Seminário: Inclusão e diverdidade na educação

BDB Cultural www.youtube.com

Breve Resumo

O vídeo apresenta um seminário sobre inclusão e diversidade na educação, realizado na Biblioteca Demonstrativa Maria da Conceição Moreira Sales (BDB). O evento, uma parceria entre o Instituto Incluir e o Ministério da Cultura, aborda políticas públicas, práticas pedagógicas e saúde mental nas escolas, com o objetivo de promover o acesso democrático à cultura e reduzir as desigualdades.

  • Inclusão e diversidade na educação são temas centrais.
  • Políticas públicas, práticas pedagógicas e saúde mental são abordadas.
  • Acessibilidade cultural e a importância do vínculo social são enfatizadas.

Abertura e Apresentação

A programação cultural da Biblioteca Demonstrativa Maria da Conceição Moreira Sales (BDB) é apresentada como uma iniciativa para todos os públicos, reunindo arte, cultura, educação, livros e pessoas. O objetivo é proporcionar experiências enriquecedoras, celebrando a diversidade cultural e o poder transformador das artes. A parceria entre o Instituto Incluir e o Ministério da Cultura torna possível a realização de contos, oficinas criativas, exposições e apresentações artísticas. A BDB se compromete a ser um espaço inclusivo, promovendo o acesso democrático à cultura e fortalecendo os encontros presenciais e virtuais da comunidade.

Início do Seminário

Marina Mara, da equipe BDB Cultural, inicia o seminário de inclusão e diversidade na educação, destacando a importância de reflexões sobre políticas públicas, práticas pedagógicas e saúde mental nas escolas. O evento é transmitido pelo YouTube, incentivando o compartilhamento e a discussão dos temas abordados. Marina convida os participantes a enviarem suas dúvidas para serem respondidas pelos convidados.

Apresentação dos Palestrantes

Marina Mara convida ao palco os palestrantes: Dr. Alanda Maceno, especialista em educação especial; Dra. Carina Alves, psicóloga e referência em saúde mental e inclusão; Nádia César, coordenadora geral de leitura e bibliotecas do Ministério da Cultura; e Aline Vasconcelos Zaimer, coordenadora de acessibilidade cultural do MINC. Eduarda Brum, educadora e pesquisadora, é convidada a mediar a troca de ideias.

Introdução ao Debate

Eduarda Brum se apresenta e explica o objetivo da mesa redonda: discutir as políticas, práticas e subjetividades implicadas na educação inclusiva. Ela destaca a importância de abordar a produção e aplicação de políticas públicas, a prática em sala de aula e a individualização do processo pelo sujeito incluído. Eduarda apresenta os palestrantes, detalhando suas áreas de atuação e contribuições para a educação inclusiva.

Apresentação dos Palestrantes e suas Motivações

Os palestrantes se apresentam, compartilhando suas motivações para trabalhar com educação inclusiva. Alanda Maceno relata a influência familiar e o convívio com pessoas com deficiência, que o levaram a focar no desenvolvimento de tecnologias assistivas e na inclusão no ensino de ciências. Carina Alves explica como a psicologia do esporte e o trabalho com atletas paralímpicos a aproximaram da educação inclusiva, enfatizando a importância do vínculo social e da saúde mental. Nádia César conta sobre sua trajetória como educadora e sua paixão por livros e leitura, defendendo o acesso democrático ao livro como um direito fundamental. Aline Vasconcelos Zaimer, que se tornou uma pessoa com deficiência em 2017, compartilha seu incômodo com a falta de representatividade e a importância de promover a cultura DEF e a acessibilidade cultural.

Dificuldades e Desafios na Educação Inclusiva

Os palestrantes discutem as dificuldades e desafios na educação inclusiva. Aline Zaimer destaca a importância de incluir pessoas com deficiência no processo de criação de políticas e combater a visão assistencialista. Nádia César relata a evolução do acesso ao livro e a necessidade de considerar a acessibilidade desde o início do processo. Carina Alves enfatiza a importância da saúde mental e do vínculo social para a inclusão, além da necessidade de combater a apatia e a exclusão. Alanda Maceno aborda a formação de professores, o financiamento para mudanças nos sistemas de ensino e a importância da cooperação intersetorial.

Estratégias e Propostas para a Educação Inclusiva

Os palestrantes apresentam estratégias e propostas para promover a educação inclusiva. Carina Alves sugere o uso de livros acessíveis com protagonistas com deficiência e a promoção do esporte. Alanda Maceno propõe a utilização do "Index para Inclusão" como referencial prático para pensar culturas, políticas e práticas inclusivas. Nádia César defende a importância de um cadastro robusto de bibliotecas e a promoção de ações de leitura e escrita que valorizem a acessibilidade. Aline Zaimer enfatiza a necessidade de garantir a acessibilidade nos projetos culturais e promover ações afirmativas para pessoas com deficiência.

Considerações Finais e Encerramento

Os palestrantes compartilham suas considerações finais, reforçando a importância da colaboração, da empatia e do protagonismo das pessoas com deficiência. Nádia César destaca a importância de dar o primeiro passo e fazer o possível hoje, mesmo em meio às dificuldades. Carina Alves enfatiza a necessidade de cuidar de quem cuida e de valorizar os sentimentos. Alanda Maceno defende a educação para a experiência e a emancipação. O seminário é encerrado com um agradecimento aos participantes e um convite para continuar o debate em outros espaços.

Apresentação Poética: Versos Inclusivos

O trovador e poeta popular Manuel Cavalcante apresenta seus "Versos Inclusivos", declamando poemas que celebram a cultura nordestina e homenageiam os debatedores do seminário. Ele compartilha os poemas "A Casa de Minha Avó" e "A Cegueira de João Grande", transmitindo mensagens de saudade, esperança e inclusão.

Encerramento e Agradecimentos Finais

A mestre de cerimônias Marina Mara encerra o evento, agradecendo aos participantes, convidados e à equipe da Biblioteca Demonstrativa. Ela reforça a importância de continuar o debate sobre inclusão e diversidade em diversos espaços e encerra com um trecho de um poema autoral, incentivando a inclusão como um caminho a ser seguido.

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Transcrição

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0:14 Er

12:56 Seja bem-vindo à programação cultural da biblioteca demonstrativa Maria da Conceição Moreira Sales, a BDB do Ministério da Cultura. Esta é uma iniciativa para todos os públicos, em que a arte, a cultura, a educação, os livros e as pessoas se reúnem para viver experiências inesquecíveis e enriquecedoras. A cada página virada, a cada verso recitado, a cada obra apreciada, a biblioteca se transforma em um verdadeiro palco de descobertas. Para o biênio 2024-2025, temos o prazer de apresentar uma programação que celebra a diversidade cultural, a inclusão e o poder transformador das artes. Tudo isso possível graças à parceria do Instituto

13:43 Incluir com o Ministério da Cultura. Prepare-se para mergulhar em um universo de contos, oficinas criativas, exposições e apresentações artísticas que vão emocionar e inspirar. Aqui cada evento é pensado com carinho para estimular o conhecimento, o diálogo e a inclusão, fortalecendo os encontros presenciais da comunidade e virtuais da sociedade como um todo, promovendo o acesso democrático à cultura e reduzindo as distâncias. Nosso compromisso é fazer da BDB um espaço onde todas as pessoas têm vez, onde cada visitante se sente parte de uma história maior. Junte-se a nós nessa jornada cultural e deixe se envolver pelas leituras, pelas artes e

14:28 as ideias que transformam. A biblioteca demonstrativa está de portas abertas para receber você. Venha descobrir tudo que a programação tem a oferecer. Juntos podemos construir um futuro com mais oportunidades e culturalmente rico. Afinal, a BDB é uma biblioteca modelo para o nosso país, onde a cultura une pessoas. [Música] O Instituto Incluir, junto à Biblioteca Demonstrativa e ao Ministério da Cultura, apresentam BDB Cultural. Que bom que você veio. Nós da BDB ficamos muito felizes. Aqui na biblioteca demonstrativa, o conhecimento

15:15 se mistura com a diversão. Além de ser um espaço perfeito para estudos, temos uma programação cultural incrível: visitas guiadas, cinema, música, teatro, oficinas, contação de histórias e até festivais. Tudo isso para você curtir a cultura de um jeito leve e descontraído. Vamos lá, então. Desliga o celular, fica à vontade e prepare-se. A próxima atividade está prestes a começar. Muito boa noite, meu povo. Sejam todos e todas muito bem-vindos ao nosso

16:01 seminário, ao nosso canal do YouTube, que cada dia apresenta para vocês aí uma atração diferenciada. Eh, com enorme alegria que daremos início ao seminário de inclusão e diversidade na educação aqui na biblioteca demonstrativa Maria da Conceição Moreira Sales, esse espaço que pulsa cultura, afeto e transformação desde 1970 aqui na capital federal. Eu sou a Marina Mara, faço parte da equipe BDB Cultural e eu farei a minha autoaudiodescrição. Eu sou uma mulher branca de cabelos bem

