ANA BEATRIZ BARBOSA - PSIQUIATRIA (TRANSTORNOS MENTAIS) JÔ SOARES 2011

SergioGrandi www.youtube.com

Resumo Breve

O vídeo apresenta uma conversa entre Jô Soares e Ana Beatriz Barbosa Silva sobre temas psicológicos, incluindo a hiperatividade nas crianças, o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), e também o bullying. Ana destaca a importância de entender a diferença entre hiperatividade mental e física, a origem do termo "bullying", e compartilha insights sobre a psicopatia e a esquizofrenia. Os debatedores mencionam experiências pessoais e observações sobre como reconhecer comportamentos de bullying e suas implicações.

  • Discussão sobre hiperatividade e TOC.
  • Explicação sobre o bullying e suas características.
  • Perspectivas sobre psicopatia e esquizofrenia.

Hiperatividade e TOC

Ana Beatriz menciona sua obra "Mentes Inquietas”, que aborda a hiperatividade infantil. A conversa gira em torno da dificuldade de distinguir entre a hiperatividade física e mental. Ela explica que muitas crianças podem ser fisicamente ativas, mas não necessariamente têm Transtorno do Déficit de Atenção (TDA) ou Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). A autora também fala sobre suas experiências com outros livros, como "Mentes e Manias", que discute o transtorno obsessivo-compulsivo, esclarecendo que todos têm algumas manias, mas somente algumas pessoas realmente sofrem de TOC.

Origem do Bullying

Ana e Jô discutem a origem do termo "bullying", que começou a ser amplamente utilizado na década de 1980 após um trágico caso de suicídio de três jovens na Noruega, resultado de agressões constantes na escola. O psicólogo Don Hwes fez a pesquisa sobre o bullying, definindo três características principais: a intenção, a repetição e a incapacidade da vítima em se defender. A discussão aborda a dinâmica de poder envolvida no bullying, que geralmente é perpetrado por grupos, e evidencia a importância da intervenção da escola para prevenir tais comportamentos.

Psicopatia e Esquizofrenia

A conversa entre Ana e Jô aborda as diferenças entre sociopatia e psicopatia, onde Ana explica que a psicopatia está relacionada a uma falta de empatia e compaixão. Ela menciona que psicopatas muitas vezes não sentem culpa ou remorso por suas ações. Outro ponto chave é a esquizofrenia, que é descrita como um estado em que a pessoa vive uma realidade distorcida e pode perder o contato com a realidade. A discussão revela a complexidade dos transtornos mentais e a necessidade de tratamento adequado para aqueles que sofrem com tais condições.

Reconhecendo o Bullying em Crianças

Durante o diálogo, a importância da observação e da comunicação entre pais e educadores é enfatizada para identificar se uma criança está sofrendo bullying. Ana indica sinais de que uma criança pode estar enfrentando dificuldades, como isolamento social ou mudanças de comportamento. Ela sugere que os pais devem se envolver ativamente na vida escolar dos filhos e alertar os educadores sobre qualquer comportamento suspeito, além de destacar o papel do Conselho Tutelar na proteção das crianças em situações de bullying.

Tratamento e Prevenção

Ana discute sobre estratégias de tratamento para o pânico e a ansiedade, ressaltando que muitos que sofrem de pânico sempre foram ansiosos. Ela explica a importância de um tratamento adequado, que pode envolver medicamentos e terapia, e observa que os pacientes muitas vezes são relutantes em continuar o tratamento após sentirem-se bem. A interação entre experiências de medo e o controle das reações físicas e emocionais é discutida em relação a como prevenir crises futuras, assim como a importância de intervenções precoces em casos de bullying.

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Transcrição

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0:01 [Música] Ana, já tava com saudades de você, da sua? Eu também pensei que você tinha me esquecido. Não, você é inesquecível. São quantos anos? Você veio? 2003, 17 de julho de 2003. Olha, você lembra até do do Foi o primeiro programa que eu fiz. Ah, foi? Eu tava falando pro Vittor, eu falei: "Vitor, você é um privilegiado, você tá estreiando com Jô". Estrei com Jô, tô até hoje por aqui. Privilégio no caso, é meu, com dois convidados tão sensacionais. E aqui tem bullying. Qual é o livro mais recente aqui? Me fala. O mais recente foi o bullying ano passado.

