Curso de Literacia Financeira I | Investir: um caminho pelo mercado de capitais

Brief Summary

The video presents the first session of a financial literacy course during the World Investor Week in Portugal. Several key topics are addressed, including capital market investments, personal finance, retirement preparation, and financial innovations, all aimed at enhancing financial literacy among the public.

  • The event is part of an international initiative by IOSCO and coordinated in Portugal by CMVM with multiple partners.
  • It features discussions led by various financial experts on the importance of savings, investment mechanisms, and the impact of inflation on personal wealth.

Introduction to Financial Literacy

Rita Turcato introduces the financial literacy course and highlights the event's purpose within the framework of the World Investor Week. Various speakers and industry experts will discuss significant financial topics aimed at enhancing public understanding of investment and personal finance.

The Role of Financial Institutions

José Manuel Barros describes the essential function of banks and financial markets in reallocating savings within the economy. He emphasises that effective allocation allows funds to flow where they are needed, thus supporting economic growth and financial activities through mechanisms like loans and investment instruments.

Understanding Inflation

Barros explains inflation and its negative effects on savings. He illustrates how rising prices reduce purchasing power over time, providing examples to make the concept accessible. Key metrics for measuring inflation, such as the Harmonised Index of Consumer Prices, are discussed, highlighting the difference between core inflation and overall indices.

Central Bank Policies and Inflation Management

The discussion outlines how central banks react to inflation rates above the target, typically around 2%. He explains the monetary tools available to central banks, primarily interest rates, to control inflation and manage economic stability.

Impact of Inflation on Savings and Investment

Barros discusses the adverse effects of inflation on savings and investments. He notes how financial institutions typically offer lower interest rates on deposits, leading to real losses when inflation is factored in. The consequences for stock markets and corporate earnings due to decreased consumer spending and higher borrowing costs are also outlined.

Capital Markets and Investment Strategies

The session transitions into why individuals should consider investing in capital markets. Various advantages of market investment, such as diversifying income sources and participating in corporate growth, are explained. The discussion highlights how stocks can offer returns through dividends and capital appreciation.

Guidelines for Potential Investors

Sandra Machado urges potential investors to understand the fundamentals before investing in stocks, emphasising the importance of knowledge about companies, market conditions, and investment vehicles. Participants are encouraged to seek information and manage risks effectively.

Investment Vehicles: Funds and ETFs

The video explains different investment vehicles available to investors, particularly focusing on mutual funds and exchange-traded funds (ETFs). Key differences, regulatory frameworks, and the advantages of professional management and diversification of risks are discussed.

The Mechanisms of Capital Markets

Machado provides insights into how capital markets operate, explaining the process of buying and selling stocks through intermediaries. The mechanisms of order matching, clearing, and settlement are outlined to convey the complexity behind seemingly simple market transactions.

Future of Investment and Financial Literacy

The session concludes by addressing challenges to increasing investment in capital markets, such as financial literacy, trust in financial institutions, and market accessibility. The experts suggest that improving education in personal finance could increase public confidence in investing.

Questions and Answers

The event ends with an interactive Q&A session where participants can pose questions regarding topics discussed, ensuring clarity and understanding for all attendees.

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Transcript

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0:25 Muito boa tarde a todos. Sou a Rita Turcato e sejam bem-vindos à primeira sessão do curso de literacia financeira, cujo tema investir um caminho pelo mercado de capitais. De 1 a 9 de outubro, Portugal volta a juntar-se à Semana Mundial do Investidor, uma iniciativa internacional promovida pela IOSCO e coordenada em Portugal pela CMVM em parceria com 12 entidades. Nesta 10ª edição e mais uma vez com o alto patrocínio do presidente da República, a SI pretende abordar temas relacionados com o investimento no mercado de capitais, finanças pessoais e preparação para a reforma, inovação financeira, prevenção de burlas e fraudes financeiras, entre outros temas, sempre com o objetivo de levar a literacia financeira a um público cada vez mais amplo. Durante esta semana, vamos

1:11 promover seis sessões temáticas em formato híbrido presencial aqui no auditório da CMVM e com transmissão no YouTube. E aproveito também para dar as boas-vindas a quem nos assiste desse lado. Antes de começarmos, gostaria só deixar algumas breves notas operacionais sobre as sessões. No final iremos disponibilizar tempo para perguntas e respostas aos nossos oradores. E caso algum dos participantes necessite de uma declaração de presença no final da sessão tem a oportunidade de aceder a um Qar code para solicitar a mesma. Aproveito ainda para informar que as declarações de presença serão enviadas apenas no final da semana mundial do investidor. A sessão de hoje contará com uma intervenção inicial de José Manuel Barros, diretor do Departamento de Supervisão de Mercados da CMVM, seguida de um debate que contará com a

1:57 participação de Sandra Machado, ADOF Group Press Management da Aeronex, Sandra Aires, Legal and Corporate Affairs, da Associação de Empresas Emites de Valores cotados em mercados e Sérgio Brito, responsável pelo departamento de estatísticas e inovação tecnológica da Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Patrimónios. E sem mais demoras, chama o palco José Manuel Barros da CMVM. >> Muito boa tarde a todos. Sejam bem-vindos a esta sessão que espero que seja proveitosa e de alguma maneira ilucidativa sobre o que aqui vamos abordar hoje. E e e vamos abordar, creio eu, um tema interessante eh que tem grande impacto no mercado financeiro.

2:43 Eh, dar-lhes as boas vidas, quer aqui, quer lá em casa. E começar por refriar expectativas. Eu não vou falar do tema do momento, não é? Cristiano Ronaldo, não é isso que me traz aqui hoje. Lamento informar. Eh, mas vou falar de outras coisas mais interessantes e que talvez sejam úteis para uma boa parte de nós percebermos. H começando por algo que é da vida, nada é h dado, nada existe numa forma ideal, sem termos que fazer por isso, não é? E, portanto, eh, o a sociedade arranjou-se de forma a que o o a criar uma forma de

3:29 de canalizar as poupanças onde elas existem, onde existe o dinheiro para onde ele é necessário. E, portanto, essa forma foi primeiramente através do dos bancos, tem mais a séculos de história do que propriamente o mercado financeiro, tirando alguns lives que que foram existindo, mas em termos de consistentes, o mercado financeiro surgiu mais tarde. E, portanto, e estes dois agentes, os bancos e os mercados financeiros, têm esse condão, ou seja, pegam no dinheiro das pessoas, das empresas vulgo poupanças liquidez para a realocar através de determinados mecanismos para onde ele é necessário e

4:15 onde é que ele é necessário na economia real, não é? portanto, financiamento daquilo que é a atividade económica e também dos particulares que, por sua vez, também contribuem para a atividade económica. Portanto, há aqui um papel central, não é? que estes agentes, por vezes até enfim, algumas vezes causam-nos alguma orticária por coisas que de vez em quando acontecem e que não deveriam acontecer, mas, enfim, temos que lidar com elas e, portanto, eh eles, quer queiramos, quer não, estão no centro nevrálgico desta placa giratória e do dinheiro. Portanto, não sendo eles, dificilmente nós conseguimos eh essa eficiência de de realocação do dinheiro

5:00 onde ele existe para onde é absolutamente eh necessário. Portanto, o os bancos mobilizam depósitos eh enfim, uma boa parte das poupanças dos portugueses estão em depósitos. Uma, eu diria, esmagadora maioria da da de poupanças que os portugueses eh têm estão e em depósitos. eh que depois os bancos tratam de eh realocar a economia real, não é? E às vezes não a outras coisas que não só a economia real, também existem. E, portanto, através da concessão de crédito, maioritariamente tem outras atividades, nomeadamente nos mercados de capitais, como é óbvio, mas e eh digamos que a sua função principal é a concessão

5:46 de crédito aos vários agentes da economia. Os mercados financeiros trazem uma alternativa e é uma alternativa sobretudo através de de meios que permitem transação. Eu não posso transacionar crédito, enfim, e há há há há maneiras sofisticadas de o fazer, mas não está ao nosso alcance. Mas no mercado eu posso transacionar instrumentos financeiros que investindo neles eh eles o dinheiro que eu invisto neles é realocado diretamente para eh para as empresas, para as famílias também, eh porque depois eu também sou tenho o papel não só de eh de consumidor, mas também tenho

