Aula 2: O Irã e a disputa regional no Oriente Médio

Resumo Breve

O vídeo discute a situação geopolítica no Oriente Médio, especialmente sobre a relação do Irã com outros países e grupos, bem como a rivalidade com os Estados Unidos e a Arábia Saudita. Amanda Marinha e Guilherme abordam as repercussões das revoluções, conflitos e a influência do Irã na região.

  • A pesquisa de doutorado de Amanda se concentra nas guerras do Iraque.
  • Discussão sobre a guerra atual envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel.
  • Análise das minorias étnicas no Irã e a racionalidade estratégica do país.

Introdução e Contexto

Guilherme e Amanda se apresentam e introduzem o tema da aula, que envolve a situação atual na geopolítica do Oriente Médio, especialmente durante uma semana tumultuada de eventos relacionados ao Irã e seus vizinhos. Amanda destaca sua pesquisa de doutorado sobre as guerras do Iraque, focando nos impactos geopolíticos.

Atualizações sobre o Conflito e Perspectivas Geopolíticas

Amanda oferece uma atualização sobre os desenvolvimentos diários na guerra entre o Irã, os Estados Unidos e Israel, incluindo o fechamento de estreitos que impactam as rotas de exportação de hidrocarbonetos da Arábia Saudita. A situação da segurança marítima no estreito de Bab el-Mandeb é discutida, juntamente com as complexidades que envolvem as dinâmicas do eixo da resistência no Oriente Médio.

História e Estruturas do Irã

Amanda revisita a história do Irã, ressaltando a Revolução Islâmica de 1979, que transformou um estado laico em uma teocracia. Ela discute a diversidade étnica do país e a importância de entender as minorias étnicas, como os curdos e baluches, para compreender os desafios de segurança interna enfrentados pelo governo iraniano.

A Rivalidade Regional e a Ordem no Oriente Médio

A rivalidade entre o Irã e a Arábia Saudita é explorada, com foco nas diferentes interpretações religiosas e políticas. Amanda discute como a revolução iraniana de 1979 gerou temores entre as monarquias do Golfo e como esses medos resultaram em uma nova dinâmica de guerra e alianças.

O Eixo da Resistência: Alianças e Estratégias

A aula detalha a formação do eixo da resistência, que é uma rede de alianças que o Irã estabeleceu com grupos paramilitares em diferentes países da região, como o Hezbollah no Líbano e outras facções no Iraque e Síria. Amanda discute como o uso da religião é utilizado para construir essas alianças, bem como a neutralidade ou complexidade das relações com grupos sunitas, como o Hamas.

Impactos Internos e Conflitos Regionais

Amanda aponta como o contexto da guerra na Síria e a presença de grupos paramilitares moldam a dinâmica interna do Irã e a política do Oriente Médio. As relações com potências como a Rússia e a condição do Iraque pós-2003 são abordadas, destacando a crescente influência do Irã na região.

Conclusões e Discussões Futuras

A discussão termina com um convite à reflexão sobre as complexidades do mundo contemporâneo e como o próximo encontro se concentrará nos desdobramentos da tecnologia e questões nucleares, além de discutir a situação atual do Irã na arena internacional. Amanda reforça a importância de compreender o cenário geopolítico antes de analisar seus impactos contemporâneos.

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Transcrição

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0:00 Olá pessoal, boa noite. Boa noite, Amanda. Como você está? >> Boa noite, Guilherme. Tudo certo por aí? Boa noite, pessoal que tá nos assistindo. >> Vamos falar de coisas boas. tem avançado na escrita pronta paraa defesa. >> Falta ainda um pouco. >> Nós estamos ansiosos porque nos compartilha em primeira mão para que a gente possamos fazer a leitura também. >> Claro. >> Qual que é o tema da sua pesquisa, pessoal conhecer? Eh, então eu tô no doutorado falando sobre as guerras do Iraque, uma perspectiva bem geopolítica pros impactos da região. Isso é bom que tá conteúdo bem

0:46 fresquinho de geopolítica para essa semana de aulas. >> Nossa, com certeza. >> E vocês, pessoal, que estão nos acompanhando, o que vocês estudam? Tão cursando mestrado, doutorado, fazem alguma pesquisa? Deixa eu avisar lá no nosso grupo que nós vamos começar. E Amanda nos atualize o que aconteceu de ontem para hoje nessa guerra Irã, Estados Unidos, Israel. Agora temos mais um estreito sendo fechado. >> Exatamente. Os rutes que coincidentemente ou não nós vamos falar na aula de hoje quando abordarmos sobre o eixo da resistência. Eh, tá com algumas questões ali relativas à segurança marítima do estreito de Baba Mandebou.

1:31 Então, por causa disso, a Arábia Saudita tá tendo que fazer uma grande eh logística e arquitetura, não está conseguindo mais passar por ali e assim ir eh vender seus hidrocarbonetos para o resto do continente asiático e para o mundo. tá tendo que cortar o canal de Suen, cortar ali o continente africano, passar ali pela África do Sul para conseguir chegar, por exemplo, na Índia ou na China, aumentando em pouco mais de 12.000 km toda a peregrinação, por assim dizer. E a gente tá vendo que os Ruts hora e meia eles já falavam alguma coisa, se posicionavam sobre o conflito regional, mas a cada dia eles estão mais

2:17 eh ali se apoiando mesmo, fazendo mais ingerência no tabuleiro geopolítico local. E além disso, hoje a gente viu o secretário de guerra, né, mais secretário de defesa dos Estados Unidos pedindo mais dinheiro para o Congresso, para o Senado em relação à guerra contra o Irã. E a gente tá assim para conversar mais sobre esses detalhes na aula de quinta-feira, mas ontem a gente já começou a dar um panorama sobre as relações Estados Unidos e Irã, que hora era amigo, agora é inimigo. Lembra uma clássica? Quando a gente começa a estudar na graduação, eles não têm amigos, eles têm interesses.

3:09 E >> a gente passo a palavra para você. Boa aula, pessoal. Qualquer dúvida me mandem mensagem. Então, estamos tratando de um tema que está acontecendo exatamente no momento. Vamos ver a geopolítica sendo desenhada. e novas tensões emergindo. Boa aula. Quaisquer dúvida me mandem mensagem e compartilhem as suas perguntas no chat que logo logo nós vamos ter uma sessão de perguntas. Ferei por aqui no suporte. Até mais. >> Obrigada, Guilherme. Boa noite, pessoal. A gente já falou um pouquinho dos últimos acontecimentos. Em menos de 24 horas a gente tá vendo a guerra sendo escrita bem aos nossos olhos, a história sendo moldada. E hoje a gente vai dar

3:55 prosseguimento ao nosso curso aqui da escola de inverno sobre Irã Oriente Médio e a disputa pela ordem regional. Mas vamos lembrar um pouco do que nós estudamos ontem. Eh, brevemente, eu sou Amanda Marinha, sou pesquisadora da FAPERG e aqui no ES, eu também sou professora, tô na cátedra de história do Brasil do LUT CCD, que é um curso especializado para quem quer tentar a prova para o Itamarati, venha conhecer a nossa proposta. Nosso método é único e lá a gente, na aula de história do Brasil a gente conversa bastante e a gente eh elenca eh relaciona com vários outros temas como política, história mundial, economia. É bem interessante. E na aula de ontem a

4:42 gente começou a falar sobre o Irã. E o bati ontem muito na tecla o seguinte, a gente chega e fala no Irã, a República dos Aatolás teve a revolução, eles são xintas e a gente coloca ele muito nesse nessa caixinha, como se fosse um quadrado. E a gente interpreta dessa maneira, ponto e acabou. Mas a gente não repara que o Irã tem uma história anterior que nos ajuda a entender como ele chegou nesse ponto de ter passado por uma revolução em 79, que foi a única revolução do século XX que vai tirar o estado laico e vai colocar uma teocracia no poder. E como que isso vai nos ajudar a pensar a sua racionalidade estratégica que está presente até os dias de hoje?

