GUERRA DE CANUDOS | EDUARDO BUENO

Buenas Ideias www.youtube.com

Breve Resumo

O vídeo narra a história trágica de Canudos, um arraial no sertão da Bahia liderado por Antônio Conselheiro, que se tornou um Brasil alternativo para milhares de desvalidos. A comunidade prosperou com trabalho coletivo e autossuficiência, mas despertou a desconfiança e a hostilidade das elites republicanas. O conflito escalou devido a um mal-entendido comercial e à resistência de Canudos aos impostos republicanos, culminando em uma série de expedições militares brutais. Apesar da resistência heroica, Canudos foi dizimado, resultando em um massacre de 25 mil pessoas. A história ganhou dimensão épica através do livro "Os Sertões" de Euclides da Cunha, que denunciou o crime e imortalizou a luta de Canudos.

  • A história de Canudos, um arraial que se tornou um Brasil alternativo.
  • O conflito entre Canudos e a República, marcado por deslealdade comercial e resistência a impostos.
  • A brutalidade das expedições militares e o massacre de 25 mil pessoas.
  • A importância de "Os Sertões" de Euclides da Cunha como denúncia e registro histórico.

Introdução: Canudos e a Tragédia Brasileira

O vídeo começa com uma reflexão sobre a história de Canudos, um dos episódios mais trágicos do Brasil, que resultou na obra-prima literária "Os Sertões" de Euclides da Cunha. A história se desenrola no sertão da Bahia, um cenário de crise generalizada marcada pela decadência dos engenhos, o fim da escravidão e a terrível seca de 1878, que ceifou a vida de 100 mil pessoas apenas no Ceará.

Antônio Conselheiro: De Perdedor a Líder Místico

Nesse contexto de desespero, surge Antônio Conselheiro, um nômade que antes era conhecido como Antônio Maciel. Fracassado em diversas áreas, como professor e vendedor, e abandonado pela esposa, ele se transforma em uma figura messiânica, um "cangaceiro místico" que percorre o sertão e atrai milhares de seguidores. Conselheiro prega a reconstrução de cemitérios, a pintura de igrejas e uma vida de meditação e ascetismo, reunindo cerca de oito mil fiéis em 1890.

O Arraial de Canudos: Uma Utopia Evangélica

Antônio Conselheiro encontra um refúgio em uma fazenda abandonada chamada Monte Belo, que logo se transforma em Canudos. O arraial se torna um "outro Brasil", uma utopia evangélica com mais de cinco mil casas e 20 mil habitantes. A comunidade adota um sistema de roças coletivas, plantando milho, mandioca e feijão, e cria cabras para subsistência. Canudos prospera, exportando couro de cabra para os Estados Unidos e se tornando autossuficiente à margem do poder central.

O Conflito Começa: A Questão da Madeira e a Afronta Republicana

A harmonia de Canudos é abalada quando, em 1895, Conselheiro compra madeira para construir uma igreja maior, mas a entrega não é realizada. Os seguidores exigem a madeira, gerando um conflito em Juazeiro, a maior cidade do norte da Bahia. A elite local reage, enviando uma força policial para enfrentar os sertanejos, resultando em um confronto com 150 mortos do lado de Canudos e dez soldados. O incidente é considerado uma afronta ao exército nacional, especialmente porque Conselheiro já havia rasgado panfletos republicanos e se declarado monarquista devido à separação entre Igreja e Estado e à cobrança de impostos.

As Expedições Militares: Humilhação e Derrota do Exército

A resposta do governo republicano é enviar expedições militares para atacar Canudos. A primeira, em novembro de 1896, com 583 soldados liderados pelo Tenente Febrônio, é derrotada pelos sertanejos, que emboscam a tropa e tomam suas armas. O escândalo chega ao Rio de Janeiro, e o presidente Prudente de Morais, criticado pela imprensa, envia o Coronel Moreira César, conhecido por sua brutalidade e sanha repressor, com 1.500 homens e seis canhões para "destruir" Canudos.

A Morte de Moreira César e a Escalada da Violência

Moreira César, confiante na vitória, declara "Vamos almoçar em Canudos". No entanto, ele sofre um ataque epilético e, em seguida, ordena um ataque com baionetas, subestimando a resistência dos sertanejos. A tropa de Moreira César é dizimada em um labirinto de ruelas, e o próprio coronel é ferido e agoniza por 12 horas antes de morrer. A derrota humilhante do exército causa comoção no Rio de Janeiro, e a pressão popular exige a destruição completa de Canudos.

