0:02 [Música] Mais um dia na África, mais um dia na Etiópia. Eu estou agora no sul do país, numa região que chama Vale do Homo. Esse lugar é famoso por abrigué 16 tribos de diferentes etnias. E a cidade que eu estou é uma das maiores daqui, chama Tumir, tem 40.000 habitantes e a maior população daqui pertence à tribo Hammer. coincidiu de hoje ter um mercado aberto funcionando. Hoje é segunda-feira e esse mercado só funciona na segunda. Então vamos ver o que que a gente encontra nesse lugar de diferente para mostrar para você. E aqui na Etiópia eles falam mais de 80 línguas. Então é difícil se
0:49 comunicar em cidades, em vilarejos, em cidades grandes. Por isso, mais uma vez está comigo me acompanhando nessa jornada o Bray, que é o nosso guia, nosso tradutor, que tá com a gente desde o primeiro dia em que estamos aqui. E também dessa vez temos o Muga. O Muga é morador local aqui da tribo Hammer e nós chamamos ele para acompanhar a gente porque o Bray, apesar de ser etíope, de viver na capital do país e conhecer toda essa região, ele não fala a língua que eles falam aqui. Então nós temos que ter, olha só, dois tradutores para podermos levar até você essa imersão cultural que a gente sempre busca. Então vamos lá, vamos continuar andando. Só para vocês saberem que todas as informações que eu estou dando sobre o lugar está sendo me passado pelo Muga
1:37 que vive aqui. A família dele é da Hummer Tribe. Então ele sabe de tudo. E é isso, cara. Vamos lá. Vamos parar de enrolação e caminhar por esse lugar. Sigo por uma rua sem placas, sem sinal de modernidade, guiado pelos meus amigos, pelo som de vozes distantes e por uma curiosidade que só cresce a cada passo. Lá na frente começa a surgir um mercado que parece broter da própria terra, um lugar vivo, pulsante, onde os hammer se encontram para vender, trocar, conversar, paquerar, viver. Nada aqui parece feito para impressionar e talvez seja justamente por isso que tudo impressiona. As mulheres cobertas
2:23 de colares de metal e contas coloridas desfilam com orgulho seus cabelos trançados e tingidos com barro avermelhado. Não tem vitrines, não tem barracas organizadas. O chão é o balcão, a sombra das árvores o teto. Alguns homens observam de longe, outros negociam gado, trocam palavras rápidas. Tudo aqui segue um ritmo próprio, um tempo que não dá para medir, só sentir. É difícil dizer onde esse mercado começa ou onde termina. A verdade é que ele se mistura com tudo ao redor, com a rua, com as árvores, com os olhares. A cada passo, algo novo aparece. E por mais que eu tente descrever, tem coisas que só dá
3:11 para sentir estando aqui. [Música] >> Isso daqui que eu vou mostrar para você agora é uma coisa que eu nunca vi. Esse senhor tá comprando e normalmente quem compra é homem. Isso porque eles consomem isso daqui com tabaco. Só que não é o tabaco que você conhece, não. É um outro tabaco. É diferente. Mas o que que é isso, Mike? Você vai me perguntar, eu te falo. Aqui, quando algumas árvores são queimadas, eles misturam as cinzas delas com lama e fazem tijolos. Depois eles colocam esses tijolos no sol para ser
3:59 sec. E aí, meu amigo, vira pedrinhas assim, ó. Olha isso. São pedras. Aí eles compram isso para jogar nos outros. Não, eles compram isso daqui simplesmente para fazer isso, ó. Para comer. Só que é para comer com o tabaco, porque ela traz um sal, sabe? Um sabor diferente pro tabaco. Você já comeu pedra na tua vida? Eu já. Olha só. Tem que tomar cuidado para não quebrar o dente. E tem realmente gosto de lama. Só que é uma lama muito salgada. É diferente. Eu mordi um pedaço muito grande, então