5:29 Eu também falei com vocês sobre quem é o Irã, porque a gente viu que, por mais que a gente coloque como um grupo homogêneo, que nossa, não eh é são todos eh iguais na questão de pensamento, a gente viu que existem eh minorias eh consideráveis no seu território. Aqui a gente observa essa parte do Kurdistão, que faz fronteira com o Iraque, uma beirada da Síria e com a Turquia, que é uma área muito rica em petróleo, hidrocarbonetos. Esta parte aqui já é dos azeres que tem relação com o Azerbaijão. E aqui nós temos também os baluches que ali na fronteira Afeganistão e Paquistão. E

6:16 esses grupos que formam essa minoria, essas minorias éticas são muito importantes pra gente entender o Irã de hoje, porque como eu tava falando, o Irã não é um grupo homogêneo. Não é pra gente pensar que, ah, todos ali são descendentes do grande império persa, então vai ser tudo como se fosse eh monolítico. Não. A gente observa que o regime, o governo enfrenta dificuldades da sua segurança interna muito relacionado a esses grupos. Por quê? Principalmente momentos de instabilidade, como que nós estamos vivendo agora. Esses grupos eles estão em territórios e contém recursos energéticos, recursos estratégicos. Ali

7:02 na questão do Kurdistão, hidrocarbonetos. Aqui nos baluches nós temos muito ouro. E são populações que querem ter a autodeterminação dos povos. Eles querem ter uma maior autonomia e não fazer referência, não estar ali subjulgado ao governo de Teran. Isso faz com que eles sejam muito utilizados também por organizações que são contra o Irã. Existem relatos, documentos históricos falando sobre isso, que eles querem ser usados para atingir o Irã com a promessa de que, nossa, nós vamos te auxiliar, nós vamos te ajudar na sua autodeterminação. E paradoxalmente essa riqueza que eles têm, eles também eh apresentam os

7:48 menores índices de desenvolvimento humano do território iraniano. E tem muitos, eh, embates bem sérios mesmo com esta questão de segurança interna com o regime de terã que o observa, olha com um pouco assim de ressalva, um pouco assim de canto de olho. Então, a gente vê que esses grupos tiveram uma participação muito grande após os protestos que começaram a ecludir por todo o país com um ponto especial grande bazar pro final do ano passado. E quando estes protestos chegaram nestas minorias étnicas, é que começaram a ganhar novas bandeiras de ser algo mais social e menos, e não apenas, melhor dizendo, econômico. E então, se a gente entende,

8:35 e aqui retomando quem era e quem é o Irã, fica mais fácil a gente entender como ele vai se comportar também geograficamente, não entender que o dentro da cabeça do Estado iraniano, ele só tem questões a serem levadas em contas sobre a sua soberania, sobre a sua manutenção, a sua estabilidade do ponto de vista externo, mas também e também principalmente ente do ponto de vista interno. E sobre a questão do Kurdistão, a gente tem que lembrar que na no início do do da década passada eram eh o Kurdistão foi muito importante para ajudar a conter o Estado Islâmico no Oriente Médio, porque tem uma porção

9:20 no Irã, outra no Iraque, na Síria e na Turquia. O outro ponto que nós também comentamos ontem é que o Irã, como esse grande descendente do império persa, ele tem uma maioria, porque dentro do islamismo nós temos uma divisão sunita e xita, que são eh divisões muito mais do ponto de vista teológico, dogmático, doutrinário. E o Irã tem a parcela majoritária eh como sendo xiata que é a minoria do islamismo. no Iraque, Barém, nós e Líbano, essa informação importante pra gente entender o eixo da resistência, a gente observa que tem populações e chiitas em peso e o

10:07 demais os demais territórios do mundo muçulmano barra islâmico são mais da doutrina, vamos cotar assim, da vertente sunita. Falamos da diferença de árabes para Persas, essa questão étnica e também da questão religiosa do ser, é, do ser muçulmano e ser árabe não deve ser tido ou observado ah como sinônimo. São coisas, sãoas, por assim dizer, distintas. Quando a gente tem essa análise, a gente já, vamos dizer assim, começa a 30 a 40% à frente de muitas observações que às vezes são rasas. e tendenciosas ou até mesmo pejorativas. Pra gente entender o Irã, a gente

10:53 precisa entender o objeto de análise. Isso passa a entender sua história, sua economia, sua cultura e, principalmente, a maneira como ele se enxerga no mundo e para com o mundo. E ontem a gente falou da questão também da inserção internacional, que é como o país eh quer ser, como ele quer se projetar versus de fato que ele consegue devido à estrutura do sistema internacional. E a gente também aqui, vamos voltar um pouquinho aqui para uns pros tópicos da aula de ontem, para vocês entenderem o fio da meada do porqu fazer essa retomada, esse resumo, pra gente conseguir chegar hoje na ordem regional. A gente viu quem é o Irã e que o Irã é parte do grande império persa, que foi

11:40 um dos maiores impérios militares que já pisou no no planeta Terra. Mas a gente vai fazer um recorte a partir ali e da virada pro século XX pra gente entender mais esse Irã contemporâneo que até então era governado ali na virada pro século XX pela dinastia Cajar e que existia muito uma descentralização política muito voltada para tribos eh para questão mais assim de de lealdade mesmo tribal. Mas em 1925, o chá rez palav vai fazer uma ação ali eh política e vai subir ao poder e vai querer desmanchar com o que existia em termos estruturais eh institucionais.

12:26 até então ele tava assim e era um grande admirador da revolução francesa e também da modernidade que a Turquia tava passando naquele período, que essa modernidade vai ser traduzida como laicidação do Estado, vai querer promover alterações eh neste território que agora sim vai passar a ser chamado Irão, que até então era a grande Pérsia. E a partir disso, ele vai começar a fazer políticas um pouco mais eh de segregação com estas minorias, que os alfabetos não poderiam mais ser usados nas escolas, assim como os idiomas. e apenas vai se manter o persa. O persa, na verdade, ele usa o mesmo alfabeto árabe. O o que diferencia mais é a

13:13 pronúncia e e é basicamente eh não um dialeto, mas um idioma muito próximo do árabe também na questão da das ramificações dentro do campo das letras. E a gente observa que ele vai eh instaurar então uma nova realidade para este país que agora vai se chamar Irã. E assim vai começar esta monarquia, que vai ser uma monarquia que vai ter algumas características, como a gente viu ontem de república, porque com algumas restrições a população tinha algumas liberdades, alguns direitos sociais, mas à medida que isso avançava a gente via que também existia uma corrupção generalizada, uma desigualdade

