MIGUEL TORTORELLI - Especialistas PodMais #5

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Resumo Breve

Neste episódio do podcast "Especialistas Podem Mais," o convidado, Miguel Tortorelli, compartilha sua experiência no trabalho de recuperação familiar, abordando a importância do amor exigente e do acolhimento no processo de recuperação de dependentes químicos. Miguel relata sua trajetória pessoal, suas dificuldades e as lições aprendidas ao longo dos anos no auxílio a famílias e dependentes.

  • Miguel Tortorelli é especialista em recuperação familiar e voluntário do Amor Exigente.
  • O acolhimento é fundamental para o sucesso no tratamento de dependentes químicos.
  • As famílias também precisam de apoio e mudanças para ajudar efetivamente seus entes queridos.

Abertura e Apresentação do Especialista

O episódio começa com a recepção ao ouvinte e a apresentação do especialista Miguel Tortorelli. Ele é descrito como um empresário e membro ativo do Amor Exigente, uma organização dedicada à recuperação de dependentes. O apresentador destaca a importância da experiência de Miguel e como sua trajetória é impactante.

Trajetória Pessoal de Miguel

Miguel compartilha sua história, descrevendo como seus filhos, inicialmente sua filha mais velha, enfrentaram problemas com drogas. Ele menciona a ignorância que tinha sobre as questões de dependência até que um amigo o ajudou a entender a necessidade de buscar internação para sua filha, o que trouxe à tona suas dificuldades e o aprendizado sobre o amor exigente.

A Experiência com a Recuperação e Acolhimento

Ele discute a experiência de participar de uma comunidade de recuperação e o impacto que teve em sua vida. Miguel enfatiza que o acolhimento e a força do grupo foram cruciais para criar um ambiente onde tanto os dependentes químicos quanto as famílias sentem-se apoiados. Ele reconhece que nem sempre as abordagens iniciais são corretas e reflete sobre a falta de informação na época.

Importância do Amor Exigente para Famílias

Miguel fala sobre como as famílias devem entender que a recuperação não é apenas responsabilidade do dependente, mas também delas. O amor exigente trabalha para reeducar as famílias, ajudando-as a se prepararem emocionalmente e mentalmente para enfrentar a situação. Ele menciona que, muitas vezes, os familiares ficam sob o impacto da negação e precisam de apoio específico.

Processos de Mudança e Ruptura de Crenças

Durante o diálogo, os apresentadores abordam a questão da facilitação e como ações dos familiares podem piorar a situação dos dependentes. Miguel sublinha a importância de compreender que mudanças nas dinâmicas familiares são essenciais para a recuperação bem-sucedida. O acolhimento consiste também em ajudar os familiares a acreditarem que fazem parte do processo.

Casos Reais e Impacto da Experiência

Miguel compartilha casos de pessoas que participaram de seus grupos. Ele relata exemplos de sucesso, destacando como a mudança de postura das famílias e dependentes químicos, juntamente com a ajuda do grupo, resultaram em vidas transformadas e em processos de recuperação efetivos.

Desafios e Responsabilidade no Acompanhamento

O especialista fala sobre as dificuldades que surgem ao longo do processo de recuperação e a importância de tratar não apenas os dependentes, mas também os familiares, ressaltando que a recuperação é um esforço conjunto. Miguel critica a maneira como muitos veem o tratamento e enfatiza que não existe uma solução mágica.

Perspectivas Futuras e Novos Projetos

A conversa se volta para a importancia de expandir o amor exigente e fatores de apoio ao tratamento nas escolas e comunidades. Miguel menciona iniciativas que almejam trazer a experiência do grupo de amor exigente a um público mais amplo e discute planos futuros para integrar programas de prevenção às drogas de forma mais acessível.

Encerramento e Chamado à Ação

No final, Miguel faz um chamado para que os ouvintes busquem o amor exigente e a reabilitação, afirmando que é uma jornada que pode beneficiar a todos, independentemente do envolvimento com dependências. Ele destaca que o importante é buscar ajuda e que a mudança começa com a disposição de aprender e acolher.

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Transcrição

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0:11 Seja bem-vinda a mais uma episódio do podcast Especialistas Podem Mais. E hoje mais um dia estamos aqui com um especialista e esse é pesado, hein? E esse vai falar da trajetória, de como que está o processo, eh, que ele é especialista hoje e falar um pouco de familiares, falar um pouco do que tem de bom sobre recuperação de família e como que o amor exigente fez diferença na vida dele também. E a bancada tá completa aqui hoje, né? Tem meu parceiro de bancada, Yuri

0:57 Magnus. >> Tô aqui. >> Fala aí para nós. Então >> aqui. Vem, vem ajudar você a colocar o seu Miguel na parede. >> Ah, porque é que eu tenho poucas perguntas para ele. >> Ah, só pouquinho, né? >> São 26 anos de parceria e durante esses 26 anos é muita coisa. É que tem coisas que ele não lembra. >> É que ele veio tão bem vestido hoje que dá até >> mas mas ele vai, ele costuma aí assim. Todo dia a gente foi no jogo de futebol, ele tava assim lá na arquibancada. >> Não, antes ele entrar no, antes ele entrar no meu carro lá, eu limpei o carro que vai que suja do homem, pelo amor de Deus. >> Não, mas sempre é elegante. Sempre >> é sempre, sempre >> com nós. Apresenta ele então. Quem que é? >> Quem? Senor Miguel. Senor Miguel. >> Miguel Tortorelli. Aí se for colocar eh

1:44 o que que ele faz, o que que ele é, né? empresário, eh administrador eh diretor de grupos institucionais do Amor Exigente, vice-presidente do de algo de diretor de outra instituição. Então, são muitas coisas, não vai caber aqui no no período nosso período de fala. Fala um pouco para nós, Miguel. >> Muito bem. Eu agradeço tudo, mas aquilo que nós somos, né? Nós somos voluntários do amor exigente, né? E a gente, aqueles que passaram por isso daí entendem que tem que levar mensagem. Nós precisamos

2:32 fazer com que aqueles que hoje sofrem com o uso ou aqueles que acompanham os usuários tenham uma vida melhor. E para isso daí nós contamos com vocês que fazem realmente um trabalho nesse sentido e queremos aqui agradecer de antemão. Ah, >> obrigado. É um uma honra ter você aqui, né? O Miguel se tornou uma lenda da recuperação familiar, da abordagem, por durante 28 anos aí atuando no acolhimento, eu acho que o mais importante, a característica maior dele é acolher tanto a família quanto dependentes químicos que chegam até um grupo pedindo

3:19 ajuda. E eu vou fazer uma pergunta. Então, a primeira pergunta é assim: nos conhecemos eh no final de 2000 >> para 2001 ontem, né? >> Foi ontem. E e assim, muitas coisas vivenciamos juntos, muitas coisas. E o que te trouxe? Quando eu cheguei, o senhor já estava no amor exigente. O que te trouxe para amor exigente? Eu acho que é bem importante de falar, porque as famílias acreditam que o voluntariado agora é só a missão de vida e não eh não foi um processo de superação, né? E o que te trouxe, como que aconteceu esse início?