6:33 de investidor na medida em que eh invisto nesses instrumentos financeiros. Eh, nas suas mais diversas formas, existem instrumentos financeiros que canalizam o dinheiro para cada um dos agentes eh financeiros. Nós iremos falar aqui da dos mais comuns, não vamos falar de todos. Já há muitos e alguns deles são muito sofisticados e eh prosseguem objetivos específicos eh embora eh bastante defensáveis e úteis e úteis a à economia e à e à gestão da expectativa dos agentes. Mais recentemente surgiu outra coisa, não é? ainda ainda ainda é uma coisa, hum é algo que funciona dentro de um determinado e mas também concorre e vai concorrendo

7:19 pelas poupanças e das pessoas e nós sabemos que há muita gente que eh aderiu a este novo conceito, a esta nova realidade, a uma economia digital que ainda funciona muito dentro de um ecossistema, ainda não está eh embora tenha potencial, não está ainda disseminada na economia real e, portanto, a ele existe, mas a não é ainda considerado um veículo de investimento ao ao nível de dos outros que o mercado tradicional, enfim, agora já chamamos mercado tradicional e ao aos mercados financeiros. Portanto, eh através de um instrumento que é a tocenização, que também é algo bastante interessante. O que está por baixo disto é algo bastante interessante e pode ter

8:05 um impacto muito grande eh nos mercados. e não só e na vida das pessoas, eh, na medida em que pode criar aqui alguma disrupção, mas hh é uma realidade para já e enfim pouco regulada, contrariamente às duas de cima, que são densamente reguladas e supervisionadas. a esta nova forma de canalização, de poupança de um lado para o outro é ainda pouco regulada e e está ainda em desenvolvimento e, portanto, os reguladores também não querem matar as coisas à partida e, portanto, não vão encher isto de regulação para que ela não se possa desenvolver. Portanto, como eu disse, a placa giratória eh que realoca as poupanças

8:51 onde elas existem para onde elas são necessárias para desenvolver e a economia real. Mas as poupanças têm um problema, não é? É um grande problema. E este problema chama-se inflação. E é aqui que eu vou h durante os próximos 5, 10, 10 minutos eh falar um pouco h no conceito e o que é que ele impacta. Todos nós sabemos mais ou menos o que é inflação, não é? Quer dizer, os preços chovem, não é? Pronto. E isso é um problema, não é? Porquê? Porque se eu hoje tenho 100 € e dá para comprar um determinado cabás, não é? Vou ao supermercado e compro um determinado cabaj ou supermercado ou serviços ou seja o que for. Daqui por, se a inflação for 2% ao ano,

9:36 desejavelmente, daqui por um ano, eh, já só tenho o equivalente a 98 €. Portanto, já não dá para comprar as mesmas coisas, não é? Porque os preços, entretanto, subiram e aqueles 100 € equivaleriam hoje a 98, não é? E não e portanto já não consegui comprar as mesmas coisas. é desvalorização, digamos assim, do dinheiro ao longo do tempo. Mas isto é o cenário benigno, não é? Quando é 2% eh mas pode não ser o o caso. O que é a inflação? E a inflação, e perdoem-me se estou a a dizer algo que já que já conhecem, mas enfim, a audiência é pode ser muito diversificada. uns conhecem melhor, outros outros nem tanto. E, portanto, o

10:22 o índice armonizado preço ao consumidor é uma coisa que se inventou eh à base de um para medir a inflação para medir o andamento dos preços de um determinado cab típico que se considerou que era representativo do consumo das famílias. E esse cabasto, pode ser engloba alimentação, engloba serviços, engloba imobiliário, engloba energia, enfim, engloba a inflação geral engloba praticamente e tudo. Mas existem outros conceitos que são mais a a que são mais objetivos, porque

11:07 às vezes importa a extrair o efeito da da dos bens mais voláteis, digamos assim, como a energia, como o preço de dos alimentos, como o imobiliário. Hoje estão em voga, não é? E, portanto, eh, o os bancos centrais, nomeadamente e os institutos de estatística, muitas vezes usam métricas designadas de core inflation ou então super core inflation, que tiram alguns destes e elementos e assim vão percebendo se estruturalmente aqueles aqueles bens e serviços, sei lá, restauração, vou um restaurante, vou, sei lá, um vou comprar roupa, por

11:53 exemplo, se esses elementos portanto fundamentais estão ou não. É claro que a comida também é fundamental, não é? Mas mas como é mais volátil, nós queremos e isolar é o que é que aquela e inflação da se aquela inflação que nós estamos a sentir, ela deriva da energia, dos preços de energia, como é o caso, se deriva dos preços do imobiliário, como é o caso, ou dos alimentos. Portanto, se eu excluir esses, eu e conseguir medir a inflação ao longo do tempo só para aqueles elementos que são core, portanto, que são nucleares, eh eu consigo ver se a inflação está a vir eh daqueles que eu excluí ou se não é eu, ou então é mais estrutural.

12:40 E porque é que isto é relevante? Porque depois as medidas que os bancos centrais vão tomar para combater a inflação e dependem disto, não é? dependem de saber exatamente onde é que eles têm que atuar e quais são os efeitos pretendidos, não é? Eh, há um número mágico que todos ouvimos, que é o famoso número de 2%. 2% porquê? Bom, porque alguém considerou podia ser 2,1, podia ser 1,9, não é? Não, não havia grande diferença, mas os 2% tem uma explicação eh que é aquilo que uma economia eh saudável cresce e pelo menos num ano. Ou seja, se a

13:25 economia cresce, é porque as pessoas têm mais poder de compra, é, procuram mais, as empresas investir acima até acima deste deste montante. E, portanto, é admissível que os preços subem subam durante 1 ano, 2%. E isto é positivo. Os preços manterem-se estagnados não é positivo. Eh, é um contrassenso, mas não é positivo. Isto é o cenário mais benigno, considerado pelos economistas. E, portanto, e um crescimento dos preços nesta ordem é algo saudável para uma economia, porque implica também que se há maior produção é porque há maior procura, é porque as pessoas também conseguem eh consumir

14:10 mais e procuram mais bens e serviços. Isso também coloca pressão nos preços e os preços também tendem a subir de forma moderada. OK? É por isso que de forma muito simples, este é o número mágico que nós estamos habituados a ouvir e que preocupa tanto os bancos centrais, não é, nas suas políticas monetárias. Então, e o que é que acontece quando nos afastamos deste número? Bom, quando vou explorar mais quando vai quando vamos para números superiores e não tanto números inferiores, porque também é positivo, eh, desculpem, também é negativo vir para números inferiores. É exatamente a antídese daquilo que eu disse há pouco, ou seja, a economia não cresce, está eh estagnada e às vezes, como já

14:56 experimentamos há pouco, está estagnada com inflação, o que é muito pior. Quer dizer, e e por exemplo, este, o cenário atual não está a acontecer, mas era um cenário típico de eh estagreflação com estagnação económica. Ou seja, se tivéssemos que adivinhar perante tudo o que está a acontecer, iríamos dizer: "Bom, este temos um cenário de estflação, ou seja, com eh preços a a subir bastante induzidos, por exemplo, pela eh pela pelos fatores de produção, nomeadamente o a energia. eh, mas sem induzir crescimento. E, portanto, também não são situações que sejam boas. Aliás, nós tivemos um período de deflação e e estaglação depois da da crise, em que

15:41 foi tão bom nós pagarmos, não pagarmos juros nas nossas prestações de casa da da casa. Foi tão tive 6 anos sem eu o fazer, foi ótimo, tenho saudades, mas não é exatamente a situação desejável. Porquê? Porque a economia não estava a crescer e a economia tem que crescer. Portanto, o que é que fazem os os bancos centrais quando se quando se quando nos afastamos destes destes 2%? Eles têm vários instrumentos. O principal para a inflação é a taxa de juro. É, eu ia dizer que era a única, mas é a única em determinadas circunstâncias, em determinadas e naturezas da inflação. Há pouco falei que a inflação pode tem vários indicadores, não é? e e portanto há

