da participação de toda a equipe na formulação de estratégias que promovam acessibilidade a todos os alunos, garantindo que as práticas educativas sejam realmente inclusivas.

As quatro dimensões da educação inclusiva

O apresentador apresenta as quatro dimensões essenciais da educação inclusiva: acesso, permanência, participação e aprendizagem. Cada uma é explicada em detalhe, reforçando que a educação inclusiva requer que todos os alunos tenham condições para acessar o processo educativo, permanecer na escola adaptada às suas necessidades, participar ativamente das atividades e alcançar resultados significativos em sua aprendizagem.

Consequências da omissão institucional

A falta de compromisso com a inclusão pode levar a problemas sérios tanto para a instituição quanto para os alunos. O apresentador discute as implicações legais e sociais da omissão na promoção de uma educação inclusiva, que pode resultar em sanções administrativas e legais para a escola. A responsabilidade da escola em atender cada aluno é fundamental, e não deve ser transferida a outros, como famílias ou profissionais externos.

A atuação coletiva na educação inclusiva

Finalizando, o vídeo enfatiza que todos os membros da comunidade escolar têm um papel crucial na promoção da inclusão e que a colaboração entre eles é essencial para garantir que os direitos dos alunos sejam respeitados e atendidos. O papel da família e dos profissionais de apoio é destacado como indispensável para o sucesso do aluno na instituição.

Encerramento e próximos passos

O apresentador conclui lembrando que a educação inclusiva deve estar incorporada na prática diária de todos, e que o próximo encontro se concentrará em discutir os deveres e direitos dos profissionais da educação, enfatizando a importância da comunicação entre os diferentes atores da educação inclusiva.

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Transcrição

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0:00 [música] Olá pessoal, boa noite. Tudo bem com vocês? Espero que estejam tudo tranquilo por aí hoje, mais uma vez no encontro nosso, na nossa sala de número três do nosso módulo dois, onde nós vamos abordar, né, um tema tão relevante que vai complementando aquilo que nós estamos discutindo, aquilo que nós estamos falando a respeito da nossa prática, a respeito da nossa vivência,

0:46 do nosso cotidiano, né? Então, lembra que a gente tá dentro de um complemento de um módulo em que a gente tá ali, né, trabalhando algumas condições bem específicas do nosso curso. E no módulo dois nós estamos falando de família, comunicação e relação institucional. A gente já falou de família, falamos sobre a respeito da composição do novo tipo de família, das estruturas, né? Deixa eu vir um pouquinho mais para cá para essa luz não atrapalhar, né? Né? Nós já falamos a respeito de todo esse aspecto de construção, já falamos também da capacidade de desenvolvermos uma comunicação não violenta, o cuidado que nós precisamos ter, o que que esse sujeito, né, que a gente tá recebendo, a família e todo mundo que tá junto, espera encontrar dentro do ambiente educativo. E hoje a gente vai falar, né, um um uma parte de responsabilidade da

1:32 instituição quando a gente pensa a escola enquanto estado, né, qual é o nosso papel. a gente já falou qual é o papel da família, a gente já conversou, mas agora e a instituição, né? Em que momento do processo todo a gente começa a pensar alguns aspectos institucionais, né? Hoje eu não tô utilizando slide, mas ele tá no nosso material, tá? Ele tá lá no nossa plataforma onde vocês terão acesso, né? Abaixo lá os slides que depois serve para vocês terem de suporte para estudo, tá bom? Então, a responsabilidade institucional na educação inclusiva, a gente vai partir de algumas premissas. Primeiro, a escola ela de fato consegue ser inclusiva, né? Ela não é apenas o resultado de um monte de esforço isolado, onde a família

2:19 tentou, o professor fez, a equipe pedagógica desenhou. Não, não, não, não. O processo quando a gente pensa, né, de fato, a a a forma de de a instituição tornar-se ser uma instituição inclusiva, a gente tá falando especificamente da capacidade que nós temos de ter uma responsabilidade compartilhada, onde todos aqueles que fazem parte do processo educativo, né, estão direcionados para uma finalidade, né? Então, imagine que nós estamos recebendo os alunos que estão eh num processo regular de ensino, estão inseridos numa metodologia, num calendário, num cronograma de 200 dias letivos, 4, 8 horas diário, seja ele no num ensino regular ou no ensino integral, onde nós

3:05 temos ali uma perspectiva do trabalho que nós vamos realizar e um conteúdo a ser trabalhado, né? E esse conteúdo a ser trabalhado necessita então envolver todos os atores, Secretaria de Educação, a parte pedagógica, técnica da secretaria, os diretores, a coordenação pedagógica da escola, os professores residentes de sala, os professores monitores, o pessoal de apoio administrativo, serviços gerais, merendeiro, todo mundo, né? Quando a gente fala de toda a comunidade acadêmica, toda a comunidade escolar, são todos os profissionais que fazem parte do processo educacional ou que estão inseridos dentro da Secretaria de Educação. Por quê? Todos esses integrantes fazem parte desse contexto educacional. Então, a partir de agora, quando a gente fala de comunidade escolar, a gente tá falando de todos os

3:51 profissionais que forma direta ou indireta estão ali direcionados e ligados dentro do nosso fazer pedagógico. Claro, cada sujeito ao seu modo, né? a gente vai ter o professor, que vai ser uma parte mais pedagógica, profissional de apoio, que é uma parte mais de suporte, vai ter a pessoal da papelada de administração, né, a parte administrativa, vai ter o pessoal de coordenação, direção, vai ter a galera de biblioteca, enfim, todos aqueles que estão dentro desse espaço educativo. Por quê? Se a gente parte da ideia que nós queremos fazer uma educação inclusiva, nós precisamos que todos estejam aliados, que todos os sujeitos falem a mesma linguagem. Não dá para eu ter uma rampa de acesso perfeita, sem inclinação angular, mais de 45º,

4:36 que eu tenha uma escada que tem anteparo corrimão, que eu tenha braile, que eu tenho tudo que você possa imaginar de mais alto tecnológico, se acontece isso dentro da sala de aula ou que o aluno só consiga acessar isso do momento que ele entra até o momento em que ele tá dentro da sala de aula, ele vai no banheiro, não é acessível para ele, né? ele vai alimentar se não tem uma condição de acessibilidade para aquilo que ele necessita, né? Então, quando a gente fala de institucionalidade, de responsabilidade institucional, a gente tá pensando na escola como um todo, inclusive aqueles que são anexos a uma escola, ao CI, que é toda a parte burocrática da infraestrutura educacional. Envolve prefeito, envolve

5:22 secretário, envolve diretor técnico e todo mundo. Por quê? Esse compromisso ele precisa ser coletivo, não dá para ser isolado, até porque nós vamos ver mais adiante que nós temos documentos que são necessários, né, que você tenha nesse documento de forma clara atender primeiro a condição de legislação, depois o interesse e o propósito dentro do trabalho que a gente executa. Então o compromisso que a gente faz coletivo de todo mundo, ele é de forma normativa, ou seja, constrói um jeito de funcionar essa instituição e dá garantia que essa criança e esses alunos consigam ter acesso a esse espaço, né? é um dos modos que nós temos de fazer com que essa espaço inclusivo aconteça de fato de um

6:07 de um jeito em que todas aquelas necessidades ou até mesmo deficiências que nossos alunos possam apresentar possam ser sanados como transtornos globais, como transtorno específico, como altas habilidades ou até mesmo alguma dificuldade cognitiva ou algo que possa, né, de alguma forma eh atrapalhar ou até mesmo não permiti-lo fazer o seu desenvolvimento normal, natural, típico, como a gente tem dentro da maioria dos alunos dentro do espaço de ensino regular. Então, como é que a gente coordena isso, né? A parte administrativa, por exemplo, vamos pensar em secretarias, né? Tem que pensar gestão de recurso, tem que garantir a chegada daquilo que o professor, que o aluno precisa dentro de uma sala de aula. Tem que verificar fluxos, né? Se eu preciso de um material