4:06 >> Bom, eu eu tenho três filhos, né? e dois deles entraram no mundo das drogas. Mas nessa época, né, no começo dessa história, tava só a minha filha mais velha é que estava em osso. E naquela época nós não conhecíamos absolutamente nada de amor exigente. Ni a nós não nem passava pela nossa cabeça isso. e um amigo meu que na época era diretor do Denarque e

4:51 eu encontrei a minha filha completamente fora de de sintonia e eu levei para casa, falei: "Bom, precisamos fazer alguma coisa". E liguei para ele e falou: "Tenho que internar." Foi tudo bem, eram umas 11:30, meia-noite e ela falou: "Não, tudo bem, pai". Aí ela falou, ela tomou um banho, falou: "Pai, a gente podia amanhã cedo". Aí eu falei para ele, falou: "Não, tem que ser agora esse negócio aí deixar para depois. Depois nós aprendemos que realmente é isso aí. Tem que ser no naquele momento, né?" E aí nós fomos numa comunidade, mas era uma comunidade

5:39 dessas top, pá, ficou lá 70 dias, gastamos muito dinheiro nisso daí, né? E ela saiu de tarde. >> Foi foi essa escolha da instituição foi uma escolha meio que de >> não foi uma indicação >> em Foi uma indicação. >> Foi uma indicação >> é também acho que também não tinham tantas opções assim >> não existia um conhecimento também. >> É, não tinha. E ela ficou 70 dias. vocês terem uma ideia, eu precisei vender um carro que eu tinha dado paraa minha outra filha que era zero e ela ficou 70 dias. O carro tinha menos que isso.

6:27 Ainda precisei por mais dinheiro para pagar esses 70 dias que ela ficou lá. Ela saiu de manhã, de tarde, à noite, tava usando. Então, >> então, então não é o valor da instituição, >> não é o valor da instituição que vai fazer com que tenha uma qualidade, >> não. >> E sim, né, um acolhimento, um processo de recuperação mais assertivo vai depender e principalmente do paciente e não somente da instituição. AT é um trabalho da às vezes pré-clínica, né? >> Sim. >> Pré esse momento aí. É, >> não o preparo da família, né? Para para conseguir. >> Mas o Yuri colocou colocou bem, né? Foi uma indicação. E naquela época não tinha

7:15 tantas comunidades como tem hoje. >> Uhum. >> Não tinha tantos lugares. >> Também, né? Internet. Hoje em dia a gente pode >> pesquisar. Naquela época, 30 anos atrás, nós não tínhamos absolutamente nada disso né? >> A indicação ainda que o senhor teve a indicação na época poderia nem ter tido essa indicação. >> Ainda também tem essa. >> É. Bom, e aí foi bom, depois disso daí ternei ela novamente e aí começamos a fazer realmente e aí nós conhecemos o amorizente por esse psiquiatra que indicou a internação dela. Ele já conheceu Amorizente e onde nós estamos, na região da zona norte, né?

8:04 >> Uhum. ali perto do Tucovi, no Jardim França, não tinha amoriz em todos os lugares, nem lá tinha, né? E nós entramos nisso daí quando a coordenadora, que foi coordenadora, depois ela era uma voluntária, tava montando, nós ainda estávamos montando e nós não estamos mais aonde começou, né? começou na capela Cristo Rei na zona norte e depois nós fomos paraa Igreja Santa Jonadar, que estamos lá até hoje. E cresceu muito isso daí, né? O amor exigente em tudo, todo ele cresceu

8:51 muito. >> E e quando o senhor foi nessa primeira visita aí, eh, foi bem recebido? Como que foi? >> Foi muito bem recebido, mas, né? É, >> a minha esposa quando viu aquilo lá falou: "Meu Deus, eu não volto mais aqui porque a pessoa que nos atendeu colocou o que que era isso daí". >> Uhum. >> Como era? Porque ela tinha e ela tinha também esse problema na casa dela há algum tempo e já sabia como tocar e ela frequentava o grupo São Luís, que é o grupo mais antigo aqui de São Paulo, >> fica na região da Paulista, >> fica ali no colégio São Luís, né, do lado na igreja.

9:36 É, eu não sei quando vai ao ar esse nosso vídeo, mas no final do mês de julho agora de 26 estarei lá fazendo uma palestra >> que dia que é >> falando, ainda não tá definido, mas é no final do mês, geralmente é na quinta semana, né? Na quinta semana. Eh, >> e o horário lá >> e vou colocar na descrição aí de desse vídeo >> 19:30. >> Na descrição vai vai tá o endereço boa ainda. >> 19:30. A descrição vai est o endereço e o e o local exato com o horário para vocês participarem também da Miguel. Tem nessa parte chocante aí que o senhor falou, porque que choca mesmo, né? >> Talvez nos outros grupos de autoajuda >> eh o familiar não fique tão chocado, até

10:22 porque ele não tá tão presente nesses grupos. Normalmente é a é o indivíduo que vai até o familiar leva, indica, leva até lá e aí dali paraa frente, mas no ae já não, né? eh eh tanto familiares quanto o o dependente tão juntos. E aí talvez nesse primeiro momento seja um pouco mais chocante até pro familiar, né? Mas o senhor acha que esse esse primeiro choque é positivo? >> Veja bem, é da forma como você também recepciona aqueles que estão chegando. >> Uhum. Também para o dependente é complicado >> chegar num grupo, né? >> Da importância do acolhimento, né? >> Aí é que faz a diferença.

11:09 >> É, mas acolhimento. >> É porque eu penso assim, mas pro dependente é eh meu, chega uma hora que a gente chega no limite e aí é isso, chega lá, não tem muito o que falar, assim, tá, a vida tá implícita, né? Tá tudo falando que realmente a gente precisa melhorar, mas pro familiar já não, né? Então, ah, mas como assim? O meu filho ou minha filha ou o meu esposo, eu tenho que melhorar também, mas o problema é dele. Então, como que funciona isso? É justamente aí é que é o x da questão. O os pais ou o namorado ou marido ou a esposa, a namorada, enfim, o outro,

11:56 ele acha que é a a o grupo é só para aquele que faz isso, >> né? E hoje até nós ampliamos, hoje nós atendemos o pessoal de jogos. >> Uhum. >> Que tá muito, muito, muito grande isso daí, né? A última informação que tivemos que tem 40 milhões de pessoas jogando todo mês >> com faturamento de 35 bilhões >> está acabando também. Mas nós vamos arrumar um espaçozinho para falar sobre isso. >> Sim. >> E nós estamos atendendo também, né? Isso daí. Mas é o que você falou,