16:27 determinadas eh determinadas eh bens e serviços que têm um determinado impacto, uma e e adicionam volatilidade, mas para determinados tipos de inflação eh a única forma de atuação é a taxa de judo. Depois também há a política monetária. Os bancos centrais injetam mais dinheiro no sistema ou menos dinheiro no sistema. Eh, não é imprimir e mandar à pasada e para o sistema, mas é através de compra de títulos ao mercado ou de expensa de títulos ao mercado, conforme se queira tirar dinheiro do do sistema ou meter dinheiro no sistema, eh aumentar ou diminuir a massa monetária, portanto, a quantidade de dinheiro que existe no sistema. Mas focando-nos na na taxa de juro, que é o mais usual, eh obviamente

17:13 que se a a taxa de inflação aumenta significativamente, lá estamos nós a falar a especular se o Banco Central Europeu e a FED americana vão aumentar ou não as taxas de juro. E porquê? Porque isto tem um reflexo imediato. O que é que se pretende é retrair o eh induzir uma retração do crédito, tornar o crédito mais caro. E por isso é que nós odiamos os bancos centrais, não é? porque nos dão um cabo da vida, a gente quer comprar coisas e não consegue. E eh começamos a pensar duas vezes, mas é isso que se pretende é levar com uma boa parte do consumo e da criação de moeda é feito através de crédito, não é? Quer dizer, inventamos crédito, não é? Inventamos dinheiro. Eu não tenho

18:00 dinheiro, mas vou vou pedir dinheiro. Portanto, estou a inventar dinheiro eh que não tenho, não é? Eh, e portanto, eh, se eu restringir isso, as pessoas já não compram o carro a crédito, já não pensam duas vezes em comprar uma casa mais cara, portanto, eh, induz procura, não é? Portanto, redução do consumo de bens e serviços, não só pela incapacidade de recurso ao crédito, como estava a falar, mas também pela deterior e deterioração das expectativas. Eu até posso ter dinheiro, até posso ter recurso ao crédito, mas é eh isto não vai correr bem, é melhor esperar. E isto o que é que faz? Retira a pressão dos preços porque há uma redução do do consumo. Eh, e portanto tenta-se reposicionar

18:46 e no a inflação nos 2% no tal ou à volta disso para depois e voltar a soltar eh o cão, não é? e, portanto, retira o o começa-se a reduzir a a taxa de juro novamente. Eh, os impactos da inflação, desde logo nas poupanças, enfim, tínhamos ali o bicho papão há pouco, eh, é que, bom, quer dizer, eu posso ter depósitos e esses depósitos darme darem-me uma remuneração acima da inflação. Mas agora pergunto-vos, quem é que faz isso? Há às vezes instituições, não é, que dizem que dão uma taxa de juro muito acima da inflação e nós devemos

19:32 sempre desconfiar disso, não é? Como é óbvio, porque e das duas uma, ou está a precisar de dinheiro urgentemente e, portanto, tá a tentar atrair depósitos a todo o custo ou então, enfim, quer dizer, pode ser um banco que funcione como uma misericórdia, não é? e nós não acreditamos nisso eh no no mercado financeiro. Portanto, as taxas passivas, ou seja, dos depósitos que os bancos praticam nos depósitos são por norma sempre inferiores às taxas ativas, àquelas que emprestam. Portanto, eles fazem refletir a inflação e e os aumentos na taxa de juro nas taxas ativas, as taxas é que emprestam às pessoas, mas não nas taxas eh passivas, que é aquelas que remuneram os depósitos com as nossas

20:17 poupanças. E, portanto, nós temos sempre uma perda líquida. Já temos por causa dos impostos, não é? Portanto, já tirando os impostos, já nem falando nisso, temos eh sempre uma perda líquida e isto é o efeito da inflação a comer o nosso a nossa riqueza, não é? eh muito rapidamente e falamos no impacto nas poupanças, o impacto nos na no nos mercados financeiros, na na nas ações, neste caso, há uma redução do consumo, logo há uma redução da receita das empresas, portanto isto é negativo, certo? É, mas também pode não ser. Imaginem que eu vendo leite e as pessoas não vão deixar

21:02 de consumir leite por estar uns cêntimos mais caro, certo? Portanto, é uma procura inelástica, não tem elasticidade, ou seja, as pessoas continuam a consumir. Portanto, por isso é que pode ter um efeito negativo ou não, não é? Depende. O depende é sempre, enfim, é uma palavra muito usada. Eh, ah, perdão, desculpem. Eh, o encarcimento do crédito. Olha, isto é mau para empresas que desde logo estão super endividadas, não é? O serviço da dívida vai aumentar seguramente, não é? Ou os estados super endividados, Portugal já não é, mas os Estados Unidos, por exemplo, é. E estão a fazer coisas, enfim, que dava para outra para outra palestra. Eh, o encamento de crédito torna eh origina uma pressão da dívida na isto na perspectiva da empresa, não é?

21:48 tem mais dificuldades no refinanciamento. Se tiver eh se tiver dívida a vencer e tiver que refinanciar, já vai ser mais caro. E se e se tiver eh muita dívida, o que vai acontecer é que o risco dessa empresa aumenta e aumentando o risco, também aumenta a taxa de juro que lhe é exigida, não é? Portanto, é um efeito bola de neve que muitas vezes leva as empresas, não conseguindo refinanciar-se, ter que recorrer a outros meios para o o fazer ou não. Eh, e obviamente também uma redução do investimento, ou seja, se se eu preciso de crédito para investir, para investir numa nova máquina, numa nova fábrica, numa expansão, na internacionalização, blá blá blá blá, eu eh com certeza vou esperar porque o crédito está muito caro. Isso depende se eu, se a minha

22:35 empresa depende de crédito ou não depende de crédito, não é? Portanto, pode ser bom ou pode ser neutro. Pressão nas margens, e o desde logo, há ao aumento do custo dos fatores, não é? Aqueles aqueles imputos todos que eu preciso, que energia, os salários, enfim, salários é é não é um bom exemplo, mas mas pronto, vamos supor que os salários aumentam por via eh para repor algum poder de compra. As empresas têm que pagar mais. os salá o salário mínimo, por exemplo, tem vindo a aumentar sucessivamente e a aproximar-se de salário médio. Portanto, as empresas que pagam salários mínimos têm sido obrigadas a eh h a ter mais custos de de com o pessoal, com o mesmo pessoal, para as mesmas horas trabalháveis. Eh,

23:20 portanto, aumento os fatores. Se eu tenho um aumento dos fatores eh naquilo que eu processo na na minha fábrica, não é? E depois não consigo refletir no preço final do produto que vendo porque há muita concorrência, porque eh por uma questão estratégica, porque não quero perder clientes, etc, etc., porque a concorrência não está a fazer e eu vou fazê-lo. Portanto, esmaga-me as margens. tenho uma margem de 30%, passa a ser de menos um bocado. E, portanto, eu posso absorver isso e isso também são menos lucros. São menos lucros e os investidores penalizam as ações, obviamente. Ou então eu tenho sou um monopolista, não é, e consigo e refletir isso no preço das ações. Se conseguir, se conseguir refletir, ótimo.

24:06 Eh, as pessoas compram e não não reclamam e, portanto, para mim é igual. E depois também não menos interessante, mas este é mais um bocadinho mais teórico, é na própria avaliação das empresas, ou seja, como é que uma empresa é avaliada? A empresa é avaliada por aquilo que ela vai dar no futuro, não é por aquilo que ela fez no passado, não é? Não importa aquilo que ela, se foi grande, se não foi grande, se vendeu muito, se vendeu pouco, não importa. O que importa é aquilo que ela vai vender no futuro e vai produzir no futuro. OK? Isso é que me importa. E como é que vai sobreviver e como é que se vai adaptar. E, portanto, eu projeto eh eh o o os cash flows que ela vai gerar no futuro e os lucros e essa coisa toda. Faço uma projeção com um crescimento 2% ao ritmo da inflação, etc, etc. E depois

