467 - TARIFAS Finalmente ATINGEM os EUA. E Agora?

Renaud Adorno www.youtube.com

Breve Resumo

O vídeo discute os efeitos das tarifas americanas na economia dos EUA, contrastando a expectativa inflacionária inicial com a realidade deflacionária observada. Ele analisa os índices de preços ao produtor (PPI) e ao consumidor (CPI), mostrando que, apesar das tarifas, a inflação não aumentou como esperado, e até houve um superávit fiscal impulsionado pelas receitas tarifárias.

  • As tarifas, embora inflacionárias em produtos específicos, não causaram a inflação generalizada esperada.
  • O superávit fiscal de junho, impulsionado pelas tarifas, teve um efeito deflacionário ao retirar dinheiro de circulação.
  • A economia global já estava em desaceleração antes das tarifas, complicando a análise de seus efeitos inflacionários.

Introdução: Impacto das Tarifas na Economia Americana

O vídeo começa abordando a expectativa de que as tarifas impostas pelos Estados Unidos seriam inflacionárias, aumentando os preços dos produtos importados. No entanto, o autor aponta que o comportamento do consumidor e o arrefecimento da economia global têm um papel importante. Ele menciona que países como o Japão tiveram que adaptar os preços de seus carros exportados para os EUA, o que gera confusão sobre o real impacto inflacionário das tarifas.

Análise do Índice de Preços ao Produtor (PPI)

O autor discute o índice PPI, que mede os preços no atacado da indústria, especialmente de componentes de manufatura. O índice veio sem alteração, abaixo do esperado, indicando um arrefecimento. Ele explica que o PPI é composto por manufatura e serviços, sendo que os serviços têm um peso maior nos Estados Unidos devido à especialização do país nesse setor. A queda nos serviços compensou o efeito inflacionário das tarifas na manufatura, resultando em um PPI estável.

Índice de Preços ao Consumidor (CPI) e a Percepção do Fed

O vídeo aborda o CPI, que mede os preços ao consumidor, e a narrativa do Fed de que as tarifas causariam inflação. No entanto, o autor apresenta o "true flation", um indicador que mostra uma inflação de 1,82%, com uma tendência de queda desde o início do ano. Isso contradiz a percepção do Fed e aumenta a pressão sobre Jerome Powell. O autor menciona que, segundo o Zero Hedge, o PPI teria sido negativo sem as tarifas, mas o efeito inflacionário foi neutralizado pela deflação nos serviços.

Superávit Fiscal Impulsionado pelas Tarifas

O autor destaca um dado surpreendente: pela primeira vez desde 2017, o orçamento dos Estados Unidos teve um superávit em junho, impulsionado por um crescimento de mais de 300% nas receitas das tarifas. Ele explica que esse superávit é deflacionário, pois o dinheiro é retirado de circulação e enviado para a conta do Tesouro (TGA). Isso cria um obstáculo adicional ao consumo em uma economia já em desaceleração.

Conclusão: Complexidade dos Efeitos das Tarifas

O vídeo conclui que os efeitos das tarifas são mais complexos do que se imagina. Apesar de causarem inflação em produtos específicos, elas não geraram uma inflação generalizada e até contribuíram para um superávit fiscal deflacionário. O autor ressalta que a inflação continua arrefecendo e que mesmo um corte nas taxas de juros pelo Fed não teria um grande impacto, já que os mercados estão em alta histórica. Ele finaliza dizendo que a situação é deflacionária até o momento, mas que os próximos capítulos serão interessantes.

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Transcrição

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0:00 As tarifas finalmente chegaram nos Estados Unidos e já estão atingindo a economia americana, mas talvez de uma forma um pouco diferente do que muitos esperam. E e no capítulo de hoje eu quero explicar exatamente quais são os efeitos e porque que isso é um pouco mais difícil do que a gente imagina. Então vamos começar pelo eh pela a expectativa de que as tarifas são inflacionárias. Ou seja, quando você aumenta o preço de um determinado produto que vai ser importado, obviamente que isso é inflacionário para aquele produto, mas ao mesmo tempo o a mudança do comportamento do consumidor também ocorre, principalmente quando você tem toda a economia global arrefecendo ao mesmo tempo, inclusive aqui nos Estados Unidos. Então você percebe que ao longo do tempo esse eh eh