12:42 o outro acha que não é só levar aquele que tá usando que vai resolvendo. >> Uhum. >> Mas nós temos que frequentar porque nós também temos que mudar, porque nós isso daí nós vemos tanto e o Fábio acompanha também, né, Fábio? Pessoa chega não, na hora que tá faz tudo que não vou parar hoje. Parei. Então os pais vão, compra roupa nova, >> compra tudo que não sei o quê. Aí eu queria dar tudo. >> O dia seguinte sairam volta deção de chinelo. >> Talvez talvez seja por causa de de uma sensação de culpa, talvez dos pais, né? falou: "Meuado

13:28 con >> é desconhecem por isso que nós temos grupos. os pais acabam sendo facilitadores, ao invés de entender que esse processo, essa facilitação vai piorar, né, e vai gerar consequências graves, até mesmo eh pode ser fatais essas consequências por conta dessa facilitação, a importância do familiar, né, buscar ajuda nos grupos, buscar o processo terapêutico, encontrar a forma de de rastrear todo essas dificuldades e e esse desequilíbrio familiar para o grupo é essencial para isso. O a terapia

14:15 familiar é essencial e o grupo funciona como uma terapia familiar. >> A gente é contra o kit recaído. Então porque é o kit recaído, né? Porque é isso, é uma blusinha nova, um perfuminho, um corte de cabelo, aí se alimenta ali bem, um máximo de >> um cigarro. Pronto, aí arranja uma namorada, arranja um emprego, >> celular novo, dá o celular hoje. >> Se fosse assim, né? Se fosse assim, né? Tava resolvido. Mas não é. >> É, não é. >> Nós sabemos que não é. A história é bem diferente, né? Sim. >> Muito diferente, né? Quantas pessoas passaram pelo grupo, hein, Miguel? Nossa, >> Miguel, Miguel, ele tem um um arquivo morto lá

15:01 >> que deve ter uns 20 livros ata que é da lista de presença de todos os >> o o os participantes. Por quê? Junto com a justiça terapêutica, que nós iniciamos um processo de trabalho junto à justiça terapêutica, nós tínhamos assinatura e era enviado pro fórum aquilo. E o Miguel sabe a às vezes a meta de do do participante de 2004, >> a meta daquele e tudo na memória. Tudo na memória. Fala: "Ah, o Iri, você veio no grupo? Ah, >> vou nem perguntar o último colocou a meta lá e >> é, então, é, é, mas nós tínhamos isso,

15:49 mas infelizmente eu tive um AVC há 5 anos atrás e no começo foi muito triste. Eu gaguejava para falar, não lembrava absolutamente nada. Minha esposa me levou, nós temos uma chácara, me levou para lá. E eu fiquei se meses lá e foi voltando a E foi voltando. >> É só por telefone. >> Mas no caso, seu Miguel, você só precisava de lembrar de uma coisa. Onde que estão as atas? Onde >> isso é uma coisa, >> isso eu tenho tenho tenho separado lá em casa. Separado, tem um quarto só para isso. >> E a E aí a beleza. Eh, a gente tava falando desse desse negócio da família. Eh,

16:35 eu eu entendo também isso que o senhor falou, porque no meu caso também, enquanto minha mãe facilitou para mim, eu não eu não entrei no processo de recuperação porque eu tinha onde para onde votar. Eu eu não precisava pagar uma coisa. Ah, eu fazia uma dívida e ela >> e ela bancava. Bancava. É. Então, até hoje de vez em quando é assim, porque de vez em quando eu falo assim: "Mãe, pelo amor de Deus". Agora as dívidas é maior, é um pouquinho. Um pouquinho. >> Não, mas é que agora conta é um não é mais as dívidas que eu tinha antes, né? >> Mas para pra família entrar nesse processo aí, eh, existe um caminho a ser percorrido? >> Sabe uma história interessante que o Miguel tem para contar, que o Miguel fazia uso de bebida, né, Miguel? >> E como que foi parar?

17:20 >> Então, e eu e gostava não, mas é, e eu gostava de whisky, né? tomava whisky, eu tinha uma dégada que tinha whisky de tudo que é marca e eu viajava para fora. Quando eu voltava eu comprava de caixas e aí depois desse problema, >> viu? Fora o brinde dos amigos, né? >> Fora o brinde dos amigos, eu ganhava muit vestido assim, até eu tô querendo dar garrafa para ele. >> Eu ganhava muita coisa. Bom, e aí um dia nós chegamos lá e minha esposa falou o seguinte: "Nós vamos jogar tudo fora o que tem lá no bar. >> Uhum. >> Se os nossos filhos não podem, se você leva essa mensagem para o grupo de

18:08 sobriedade, o senhor também não pode tomar. Vamos jogar fora." Falei: "Não, vamos doar para". Ela falou: "Não, se não serve para nós, não serve para ninguém. Jogamos tudo fora. Eu tinha aqueles whisky de 5 L, de 3 L, tudo que você imaginar eu tinha. >> A cara, a cara do >> Ó, o nosso diretor, nosso diretor, o diretor quase enfad. >> E ela jogava tudo fora, exalava aquele cheiro, né, né? e tudo, mas jogou absolutamente tudo na >> Se fosse alguns anos atrás, alguns alguns teria dó também, mas hoje eu fico até feliz. >> E mas olha, e realmente foi isso daí e eu falei, parei, não tomo nenhum nada.

18:57 >> Só ai café, café eu sempre tomei, agora tomo mais. Então ela jogou absolutamente tudo, tudo, tudo. E tem outra, né? Quando alguém dá, eu agradeço. Não dá para alguém aqui, porque que senão eu vou fazer o que com aquilo? >> Então, nesse processo da família, que como o senhor foram um familiar e nesse processo faz parte também a família praticar o o >> os evites da Mas isso você não tem dúvida. E é por isso que tem que frequentar um grupo, a família. A família precisa, porque há uma mudança, ela precisa mudar a forma dela cuidar dos seus entes queridos. >> Uhum. >> Né? >> Mas seu Miguel, agora uma pergunta, uma

19:43 dúvida minha. >> E e até cuidar o o programa de amor exigente, os programas eh de transformação, eles ocorrem paraa pessoa se autoconhecer. São programas de autoconhecimento. E o familiar muitas vezes não olha para si, ele olha só para o outro. E isso dificulta eh ele entender aonde que está a falha real, onde que tá pegando na emoção e como transformar isso. E o programa eh ele vai ajudar nesse processo de transformação. Segue com a sua >> é uma é uma dúvida porque porque é meio dúbio isso, porque da mesma forma que eu posso, eu tô falando como se eu fosse um familiar, por exemplo, tá? Mas eu posso

20:30 eh da mesma forma que eu posso simplesmente não facilitar mais nada, eu posso facilitar tudo e eu posso falar para mim mesmo, eh, não, ele que se vire. >> É, >> ou ajudar em tudo. E e mas eu acho que eu acredito que o extremo dos dois lados sejam ruins. >> Não, são ruins. >> É, então >> tem que ter equilíbrio nisso aí. E e essa parte de achar o equilíbrio é onde entra um grupo de autoajudo, >> um grupo de de apoio. >> É isso. >> Por porque ah, eu lembro que eu bom no último último capítulo já falei aqui que eu que eu passei por uma internação também de da minha história. E eu lembro que quando eu tava na internação, o pessoal falava lá dos grupos de autoajuda e inclusive do amor exigente.