6:53 que não é possível ter na minha escola, como é que eu faço para conseguir? Quais são os meios, quais são os modos? Processo licitatório, processo de nota de empenho, verificar profissionais que possam fornecer, como é o caso desse curso que a gente tá fazendo, né? Tem toda uma parte burocrática, administrativa que é necessário ser feito, né? viabilizar, viabilizar todos os elementos necessário para que aquilo que tá proposto dentro de um documento maior, de um plano, de um projeto maior pedagógico possa ser atendido. Então a parte administrativa, ela precisa fazer com que a engrenagem funcione. E paraa engrenagem funcionar, precisa ter o professor, precisa ter estrutura, os equipamentos, os dispositivos, os elementos, o material, né, o professor em sala, o suporte pedagógico, né, o profissional de apoio

7:39 escolar, enfim, toda essa galera aí que vai tá, né, atendendo em primeiro momento uma legislação, em segundo momento uma responsabilidade social e ao mesmo tempo institucional. Vale lembrar, né, que enquanto gestor de uma instituição educacional, sendo diretor, enquanto um gestor público dentro da área de uma eh secretaria de educação ou como gestor público dentro de uma prefeitura, eu preciso assumir esse compromisso, né? E quando eu assumo esse compromisso, caso eu não cumpra ou caso eu, por algum motivo, não consigo dar garantia de direito ao acesso à educação a toda criança e adolescente que necessite, eu estou incorrendo sobre alguns problemas, né, inclusive criminais, né, eu estou violando um direito, eu posso, inclusive ser, né,

8:25 indiciado por um crime, né, e responder por isso na esfera pública, na esfera cívil, por conta de não fazer aquilo que a função que eu exerço ou o chamamento que eu tive para assumir uma pasta ou assumir uma uma escola e seja executado. Então, há alguns fatores legais que nós já discutimos, mas em em especialmente a condição, né, de responsabilidade social, de devolução pra sociedade e de responsabilidade com esse com essa comunidade onde eu tô inserido, né? Então, a gente começa da parte administrativa, uma parte pedagógica, ela vai ter um outro processo, um outro formato, uma outra preocupação. Primeiro, o planejamento pedagógico, né? Eu preciso estar descrito no projeto dentro do meu curso, né? lá no meu

9:12 colégio, no projeto político pedagógico da minha escola, da minha instituição, tem que tá descrito que tem acessibilidade, que tem inclusão e não só num documento criado pelo diretor e pelo coordenador pedagógico, pelo supervisor, criado a todas mãos que fazem parte da comunidade escolar. O momento de pensar e reorganizar o projeto político pedagógico, é a hora de exercer a democracia da educação. Se a gente não é convidado a participar, a gente precisa se expor e dizer: "Olha, eu gostaria de participar num próximo momento, me chame. É o meu direito e o meu dever participar disso, porque dentro da minha capacidade profissional no campo de educação, seja regente de sala, ou seja, como professor de apoio, profissional de apoio, eu tenho a obrigação de participar. Eu preciso saber qual é a proposta, qual é o projeto. Eu preciso saber qual é a

9:57 comunidade que eu tô inserido, qual é o contexto daquela minha escola. Eu preciso dar conta de entender quais são as limitações que também possuem, porventura, quem é essa clientela que eu tô atendendo, né? Porque nesse plano político pedagógico, no planejamento que nós vamos construir dentro ali, né, das premissas do início do ano letivo ou no meio do ano letivo, é necessário que tenha uma intencionalidade. Eu preciso ter um propósito com isso. Quando a gente vai descrever, desenhar, né, esse planejamento intencional, ele precisa garantir que na intencionalidade essas práticas que eu estou dizendo que vão acontecer de fato ocorram. que toda a aprendizagem que eu digo, olha, eh, tô aqui propondo que haja, né, a a a

10:46 atendimento a todos os meus alunos, que eu consigo atender algumas especificidades, que os meus professores estarão capacitados para desempenhar essa função, que eu vou conseguir entregar o processo, né, educativo de ensino e aprendizagem que o meu aluno que aqui fazer parte da minha comunidade escolar vai dar conta de se envolver dentro de que a gente, né, forneça tudo aquilo que ele que precisa. Então essa aprendizagem efetiva que é necessário que aconteça antes de que a gente proponha de forma pedagógica aos nossos professores, é necessário então que a gente, né, perceba e faça de forma administrativa. Então a parte administrativa prepara os recursos, estruturas, tudo que é necessário. A parte pedagógica consegue conceber a viabilização por meio dos modos de exercer e desempenhar todo o processo e

11:34 eh eh educacional, né, material. metodologia, ferramenta estrutura organização curricular acompanhamento. Se porventura o aluno falta busca ativa na falta desse aluno, o aluno faltou por mais de 5 dias, comuniquei, né, a família, vai acionar às vezes conselho tutelar. Então, a parte pedagógica, ela precisa garantir que aquilo que foi proposto no papel consiga ser desempenhado de uma forma prática no dia a dia, métodos de de instrução, eh, didática, métodos de avaliação, eh uma forma de acompanhamento, relatórios. Então eu preciso garantir que aquilo que foi apresentado como proposta ela de

12:21 fato aconteça e sempre que necessário realizar o ajuste para que nós consigamos alcançar a ideia máxima que é o desenvolvimento global do nosso aluno. Tudo isso direcionado num ponto muito importante que nós já discutimos, vamos ter um tópico só para falar disso. Nosso próximo módulo vai falar de ética profissional, onde nós precisamos ter o respeito à dignidade do sujeito, né? Então, eh, por mais que o que a pessoa que o aluno que o meu pai do meu aluno apresente algum tipo de dificuldade de comunicação, de relacionamento, de déficit de alguma coisa, não faz dele um sujeito não de um direito, né, de ter essa dignidade humana. Nós de forma alguma podemos pensar em algo que afete de forma direta essa dignidade. Outro ponto, a diversidade. Nós falamos na nossa aula passada que nós temos hoje

13:08 uma forma diferente de organizar a sociedade, inclusive de ter estilos [roncando] de família. Então, imagine que de repente eu não concorde com aquele estilo de família, aquele tipo que, né, é conduzido o trabalho como aluno. É um direito do meu aluno ter essa família. É um dever meu respeitar essa família e garantir que mesmo na diversidade todos os meus alunos consigam ser observados naquilo que precede a condição humana desse sujeito, né? A condição humana que vai est intrínseca a isso, ela sobrepõe todas as nossas capacidades. Não tem como eu dizer assim: "Ah, não, mas é porque eu acho que nesse momento a melhor opção a ser desenvolvida ou o melhor suporte que a gente tem é desse formato? se eu tô ferindo a dignidade humana, não dá para fazer isso. como é o caso de, né,

13:55 permitir que aconteça bullying, nós professores fazermos comentários, né, que são comentários que às vezes coloca a pessoa numa situação de constrangimento, né, fazer comentários para fora da escola, como por exemplo, com alguém que não tá parte ou parte do contexto escolar educacional, mas que acaba trazendo pra gente algumas encrencas, inclusive alguns questionamentos em relação à lei geral de proteção de dados, enfim, muitas coisas que vão direcionar o nosso trabalho [limpando a garganta] para pensar um pouco no aspecto ético. né? Para que a gente consiga fazer isso funcionar, nós vamos ter que pensar em quatro possibilidades ou em quatro formas de isso acontecer, que nós vamos chamar de dimensões, ou seja, quatro grandes espaços que nós precisamos pensar e trazer paraa nossa discussão todo o tempo que a gente vai falar de