14:02 eh sim que cada vez ficava e maior, mais latente e ao mesmo tempo eh uma proximidade muito grande com o Ocidente. Até que durante a Segunda Guerra Mundial o território vai ser ocupado tanto pela União Soviética quanto pela Inglaterra. Isso eles vão fazer com que o chá opte por colocar o seu filho no trono, que vai ser muito mais eh maleável e leal aos interesses eh destes países do que propriamente para com o seu povo. Isso a gente vai ver de uma maneira muito clara como um desdobramento da Segunda Guerra neste território. Porque às vezes quando

14:47 a gente estuda esse conflito, a gente foca muito apenas no continente europeu, mas que vai ter suas particularidades e os seus desdobramentos, seus dilemas no Oriente Médico também. E vale a pena estudar essa parte da história que às vezes é tão pouco falada. Mas o que vai mais chamar a sua atenção na história do século XX vai ser o golpe que vai ocorrer em 1953, que vai ter o apoio incessante, incansável da CIA, que é operação Ajax, que o primeiro ministro Msadeg do Irã, que ele vai promover a nacionalização, a estatização das suas principais empresas energéticas, porque o Irã ele tem uma riqueza petrolífera muito significante.

15:35 Isso não era de interesse das grandes corporações em sua grande maioria ocidentais que estavam no seu território. E uma das ideias do Moçaneg era usar o dinheiro desses recursos para a educação, paraa saúde, para as questões de direitos sociais, direitos também básicos da sua população. E como isso não era interessante, eh, para o Ocidente, que era o seu parceiro e por estarmos também um contexto de guerra fria com o Irã tendo uma proximidade geográfica muito grande com a União Soviética, nós vamos ter um golpe de estado e vai ali vai começar uma certa ruptura da política dentro do sistema iraniano. as pessoas vão ficar cada vez mais descontentes da opressão do ponto

16:22 de vista da liberdade de expressão, além do que eu já disse anteriormente, da corrupção generalizada, do da desigualdade social que aumentava cada vez mais e a parceria dos Estados Unidos com o Irã vai aumentar, vai aumentar e não apenas eh nas questões de consumo, nos itens de consumo, roupa, sapato, mas principalmente nos que são os produtos de defesa. E a gente vai observar que o estado iraniano vai ficar muito armado, vai se tornar muito bélico. E isso vai a ao custo de estar faltando alimentos para as bases, para as camadas mais eh eh carentes da

17:08 sociedade. Dentro de economia de defesa, a gente usa um termo que é a manteiga versus a bala do canhão. qual que você vai preferir comprar? E a gente via um estado muito militarizado que não correspondia de fato com a sociedade. A gente tinha uma sociedade eh muito diversa, uma classe média, uma classe alta que tinha muito na questão do consumo, do capitalismo, eh de viver as propagandas eh dos Estados Unidos e do Ocidente, mas também outra outros setores que não estavam no mesmo passo, por assim dizer. E tudo isso vai alimentando vários ressentimentos de vários grupos. a gente observa que esta questão da liberdade de expressão, da da

17:55 questão do trabalho também vai ser algo muito marcante, seja mais pro lado do Partido Comunista, dos operários, das empresas eh de energia, como se fosse as nossas Petrobras, eh de também dos intelectuais, mas também de uma ala que era a ala religiosa. estava vendo que estava tendo uma deteriorização dos valores e dos costumes, porque querendo ou não, por mais que fosse um estado laico, a questão religiosa é muito viva no cotidiano, na sociedade como um todo. que é um elemento importante quando a gente estuda geopolítica da religião, que a religião ela é algo que é muito

18:40 viva mesmo e que por mais que estejamos falando de estado laico, é algo que permeia a vida de todo de todos, de todas as pessoas. É, principalmente eh nesta região do globo. E por isso a gente pode ficar horas a fio só conversando desta temática. Mas brevemente era em todo este contexto que vai ser assim eh fundamental para levar a revolução que de fevereiro de 79, mas que começa com protestos no ano anterior, em 1978. E quando a gente observa que vai ter a deposição e a fuga, por assim dizer, o translado da família real do chá para os Estados Unidos, o Aatolacum Meim, ele

19:28 retorna ao irão. Ele que era uma das principais figuras religiosas, ele por eh falar, por expressar em um momento que a liberdade de expressão era vetada, ele acabou ficando anos e de exílio, é, no asilo por causa desta monarquia iraniana. Ele morou um tempo no Iraque, mas acabou sendo expulso pelo Sana Hussein e tava em Paris, onde ele gravava em vídeo cassete várias eh pregações, várias palestras que eram distribuídas clandestinamente no Irã. E foi meio que a parte ideológica para unir todos os grupos para para entender que uma revolução seria necessária. Uma vez a revolução acontecendo, com a

20:14 deposição, com todos os paradigmas sendo postos, a gente observa que o grupo, os grupos sobem o poder, mas o grupo religioso vai eh se vai se vai permanecer, ele vai se colocar mais num ponto de destaque e os demais vão acabar sendo marginalizados. a relatos de muitos que acreditavam na revolução e depois acabaram eh vendo que ela não fez nenhum grande milagre, acabaram assim eh ficando desiludidos com ela. Então, a gente precisa ter toda essa visão, toda esta compreensão para entendermos a racionalidade estratégica do Estado iraniano e assim entender como é formado o eixo da resistência. Por quê? Vamos lá. Por mais que tenha toda essa questão

21:01 religiosa por trás da revolução que vai levar à formação da República Teocrática Islâmica do Irã, a gente tem que entender que, querendo não é um estado, mas estamos eh num sistema internacional que a ver pela sua teoria ainda assim é dominado pelos estados eh daquele modelofaliano soberania poder território. governo, população e que o este estado não tem nada de diferente com esta teocracia que tá surgindo. tem como se fosse uma um verniz de teocracia, mas por dentro a gente observa claramente razão de estado,

21:47 interesse nacional, inserção internacional eh não só a razão de estado, mas me fugi o nome do outro, que a gente fala bastante quando a gente começa a a estudar real politique, eh hegemonia regional, a gente observa todos estes elementos dentro desse estado que tá surgindo. Claro que vai ter a fala religiosa, mas a gente não vê eh vê que apesar de toda essa retórica, o Estado iraniano se a se a se se coloca no sistema eh atua frequentemente com essa base na Real Politique. Um exemplo para vocês, para você, eh como verem eh como isso acontece na prática. Todo ano, no mês de

22:33 setembro, nós temos a reunião geral lá da Assembleia Geral das Nações Unidas. Toda vez que o Irã tem o poder de fala, finalmente quem vai é o presidente, ele começa uma fala religiosa, fala do Alcorão, faz menção a eh figuras importantes paraa religião e depois a sua fala é toda real política. É razão de estado, é hegemonia, é soberania. Então isso vai ajudar a gente a entender como que o Estado se posiciona, porque querendo ou não, no final das contas, ele quer se manter de pé. Por isso que a gente começa falando também das suas dificuldades, sua segurança interna com as suas minorias. Por isso que é a maneira como ele vê o mundo é sempre