24:51 tenho que descontar para a data de hoje para ver quanto é que a empresa vale hoje. Ou seja, ela vai gerar daqui a 10 anos vai gerar 10 milhões de euros daqui a 10 anos, mas 10 milhões de euros daqui a 10 anos valem muito menos do que 10 milhões de euros hoje. Portanto, eu tenho que descontar e esse esse efeito e portanto esse esse valor para aqui, isso para todos os anos. E, portanto, a taxa que eu desconto, como aumenta a taxa de juro também vai aumentar. Se eu desconto é uma taxa maior, ela hoje vale menos do que valeria se a taxa de juro fosse menor. Portanto, é uma questão de de métrica. Eh, se eu se fizer esse desconto é uma taxa superior, o valor que me dá hoje, corrigido de daqui a 10 anos para hoje é menor do que se a taxa de juro que eu estou a considerar fosse menor. Portanto, o impacto de

25:38 aumentarmos a taxa de juro para combater a inflação também prejudica as ações por esta por esta via em geral, não é? Portanto, quando um banco de investimento calcula, diz que o preço daquela ação devia ser X, ele tá a usar este tipo de modelos. OK? Eh, e portanto, quanto maior for a a quanto mais longa for a libertação de cash flows, ou seja, da só liberto cash flows, eu tenho um projeto e só começo a gerar cash flow daqui por 10, 15, 20 anos. Vejam o que é o efeito financeiro de trazer esses cash flows para para baixo. Portanto, quanto quanto mais à frente forem esses cash flows, eh, e não no imediato, maior é esse efeito e, portanto, mais prejudica o valor da ação das empresas. Portanto, temos aqui efeitos e nenhum positivo, não é?

26:26 A inflação não é positiva. Ponto final, exagerada, não é? Eh, mas pode haver ações que passam em columnos no meio disto tudo, não é? nas obrigações. Eh, há aqui várias considerações, mas e muitas muitas possibilidades, mas o que temos que reter é que o valor de uma obrigação tem uma relação inversa com a taxa de juro. É exatamente aquilo que eu disse para as obrigações, ou seja, os cupões e [roncando] vem ser juros, portanto as obrigações vem ser juros ao longo do tempo, que são chamados cupões, que tem que ser eh para saber quanto é que fala aquela obrigação hoje, tem que ser eh atualizados ou transpostos para a data de hoje. E hoje chegamos ao e para chegarmos a um valor, quanto é que aquilo vale? porque é

27:11 aquilo que lá está que gera no futuro. É sempre o que gera no futuro transportado para hoje. E isto vai nos dar o dá-nos o valor da da obrigação. Portanto, a relação também é inversa. Quanto maior a taxa que eu desconto, que depende da taxa de juro, não é? Se a taxa de juro aumenta para cometer a inflação, também aumenta esta taxa de desconto e eh maior o impacto no preço. OK. Portanto, são é o chamado aumento dass. Ass é eu até posso ter uma obrigação, eh, sei lá, uma obrigação do estado. Eu comprei uma obrigação do estado, uma obrigação do tesouro e que me dá 3% de de juros, vamos supor, ao ano. Ainda não vai vencer, vence daqui a não sei quanto tempo, mas estáme a dar 3% ao ano. Se as

27:58 taxas de juro no mercado estiverem a 5%, eu tenho que descontar, enfim, vamos simplificar, tenho que descontar aqueles cash flows, juros que vou receber à frente a 5%. Isto se eu descontasse a 3% dava-me exatamente um valor da obrigação que é e é o valor de 100. Pronto, ela foi emitida a 100, tem o valor de 100, dá-me 100. OK? Depois tenho juros, tudo bem, dá-me 100. Mas se eu a descontar a 5% já me dá para aí quê? 92 já me vale só 92% e não 100%. OK? Portanto, e o o estado está a pagar, agora na perspectiva do Estado, está-me a pagar uma coisa que para ele é quase de borla, não é? O estado e no mercado as taxas

28:44 estão a 5%, ele só me tá só me está a pagar eh 3%, portanto está bem, o estado quer manter aquilo, não é? o estado ou uma uma obrigação de uma empresa, pode ser uma empresa. Eh, e portanto eu é que estou a perder dinheiro. Se eu for vender no mercado, o que é que acontece? Eu tenho que pererir, neste caso, oito, não é, de liga 100, passou para 92. Portanto, tenho que perrair oito. Já só só posso vender a a 92, OK? se me quiser desfazer dela. Portanto, quando a taxa de juro sobe, as obrigações e as ils vão aumentar e h a taxa de juro, eh, perdão, a obrigação perde valor, mas perde mais valor quando a taxa de juro é fixa, ou seja, no cupão fixo, quando não é

29:30 refixada através de de indexação, portanto, os nossos créditos de habitação que são indexados a a enfim um alguns outros são fixos. A a Euribor, não é? todos os meses ela é refixada conforme as taxas do do mercado. Essas obrigações de eh cupão variável não têm este impacto. Porquê? Porque estão sempre a ser a refletir aquilo que se está a passar no mercado. OK? Eh, e é esta diferença entre as duas eh as duas coisas. Portanto, para uma empresa eh o o aumento leva a refinanciamento mais caro e também um aumento dos custos com os juros. No um investidor, no primeiro caso, perde valor, no outro não perde valor na obrigação que tem, porque ela é ajustada e, portanto, mantém sempre um valor relativamente estável.

30:17 Portanto, em suma, e para concluir, o mercado gera expectativas, não gera outra coisa. aquilo os idessos gerem expectativas e expectativas essas que, por exemplo, se eu e e dentro dessas expectativas, a inflação tem um impacto absolutamente incrível, não é? Portanto, quando a inflação é superior aos níveis que se estão à espera, o que é que acontece? Há uma um grande efeito no mercado obrigacionista e também no mercado acionista. E esse efeito não é o mais desejável eh para uma boa parte dos investidores, que são aqueles que estão expostos à subida de mercado. Há outros que estão expostos à descida que preferem este cenário, não é? Como é óbvio. Eh, essas expectativas dependem da dependem da informação. Portanto, a informação é o sangue que corre no

31:02 mercado, é o ar que se respira no mercado. E a reação é sempre feita em função da informação disponível. E, portanto, quando esse gap é grande, as as autoridades têm que monetárias, nomeadamente, têm que intervir no sentido de realinhar e recentrar a inflação. Eh, e, portanto, adotam medidas que, por vezes, não são medidas boas para eh os consumidores e para quem tem poupanças, mas temos que saber gerir essas situações. Portanto, então porque é que pode fazer sentido investir no mercado de capitais? É isso que vamos saber a seguir com os nossos convidados que eu vou chamar aqui ao palco. Vou chamar a Sandra Aires da Associação de Empresas Emites de Valores Mobiliários

31:49 em Mercado, a Sandra Machado da Euronext, Head of Press Management Euronext e o Sérgio Pinto da Apfip, que é Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Patrimónios. Eu vou falar com eles agora sobre esta questão que ficou aqui no ar, dando as boas-vindas a a todos. Hum, alguém falou aqui da inflação. Eh, porque é que faz sentido investir no mercado de capitais, não só num cenário de inflação, mas em geral porque é que faz sentido investir no mercado de capitais? Começava, sei lá, hum, pela Sandra. É sim, o mercado de capitais, como sabemos, é composto por um conjunto

32:35 de mecanismos, não é, >> que permitem que as poupanças possam ser e canalizadas para investimento e para financiamento de empresas, projetos de de entidades e financeiras e económicas e entidades económicas. eh ao fim e ao cabo permite que as poupanças sejam eh utilizadas pelas empresas para poderem crescer, poderem desenvolver, poderem inovar, criarem valor. Eh, ao fim e ao cabo, acabam por ser o mercado de capitais acaba por ser a ponte entre a poupança e o o investimento produtivo, >> aquela ideia de ser o canal. E, portanto, como sabemos, uma economia com mercados de capitais desenvolvidos permite às empresas recorrerem muito mais facilmente e a outro tipo de financiamentos, a diversificado tipo de

33:22 financiamentos que não apenas, como disse bem, eh a aos créditos bancários. E, portanto, isso é tudo um um uma questão fundamental e que faz com que a nossa economia eh seja uma uma economia increscente e não é uma economia estável, hostalizada, aliás. Claro, se se o capital não chegasse onde deve chegar, havia um estrangulamento, sem dúvida, da do investimento e o investimento, que nós sabemos, é um dos maiores componentes do PIB, né? Eh, eh, Sandra, Sandra Machado, eh, >> do ponto de vista do investidor, porque é que faz sentido investir no mercado de capitais? Do ponto de vista da economia, eh, a Sandra já nos explicou mais ou menos porquê. Eh, do ponto de vista do investidor, porque é que faz sentido eh um investidor ponderar não