21:16 Só que eles falavam do amor exigente com uma outra de uma outra forma que não era amor, >> amor que ferra a gente. >> Isso. que ferra a gente. >> É, ela não é que ferra a gente, mas é, >> é, é uma outra palavra aí, mas fica pro próximo. >> Mas por que que falavam isso? Por quê? Porque o amor exigente fazia com que os pais parassem de facilitar, >> facilitar >> e ir pro pro dependente que não quer entrar nesse processo, isso ferra, né? >> Sim. É ele é na minha >> pais conscientes não é saudável pro para dar continuidade no uso. >> É então na minha concepção lá na época porque como eu eu queria >> eu já tinha entendido que aquele era o meu limite e pronto, acabou. Dali paraa

22:01 frente era uma nova vida. Eu não conseguia ver como um ferra a gente, entendeu? Mas ferra mesmo. Mas até que ponto é é até que ponto é terapeutico ferrar? Dá para entender? Dá, lógico. Mas é importante isso daí, porque nós como pais, nós somos facilitadores e nós sempre acreditamos nos nossos entes queridos que eles realmente vão cumprir aquilo que estão falando. E nem sempre é verdade. >> Uhum. Tem tem uma questão muito importante. Eh, hoje se vê muita mulher eh inserida no contexto da dependência, no

22:47 alcoolismo, mas há 20 anos atrás, >> né, eram poucas mulheres. E aí >> esses pais é mais super protetor a isso. É pai de menina. Eu sou pai de menina, o Miguel pai de menina. >> Todos nós temos uma diferença em visualizar. O menino a gente já acha que vai ter um, mas a menina a gente quer super proteger. >> Uhum. É isso. >> E isso é mais difícil porque a gente acaba sendo facilitador. O pai, principalmente de menina, ele vai querer super proteger, vai querer dar dar o suporte, >> né? para que ela não vá buscar fora. E isso acaba sendo uma facilitação muito maior.

23:34 Foi foi o que o Miguel comentou. Eh, talvez o menino ele nem prestava tanta atenção, mas a menina a menina levou a buscar ajuda. Depois que veio essa questão de dar mais atenção com o menino, depois que já tinha passado pelo processo, estava mais inserido no programa. E aí a gente começa a enxergar, né, com mais eh eh eu acho que é mais sobriedade e e a sobriedade >> eh familiar precisa, né, tirar essa máscara de que, ah, é só só os outros que que usam. Muitas famílias ficam inseridas ali quietinhas. >> Uhum. >> E e não acreditam que tá inserido já um

24:21 contexto de dependência no dentro do lar. Essa questão da dos jogos, questão do do narguile, questão de outras compulsões, tá dificultando muito, >> muito. >> E e o familiar ele acaba achando que é natural isso. >> E e a e a mulher, bom, esse tal não é meu lugar de fala, né? Porque hoje em dia a gente tem que falar assim, >> mas conversando assim, a mulher também ela traz outras dependências, não só sobre substâncias, mas sobre relacionamentos. >> Sim. sobre compras, >> sobre eh das vezes até um convívio familiar ali, um relacionamento familiar, que é um controle, tanto que tem eh irmandades

25:07 eh também de de grupos de autoajuda que tratam sobre eh o objeto é o controle, >> porque a mulher tem esse papel mais controlador mesmo do lar, tal, E inclusive até na, >> mas o homem também tem isso daí. É que >> tem, mas é uma coisa mais machista, né? >> Mas a mulher já não é porque normalmente por eu falo de mim ou das experiências que eu tenho na minha casa, meu minha mãe era quem controlava as coisas >> no no início. No início, Yuri, no amor exigente, quase não chegavam homens, era só as mulheres. >> Meu pai achava que controlava. Meu pai achava que controlava. >> Ele falou: "Não, eu controlo." Quer ver? Ó, amor, eu quero fazer isso. Você quer, amor? Ah, então eu quero. É, é isso,

25:52 entendeu? E eu vejo também que normalmente as pessoas que pedem ajuda, normalmente elas são mulheres, pedem ajuda pros familiares. Eu digo, a grande maioria são mulheres. Uma mãe que tá buscando ajuda para um filho ou para uma filha ou uma esposa que tá buscando ajuda para marido, uma amiga. Normalmente a mulher ela chega com essa primeira abordagem. Um homem vai pedir ajuda, >> mas isso aí é uma característica da mulher, porque a mulher ela sempre vai buscar, desde pequena, ela tem o hábito de ir no médico, ela tem a a mãe sempre leva homem, mas tá doendo muito, ele buscar is outra coisa. Não, nós estamos no mundo machista. É, >> então você que tem cuidado dos filhos e

26:37 das crianças e vai você lá >> e o cara não vai, não ia, né? Hoje já você >> quantos quantos e quantos pais eram só mulheres que >> quantos e quantos pais foram lá e foram se identificar no no grupo de sobriedade? >> É por e aí começa a participar e entende que Mas eu sou abusador também. E aí entra num processo de recuperação e quantos e quantos pais? Não, não vai mais voltar aqui não. >> Uhum. >> Não vai mais. É por quê? Porque ah, eu tenho que parar também. >> Ah, não. Ele que se vire, né? >> E nós temos dentro do nosso grupo, Fábio tava colocando, nós recebemos, não é só

27:23 pessoal com dependência química, né? Nós tivemos um tempo atrás lá uma menina que ia, >> nós nós tivemos o o grupo do amor exigente e por por fazer um trabalho preventivo na região, em palestras, em escolas, nas igrejas, >> acabava recebendo e apoiando pessoas que nunca fizeram uso de nada. E aí eles começaram a participar do grupo apenas de forma preventiva para prevenir >> de relatos de de jovens. Nós fomos fazer uma palestra no Jardim São Paulo, acho que veio uns cinco ou seis, que ele falou: "Eu já tenho amigos que estão usando, mas eu não quero chegar naquele nível". E aí ele começa a participar do

28:09 grupo de forma preventiva. >> Cara, eu sou suspeito. A minha opinião, se a gente tivesse inserido no no na escola, >> sim, >> os princípios do amor exigente ou 12 passos ou qualquer outro tipo de programa >> eh, entre aspas, espiritual de autoconhecimento, >> eu acho que sei lá, talvez uns 70% do problema estaria. Yuri, nós temos uma briga já de muitos anos que a gente quer levar isso daí paraas escolas, mas como matéria, realmente. >> Uhum. E eu tive com vários secretários de educação, >> eu tive a oportunidade, eu vou falar depois sobre isso.