0:49 Esse de 2007. Uhum. E o primeiro foi o Mentes Inquietas que eu lancei aqui. É que é o Mentes Inquietas. É aquele que tá lá debaixo do buling. Ah, tem mais um aqui embaixo. Tá aqui. É aqui. Mentes inquietas que falava muito. Acho que você foi das primeiras pessoas a falar realmente em detalh sobre a hiperatividade das crianças. Há de atenção. Exatamente, né? Porque é difícil de de confundir. Outro dia o Wilton Marx trabalha aqui com com a gente, tava vendo numa pesquisa que se um adulto for fazer o mesmo tipo, gastar o mesmo tipo de energia que uma criança gasta durante o dia, que primeiro que só anda correndo, que se um adulto for tentar reproduzir, morre, tem o coração

1:36 explode, né? E então é difícil você distinguir uma coisa da outra, né? É, mas aí que tá, Ju, porque a hiperatividade, quando a gente fala hiperatividade é cerebral. É mental, é a velocidade do pensamento. Que quase não, mas mesmo assim até você descobrir que isso era uma alteração ficou durante muito tempo como hiperatividade física, fosse a condição cinequan. E não é, é hiperatividade mental. Então, por exemplo, é muitas crianças têm hiperatividade física, nem por isso são TDA, tem déficit de atenção. Nem por isso são TDA, TDH, déficit de atenção, transtorno do déficit de atenção. TDA. Vamos pela ordem aqui. Então, aqui é mentes inquietas. Depois foi o Mentes e Manias. Mentes e manias. Foi relançado agora. Transtorno obsessivo compulsivo,

2:21 que eu acho que nós todos temos. Todos nós temos manias. Hã, obsessivo, compulsivo são poucos. Ainda bem. É mesmo? Sim, claro. Você abre um espaço para mim no seu consultório? Abra. Não, quando eu digo obsessivo, compulsivo, claro que não é como eu conheço pessoas, aliás, que já declararam isso, que às vezes tomavam 13 banhos seguidos ou levavam 3 horas para sair da cama, né? Não, não saí direito. Volta. Exatamente. Bom, mas um pouquinho obsessivo, sem ser compulsivo, eu acho que tô, pelo menos o cesteto todo tem músico. Tem mania? Não, músico. Tem o

3:08 derico não, não é derico. Você falou o único problema que você tem em relação a isso que não é uma mania. Mas toda vez que eu vou tomar banho, eu tenho que molhar meu braço esquerdo primeiro. Mas isso isso é uma mania. Não, eu vou ter que molhar ele de qualquer forma. É, eu só antecipo. Mulher não toma banho. Toma banho. É, eu só antecipo. A gente tava ensaiando um show musical que a gente fez e eu falei que eu tinha uma algum tipo de turete, eu chamava de turete, né? Daí de turete. É tipo, eu eu por exemplo tenho um meio idiota que se eu tô passando por uma porta, se eu esbarrar um lado, tem que esbarrar do outro. Do outro. Muito comum. Aí alguém falou que tinha, o tomate falou que não pisa em em não pisa em faixa, né? Na rua

3:54 dividindo. É, vou andando assim, tem aqueles quadrados, eu vou contando dois, dois. Aí tem que compensar o Chiquinho. O Chiquinho que se por acaso tiver andando e bater duas vezes com com calcanhar no chão, popoc, tem que fazer com outro pé também. Pop, senão senão não sei o que que acontece, hein? Tudo errado. Ah, dá tudo, dá tudo errado. O Miltinho tinha uma coisa semelhante e o Bira dorme. Se não dormir não dá certo não. Mas isso são as pequenas manias nossas do dia a dia. Por exemplo, a Cameron Dias não bota mão em maçaneta. O Donald Trump deixou de ser candidato à presidência da República porque não queria cumprimentar

4:39 os eleitores. Foi por isso? Foi. Pensei que era por causa do penteado dele, daquele cabelo que vem aqui. É o único pé de emprestado que eu conheço que vem de trás para frente. Porque geralmente o cabelo pede emprestado, ele vem do lado, deixa crescer até aqui e aí pede pro outro lado. O dele não vem de trás, né? Vem de trás. E é, mas só por causa de Não, não. Sim, porque ele tinha Ah, desculpa política. Isso acho que não, porque a vontade dele ser política é enorme. É, mas acho que isso até somava. Ele podia usar isso como campanha ou não, não, minhas mãos são limpas, não bem. Olha, não sei. O cara de marketing podia tirar proveito, mas o fato é que ele não podia, ele usava aquele gel germicida que agora a gente que tem qualquer farmácia. Eh, mas antes

5:26 ele usava aquilo, saía na rua e qualquer pessoa que tocasse, ele tinha. Agora o a gente já vai falar do Bing, mas como é um assunto que eu pelo menos eu acho fascinante, inclusive tem um grande músico de jazz americano, o Telonio Monk, que eu fiquei amigo do filho dele, o filho dele teve aqui e tal, e ele falava que chegou num ponto que era uma agonia, por exemplo, no meio de um concerto, ele tinha que levantar, dar uma volta no piano, aí sentar de novo e continuar. levantava, dava uma volta, sentava e em aeroporto para embarcar era uma coisa terrível. E não se sabia o que que era. Só dizia: "Não, ele é maluco, ele é exótico". Não se tinha ideia. É isso que você falou aí. Turete brabo, né? Turete e