16:46 curtinhos e vermelhos. Estou trajando tênis astá. Estou trajando uma roupa preta por dentro de calças e um col um blazer cinza com algumas flores. Eu tô com brincos brancos imitando a folha da planta costela de Adão. Eh, nessa noite tão especial, seremos atravessados por reflexões urgentes, necessárias e sensíveis sobre políticas públicas, práticas pedagógicas e saúde mental nas escolas. Esse seminário está sendo transmitido aí pelo nosso canal do YouTube. Então, se você conhece alguém que se interesse aí

17:33 por esse tema, envia, mande poros seus grupos de WhatsApp e se você tiver aí a sua dúvida, pode mandar sim algumas perguntas que a gente transmite aqui pros nossos convidados. Eh, e assim para que essa ideia eee, esse a essa noite que eco que transpasse todas essas paredes e cheguem aí na sua biblioteca, na sua escola. Você pode assistir depois, você pode exibir aí na na sua sala, no seu grupo de leitura, porque dica boa é dica compartilhada. Então, gente, eu agradeço muito a todos vocês que estão aqui presentes, vocês

18:20 que estão assistindo a gente, e vamos dar início à nossa mesa redonda para darmos início a a esse bate-papo tão importante sobre políticas, práticas e subjetividades na educação inclusiva contemporânea, eu convido ao palco algumas vozes fundament mentais para pensarmos o presente, o futuro da educação no Brasil. Eu peço que suba o palco com muito entusiasmo, muitas palmas Dr. Alanda Maceno, por gentileza, palmas pro Dr. Alanda Maceno, professor da UNIRIO, especialista em educação especial. A

19:06 Dra. Carina Alves, por gentileza, psicóloga premiada pela UNESCO e referência internacional em saúde mental e inclusão. a queridíssima Nádia César, coordenadora geral de leitura e bibliotecas do Ministério da Cultura e Aline Aline Vasconcelo Zaimer, coordenadora de acessibilidade cultural do MINC, arquiteta e ativista da inclusão. almas para conduzir com maestria essa rica troca de ideias, eu chamo ao palco a mediadora Eduarda Brun. A Duda faz parte da equipe

19:53 BDB cultural, é educadora e pesquisadora em literatura pela Universidade de Brasília. Muitas palmas paraa Duda. O palco é seu. Assuma. Obrigada, Marina. Obrigada a todos e todas aqui presentes na biblioteca demonstrativa, a todas as pessoas que nos acompanham pelo YouTube, a todos os palestrantes aqui convidados por terem acolhido esse nosso convite. Muito obrigada pela presença de vocês que tanto nos enriquece. Eu começo por me apresentar. O meu nome é Eduardo Brum. Eu sou professora de literatura pro ensino básico. Eu sou mestranda em literatura no póslitch da Universidade de Brasília e eu colaboro

20:38 com a produção cultural aqui do projeto PDB Cultural, uma parceria entre o Instituto Incluir e o Ministério da Cultura. É com muita alegria que eu recebi esse convite para que a gente fale sobre inclusão e diversidade na educação, temas tão caros para mim pessoalmente e paraa minha formação acadêmica. Eh, eu eu preciso dizer que a nossa mesa tem por objetivo discutir as políticas, práticas e subjetividades implicadas na educação inclusiva dos dias de hoje. Isso quer dizer que o nosso debate tem tudo para ser muito interessante, porque parte não só da ponta da produção e da proposição da política pública que vai resultar inclusão e diversidade, mas pra sua aplicabilidade, pra prática, pro chão da sala de aula, passando também pela subjetividade, entendida aqui como

21:23 a individuação do processo pelo sujeito, incluído na ponta dele também. Então, pra gente começar logo, eu preciso apresentar os nossos convidados e a gente já dá início à nossa conversa. Alanda Macena, minha direita é pedagogo, psicopedagoga e doutor em educação pela Universidade Federal Fluminense, com ampla trajetória dedicada à inclusão e adversidade educacional. É especialista em educação especial, realizou pós-doutorados na UFPR e no Instituto Politécnico de Leiria em Portugal, com foco na inclusão de pessoas com deficiência. Como professor da UNIRIO, contribuiu paraa criação de cursos pioneiros em educação especial. atua em programa de pós-graduação e integra redes e associações nacionais e internacionais voltadas à educação inclusiva.

22:09 Karina Alves, também à minha direita, é doutora em educação pela UFRJ e mestre em Letras e Ciências Humanas. Essa é profissional multifacetada, psicóloga, escritora e docente no ensino superior com especialização em psicologia do esporte. Atuo em projeto de cooperação internacional na formação de professores para o paradesporto, comunicação acessível e qualidade de vida, sendo membro do Erasmus Esports da União Europeia. É a primeira brasileira premiada com prêmio Confuso de alfabetização UNESCO da China e finalista do prêmio Jabuti em 2022. Com mais de 20 anos de experiência como terapeuta social, atua na saúde mental, psicologia do esporte e inclusão, sendo psicóloga da seleção brasileira de boscha paralímpica. Integra também redes internacionais de direitos humanos e acessibilidade e é palestrante em

22:56 diversos países. A minha esquerda, Nádia César é, antes de tudo uma educadora com ampla experiência na gestão de políticas públicas para o livro e a leitura. É a atual coordenadora geral de leitura e bibliotecas do Ministério da Cultura. Ela atuou por mais de uma década no FNDE, liderando programas voltados à democratização do acesso ao livro em todo o país. É professora e defensora da leitura como um direito fundamental e um vetor de inclusão. E por último, Aline Vasconcelo Alzheimer. É arquiteta e urbanista formada pela Universidade de Brasília, servidora pública desde 2008 no Ministério do Meio Ambiente. Atualmente a Aline exerce função de coordenadora de acessibilidade cultural na Secretaria de Formação Artística e Cultural do Ministério da Cultura. Ela atua como conselheira no Conselho

23:41 Nacional de Direitos das Pessoas com Deficiência, o CONAD. Integra o grupo de trabalho de acessibilidade da FONART e é membra da Frente Nacional de Mulheres com Deficiência. Depois dessas dessas apresentações, eu me sinto muito, muito honrada de estar com esse time aqui ao meu lado. E uma vez apresentados nossos palestrantes, eu explico a dinâmica desse encontro. Eu vou propor duas ou três perguntas para que a gente comece comece o nosso debate. Então, a gente vai ter algum espaço paraa interlocução com o público também. Quem nos acompanha online pode mandar suas dúvidas que nosso time de mediadores faz com que elas cheguem até nós também. Bom, eu começo esse bate-papo fazendo uma pergunta que vai soar mais abrangente para que a gente conheça vocês para além da biografia. Eu sei que vocês propuseram alguns recortes

24:28 partidos da área de atuação de cada um de vocês em cada uma das instâncias em que vocês atuam. O Alan vai falar sobre inclusão e educação, desafios contemporâneos. A Karina sobre saúde mental e vínculo social na educação inclusiva. Nádia sobre leitura e bibliotecas como alicerces da educação inclusiva. Políticas públicas para o acesso democrático ao livro e a Aline vai falar sobre formação artística e cultural na educação. Eu sugiro que da direita paraa esquerda vocês façam esse exercício de se apresentar para aquilo que não foi dito pela biografia também enfocando essa área de atuação. gostaria de saber especialmente o que foi a coisa que os levou a trabalhar, não só com educação, mas especificamente com educação inclusiva na trajetória de vocês. Eu acho que a gente pode começar pela

25:14 direita, pelo Alan. Olá, boa noite a todos, todas. É um prazer estar aqui com vocês e sobretudo diante de mulheres tão empoderadas, né, que trarão para essa noite o brilhantismo dessa perspectiva de pensar, de pensarmos a inclusão nessas múltiplas instâncias e possibilidades. Bom, eh me atendo à pergunta, a minha atuação como professor se dá sobretudo por influência familiar, né? Eu nasci numa família de educadores, a minha mãe é professora. Eh, mas a atuação mais especificamente no universo da pessoa com deficiência, penso que tem uma relação direta com a minha experiência do grupo familiar, né? Eu sou eh tenho

26:01 parentesêcos, né, com pessoas com deficiência. Eu tenho um tio com paralisia cerebral e meu avô foi um homem cego. Então, ou seja, a experiência de convívio com a deficiência inaugura a possibilidade de eh ressignificar a nossa compreensão sobre humanidade. Embora a minha formação inicial tenha sido em física, né? Eu sou físico por formação, a minha primeira formação, né? né? Depois eu me tornei pedagogo e fui estudar psicopedagogia e e etc. Mas eh até quando eu me formei em física, a minha preocupação sempre foi em pensar desenvolvimento científico, tecnológico para o atendimento das demandas das pessoas com deficiência. Ou seja, eh naquele momento histórico, eu estava muito preocupado com o desenvolvimento