34:08 não ter só depósitos, não é sair dos depósitos e ir para coisas mais arriscadas, n é? Porque é que >> faz sentido? passa exatamente pela diversificação, portanto, não ter o dinheiro todo no mesmo sítio. Portanto, também já chegamos à conclusão que os depósitos bancários não vão fazer ninguém ficar rico, com certeza, porque os bancos não estão aqui, não são uma Santa Casa da Misericórdia, tal como referiu. A, e, portanto, o facto de um investidor ter as suas poupanças a alocadas em diversos instrumentos, alguns deles no mercado de capitais, permite, de facto, que, por um lado está a financiar a economia, por outro lado vai ter uma participação ativa nessas empresas. Vamos dar o exemplo de uma ação. Um investidor que compre eh uma ação, ações de uma empresa, passa a ser acionista dessa empresa, passa a ser

34:53 dono dessa empresa, passa a ter uma uma participação ativa, portanto pode votar nas decisões dessa empresa, pode receber dividendos dos lucros dessa empresa e, portanto, eh não ganha só com a compra e venda de ações, que muitas vezes pensa só a curto prazo a comprar e vender no trading, não é? eh de todo o objetivo maior do investimento de mercado de capitais, portanto, é efetivamente eh comparticipar no crescimento das empresas e ao mesmo tempo ter o retorno desse seu investimento eh que se pressupõe que seja ponderado, que seja estudado, que se veja um um projeto interessante que aquela empresa vai crescer e, portanto, eh eh acabam por depois ter o retorno desse crescimento, seja através de dividendos, seja porque a seguir vendem as ações que, entretanto valorizaram porque aquele projeto cresceu e investem num outro ativo.

35:40 Portanto, passa por aí. >> Exato. Sérgio, o que é que o que é que um investidor em ações e tem que ter em atenção? eh o investidor em ações ou em qualquer outro investimento deve informar-se, deve perceber em que é que está a investir, quais são os riscos subjacentes que estão inerentes ao seu investimento. E porque hoje em dia o que vemos muitas vezes até fomentado por por influenças, redes sociais, é que e às vezes há uma febre de de eu vou investir-me e vou investir porque alguém me disse para investir aqui, mas não percebo exatamente e onde é que onde é que estou a investir. Acho que conhecer

36:25 a empresa eh em que quais são os fundamentais, o que é que é que a empresa se dedica, onde é que a empresa eh gera rendimentos para para remunerar os seus investidores, sejam acionistas, sejam obrigacionistas, que rendimentos é que se espera ter no futuro para para eh para compensar ainda mais esses mesmos investidores? É fundamental. De resto, é especulação, é é investir por por investir. Acho que é fundamental eh que qualquer investidor se tenha o mínimo de informação eh para que que perceba o o que é que tá a investir, o que é que tá a comprar e se este investimento é adequado para para si, porque há empresas de vários

37:13 setores. Estou a falar de de empresas, mas mas o meu negócio aqui seria falar de fundos de investimento. Já lá vou, >> mas h >> eh uma empresa de de de inteligência artificial pode ser ótima para alguém, mas se calhar para outros prefiro uma coisa mais conservadora que tenha um um fluxo de de >> dividendos >> dividendos mais mais estável. A, portanto, o que a ação que é ideal para um não é uma ação ou a empresa que é ideal para um pode não ser a ação ideal para todos. Eh, voltava então e depois aqui à parte do dos fundos do investimento. Os fundos desculpa, Sérgio, deixe-me só perguntar aqui mais uma coisa que eu gostava sobre as ações. Eh, falou falou

38:01 na nas ações mais conservadoras e e de maior crescimento. A gostava de perguntar à à Sandra a se que tipos de ações é que há ou que tipos de empresas é que há e ações de crescimento, ações de e que são mais como aquelas que o Sérgio mais defensivas e assim e e a nível de ações tem tudo a ver com o Sérgio estava a dizer, ou seja, depende do negócio da empresa, depende do do de qual é o tipo de empresa que estamos a investir, como é óbvio, não é? E, portanto, podemos ter ações em que a remuneração é uma remuneração que se cinge apenas à distribuição de evidência e depois e portanto depois tem podemos ter outras ações que a expectativa, como é óbvio, e tendo em consideração o desenvolvimento do negócio, a a inovação, se a empresa

38:47 está ou não a diversificar mercados, a ir a internacionalizar-se, essa essa ação poderá ser uma ação valorizada e no fundo o acionista o que quer, não é? Ou seja, é é ter é é investir e esse investimento não ser só a distribuição de dividendos que podem ou não existir. Ou seja, temos que ter noção que a empresa pode, ou seja, a perspectiva do acionista é o crescimento da ação, é a valorização da da ação. E aí eh eh os financiamentos são importantes, não é? Já que estamos a falar de financiamentos, os os financiamentos são muito importantes porque ao fim e ao cabo é entrega é entrega de capital hum diretamente às empresas para elas poderem efetivamente desenvolver o seu negócio, eh eh inovar eh contratar recursos humanos, portanto,

39:32 ou seja, e aqui são as, ou seja, e é o negócio da própria e empresa, não é, digamos assim, que vai transformar a ação uma ação com mais valor ou menos valor. >> Exato. Ex. >> Agora, eu também associaria o os diferentes tipos de ações e de risco com o tipo de mercado em que a ação está e o tipo de transparência que que é oferece aos investidores. Portanto, eh, no mercado altamente regulamentado, se calhar há um percurso um bocadinho mais previsível, pelo menos sabemos com que tipo de informação é que podemos contar, mas obviamente que existem ações que estão também cotadas em mercados que são menos regulamentados, empresas normalmente mais pequenas e que eh cuja informação que é prestada ao mercado não é tanta e que obviamente é muito válida,

40:19 porque a própria Euronex tem mercados não regulamentados eh que que são adequadas a este perfil. No entanto, o investidor tem de saber que quando está a investir uma em determinada empresa, a informação que vai esperar é uma, em outra, que está no mercado que é menos exigente do ponto de vista de informação, o risco poderá ser outro. Portanto, acho que o risco também passa pelo tipo de informação que é prestado, onde é que está cotada, se está cotada, porque estamos aqui a falar obviamente de capitais, mas pode há quem não esteja cotada. Exatamente. E portanto, e outros produtos que não estão cotados. Exato. Então, eh, daquilo que eu de, há nem todas as ações são iguais, não é? Eh, há umas que são mais voláteis. O que é volatilidade? É o risco, não é? Eh, aquilo que nós chamamos risco é é a

41:05 variabilidade do preço andar a saltar, não é? Há umas que saltam menos e há outras que saltam mais. É isso, não é? E, portanto, aquelas empresas que estão em fase de crescimento à partida serão mais e voláteis, não é? Deviam ser, depende do setor de ser, deviam ser, não é? >> Ponta, não é? >> Eu, eu acho que também depende muito com o que está a acontecer ao nível económico e mundial. E por exemplo, nós nós sabemos bem que, entretanto, desde que que houve a situação na Ucrânia, na Rússia, o setor energético disparou e se calhar era algo que não estava a ser pensado completamente naquela altura. E, portanto, temos também de contar com o que está a acontecer ao nível da economia mundial e que é algo que pode ser expectável. pode deixar de o ser amanhã com uma situação.