23:19 assim: "Eu preciso me manter em pé. O meu regime no final do dia tem que sobreviver". Por isso que repreende com tanta força soberania. é a capacidade de poder de mando. Não aqui, pessoal, não defendendo, mas explicando como que é o pensamento que e mostrando, porque às vezes, eu vou pegar muito aqui o gancho da aula, o o de hoje, mas principalmente de ontem, do professor Bruno, que era sempre focada nisso. A gente vê análises rasas, notícias eh tendenciosas, barra peejorativas. E aqui como internacionalistas a gente tem que ter uma análise mais eh crítica no sentido de questionar eh de ali ver a criticidade da situação, de observar que

24:05 tem esse aspecto, tem esse verniz, mas que dura até a página cinco. Eh, por trás é um estado como qualquer outro na questão jurídica da base, soberania, território, forças armadas, razão de estado. Isso não diferencia. Então isso assim é o serne pra gente entender a racionalidade estratégica do estado iraniano. Por isso que a gente fez essa pausa aqui antes de iniciarmos a nossa aula propriamente dita, eh, do que tava proposto para sermos a para ser aula número dois. Um outro aspecto é que eh a religião vai entrar como verniz, vai ficar até a página cinco, mas ela vai ser muito utilizada para retóricas, para as narrativas, para e ajuda a

24:53 entender inserção internacional. Ela é usada, mas ela não é, digamos, a característica fundamental, porque a característica fundamental é de todo e qualquer estado, a sua soberania, a sua sobrevivência, o seu regime. Então, eh, entendido isso, vai parecer até um pouco assim, então você vai se contrapor, não é isso? Mas vocês se eh lembram que uma das questões para que o Irã e o Iraque tenham entrado em guerra em 1980 era porque a revolução quando ela vai eh quando os shiitas, o grupo religioso chega ao poder na revolução, tinha muito discurso de vamos expandir, porque até então existia muito mais forte a

25:40 identidade do nós contra eles. nós árabes, perdão, nós persas versus eles árabes. E tinha uma aula dos xitas que queria, porque queria expandir a revolução xita, islâmica para o Oriente Médio. E a gente falou ontem, quando a gente pegou o estudo de Carlos sobre o Iraque, que os Estados Unidos e temiam isso porque eles já tinham perdido o Irã num contexto de Guerra Fria, que era o seu bastião na religião, que estava próximo à União Soviética e não queria perder o Oriente Médio como um todo, porque sabia que existiam eh grupos minoritários significativos em outras partes do território, como no Iraque, como no Líbano, como no Barém,

26:27 como na Síria. E o Iraque tinha uma questão mais, digamos, latente por ser a maior fronteira do mundo árabe compartilhado com este mundo persa. E o Sabusen eh queria se manter no poder. A mesma questão dessa estratégia que nós estamos falando, soberania, regime, razão de estado, real política era a mesma. E ele vai, eh, os Estados Unidos vai somar um mais um e vai ver, nós não temos interesse com a expansão e o Saddã Hussein do Iraque tampouco. Então, vamos nos aproximar das suas relações estavam cortadas desde 67 por causa de do contexto das guerras árabes israelenses. E a gente vai ter uma aproximação ali dos Estados Unidos com o Iraque, que

27:14 depois a gente pode fazer concurso só sobre isso, que vai levar a guerra do Iraque de 2003. Então observa como as estratégias, os peões do tabuleiro, porque a polícia é um grande tabuleiro de xadrez, vão mudando. E esta questão da expansão por esse lado muito religioso, eh, do movimento da revolução, queria que existisse uma uma vertente ideológica chamadaismo, que era voltada eh na maneira como o chismo era pregado pelo comein. Isso só vai ganhar um pouco de adeptos no Líbano com alguns grupos muito particulares de fiéis, porque o Líban é é um um estudo muito

28:01 interessante, porque é praticamente 1/3 da população cristã, 1/3 muçulmana sunita e 1/3 muçulmana xita. E por que eu dei essa volta toda? Porque isso vai nos ajudar a entender dentro do quesito do eixo da resistência sobre a relação quase que direta do Estado iraniano para com o resbolar. Então vocês observam como todo o sistema tá amarrado, como se fosse um grande quebra-cabeça, um grande sistema de elos pra gente entender as bases como um todo. Por isso que foi importante fazer essa retomada, a relevância da aula de ontem para que a gente siga para o próximo tópico, que é

28:46 o tópico do eixo da resistência de disputas regionais como um todo. Aí eu queria saber se sobre estes pontos alguém ficou com alguma dúvida para que assim a gente consiga prosseguir. Alguma dúvida, pessoal? Tô olhando aqui nos comentários que aparecem aqui para mim no Streamyard.

29:33 Vinícius falou: "Ah, assim, eh, com a perda do prestígio militar norte-americano no Oriente Médio, eh, você acredita que o Paquistão possa surgir como possível garantidor da segurança na região?" Então, Vinícius, tem até um slide que a gente vai ver aqui que o Paquistão ele tem alguns problemas no que diz respeito à segurança eh interna, porque existem grupos eh que fazem parte do eixo da resistência, que tem uma relação direta com o território, com o governo iraniano que atua no Paquistão. Bistão faz esse esforço de ser o mediador, de ter esse caráter diplomático, mas também tem esta rusga,

30:19 por assim dizer, está fazendo um esforço regional considerável. Então, vale a pena a gente observar, mas a gente também vê que o acordo acabou sendo muito muito simples do ponto de vista que foi não durou, não teve as prerrogativas de fato validad. Então, a eh Reolitique é uma visão muito baseada no princípio das da teoria das relações internacionais do realismo, é do interesse do Estado estar muito relacionada e muito muito voltada para garantir às vezes até a quaisquer tipos

31:05 que sejam de esforços, de custos, a sua soberania. a sua existência, se manter de pé. Eh, depois eu posso colocar algumas sugestões e de leitura sobre Real Politic, mas eh o a a grosso modo é muito essa abordagem da diplomacia e da política externa eh focada muito nesta questão prática, eh é muito do poder das circunstâncias materiais, eh tem assim uma política realista. Eh, as notícias da Reuters são confiáveis. A Reuters e a France Express, não me engano, elas são as principais eh bases de notícias de jornalismo internacional do mundo. Eh, a

31:51 última vez que eu vi era mais de 90% parte dessas duas grandes empresas de comunicação e no resto acaba sendo mais republicá-las. Então elas que fornecem boa parte das fontes eh de jornalismo que nós conhecemos. E os cudos viraram eh infelizmente essa moeda e a gente vê com um exemplo muito mais claro eh durante esse momento de contenção versus expansão do Estado Islâmico. Então pessoal, tudo tranquilo pra gente começar a falar do eixo da resistência? vocês pegar o fio da cada guiar até então, tudo certo? Eh, aqui eu só deixei ontem

32:37 também algumas dicas de leitura com base na aula de ontem dessa parte mais eh historiográfica, eh principalmente de como que vai ter essa primazia iraniana, eh de também como que vai acontecer em detalhes muito precisos a revolução também, eh, sobre esse essa questão eh Irã versus Iraque e que é do meu próprio livro E também uma sugestão que não é uma sugestão acadêmica, mas é uma sugestão mais de mundo, por assim dizer, que é o livro da Persépolis da Marjante de Satrap, que era uma ativista, era uma artista plástica iraniana, que ela viveu a revolução. Então a gente observa muito