26:47 de do que chamamos hoje de tecnologias assistivas, né? tecnologias de apoio. Eh, inclusive esse foi o motivo pelo qual eh o meu trabalho final de curso teve uma interseção entre a educação especial e a física propriamente no aspecto do ensino de física, né? Eh, e depois eh resolvi de fato abraçar essa causa da inclusão, pensando que no curso de física, e eu me formei na Universidade Federal do Rio de Janeiro, naquele momento histórico, lá no curso de formação de professores, estava totalmente ausente o debate sobre a inclusão das pessoas com deficiência. Tô falando, né, dos anos 1990 alguma coisa, né, eh, já tem algum tempo, ou seja, né, eh, mais de 20 anos, né, certamente. E naquele momento histórico, hh, a minha a

27:33 ausência, né, é de fato, não é nem escassez, era ausência mesmo desse debate na formação de professores, me levou, me inquietou a pensar, bom, como eu posso me tornar um professor melhor? Eh, considerando que já no meu estágio supervisionado, eu tive a grata felicidade de atuar numa escola onde tinham alunos com deficiência já incluídos. Isso no final da década dos anos 1990. E aí eu falei: "Bom, eu preciso aprender mais sobre isso, né? já que a própria universidade que deveria, né, trazer na sua formação inicial conhecimentos dessa natureza, não os trouxe. Então, aí eu optei por fazer um curso de especialização e aí, enfim, acabei de fato me tornando um pesquisador, um investigador da área da educação. Eh,

28:18 mas olhando pro ensino de ciências nessa interface, naquele momento histórico, nessa interface com a a aprendizagem, né, e demandas específicas da aprendizagem. tempos depois eu acabo optando eh por ser um investigador do campo das políticas públicas de inclusão em educação, eh que é o campo que eu tenho atuado até hoje. Eh, boa noite a todas as pessoas presentes aqui também no YouTube. Vou fazer minha auto desescrição. Sou uma mulher branca de cabelos loiros abaixo dos ombros. Tô vestindo um vestido preto com chale off white, né, branco, talvez, e uma

29:05 bota marfim. Eh, finalizei minha auto descrição. Ai, Duda, primeiro também queria agradecer e e saudar aqui as colegas e também a Alan que estão comigo aqui nessa roda de conversa. Duda, uma querida nossa aqui da da biblioteca, né? Ia falar BDB, hábito. Eh, Marina, obrigada sempre por toda a organização e coordenação. Então, eh, eu acho que aqui não é só eu vou falar de saúde mental, né? Eu sou psicóloga e é aí que começa, né? Já respondendo um pouco do que a Duda tava falando, o que me une também à educação

29:51 inclusiva é a psicologia do esporte, né? Eu fui psicóloga da seleção brasileira de BOSA paralímpica. Trabalhei com quase todas as modalidades paralímpicas eh durante muito tempo. Eu estive imersa no universo do Paradorto. Então, a saúde mental, essa questão da psicologia, da saúde emocional, mental, que aí falando de vínculo social, né? é o esporte que me leva para esse lugar, porque eu comecei a entender o esporte não só como um esporte de alto rendimento e fui caminhar pro esporte de educacional, né, como uma via educacional e o esporte ele é pedagógico. Então, em algum momento eu trabalhei com atletas de alto rendimento, depois a minha carreira ela

30:39 se delineou pro lado lá das crianças e dos jovens. Então eu começo a entrar em contato com as crianças dentro da escola e aí crianças com isso em deficiência, jovens com isso sem deficiência. E quando a gente pensa no vínculo, né, a palavra vínculo, ela significa unir, né? e a psicologia, eh, e a saúde mental, pensando em saúde mental, que é um tema hoje que tá muito, né, em alta, vamos dizer assim, eh, quando a gente pensa em vínculo, a gente pensa em saúde, porque se a gente pensar, por exemplo, no encontro que a gente tá tendo aqui hoje, eh, se nós não estivéssemos juntas e juntos, né, nós não teríamos um vínculo e não teria eh o

31:24 evento, né, ninguém vive sozinho. Então, para que a gente tenha saúde, quando a gente fala de saúde mental, eu sempre dou uma provocada, porque geralmente quando a gente tem uma dor no joelho, a gente vai rapidamente ao ortopedista, né? Mas quando a gente sente alguma questão, né, que não vai bem na mente ou aqui no campo das emoções, dificilmente a gente procura um psicólogo ou um psiquiatra. Geralmente a gente chega ao estágio máximo para poder buscar a ajuda profissional. Então, eh, eu pergunto sempre, dou uma sempre uma provocada e vou deixar essa provocação aqui pra gente, que é o que você está sentindo agora. De pronto alguém consegue dizer em uma palavra o que você está sentindo agora?

32:15 Hum. É, a gente sempre demora um pouco, né? Porque a gente não não se investiga, né? A gente tem uma dualidade entre nós, né? Nós com nós mesmos, que é ai, não sei se é tristeza, se é angústia ou se é alegria, né? Se é medo. Então, a gente nunca se investiga muito por dentro, a gente tá muito para fora, né? Então, quando a gente fala em vínculo e aí educação inclusiva, pensando, por exemplo, numa criança dentro de uma escola, né? A gente, eu trabalho com vários projetos sociais, a, a Duda falou aqui, e por algum momento em terapia eu fui desmistificar essa questão, porque eu falei: "Ah, eu estudei psicologia, mas eu não sou mais psicóloga,

33:01 porque eu não estava dentro do consultório clínico. E eu entendi que o meu papel era de psicologia, de terapeuta social, né? Ninguém deixa de ser psicólogo quando tem uma formação. E aí eu fui entender como que eu poderia aplicar a psicologia dentro dos projetos sociais. E aí na investigação e aí fui mestrado em, né, ressignificação de identidade social de pessoas com deficiência antes e depois do esporte, depois do doutorado. Tá aqui meu meu querido e sempre orientador de doutorado para entender, né, as questões dos projetos sociais, eh, a promoção dos direitos, né, via parceria público-privada. E tudo isso e a gente vai entendendo como vínculo e a

33:47 gente vai observando as crianças, as pessoas, enfim, eh, como que através do vínculo a gente consegue fazer com que essa pessoa ou essa criança, vamos falar no campo escolar, tá? Se mantenha, por exemplo, dentro da escola. Vou dar o exemplo de uma criança com autismo, tá? A criança autista quando ela participa, por exemplo, eu vejo isso claramente nos projetos, né, de uma roda de leitura, tá? Ela cria vínculo com outras crianças, ela fica na escola, ela tem mais vontade de ir pra escola. Então, a gente pode abrir um leque aqui de discussões, né, por exemplo, sobre a evasão escolar, né?

34:34 Pessoas adultas quando vão resolvem estudar, né? Ah, eu quero estudar. Tenho 40 anos, mas quero estudar. Se ela não criar vínculo, dificilmente ela continua. a pessoa, qualquer atividade que ela vá fazer na vida dela. E aí, se a gente pensar, caramba, é realmente eu já entrei em um curso e eu saí, eu abandonei porque eu não criei vínculo com ninguém, nem com colega nenhum, nem com professor, nem com ambiente. Então, a importância do vínculo para fazer com que a gente se sinta pertencente. Então, o vínculo também nesse lugar de pertencimento e saúde mental também é pertencer, né? Quando a gente fala de

35:21 saúde é pertencer a algum lugar, né? Eh, e falar de inclusão, que aí eu tô fazendo, né, um paralelo aqui dos dois lados. Inclusão não é só a rampa e nem só o intérprete de Libras. inclusão é também o vínculo, é o amor que você tem pela pessoa que tá ao seu lado, é o acolhimento, isso também é inclusão. Então, só para contextualizar esse meu percurso, né, o que que une aí a psicologia, o vínculo, a saúde mental e vou deixar aqui a provocação, hein? Depois eu vou perguntar de novo o que que vocês estão sentindo. Boa noite aqui.