6:14 toque. É as duas coisas aí. E quando chega nesse ponto, Jô, de gravidade, a ponto de desfazer, você vê horas para embarcar, parar um show no meio, isso já é um um tom muito grave. E muito dessas pessoas tão psicóticas, já cruzaram a fronteira da loucura. E uma uma cena que até hoje não me sai da cabeça foi o Michael Jackson, eh, que era toque, né? Teve toda aquela coisa perfeccionista que pra gente foi maravilhoso, né? pela produção perfeccionista dele. Mas vocês se lembram aquela vez que ele foi pro tribunal, ele de pijama, totalmente aéreo, entrando no tribunal. Eu não sei como não teve um médico que se dignasse a dizer: "Ele não tem condições de responder nada". Ele tava totalmente

7:01 psicótico. Você ele não conseguiu sair de casa. Ele foi tirado de casa de pijama, senão ele não chegaria e aí ele perderia, né, a revelia, né? Ele sofreu uma grande justiça porque eu pra pesquisa do meu livro eu tava lendo sobre autópsias e foi publicada a autópsia do Michael Jackson. E aí o seguinte, ele sofria de vtilí mesmo, mesmo. Não é que ele passou um creme para ficar mais claro, não, não. Ele sofria. Era tão profundo porque o vtilia é uma doença autoimune, né? Então as células começam a se se atacar o próprio organismo e as pessoas perfeccionistas têm um grau de autorejeição muito grande porque o aumenta ainda o padrão dele de exigência é enorme. Ele tinha um vtilío tão grande que a opção foi tratar foi

7:47 clarear o resto. Porque, por exemplo, quando você tem um vitiligo pequeno, você tenta tratar aquela mancha para voltar. Exatamente. Para voltar no tom da pele. O dele era tão profundo que era mais fácil clarear o resto. Coitado. Isso sabe realmente é lamentável. Não, mas aquela cena do tribunal me dá pena até hoje porque ele não tinha como ser julgado ali. Ele tava totalmente psicótico. Agora Ana, aquele negócio eu acho que é faz parte da síndrome de Turet. Duas coisas. que a pessoa não consegue evitar em alguns momentos dizer uma série de palavrões sem ter consciência que tá dizendo. Ealia. Écolalia, né? Ela vai não. Eccolia também tem um negócio coprolalia, né?

8:33 Éco e coprolalia. Coprolalia. A pessoa diz assim: "Por favor, a minha reserva tá pronta, filho da pá, tô merda." E não, e não, não consegue parar. É sério, gente? É, é, é terrível. E a Ecolari tinha um amigo queridíssimo que tinha, você acabava de falar, ele repetia a última frase. Você dizia: "Vamos escrever então? Vamos escrever então". Escrever então. Exatamente, né? Exatamente. Isso é muito típico das crianças que vão ter toque na no futuro. Ah, já desde cedo já repetem. Sim. Sim. E a taquilalia, que a pessoa que não consegue parar de falar, a taquilalia é mais característico do estado de euforia, do bipolar que entra na euforia. dos apresentadores de televisão, às vezes que não conseguem parar de falar. Ah, deixa o convidado

9:20 falar. Tem uma troca, tem uma troca, tem uma troca. Então, quer dizer, tudo isso aí, essa, isso aí é parte da síndrome de Tureetxe. Sim. Seria um espectro toque. O que que é o espectro toque, Jô? Na realidade, o transtorno obsessivo compulsivo é um transtorno de ansiedade, é um nível muito alto de ansiedade. Então, dentro desse dessa variação, para você ter uma ideia, por exemplo, a síndroma de pânico é a maior ansiedade que uma pessoa pode sentir no menor espaço de tempo. Seria um gráfico onde você teria uma um pico. O toque é a maior ansiedade que uma pessoa pode sentir num platô o tempo todo. Porque quem tem toque tem pensamento obsessivo. O que que é pensamento obsessivo? Todo pensamento obsessivo é aquele que se repete independente da sua vontade e é

10:05 negativo. Agora, tanto, por exemplo, o pânico, eu sei que em psiquiatria o pânico é tratável com comprimidos, porque é um desequilíbrio químico do organismo, não é isso? Que é uma faceta da ansiedade. O toque também é uma faceta da ansiedade. Logo, não adianta tratar só fazendo uma psicanálise. A psicanálise não resolve de jeito nenhum. toque, principalmente, que o toque seria o transtorno da ansiedade mais grave que existe. Mas o pânico também, né, professor que tem pânico, o pânico é na na coisa aguda, porque o pânico ele não fica ansioso o tempo todo, mas resolve com remédio também resolve. O grau de sucesso do pânico é enorme. Vamos voltar um pouquinho pro bullying. Vamos lá. Ahã. Por que de repente surge o nome bullying