14:41 educação inclusive. A escola, portanto, tem uma obrigação legal, ética, de forma a conseguir levar isso para esse sujeito, que seja simultânea a todos, não dá para excluir, não dá para deixar alguém de lado e que seja indissocial. Ou seja, o papel da escola tem que ser pautado em cima de quatro pontos e aspectos importantes. Então, os quatro dimensões são acesso, permanência, participação e aprendizagem. Eu vou dizer de novo, acesso, permanência, participação e aprendizagem. Appa, né? O que que é o acesso? Então, primeiro, matrícula. Eu preciso garantir que o meu aluno consiga entrar na escola. Se eu, enquanto instituição na parte

15:26 administrativa tô com uma lista de espera deste tamanho, do qual a capacidade minha de aluno é de 25 alunos por turma, que eu tenho quatro turmas e que eu tô atendendo 100 alunos, por exemplo, de um nível quatro, de um nível cinco, de um primeiro ano e a minha fila tá extensa, eu preciso viabilizar a acessibilidade. Até porque se eu não conseguir resolver isso, encontrar uma alternativa, buscar instituições eh eh que são instituições privadas, verificar acesso à vagas instituições privadas, né, aumentar uma sala de aula, contratar mais professor, construir escola, eu não tenho como justificar a minha ineficiência do meu sistema, da minha estrutura, para

16:13 não garantir matrícula ao meu aluno. Estudar é um direito constitucional da criança e do adolescente. E uma vez que não é ofertada essa matrícula, é um dever de ser acionado. O ministério, é ministério, desculpa, o Conselho Tutelar, né, aciona a secretaria, solicita vaga, não tem, denuncia a violação do direito da criança adolescente ao ao Conselho Tutelar, que vai buscar a escola uma forma de conseguir resolver isso ou administração pública, não tendo possibilidade. O conselho tem que denunciar ao Ministério Público a violação do direito. É o dever do conselho, tá lá no Estatuto da Criança Adolescente, ele é o dever de fazer é prover o direito da criança do adolescente, inclusive como a acessibilidade, a educação, a saúde, a

17:00 bem-estar social. O Ministério Público, por seu lado, tem que cobrar da administração e ser executado e vão encontrar o meio de fazer atender o direito da criança adolescente. É óbvio que tudo isso é feito em conversa com a administração, né? Não se chega, se impõe, se faz nada. E quando eu faço isso, eu não tô indo contra o CPF do prefeito, nem contra o CPF da minha prefeita. O que eu tô garantindo é que um direito seja, né, constitucionalmente instalado. Então, acesso a gente começa com direito à matrícula. Quando esse sujeito completa a idade de obrigação de espaço escolar, ele tem que ter o direito dele na matrícula. Durante o momento é facultativo, entre aspas, né? a mãe pode escolher não levar o filho pra escola ali, tal, mas a partir

17:46 do momento em que eu preciso, porque eu lei a obrigação, tem que se ir cumprir. Então, [roncando] a acessibilidade desse sujeito se dá por meio de garantia de matrícula. O outro tipo de acessibilidade que a gente tem é acolhimento desse sujeito, né? Então, imagine que essa criança vai lá pra escola junto com a sua mãe, pro Cemei, pediu uma vaga e ele é bem acolhido, ele é bem recepcionado, mostram para ele todo o espaço educacional. vai gerar nesse sujeito desejo de estar lá. A escola está para receber. Ele precisa fazer tudo que será possível ser executado para que essa criança queira estar ali, né? Eu tive um um momento da vida de trabalhar numa escola que ela era particular. A gente construi essa escola desde o início ali e tal, né? funcionário da escola e que eu me

18:33 recordo que quando a gente ia para atender um pai que vinha buscar informações da matrícula, a gente fazia um tour com a família, mostrava tudo para criança, pro pai, estrutura, biblioteca, coisa que a gente às vezes não vê no ensino público e não me faz sentido isso não acontecer. Por que que quando é no espaço público eu não vou mostrar a estrutura? Por que que eu não vou mostrar o parque ser uma educação infantil? Por que que eu não vou mostrar o quintal, o pátio ali, o gramado? Por que que eu não vou mostrar uma sala de aula? Por que que eu não convido o professor para recepcionar esse aluno, pai, que vem pedir matrícula? Às vezes a gente vai pro campo privado, ali eles têm umas estratégias que você fala: "Cara, que legal, é marketing". Mas ao mesmo tempo é acesso. Imagine que você tem ali, de repente,

19:18 claro que é burocrático, é difícil, não é fácil, é muita coisa pra gente fazer, né? Mas de repente chega um pai e diz assim: "Tem matrícula"? Fala: "Tem, mas vamos conar estrutura. Aqui é a sala que ele vai estudar, aqui é o banheiro. Aqui, olha que credibilidade que você dá para esse pai. Olha que acolhida. Imagine você no dia de levar o seu filho para estudar, se você tivesse conhecido a estrutura da escola, que maravilha, que coisa diferente, que legal, né? Então o acesso ele dá desde garantia da matrícula há também a esse acolhimento que é feito, né? E a partir daí você vai ter toda a informação do aluno, construir, né, a relação entre eh eh pai, família e escola. verificar se essa criança, opa, dispõe de algum laudo, de alguma investigação, de algum inventário que tá sendo feito, né? Se ele traz

20:03 algum documento relatório da escola anterior, se o car de transferência, porque o acesso é o início do que vai garantir a permanência dele na escola, né? Não adianta eu dar acesso a esse sujeito se a permanência dele não for possível. Por que que não tem a permanência possível? Porque ele vai chegar e vai encontrar barreiras físicas, barreiras de recursos humanos, dificuldade de adaptação, eh aluno que vem transferido ao mundo de uma cidade para outra, né? Às vezes tem dificuldade de socialização e tá como papel da escola criar estratégias de garantir esse espaço de convivência, né? Eh, o espaço educacional também é um espaço sociável que a gente constrói nesse

20:49 sujeito uma forma de criar uma relação com o outro humano. Então, a [limpando a garganta] acesso da escola e a permanência, elas estão interligadas, elas estão imbricadas, elas estão juntos. É quase que indissociável isso. Por quê? Porque se eu dou o direito da criança de ter seu espaço de estudo, eu preciso garantir que seja feito da forma plena possível. E isso em todos os níveis de ensino no nosso país, né? se discute muito, eu já falei outras vezes sobre isso, né? A gente tem dentro do ensino superior falando muito de acesso a universidades públicas gratuitas e de qualidade, mas não se discute muito a permanência. Então isso também tem que perpassar pela educação básica, né? Eu preciso garantir primeiro que a matrícula seja próxima a sua residência, né? Para facilitar esse acesso. Se é

21:34 longe da residência, né? A parte administrativa tem que viabilizar transporte, né? Então, vai acessar transporte escolar, vai verificar quais são os meios de fazer com que esse aluno consiga chegar lá, vai de repente viabilizar a alimentação, porque se for longe, né, e ele demorar para chegar na escola para se alimentar, ou sair da escola e demora para chegar em casa para comer, vai viabilizar a manutenção de sustento para esse sujeito, né? Então, o acesso é importante, a permanência desse sujeito é essencial, porque se eu tenho o acesso dele ao espaço, se eu tenho a permanência dele no espaço, eu tenho 50% do processo para que ele seja um sujeito participativo. Primeiro quesito para participar é estar dentro, né? Não tem como eu participar de uma festa se eu não fui convidado. Não tem como eu falar: "Vim brincar comigo se eu não te