O Massacre Final: A Destruição de Canudos e a Denúncia de Euclides da Cunha

Em agosto de 1897, o próprio Ministro da Guerra, Marechal Carlos Bittencourt, lidera uma nova expedição a Canudos, acompanhado pelo jornalista Euclides da Cunha. Cunha, inicialmente com a visão de documentar o fim de uma insurreição monarquista, percebe a realidade do conflito: um massacre de um Brasil de elites contra um Brasil de pobres e miseráveis que encontraram uma forma alternativa de vida. Após a morte de Antônio Conselheiro em 22 de setembro de 1897, o arraial é atacado com o canhão "A Matadeira", resultando na morte de 25 mil pessoas. A cabeça de Conselheiro é cortada e enviada para o cientista Nina Rodrigues para estudos.

Conclusão: A Imortalidade de Canudos e a Urgência da Mudança

O conflito de Canudos ganha dimensão épica com o livro "Os Sertões" de Euclides da Cunha, que denuncia o crime e imortaliza a história. Apesar da tragédia, o Brasil ainda não mudou o suficiente para conviver em harmonia com seus diferentes "Brasis". O vídeo termina com um convite à leitura de "Os Sertões" e à reflexão sobre a história de Canudos.

Summarize any YouTube video in seconds

Get summaries like this one for any video, in your language, with the free Summ app.

Download on the Apple Store
Get it on Google Play

Transcrição

YouTube Transcript Generator

0:00 Vamos almoçar em Canudos? Vamos almoçar em Canudos? Vamos almoçar em Canudos? Ele foi almoçado em Canudos, foi isso que aconteceu. Cano! Cano! Venha ver o Brasil entrar pelo cano, em Canudos. Nada como morar num lugar manso e pacífico, o lugar do homem cordial, um país brando. Tá certo que de vez em quando tem um massacrezinho em outro, né? O Carandiru, o Contestado, Canudos. Canudos! Uma das mais trágicas e terríveis histórias do Brasil. Pelo menos acabou virando uma obra prima da literatura mundial, né? "Os sertões" de Euclides da Cunha, mas é um preço muito alto pra pagar por tanta

0:48 vida, né? A história começa é claro no solo infértil e fecundo para tragédias do sertão da Bahia. Era uma crise generalizada: os engenheos tinham entrado em decadência, tinha tido o fim da escravidão, havia um monte de gente perambulando e tinha tido, em 1878, a terrível seca de 1878 que, só no Ceará, matou 100 mil pessoas. Foi nesse nesse solo fecundo para tragédias que começou um nômade a viajar por ali, Ele viria a se chamará Antônio Conselheiro porque o nome dele claro era

1:33 outro antes, era Antônio Maciel. Ele é o que se pode chamar de um looser, tinha dado tudo errado na vida do cara. Ele tinha sido professor, tinha sido demitido, tinha sido vendedor ambulante, não tinha dado certo, tinha sido abandonado pela mulher e ele se tornou uma seta, se tornou uma espécie de cangaceiro místico perambulando pelo mar areento do sertão, que estava à deriva naquele mar quando começou a juntar uma série de seguidores. Ele sugeria que as pessoas reconstruíssem os cemitérios que estavam abandonados, que caiassem de branco as igrejas e que levassem uma vida de meditação e de ascetismo, pois em 1890, meu chapa, ele já tinha oito mil seguidores.

2:21 Ele era tão magro, que o Mário Vargas Llosa, o grande escritor peruano, que escreveu um livro também sobre Canudos, disse que ele parecia estar sempre de lado, de tão magro que o sujeito era, porque ele de fato se tornou uma seta. Ele acabou encontrando um porto seguro naquele mar de areia do sertão da Bahia, numa fazenda abandonada chamada Monte Belo, que depois viria a se chamar Canudos. Ali, ele criou um arraial, um arraial que acabou virando um outro Brasil, que acabou virando uma utopia evangélica. Nesse arraial, que acabou tendo cinco mil e duzentas casas, onde moravam 20 mil pessoas. Eles criaram uma espécie de utopia evangélica mesmo porque as roças eram coletivas. Eles plantavam milho,

3:10 plantavam mandioca, plantavam feijão e começaram a criar cabra e com o couro da cabra, com a carne da cabra, com queijo de cabra, com o leite da cabra, eles se tornaram auto-sustentáveis. Os couros de cabra de Canudos chegaram a ser exportados para os Estados Unidos e o arraial começou a florescer à sombra do poder central, à sombra do Brasil, à sombra de um Brasil que nunca se interessou pelos seus desvalidos. O líder inconteste daquele local era justamente o Antônio Conselheiro, o homem que dava conselhos. Tudo parecia ir bem, quando no fim de 1895, o Conselheiro comprou uma grande partida de madeira ,de novas toras de madeira para construir uma igreja ainda maior do que ele já tinha feito. Ele pagou a madeira e a madeira não foi entregue! Não entregaram