4:45 tá meio que pinicando a minha garganta, mas é bem bem diferente inusitado, né? Olha só. Então eles pegam, parece que um pedaço do tabaco, morde o pedaço do tabaco e morde um pedacinho disso daqui também. E olha a mão como é que fica a cinza. Tudo das cinzas das árvores que foram queimadas. >> Nunca imaginei que um dia eu fosse falar isso, mas para mim essa pedra tá super aprovada. E olha só que legal, o Muga, o nosso amigo que tá aqui com a gente, que tá traduzindo, ele acabou de encontrar a irmã dele aqui, essa daqui, e a mãe dele também tá aqui nesse mercado. Então, nós vamos comprar alguns ingredientes e depois iremos até a casa dele para que elas preparem algumas comidas de tribo
5:31 pra gente provar. Olha que honra, cara. Que show. Uma das coisas que eles mais vendem aqui nesse mercado são essas folhas que eles chamam de moringa. Isso daqui é como se fosse uma super planta. Tem muitos nutrientes e eles fazem com várias receitas locais. Dizem que parece um espinafre e eles cobram só 20 be por isso daqui, ó, por esse tanto de folha. Olha isso. E uma das coisas mais legais desse lugar pra mim é além, é claro, da cena vibrante, das cores, do cheiro, é o trage típico que as pessoas daqui utilizam, sabe? Eles têm uma identidade própria. É uma tradição de centenas e centenas de anos que eles mantém até hoje. Eu acho demais. É muito legal,
6:18 muito bacana. Ok, vou levar a minha folha aqui porque eu quero comer isso em alguma receita e mostrar pra você já já. Olha só que legal. Isso daqui é o que eles chamam de borcotá. Todo homem no vilarejo tem um. Sabe o que que é? É um banquinho, cara. Mulheres não podem sentar nisso daqui. Somente os homens. E eles carregam o borcotá pro campo, pra lavoura, quando eles vão trabalhar, tal. Então eles usam isso para sentar e descansar. E eu comprei o meu. Eles cobram mais ou menos 700 a 600 B por cada um. Olha que bonitinho. Vamos ver se é confortável. Tem vários tamanhos. Tem maiores, menores?
7:05 [Música] >> Parece uma cela de cavalo. Senhora, é confortável, cara. Gostei. Nossa, é a melhor coisa para ter numa mochila clara paraas nossas viagens, quando cansar num ponto de ônibus ou numa estação de metrô, algum lugar que não tem é como você se sentar, a não ser no chão, você senta nisso daqui. Realmente é muito bom. Eu achei que a posição ia ser desconfortável, não. É bem bem confortável, bem legal. Adorei. Agora eu tenho o meu Bordogan.
7:53 Borgodan. Bordogã. Já me esqueci. Nós compramos no mercado alguns grãos, como milho, sorbo e trouxemos tudo aqui para ser moído, porque eles precisam da farinha desses ingredientes. Então aqui é um local onde eles moem, onde eles fazem dos grãos farinha para então fazer todas as receitas, pelo menos as principais, que eles consomem. [Música]
9:27 Aqui na Etiópia eles bebem muito café, mas eles também fazem uma outra bebida com esse fruto, utilizando o quê? As cascas dele. Então aqui dentro dessa tenda tem um pessoal vendendo só as cascas do café para fazer uma bebida que eles chamam de chá. Como você deve ter reparado, uma das coisas que mais chama a atenção nessa tribo é o cabelo das mulheres, a cor avermelhada, o brilho, a textura. Tudo isso vem de uma mistura que elas mesmas preparam, barro com manteiga. Essa combinação aplicada todos os dias não é só um cuidado estético, é um símbolo de identidade, de passagem para a vida adulta e de pertencimento à comunidade. E o mais curioso é que os