22:21 convidei para participar da minha brincadeira". Então, para que você possa brincar comigo, eu tenho que te dar permanência para você acessar minha brincadeira. Depois eu preciso, né, o acesso. Depois você precisa vir paraa minha brincadeira, estar comigo no mesmo ambiente. E aí sim, junto comigo, no mesmo ambiente teve acesso, você está ali, a gente pode brincar. Então, a participação do aluno dentro do espaço educativo da escola, nas atividades todas que são desenvolvidas, ele precisa estar dentro. Não tem como. A criança tá pro lado de fora da grade querendo participar. Não vai ser possível. a tal a tal ponto de que se aquele aluno às vezes não faz parte daquela escola, ele nem pode participar, né? Aqui no Paraná a gente tá tendo muitos casos de datas marcadas, assim, datas comemorativas, como por exemplo, dia das mães, dia dos pais, até festa junina aconteceu de

23:08 escolas fazerem atividades fechadas só paraa comunidade escolar, né? Então, só entre os alunos, professores, nem convidar os pais paraa festa juna, numa atividade dos pais, convida os pais, faz por turmas, né, para que a gente permita a participação de todos esses alunos e que naquele dia seja um dia memorável para esse pai, com esse aluno que preparou para ela verificar essa manifestação de carinho. Essa participação tem que acontecer também em três eixos: escolar, cultural e social. Isso quer dizer que há inclusão e acessibilidade nós como profissionais de apoio desse processo, eu tenho que garantir que ele aprenda, que seja alcançado todas as necessidades desse aluno no processo de ensino aprendizagem para o conteúdo e o contexto dentro do seu desenvolvimento pedagógico que está

23:55 pensado para esse sujeito. Segundo que tem os aspectos culturais, atividades de fomento, seja uma cultura local, regional, nacional, que a gente comemore algum dia específico, que tenha alguma data comemorativa de uma atividade e que não é só para ele ficar dentro da sala de aula aprendendo que é muito importante o conteúdo que tá programado para ele, mas se vai para uma visita técnica, faz uma atividade na comunidade, é um direito dele participar, porque a vida ativa dentro da escola escola, mas com a atividade participativa de forma cultural me permite socializar esse sujeito. Eu já visitei escolas em que crianças, de repente por algum motivo, até mesmo por introspecção, ela fica com o

24:40 profissional na biblioteca, enquanto todas as crianças no intervalo estão brincando, estão interagindo no parquinho, ah, é que ele não gosta, então vamos deixar ele no lugar mais quieto ou às vezes com algum transtorno que diz: "Ah, ele não gosta de movimento, ele não gosta de bagunça." Então vamos fazer o seguinte, vamos deixar ele ali que ele se agita, ele se desorganiza. Isso você faz com que aconteça uma exclusão desse sujeito sem nenhuma pretensão de excluir. Você não tem o desejo de deixar esse aluno numa situação do qual ele diga: "Puts, grila, que chato, eu não queria vivencer". Não é a intenção, mas acontece porque a gente esquece assim, passa batido, crédito, falei, passa batido. Às vezes você tem que dar os suportees pro aluno, tá todo mundo brincando e você tá ali quieto com o aluno cuidando dele.

25:27 Você vira cuidador de um sujeito e não um profissional que promova o processo de acesso desse sujeito, de permanência desse sujeito, de participação desse sujeito. Você vira um curador, você vira um tutor só para observar. E não é para isso que a gente tá. A educação não existe para que você pegue uma pessoa e coloque a inteira disposição do sujeito só para acompanhar a vida da forma que esse sujeito que não tem condição de saber o que que é o correto para ele resolva fazer. Ah não, ele não quer brincar, deixa ele. Eu preciso estimular esse sujeito para participar. Porque talvez em casa é assim, no rol de amigos é assim e a escola acaba não cumprindo esse papel de importância que tem como

26:12 obrigação envolver em condições escolares, culturais e sociais. Porque se eu acesso, permaneço e participo, é impossível não haver aprendizagem. É impossível. Não desenvolve da forma igual para todo mundo. Cada um no seu modo de desenvolver. Mas se eu garanto que ele entra no contexto institucional, educacional, que ele vai estar ali ficar comigo. Não é criança que chorou, eu liguei pra mãe para vir buscar. Eu estou fazendo todos os passos possíveis para que essa criança permaneça, que ele ali dentro participe do processo, mesmo na condição mais singular dele. A aprendizagem vai acontecer, porque a aprendizagem pressupõe aquisição de novo correr conhecimento ou

26:57 resoluções de problemas dentro da dinâmica que eu estou presenciando, dentro da minha vivência. Então imagine que se eu consigo acessar, permanecer e participar, a aprendizagem vai chegar, que é aquilo que Vigotes, que vai apresentar pra gente, um grande teórico do campo da educação, né, da teoria sociohistórica, né, ela vai dizer pra gente que a gente tem um desenvolvimento real e o desenvolvimento proximal. O desenvolvimento proximal é aquilo que eu desejo que aconteça com o meu sujeito, mas quando eu quero que aconteça algo, eu tenho que olhar o que de fato acontece. Então eu tenho um distanciamento entre o que eu tenho do meu sujeito com aquilo que eu quero que ele se torne. O que eu quero que ele se torne tá distante. Então eu preciso

27:43 encontrar uma forma de aproximar e fazer aquilo que ele é hoje, alcançar o que eu espero dele, esse desenvolvimento real do meu aluno na prática, no dia a dia, em algo que se torne concreto para ele, que óbvio, tem que ter objetivo, metodologia, estratégias que sejam adequadas para cada sujeito. Imagine uma criança, por exemplo, tem dificuldade atrás de comunicação de fala e eu vou colocar ele para interagir com as crianças no intervalo. E ele não consegue interagir porque ele não fala, ele não tem desenvolvimento de fala. Ele dentro da família dele tem uma comunicação que é por indicação, por toque, por é uma forma de comunicação ampliada, né? Por meio de uma forma de comunicação assistida e ele não consegue se comunicar com as outras crianças. Uma

28:29 das formas que ele vai ter é se afastar dessa criança. E o meu papel enquanto profissional de suporte e apoio é permitir, observando isso, que a gente encontre um meio. Pode ser que eu te faça dois desenhos para ele. Você quer brincar? Que brincadeira que as crianças estão fazendo? Sim ou não? Duas plaquinhas. Simples, ponta. Sim ou não? Quer é esse, não quer esse? Ah, mas é que quer no banheiro. Tá aqui embaixo a plaquinha. Faz o papel A4 do sulfite com vários desenhos onde ele possa apontar para você para saber o que ele quer fazer. Aprenda a trazer pros outros amigos a possibilidade de aprender a necessidade que esse aluno tem dentro do ensino superior, né? Quando eu tinha a oportunidade de ter alunos que tinham eh eh surdez e falavam em Libras, eu obrigava a galera a aprender algumas

29:15 coisas de Libras. Pessoal, o mínimo que a gente pode fazer por educação é aprender a dar bom dia, é dizer oi, né? é falar tudo bem, eu preciso ter uma comunicação com os meus alunos e eu forçava. Vocês vão aprender Libras, usava o dailologia das Libras e falava: "Vocês vão aprender, é o básico que a gente tem. Não dá paraa gente fazer de conta que só porque tem uma limitação ou algo do tipo não me permita ter a colchida desse sujeito, é desenvolvimento dele. Terminava o semestre que todos os alunos sabiam pelo menos o básico de Libras e o meu aluno tinha sido incluído. Ele tinha intérprete. Eu não queria que o aluno fosse intérprete dele. Eu só gostaria que ele pudesse ter a a sensação de que ele estava sendo bem acolhido, porque todo mundo comunicava com ele a partir

30:02 da comunicação dele. Quando você tá numa criança que às vezes por uma condição de surdez ou até mesmo por ausência de comunicação, por linguagem, eu posso conseguir essa comunicação por outros modos. É o meu papel, é a minha contribuição social que eu tenho para esse sujeito, já que ele já me apresenta outras dificuldades ou outros problemas. Portanto, em qual dimensão a gente trabalha quando a gente fala do dever institucional para com a educação inclusiva nas quatro dimensões: ao acesso, à permanência, a participação e a aprendizagem. São os quatro dimensões necessárias. Se eu falhar em alguma dimensão, não vou eh produzir um espaço educativo inclusivo. Eu estou

30:47 fragmentando. Ah, só coloca ele na escola, deixa ele aí. tem uma atividade que tão fazendo, mas ele não dá conta, depois ele aprende. Isso não é dar condição de uma educação inclusiva. a gente vai dar acesso para ele, coloca na sala, coloca uma atividade para ele fazer, mas ele vai est no cantinho lá para não atrapalhar ele, pelo contrário, você não tá ajudando, você tá piorando o quadro do aluno ou ah, deixa ele lá fazendo a atividade dele, porque assim, se ele não aprendeu o que a gente tá aprendendo, ele vai aprender alguma coisa e ele já vai desenvolver, ele vai aprender sozinho, ele vai, mas ele não vai est dentro de um espaço educativo que o propósito é que eu traga ele para todo o meu desenvolvimento ou para todo o espaço. Frank, então, já que a gente tá falando de responsabilidade institucional, é quem que é o responsável por isso?