36:06 Boa noite todas e todos. agradecer pela pelo convite, por estarmos juntos, pela oportunidade de compartilharmos essa conexão, esse vínculo. Eh, e bom, eh, vou fazer a minha descrição. Eh, sou uma mulher branca, de cabelos curtos. Eh, tô vestida com macacão vermelho, um casaco preto e tenho brilho nos olhos quando eu falo de livro, de leitura e de educação. Bom, eh, eu sou uma menina do interior, eh, que cresceu com uma mãe professora. Eh, quando eu vim para Brasília e e estudava

36:53 por aqui, por essas redondezas ou quadradezas de Brasília, eu frequentava esta biblioteca demonstrativa. Isso é muito simbólico para mim. Eh, e foi uma bibliotecária que me disse: "Vai fazer letras, você nasceu para isso". E aí eu fui e eh fiz o meu curso de Letras na Universidade de Brasília e fui paraa docência, né? E aí a gente fiz o concurso da Secretaria de Educação daqui, demorou de sair, falei: "Vou fazer outros concursos". E aí surgiu um concurso de um lugar chamado FNDE, que eu não sabia absolutamente do que se tratava. Fá, vou fazer esse concurso porque Brasília é antes de tudo, um lugar de concurseiros, né? E então fiz o concurso e fui chamada antes de ir pra Secretaria de Educação. Estava eu trabalhando em uma instituição, um uma

37:39 autarquia pública federal. Falei: "É, é para eu sair da educação, tá vendo? É para eu fazer outra coisa. E para minha surpresa, o que a autarquia fazia era trabalhar para políticas públicas educacionais. E na nossa no nosso curso de formação, uma das a pessoa responsável pela política pelo Programa Nacional do Livro e do Material Didático, fez uma palestra, como todas as outras representantes. E aí eu fiquei encantada. Falei: "É sobre isso, né? Livro e educação juntos e eu podendo trabalhar para isso, né? Eh, então, eh, tentei ao máximo ir para essa área e fiquei nessa área por 16 anos trabalhando com a maior eh logística de distribuição de livros do planeta, né? Uma quantidade inacreditável para

38:26 qualquer país. A gente vai paraos outros países e fala da experiência do Brasil e todo mundo fica muito impressionado. Assim, a gente distribui no Brasil livros que corresponde a cinco países da Europa para cada um dos habitantes, dos bebês aos velhinhos, né? Então, o Brasil faz algo muito eh admirável no sentido dessa distribuição. E aí hoje eu estou no Ministério da Cultura trabalhando com livro, leitura e biblioteca, né? Eh, e aí eh eh esse viés da educação nunca saiu de mim. Depois eu fui chamada paraa secretária de educação, fui trabalhar e fui fazer mestrado em educação, né? Então, eh, a educação está em mim e é por isso que eu sempre me apresento dizendo que eu sou, antes de tudo, uma professora, né? lembro das brincadeiras infantis, era brincar de escolinha. Então, é uma coisa que tá muito presente na gente, talvez

39:12 por essa saga familiar. Mas, eh, nesses encontros em que a gente fala de de educação, de livro e e que eu tenho oportunidade de estar presente, eh eu busco sempre falar um pouco começando. E aí a Karina faz essa pergunta instigante pra gente que ninguém nem dá conta de responder, né? Eu eh eu busco sempre falar um pouco, começar falando do que eu tô lendo, porque eu acho que se a gente defende a literatura, a arte, a cultura, a gente tem que começar trazer para paraa cena sempre aquilo que nos faz nos dá um prazer a partir dessa dessa perspectiva. E, e aí eu queria contar para vocês que eu tô lendo um livro Chumbo, que é da Virgínia Ferreira, uma colega querida no Ministério da Cultura, eh, e que, eh, é uma obra fantástica, rica, fala muito

40:00 dessa, eh, desse encontro de gerações, como fala dessa dor que foi, né, a repressão militar, aqueles tempos de chumbo mesmo. Mas antes de tudo fala de como a gente está envolvido nessas lembranças, nesses traumas e nesses processos. Carina, tão psicológicos e tão emocionais, né, que nos vão nos formatando enquanto ser humano. E aí quando a gente fala de educação ou de inclusão, a gente precisa mesmo olhar para esse viés. Eh, e é muito importante ouvir a tua fala aqui nesse sentido de vamos olhar também para esta, para esse outro aspecto, né, que não é uma dor no joelho, mas é algo muito mais importante e que talvez impacte a dor no joelho e todas as outras outras limitações que a gente acaba adquirindo ao longo da vida.

40:47 E aí a perspectiva que eu tenho é que a gente consiga hoje trazer um pouco desses olhares e dessas experiências que temos nos nossos lugares de fala. Eu brinco que eu sou a burocrata dos processos, né? Qual é sua profissão? Eu sou burocrata. Porque a gente acaba eh se envolvendo nesse fazer do Estado que é diferente, né? Que é diferente da da tua experiência, da experiência do Alan eh na pesquisa, eh enfim, da Aline com essa representatividade. Eh, então a gente tem lugares de falas muito específicos. Eu espero que hoje a gente consiga, então, caminhar nessa eh riqueza de olhares para eh criarmos essa conexão e essa, né, eh eh um vínculo que que mostre para para quem tá nos assistindo um pouco eh do que do

41:33 que se faz e de como se faz em cada um desses dessas frentes, né? Obrigada. Boa noite a todos, todos e todes. Meu nome é Aline Zaimer. Eu vou fazer minha áudio desescrição. Eu sou a mulher branca de cabelos ondulados na altura do ombro, eh, castanhos. Eh, eu sou uma mulher de estatura de 1,65. Atualmente eu falo isso porque eu posso escolher a minha altura, porque eu sou uma mulher com deficiência, eu utilizo prótese nas duas pernas, abaixo do joelho, elas são pretas. Eh, sou tetraamputada, também tenho os dedos das mãos amputados, eu só tenho

42:21 polegar direito. Eh, eu utilizo um óculos de grau com armação vinho e hoje eu estou vestindo uma blusa preta com casaco preto e uma calça estampada com desenhos de tucanos eh na cores marrom e bege. E também tô com um tênis preto. E o meu sinal em Libras é mulher de ferro. Foi dado por um meu colega de trabalho, Valdo, eh, que é um é uma pessoa surda e que a faz referência a uma mulher de luta, uma guerreira e também referência às minhas próteses, que são as pernas de ferro, como dizem meus filhos.

43:08 Eh, eu sou então uma mulher com deficiência. Eu me tornei uma mulher com deficiência em 2017 e até então eu não tinha muito contato com pessoas com deficiência, a não ser um vizinho meu. E a partir do momento que eu comecei a fazer a reabilitação no Sara Club Cheque e comecei a participar também de esportes e fui atleta de alto rendimento de natação na equipe aqui de Brasília. E ali eu comecei a ter contato com várias pessoas com deficiência de vários tipos, né, vários tipos de deficiência. E sempre me questionei

43:54 por que em outros lugares não tinham mais pessoas com deficiência. Cadê essas pessoas, né? Elas não existem. Eu nunca tive contato nas escol na escola durante toda a minha vida e só fui ter quando eu adquiri uma uma deficiência. Isso para mim eh é um incômodo muito grande. Em qualquer lugar que eu vou, normalmente eu sou a única ou uma das únicas pessoas com deficiência do lugar. E por que isso? Por que que a gente não tá presente nesses lugares, né? Eh, e durante essa minha trajetória do de atleta, eh, a gente percebe que não é tão difícil assim como as pessoas pensam. lidar com as pessoas com deficiência.

44:42 Quando a gente se reunia para campeonatos, normalmente era no Centro Paralímpico de São Paulo, que tem uma estrutura totalmente acessível, né, e que abarca todos os atletas durante uma semana, às vezes, para pra participação de de campeonatos. São muitas pessoas com deficiência juntas no mesmo lugar. Isso. Várias pessoas com deficiência física, visual, eh intelectual, então autistas, síndrome de Dal, tudo tá ali. E aí a fico me questionando como é que nas escolas ainda querem colocar limite de pessoas com deficiência em nas matrículas das

45:28 escolas, né? Por quê? Porque assim, a gente lá no comitê paralímpico, a gente conseguia conviver numa boa, sabe? não tinha tanta assim eh tantas questões para lidar com as pessoas com deficiência, porque nós e e o mais engraçado é que a gente se dá se a gente lida muito mais um a gente com a gente mesmo do que quando vem uma pessoa com deficiência de fora. Ai não sei, não sei como fazer com você, não sei como que como é que eu vou lidar, como é que eu falo, como é que eu me comunico, né? Eh, e paraa gente é tão natural, é tão natural porque a gente entende o lugar do outro, a gente entende como que ele,

46:14 ele mesmo me diz como que precisa, como, como que ele se sente. Ele é uma, é uma troca, não é? Normalmente a gente a gente vê as pessoas sem deficiência querendo saber mais e querendo dizer a partir da do da perspectiva dela como eu vou tratar uma pessoa com deficiência. E não é bem assim, né? Eh, na verdade falta escuta, falta interação. E aí seguindo, eu sempre eu já eu sou concursada do Ministério do Meio Ambiente desde 2008, então, antes de adquirir a minha deficiência, eu já trabalhava no Ministério do Meio Ambiente. E em 2023 eu fui convidada pelo, fui requisitada pelo Ministério da Cultura para trabalhar com acessibilidade cultural.