10:13 ingredientes estão todos aqui no mercado. Em um lugar você encontra o pó vermelho extraído da terra, em outro a manteiga fresca. Cada elemento tem o seu valor, mas é na mistura deles que a tradição ganha forma. Para as mulheres Hammer, o cabelo é quase como uma assinatura, uma forma silenciosa de dizer quem são, de onde vem e no que acreditam. 앉 [Música]
11:18 Ah. [Música] Agora eu cheguei nessa esquina que tem um grupo bem grande de pessoas esperando para comprar um item bem especial que é vendido aqui. é vendido ali também na frente e inclusive aqui do outro lado, porém aqui atrás é o que tá mais movimentado. Isso significa que a pessoa
12:04 que tá vendendo esse produto é um especialista em manusier, em prepararé. E eu estou falando do tabaco. Todo mundo que tá aqui está atrás de tabaco, só que não é para utilizar da maneira que você conhece, não. É de uma maneira diferente que eu vou te mostrar agora. Para as pessoas da tribo Hammer, cheirar tabaco, inalar esse pó é mais do que um hábito. É quase um ritual. Eles misturam o fumo com cinzas de plantas e outras
12:51 ervas locais, criando uma espécie de rapé que é inalada direto pelas narinas. O efeito, segundo eles, um estímulo rápido, uma espécie de energia imediata que afasta o cansaço, espanta o sono e até a fome. Homens e mulheres consomem em público com naturalidade. Aqui vi gente rindo, compartilhando o fumo de mão em mão e até disputando quem dava maior cheirada, não é? Exatamente. Recreativo, é cultural, é coletivo e de certa forma conecta eles entre si e com algo mais profundo. Não tem glamur nem tabu, tem pertencimento, tem tradição. >> Então a maneira que os locais consomem esse tabaco é inalando, cheirando mesmo.
13:37 Aqui eu comprei um pouquinho dele. Ele coloca algumas coisas junto com esse tabaco. Tá bem fininho, parecido com uma farinha, ó. Só que marrom. Você deve pegar um pouquinho assim, colocar no nariz. >> Uh! Uh! >> Nossa senhora! Parece que eu tô cheirando pimenta. Queimou tudo. Queimou tudo por dentro. Imagina um um Vic Vaporube. Quando você pega aquele gelol, Vic vaporubi, põe
14:23 dentro do nariz, só que põe um pouquinho de pimenta também. Inala. Uau! Ah, olha o meu olho. >> É uma vez na vida. E olha lá. Tá bom. Não quero mais não. [Música] Cara, nossa senhora, tá queimando até agora. E confesso que eu fiquei até às 11 de tanto que ardeu o meu nariz. É a primeira vez na vida que eu coloco algo no meu nariz assim, sem ser sor, aqueles desentupidores. Então, para mim não é uma experiência
15:09 legal, mas o nosso amigo aqui me disse que eles consomem muito isso, porque isso dá energia também, é como se fosse um café e é viciante, né? Então, tabaco, imagina nó. Coisa bizarra, até a garganta fica arranhando. Isso para mim não tá aprovado não. Esse é um dos únicos postos de combustíveis aqui do Vale do Homo. E uma coisa que a gente descobriu agora é que nenhum desses postos aceita pagamento em dinheiro. Isso porque são lugares visados eh por pessoas maldosas que cometem furtos aqui nessa região. E nós paramos aqui, então, para abastecer o carro antes de seguirmos jornada para mais um lugar incrível que eu quero