41:51 >> E isso também pode explicar, por exemplo, porque é que eh as empresas de de inteligência artificial hum pelo menos algumas, não sei se alguma, eh não davam dinheiro, portanto não davam não geravam lucros e tem as valorizações que têm, não é? Porquê? Porque estamos à espera que lá à frente a coisa mais compense, não é? A, e não agora, lá está, aquelas tais empresas que só têm cash flows lá mais lá à frente e, portanto, são empresas de grande crescimento. É, é de esperar que essas tenham uma valorização mais rápida, né? O mercado diz-nos que empresas de de BIA, digamos assim, eh, mais à frente serão empresas provavelmente com retorno muito maior do que hoje em dia, porque vemos que tá a ser massificado. Gosto que todas as

42:37 pessoas que aqui estão e e provavelmente todas as pessoas que que nos estão a ver usam o chat GPT e usam géneros de de de destes sites, não é? >> Vou ser prudente porque eu acho que estas estas alterações também trazem maiores riscos n alguns campos como cibersegurança e portanto não é garantido que essas são as empresas que vão ter retorno >> Portanto, só deixar esse >> lembramos-nos das empresas de do ano 2000 das.com. Exatamente. Exatamente. >> Avaliavam as empresas na altura por cliques. O número de cliques que as pessoas davam era a avaliação era feita através do número de cliques, sem gerarem absolutamente receita nenhuma, não é? Portanto, há que ter muito cuidado com esse tipo de de coisas. >> Claramente, mesmo que seja algo que neste momento seja expectável,

43:24 previsível, mas não sabemos. E e aliás, eu eu acho que todo este mundo da inteligência artificial ainda há tanto por descobrir, não sabemos exatamente. >> Sim, isso é apenas um setor, não é? O setor da medicina, não é? A medicina, por exemplo, tem muita investigação e pode dar, pode não dar, podem descobrir, podem não descobrir e >> e há que ter sempre em atenção ao risco, é o que a Sand está a dizer e com toda a razão. E assim, nós temos e que o Sérgio também acabou por falar há bocado há pouco, não é? Portanto, quando quando um investidor está a comprar uma ação, não é, ou está a comprar ações, está a investir no num futuro, não é? Portanto, não está a investir no imediato, está a pensar no futuro, no retorno que irá ter, se as ações vão subir, se vai ter dividendos, se não vai ter, mas há que ter sempre em atenção o risco que corre um investidor quando está a comprar

44:09 ações. Portanto, a diversificação é muito importante também neste caso, porque é óbvio, é, peço desculpa pela expressão, mas é não se deve pôr todos os ovos no mesmo cesto, não é? Portanto, ou seja, diversificar é importante e, portanto, nós agora estamos a falar de ações, iremos falar de obrigações, iremos falar de fundos e, portanto, há que terem atenção. Exatamente. É só beixa [risadas] e para passar >> que não combinamos, >> não combinamos. É, foi espontânea. É verdade. H, Sérgio, fundos de investimento, estivemos a falar de ações. Porque é que os fundos de investimento são, hh, desculpem eh estar a dar esteeto, mas eh são por excelência um veículo e de investimento apropriado para e uma boa parte das poupanças de pessoas

44:54 como nós. Eu começava, se calhar por por um uma frase que o que o Zé Manuel disse no início, que é a regulação. Os fundos de investimento eh europeus e os portugueses eh que estamos aqui a falar são provavelmente os instrumentos de forro eh sujeitos a maior supervisão eh no espaço europeu e em Portugal. E portanto a esse nível tem e mas também justifica-se esse esse nível de supervisão. Porquê? O os fundos de investimento, nós em Portugal chamamos organismos de investimento coletivo. O que é que isto significa? Eh, significa que vários investidores que não se conhecem, que de são de várias realidades, de várias

45:40 origens, de de várias situações económicas e todos decidem contribuir para um fundo de de de investimento, fazem uma subscrição a um fundo de investimento e depois há uma terceira pessoa que não os conhece, não conhece nenhum desses investidores ou tipicamente não conhece e pega nesse dinheiro e vai o aplicar em nome desses investidores. E, portanto, a esta noção de de investimento coletivo é importante. E é importante porquê? Porque permite que pequenos investidores consigam aceder a ativos a mercados que normalmente não conseguiriam. E vou fugir aqui um bocado das ações e das obrigações para falar nos fundos imobiliários. temos um problema da do imobiliário. Imobiliário tá tá caríssimo. Eh, se eu quiser, se eu

46:25 Sérgio Brito quiser investir em imobiliário para rentabilizar, tenho que ter um grande capital para comprar um apartamentozito, um T1 [risadas] >> ali na Avenida da Liberdade custa 1 milhão, provavelmente. Sim. H, >> então se for diversificado tem mesmo que comprar vários em vários sítios. >> Sim. Exatamente. >> Eu agora ia dizer uma uma anota, mas não vale a e com o fundo de investimento e os fundos de investimento imobiliário, consegue-se subscrever fundos de investimento imobiliário a partir de 100 €? Tem-se acesso a uma carteira diversificada de de ativos imobiliários, de imóveis que já estão construídos, muitos deles já estão arrendados com com inclinos de qualidade e, portanto, eu consigo com esses 100 € ter acesso à

47:13 mesma ao mesmo nível de rendibilidade que um grande investidor teria investindo diretamente. >> Exato. >> Portanto, e nos fundos normais, eh, >> com 100 € por exemplo, >> com 100 € >> com 100 € tem sou dono de vários prédios. Exatamente. Há há este efeito. H, acho que foi a Sandra ou a Sandra. >> A Sandra [risadas] >> disse que que ser acionista é ser dono da empresa. >> Sim. Sim. ser participante num fundo de investimento é ser dono de várias empresas ou ser eh detentor de obrigações de várias empresas ou detentor de vários imóveis quando estamos a falar de de investimento imobiliário, >> sempre numa lógica de diversificação, ou seja, o investidor individual

47:58 provavelmente vai escolher uma, duas, três ações que eh e >> quando investe direta se investir diretamente nas ações, >> diretamente e portanto Uma delas que corre mal tem ali um prejuízo significativo. Eu ao investir através de um fundo de investimento que investem sem empresas ou até mais, se uma delas tiver tiver um um resultado menos bom >> ou for à falência, né? ou for à falência, aquilo é mitigado e praticamente não é percetível na performance e >> do fundo. Adicionalmente, os fundos têm uma gestão profissional, que é há alguém que faz vida a olhar para os mercados, acompanhar os mercados, acompanhar as empresas, ler research, ler análises económicas, eh, e decidir com base

48:44 nisso, quais é que são os melhores investimentos para fazer ou para desfazer daquilo que já que já tenho. Quem queira fazer isso diretamente [limpando a garganta] vai perder muito tempo e muito dinheiro e, provavelmente, com piores resultados. Exato, Sérgio. E há uma miriade infindável de tipos de fundos de investimento, não é, que investem múltiplas coisas, especializados, etc. E depois ainda há os os ETFs. Depois disso, qual é que é a diferença entre os ETFs e os organismos de investimento coletivo? fundos de investimento quando são constituídos, ou melhor, voltando um bocadinho atrás, o investidor, o tal gestor profissional não h faz o que lhe dá na gana, >> pois >> ele tá balizado por uma política de investimentos que diz quais são os tipos

49:30 de ativos que pode ou não comprar e em que percentagens e e de acordo com regras. Eh, de acordo com essa política de investimentos, nós podemos ter fundos que investem em obrigações, fundos que investem em ações, fundos que investem em instrumentos do mercado monetário, portanto, mais próximos do do dos depósitos, mas também temos fundos multiativos que investem em em diferentes proporções de ações, obrigações e outros ativos. Eh, e até já temos fundos mais originais, como fundos de criptomoedas e e já tivemos fundos de passe de jogador e fundos de arte. Portanto, eh eh num fundo de investimento podemos ter eh várias várias realidades. >> Passando para para o ETF, eu gostava de desmistificar que não há ETFs e há

50:17 fundos de investimento. Um ETF é um fundo de investimento com uma particularidade única, que é ser cotado em bolsa. Enquanto que eu num fundo de investimento não ETF, eu tenho que dirigir-me a um comercializador e fazer uma subscrição em que neste momento da subscrição são criadas novas unidades ou fazer um resgate e neste momento são eliminadas as as unidades que eu que eu que eu resgatei. Um ETF é um fundo de investimento que é cotado em bolsa. Portanto, eu compro ou vendo o PS que já estão criadas a outro investidor que que este tem como se fosse uma transação de uma de uma ação normal. Aqui faria depois a a a diferença faç uma ação

51:02 normal, que é enquanto que a ação normal varia pelo encontro da da oferta e da procura. Portanto, se há mais investidores a comprar, o preço sobe. Se há mais investidores a vender, o preço desce. Os ETFs tê um mecanismo de estabilização que faz com que o valor da cotação, ou seja, o valor que alguém comprou um ETF é muito próximo do valor inerente da da dos ativos que que lá tem por dentro. E, portanto, eh, eu ou comprar um fundo de investimento ou subscrever um fundo de investimento ou comprar um ETF, se tiverem a mesma política de investimento, se tiverem a mesma carteira, estou a comprar exatamente a mesma coisa. Só que num estou a fazer uma subscrição, nooutro estou a comprar em bolsa. Eh, depois aplicam-se regras