10:52 por uma coisa que acontece há anos? Eu acho é a influência do do bullying do cinema americano. Será? Não, Jô, eu acho o seguinte, eh, as pessoas até falam que, ah, tinha que ter um nome, né, que traduzisse aqui no Brasil. É como traduzir rock and roll. Hum. Não dá para traduzir. Você fala assim, fulano tem um estilo rock and roll, dá para dizer que ele tem uma outra coisa que não seja estilo rock and roll? Não. Mas o que eu digo é o seguinte, a atividade bullying existia antes da nomenclatura. Sempre existiu, sempre existirá. não se chamava porque não tinha sido estudado. O que acontece é que na década de 80 começa a ser estudado um fenômeno de agressões entre jovens dentro da comunidade escolar. E esse psicólogo que estuda é o Dom Hwes,

11:39 que começa a fazer um estudo depois de uma coisa trágica, porque na Noruega três rapazes suicidaram juntos, deixaram uma carta e dizendo que há 5 anos eles sofriam humilhações, perseguições por parte de tais e tais e tais e tais pessoas que eram um grupo grande da escola. E a partir dessa carta que chocou, você imagina Noruega em 1981, ser tomada por um por um suicídio de três crianças numa de uma escola. Então ele começou a fazer uma pesquisa profunda e aí ele usou o termo bully, que é tirano, agressor, eh, ditador, que vem do inglês, e derivou, ele por iniciativa própria, o Donivou a palavra bullying para designar toda a agressão

12:24 que ocorre dentro do território escolar. Mas é importante que satisfaça três características, porque senão tudo vira bullying. Daqui a pouco tem político dizendo, tá sofrendo bullying. Bully é, eu já tem, já ouvi isso. Já ouvi isso do político, né? é que foi pra corrupção porque sofreu muito bullying. Então já ouvi de eleitor parte de política, sofreu tanta tanto tanta que foi pra corrupção para poder fazer frente. Então a gente tem que ter cuidado com isso. O bullying, para você caracterizar, o bullying, toda agressão que ocorre no território escolar, ele tem que ser intencional. Quer dizer, não é um por acaso. Eu não te chamei de de, por exemplo, na Bahia me chamo de negona. Eu adoro ser chamada de negona

13:09 na Bahia. Isso não me, pelo contrário, isso me deixa extremamente feliz. Mas em São Paulo se chamarem de negona mesma coisa. Também adoro. Adoro. Vai em frente, negona. Então vamos lá. Vamos lá. Vamos lá. Então tem que ser intencional, tem que ser repetitivo. A mesma pessoa tem que sofrer, pelo menos no espaço de tempo de um mês, três agressões com as mesmas características. E sempre a vítima não tem como fazer frente aos seus agressores. Ela tá sempre numa situação eh hierárquica que ela não tem como fazer frente. Agora, o bullying necessariamente é feito por mais de um menino contra um menino só ou pode um só ser o bullying do outro? Pode tanto em geral é coletivo, em geral você

13:55 tem um um mais assim que é a cabeça, digamos assim, o mentor, é a mente mais malvadinha que acaba recrutando os seus soldadinhos, até porque olha, se você não me ajudar, é um negócio de liderança. Exatamente. Você é o próximo. Então ele coordena aquilo tudo, manda o pessoal fazer e fica de longe vendo. Na hora que a direção da escola chama, ele fala: "Mas eu nem tava lá, não sei o que que vocês estão fazendo. Vocês devem investigar fulano e fulano, quer dizer, ainda entrega os outros. Sim. O líder do bullying tem sempre uma característica muito forte de comando, não é? Sempre de comando, de popularidade, eh de tirania, eh de manipulação. São pessoas que conseguem eh ser

14:41 diversas pessoas, né? Dizer uma coisa para uma, dizer para outra, jogar uma contra a outra. são pessoas que têm uma inteligência racional muito grande e é e é uma coisa muito difícil de você conseguir detetar, né? Eu acho que já foi, se for de um, se for de um com um, se for de um aluno com outro, de um menino com outro, fica mais difícil, não fica? Se você falar alguma coisa disso, eu te mato. Eu mato a tua mãe. Isso. Isso mesmo. Isso mesmo. A maioria das das crianças adolescentes sofrem bullying, sofrem calados porque são ameaçados literalmente. Nós temos aqui um monte de estudantes. Eu vou pedir pra gente chamar a nossa vinheta que eu quero continuar aqui com a Ana Beatriz e jogar algumas perguntas pra plateia. Se alguém tem alguma pergunta a fazer, tá? Vai virem, por favor.