15:56 mostrar pr você. E para pagar essa conta, é claro que eu vou usar mais uma vez o meu inseparável cartão da Nômade, que tá aqui na minha carteira digital no celular, porque com a Nôm tudo é mais fácil, prático e rápido. E ter uma conta internacional pode te salvar em lugares como esse, lugares isolados que você precisa fazer pagamento assim, além de ser super ultra mega seguro. Nôm é uma conta internacional com cartão de débito digital e físico aceito em mais de 180 países, inclusive aqui nos Confins da Etiópia. Olha que incrível. E se você quer facilitar a sua vida financeira, assim como eu facilito a
16:42 minha durante as minhas viagens pelo mundo, é muito fácil. Basta baixar agora o app da Nômade pro seu celular. E se você fizer isso e colocar o meu código que tá aparecendo aqui, ó, sou mochileiro 40, você ganha até 40 em cashback após a sua primeira conversão de no mínimo R$ 50 em até 15 dias depois que você colocar o código no app. Então não perca tempo, o link tá aqui na descrição desse vídeo e o QR Code também. Clica lá, abra a sua conta na Nômade agora e aproveite o melhor que o mundo tem a oferecer. [Música]
18:04 nos últimos 10 anos aqui no Vale do Homo, essa é uma atividade muito comum na beira da estrada. Isso acontece porque, como eu disse, recentemente, um grupo de crianças começou a se exibir em pernas de pau para alguns carros de turistas e eles chegaram à conclusão de que eles conseguem fazer uma boa grana fazendo isso. Então, essa atividade se tornou muito recorrente, principalmente aqui nesse trecho da estrada. E olha isso, cara. Olha o tanto que esses moleques são talentosos. Olha a altura dessas pernas de pau. Very impressive. >> Eles são de uma tribo que chama B. é uma
18:57 das eh 16 tribos que existem aqui e isso acabou se tornando uma profissão desses jovens aqui. Então eles ficam na espreita esperando os carros de turistas, como o carro em que estamos, ó, passar e eles param aqui e fazem o seu show. Eu achei muito massa, cara. Tem que tomar cuidado porque às vezes passam uns carros bem rápidos aqui. Eu tô curioso para ver como é que eles descem, ó. Let's see how they get off. [Música]
19:51 Very nice, man. Giantia. [Música] >> E a 20 minutos de distância daquele mercado que eu acabei de mostrar para você, depois de passarmos aí por várias estradinhas de terra, nós chegamos nesse vilarejo que chama Duble. É mais um vilarejo Hammer. E é aqui que a família daquele nosso amigo do Magu vive. E como você viu, nós compramos várias coisas naquele mercado para que a família dele pudesse preparar pra gente, nos mostrar um pouquinho da gastronomia local, da culinária local. Eles se ofereceram para
20:37 nos receber eh em sua aldeia. E cá estamos. E é um prazer para mim compartilhar essa experiência com você. mais uma imersão cultural comigo. Então vamos lá ver o que que vai sair desse encontro. Nós paramos o carro aqui, ó. E nesse vilarejo vivem mais de 6.000 pessoas. Então, tem casas ali em cima, tem casas ali, mais casas aqui. E, cara, tô muito, mas muito empolgado para mostrar esse lugar para você. Aqui vive o Magu, as três irmãs dele e uma tia. E a gente tava aprendendo algumas coisas
21:24 sobre a vestimenta. Eh, algumas mulheres Hammer usam uma saia de pele de animal, que significa que elas são casadas. As que utilizam uma saia de tecido são solteiras. Então, aqui é uma das irmãs dele. Você pode ver que ela tem uma saia de pele e isso mostra que ela é casada. Aqui o que elas estão fazendo é o zigo, uma comida normalmente consumida em cerimônias como casamento, aniversário. O que ela fez aqui foi colocar um pouco de farinha de milho misturada com farinha de sorgo. Ela coloca nessa cabaça, adiciona um pouquinho de água com sal e vai mexendo com as mãos até essa massa ir se quebrando por completo. Olha só.