33:22 como a revolução vai acontecer dentro de casa, muito seu impacto na vida eh familiar, na vida doméstica como um todo. Então, pessoal, dando continuidade, a gente vai falar agora propriamente é do eixo da resistência, já que a aula de hoje intitulada como Irã e a disputa regional e no Oriente Médio. Mas vamos voltar algum um pouco eh alguns aspectos que quando a gente falou do Oriente Médio, é de todas as suas diversidades, ontem a gente falou: "Ah, não é achar que eh que árabe é tudo igual", a gente observa que o Irã ele se posiciona eh ele tem essa ambição regional de controlar eh com a política,

34:11 a economia daquela região, mas ele acaba encontrando uma diversidade no caminho, que é a outra potência regional que é a Arábia Saudita. Lembra que eu falei ontem e falei há pouco sobre a questão da inserção internacional, que é o que o Estado quer ser versos, o que a estrutura permite que eu seja? Isso vai muito ao encontro do que o professor Bruno falou na aula hoje, dessa ordem versus desordem. Então, ainda nesse ponto da racionalidade estratégica, a gente observa que o Irã vai rivalizar com a Arábia Saudita. Eu quero ser a potência regional, não apenas do ponto de vista geopolítico. Aí ele vai utilizar outras vertentes, outras narrativas, como essa questão religiosa

34:57 barra cultural. Arábia Saudita se vê como o defensor dos muçulmanos por causa da de que a cidade de Meca fica setiada em seu território. Dos muçulmanos sunitas, que é cerca de 80 a 85% de todos os muçulmanos. E o Irã fala assim: "Mas eu tenho as cidades sagradas do xísmo". Então fica também essa disputa, sai do campo geopolítico, acaba entrando também nesse campo mais teológico, dogmático, pragmático. E a gente observa como que outras vertentes vão sendo utilizadas para fazer com que essa rivalidade ganhe nova novos contornos, novas forças. Quando a revolução

35:43 acontece, ela vai ter uma uma inter, por assim dizer, muito negativa em todo o Oriente Médio. Para além do que eu falei da questão dos Estados Unidos e do Iraque, as monarquias do Golfo temam muito que aquela expansão chegasse até lá, depusesse a os regimes, os governos. E também havia falta de informação, falta de compreensão do oponente, por assim dizer, e temia uma instabilidade no preço do petróleo. Hoje a gente sabe que foi a segunda era ou segunda fase, o segundo choque do petróleo. Dizem que nós estamos vivendo terceira, mas estamos tão dentro do objeto que ainda

36:29 não conseguimos ver ao todo. Daqui alguns anos, a gente vai conseguir saber se a guerra que nós estamos vivendo hoje de fato foi o terceiro choque do petróleo. Então a gente observa que a revolução iraniana vai levar também o aumento da rivalidade com a Arábia Saudita e com as monarquias do Golfo, que vai se manter até os dias de hoje. Porque o texto que eu deixei aqui como sugestão, esse primeiro aqui do Nixon, do Kinseg e do Chá, vai mostrar que existia um tripé estratégico ou geoestratégico, por assim dizer, até 79, porque era um momento de Guerra Fria, os Estados Unidos vão que delegar aquela condição de polícia do mundo na região e

37:14 falava que o tripé da estabilidade regional, que era conhecido como a doutrina da dupla contenção, tava dos dois pilares, a gente consegue achar esses dois nomes dentro da historiografia diplomática, falava que esse equilíbrio da região repousava sobre o dinheiro da Arábia Saudita, o exército do Irã, porque o Irã até hoje, em termos quantitativos, tem um exército, Forças Armadas como um touro muito numerosas e o petróleo de ambos. Mas quando a gente tem a queda do chá, o a a instalação dessa teocracia, a Arábia Saudita vai se sentir isolada, ameaçada, pois não existia mais o exército iraniano para atuar ali na questão de guarda daquela região e para

38:01 sufocar as rebeliões da mesma. E por aqui, eh, entra uma parte dentro da historiografia e falar como que a Arábia Saudita vai começar a financiar grupos e paramilitares ao mesmo tempo que o Irã. Mas a Arábia Saudita vai ter sempre um caráter mais religioso e eh que vai se transformar em político. E o Irã sempre um político que pode ser usado de maneira religiosa. Então, por aqui há uma linha também de estudo muito interessante, mas vamos nos focar na questão da aula de hoje, que vai nos ajudar a entender melhor como que vai chegar no desenho do eixo da resistência. E uma das maneiras, pessoal, que a gente vai observar aqui,

38:46 que vai levar uma corrida armamentista na região e também a criação do conselho de cooperação do Golfo, as petromarquias, todos os países banhados pelo Golfo e a Arábia Saudita vão criar essa organização em 81 como uma resposta direta das monarquias árabes para conter a pressão e a expansão de qualquer ambição, assim, desejo. iraniano exportar sua revolução. Eles acharam de uma certa maneira multilateralismo, uma maneira para conter esse medo que tanto preocupava, mas que foi capitaneado pela Arábia Saudita. E assim a gente observa que o Irã, por meio da sua racionalidade estratégica, tá vendo que o cerco tá se fechando. O

39:34 Iraque entrou em guerra comigo. Eh, os meus países no meu entorno estratégico, por assim dizer, estão se organizando em alianças multilaterais. E como qualquer estado, eu preciso de no mínimo o quê? de relações com o outro, relações com outros estados para a minha economia funcionar. Não dá para você ser uma ilha em si mesmo. As relações internacionais mais nos ensinam. Então a gente observa que o Irã tá se vendo cercado, rompeu relações com os Estados Unidos, que era o seu principal apoiador. Ao mesmo tempo, a gente sabe que eles eh não conseguiam se relacionar com a região por causa desse medo da

40:20 revolução. Eles vão ter que inventar então uma saída para conseguir se relacionar com o mundo exterior. E eles vão inventar uma aliança que eh não vai receber esse nome. Quem vai botar esse nome de eixo da resistência vai ser o general Suleimani, que morreu em 2020. É um nome muito recente, não tem nem 10 anos, mas é como se fosse a estrutura do eixo da resistência. se chama eh atua como eixo da resistência, atua hoje, mas não tinha esse nome, que é uma rede de alianças do estado iraniano para com grupos paramilitares de fora ali do seu território, da sua segurança interna

41:06 nacional, para com ele pudesse lidar com o mundo externo. Ele vai se aproximar do Líbano, mas não do estado libanês, porque também vai um pouco virar as costas para eles. Ele viu que a região como um todo não vai querer saber dele, então ele vai atuar por meio dos grupos que são contra os seus estados. E essa aliança vai ser sempre o Estado iraniano para com esses grupos paramilitares não estatais armados na Síria, no Líbano, eh no Yemen. E ele vai sempre tentar chegar para por causa dessa, desse impasse, dessa dificuldade,

41:53 dessa resistência, ele vai sempre tentar chegar usando então a religião. Você também é xita como eu. Nossa, o estado tá te oprimindo por você ser uma minoria. E ele vai fazendo esses contornos para conseguir se posicionar. Isso faz parte da sua racionalidade estratégica. Acredito que esta que essa imagem aqui vai funcionar um pouco melhor, porque a gente observa, por exemplo, a essa relação eh estratégica regional que o Irãus faz com esses grupos usando esse elemento do xímo no Iraque, eh, no Líbano, na Síria, no Iemen. E já que