28:56 Um só que falou: "Não, vamos fazer, vamos começar na zona leste". Não conhece, mas isso na >> Você não, você não imagina o que aconteceu. Nós íamos começar na zona leste, tava tudo acertado. A PESP entrou e falou: "Se isso daí começar, os professores vão entrar em greve. Nós já temos, eles dizem que tem isso daí". >> É, eu nunca vi. Eu eu bom Miguel, nós participamos >> durante 10 anos do projeto Jovem Pan pela vida contra as drogas e era um projeto que >> e íamos nas escolas

29:42 >> fazia palestra e era configurado como a jornalista no Isida Isida Alves, >> jornalista de Jovem Pan, um profissional e um depoimento de um dependente em recuperação. era essa configuração, o formato era esse. >> Muitas vezes eu cheguei a uma escola em Osasco, eles apagaram todas as luzes, como era gravado e ao ar na Jovem Pan no outro dia cedo, >> né? Eles apagavam tudo e não boicotava aum. >> Não, você não imagina o que nós passamos. Alguns alguns da região, até professores, às vezes boicotavam ou

30:27 então ficava inserindo falas no meio da da do programa e isso dificultava muito, mas era proposital para boicotar. E durou durou 10 anos isso. Esse programa na Jovem Pan teve 12 anos devido ao patrocínio. Quando cortar o patrocínio, parou, mas nós participamos 10 anos, né? E idas e vindas e muitas escolas no estado de São Paulo. Muitas escolas. E sempre teve debate na na própria zona norte. A gente foi no me lembro, nós somos no Buenos Aires. É, ali no em Santana. >> Foi isso. Famoso Bueno. >> Buenos Aires. >> E aí tem pessoas do do do bairro do

31:15 Jardim São Paulo e tem pessoas >> da favela dasana. Uhum. E nos dois ambientes, os meninos que queriam se se posicionar eram os meninos da classe média que morava no Jardim São Paulo, não era o pessoal da favela. E aí eles queriam falar que usavam, que isso, que aquilo. Tanto é que um relato do menino falou: "A melhor coisa que aconteceu na minha vida foi fumar maconha". >> Não. >> Ah, >> é, tinha isso sim. >> Bom, a a nossa jornalista já falou de cara assim: "Mas você nunca teve um orgasmo? E e aí quebrou, teve um silêncio, mas esse processo eh tem que ser inserido nas escolas, tem que continuar e da melhor maneira eh organizar programas.

32:02 Eu tive a experiência de fazer implantação no em Vargem Grande Paulista aqui no no interior de São Paulo, de implantar um programa da da primeira a 5º ano, um uma cartilha de prevenção, porém mudou-se a gestão da prefeitura. Eles cortaram aquele projeto que era incrível, era uma cartilha, então todos os alunos iam receber e ter aulas de de prevenção e que não se relacionava tanto só a droga, mas em si a comportamentos compulsivos e obsessivos. E isso que é o que precisa realmente na entrar como política pública. >> Talvez chegaram os grandes veículos de

32:47 de comunicação aí. Nenhum veículo abre espaço. >> É, eles abr >> para falar nas único, o único é a Rede Vida, que nós temos um programa lá até hoje, desde o início da Rede Vida até hoje, >> as segundas-feiras lá, agora é 14 horas, né? E a TVCOM, quando a gente consegue um patrocínio para levar >> as grandes emissoras aí de, principalmente, eles jogam assim para só para fazer um para trazer um um pouquinho de polêmica aí nas novelas aí para fazer um dar um hype né? as algumas outras emissoras têm, como tem estão vinculad a igrejas, essas igrejas também têm os seus próprios programas de recuperação, então

33:35 provavelmente a gente não vai ter espaço lá. Então, sei lá, a gente tinha que fazer um negócio, sabe que ele quando o Silvio Santos fazia ia colocar lá cois, mas o que nós estamos fazendo aqui, o que nós estamos fazendo aqui agora já é algo muito diferente, porque as pessoas não costumam eh vem comar isso e fal falar de recuperação, eu expor, você expor, ele expor para muitos >> é uma coisa que a sociedade ainda também tem dificuldade, nós precisamos quebrar mas desconhecem justamente porque nós não levamos, porque a televisão realmente pega muito. Hoje já muda um pouco, >> né? Os podcasts, a internet já

34:21 >> muda um pouco e abre espaço para se fazer isso daí. >> Mas os grandes veículos eles bloqueam os grandes têm esse bloqueio, não dá. É, é complicado. >> É, inclusive falando até dessa, dessa parte de como eh expandir mais isso, eu queria que vocês dois agora fala, porque vocês dois são tipo do negócio, né? Seu Miguel é o maestro e você o >> Mas vou te falar uma coisa, Yuri. O o amor exigente, ele possui mais de 40 anos, mas o projeto sobredade que é para inserir, para acolher dependentes químicos, ele não tem tanto tempo assim, >> não é? 27, 28 anos >> e e é se iniciou se iniciou com nós nós

35:06 levamos à frente porque nos outros grupos de familiares não existia. E mas e eu sei que vocês levam essa mensagem de recuperação, não necessariamente só com a também. >> Sim, >> mas eu eu sei que em alguns momentos vocês não exatamente falam dessa irmandade. Vocês levam isso de uma forma mais abrangente, >> inclusive na justiça, inclusive em algumas eh eh organizações de saúde também, que eu sei que vocês já fizeram parte. >> E eu queria que vocês falassem sobre isso aí. O seu Miguel, eu sei que é o cara que você é a ponta da lança. Seu Miguel é o >> Miguel, o Miguel foi coordenador de política de de drogas no município de São Paulo, no maior município do do do nosso país. Fala sobre isso também, sobre como que é entrar. Fizemos um trabalho, conseguimos um trabalho

35:53 fantas. Nós pegamos o pessoal de rua >> Uhum. >> de rua que nós atendíamos, mandávamos para pras instituições para serem internados e recuperamos muita gente, né, Fábio? Ué, esse esse programa o programa que foi >> que foi agora acessado pela diminuição da cracolândia e tirar do centro de São Paulo iniciou com nós lá na política. Eu a Cracolândia, eu cheguei a participar de uma de umas ações lá com o NA, né, que era um projeto que funcionava, um projeto da irmandade que não tem relação, a irmandade não tem relação com nenhuma instituição, né? Então, nós somos autônomos, mas a gente usava um

36:40 espacinho lá eh do programa Recomeço. >> Sim, >> que a gente era no meio da cracolândia, assim, era muito difícil tá lá, inclusive para uma pessoa que tem problema, já teve problema com droga, né? >> Nós fizemos a inauguração do do programa Recomeço Família, >> né? a palestra de inauguração junto com a governador da época, tudo para então foi instalado aqui, nós estamos num ambiente público e o o recomeço família, ele foi instalado em todos os ambientes do SIC. >> Uhum. Não, na na zona norte a gente tem o Sique Norte que é lá no Jova Rural lá em cima >> e todos oss do estado foi instalado um um programa de recomeço família para