22:11 E é uma comida que somente as mulheres podem fazer. Por isso que você não vê homens cozinhando eh na tribo Hammer, porque as mulheres são as que fazem a boa comida, segundo eles. >> Apesar de serem poucos ingredientes, é, e simples, é um processo demorado. Então tem uma técnica, né, pr tudo isso ser feito. >> E à medida que o tempo vai passando, vai chegando mais gente. E nós descobrimos que todas essas outras pessoas que estão chegando aqui são parentes dele. Ele tem um irmão que é filho do mesmo pai, porém
22:59 de mãe diferente, porque aqui eles são poligâmicos. Então, o homem ele pode ter até três esposas. mais que isso, se ele puder pagar por isso, porque tem o dot. O dot que normalmente é com pedaços de terra, plantações ou cabeças de gado. E apesar de ter vários frangos correndo aqui, ó, galinhas, eles não consomem carne de frango. Eles não gostam. Ninguém da tribo Hammer consome frango. Como assim? Temos que apresentar asinha de frango para eles. E não é uma questão religiosa, é uma questão de tradição. >> Voltando ao zigo, depois das farinhas serem misturadas com um pouco de água de
23:46 rio e sal nas cabaças, elas são transferidas para bacias maiores, onde continuam sendo massageadas, formando ainda mais grãos de massa. Em seguida, começa o preparo do cozimento. No chão batido, o fogo é aceso com gravetos e madeira seca. Dentro de uma grande panela, alguns galhos são colocados no fundo e sobre eles vai um pedaço de lona plástica que provavelmente já serviu como saco ou tapete para sentar na terra. Em seguida, um pouco de água é despejada no fundo da panela, ficando abaixo dos galhos. A lona apoiada nos galhos impede o contato direto com a água, como se criasse um piso suspenso dentro da panela. É sobre essa lona que
24:33 os grãos de massa, agora formados são cuidadosamente acomodados. No fogo, a água ferve, o vapor sobe e cozinha a massa lentamente, sem que ela encoste na água ou grude no fundo. E enquanto essa comida não fica pronta, olha só que legal. O que eu vou beber agora é o que está aqui dentro dessa cabaça que eles chamam de buno. Isso daqui é um café, na verdade é um chá feito com a casca das frutinhas do café. Eles torram essa casca, depois eles adicionam água e deixam ferver junto com a água e bebem em cabaças assim. Normalmente eles consomem isso pela manhã e também no final do dia, depois do trabalho e tal,
25:20 porque eles falam que essa casca do café traz uma energia diferente. Ao invés de te despertar, ajuda a relaxar. Olha que interessante. Então você relaxa antes de trabalhar e relaxa também depois do serviço. Então, ok. So, let's try >> buno. Ok, let's see. >> Para mim parece um café suave com um gostinho de chá. Então, uma mistura de café e chá, sabe? É bem bem saboroso e não precisa de açúcar. Olha a bebida aqui dentro. Catp,
26:08 que é delicioso na língua local. Eu achei muito saboroso e brincaria, ó, e beberia isso daqui fácil, fácil todos os dias. Isso aí, não desperdiçar nada do café. Eu gostei tanto dessa bebida que eu tô tomando a minha querta com buquinha. As mulheres e crianças da tribo Hammer também gostam de dançar e fazem isso quase todos os dias, pelo menos quatro vezes por semana, como um ritual. Elas se reúnem em roda, dão as mãos ou apenas se aproximam e começam a puler. É uma dança em círculo, simples, repetitiva,
26:55 quase como uma ciranda. Mas o que parece brincadeira carrega um sentido forte. é uma forma de liberar a tensão, de manter o corpo ativo, de renovar as energias. É também um momento de união, de pertencimento. Ali todo mundo importa, todo mundo participa. Não tem plateia, não tem espetáculo. É só o grupo, a terra, o corpo em movimento e a alegria de estar junto. [Música]