42:39 eles não conseguiam lidar com os estados, vão lidar com estes grupos que a é que sofre uma certa marginalização, uma discriminação dos seus estados. E toda essa jogada, toda essa estratégia vai começar nesse momento eh pós revolução que ele se viu isolado e vai permanecer até os dias de hoje. E é uma das ferramentas que o Irão usa para a sua hegemonia regional. Tem uma mensagem aqui do Vinícius. Como Sadat assinou os acordos de Camp Davis e traiu os árabes, a Síria de Assad se aproximou do Irã e apoiou na guerra contra o Sadã. Israel também assinou, pois Sadã era anticionista. Então, eh, a questão da relação do Irã

43:24 com a Síria é algo que vem assim de muitos anos, tem muitas muitas fases, por assim dizer. E e é muito interessante a gente observar que o interessante é gente, como eu posso dizer, eh, a gente observa a estratégia funcionando, por assim dizer, quando que durante a guerra da Síria em 2015, o assad ia cair, mas ele não caiu porque a Rússia e o Irã eh entraram com mais força na guerra e o manteram no poder. Então, a gente vê que o Irão vai ter uma relação muito direta, eh, com o próprio governo do Assad, que quando cai em dezembro de 203, 24, vai gerar uma questão diplomática

44:11 muito séria dentro do Irã também. Eh, muito interessante seu comentário, mas a gente observa como que funcionam as relações e existia um triângulo que se falava que era Rússia, Síria, Irã para entender o funcionamento dessas relações. E assim fica como tema ou dica de iniciação científica ter esses projetado. é uma área muito interessante pra gente e a gente enxerga diretamente como a estratégia, como a racionalidade funciona, é aplicada, é colocada em prática. Muito interessante aí a sua contribuição, Vinícius. Obrigada. Mas vocês observam como que o Irã vai usar deste elemento religioso para conseguir

44:59 os seus elementos políticos, vai se aproximar dessa maneira com eh principalmente com os grupos nestes países. E também é a gente vai ver que vem se ampliando principalmente no Afeganistão, é no Barém, no Iraque, Lipa, no Paquistão, Siri, Yemen. Por isso que a pergunta acho que foi do Vinícius quando eh mencionou o Paquistão, eu falei que tá fazendo um papel, mas também eh tem questões com a sua segurança interna que estão relacionadas diretamente com o Irã. quando teve eh aquela eh não uma conclusão, mas uma relação mais hostil diretamente do governo central do Irã

45:46 com os baluches na fronteira com o Paquistão, chegou a ter questões assim, vamos romper as relações diplomáticas, mas que acabou não progredindo. Isso foi na virada de 2023 para 2024. E a gente pode observar tanto n eh neste gráfico, não, nesta tabela, como no anterior, acho que muito mais nesta, que como que o Irã então fornece apoio com recrutamento, com treinamento, com questões logísticas de organização, de pensar a cabeça, por assim dizer, pensar toda a estrutura político-militar destes grupos. Eh, eu vocês me apoiam, melhoram a minha inserção internacional, mas eu também os

46:33 auxilio contra esse estado que está eh te oprimindo, que está te discriminando. E a gente observa que existe a parte mais técnica, mais tática, mas também operacional, estratégica e também de trocas de produtos de defesa, que o Irã tem uma das principais bases industriais de defesa da região e também conta muito com apoio da base industrial russa. A gente vai ver isso bastante nos nossos próximos encontros. Então, pessoal, dando sequência a a esta questão que a gente observa que o Irão vai expandir a sua influência através do apoio desses movimentos, desses grupos

47:19 paramilitares armados, não estatais, eh porque eles viam que eles precisavam. Eh, eh, por isso que eu vou bater muito essa tecla, porque ajuda a gente muito a entender a racionalidade estratégica, porque eles precisavam ter sua inserção internacional, eles não poderiam ficar isolados, senão a revolução não iria sobreviver. Mas também eles precisavam eh mostrar que estavam ali conseguindo eh dentro das relações internacionais da diplomacia se manter de pé, já que estavam todos com muito medo e fechando ali as portas. Então, usaram esse elemento religioso, principalmente a vertente chita, para se aproximar destes outros grupos. Mas Amanda, então quer

48:04 dizer que ele só vai se aproximar de grupos? Não. Existem grupos sunitas que eles apoiam, mas nesse primeiro momento vai ser chita, muito por causa dessa lógica. Depois essa lógica vai se ampliar, vai abrir para os grupos também sunitas, muito para mostrar esta imagem de que poder regional, eu sou potente, eu quero mostrar que eu consigo gerir a política regional, o tabuleiro geopolítico, como a gente mencionou anteriormente. Eu estou aqui preocupado com os meus interesses, que é de ser uma potência, minha razão de estado, minha inserção internacional, minha real politique. E eu tô ali também fornecendo essa parte

48:49 mais tática, operacional, organizacional. Em troca, eu tenho cada vez mais influência dentro dos estados, por mais que seja por vias paramilitares, por vias não estatais. E aqui vai entrar a questão do resbular, que dentro do eixo da resistência, que a gente vai poder eh mencionar, vamos assim, classificar, nomear como sendo essa essa rede de aliança político diplomático militar do Estado iraniano para com grupos e regionais armados, não estatais, o Resbolá vai ganhar um certo destaque porque vai ser o primeiro grande grupo eh que o Irão vai fazer essa parceria e tem essa questão de ser

49:35 com esses com esses grupos minoritários xitas no Líbano. Amanda quer dizer que são todos os xitas do Líbano, não? uma parte que não representa a comunidade como um todo. E também a partir disso, por ser um momento, é que eh não é que seja eh no mesmo tempo 100%, mas que é contemporâneo. a surgimento, a criação, a confecção do resbol que é de 82 83, a gente observa que há uma certa um certo privilégio, mas uma relação mais estreita e que uma das bandeiras do resbolar é exatamente essa ideia do comenismo que eu mencionei, que tinha um grupo, uma ala

50:21 dentro da revolução que queria levar esse comenismo, que era a maneira como oatá interpretava o xismo. Então, a gente vai observar essa eh o resbolar também vai se criar muito como com essa parceria com Irã. Então, eu acho que o a próxima imagem vai auxiliar mais. Eh, a gente vai ver exatamente eh o seguinte, e eu vi aqui a pergunta, eh a relação do Irã com Ramas, era o que eu tava falando, começa muito ter uma relação do chismo, mas que depois o Irão vai abrir mão, pode ser sunita como o caso do Ramá.