15:30 Tenho aqui ao meu lado Ana Beatriz Barbosa Silva, psiquiatra, tá lançando um livro sobre o bullying pela editora Fontaná, que é um selo da Objetiva, que é da Objetiva, é da Objetiva. Agora, eh, eu falei que vamos que eu ia abrir jogando perguntas paraa plateia, mas antes eu queria perguntar o seguinte, se a expressão bullying, se o, pode ser aplicada também em em grupos de empresa, não com adultos? Não, não, aí já toma outro nome com as mesmas características. Aí você quando é ambiente de trabalho assédio moral. Qual é outro nome. Assédio moral. Exatamente. Eu vi que as tem pessoas ali que você fazendo eu vou abrir paraa pergunta se para da

16:17 plateia. Não vou fazer diagnóstico de ninguém, fique tranquilo. É, alguém tem alguma pergunta? Pois não. Tem uma senhora, uma moça loura ali. Isso pode fazer. Eu gostaria de saber se quando Silvia de São Caetano. OK. Tá. Eh, eu gostaria de saber se uma pessoa que quando ela já teve a síndrome de pânico, ela já fez um tratamento, se pode voltar a ter novamente. Sim, pelo seguinte, porque ninguém tem pânico sem ser previamente extremamente ansiosa. Eu costumo dizer que a gente só adoece daquela personalidade que a gente já tem. Então, uma pessoa que chega a fazer pânico, ela é uma pessoa que sempre foi ansiosa. E se essa ansiedade

17:04 não for controlada ou você aprender a administrar em momentos em que a ansiedade aumenta para todo mundo, como época de entrada de faculdade, mudança de trabalho, casamento novo, se não houver um controle de lidar com isso, pode reagizar. Mais alguém com alguma aqui na frente? Espera chegar o microfone um instante. [Música] Pode fazer. Boa noite. Boa noite. Eu me chamo Lúcia e eu tive esse problema hoje aqui. Problema no lugar fechado. Então o que que eu fiz? Em vez de sair, eu coloquei um um rivotril sublingual. Aí eu acalmei. Isso. Eu como eu vou poder melhorar isso? Na realidade você fez o que a gente chama de um SOS, né?

17:50 Primeiro, parabéns, porque você fez e ficou. A pior coisa seria fugir. Fica, é, eu fico, eu enfrento, porque o cérebro marca a experiência do medo e quanto mais você foge, mais ele se torna eh maior e e vai te mobilizando, né? Na realidade, o que você usou é um SOS, não é como tratamento. Isso. Eu preciso de um tratamento. Exatamente. Você tá fazendo assim, tem febre, toma um anti antitérmico, mas isso não resolve. Porque o que você usou, ele é baixa a noradrenalina, que é uma coisa aguda, tá? E na realidade a essência do tratamento do pânico tá na serotonina. Isso. Então você tem que aumentar os níveis de produção da serotonina, que é uma outra substância, mas não comendo

18:36 chocolate, tá? Engorda bem, tá? Tá, pode deixar, pode deixar. Foi por minha causa. Não, emoção. Ah, eu fiquei emocionada. Eu queria, eu queria complementar a pergunta depois lá no fundo, mas antes eu queria complementar a pergunta. Ah, desculpa, como é seu nome mesmo? Silvia. A Silvia é uma a pergunta da Silvia que é o seguinte: parando. Se a pessoa volta a ter pânico, o pânico não é uma condição pelo fato de ser um desequilíbrio químico do organismo, ã, a pessoa não tem que continuar tomando o remédio sempre para depende, por exemplo, depende do quê? do pânico, depende da pessoa, porque e depende do tempo, porque tem uma coisa que o cérebro ele

19:23 tem uma uma capacidade de gravar experiências ruins muito maior do que gravar experiências boas. Então você forma feito um calo. Se você pega uma pessoa com pânico, que ela tem um mês tendo crise de pânico e você trata a probabilidade de emos no máximo, você tirar toda a medicação e ela já tá pronta para viver com outro treinamento, com uma ginástica cerebral que controla essa essa ansiedade é enorme. Em geral os pacientes chegam 10 anos depois. Mas também não tem uma coisa da pessoa tem medo de parar e de voltar a ter pânico, aí diz: "Não, eu vou me garantir." Tenho medo do medo. Exatamente. Mas o que que a gente vai fazendo? Ao final de dois anos, eu sempre faço uma estratégia de ir reduzindo ao máximo. Eu tenho um paciente que hoje é é até é brincadeira,

20:10 ele me visita uma vez por ano para dizer que tá tudo bem, que ele toma um qu4arto de um estimulador da da serotonina por semana, mas isso um quarto nós fomos tirando aos pouquinhos, meio comprimido, eh, todo dia. Depois fomos, mas assim, de três em três meses, bem devagarzinho, para não deixar ninguém tenso, não deixar ninguém com pânico. Ninguém com pânico, né? E sempre com SOS, se vai fazer uma viagem, tem sempre um recurso, tudo, tudo bem seguro. Aí três meses depois passa para 1 qu4to, 3 meses depois passa para 1/4, segunda, quarta e sexta, depois passa para um três meses, 1/4, terça e quinta. E aí quando chegou na na terça e quinta, um quarto, ele chegou para mim: "Bia, é possível eu não querer tirar?" Ele nunca