37:28 acolher o familiar e levar essa orientação pro familiar, conseguir direcionar aonde buscar ajuda, como internar, como fazer da melhor maneira e também o atendimento terapêutico para esse familiar para ele conseguir >> e era uma pessoa nossa que ficou Sim. >> E então aí eu queria que vocês falassem mais sobre isso, que quais projetos vocês vocês conseguiram colocar. Pode passar por cima mesmo que a gente vai ter outros. >> Eu vou contar então uma questão do perí só, só desculpa. Eh, porque também tem o, eu sei que tem outras pessoas também que a gente pode trazer aqui que são importantes, que tem o doutor também, o Mário Sérgio, tem algumas pessoas que participam desse eh desse trâmite aí, principalmente com a prefeitura, com o

38:13 governo. E aí a minha dúvida no final é onde a gente já chegou na mensagem de recuperação em geral, tá? Não só a, mas contra grupos de ajuda, contra recuperação, onde chegou e onde deveria estar e o que que falta, entendeu? É isso. Então, é interessante, Yuri, você perguntar isso. Eu estava de plantão, eu trabalhei durante 10 anos no CAPS álcool e droga. E o Miguel me ligou, falou: "Ó, tem uma reunião com a secretária de direitos humanos e era >> com Dória, com Dória, né?" >> E ele falou: "Eu vou amanhã numa reunião, eu quero apresentar um projeto lá". Ele

38:59 estava no plantão, eu pedi licença no plantão de umas 2 horas, fui até a casa do Miguel, nós escrevemos um projeto chamado Mães da Luz. da luz. >> Em 40 minutos nós escrevemos o projeto, ele foi e apresentou pra Dra. Eloía Ruda, que era a secretária de direitos humanos, e pro João Dória, eles fala: "Nós precisamos desse projeto, pode trazer a equipe". E aí foi constituído uma equipe, o Miguel escolheu a dedo, cada um e cada um nós formatamos a implantação desse desse programa. E dentro do programa Mães da Luz, houve a inserção tanto dos familiares, nós

39:44 localizávamos pessoas desaparecidas utilizando as câmeras, as câmeras da cidade. Eh, teve, eu, eu recebi, eu publiquei o uma edição do podcast aqui e eu recebi a dona Gracilda lá do do norte, porque assim, o de Manaus, >> o João o João Dória, ele postou nas redes e e saiu em rede nacional o sobre o programa Mães da Luz. A mulher lá em Manaus, ela viu o programa, ela falou: "Meu filho tá em São Paulo". Pegou o avião, desceu aqui, chegou com as malas lá na secretaria onde nós estávamos, chegou com as malas lá, falou: "Meu

40:30 filho tá aqui, eu preciso de vocês para ajudar". Ela aí ela postou: >> "Já valeu a pena, hein?" É porque um programa que salve alguma pessoa já >> aí uma uma das das que participava junto com nós do programa foi com ela lá na cracolândia e encontraram o filho dela lá. >> É, >> encontraram o filho dela. Ela veio lá de Manaus e encontraram o filho dela na cracolândia aqui em São Paulo. Levaram ele para tratamento. >> Você vê, né? Das vezes eu saio da minha casa para ir na 25 de março comprar alguma coisa e tem uma viagem perdida. A mulher veio de Manaus. de Manaus. E meu essa essa história é impressionante. Tem várias várias histórias. Onde que história? Históri tem um poder superior aí. Ah, sim. >> Me recordo num dia que eu fui fazer uma

41:16 palestra no lá no gabinete do prefeito. Quando nós voltamos estava um menino com a touca na cabeça. Ele não conseguia nem falar. Ele só deu RG. Eu fiz o >> a ficha. a ficha dele e encaminhamos ele pro tratamento. Esse menino hoje eh tá em Joinville, ele é de Santa Catarina, está em Joinville. Eh uma empresa comprou dois apartamentos com uma empresa bem resolvida, morou durante um tempão no programa >> recomeço >> do estado no no recomeço que tinha uma moradia assistida que era bem na rua Elvetia na Cracolândia. Ele saía do

42:03 grupo eh Santa Cecília, ele vinha e tinha que fazer teste de droga para entrar no prédio todos os dias. >> Tá há 8 anos limpo. >> Você não me apresentou esse menino? Presentei. >> Foi num >> num evento aí com o Joedes. >> É, eu lembro dele. Lembro dele. Ele existe mesmo. Ele, ó, ele existe. Não é mentira, né? Tem ontem >> que até hoje a gente tem contato, eu falo >> tem Mas e o seu Miguel? E aí, seu Miguel? O o >> o Miguel colocou isso aí tudo no >> Eu queria que ele falasse >> para funcionar. >> É, e nós fizemos um trabalho fantástico lá, recuperamos muita gente que eram pessoas que ficavam nas ruas ali, dormiam na

42:50 porta lá do >> da secretaria. >> Da secretaria. É, vocês dão nó não recuperamos, né? Mas eh eu entendo o termo, mas é é preciso é um damos oportunidade >> dar essa oportunidade é um negócio. >> Mas eu acho que o o que aconteceu e que não e não acontecia isso e não houve mais >> quando nós chegamos lá, eles não tinham um exemplo de recuperação. >> E então >> é isso, se alúnel, né? E aí eles eles começaram a nos, por exemplo, passando arrumado, cheiroso, tal, indo, porque as pessoas, uma coisa que nós fizemos no centro era cumprimentar, era falar com aquele

43:36 morador de rua e o cara fala: "Mas tá de terno e gravata. Como que você para aqui para cumprimentar nós?" >> E e nós não tivemos discriminação com nada. Então, as pessoas têm isso e eles se sentiram acolhidos por eles estarem na situação difícil e a gente não tem dificuldade em estar ali junto, em tomar um café sentado na calçada junto. >> Eu eu lembro que na primeira primeira vez que eu fui para um para um grupo de autoajuda, na minha cabeça, eu eu não sei se eu até falei isso da última vez, mas eu falava assim: "Ah, mas for nesse lugar aí vai ter um monte de mendigo lá nas costas". E que porque eu achava que >> só que quando eu cheguei lá, a galera tava bem vestida, sorridente, diferente. >> Eu era o mendigo. >> Dá para entender?