47:01 Antes disso, eu sempre fui ativista por causa desse incômodo de de qualquer lugar que eu ia não achava, não tinha pessoas com deficiência, somente lá no no comitê, né, no centro paralímpico. Eh, e isso me incomodava demais. E quando me fui convidada para assumir esse cargo de coordenação de acessibilidade cultural, eh para mim, eh, ao mesmo tempo que eu pensei: "Nossa, vou representar muita gente, né, dentro do Ministério da Cultura e não sei se eu sou capaz de representar tanta gente, porque nós somos muito diversos, né? Mas eh é a oportunidade que eu tive, se eu tive essa oportunidade de tá lá,

47:49 então eu vou fazer eh o que eu puder para poder representar essas pessoas. E a partir de então eu comecei a escutar muita gente, a escutar os artistas com deficiência, a escutar quem trabalha com a formação artística e cultural lá na ponta. Então a gente, eu participei de vários seminários. Hoje eu conheço vários artistas com deficiência que tá trazendo já há muito tempo e que a gente vem descobrindo agora, achando que tá que é recente, mas não, já há muito tempo eles já estão lutando pelo seu lugar dentro da cultura, eh, trazendo conceitos novos como cultura DEF, artista DEF, ancestralidade DEF, eh,

48:36 a cultura do acesso, derrubando conceitos, inclusive como de inclusão, que para eles eh inclusão e e eu concordo, eh parte de um pressuposto que eu tenho um mundo feito para pessoas sem deficiência e eu vou incluir uma pessoa com deficiência que tem uma outra cultura que é a cultura DEF, que a gente chama, dentro de uma cultura de pessoas sem deficiência. E aí acaba a gente se adaptando a uma cultura que não é nossa e aí falta o respeito à nossa cultura, né? Então, quando a gente fala de cultura DEF, a gente tá falando de um modo de existir, de ser, de estar no mundo, que é específico, específico de

49:22 corpos com deficiência, seja ele uma deficiência visual, eh, auditiva ou física, cada um tem a sua especificidade e cada um tem a sua forma de vivenciar o mundo. E isso tem que ser respeitado. E quando a gente faz uma analogia assim muito básica com uma cultura indígena, por exemplo, eh, a gente já sabe que a cultura indígena tem as suas especificidades, tem o seu seus hábitos, né, sua maneira de fazer as coisas. Eh, e isso não é questionado, né? A gente não quer mudar a cultura indígena. A gente quer respeitar do jeito que ela é, porque ela tem que existir e ela faz parte inclusive da nossa história. A cultura DF é a mesma coisa. A cultura

50:09 def é um modo de viver diferente. Então, eh, não é só colocar o intérprete de Libras e dizer pro surdo pode vir que vai ter tradução. Não é não é só isso, né? É um respeito à cultura surda, por exemplo. É respeitar e valorizar uma cultura que é produzida pelos surdos. E por que que nós pessoas com eh vocês, pessoas com sem deficiência, eu ainda tô meio confusa, eh não consomem cultura def. Cadê a cultura DEF dentro da cultura, né? Cadê os artistas com deficiência dentro dos festivais? Cadê os artistas com deficiência dentro das escolas ensinando o que é cultura défil? O que que é acessibilidade

50:54 cultural, né? Acessibilidade cultural. Hoje a gente é um conceito que não é só acessibilizar, não é só dar o acesso à cultura à pessoa com deficiência, mas considerar ela como protagonista, considerar ela como fazedora de cultura também, né? E e um outro conceito também que é é bastante discutido é a cultura do acesso, que aí quando a gente fala de inclusão, que na verdade a gente não quer mais inclusão, a gente quer implosão do sistema, a gente quer começar do zero, a gente quer uma cultura do acesso, que é implantar na nossa cultura como algo, como um hábito, né? o acesso, que o acesso já esteja

51:39 presente desde a concepção de qualquer coisa, não é? Não vou pensar em acessibilidade ou acessibilizar algum ambiente ou um evento no final lá na no quando já tá tudo acontecendo, porque primeiro vai ser mais caro e segundo que eh não vai ser com qualidade, né? Vai ser uma coisa assim improvisada. E aí a gente não tá pensando exatamente nas pessoas com deficiência nesse caso, né? Se a gente tá pensando que ela tem que se sentir pertencente, então esse acesso tem que ser tem que ser pensado desde o início. E que não é um luxo, não é um privilégio, é um direito. Eh, porque é isso que a gente enfrenta

52:26 às vezes para discutir sobre acessibilidade cultural dos gestores culturais. Ah, é porque eu, como se fosse um favor, não é um favor, é uma obrigação do Estado, é uma obrigação de todo mundo garantir que as pessoas com deficiência estejam presentes em todos os lugares. É isso, gente. Obrigada. Obrigada. Eu aproveito e faço minha autodescrição. Eu sou uma mulher branca de cabelos curtos que usa uma roupa preta e um blazer de linho branco bege. Tenho 20 e poucos anos e 1,70 de altura. Eu agradeço a todos vocês pela pela formação de vínculo justamente que só

53:12 vem da vulnerabilidade que é a gente acessar a própria história e compartilhá-la. Muito obrigada a cada um de vocês. E Aline, você começa a responder a minha próxima pergunta que é vir justamente nessa direção. Em cada uma das perspectivas que vocês trouxeram, seja o Alan com as tecnologias assistivas e a ausência de debate nos anos 90 e a dificuldade do debate até hoje, eu acabo de sair da licenciatura e seri que ele ainda em engatinha. a Karina que fala sobre a proposição de um vínculo para que a para que a criança no âmbito educacional se mantenha na escola. E a dificuldade de se pensar isso de modo sistêmico em todas as escolas com esses absurdos, por exemplo, de bom, é preciso haver um limite, uma espécie de limite para essa

54:00 essas crianças. A Nádia quando fala sobre política pública e fala que o Brasil tem o maior a maior logística de distribuição de livros do planeta, me chama muita atenção porque eu me lembro imediatamente daqueles índices terríveis que sempre nos assombram de que o Brasil lê menos e nunca se leu tão pouco no país. E a Aline já começa a dizer também sobre essas dificuldades. Fala-se sobre formação artística e cultural como modo de criar uma cultura do acesso que seria capaz de fazer alguma coisa acontecer na direção da mudança, mas ainda assim se tem muitas dificuldades. Pergunto então a cada um de vocês, começando por você, Aline, à minha à minha esquerda, sobre justamente isso, quais são as

54:47 dificuldades e de que modo? Evidentemente que é um problema sistêmico enorme. De que modas a gente pode começar a pensar em combatê-las no âmbito das pesquisas e do campo de atuação de vocês? E aí os convido a falar um pouco mais sobre as especificidades dessa atuação, que dificuldades vocês já encontraram pelo caminho e que e que propostas, de que modo a gente pode ser mais propositivo para resolvê-las, como vocês as percebem, certo? Eh, a gente encontra muita muita dificuldade ainda eh de inserir eh efetivamente as pessoas com deficiência no fazer, né, no fazer da política, inclusive, né, em todo o processo. Porque se a gente tá falando das pessoas com deficiência, é importante que elas

55:34 estejam presentes em todo o processo, né? Porque só nós podemos falar de nós, né? Então, nada sobre nós sem nós vem daí. Eh, e aí a gente ainda vê uma cultura de olhar de cima para baixo. A gente vê ainda muitas pessoas sem deficiência falando por pessoas com deficiência. E e aí essa eu acho que é a maior dificuldade, a gente sair desse dessa visão assistencialista e e entrar numa num protagonismo da pessoa com deficiência de fato, né? e como que a gente está tentando eh combater, né, esse essa visão que é tão

56:20 estruturada, né, ainda, esse capacitismo, né, que é o preconceito contra a pessoa com deficiência, ainda é estrutural, né? Então, a gente, como é que a gente tenta, eh, driblar isso, né? a gente tá tentando dentro do Ministério da Cultura, a partir de normas, né, instruções normativas em que a os o fomento cultural eh tanto legisivo, o plano, o plano nacional Aldir Blanc, eh a lei Juanê, ela a lei Paulo Gustavo, todas elas têm instruções normativas que eh obrigam que se tenha acessibilidade nos processos, nos projetos culturais e não só acessibilidade ade tem também as ações

57:05 afirmativas que garantem a participação como protagonista das pessoas com deficiência. E para além disso, a gente também tem lá na CFI, eh, na nossa secretaria, a gente tem um projeto que ainda tá em processo, mas ele começou no ano passado, que é o mapeamento acessa mais o mapeamento, um cadastro nacional de artistas com deficiência, agentes culturais com deficiência e também fornecedores de acessibilidade cultural com ou semeficiência. Por quê? Porque a gente para fazer qualquer política pública, a gente precisa de dados. E a gente não tem esses registros eh de qu como quantos são, quantos somos, o que