0:45 essa onda inflacionária se torna deflacionária, fazendo com que vários países, como Japão, por exemplo, tiveram que adaptar os preços dos seus carros ao serem exportados pros Estados Unidos, por exemplo, né, em algumas linhas que são importadas. Então tudo isso cria várias confusões criando aqueles dois campos, é inflacionário, não é inflacionário. E é isso que eu quero mostrar aqui no capítulo de hoje. A gente acabou de ter o índice PPI, que é aquele que fala sobre a eh os preços eh do atacado, digamos assim, na indústria, então de componentes, principalmente quando você trata da produção, né, de manufatura. E ele veio sem alteração nenhuma, ou seja, ele veio abaixo do esperado. Nós estamos agora no movimento de arrefecimento desse volume. E aí você já tem aquela grande discussão em

1:32 relação ao fato de que não, na verdade isso aqui não afeta tanto assim porque ou não deu tempo ou na verdade eh as tarifas não influenciam tanto o PPI. Na verdade, elas influenciam mais parcialmente. Então, quando você vê aqui o o número em si, né, o gráfico, você vê claramente que o PPI que tá em em azul aqui, eh, que demonstra e fala fala sobre a demanda final e year overear, né? Ou seja, de um ano pro outro, ele vem mostrando aqui eh uma queda e esperava-se que ele fosse crescer um pouco e literalmente ficou zerado. Ele não mudou nada em relação à última leitura, o que sugere que nós estejamos num processo deflacionário maior do que se espera. Mas esa aí, a a tarifa não afetou isso. É por isso que a gente

2:18 precisa ver a composição dele, que é bastante interessante, porque o PPI ele envolve dois componentes principais. Ele envolve a manufatura, ou seja, os bens de fato, né, aquela as peças componentes que são montadas aqui nos Estados Unidos e também envolve serviços. E essa é a maior parte do que se faz nos Estados Unidos. Afinal de contas, os Estados Unidos perderam muita indústria pro resto do mundo, justamente por conta da configuração do sistema euro-dólar. Ele precisa de déficites comerciais, da balança comercial para mandar dólares para fora dos Estados Unidos e fez com que os Estados Unidos dentro de todo esse sistema euroólarla se especializasse mais em serviços financeiros, advocacia, seguros e medicina, entre outros, e acabou

3:05 deixando um pouco da manufatura de lado. Então, no PPI, o que acabou puxando mais para baixo, por incrível que pareça, foram serviços. Então você até teve o componente das tarifas que entraram na parte eh na parte da manufatura mesmo, de bens de consumo, só que eles não conseguiram compensar tudo isso e acabou ficando ali eh no z0 a zero, o que é bastante interessante, né? E aí, inclusive eu falo, às vezes a compreensão das tarifas, ela é uma coisa muito apaixonada. Se você gosta ou não gosta do Trump, isso aí é outro problema. Mas eh se você tiver me assistindo aqui no no substack, você pode olhar nos capítulos anteriores, inclusive que eu já fiz aqui vários sobre tarifas, né? Você pode acompanhar. Se você tiver assistindo pelo YouTube, você pode entrar no link aqui na descrição abaixo, onde você vê também não somente vídeos gratuitos, como

3:50 artigos e vídeos exclusivos que eu faço aqui para membros, tudo aqui na nos links da descrição. Então vamos lá. Agora, essa é a parte da produção, ou seja, o PPI é aquele que fala sobre as fábricas em si, mas e o do consumidor, que é o CPI? Então, ele continua com aquele mesmo problema, o Fed, se você olhar pro a toda a narrativa do Fed, é de que nós estamos diante de um problema inflacionário que vai ser trazido pelas tarifas, etc. Só que esse problema acaba não chegando, porque quando você olha o true flation, que na minha opinião é muito melhor e muito mais antecedente do que o CPI para dar informações em tempo real do que tá acontecendo com vários produtos e milhões de produtos e serviços ao mesmo tempo. Recomendo fortemente que você veja, ele ele mostra

4:38 até a alteração diária do nível de inflação. Então, dá uma olhada aqui. Nós estamos literalmente com 1,82% e desde o início do ano ele veio, ele veio caindo, o que, claro, você tem e eh altas e baixas aqui, inclusive com contando com eh eh que a gente chama de shelter aqui, né, que seria a moradia que que demora mais para se refletir com os contratos de aluguel, etc., que vocês vão cair. Então tudo isso vem demonstrando que tá, pera aí, cadê, né, essa força tarifária para criar essa inflação generalizada que justifique o Fed continuar pensando da forma que ele tá pensando? Então tudo isso só dá forças para que a pressão em cima do do Jerome Pow seja cada vez eh maior. E aí você também vê eh uma um assunto bem bem