20:56 quis tomar. Eu falei: "Bom, é cômico porque não queria tomar". Falei: "Mas tudo bem, olha só, a gente vai buscar menor dose com eficácia, vamos tentar tirar". Ele falou: "Não, esse um quarto me dá uma segurança, é claro, e a vida dele absolutamente normal. Mudou a vida dele, para que que ele vai querer arriscar de de E uma vez por semana? É, é menos do, é uma quantidade quântica, vamos dizer assim, né? Ah, tinha uma, uma moça que levantou o braço lá e um rapaz que tirou, levantou o braço aqui. Então, vamos primeiro pra moça. Boa noite. Eh, Dra. Ana, eu gostaria de de lindagar a respeito do bullying no ambiente acadêmico. Normalmente as pessoas sempre

21:42 se atém ao no ambiente escolar, ensino fundamental e médio, mas como professora de ensino superior, eu observo que acontece isso, como nós educadores podemos lidar com quase adulto, né, com adultos e entrando na universidade, na realidade é muito boa pelo seguinte, porque continua sendo bullying, porque é um ambiente eh, de estudo, estudo, né? Tanto que a gente considera até um pré-bulling os trotes, que são terríveis e não podem ser permitidos, né? Começa, por exemplo, não tem que ter trote para entrar numa faculdade, de jeito nenhum. Por que que o trote não é substituído por vamos pintar o muro de uma escola, vamos fazer uma uma doação, né? Por que

22:29 que tem que ser essa humilhação, esse ritual? Então, abolir totalmente o trote, eu acho que é uma primeira dentro disso. E e ter um conselho dentro da faculdade, porque não pode ser permitido, porque a questão do bullying é que se a gente não trata cedo, a gente tá gerando uma geração de intolerância, que hoje você como professora universitária deve est vendo isso, né? Coisas horríveis, né? Segregações horríveis. Então, quando as pessoas falam assim: "Ah, esse negócio de bonea". Não, a gente tá tentando colocar uma questão eh de tratar aonde ainda é mais propício tratar. Por isso tanto a gente fala em na na idade escolar eh infantil, na adolescência, porque quando chega na faculdade fica muito mais difícil, mas mesmo assim a

23:14 gente não pode tolerar nenhum tipo de intolerância. Essa é a mensagem, né? Eu vou eu vou abrir para mais uma pergunta que eu tenho mais dois assuntos para falar sobre ã psicopata, soció esquizofrenia, enfim, que é exatamente esse rapaz de gravata ali. Sim. Boa noite, meu nome é William. Eh, minha pergunta é referente ao bullying também, né? Como trabalhar isso eh com a criança no sentido de como saber se a criança está sofrendo bullying ou não. Quando descoberto é que atitude os pais, os professores, os seus líderes têm que têm que ser tomadas e como encorajar a criança até mesmo eu não sei se a minha meu filho passa ou não por essa situação. Como que eu consigo supervisionar eh no sentido de o que fazer?

24:00 Primeiro eh William eh observação. Por exemplo, uma criança que sofre em bullying, na escola, ela já tem um comportamento diferente. Ela sempre no recreio vai estar isolada, ela vai est perto de adultos, geralmente o cantineiro, a aula de educação física tenta evitar qualquer custo, porque é onde o bullying pode chegar a coisa mais material, as agressões físicas ficam muito mais justificáveis. Então, eu diria os pais procurem saber como é que tá seu filho na escola. não tenho vergonha de aparecer na escola eh repentinamente, falar com com inspetor, falar com cantineiro, falar com professor de educação física, falar com os professores, porque essa criança vai estar sempre acuada de alguma maneira. E em casa também observar que essa criança não recebe telefonema dos amigos, não recebe convite para ir às festas, tem

24:48 repentinas explosões de raiva, sem justificativa, porque toda aquela energia contida, que ela não consegue fazer juiz na escola, muitas vezes ela tem uma um ataque de raiva em casa injustificável e o pai começa a achar que esse menino tem, tá maluco, não fiz nada, não foi motivo para isso. Então, uma maneira de explodir e também quando tá levando seu filho pra escola, quem sofre bullying tem a síndrome do domingo, segunda-feira na na no domingo à noite já começa a falar: "Tô enjoado, tô com tontura, tô com enjoo, eh tem insônia, amanhece com dor de cabeça e no trajeto pra escola costuma a referir vários sintomas desse tipo." Então, é uma gama, eu eu fiz isso muito

25:33 separadinho no livro, é uma gama de de observações que a gente tem que ter, porque o comportamento muda e isso é visível se a gente tiver com olhos para ver, né? A gente só pode ver aquilo que a gente tá treinado para ver. Tem como saber como agir com as crianças tem uma coisa que aí você tem que reunir escola, os pais, o conselho tutelar, porque as pessoas não têm noção que existe uma coisa chamada conselho tutelar. Se a escola não chama a não toma uma providência, você vai na direção, não toma providência, você vai ao Conselho Tutelar. O Conselho Tutelar, ele entra na escola e faz o primeir uma primeira abordagem, se for necessário ter a promotoria da infância. Todos os órgãos preparados do judiciário para isso, mas a gente por desconhecimento não aciona.