51:48 diferentes. Um ETF sendo cotado em bolsa tem inerentes as transações de bolsa. Um um fundo de investimento que tenha através de subscrições e resgados pode ter comissão de subscrição e comissão de resgate. Portanto, são aqui eh >> tem custos diferentes, não é? >> Tem custos diferentes. Ou seja, um até comporta-se mais como uma ação, não é? Em termos de mecânica de de transação, não é? >> Da transação, sim. em termos de >> não de do que tá por trás, não é? Mas na realidade acaba por ser, tal como estava a dizer, que um ETF, imaginando sobre o PSI, replica exatamente o o a carteira e, portanto, tem os os neste momento são 16 constituintes e e portanto acaba por poupar o trabalho da pessoa estar a comprar 15 títulos diferentes, depois

52:34 vender, depois acompanhar. A, e portanto, e tal como como foi referido, quando houver a venda, à partida, está salvaguardado que o valor há de ser semelhante, como se tivesse aquele número de ações daquelas empresas todas. Portanto, >> a Sandra tá a falar num caso que é que é o mais normal dos ETFs, que é os ETFs de gestão passiva. >> Exatamente. >> HH os ETFs de gestão passiva e não são geridos de facto, ou seja, e há >> são automaticamente geridos. Exatamente. Há uma decisão de copiar um índice e, portanto, eh, o, o não há um gestor que decide se o mercado está a subir ou esta ação vale mais ou esta ação vale menos, vou comprar aqui, vou comprar ali. Portanto, não havendo um gestor que que

53:21 necessário para tomar essas decisões, os ETFs de gestão passiva têm normalmente um custo muito menor, muitas vezes muitas vezes próximo de zero. Sim. Baixo que é para replicar o índice, né? Portanto, faz a mesma coisa que o índice faz, não é? Não, não há ali uma gestão, de facto, é é copiar. >> Uhum. Portanto, não há ali nenhum esforço de digestão que que justifique uma uma comissão de de gestão. Se bem que o nos últimos anos a tem surgir com com um maior a volume ETFs de gestão ativa, que embora a base seja a mesma, é replicar um índice, mas depois dão a liberdade ao setor de intervir e e fazer ajustamentos consoante as suas consoante o

54:07 conhecimento que tenha da do mercado e da das empresas. E essa gestão ativa pagas, portanto estes fundos, >> ou seja, é preciso um gestor que saiba da coisa, não é? >> E sim, estes estes fundos estão à ativa normalmente tem uma comissão maior do que os fundos estão ativa. Sim. E se eles conseguirem extrair valor, não é? Por exemplo, sei lá, a EDP pesa 15% no índice PSI, que é o índice da bolsa portuguesa, não é? Tem um peso de 15%, contribui com 15%. A variação das ações da EDP tem um impacto de 15% no índice. Eh, se o gestor achar que a EDP tem um, estou aqui a falar em nomes, é completamente à tua. Eh, se a EDP tiver um, se achar que a DP tem uma, vai ter uma boa performance por alguma coisa qualquer, uma razão qualquer que ele

54:54 antecipa, ele em vez de no seu fundo e a EDP representar 15%, representa >> 20. >> 20. E claro, enquanto que o índice tem um impacto, eh, aquilo depois chega chega-se mais à frente e vê-se que, de facto, ele tinha razão, teve uma boa performance, essa performance só tem 15% de peso no índice, mas no fundo tem 20%. E, portanto, aí está o ganho eh de não replicar passivamente o o índice, não é? É, é mais ou menos isto, C. Sim, também e normalmente a vantagem que que é mais como um momento associado aos fundos gestão parcí nem é tanto na subida, é na descida. Na descida normalmente o o papel do gestor costuma-se ser mais relevante para impedir uma queda tão grande como é que normalmente o um po

55:40 ex. Portanto, é isto até, enfim, nós estamos sempre a pensar na subida, não é? Mas há muita gente que pensa na descida. Eh, Sandra Machado, h, como é que funciona o mercado de capitais? Como é que como é que se investe numa ação? Pois >> o que é que eu tenho que fazer? >> Não é só quer dizer quem é que funciona >> o que nós temos de fazer enquanto investidores é carregar um botão no telemóvel. Mas posso explicar o que está por trás? Click é a >> Não, não é B click. Essa não tem ações. Não, não. Na real [risadas] >> não, não. Na realidade, a o mercado de capitais é o que tá por trás é algo altamente complexo. Portanto, nós quando pensamos no mercado de capitais, eu vou comprar uma ação e de facto aquilo acontece eh hoje em dia em nanosegundos, mas na realidade o que está por trás é se eu decidir que quero investir, tenho

56:27 poupanças, quero investir, primeiro trabalho de casa, vou ver o que é que se está a passar, eh, acompanho, falo com meus, falo com alguém que que perciba de mercado, o que é que está, quais são as empresas que estão a crescer. Eh, e depois de estar devidamente informado, decidido vou comprar uma ação de uma empresa. Portanto, introduz a ordem da ação no na, aliás, primeiro vou ter de encontrar um intermediário financeiro, porque não posso fazê-lo quando nós dizemos que é só carregar no botão, mas por trás das aplicações há sempre um intermediário financeiro, seja um banco, seja um broker. Portanto, é isso, é isso que está >> convém que esteja registado e autorizado. >> Convém que esteja registado e autorizado. Portanto, podem consultar porque a CMVM tem esses dados disponíveis e, portanto, verifiquem, por favor. Portanto, há a ordem de compra. O que acontece? A ordem entra no sistema através do intermediário financeiro. Eh,

57:14 e o que é que vai acontecer nesse sistema, que é o sistema de negociação, vai fazer um match entre as ordens de compra e de venda que já estão no sistema. Portanto, se eu decidir, quero comprar ações, eh, vou dar o exemplo da EDP novamente, não temos nada. Imaginando, eu quero comprar ações de EDP a 10 € introduz ordem no sistema. Se houver alguém do outro lado que queira vender também a 10 €. Portanto, esse matching vai acontecer e o negócio é feito. Eh, só aqui uma parte, se houver várias pessoas a querer comprar a 10 € a ação de EDP, eh, o que chegar primeiro, obviamente que vai ser a ordem que vai ser satisfeita. Mas isto não acaba aqui. O que é que acontece depois? Depois tem que haver ainda o clearing, o settlement e a custódia do título. E o que é que isso muito rapidamente significa? que que eh nós temos de verificar se quem

58:00 disse que queria vender a ação tinha efetivamente ação, se quem disse que queria comprar tinha efetivamente dinheiro para o fazer e depois então quem disse que queria comprar passa a ter as ações na sua conta, o dinheiro da sua conta vai sair para quem disse que queria vender, ou seja, o o dinheiro aparece na conta da outra pessoa que disse que queria vender. Portanto, parece algo muito simples, porque nós não estamos aqui a ver exatamente, carregamos no botão e o negócio é feito, mas de facto, imaginem o que seria alguém dar uma ordem, mas depois as ações irem parar à conta de outra pessoa ou o dinheiro não chegar à conta de quem vendeu. E, portanto, há aqui um um um sistema por trás para garantir que tudo aconteça, a cadeia completa, >> ou seja, a coisa já é muito complexa, né? Totalmente tecnologia. >> Nós sabemos a parte a parte da frente,

58:46 não é, que é carrega, ah, já comprou, já vendeu, mas efetivamente ainda não comprou nem vendeu, porque aquilo ainda está a ver se >> exatamente >> um tem o dinheiro, o outro tem o ainda demora algum algum tempo, não é? Até à confirmação fal perguntar à à Sandra, já não existe então aquela figura do que a gente vê nos filmes, de estarem todos na aer compra, eu vendo compra. Por acaso é é curioso porque nós ainda temos alguns canais de televisão que nos visitam e que dizem: "Podemos filmar o Trading Floor?" E e eu: "Ai, eu adorava RTP Memória, talvez." Exatamente. [risadas] Aqui está os filmes de Wall Street. E de facto é é bastante bastante é é é interessante verificar, mas em Portugal desde 1996 que não há trading floor e mesmo nessa altura quando havia já era algo muito muito muito pouco usado,