51:06 Eh, então a gente vê que usa muito a religião para começar no primeiro momento, mas que por trás existe toda uma questão política eh de poder e também eh a questão do sul do Líbano, que é o território original de criação do Resbolá. E Gaza fica mais sob o controle do Ramá, que agora eles parece que vão fazer um referendo a respeito disso. Então, a gente observa muito que o Irã vai apoiar esses grupos, mas uma questão que sempre me perguntam, mas nossa, Amanda, falando assim, parece que estes grupos são meros fantoches

51:55 eh dentro do teatro de operações nas mãos do Irã. Não necessariamente, porque são grupos que têm as suas próprias agendas. Tem momentos que vão sim convergir com os interesses iranianos, mas têm seus próprios interesses. Não podemos achar que eles vão fazer tudo que o irão mandar. Eh, isso se aplica muito pro que a gente começou falando na aula de hoje sobre os Ruts. Os Ruts fazem parte do grupo, eh, tem uma relação com o Irã, mas eles também tm uma agenda super deles também, eh, com as pautas que eles acreditam que não necessariamente estão vinculadas o tempo todo com o Irã. A ação que eles estão fazendo ali no Street Babel Mandeb, entrando para o Mar Vermelho, é uma ação deles que repercute dentro do

52:42 tabuleiro geopolítico. Eh, muito porque também tem uma relação com o Irã, mas não é achar que tudo que esses grupos fazem é porque o Irã mandou, não. Em alguns momentos, como disse, vai ter uma convergência e outros vai ter um afastamento. Mas a gente precisa entender que o Iran vai expandir sua influência através desses movimentos, já que às vezes ele tem uma certa, é, dificuldade, vezes ele é deixado de lado na diplomacia regional, muito pela maneira como ele se coloca no mundo, muito pela maneira como foi feita a sua revolução e aspectos dentro da sua política externa. E depois que tem a questão do Líbano, no eh do resbolado no Líbano, melhor dizendo, a gente vai ver

53:28 a questão da Síria, que nós também já pontuamos, e que ele vai falar que o crescente chita, eh a intervenção iraniana da guerra civil Síria para salvar o Rechime do Ubachar Assad foi muito importante. Eh, no Iraque, após 2003, o Irã vai eh ter uma uma força muito grande. É tudo que os Estados Unidos não queriam, mas por causa do vácuo de poder, o Irã vai se fazer muito presente na política iraquiana. É assim até os dias de hoje. Para vocês terem uma ideia, o Iraque hoje pode ser sim considerado um estado falido do ponto de vista da ONU, e de ter a questão de de povo, território, eh governo autônomo,

54:13 mas não tem de fato a sua soberania. E só 60% do território iraquiano é controlado pela pelo governo. As outras 40% eh os outros 40%, melhor dizendo, ficam a caram de grupos paramilitares. E existem uns desses grupos, como o FMP, que é vinculado diretamente com Teran. Nas eleições iraquianas, nós sempre vemos que tem os candidatos que são apoiados pelos grupos eh de origem iraniana, que tem relação direta com o Irã, mas também observamos é uma relação muito forte dentro do Barém, não apenas por causa da maioria ter uma eh uma concentração muito grande deitas, mas

54:59 existe ali uma proximidade que o Iran tenta não com o estado, mas com os grupos ali infiltrados e noem com os ruts são os que mais chamam atenção. E como a gente mencionou aqui com a questão do Ramás, o Vinícius traz um comentário, relação do Ramas com Irã complexa bastante. Por exemplo, durante a guerra civil na Síria, o Ramás distanciou-se do regime de baixar e sequer apoiou a Síria, diferentemente no Resbolá. Exatamente. Assim como o Hamas Esbolá tem relações ambos com o Irã, mas eles têm as suas divergências eh ali dentro da política do levante. Por isso que a gente tava muito assim falando nessa tecla de que assim tem momentos

55:45 convergência, tem momentos divergência, nem sempre o grupo pensa como um todo. Muito mais as relações eh bilaterais do estado para com aquele grupo específico. E nem sempre aquele grupo vai cumprir e todas as ordens. Ele vai ser subordinado diretamente em tudo que o Irão fizer. Como, por exemplo, nos ruts, eles têm a sua própria agenda, mas também tem hora que eles estão juntos e, por assim dizer, muitas aspas fechados com a agenda de terão. E assim se aplica eh nos demais grupos do eixo da resistência. E e a gente vê então que o o grupo ele vai ser formado a partir de todo de todo esse arcabolso histórico, teórico, mas

56:32 que o seu termo mesmo vai ser cunhado pelo general Suleimani e que designa essa coalizão de estados de eh perdão, do Estado iraniano para com esses atores não estatais que se opõe à presença eh militar eh da da discriminação, da ingerência dos estados que eles estão e em alguns casos também com a presença de bases militares dos Estados Unidos nos países, como a gente vai observar, eh, neste mapa, perdão, eh, alguns spoilers das aulas, mas tem um mapa que vai mostrar, gente, só falta ter tirado o mapa, a este mapa aqui que mostra as bases e a questão do efetivo. militar

57:20 que os Estados Unidos tem na região. Muito desses grupos eh também se opõe à presença dos Estados Unidos lá, como a gente vê em vários casos, é do Iraque, não só por causa da guerra, mas até no cheiras de hoje, que os grupos eh do eixo fazem ações contra as bases dos Estados Unidos na região ali do território iraquiano. e tem uma certa afinidade, uma convergência e de agendas com o grupo do eixo da resistência. Então, o eixo da resistência ele vai funcionar fora das fronteiras eh iranianas e vai ter uma relação direta

58:05 com a IRGC, que é o corpo da guarda revolucionária, que vai ser essa instituição militar que vai ser evolução e permanece até os dias de hoje. Anda então quer dizer que não existe um exército regular, forças armadas regulares no Irã existem, mas eles funcionam muito mais com poder de polícia, como a gente vê no Brasil, os guardas municipais. De fato, quem cuida da soberania, da segurança, da defesa, que são realmente de fato as forças armadas, é o corpo dos guardiões da IRGC, da Guarda Revolucionária, que a partir dela a gente vê várias subdivisões, arinha aeronáutica

58:52 eh, questão de cibernética e dentro dela tem um grupo que é um grupo que eu costumo dizer assim que é o Itamar. deles. Por Amanda que a força cud, que essas forças são eh formadas, mas funcionam para atuar para com o eixo da resistência. as forças CDES, eh, o braço da RGC que vai atuar fora do território só para auxiliar estes outros grupos e que faz parte dentro eh desse desenho, por assim dizer, que foi pensado, foi melhorado, foi acrescentado, foi ganhando massa e corpo, que é o eixo da resistência. E a gente observa então que para o Irã o

59:40 eixo da resistência funciona muito com esta extensão de fronteiras, muito com esse olhar, com essa visão estratégica, de uma certa dissuasão remota, sinalizar que qualquer ataque aos territórios iranianos vai ser algo muito cansativo, muito problemático. Então, vamos deixar o conflito para longe. E não vamos fazer contra-ataques, vamos usar para com as milícias aliadas em locais em momentos escolhidos por terã e trabalhando muito na lógica de minimização dos custos, de obter uma expansão máxima de influência com mínimos de baixas iranas, porque também o território iraniano é um território muito montanhoso, é como se

1:00:26 fosse uma panela de pressão. É difícil você entrar de fazer operações. custoso e também, por fim, dentro dessa questão estratégica de uma guerra simétrica, de compensar um pouco de dificuldades militares convencionais geográficas também geopolíticas do Irã, através de forças não convencionais, porque muitos desses grupos acabam usando as técnicas e as táticas também de guerrilha, que é basicamente combate solo urbano e evita assim confrontos diretos. é um pouco de proxy wars, que é um termo também muito usado quando a gente fala desse cenário, deste contexto, eh, de guerras por procuração, de usar terceiros para