57:52 fazemos, onde estamos, né? Então esse cadastro ele veio muito para dar essa noção, esse diagnóstico do que a gente tem hoje, né? E justamente para mostrar assim que a gente existe, a gente tá aí, tá produzindo, mas por que por que, né, que a gente não tá aparecendo, não tá ganhando essa visibilidade aí no meio cultural. Então, eh, foi um cadastro feito num site totalmente acessível. Eh, e aí entra também uma dificuldade que no próprio Ministério da Cultura a gente não tinha site acessíveis que pudesse utilizar totalmente acessíveis, né? Eh, então a gente para fazer esse projeto, a gente fez uma plataforma específica,

58:38 criou uma plataforma específica totalmente acessível para as pessoas com deficiência poderem se cadastrar e não ficar dependendo de ninguém para poder se cadastrar. E mesmo aqueles que tivessem dificuldade, tem tinha pessoas para dar apoio para fazer eh o cadastro junto. Eh, e aí a gente também abarcou várias intersecções, né, eh interseccionalidades. Então, a gente também eh eh pegou dados de eh raça, etnia, região onde mora, né, a qual era a renda e tudo isso pra gente porque a gente pessoas com deficiência, ela também são pessoas com deficiência negras, são também pessoas com deficiência indígenas, a gente tá também espalhada aí pelo Brasil inteiro e tudo isso, essas interseccionalidades às

59:24 vezes eh são opressões que são somados a uma pessoa só, né? E aí talvez uma pessoa, uma mulher negra com deficiência, eh, tenha mais dificuldade ou menos oportunidade de acessar os editais, por exemplo, né? Ou ou um formação artística. E aí, então, tudo isso foi feito até janeiro do desse ano e a gente tá no processo de compilação desses dados e que provavelmente até o final do ano a gente já tem o resultado, os gráficos, né, de do de todos esses dados, desse cadastro que a gente fez. E foi eh

1:00:10 um desafio, porque ainda qualquer política voltada para pessoa com deficiência ainda tá nesse nesse viés assistencialista e a gente não tem tanta visibilidade quanto as outras políticas, né, assim. Então, eh, eu, a, a nossa maior dificuldade foi a divulgação mesmo, que eu acho que poderia ter sido bem maior, né? Mas assim, como não somos prioridade, somamos prioridade só na palavra, eh, ficou um pouco a desejar assim, mas ainda assim eu acho que a gente a gente atingiu um número bom e isso também é um

1:00:56 é uma um resultado, né? Eh, assim, por que eu acho que a gente poderia ter alcançado mais, né? Mas por que que não alcançamos? Também vai ser analisado isso no relatório, mas já é um, eu acredito que é um ponto eh é um, é um pontapé inicial, né, de paraa elaboração de políticas públicas efetivas para pessoas com deficiência. Obrigada. Eh, dizer primeiro que é um orgulho trabalhar com Aline. A gente tava comentando aqui que a gente não tinha se encontrado ainda no ministério, então essa foi a oportunidade da gente se conhecer e eu entender, aprender tanta coisa em tão

1:01:43 pouco tempo. Assim, obrigada, Len. Eh, eu eu tenho uma experiência de de de frustrações e esperanças nessa área, porque eh trabalhando com conteúdos, né, didáticos e literários por muito tempo, mas eu tô falando de conteúdos de distribuir esses conteúdos, de viabilizar esses conteúdos, não de produzi-los, mas de fazer chegar a milhões de estudantes, né, a 30 milhões de estudantes no Brasil inteiro. Eh, a essa essa questão da inclusão e da acessibilidade parecia um fantasma. Eu tenho 20 e poucos anos também, tá? Mas na sociedade

1:02:28 em que eu fui eh educada e que eu frequentei as escolas e tal, não existia a pessoa com deficiência, porque a pessoa com deficiência estava em casa guardada sete chaves. Então a criança Nádia e as crianças da minha geração de 20 e poucos anos, estas não tiveram a oportunidade de ver o mundo como ele é, né? Então, a gente tinha contato com deficiência da pior maneira possível. E aí você cresce saber como lidar com isso, sem saber como esta deficiência sua eh de socialmente não saber conviver, o que é natural, por exemplo, entre duas pessoas com deficiência que já sabem, né, ter a empatia de saber

1:03:15 construir esse lugar. por exemplo, essa fala da Aline que diz assim: "Não, mas cada deficiência tem a sua eh a sua peculiaridade e não vai ter receita, né? eh eh inclusive eh uma mesma deficiência em pessoas diferentes tem percepções e sensibilidades diferentes. E aí a gente do lado de cá do mundo cartesiano, não deve ter um manual, né, de saber fazer a coisa certa aqui. E eu não passei por esse manual, eu não fiz essa aula, então eu não posso eh eh querer entender desse processo, que ele é complexo demais para mim. E aí isso nos limita enquanto pessoa, né? E aí trabalhando com o livro, eh o livro não estava acessível. E aí, eh, havia um movimento e um esforço de muitos anos de preparar esse livro ou alguns deles em braile para os

1:04:02 meninos com cegueira e apenas, né? Porque nem baixa visão muitos não tinham acesso a Braille. Eh, é um código complicado, né, que você tem que ir sendo, eh, digamos alfabetizado em bral para ter sensibilidade de ponta de dedo, enfim. E e eram só alguns livros, porque o processo de BR era absolutamente manual, feito, né, de forma bastante artesanal. E aí a gente foi tentando entender esse processo e foi uma experiência muito rica na minha vida, porque ninguém sabia fazer, não é que existia um modelo e ninguém queria adotar ou que alguém sabia as respostas e a gente só tinha que reunir quem tinha essas respostas. Ninguém tinha essa resposta porque a gente precisava, a gente precisa produzir anualmente 150 milhões de livros para distribuir

1:04:49 pelo Brasil e eles tinham que estar, impossível eles estarem em Brail. E aí eu tô falando de um atendimento básico, né, e muito pontual, que eh hoje é o que mais aparece no censo, é a cegueira, né, no senso escolar é o que mais aparece, então era o que mais gritava. Eh, e não aparecer também é um sintoma, né, Aline? Então, a gente foi tentar construir esse modelo e chegamos à conclusão. Bom, quantas vezes eu ouvi falar desse livro universal, né, que atende a todo mundo, um livro que chega para qualquer deficiência e e e que atende a qualquer necessidade, mas ele não é palpável, né? Ele não é possível, porque eh quem fala de um livro universal não entendeu isso que vocês já entenderam que as

1:05:34 necessidades elas são muito diferentes, né? E e aí eu aprendi da pior maneira que era esse o caminho Aline, que a gente precisava ter no começo do processo essa visão da acessibilidade para que a gente pudesse sair do outro lado com algo realmente de qualidade. Porque quando você faz a coisa e depois você torna, pensa num conteúdo didático, você produz e depois você vai lá e e tenta colocar no braile. Tem atividades, por exemplo, que não se encaixam no BR porque elas têm referência absolutamente visual, né? porque o objetivo é visual. Então, eh, como é que a gente repensa isso? E aí vai fazer o caminho contrário, né? Então, eh, foi uma experiência muito rica no sentido de que, primeiro a gente não vai começar

1:06:19 chegando no ideal, a gente precisa dar o primeiro passo. Eh, tem gente, todo mundo quer que aconteça, mas eh não é simples e não é fácil. a gente precisa estudar, a gente precisa ter indicador, a gente precisa se aprofundar, a gente precisa ter um cadastro básico, né, do que de do que universo é esse que temos. Então, eh, eu acho que evoluímos ali até onde eu pude caminhar para desenvolver um novo modelo de braile. Então, eh, a gente desenvolveu nos últimos 6, 7 anos aí um modelo novo de braile que permitia que o mesmo livro que ia pro menino vidente fosse também pro menino cego, porque isso não acontecia, né? E aí, como é que você tá cego numa sala e você recebe um outro livro que o professor tá

1:07:05 falando de uma outra coisa? Eh, é absolutamente, né, absurdo para um processo educacional. Eh, por outro lado, a gente viu que era inviável fazer transcrição dos livros todos literários para BR, que a gente não ia conseguir entregar nunca. Eh, e não é só entregar, é fazer uma avaliação para ver se aquela transcrição tá adequada, porque acontece muito isso. Eu acho que vocês já já lidaram com isso, de ter uma entrega que se diz acessível, mas que tem uma qualidade péssima e que mais prejudica do que ajuda, né? Eh, então isso também é um desafio. Tem que haver também o avaliador, né? No caso do livro em Braile, tem que ter uma pessoa cega avaliando para saber a qualidade daquilo. Então a gente foi também eh construir esse mercado de