31:35 É o meu diretor, é o meu pedagógico? Então, deixa eu te contar, é todo mundo, é todo mundo, todos os atores da comunidade escolar são responsáveis, porque quando a gente fala responsabilidade institucional, não é quem governa, é quem tá dentro de uma instituição. Todos aqueles que fazem parte, não tem como eu justificar que a moça dos serviços gerais não consegue entender o aluno por conta da dificuldade de comunicação, socialização. Não tem como. Claro que eu tô falando de algo que não é a a a realidade dentro de todas as escolas. Eu sei disso, né? Mas sempre quando possível, que a gente vai conversar sobre educação inclusiva, sobre acessibilidade, sobre transtornos globais do desenvolvimento, específicos da aprendizagem, eu sempre digo, traga

32:22 todos os profissionais de educação, porque todo mundo precisa ser preparado para est pronto, né, para fornecer sujeito o espaço de acolhida, de bem-estar, de desenvolvimento psicossocial e tudo mais. Por quê? Porque o espaço educativo é disso, né? Essa criança vai ter contato com a moça que limpa, com a moça que faz comida, vai ter contato com com o responsável por fazer manutenção do prédio com todo mundo. Não dá para você ter uma coisa limitada. Quando eu morava no Amazonas, trabalhava num auto escola, a gente foi lá, né, e capacitou os nossos instrutores para atender surdos, né, e por causa de livras. E aí eu me dei conta que um dia nós precisávamos capacitar todo mundo e formamos um curso e vamos capacitar todo mundo pro básico, porque o meu aluno não chegava direto no instrutor, ele chegava na recepção, ele tinha que pagar falar com financeiro, tinha uma uma lanchonete, ele tinha que

33:10 comer lá dentro e isso acontecia dentro do espaço da instituição. Então ele precisava se comunicar com todo mundo. A comunicação tinha que ser efetiva, o acesso, permanência, participação e aprendizagem tinha que ser totalitária. Então, cada sujeito vai ter a sua intensidade de importância na hora de pensar responsabilidade. Ela é compartilhada e não é transferida. Ah, mas é que não é meu papel. Ah, mas é que eu não fui contratado para isso. Ah, mas é que eu não sabia. Tu jura que eu não tinha percebido que esse aluno não é assim ou tem essa dificuldade? Não tem como. É uma rede. A ideia da escola para educação inclusiva é uma rede. E como toda rede serve para proteção, seja na janela de uma de uma casa em que você

33:55 coloca a rede para que as pessoas não, né, corram o risco de cair, seja dentro de um eh círculo, de umaares em que você coloca uma rede embaixo para que caso aconteça um incidente, essa pessoa não chegue ao chão. Qualquer coisa que você pensar em rede, você sempre fala de um emaranhado de segurança em que sustenta caso esse sujeito precise. A educação é ação. Ninguém é deixado para trás, ninguém é deixado isolado. Não acontece o trabalho de forma individual, ele é coletivo. E nesse contexto é muito comum você não ter claro qual é a função de cada sujeito. E por não est claro, por uma falha administrativa e pedagógica, as pessoas não assumem a responsabilidade. E isso vai ficando

34:42 para alguém, vai ficando para alguém acreditando que a única responsabilidade ela é administrativa dentro do ponto de vista de direção da escola. Não é. A escola delega à família ou ao atendimento educacional especializado, às vezes o que é um dever institucional. exemplo, você percebe que seu aluno tá com uma dificuldade de interação ou a regras, limites e tal. E eu preciso trabalhar com meu aluno, isso eu preciso, faz parte do desenvolvimento dele, tá dentro, né, do que a gente vai eh trabalhar de conteúdo pro desenvolvimento de qualquer sujeito dentro do espaço educacional. E eu observo que essa criança não desenvolve, ela tem dificuldade. E aí eu posso dizer assim: "Ah, mas a escola é que tem a responsabilidade sobre isso também. A escola também tem a responsabilidade de colocar regras, normas, limites, mas a

35:29 família que tem essa responsabilidade e ela vai fazer dentro do espaço familiar. E quando esse sujeito vem pra escola, é a escola que tem que dar continuidade ao trabalho que a família faz em casa, da mesma forma que a família tem que dar continuidade ao trabalho que a escola faz na escola. A transente responsabilidade é quando eu acho que o papel de educar uma criança é só única e exclusivamente da família, não é só da família quando não é só da escola. Escola papel de escolarizar família papel de educar. Quando a gente fala de um sujeito que ele precisa de um suporte maior, essas duas instituições têm que andar junta, tem que estar de mãos dadas. Não tem como você fazer, né, um espaço ali de um profissional onde a família não colabora, mas também se você enquanto profissional não colabora com atitude da família, né? Se um passa pro

36:16 outro, vira um jogo de batata quente que uma hora vai queimar e o cuidado do aluno tá sem suporte adequado e não consegue desenvolver nem a sua aprendizagem, nem ter os seus direitos garantidos, porque a gente em alguma hora falha. Imagine uma corrente em que se um elozinho dessa corrente falhar, desmorona tudo. Então, todo mundo tem que ter um papel. Se não tá definido, tem que definir. Caso uma criança, por exemplo, necessite eh de um suporte para ir ao banheiro, quem vai conceder esse suporte? Caso essa [roncando] criança precise ir pra saúde porque tá passando mal, vou acionar a família, quem que vai [limpando a garganta] acompanhar? Se essa criança tiver uma crise, ela precisa ser contida,

37:02 quem vai ser o profissional da esporte, né? Temos aí uma lei e eh lei Lucas, que é uma lei que tá valendo para todo o nosso o nosso país e agora tem que eh de forma anual as escolas fazerem essas formações e tal, né? Para trabalhar primeiro socorro, o engasgo, né? a forma de você trabalhar o suporte imediato a essa criança, né? Verificar se há uma perda de sangue muito violenta, se há uma fratura. É necessário. Como fazer isso? Nossa, frente, tem tanta coisa para se preocupar, tem mais isso. Aham. Porque é o direito da criança ter acesso a suporte de saúde e na necessidade naquele momento de ser feito, somos nós temos que fazer. Quando vai para uma coisa mais especializada, a gente chama profissional de saúde. Por que que na educação quando é especializada e precisa do nosso suporte, a gente passa pra escola? é pra

37:48 família, perdão, sabendo que é a escola que é o sujeito que tá mais preparado para desenvolver esse papel, né? Então, o atendimento educacional especializado, que normalmente ele vai est dentro do trabalho que a gente faz, ele complementa um ensino regular, mas não substitui. Não é o professor, o profissional, perdão, de apoio escolar que tem que assumir registro de sala. O profissional de apoio escolar, ele tem que ajudar aquele aluno naquele contexto e às vezes extrapolar aquele aluno pelo fato de que faz parte do desenvolvimento daquele aluno, se relacionar com todo mundo. Então, se eu cuido do Joãozinho, tô aqui dando suporte pro Joãozinho e tem uma atividade com todo mundo e eu vou ajudar a professora na atividade do desenvolvimento do Joãozinho, eu vou cuidar do Gabriel, do Mariazinha, do Pedrinho, porque faz parte daquela sala