4:00 a madeira, aí os seus seguidores disseram "nós já pagamos a madeira, a gente quer madeira". Isso foi em Juazeiro e é importante inclusive salientar que Juazeiro era a maior cidade do norte da Bahia, tinha três mil habitantes, Salvador tinha 20 mil habitantes. Canudos tinha 25 mil habitantes, então eles disseram "nós vamos a Juazeiro pegar essa madeira na marra". Aí a a elite de Juazeiro, o prefeito de Juazeiro, o chefe da polícia de Juazeiro já começaram a dizer "os fanáticos! Os fanáticos virão aqui pegar madeira só porque já pagaram pela madeira e não receberam eles querem a madeira deles". E aí fizeram uma força policial com 100 homens pra enfrentar os sertanejos, que vieram buscar sua madeira porque de fato foram 300, aí deu um

4:47 confronto entre eles morreram 150 sertanejos e morreram apenas dez soldados e 16 ficaram feridos, mas foi considerado uma afronta ao exército nacional. Fora que, um pouco antes, o Conselheiro já tinha rasgado vários panfletos do recém surgido regime republicano. Recém não, né? 1889. A República, nós já estamos em 1895, portanto, os seis anos, mas é muito próximo, inclusive a notícia demorou um tempão para chegar lá no Arraial de Canudos, o Conselheiro se dizia monarquista especialmente porque havia tido, com a República, a separação entre a Igreja e o Estado. E o conselheiro era totalmente favorável a um estado religioso e não a um estado laico.

5:36 Além de tudo, mudar os impostos municipais por causa da República. Começaram a cobrar impostos lá em Canudos, o Conselheiro disse "pô, vocês nunca me não deram nada e agora querem que eu pague imposto," Né? Então já começou essa fermentação que eclodiu nesse confronto, que começou por causa de uma deslealdade comercial por parte de um vendedor de madeira de Juazeiro, né? Mas como os carros acabaram matando esses dez soldados e ferindo outros 16, as forças policiais da Bahia e o próprio exército resolveram reagir atacando Canudos e foram atacar Canudos e então, alguns meses depois, desse ataque, que foi em agosto 96, em novembro de 1896, o exército enviou, coordenado pelo Tenente Febrônio. Bom nome, né? Tenente Febrônio. Uma partida de 583 soldados

6:29 para atacar em Canudos e, no dia 24 de janeiro de 1896, levou uma surra. Levou uma surra dos sertanejos porque eles já tinham sido avisados que caras vão atacar, emboscaram ele num despenhadeiro, num vale na chegada de Canudos e desbarataram e botaram em fuga os 583 soldados do tenente Febrônio e os caras fugiram deixando as armas deles pra trás, ou seja, os sertanejos passaram a ter armas melhores do que as que então tinham. Bom, virou um escândalo, a história chegou no Rio de Janeiro, né? "Monarquistas! Monarquistas estão atacando o honroso Exército Nacional, é preciso reagir. O que o Prudente de Morais, que

7:19 já então estava sendo chamado pela imprensa republicana de Prudente Demais porque não tinha tomado as atitudes corretas para dizimar aquele gentalha miserável, aqueles nordestinos infelizes, aqueles evangélico desgraçados. Por que o presidente não reage? Aí o presidente chamou quem? Chamou quem? Chamou o Moreira César, chamou o Moreira César. Quem era o Moreira César? Moreira César era um coronel do exército, que já tinha tomado parte na Revolta da Armada, combatendo a Revolta da Armada, né? Que era a Revolta da Marinha e o exército combateu logo no início da República, já tinha assassinado um jornalista com uma facada pelas costas porque o jornalista falava mal do exército brasileiro e depois tinha participado da da repressão à Revolta Federalista de

8:09 1893 na ilha de Santa Catarina, né? Mandando matar 49 pessoas em execuções sumárias e fuzilamentos porque tinham se revoltado contra o governo do Floriano Peixoto e ainda por cima mudou o nome da capital da ilha de Santa Catarina, aquela cidade do desterro para Florianópolis, o nome do algoz, aliás como é que Florianópolis continua mantendo o nome Florianópolis? Mas esse é outro assunto, outro assunto ainda é que esse Moreira César era epilético, tipo eu assim, epilético o Moreira César. Aí o Prudente de Morais chamou o Moreira César "vai lá e destrói aqueles caras, arrasa aqueles caras, trucida aqueles caras". E o Moreira César foi para a Bahia, saiu aqui do Rio de Janeiro com 1.500