1:07:51 profissionais especializados em Brail. E isso foi muito bom, porque aí a gente teve várias pessoas cegas aprendendo eh e e tendo uma profissão. E por outro lado, a gente viu que era impossível a gente alcançar todas as necessidades, inclusive aquelas intelectuais, aquelas eh sensoriais e múltiplas que tem dentro da escola, mas que a gente podia tinha que chegar em algum lugar, né? E aí a gente começou a desenvolver dentro do livro digital essa essa essas possibilidades de acessibilidade, né? E e aí é um caminho gigantesco, gigantesco, porque por mais que as pessoas sejam especialistas, a gente tá tão no começo dessa dessa desse aprendizado, eh, que tudo é um caminho de a certa erra vai de novo, volta. Eh,

1:08:39 mas eu tenho, eu sou muito assim, eh, eh, otimista, né? Eu sou um otimista de plantão. Então, eu acho que a gente viveu na barbárie por muito tempo, sabe? quando a gente olha inclusive a forma como pessoas com deficiência eram tratadas na minha infância na televisão, sabe? É assustador quando a gente olha para trás. Eh, e aí quando a gente pensa que a gente já esteve na barbárie, que hoje a gente eh tenta fazer juntos um trabalho de transformação dessa sociedade, porque aí você fala que tem que implodir, começar do zero, né? a gente não consegue fazer isso, mas com esses cacos que temos, como é que a gente caminha para a construção de algo realmente verdadeiro, realmente factível, realmente de realmente eh que a nossa sociedade mereça, né, com

1:09:24 respeito e com e com funcionalidade. Eu acho que a gente já caminhou muito nas universidades, por exemplo, a gente caminhou na pesquisa, né, eh na na nas instituições públicas, a gente vê esta presença representativa que é mínima, mas que hoje existe. Então, como eu vim do caos, né, eu vejo sempre esse lado positivo de perceber que bom que a gente tá aprendendo junto, assim, que bom que o meu filho na escola tem acesso a essa informação. Tem uma semana que trata disso e que leva pessoas como a Aline, que são extremamente inspiradoras e conhe conhecedoras do processo e que vai lá e que fala pro menino uma coisa que eu aos 40, não, aos 20 e poucos anos não tinha ouvido, né? Então, a gente fica muito otimista no sentido de que estamos amadurecendo. Talvez a gente não tenha chegado aqui no no nos passos que a

1:10:13 gente precisava, mas eu acho que a gente tá num esforço coletivo de fazer diferente para essa pauta e para outras também. E aí quando eu olho, por exemplo, aonde estou agora no Ministério da Cultura, eh, e e a Duda falou isso, né, de de como no teu fazer essa coisa, né, da educação, da inclusão, eh, e, e das políticas públicas caminham, eh, a gente fica pensando numa inclusão absolutamente especializada de um livro digital em HTML, né, que seja capaz de de ter audiodescrição e uma série de outras possibilidades. Mas ao mesmo tempo, quando a gente olha para a a realidade de um Brasil nosso continental, a gente não tem nem bibliotecas em todos os municípios

1:11:00 brasileiros. Nos faltam coisas básicas de cultura e de educação. Tem escola que não tem luz. Então, a questão da inclusão e do acesso especialmente, ela tá permeada em toda a sociedade. Então, eh, se isso não é bom, não é bom para mais gente, né? E aí no meu lugar de fala hoje, cuidando do livro da da da leitura e da biblioteca, a minha missão hoje no Ministério da Cultura é trabalhar com os colegas para que a gente consiga chegar num cadastro palpável, efetivo e robusto, né, sensitário até das bibliotecas que existem no Brasil, inclusive aquelas comunitárias que são ocupadas pelas

1:11:47 pessoas da vida real e que fazem isso a a a cultura acontecer localmente. de forma bastante eh natural, né? Eh, como é que a gente tem uma uma biblioteca demonstrativa como essa, como referência internacional para experimentação, né, para para regulamentação inclusive, inclusive arquitetônica, né, para ser essa referência para outras bibliotecas do Brasil e do mundo. como é que a gente consegue fazer o recurso da cultura chegar nessa biblioteca para que ela possa, por exemplo, se reestruturar arquitetonicamente, mas que ela possa também ter profissionais com deficiência para que ela possa ter conteúdos que interessem a essa pauta, para ela ocupar eh esse espaço de cultura que a biblioteca é eh naturalmente eh

1:12:35 detentora dessa discussão, né, com a comunidade sobre sobre inclusão. É, como é que a gente faz esse recurso chegar lá, né? E inclusive os recursos da Udin Blan, né, que hoje tem 3 bilhões nos municípios. Então o nosso esforço é para que esses entes federados, municípios e estados, olhem para esse recurso como uma possibilidade de trazer a biblioteca para esse fortalecimento. Eh, e e eu acho que que isso vale muito a pena. Eh, hoje a gente aqui na biblioteca a gente fez o lançamento de um prêmio, é o prêmio Viva Leitura. E aí, eh, a ideia é reconhecer ações de leitura, de escrita, de de fomento a esse mundo do livro, da leitura. Eh, e aí tem o item lá que a gente põe o seguinte, eh, tem bônus para

1:13:21 ações nesse sentido das comunidades, no sistema prisional, eh, nas bibliotecas comunitárias que olhem paraa acessibilidade, porque é difícil levar leitura e livro e cultura eh eh de forma eh estruturada nesse país. E aí quando você consegue fazer isso ainda com acessibilidade, você tá tem que estar à frente, né? Então o prêmio também leva isso em consideração. E aí esse é muito legal porque não é só o dinheiro em si que vai para aquela, é a visibilidade para que elas são, né? É a inspiração para outras comunidades fazerem. Então eu fico sempre olhando pro retrovisor e pelas dores que vivemos, mas sempre com muita esperança assim, sabe, de que a gente eh tem construído, especialmente nesses nesses

1:14:08 últimos anos, eu vejo como a gente tá conseguindo eh trazer eh possibilidades, inclusive dentro das universidades, dentro das bibliotecas, para que a gente possa amadurecer enquanto sociedade mesmo e construir outra realidade, outras possibilidades e Eh, acho que a leitura e o livro são grandes parceiros desse processo, porque eles nos abrem os horizontes, nos mostram outras possibilidades, nos levam autoconhecimento, como a percepção de outras eh visões de mundo. E, e, e aí eu tenho muita motivação para seguir fazendo, porque a gente percebe como há essa essa essa interligação entre o que é cultura, o que é leitura, eh, e o que

1:14:56 é uma sociedade mais justa, mais bonita, né, e que nos dá mais faz dá mais sentido assim pra nossa vida. Então, eu acho que eh essa e é é a partir dessa energia que eu sigo tentando eh construir essas conexões todas. Nossa, eu fiz até um mapa mental de tanta coisa aqui que que eu anotei, mas é porque eu eu fiquei pensando, eu gostei muito do que a Nádia falou, porque ela falou: "O que que você tá lendo, né? perguntei o que que você tá sentindo e você perguntou o que que você tá lendo. E aí eu me perguntei agora, ouvindo vocês, né, principalmente

1:15:43 Aline e Nádia. Eh, e aí eu fiquei me perguntando aqui o que que eu tava sentindo, o que que eu tô sentindo. E eu anotei que agora eu tô sentindo muita satisfação por conta desse vínculo que a gente criou aqui, essa egrégora, né, de de empatia, porque a gente se colocar no lugar da outra pessoa, que é o que a Aline traz muito, mas que a Nádia também falou sobre empatia, mas também muito incômodo. Não sei se vocês perceberam, mas eu tô me mexendo o tempo inteiro aqui na cadeira porque não dá para ficar, né? nesse lugar de apatia, tem que ir paraa empatia, porque senão eh essa a Nádia trouxe a questão da barbárie, é um lugar que incomoda muito também, né, que a exclusão, porque

1:16:30 a gente quando fala de inclusão, a gente só fala de inclusão porque tem exclusão. Então, a exclusão é uma barbárie, né? Todas essas pessoas que não apareceram na escola, quando Alan fala lá da década de 90, quando a Aline fala, "cadê essas pessoas?" Porque no esporte eu encontrei. Eu também quando estive em todas as vezes nos campeonatos, falei: "Gente, que mundo incrível, mas ué, aonde estavam essas pessoas? Porque eu nunca entrei em contato com elas". E aí eu fui estudar, né, a história das pessoas com deficiência. Elas estavam dentro de casa escondida. Por quê? Porque elas não tinham utilidade, né? Esse era o conceito social, né, da pessoa com deficiência. Não fica em casa porque aí você fica melhor, né, distante da gente, porque a gente não sabe lidar.