38:33 no desenvolvimento do Joãozinho ter o contato com todos os alunos, mas não é uma responsabilidade minha, porque cada ator na sua responsabilidade, cada sujeito assumindo o seu papel. Portanto, uma das maiores dificuldades que a gente encontra quando vai implantar de fato um espaço inclusivo é saber a função de cada sujeito. E aqui a gente vai detalhar desde a Secretaria de Educação. Quando a gente pensa então dentro da Secretaria de Educação, no espaço educativo inclusivo, o ator institucional com o papel dele vai normatizar essa educação inclusiva, tem que criar documento, normas, fluxo, funcionamento para garantir que a política educacional atenda a política nacional da inclusão. Então ele

39:20 normatiza, cria o formato, a o modo de existir, porque a partir dessa criação e construção, ele vai conseguir grana, financiamento, indim, lá plata para fazer com que as coisas aconteçam e vai acompanhando. Chegou o material, tá sendo desenvolvido, é o suficiente, não tem profissional lá disponível, não tem, tá faltando o quê? O papel dele é de fazer a gestão do ponto de vista administrativo e financeiro, porque é ele que tem que fornecer, suprir essa necessidade. Equipe gestora da secretaria são os técnicos responsáveis mais direção de escola. Organiza fluxo, determina como vai funcionar passo a passo, como vai acontecer caso uma criança necessite chegue, é um laudo de uma equipe que é

40:07 encaminhado pela equipe da própria secretaria. Não, se ele vier com laudo particular já é o suficiente, nós vamos atender. Olha, agora ele apresenta o tipo de dificuldade que a gente vai ter que necessitar de um outro profissional. Como é que vai funcionar isso, né? Então, organizar o fluxo do funcionamento mesmo, garantir o recurso, né? Quem precisa arrumar grana é a secretaria. Quem precisa do dispositivo do equipamento é a escola que vai acionar a secretaria e falar: "Ó, precisamos aqui, preciso desse momento, desse instrumento, desse suporte, desse equipamento, dessa material pedagógico para que eu possa trabalhar." E claro que a equipe, né, gestora vai garantir essa seguridade no cumprimento dessas normas que foi criado pela Secretaria de Educação. Então, falamos de secretaria de educação, falamos de técnicos da secretaria mais gestores da escola e

40:53 chega na parte institucional mesmo, escola com coordenação pedagógica. pode ter uma coordenação na secretaria, deve, mas é a escola que vai ter a responsabilidade dentro disso de dar suporte ao professor. Todos nós que trabalhamos no campo de educação necessitamos de um planejamento. Não tem como a gente trabalhar sem planejamento. Já brinquei disso, meu professor dizia, né? Para que serve planejamento? Pra gente saber o que é que vai dar errado. É para isso que serve o planejamento. [roncando] Mas quando a gente vai pensar planejamento pedagógico e aí pode ser um plano de forma, né? eh eh global, um plano de atendimento educacional, individual que vai ser dentro da sala de aula, no fluxo de aula horário regular, ou um pio um plano educacional individual que vai acontecer num contraturno ou numa recomposição de

41:40 aprendizagem, é necessário que tenha o suporte da coordenação pedagógica. E aí às vezes a gente encontra os entraves ali. Por quê? Porque nem todo coordenador pedagógico tá preparado para isso, né? Então, por isso a necessidade de cada vez mais buscar conhecimento partilhar. Então, o professor tem um apoio do pedagógico, da coordenação para planejar e promover as adaptações curriculares necessárias. O conteúdo previsto é esse. Vou dar um exemplo. Contudo, pra gente trabalhar é órgãos, né? Órgãos de sentido. É pra gente trabalhar o reconhecimento dos órgãos de sentido, o olho, a boca, o nariz, o cheiro e tal, né? E aí eu tenho uma criança que ela tem dificuldade de nominar nariz, olho, boca, né? Eu tenho

42:26 que encontrar uma estratégia, né? Eu posso criar uma figura do olho e dizer aqui essa figura encontrei você. Ela não vai me dizer, mas ela vai apontar, né? Se ela não entende pela uma dificuldade dela de compreender o que eu tô falando hoje, eu posso usar a imagem também. Eu preciso fazer uma adaptação curicular. Eu preciso pegar aquele controle que tá previsto para que eu estude e colocar de uma forma que a criança consiga assimilar na realidade da criança. Isso é o papel da coordenação junto com o professor para que possa fazer adaptação curricular. Professores planejam, não tem como. Professor, um atendente, um suporte de atendimento educação especial, né, ou especializada, vai planejar como eu vou trabalhar isso, como eu vou criar, como eu vou fazer, quais são os recursos, os métodos, com

43:13 base em qual teoria, vou fazer leitura, vou buscar a formação. Eu preciso ensinar, eu preciso ter prática. E como eu vou fazer isso? Então eu tenho uma ideia, como eu vou executar a ideia e depois eu preciso ver se essa ideia que eu planejei, executei atendeu a necessidade do aluno. Como eu faço isso? com uma avaliação que precisa ser inclusiva, ou seja, avaliar de acordo com a capacidade do sujeito e precisa ser colaborativa. Na medida em que eu mostro para ele e ele não consegue resolver, eu possa dar um suporte para esse sujeito. Então, olha o quanto que a gente vai olhando, né, de forma muito tranquila, o papel de cada sujeito, vai dando uma claridade na cabeça da gente, né? Porque aí eu tenho o suporte ainda, o profissional de apoio, que quem

43:59 planejou foi o professor, quem tá ensinando é o professor, tá avaliando o professor e eu vou junto nisso porque ao fazer adaptação curricular o professor chega para mim, que sou profissional de apoio, e diz assim: "Preciso do seu suporte enquanto eu vou trabalhar com toda essa galera, isso aqui eu preciso que esse conteúdo, né, dessa forma, eu preciso que você me ajude trabalhando com esse aluno desse jeito. Ou eu ensino, explico para esse aluno e você dá um suporte e ajuda e desenvolve. Ou eu vou com todo mundo e você vai indo com ele sozinho, depois eu vem para cá. Essa gestão o professor tem que fazer em sala, né? Por sobra uma outra galera que não é sobra porque não é importante, porque vem na sequência depois que estão fora do espaço educacional. Família. Família também tem que entender que essa criança possui um processo de aprendizagem diferente e que vai ter tarefas de casa para a família, porque

44:47 precisa dar continuidade disso. E a escola precisa cobrar se a família tá dando suporte ou não, se a escola tá fazendo, essa família, perdão, tá fazendo o papel dela, né? Então, a família compra esse papel junto com uma rede intersetorial, ou seja, de vários outros que fazem parte disso, que pode ser, né, um psicopedagogo, um terapeuta ocupacional, como nós vimos, um psicólogo, até mesmo o um médico que tá envolvido nisso, um assistente social, enfim, toda essa galera, um psicomotricista, um musicista, todo esse esse profissional ou essa bagagem de profissionais que esse aluno pode ter contato para, né, com intuito de tentar minimizar essa diferença dele. Então, essa responsabilidade que vem, a gestão eh eh da secretaria organiza grana, viabiliza normas e tudo mais, né? Chega