8:55 homens, com 15 milhões de cartuchos e com 6 canhões grupo recém comprados da Alemanha pra arrasar aquela gente. Chegaram a Salvador, de Salvador se dirigiram até o interior lá, demoraram um tempão e aí chegaram nas proximidades de Canudos e o que aconteceu? Em março de 1897, eles enfim chegaram nos arredores de Canudos, em Monte Santo, olha o nome do lugar, pertinho de Monte Belo e aí o Moreira César disse "Vamos almoçar em Canudos", achou que era um lanche. Ele com 1.500 homens, com 15 milhões de cartuchos, com seis canhões. Só que daí, ele teve um ataque epilético. É verdade, não é piada, ele teve um

9:41 ataque epilético. Tiveram que cancelar a primeira ordem de ataque, ele se recuperou do ataque epilético e teve outro ataque epilético, no sentido metafórico agora, e resolveu atacar Canudos e disse "Vamos atacar com baionetas, nem precisa gastar bala com esses caras" e entrou naquele labirinto de ruelas e casebres de Canudos, os caras estavam tudo tocaiado lá, meu chapa, e dizimaram a tropa do Moreira César e ele levou um tiro na barriga, ficou agonizando durante 12 horas o miserável antes de morrer. Morreu. Está no inferno não há dúvida e aí ainda disse se eu sobreviver vou renunciar ao exército, vou me demitir do exército por causa dessa humilhação. Humilhação total e completa mesmo. Perderam de novo, 3 a 0 para Canudos

10:29 Canudos 3, Brasil 0. Bom, aí abril de 1897 quando chega essa notícia, no Rio de Janeiro, as pessoas, os republicanos, os jacobinos invadem os jornais, dois jornais monarquista e matam o diretor de redação de um desses jornais, matam um editor de um outro jornal desse, é uma confusão total. "Vamos! Exigimos! Exigimos! A destruição completa e absoluta de Canudos, aí em agosto de 1897, o próprio Ministro da Guerra, o tal Marechal Carlos Bittencourt, que depois seria morto, você já viu isso aqui no "Não vai cair no Enem", no episódio O Vice Golpista, está aparecendo aqui em cima, veja O Vice Golpista, veja O Vice Golpista É o cara que tentou salvar o Prudente de Moraes e acabou morrendo e o

11:16 próprio Ministro da Guerra foi para Canudos e, nessa expedição, foi também o jornalista Euclides da Cunha, que trabalhava para o jornal Estado de São Paulo e foi com a certeza de que ia documentar o fim de uma insurreição de monarquistas, de inimigos do governo. Chegando lá, ele percebeu o que estava acontecendo. Era um confronto entre o Brasil das elites, o Brasil urbano, o Brasil que nunca entendeu os seus desvalidos contra um Brasil, de pobres e miseráveis, que tinham deixado de ser pobres e miseráveis e tinham encontrado um outro jeito de sobrevivência numa espécie de brasil alternativo. Ele percebeu isso e ele viu todo o massacre porque daí eles foram

12:02 atacados em agosto e setembro de 1897, no dia 22 de setembro de 1997, o Conselheiro morreu, provavelmente disenteria, daí o Arraial botou uma bandeira branca, não e os caras ainda levaram um canhão chamado "A matadeira", botaram o canhão em cima de um lugar que chamava morro da favela, morro da favela e PUM, com um canhão gigante para atacar Canudos, dizimaram Canudos, mataram todo mundo. 25 mil mortos, cortaram a cabeça do Conselheiro, que foi levada para ser estudada pelo cientista Nina Rodrigues, um cara famoso no estudo da escravidão. Vai ver quem é o Nina Rodrigues, que estudou o cérebro do Conselheiro e concluiu que o cérebro conselheiro era normal. O que não era normal é o cérebro de

12:52 outras pessoas, né cara? Aí esse conflito claro que ficaria registrado para a história mas ele não tomaria dimensão épica, a dimensão com homérica que tomou porque ele encontrou o seu Homero, né? O seu equivalente a um poeta homérico no Euclides da Cunha, que escreveu o extraordinário livro "Os sertões", na qual escreve trata-se de um crime, vamos denunciá lo e ele fez esse livro denúncia e hoje a história de Canudos sobrevive no imaginário, só que o brasil ainda não mudou o suficiente, para que possa conviver em plena harmonia com esses dois brasis tão distintos. Então é um fim meio para baixo esse, né? Mas é que o episódio é meio para baixo.

13:42 De qualquer forma, leia Os Sertões e continue evidentemente ligado no canal Bueno Idéias. Tchau. Vou chorar no canto. O que você acaba de ver está repleto de generalizações e simplificações, mas o quadro geral era esse aí mesmo agora se você quiser saber como as coisas de fato for a então você vai ter que ler.

Share

Resumos de vídeos do YouTube