44:23 >> Então, e esse negócio de de dar essa oportunidade pras pessoas, independente do caminho que seja, eu acho que é aí que é por aí que tá a grande satisfação da coisa, né? Porque eu falo assim pra galera que tá assistindo aí, eh, que se você não tá fazendo nada por alguém, você não tá entendendo o que que é o X da questão da vida, né? >> Porque ajudar as pessoas é uma coisa que sem nada ter nada em troca, tá? Uma ajuda incondicional. >> Dá um gás absurd. >> Eu acho que é o maior alimento do Miguel é >> Nossa Senhora, cara. >> Mas o homem põe a mão em cima. põe a mão em cima e ajuda >> as coisas a acontecerem, >> porque essa gratidão que que gera pessoal, eh, eu acho que é sem paralela,

45:10 tem ver a pessoa que você ajudou lá atrás, igual o seu o seu o menino que você ajudou, como é que é Jedes, >> que vê o cara tipo vivo com a família conduzindo, esse menino é fã, >> ele resgatou os filhos, ele tinha dificuldade do do relacionamento com os filhos. Outra pessoa aqui será que ele vem? >> Ele vem. Se chamar ele vem. >> Chamar ele para vir aqui. >> Ele vem sim. É um cara fantástico. >> Fantástico. >> Bom, ele ele é meu afilihado, né? Então >> eu quero que eh eh o senhor também eh até sugira pessoas para vir aqui para que participaram desses processos aí. >> Sim, >> porque é essa galera que a gente tem que trazer né? >> Nós temos muita gente que frequenta

45:57 ainda o grupo lá. né? E tem aqueles que estão chegando, tem aqueles que estão começando a entrar em recuperação, mas é o cara chega lá, fala: "Opa, porque como o cara fala amor é gente". Ih, então tem esse amor que ferra a gente e tal. E tem o grupo de família que é separado, nós fazemos separado. >> Mas esse trabalho do do sobredade dentro do amor exigente acabou quebrando um pouco desse de estigma. Por quê? É, >> porque o o o amor a gente começou a participar dentro das comunidades. Eu eu contei aqui que eu também passei por uma instituição e eu conheci o Amoresente lá

46:43 dentro da instituição e que nessa lá atrás era muito difícil, >> era >> as instituições só falavam da da metodologia de 12 passos e aí tinha esse eh esse estigma que foi criado, relacionado, porque eles não conheciam, mas eu passei e foi apresentado amor exigente para mim nessa época. Tanto é que quando eh uma uma coisa que mudou foi indicado para mim pela dona Mara, nossa presidente de honra, foi indicado a a participar dos grupos em São Paulo e eu estava numa internação em Goiás. Falou: "Não, mas quando chegar em São Paulo você me liga". Eu cheguei, o grupo tava de férias e eu falei: "Mas como isso aí?

47:29 >> Merecemos férias. >> Férias como, né? entre o Natal e o e o Ano Novo. >> A gente dava tempo de existir, hein? >> Chegi. É. Aí >> dava tempo >> e aí eu cheguei, eu falei: "Mas como isso férias? Não, a doença não dá férias não?" >> Nunca mais, nunca mais o grupo ficou. >> Agora não para mais. >> É, a gente briga das vezes lá no outro grupo lá das vezes porque o cara abre a reunião meia hora atrasada, meia hora antes que a gente fica doido, velho. Mas se o cara chegar nessa meia hora aí vocêou o cara. >> É. E tem que fazer isso daí. É e o pessoal fala: "Pô, mas não, mas tem que ser, tem que ser rigoroso." >> E a grande luta é essa mesmo, é salvar essa pessoa que a gente não sabe quem é, não sabe o nome, talvez eu não conheça, >> mas eu queria falar uma pausinha pra gente falar do do livro.

48:15 >> Ah, >> porque Dr. Rodrigo Monteiro, que é escreveu o Girassol, >> fez 27 anos livro, >> 27 anos. O Rodrigo me recebeu no grupo do amor exigente e aí nós ficamos um ano e meio, Yuri, num grupo de sábado. É, >> só tinha eu e ele >> e não >> era raro chegar alguém. E aí eu coordenava para ele, ele coordenava para mim, a gente ficava lá no grupo, grupo montado esperando alguém chegar, porque era o nosso propósito de manter o grupo aberto. Não importa se tem 10, se tem dois. >> É o Bill e o Bob da zona norte. Sim. Aí aí e o Rodrigo uma garrafa de café, >> Rodrigo Monteiro pegou a história dele e

49:00 escreveu o livro Girassol. E é esse livro que está aqui na na frente. Pode buscar orientação que tem, vai ter o link aí e encontrar. Ele vai enviar para você o livro Girassol. >> Um rapaz doce, né? Um cara >> no centro >> fantástico. >> O o longo do programa do amor exigente. Então vai buscar. Tem muita informação, tem programas de TV, existe muita orientação dentro do site. Quer falar aí doutor? >> E tem o livro do Paulo também. >> Nós o livro do Paulo é >> hã, >> então apresenta o livro do Paulo, então >> o alcoolismo, mas o >> alcoolismo pósm é é uma >> Paulo, o Paulo ele começou no Aá. >> Uhum.

49:45 >> né? que o pai dele o levou pro Aá, ele acabou ficando e depois >> pai, filho em recuperação. >> É. E depois ele veio para amor exigente e tá conosco lá até hoje. Aliás, estamos abrindo lá. Nós estávamos num hospital ã na Brasilândia e agora estamos mudando pra Casa Verde. >> Uhum. >> Abrindo lá na Casa Verde. Casa Verde. >> Ele me passou aqui. Avenida Casaverde, número 13. 13. >> Que dia que será as reuniões? >> Segundas-feiras >> do aí. >> Do aí >> é >> reunião de familiares porque são grupos diferentes. E sobriedade familiar e sobriedade.

50:31 >> Uhum. >> Né? Na Casa Verde e às 20 horas à segundas-feiras, né? O Paulo é uma pessoa fantástica também, aliás, precisa trazê-lo aqui também. >> Sim. Vamos fazer o convite para ele. Ele tem >> porque o livro dele chegou antes, né? >> O livro chegou antes. E o Rodrigo, um cara fantástico, né? Rodrigo hoje médico e tá lá que nem o Fábio. >> Todas as quartas-feiras estão lá. >> É >> levando, porque pro pessoal que chega quando vê gente com esse tempo, quarta o grupo dele, né? Ele fala as quartas cenas porque é o grupo que tem, viu? >> Não, eu tô falando o que acontece nesse

51:16 grupo. Sim, >> quartas com você e com o Rodrigo. E aí o pessoal olha e fala: "Opa, >> que tem pessoas que vai lá só para ver o Miguel". >> É, é o é o grupo. Não, vamos lá no grupo do Miguel, não é no grupo de sobredores no grupo do Miguel. E aí encontra com eles. Mas isso daí dá para aquele pessoa, opa, aqui tem saída. Isso daqui funciona como os outros grupos todos funcionam. Depende de cada um. >> É, e também é importante ter também uma pessoal também com pouco menor tempo limpo, até distância também, né? Porque ó, fala, [ __ ] 27 anos. >> Não, não. Aí chega o moleque tem 18. É o moleque tem 18. Não é porque das vezes