45:33 pro pessoal que disponibiliza equipamento, vai pra escola que senta junto com os professores e adapta o currículo, traz o profissional de apoio que me ajuda a colocar em prática, planejar, executar e avaliar. tem os pais e a família num todo, inclusive vote todo mundo que entende a importância e vem junto para ajudar a gente a atender essa necessidade. E por fim, todos os outros atores que estão em meados disso, às vezes profissional da saúde entra, pessoal da assistência social e tudo mais no acompanhamento desse estudante faz parte desse processo, né? É importante que isso aconteça, por uma das partes mais importantes e entra, né, os profissionais de apoio é a parte de adaptação. Cada vez mais a gente tem tido dificuldade de adaptar. Por quê? Porque

46:18 a BNCC foi criado porque não tá na sala de aula. Ponto. Basicamente é isso. Propõe uns conteúdos que você fala: "Não faz sentido". Isso nesse momento da fase da vida do sujeito, mas tá lá e a gente precisa atender. É sim. Outro ponto, a adaptação, ela tem que acontecer de acordo com a realidade do aluno. Então, às vezes, eu tenho um conteúdo que para o aluno X adapta-se de um jeito, pro aluno Y adapta de outro jeito. E eles às vezes não tm laudo, às vezes não tem avaliação, não tem diagnóstico de forma precisa. Então eu preciso coletar o que é aquele domínio e a partir disso criar a adaptação dele, né? Agora, [limpando a garganta] quando eu falo de adaptar, não é reduzir a expectativa do aluno, como eu já venho falando há muito tempo, mas é pegar um um nível, um conteúdo de nível três assim, de dificuldade e trazer para nível um para que o aluno faça. Adaptar

47:05 não é reduzir expectativa. Adaptar é remover as barreiras que fazem com que todos apontam. É assim que funciona. Adaptação requer que eu tenha flexibilidade e conhecimento, porque senão eu facilito a vida do aluno e essa facilidade não tá facilitando. Pelo contrário, essa facilidade que eu promovo tá piorando o que o sujeito faz. Então, primeira coisa da adaptação, o que é que a gente faz? Objetivo. Uai, que eu tenho que adaptar primeiro ao objetivo. Se o meu aluno não tem condições naquele momento de desenvolver o objetivo que eu tô esperando, eu tenho que olhar para o que ele consegue desenvolver, criar adaptação do objetivo da minha da minha proposta e depois buscar a adaptação de conteúdo que atendo o

47:50 objetivo. Porque se eu não eh trazer mais pra realidade dele o objetivo, ele não vai dar conta de cumprir. E ao avaliar, só vou dizer que não atende. O que às vezes eu preciso só diminuir. Imagine que é como se tivesse num voo, num avião, tentando jogar alimento com a pessoa que tá lá embaixo precisando comer. E cada vez que você despenca o alimento, o alimento chega lá embaixo e esparrama tudo. Por quê? Porque pela gravidade que ele cai no chão, ele tem contato com atrito e solo e se esparrama espatifa. Para que eu consiga chegar esse alimento e ele consiga comer, eu preciso baixar a altura da minha aeronave. E é assim que acontece. Vocês que já tiveram contato com cursos, quem tá fazendo faculdade, vai perceber que às vezes o professor tem bastante conhecimento e bagagem, mas ele fica com conhecimento aqui no alto,

48:35 ó. Ninguém entende o que ele tá falando. Por e eu tenho medo gigantesco como professor de acontecer isso, de estar num conceito, numa teoria que tá muito aqui em cima e não consigo ser acessível ao ponto de que as pessoas entendam. Então, quando eu vou olhar pro meu aluno, eu proponho uma atividade, olho paraa especificidade dele, vejo que ele não vai conseguir atender, a adaptação, ele quer ver até onde ele alcança. Então, eu vou explorar até onde ele alcança, porque aí eu dou garantia para ele desenvolver um pouquinho mais. E se cada dia ele desenvolver um pouquinho mais, daqui a pouco eu consigo fazer ele alcançar a tão esperada e almejada, né, a aprendizagem de forma completa. Então o que que eu adapto? Objetivo, conteúdo,

49:21 metodologia. Por isso que o pai e o pe é necessário ser construído de forma individual, subjetiva e singular. é pegar o meu aluno, que não tem informação, fazer uma avaliação diagnóstico, inventário, na triagem desse aluno, identificar qual é a defasagem dele e a partir disso colocar em prática tudo que a gente possa pensar dentro da perspectiva do desenvolvimento desse aluno. Se eu trabalhei um conteúdo com metodologia, com a forma adaptada, eu preciso adaptar a avaliação. E a avaliação às vezes adaptada não é só encontrar uma forma diferente de perguntar, é criar meios de avaliar, é instrumento, é flexibilizar tempo, né? É fazero que os formatos

50:07 sejam diferentes. Tentei assim, não funcionou, tenta assado. Eu tentei hoje, não deu certo, tenta amanhã. Não existe um lugar que diga que a avaliação tem que acontecer agora. Talvez naquele dia o aluno rendeu. Aí você não avalie no dia seguinte ele tem a a perda da oportunidade de ter sido avaliar de forma correta. Não deu certo hoje, faz amanhã. Ele tá agitado, suspende, faz outro dia. Ele tá desatendo demais porque ele não consegue fazer nada, tá preocupado com outra coisa quando você em casa, faz na semana que vem. Não tem que ser engessado, não tem que ser da, tem que ser flexível. E claro, usando toda a tecnologia possível, que a gente chama de tecnologia assistida. De que forma? Recursos que ampli a autonomia, comunicação desse sujeito. Pode ser software, pode ser mobiliário adaptado, pode ser o que a gente tiver. como

50:53 possibilidade, né? O recurso que vai fazer com que isso aconteça, ele precisa ser palpável. A capacidade do aluno conseguir fazer isso tem que ser concreto, por isso que às vezes vai para outros recursos. E é claro que o nosso papel enquanto profissional é buscar materiais que atendam a necessidade. Então, produção de material em BRA de Libras, né? Estamos falando de forma, né, mais amplificada, né? fonte ampliada, se ele tem uma baixa visão, formatos de forma digitais, às vezes criar o material que permita avaliar, porque não tem e se não tem, que bacana, a gente vai ter a capacidade de criar coisas que facilitem, né? Então, imagine que é muito mais prático a gente de repente dizer assim: "Ah, criança não deu conta

51:39 e quando ele conseguir ele faz do que a gente buscar uma forma de dar suporte para esse aluno." Então, o nosso papel tá nesse, né, de ajudar esse aluno, né? Então, para que isso aconteça, é necessário que tenha uma organização institucional. E essa organização, eh, entendendo que a inclusão não acontece por acaso, tem que ter um propósito, um método, um projeto, exige uma estrutura, exige um planejamento e um compromisso do documento coletivo. E o documento coletivo é chamado de PPP inclusivo. O projeto político pedagógico tem que ser inclusivo já na sua construção, já na sua elaboração, já na sua forma de fazer com que todos os que participam desse dessa construção, desse documento coletivo, entenda a importância. Então tem que ser inclusivo, tem que ser

52:26 formativo, tem que ser colaborativo, porque aí você estabelece fluxos e protocolos onde todo mundo vai saber como é que funciona e por fim você consegue fazer um plano educacional do aluno. É impossível, é impossível um profissional de apoio escolar que trabalhe com atendimento educação especial né especializada [roncando] faça a diferença na vida de uma criança se ele não tiver suporte de estrutura, de mobiliário, pedagógico e que a gente tudo conversou. Impossível. Você pode ter a melhor das ideias, você pode ter a melhor das vontades, mas quando esses quatro pilares não funciona, o PPP não é inclusivo, não é formativo e colaborativo, não tem fluxo e protocolo e você não tem um um pai criado, você não tem ali um atendimento