27:42 O Zigo ainda não tá pronto. Enquanto aqueles grãos de massa continuam cozinhando no vapor, começa a preparação de um molho que é essencial para esse prato. Alguns homens se reúnem para picar cebola, tomate e alho. Tudo na mão aqui mesmo com faca e tábua improvisada. Enquanto isso, algumas mulheres preparam mais zigo e outras começam a torrar e moer especiarias na pedra, cominho, semente de coentro e outras coisas. Tudo isso é misturado com óleo de cozinha e o famoso berbery, que é um tempero típico daqui, cheio de sabor e intensidade, que eu já mostrei no canal. No fim, quando a
28:29 panela já tá fervendo, ainda entra um pozinho que lembra um caldo nor em pó, só que local. Depois de um tempo no fogo, esse molho vermelho encorpado, é despejado sobre a massa já pronta, em grandes bacias. E finalmente o Zigo tá pronto. [Música] O momento chegou. Depois de muito tempo de preparação. Uma comida que parece ser simples, não é? Leva tempo. Nós estamos aqui há mais de 2 horas, quase 3 horas, esperando essa comida que tá muito cheirosa, ficar pronta. É uma comida que deve ser compartilhada, então você não
29:15 pode comer isso sozinho. Normalmente eles fazem em grandes tigelas para compartilhar com vizinhos, amigos e familiares. No caso aqui tem o quê? Umas 18 pessoas, acho que até mais, para comer, fora as crianças. E aqui do meu lado esquerdo eu tenho as irmãs do Muga, a sobrinha dele, e o Muga aqui do meu lado direito, Zigu, right? You guys eat this in celebrations, usually. É uma comida que eles consomem em dias de celebração, principalmente no dia da colheita, que seria tipo um dia de ação de graças. Então, meu amigo vai me mostrar como é que faz para comer. Eu acho que todo mundo vai passando a tigelinha, cada um vai pegando um pouquinho. So, can you be the first one? You are the first one. You are the the
30:04 one that invite me here. So, please. Is that approved? Olha o tanto de comida. Essa bacia tá muito pesada. >> Eu não vou ser sem educação. Vou falar primeiro as damas. So you ladies first. Can you tell them to go first? >> E o zigo é uma comida que você não encontra em restaurante. É uma comida tribal. É uma comida especialmente feita pelos >> membros dessa tribo. [Música] >> Tem tanto tempero aqui que eu contei que
30:50 eles colocaram além do tempero Bbery, que é o tempero principal do país, que tem mais de 15 condimentos, eles colocaram outros 10 ingredientes. Tudo tá presente, mas ao mesmo tempo suave. Tá parecendo um arroz temperado. Lembra na textura um cuscuz. Só que tem o gosto de >> cara um arroz com muita cebola, muito tomate, >> tem ervas aromáticas, tem muita coisa acontecendo na minha boca. Isso daqui é perfeito. Me lembra muito um arroz temperado, mesmo não tendo carne aqui, porque quando eu penso num arroz temperado, eu penso um arroz com frango ou algum outro tipo de carne que não
31:36 tem, mas tá trazendo muito essa lembrança justamente por causa dos ingredientes. [Música] >> Come on, go ahead. Só isso daqui eu tenho certeza que dá uma energia muito boa pro que eles fazem, que é trabalhar na lavoura, cuidar das cabras. E >> não é só aquela comida que enche barriga, é uma comida muito, mas muito saborosa, não deixa nada a desejar >> para uma comida de um bom restaurante. Sério, [Música] me surpreendeu demais >> e é uma das melhores coisas que eu provei aqui na Etiópia. Para mim o Zigu tá, ó,
32:24 >> super aprovado. Que comida boa. Easter is they are very good. Very good. This is delicious. I love it. One of the best things that I try here in Ethiopia so far. Not exagerat and not saying that are here. E assim, passando a bacia de mão em mão, eu encerro mais esse episódio aqui nesse país incrível. Eu espero do fundo do meu coração que você tenha gostado do que viu. Então se você gostou vai lá, mete o dedão no like, se inscreve no canal se você não é inscrito, que ainda tem muita coisa para eu mostrar para você daqui da Etiópia e de muitos outros países. Dito
33:11 isso, que os bons ventos continuem nos guiando sempre. Olha isso, cara. Olha que imersão cultural. Ah, não. Tô muito feliz. Obrigado por ter participado disso comigo. [Música]