26:21 Ahã. Ana, eu gostaria de falar um pouquinho sobre sociopata e psicopata. Uhum. Hã. Na minha cabecinha, eu sempre pensava que o sociopata era mais perigoso que o psicopata. No entanto, não tem nada a ver uma coisa com Não é uma denominação paraa mesma coisa. A questão é que antigamente se falava sociopatia porque se achava que todo homem nascia bom e a sociedade distorcia e fazia com que ele então passasse a cometer crimes, a ser violento. Hoje a gente sabe, esse era chamado de do sociopata, porque a sociedade fazia essa doença. Hoje a gente sabe que a a psicopatia tá ligada à maldade, a maldade essencial. E

27:07 infelizmente os estudos mais recentes de neuroimagem detectam desde muito cedo que as pessoas que têm tendência a ser perversos não são atos isolados de maldade, é uma não, não são atos isolados, é uma maneira de ser onde o outro não tem importância, né? Isso vem de fábrica. Sempre houve uma dúvida na minha cabeça entre o sociopata, o psicopata que você acabou de esclarecer. Agora, o psicopata, ele também não se, você falou em relação ao outro, mas em relação a ele mesmo, ele não quer nunca se machucar, vamos dizer assim, né? Ou não? Claro que não, Jô, porque olha só que que é que que seria o psicopata? aquela

27:52 pessoa que na essência dela ele não tem empatia pelo outro, ou seja, ele nunca se coloca no lugar do outro. Então ele não tem compaixão, ele não tem culpa, ele não tem remorço. Quer dizer, a maioria dos assassinos inerial, que eles com certeza são os psicopatas graves e não soatas ou também soció. São psicopatas, perdão, são psicopsopatas. A gente hoje não usa mais a expressão sociopata. Bom, e aí o esse psicopata, ele mata 30 pessoas, mas ele vai, ele ele vai preso porque ele tem consciência, ele não tem pena, mas tem consciência que o que ele está fazendo é crime total. Porque a psicopatia é um eh você essas pessoas nascem com sistema

28:39 límbico, que seria o sistema emocional como se fosse desconectado. Logo, é, mas eles têm uma int genético, é, tem um componente genético muito forte, não é só genético, né? A educação pode moldar, não há educação ou sociedade capaz de formar um psicopata, mas molda o psicopata. Porque o o psicopata pode dizer: "Bom, eu não sinto nada por ele, quer dizer, não, se ele morrer ou não morrer, mas pode não querer interferir no sofrimento alheio, não pode. Pode, mas ou é ou é uma necessidade de perversidade, depende do grau. Por exemplo, quando você fala do Sirial Killer, seria o psicopata grave. Esse tem um grau de perversidade tão grande que não basta matar, não basta estuprar,

29:24 tem que esquartejar. aquele menino de Goiânia que matou aquela estudante inglesa que tava aqui. Vocês lembram desse caso? Tem mais ou menos um ano, né? Eh, que ele ele matou a namorada inglesa que tava com ele, deixou o corpo no banheiro e foi a um baile funk. E aí quando a polícia e depois chegou, esquartejou, botou numa mala e despachou no rio. A menina foi identificada porque uma parte do corpo tinha uma tatuagem que a mãe identificou. Uma coisa terrível. E quando foi perguntado a ele, mas por que que você fez isso? Ele o quê? Não, de largar o corpo, ir a um baile. Ué, mas já era cadáver. Então é essa questão de o outro é um

30:10 objeto. É impressionante. Agora, e a esquis o esquizofrênico pode ser esquizofrênico e psicopata? Não. A esquizofrenia é totalmente diferente. A esquizofrenia é o que nós chamamos da loucura. Todo mundo aqui é loucura, gente, é aquilo que sai do ar. O cara passa a viver uma realidade paralela. É quando ele imagina, por exemplo, tá sendo perseguido, a vida dele tá sendo colocada na televisão, fala uma palavra eh do tipo: "Esse cara é bacana". Ele já acha que tão aquilo é um símbolo que tão querendo dizer que vão pegá-lo. Mas aí não é paranoia, não é paranoia. Aí já é para E paranoia e esquizofrenia são ligadas? Digamos que a esquizofrenia paranoid é a esquizofrenia mais comum