59:32 porque na realidade é tudo eletrónico, portanto, não há necessidade de ninguém estar aos gritos a dizer eu quero comprar, eu quero vender e ver se aquilo de facto, aliás já não há ações em papel também, que é outra coisa que se era muito mais fácil eu neste momento exemplificar como é que funcionava a compra e a venda de ações se explicasse como a quantidade antigamente que a Sandra tem aqui umas ações para vender. Eu tenho aqui o dinheiro, obrigada. eu fico com as ações e a Sandra fica com o dinheiro e portanto h não e e de facto já não há trading floor mesmo nos Estados Unidos e onde existe ainda esse espaço e o o que acontece é que há uns pequenos boots com os bancos de investimento que estão e e eu sei porque já >> que estão a beber café, a ver a abertura do mercado e portanto que acabam por ter ali um mini escritório porque é é giro,

1:00:18 estão no coração da bolsa, mas na realidade podiam estar noutro sítio qualquer. Portanto, até como tal como os investidores podem estar noutro sítio qualquer. >> Isso explica muita coisa, nomeadamente porque é que Hollywood nunca mais fez filmes sobre mercado financeiro, não é? >> Mas já agora, uma curiosidade, >> porque aquilo é que dava vida aos >> uma curiosidade em relação a estas ordens de compra e venda. Eh, porque na realidade há aqui algo que muitas vezes passa despercebido, que é a a o comprimento dos cabos que chegam até à máquina que executa a a compra e a venda. Para vos dar o exemplo, a Euronex é um grupo de bolsas, portanto nós neste momento temos oito bolsas, sete das quais já partilham o mesmo sistema de negociação, que está em Bérgamo, em Itália. E o que é que acontece? Eh, eh, há há os servidores dos nossos intermediários financeiros também estão,

1:01:04 alguns à volta, outros um bocadinho mais longe, mas tivemos de garantir que a a a extensão dos cabos que ligam ao computador central é exatamente a mesma ao milímetro, porque de facto basta haver um cabo um bocadinho mais comprido e, tal como eu referi há pouco, a negociação neste momento acontece em nanosegundos para que um já não consiga efetuar uma ordem porque o outro estava mais perto do computador central e nós parece que já não pensamos em fios e nestas coisas, mas ainda pesa na velocidade da transmissão de dados. Eh, portanto, nem tudo é >> e considerando [limpando a garganta] que hoje mais de 50% por aí já é feita por algoritmos, não é? >> Exatamente. Exatamente. >> Quando eles pagam a a preço de das casas em Lisboa terem o servidor

1:01:50 em Bérgamo. Exatamente. Exatamente. Ao lado. Ao lado. Isso faz a diferença em termos de latência, não é? Sim, sim, sim. E chega e o e a minha máquina é chegou primeiro que a tua. >> Sim, mas todos os que estão em Bérgamo têm o mesmo a mesma estação de cabo. Aliás, alguns estão enrolados, mas para ter a certeza que é >> ao que isto chegou. Por isso é o melhor é investirmos através de fundos de investimento. >> Não, não. Em em real estate em Bérgamo. Exatamente. Ou então através de fundos de investimento, porque para se atuar no mercado e competir muitas vezes com máquinas e algoritmos, enfim, >> há espaço para todos. Eu acho, eu, eu por acaso eu considero que não seja uma concorrência assim tão direta, porque eu penso que os investidores individuais continuam a ter o seu espaço, os seus objetivos são diferentes e não estou a competir com as máquinas. As máquin e quando está subir só para todos, não é? >> Exatamente. Só para todos, 10 para todos

1:02:37 e e os objetivos são diferentes. Portanto, >> exato. Eu ia perguntar agora à à Sandra. Sandra, porque é que é importante trazer empresas que não estão cotadas para o mercado, para para os mercados, para as bolsas, para estarem em bolsa? Porque eh o >> que que benefício é que vem para elas? Para os investidores há mais escolha, não é? >> Sim, há mais escolha para e e mesmo para as empresas, ou seja, as empresas tiverem na bolsa têm muito maior exposição, não é? Ou seja, uma empresa que está na bolsa no PSI tem muito maior exposição do que uma empresa. >> Mas isso não é mau, ah, eu estava ali tão sossegadinho. >> Eu penso que não. Aliás, eu acho que o objetivo de todas as empresas é ter financiamento diversificado, como como estamos aqui a discutir há a há cerca de uma hora, não é? Portanto, a diversificação de de investimento é extremamente importante hoje em dia.

1:03:23 Porque acabamos por ter, se tiver se tivermos os financiamentos através de ações, de abrigações de fundos, ou seja, teremos condições diferentes em todos eles. A remuneração será feita também de forma diferente e, portanto, trazer o empresa que é é muito tá muito mais exposta a a a ao investimento e ao financiamento se estiver consegue diversificar as fontes de financiamento. >> Exatamente. Exatamente. É óbvio que depois temos os custos, não é? E às vezes os custos são aquela parte >> que as empresas não querem eh suportar, não é? E portanto isto é um bocadinho o trilor. >> Qual é que é o principal custo de uma empresa ir para a bolsa? >> É assim, o principal custo será eventualmente e ter que É assim, nem sei

1:04:10 muito bem como é que como é que respondo a isso, não é? [risadas] Eu acho que o Sim, é assim, será provavelmente e o ter que o ter que ter muito mais desenvolvimento, ter que ter mais pessoas, ou seja, são todos é o aumento, é a exigência que vai ter, não é? Portanto, o mercado vai exigir muito mais de uma empresa transparência, não é? Exato. Isso não é negativo, porque eu acho que as empresas >> deviam ter essa exigência mesmo sem estarem a pensar em ser cotadas, porque de facto aquelas que se preparam e que às vezes depois decidem nem sequer cotar-se, mas e eh o o só me vem a palavra em inglês, o improvement, a melhoria a melhoria que tiveram na sua gestão, no seu governance, >> é impagável e, portanto, eh obviamente que tem custos, profissionalizar o a

1:04:56 gestão, eh, se calhar criar um departamento de relação com investidores que não tinham antes, eh, Mas mas o facto de terem contas auditadas, de de facto profissionalizarem cada um dos passos que antecede uma admissão em bolsa, acho que aí já estão a ganhar. >> E hoje em dia, eu penso que mesmo as empresas que não estão na bolsa são empresas que são altamente e são desenvolvidas a nível de governance, ou seja adotam >> adotam. Exatamente. Portanto, ou seja, nós sabemos que o governance as melhores práticas e tendo em consideração o passado, não é? Portanto, as melhores práticas hoje em dia são um são um um dos fatores que uma empresa deve investir. Eu penso que e e se não estou enganado, também há estudos que comprovam que eh já passamos à parte das perguntas e respostas. eh comprovam que

1:05:44 eh uma empresa que está em bolsa consegue, além de conseguir ter acesso a mais [roncando] fontes e e mais diversificadas de financiamento, também tem custos de financiamento mais baixos. >> Sim. >> Exatamente. Por causa da transparência e da informação que tem que dar, não é? >> Isso. Isso parece-me óbvio. Portanto, as empresas que não estão na bolsa acabam por ter um custo de financiamento maior, não é? Isso é que tanto como o Euronex estão sempre à procura de novas empresas para eh para para para estarem na bolsa. E, portanto, é aí que queremos apostar todos. >> Exatamente. Eh, se me permitem, só uma última pergunta que eu faça. Já passou, já passamos à à parte das perguntas e respostas. Eh, aqui é o Sérgio. Sérgio,

1:06:30 já falamos em fundos de investimento. Porque é que é importante também canalizar poupança para fundos de pensões e PPRs e coisas afins? Porque é que isso é importante e porque é que as pessoas deveriam fazê-lo e pensar bem em fazê-lo? >> Então, agora vou aqui fugir um bocado. Vou fugir, mas já volto para para o mercado de capitais. H, saiu há pouco. >> Vamos falar de poupanças, não é? Explicação de poupanças. Mas mas ou seja, eu acho que a poupança para a forma e apesar de se calhar nem todos concordarem, devia

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