1:17:15 Então isso traz muito incômodo e pensando eh nessa questão da saúde mental e aí é a falta da saúde mental na realidade, né, que eu acho que é um dos desafios, Duda, é essa falta de saúde mental, que aí é a falta da empatia, que é a falta do vínculo, que é a falta do contato, que é a falta de pensar na outra pessoa, que é a falta de saber o nome das outras pessoas, né? Hoje eu cheguei aqui chamando a Duda de Bruna. Tudo bem, eu conheço, né? Mas é Duda, sabe? Eh, é Aline, é Nádia, é Alan, é Caira, é Léo, é Manuel, é Marina e, enfim, todo mundo que tá aqui. E aí, né, você falando muito de livro, eu fiquei muito

1:18:00 provocada. Eu acabei trazendo aqui, dei uma puxadinha e vou trazer para falar dele, que aí eu comecei a pensar na contramão de tudo isso, como que a gente combate, né, que a a Duda provocou aqui paraas propostas, né, como é que a gente combate todo esse processo que a gente vive, que realmente o que nos leva à falta de saúde mental. E a Nádia me provocou essa reflexão, eh, quando a gente tem a ideia, porque é uma ideia falsa, porque a nossa mente ela mente para gente, a gente acredita, a gente acredita nisso, a gente acredita num ideal e não existe esse lugar ideal, né?

1:18:46 Então, a gente fica buscando, buscando, buscando, buscando, buscando, só que a gente nunca chega. E quando a gente nunca chega, a gente sente o quê? Frustração, a culpa é do outro, medo. Ai, vou chorar, coitada de mim, blá blá blá, né? Porque a gente acredita nesse lugar ideal, só que ele realmente não existe. É uma grande ilusão. E aí para combater tudo isso, eu anotei várias questões, né? uma das questões que a gente pode trabalhar para combater. E aí trazendo muito a fala da Nádia que fala, que traz, né, a a o livro, a leitura, eh, um dos livros do projeto Literatura Acessível, todos os eh é tudo tá tá tá

1:19:33 ligado, né? Eh, todos os livros têm pessoa com deficiência como protagonista, todos passam pelo esporte, as pessoas praticam algum tipo de esporte. E esse aqui se chama, meu nome é Bia. Sabia? Sabia? Meu nome é Bia. Porque as pessoas têm mania de dizer: "Ah, não vai falar Aline, tá? Ai, aquela que usa prótese. Ai, aquela pessoa cega, ai aquele surdo. Ai, aquele, né, que tava com uma roupa vermelha, que é surdo. Ninguém pergunta o nome da pessoa. Então, esse livro ele vem para dizer, é, ela é uma pessoa que tem deficiência

1:20:19 física, mas o nome dela é Bia. E já desde a escola ela vai dizendo: "Por favor, me chamem pelo meu nome, eu sou a Bia". Que é a questão da identidade, né, de cada um de nós. Então, nós temos nome, nós temos identidade, nós temos um lugar, a gente mora em algum lugar, a gente traz uma cultura que vai além da cultura acessível, né? Quando a gente fala da acessibilidade e de cultura, essa cultura ela vai além do que a gente fala que é cultura, né? Então, eh, fazendo muito também aqui um papel de psicóloga mesmo, de que é pensar no

1:21:05 outro, que a psicologia ela traz essa perspectiva, né, de quem somos nós e o quanto também a gente contribui para a sociedade que a gente vive, né? Psicologia social é isso, né? a gente tá falando de vínculo social, então assim, quanto que a gente contribui também para que a nossa sociedade seja tão bárbara? Será que a gente também não exclui todos os dias, nem que seja um pouquinho quando a gente sai de casa? E olha que a gente fala de diversidade, de inclusão, pertencimento, identidade. Então, acho que a gente também precisa fazer essa reflexão quando eu falo o que que a gente sente, porque a gente sente um monte de coisinha ruim também, hein, gente. A gente não tá aqui com asinha de anjinho, ah, né, o lugar ideal, porque,

1:21:53 né, a gente sempre acha que a gente é especialista de alguma coisa, né, e não é bem assim. O buraco é mais embaixo porque a gente não, em algum momento das nossas vidas a gente não sabia. Talvez hoje a gente até saiba, a Nádia falou: "A gente precisa estudar e a gente precisa aprender cada vez mais". Então assim, nesse processo de aprendizagem, a gente também pode ser, não tô dizendo o quê, pode ser que a gente pratique algum tipo de barbárie, né? Então, a gente também precisa se revisitar. Então, como é que a gente combate? Hoje a gente tem a a Nádia falou muito dos livros e aí eu não consegui não falar dos livros que são impressos em

1:22:40 braile e que sim tem que ter uma pessoa cega para validar, que é o nada sobre nós, sem nós. Quem sou eu para dizer que esse braile vai atender a todas as crianças que recebem, né? A gente tem a fonte ampliada para as pessoas com baixa visão. A gente tem o pictograma para crianças que precisam desse sistema pictográfico de comunicação, que são os desenhos. E a gente tem os Qcodes que leva para áudio, livro, Libras e audiodescrição. E a escrita simples. A gente discutiu muito isso hoje de manhã, né, ô Manuel, numa audiência pública falando quanto mais simples, mais acessível. né? E e assim para tudo na vida, né?

1:23:26 Quanto mais simples, mais acessível. Quanto menos complexo, mais acessível. Nós já somos seres muito complexos, né? Né? Nós somos a complexidade viva, né? Então a gente consegue combater também quando a gente torna mais simples, né? Mais simples. Eh, e não é o ideal. a gente sabe que a gente, esse é um desenho de acessibilidade que a gente criou, é uma metodologia do Instituto Incluir e a gente cada vez pesquisa mais e traz mais pessoas para dizerem pra gente: "Olha, precisa ser assim, olha, eu não sei lembrar ele, então eu vou paraa audiodescrição, ó, não me importa eh o pictograma porque

1:24:12 eu vou usar eh o audiolivro. Então, enfim, a gente também aprende dia após dia. Eh, e eu acho assim, eu anotei aqui para fechar também começar a fechar a minha fala, a questão, né, de como que a gente pode combater também essa barbárie além das acessibilidades. Aí a Aline falou, né, do site e de todas as outras possibilidades de acesso, porque a acessibilidade, né, eh, ela é muito ampla. Mas a gente também poder conhecer. E aí entra, acho que a gente, eu já vou passar a palavra pro Alan, que também é pesquisador, e a gente vai entrar no campo da pesquisa, do estudo, eh, né,

1:24:58 dessa parceria que eu acho que sempre é muito importante a gente frisar a parceria da sociedade civil, que eu tô aqui representando, da universidade e do poder público, né, que vocês estão aqui muito bem representando, que é a gente sempre poder trazer pra sociedade os termos corretos, né? Me chame pelo meu nome. Quais são os tipos de deficiência? Assim como a Aline falou, só dentro do campo da deficiência física existem inúmeras possibilidades. Eh, então é conhecer, conhecer, estudar, estudar, buscar. E isso a gente só faz quando a gente tem disponibilidade

1:25:46 interna. para fora a gente sempre vai dizer que tem. Agora quando é para dentro, será que a gente tá afim mesmo de saber? Será que a gente tá afim mesmo de se colocar no lugar da outra pessoa e saber o que ela tá sentindo? Será que a gente tem esse tempo, essa disponibilidade? Porque a saúde mental hoje a gente sabe que tá colapsada, né? tá todo mundo por aqui? Então, se tá todo mundo por aqui, não tem mais onde não tem mais onde enfiar informação, onde colocar mais nada. Então, até que ponto também a gente tá eh com essa disponibilidade, com essa abertura interna também para entender quais são as identidades, os processos, as

1:26:33 histórias e o caminho de cada de cada pessoa. Acho que essa também é uma possibilidade, um caminho de combater essa barbárie que a gente falou aqui hoje. Passar pro pro Alan. Sim. Antes de responder a sua pergunta, deixa eu fazer uma correção importante. Eu não me alto a áudio desescrevir. A ansiedade é uma coisa terrível, tá vendo? Eh, eu sou um homem branco, tenho cabelos castanhos, eh, olhos castanhos, eu uso óculos, um óculos de armação preta, eu visto uma blusa branca de mangas compridas, uma calça cinza e sapatos pretos. Bom, feita essa correção, eh, eu fiquei muito

1:27:20 pensativo, foi ótimo que nessa rodada tenha sido o último a falar, porque a fala das companheiras me provocaram aqui a pensar eh como pesquisador, né? Tô falando desse lugar, o papel da pesquisa eh e o que que a gente tem desenvolvido nesse âmbito que pode nos trazer perspectivas para pensar o que eu chamei aqui de desafios inclusivos, né? Eu tenho trabalhado, é uma escolha, né, com lentes que me permitem observar esses fenômenos da inclusão a partir de uma tridimensionalidade, né? Os desafios

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