30:57 que existe. Ah, é exatamente. Agora, e aquela eh, a esquizofrenia é, tem uma coisa que eu acho curiosa que a esquizofrenia é controlável com remédios. No entanto, de repente, o esquizofrênico acha que tá legal e para o remédio. Não acontece muito isso? Sim, acontece demais. Isso pra gente é terrível, porque eh o no primeiro surto, por exemplo, quem viu aqui aquela novela Caminho das Índias, a gente fez exatamente eh eu acho que foi um trabalho brilhante da Glória, porque ela quis exatamente separar isso, o que que é a maldade que tava no personagem da Ivone e o que que era a loucura que tava no personagem do Bruno, certo? Do Bruninho, que ele ouvia vozes, ele ele via a imagem dele distorcida no espelho,

31:43 né? Como a gente teve agora esse último filme, O Cisne Negro, aquela menina é uma esquizofrênica, como como aquele outro filme, uma mente brilhante. Eh, eu costumo dar aula sempre na faculdade, muito usando filme, porque eu acho que isso populariza e torna o conhecimento acessível. E o caso da mente brilhante é um caso real, né? real, exatamente. De um cientista mais esquizofrênico. Ele, a, o nível de inteligência dele era tão grande que depois de um certo tempo ele já sabia que era delírio. É, ele passava a se medicar e ele sabia quando ele estava delirando ou não. Isso requer um nível de inteligência. Muito. Agora, você acha que os esquizofrênicos param de tomar o remédio ou o bipolar para de tomar o o remédio quando tá em pleno período de euforia? E o esquizofrênico também diz:

32:28 "Não, eu tô bem, não preciso mais. Porque esses esses remédios têm efeitos colaterais também complicados para eles. Olha, hoje as coisas evoluíram muito. A gente tá com medicações muito mais tranquilas, com muito menos efeitos colaterais e em relação à esquizofrenia e a bipolaridade também. Por exemplo, antes a bipolaridade a gente só tinha o lítio que geralmente desencadeava hipotiroidismo ou insuficiência renal. Então era muito complicado. Hoje a gente já tem muitas outras opções. A questão é Ju, eh, você imagina uma pessoa eufórica. Na euforia essa pessoa está hipersexualizada, ela ela tem uma sensação de poder absurdo, ela tem uma felicidade, ela não precisa dormir, né? Tanto que tem pessoas em euforia que você interna

33:14 porque ela tem que dormir, senão ela vai morrer por colapso do organismo, né? E você chega para ela fala assim: "Olha, você não tá bem, ela tá maravilhosa, que não tá bem a gente, né, né? Ela tá maravilhos. Eu costumo dizer que bipolaridade em mulher, a euforia é muito fácil de detectar. Todo mundo aqui já teve uma amiga que normalzinha, tranquila. Um belo dia você encontra essa amiga vestida de pomba gira. É um vestido vermelho, cor de abóbora, um batom vermelho de beijar Lupcine Rodriguez na madrugada. né? E ela fala em sexo o tempo todo, tempo todo, o tempo todo. Tá com a pomba gira de frente. Exatamente. Os homens já são mais difíceis. Eles começam a

34:00 comprar carros, vão muito a termas, mas assim, não as termas, mas aquelas termas bem da Prada Júnior, né? Quem conhece o Rio de Janeiro, eles vão lá e ficam a noite inteira conversando com todo mundo. E os gays também tem as duas coisas, comprar carro e permido vermelho. Eu conversei aqui com a minha queridíssima Ana Beatriz Barbosa Silva, parabéns pelo seu trabalho, parabéns pelos seus livros. Ah, para quem não viu no início, tem mentes inquietas, que é sobre hiperatividades. Tem aqui transtorno obsessivo, compulsivo, mentes

34:47 e manias. Tem mentes perigosas, o psicopata mora ao lado. E tem bullying, Ana, que é o o o mais recente, né? O mais recente. Muit O próximo tratará de quê? O pró obesidade compulsiva. Não, não. O próximo tratará de uma de uma personalidade que os homens vão precisar de muita ajuda, porque tratará daquelas mulheres que são chave de cadeia, aquelas que interessante fazem um barraco no trabalho, quebra o vidro do carro, esvazia os pneus, se rasga, se joga na frente. Mas olha, tem homens que só são atraídos por esse tipo de mulher. Exatamente. Os políticos gostam muito desse tipo de mulher, não sei por. Eu tenho um amigo que é um playboy, é um

35:33 homem bonito, elegante e tal, mas ele diz: "Não, eu quando eu eu só namoro uma mulher, eu quando eu namoro eu quero a gaveta dela, os problemas que ela tem. Uma mulher sem gaveta não me interessa. Exato. Mas olha, dá um trabalho. Ana Beatriz, muito obrigado. Daqui a pouco a gente volta. [Música] เ

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