5:26 interessante, né, que o próprio Zero Head trouxe em relação ao PPI. Voltando aqui, né, para aquele que é da da produção, que eu falei antes, que ele ele diz a seguinte coisa: se você dar uma olhada no na composição mesmo, no peso, o PPI teria sido negativo se não fosse pelas tarifas, ou seja, teve um efeito inflacionário, só que foi um efeito que foi literalmente engolido pela pelo problema deflacionário nos próprios serviços. Ou seja, você percebe um problema antecedente às tarifas e porque as pessoas acham que tudo começou com as tarifas, mas na verdade não. Nós já tivemos um movimento sincronizado ao redor do mundo, não somente aqui nos Estados Unidos, mas na Europa, no Brasil, em vários outros lugares, de desarrefecimento eh eh econômico, que é

6:13 um problema do do sistema monetário inteiro desde 2008, que eu falo bastante nesse podcast. Então você cria ali uma série de vertentes que tá sendo meio que compensado, de sendo cada vez mais difícil de você defender essa parte eh da tarifa ser inflacionada. Agora, tem uma das partes que uma das um um dos dados que mais me chocou foi aquele foi aquele que parece que não apareceu muito na mídia, que talvez não não seja muito eh segundo a narrativa das tarifas, né, justamente porque o consenso de que todo mundo é radicalmente contra. Não não que eu seja a favor de forma alguma, mas é interessante você ver esse dado aqui. Então, como é que ficou a balança do da dívida americana em relação ao

7:00 orçamento? Então aqui ele demonstrou que no comparativo de junho, sempre no mês de junho, pela primeira vez desde 2017, o orçamento dos Estados Unidos ficou em superavit e não em déficit. Então não teve um déficit fiscal, ele teve um superavit fiscal, só que isso veio por um crescimento de mais de 300% em relação às próprias tarifas. Então aqui você vê eh você vê claramente, né, que ele saiu de junho de 2024, onde tinha 71,5 bilhões de dólares em déficit fiscal e junho de 2025, 26 bilhões de e superavit. Agora, quem entende da da parte de mecânica monetária, que eu adoro falar aqui, isso é como se fosse

7:47 arrecadação de impostos, certo? Isso, na verdade é deflacionário, porque ele é uma destruição de dinheiro. O governo não usa esse dinheiro para pagar coisas do governo. Isso é simplesmente, né, uma repatriação de capital pro TDA, que é a conta do eh do tesouro que que tira o dinheiro de circulação e isso cria cria mais um efeito deflacionário. Então, se você pega os efeitos inflacionários e deflacionários, quando você fala assim, uau, aquela onda gigantesca, que na verdade é o que todo mundo espera para pr para poder falar assim, não, os Estados Unidos tê que sofrer com essas tarifas, porque está estão tarifando o mundo inteiro, então nós temos que criar um problema. Os americanos que vão pagar o preço e isso vai ser inflacionado para você ver como que isso é muito mais complicado do que a gente imagina. E

8:33 apesar de sim ter um problema nos produtos específicos que estão sujeitos à aquelas tarifas, você tá simplesmente colocando um obstáculo a mais pro consumo das importações numa economia que já não tava muito boa para querer consumi-los em primeiro lugar, mesmo nos preços antigos. Então você acaba criando mais problemas. Só que a receita que aumentou drasticamente em relação às tarifas ainda sugere que, apesar de tudo isso, ainda houve um certo consumo e que permitiu eh eh trazer uma quantidade significativa de dólares para poder e eh cobrir esse rombo ali do déficit, né, que não chega nem aos pés porque os Estados Unidos estão gastando cada vez mais. Só que muito interessante você ver aparecer esse superavit. Agora vai durar

9:21 para sempre. A a as tarifas geralmente costuma ser uma coisa temporária, né, que depois de um tempo ou você tira, não sei se vai ser permanente, tudo resta resta saber quais são as negociações que estão acontecendo. Tudo isso pode mudar, pode ser que você tenha aquela subida e depois ali e despen nós voltemos a um déficit. Eh, provavelmente é o que vai acontecer. Mas vai ser é muito interessante a gente ver que as coisas não são exatamente como a gente imagina. E apesar de tudo isso, o a inflação continua refecendo, eh, e você não vê ali sinais de uma recuperação que seja inflacionária para continuar a justificar que, eh, que o Fed não faça nada. E o pior de tudo é que mesmo que o Fed corte ou faça que o Trump quer, isso não vai ajudar em absolutamente nada a

10:06 fazer nenhum tipo de estímulo, a não ser psicológico e fazer os mercados subirem. Só que o mais interessante é que os mercados já estão subindo. Então se você quer argumentar, você quer estimular mais o quê? Nós já estamos nas altas históricas da SP500, do Bitcoin, de tudo quanto é mercado. Então, muito interessante ver a cena dos próximos capítulos, mas com certeza eh não é uma coisa simples de dizer que é inflacionário e tá sendo, principalmente nesse exato momento até então deflacionário. Yeah.

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