53:12 individualizar, que eles não estão articulados, vai ser difícil a escola criar condições reais para que a inclusão aconteça de forma cotidiana. Isso não é um discurso, isso é uma obrigação, isso é uma responsabilidade. Então, onde acontece as responsabilizações a gente não atenda a nossa responsabilidade institucional? Quando há uma omissão dentro da instituição, a gente tem um problema. Então, quando você omite em dar acesso, permanência, de dar, né, participação e de dar aprendizagem, recusou matrícula, não pode. A lei tá lá batendo na nossa porta. Discriminação e violação do direito constitucional educação. Quando

53:58 você omite, fala: "Ah, não era comigo, não sei o que que é". Deixar de agir sobre a necessidade de qualquer aluno, do estudante é falha institucional. também pode ser caracterizado como crime discriminação tratar de forma diferente só pelo fato da condição que o sujeito tem. Além de ser o problema prejudicial que a gente consegue mensurar o quanto que isso vai impactar a vida de sujeito, vai violar direitos também e gera um problema de responsabilidade. E aí toda a responsabilização, ela acontece através de algumas esferas. primeira administrativa, sanção da secretaria, afastamento do gestor, do professor, intervenção na escola, né? abrirse sindicância para acompanhar, porque ela enquanto instituição, né, educacional que faz

54:44 parte de uma hierarquia, preciso ter alguém acompanhando que aconteceu depois na esfera cívil, indenização a essa criança que foi vítima de discriminação, de de exclusão ou até [limpando a garganta] mesmo não teve o direito dela garantido. E vai ter danos materiais ao estudante e a família. E por último, judicial, ações civil pública realizada a partir, né, de ações, seja por meio de mandato de segurança, seja por meio de decisões judiciais, que vai obrigar ao Estado a garantir o atendimento adequado. Claro que o que a gente sempre espera é que não precise chegar nessa condição, mas às vezes acontece. Então, sobre [roncando] isso, o que que o STJ, Superior Tribunal de Justiça, né, dos Estados tem feito como reafirmação paraa

55:31 política de educação inclusiva? Primeiro, recusa da matrícula é um ato ilícito possível de reparação, ou seja, vai pro dano moral. Dois, a falta de profissional de apoio não exime a escola da obrigação. Se ela não tem concurso, não tem como terceirizar, não tem como encontrar uma empresa que forneça esse serviço. Se ela não tem como abrir processo seletivo, a responsabilidade é dela. Coitado da criança não tem nada a ver com o problema gerado de forma de patrimônio, de estrutura ou do sistema. Terceiro, a família deve existir, exigir, perdão, judicialmente a adequação ao atendimento, uma vez que a família percebe que a criança precisa, que tem inclusive indicações de profissionais e não é feito, ela deve exigir na justiça o direito disso. E por

56:16 último, mas importante, o estado responde solidariamente à falha da rítima. Por quê? Se você tem uma escola que você não consegue fornecer a matrícula atender, esse anula, a culpa não é sua, você é diretor. Você é profissional de apoio escolar, tem que atender três crianças, você não dá conta, não é culpa sua. Como também não é culpa de ninguém, do prefeito, de nada, é condição. E aí se o que faz isso acontecer é falta de recurso, não vem do estado, não vem do governo federal, todo mundo responde juntos. os casos emblemáticos que têm sido mais mídia, né, acaba gerando, gera alguns tipos de condenações de poder público e também o obriga a fazer muito casos, né? Como eu disse, existe o fato de que a a justiça vai determinar que a escola quando é disponível contrata vagas em escolas

57:03 particulares e concede o espaço, a educação eh custado pelo governo, né, do espaço público para que as crianças possam estudar. Por conta então de uma cultura institucional de inclusão, a responsabilidade institucional não é um peso, não tem que ser visto como, ah, meu Deus, agora nós temos que fazer porque é obrigado. Não é responsabilidade social. A escola precisa cumprir a missão, que é educar todos, sem exceção. Constituição de educação é um direito público, gratuito e de qualidade, onde todos têm acesso e direito. Todos. Todos. Então não é porque eu faço porque eu sou obrigado, não é, eu faço porque agora estão perturbando nosso juízo, faz porque ele tem que ser feito. Então a primeira coisa tem que fazer é revisar a PPV. Vai lá ver. PV tá claro, tem a política de

57:49 inclusão, tá desenhado como vai acontecer, tem a função de todos os atores, é cobrar que cada um faz. Se não faz tem que fazer. A inclusão deve estar no projeto político pedagógico. Não, no Manxo, né? projeto pedagógico e depois fala de educação inclusive tem que fazer parte, ela é parte, tem que ter um item lá dentro do projeto pedagógico que fala de educação escolar, tá? Pres educação inclusiva tem que existir. Depois fortalecer a colaboração dos professores, dos atendimentos de apoio, da família, eh a gestão, todo mundo precisa atuar de forma junta, conjunta, [roncando] articulada, intencional, como eu disse, todo mundo sabendo seu papel, de tal forma que se alguém fala, eu consigo identificar e auxiliar, não culpar. Não tá acontecendo porque com pessoa não, pera aí, falhamos. Que que a gente pode fazer para ajudar? E por

58:35 último, registro. Se eu tenho um projeto pedagógico, se todo mundo tá embuído nisso e a gente tá desenvolvendo, registra. Então, eu tenho registro em documentos, tenho registro em atas, tenho registro às vezes de vídeo, né, de cópia de material. É necessário registrar. aquilo que não tá registrado não existe. Precisa ter monitoramento do que a gente tá fazendo. E a cada monitoramento a gente revê plano, precisa ter protocolo que vai proteger estudante, instituição. Imagine um caso hipotético em que há uma denúncia de que a escola não tá fazendo educação inclusive e aí você fez todo o seu trabalho, mas não tem nenhuma folha anotada, não tem nenhum documento, não tem um relatório, não tem um registro. chega [roncando] oo Ministério Público e

59:20 solicita que a escola presente, nominando o profissional daquela sala de aula e você é convidado diante do juizado para apresentar tudo que você fez. Você não tem um papelinho, tem nada. A escola não consegue construir um documento que viabilize e diga: "A gente tá cumprindo o nosso papel". Portanto, temos um aspecto legal e um aspecto social para cumprir a nossa missão dentro do campo de educação. Quando a gente fala de responsabilidade institucional, não é só apenas de quem assina pela pasta, não é só apenas de quem organiza a escola, é de cada sujeito envolvido dentro desse cenário. E é claro que quando a gente vai pensar de um ponto de vista onde todo mundo tem que falar a mesma linguagem, a

1:00:05 comunicação precisa ser assertiva, essa comunicação precisa acontecer e nós temos que encontrar modos de fazer essa comunicação acontecer. Portanto, um dos entrates que nós já conversamos no nosso ato passado é garantir que essa eh comunicação não seja um pouco [limpando a garganta] atribulada, que ela não atrapalhe um pouquinho de daquilo que a gente faz. E aí é o tema do nosso próximo bate-papo na nossa aula. Hoje nós vamos falar de deveres da escola e dos profissionais de forma intrínseca, partindo do que tá na lei, né, de diretrizes e base da educação, partindo no que tá dentro da lei que estabelece a educação inclusiva, dentro da BNCC e da política nacional de

1:00:51 atenção inclusiva, para que a gente tenha de forma clara e não tenha o resquício ou grande aquilo que de dizer: "Ah, porque eu não sabia, ah, porque nunca me foi passado" ou porque nunca me foi dito, Porque existe normatizações que estabelecem o papel e o cenário dentro de cada ator nesse papel da política de educação inclusiva. Espero ter colaborado. Ficamos por aqui. Nos encontramos no nosso próximo encontro ali na nossa próxima aula, onde a gente vai finalizar o módulo dois falando de papel de direitos e de deveres dos profissionais e de todos aqueles que integram esse momento importante do desenvolvimento e educação dos nossos alunos. Um forte abraço a todos. Espero ter colaborado e o nosso fórum vai entrar para que vocês possam realizar. Beijo. Até lá, pessoal. Ciao Ciao. Ciao. [música]

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