52:02 também é importante ter uma pessoa ali com dois anos, um ano, meses, porque aquilo ali é fica mais palpável. >> Quarta-feira foi o menino dois dias. Chega isso é tudo ninguém fica 27 anos e não ficar um dia primeiro, né? >> Exatamente. Dia >> é >> é o primeiro dia da minha nova vida. >> E eu vejo que os projetos que vocês participaram eh esses anos todos aí acabaram resultando em outras coisas também, né? Então, por exemplo, hoje a gente tem um trabalho de com com a justiça terapêutica, onde o dependente tem uma uma alternativa. >> Eu não tive esse benefício. >> É, então tem uma alternativa. Pô, o cara tem um problema ali com droga e muitas das vezes esse cara ele não é um cara

52:47 que é um um assaltante, um ele precisa usar. Nós temos um menino que saiu disso daí, tá 15 anos, teve no grupo aí >> 15 anos limpo. >> Então, >> e veio lá ter lá. >> Então, e são coisinhas assim que foram aparecendo que coisinha que parece simples, mas que preciso de todo um trabalho de vocês aí, de meses de conversa e de ir até Brasília, ir até, >> certo, para falar com os grandes governantes aí. E então, meu, é um esforço assim que ajuda, talvez vocês não tm nem noção de quantas vocês ajudaram a >> não. E tem tem um outro que também começou lá no fórum, tá com 18 anos,

53:34 Denis, >> que que foi militar, >> foi militar, >> foi militar >> e foi aposentado. >> Tem tem muita história e e pessoas que realmente saíram. Então, tem saída, >> tem saída. A dependência química tem depende de quem? De cada um. >> Uhum. Mas tem ferramentas e é utilizar essas ferramentas a favor, né? Tem o tem as terapias, tem a forma de buscar ajuda e um é o nosso canal aqui, né? No podcast especialista pode mais sempre vai ter informação e orientação para você para você encontrar um caminho através das metodologias que é apresentada aqui. >> Mas infelizmente tem o outro lado.

54:20 Aqueles que >> é >> não frequentam, aqueles que querem continuar usando, nós tivemos >> final triste >> o ano passado, quatro pessoas que participaram do nosso grupo foram embora. dois com essa droga nova aí, a droga K. >> Uhum. >> Tá. E dois com cocaína. >> Uhum. >> Né? E esse ano uma pessoa que desde o começo né? >> Há muitos anos participava aí, teve vários processos de volta ao uso caía, voltava, caía, voltava, foi embora, >> caiu e não voltou mais. >> Não voltou mais. >> Uhum. >> Né? >> É. Então esse daí, infelizmente, é o

55:06 caminho para aqueles que sustentam. >> Seu Miguel, eu digo mais, ano passado também passei por algumas perdas. É, é assim, não tem é quase inevitável para quem convive com esse, com esse mundo não ter essas perdas. E inclusive eu acho que até faz parte para eu me esforçar das vezes da minha própria recuperação, porque ter esse contraponto, né? E eu ano passado, não, não, esse ano ainda, eu a gente perdeu um parceiro nosso daí também, que também trabalha nesse processo de >> indas e vindas, que é o filho de um outro de um outro amigo nosso, >> o Guilherme, que ele faleceu, ele tava em processo de recuperação, Guilherme, chegou a ir lá algumas vezes, o Guilherme, ele ele tava agora em recuperação de novo, só que foram tantas recaídas que ele tinha uma

55:53 outra doença, uma corbidade, que é a diabetes. E esse processo de indas e vindas fez ele descuidar da diabetes. E ele faleceu não por uma overdose ou por ele faleceu por conta da diabetes que foi potencializado pela não deixa não deixa de ser uma consequência da adicção e esse descuido aí assim, ah, perdeu a visão. Se vocês estão falando de notícia triste, eu tenho uma notícia triste para dar. O nosso programa tá acabando. Programa de hoje. É, é, Miguel, infelizmente, mas você falou que ele ia falar, não falei nada. Ah, então, mas tá convidado para >> para continuar a nossa série. Aí

56:38 >> eu tenho uma apresentação, eu tenho uma apresentação junto com Miguel. Nós fizemos num congresso, não falamos de congresso nenhum, fizemos num congresso >> em 2023, nós fizemos um congresso e aí por conta dele ter tido esse essa dificuldade com AVC, eu coloquei nos slides toda a nossa história e aí dos trabalhos que foram feitos durante 2023 nem foi inteligência artificial, >> nem foi inteligência, foi e foi muitos trabalhos foram >> foi muitos trabalhos e aí tem muito que falar ainda. Então, com certeza já tá convidado para est concentra um recém-chegada, >> certo? >> Com certeza. Muito obrigado. Vamos trazer sim.

57:24 >> Deixa uma mensagem naquela câmera ali, ó. Deixa uma mensagem para aquele que vai assistir, >> você que está nos assistindo, né? familiar, dependendo ou aquele que não tem problema nenhum, vá nos conhecer, porque isso é para todos. Não é só para quem passou por isso ou não passou, é para todos. Você vai gostar, tenho certeza absoluta, porque é uma escola lá, você vai aprender muita coisa. Venha nos conhecer. É isso. >> Dá certo e funciona. >> Dá certo e funciona, uma uma site >> tem >> amoreexigente.org

58:10 entre ra >> só >> tem BR sem o BR. É mais fácil. É mais fácil, né? E tem o SOS reabilitação aí também.br. Logo mais vai tá funcionando a todo vapor, né? Para ajudar >> dando muitas dicas, encaminhando, >> encaminhando pros grupos. estão de parabéns. Nós precisamos disso. Precisamos levar porque todo mundo falou: "Ah, onde é que eu vou levar?" Porque o pessoal desconhece a A na Morezinha, desconhece e vai rece absolutamente nada. O que precisa é você nos procurar.

58:56 Perfeito. >> Estamos esperando. >> Quero agradecer ao Miguel, viu? Fecha naquela ali, ó. >> Hum. >> Dá sua mensagem final aí, porque mais uma vez >> é eh eh chamando o pessoal eh tem muita coisa para falar ainda, muita coisa, muita área para abordar, muita gente para trazer. Eh, se vocês puderem continuar aí só mais um dia, só mais 24 horas, eh, eu garanto que vai vir, vão vir segredos aí que talvez possam mudar a sua, a sua caminhada aí, não só >> com dependência química ou com qualquer outro tipo de dependência, mas com relação a defeitos aí da vida e uma maneira nova de viver. Então, curta,

59:41 compartilhe, comente com outros sobre esse vídeo, dá um uma forma de chegar essa mensagem a outros familiares. Aqui tem muita informação para você, então fique conosco. Estamos juntos especialistas, pode mais com você no seu dia a dia. >> E nós vamos falar aqui também sobre jogos. >> Vamos. jogos é muito importante. >> Hoje, hoje nós precisamos falar muito sobre jogos. >> Deixamos, já vamos deixar pro próximo episódio falar sobre isso, >> os jogos de azar aí que tá, >> estamos te aguardando. >> Obrigado, seu Miguel. Obrigado. >> Até breve.

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