1:01:12 resolver as minhas questões. E a gente observa isso cada vez mais crescente e que faz com que o tabuleiro geopolítico do Irã e da região também como um todo seja tão único, seja tão eh especial no sentido de unicidade mesmo, pra gente entender como é formatado, como funciona, como é arquitetado. E voltando então paraa nossa imagem, porque nos ajuda aqui os spoilers das próximas aulas. eh que nos ajuda a enxergar melhor essa influência do Irã no Oriente Médio. A gente observa eh a influência no

1:01:57 território sírio, no território libanês, eh iraquiano, iemenita. E nos demais a gente vê que, querendo ou não, existe algum grupo, existe alguma, alguma fratura assim, alguma parcela eh de influência iraniana direta ou indireta. [limpando a garganta] E aqui eh eh era um quadro assim mais expositivo mesmo nessas forças cuntes, que é essa parte que eu chamo de MRED, Tabarati, porque elas são usadas, elas são treinadas, ela é uma parte da da RGC, do corpo da guarda revolucionária, só para atuar com esses grupos, só para

1:02:43 atuar externamente auxiliando o eixo da resistência e eh o major eh major E depois vir general também o Suleimani, ele foi um dos nomes mais notáveis para fazer também toda essa arquitetura funcionar e foi muito presente na Síria, no Iraque, no Líbano. E a gente observa dentro desse espaço temporal, que foi um momento eh muito crítico pra região, não apenas porque o Iraque vai mergulhar em uma guerra civil, mas também por causa da guerra civil Síria e também daquele eh crescimento, do escalonamento da presença do Estado Islâmico. Lembrando que Estado Islâmico quer dizer Estado Islâmico da Síria e do Iraque. Então ele

1:03:29 tem eh uma presença muito grande na região e querendo ou não, foi por meio da coalisão multilateral que vai ter apoio dos curdos, mas também dos iranianos do ocidente que o estado islâmico ele não foi eh eh, digamos assim acabado, né? não acabaram, né? Eles pitigaram porque ainda existem eh locais esses territórios que têm, por presença do Estado Islâmico. Então, eh encaminhando-se pro término da nossa aula, eu queria deixar essas dicas de leitura dos temas que nós conversamos hoje. Esse primeiro é um policy paper que eu tava até conversando com o Guilherme, conversa muito com a aula do professor Bruno quando ele tava falando

1:04:15 do sistema. E eu vi que em uma das perguntas falava-se muito sobre então esse modelo de estado. Acabou. Esse policy paper vai mostrar aqui como na região a gente vai observar grupos paramilitares, grupos estatais, não estatais armados, mas poderosos em todos os sentidos da palavra poder do que estados. Então é um estudo de caso bem interessante, provocativo. Outro livro é um livro que vai falar sobre o resbolar e vai trazer essa questão histórica, política, religiosa da relação com o Irã dentro desse eixo da resistência e depois é um dossiê estratégico mostrando a relação do Irã com cada um dos grupos. É o

1:05:01 material que eu tirei boa parte dos slides nesta aula. E por fim, o mesmo livro eh da política do Golfo Pérsico, mas trazendo mais essa relação com o eixo da resistência. Então, pessoal, se a gente fosse fazer assim de eh por assim dizer uma síntese da aula, a gente viu sobre essa disputa regional mesmo de como o Irã eh se posiciona eh no seu entorno estratégico na região do Oriente Médio, como ele usa dos seus artefatos, das suas variáveis, como da IRGC, com a questão também do eixo da resistência para se manter de pé. E agora aquele momento de perguntas, de

1:05:48 comentários, eh, e, e a gente tá caminhando aqui na construção do nosso conhecimento para amanhã falarmos sobre dissuasão, sobre a questão tecnológica com o programa nuclear e os seus desdobramentos para na quinta-feira a gente arrematar tudo isso e chegarmos na política atual, essa guerra que nós estamos vivendo, que não começou agora, não começou no dia 28 de fevereiro. Tem da guerra dos 12 dias ano passado, vem sendo uma estrutura reformulada que desde 2024 ganhou novas ares, novos caráteres mais diretos, mas que faz parte de todo esse cenário que nós estamos construindo para análise crítica

1:06:34 é muito menos entender é que foram seis a a oito batalhas essa semana. batalhas no sentido de explosões, de ataques e mais de entender toda a estrutura que me permite chegar nesse quadro, que me permite entender com mais propriedade, seriedade e compreensão, de fato, é o Irã, que não é um país qualquer. De maneira geral, pessoal, era isso. Vou ver os comentários. >> [roncando] >> Eh, tá no texto da Linha Barri comenta que a presença dos grupos armados é o mais próximo de um estado de natureza no

1:07:19 Mena. A expansão deles é uma questão do contexto que acabou favorecendo ou é inevitável? Excelente questão. Seria uma ótima questão também para teses, porque veja bem, a gente tá trabalhando com variável de hipóteses e pra gente observar que vai ser algo favorecido ou inevitável, a gente vai ter que olhar pra própria questão de como o estado, esse estado faliano vai ser posto dentro da região, que muitas vezes vai ser um estado que não vai eh da maneira, o modelo não vai respeitar os poderes políticos que existiam anteriormente. Falo muito isso quando eu falo do Iraque. Existia uma ordem política ali, mas quiseram trazer o modelo falhando,

1:08:05 não respeitando a ordem que ali existia. Isso eh não fazendo adaptações, não olhando história, não olhando economia, não olhando a sociedade, isso em algum momento ia ter uma conta muito alta, o preço ia chegar. Então eu vejo muito mais por este caminho de entender a região de como o modelo de estado foi ali posta e também olharmos pra economia, pra sociedade, paraas desigualdades sociais, que nem é sempre que o estado, o governo tá presente e vai acabar fazendo com que existam vácuos de poder e ali criem outros grupos paramilitares. Porque às vezes a gente fala: "Ah, um grupo eh não estatal armado, mas igual o resbolar". Resbolar, ele é todo um marcabolso, ele é partido

1:08:51 político, ele não aqui defendendo o resbolá, mas explicando que ele é, ele tem assentos no no parlamento, pastas no ministério, tem uma aula de assistência social, uma área médica e um braço militar. Os grupos não podem ser taxados só a o braço militar, eles são muitos outras coisas dentro deles, mas às vezes a gente acaba olhando só pro lado militar porque nós estamos fazendo uma análise mais geopolítica. A guerra atual pode promover o fim das alianças dos países do Golfo com os Estados Unidos? Eles temem seus regimes caírem também? Por muito tempo, isso foi uma questão principalmente pelas relações econômicas que estes países têm

1:09:38 com os Estados Unidos. Mas ao mesmo tempo, com acho que o Vinícius falou, com a perda, eh, com essa saída, com essa retirada que a gente tá vendo militar dos Estados Unidos, da região, isso fez com que esses países tentassem adotar cada vez mais políticas externas pragmáticas. Então, a gente vê o caso do Emirados Árabes Unidos, que tem relações muito fortes econômicas e de infraestrutura com a China, que vem expandindo seus laços com a eh com o bloco da União Europeia como um todo. A Arábia Saudita também está fazendo isso. a gente vê eh também o dos árabes unidos como a relação direta comcou. Então, a gente observa que a própria questão de como o

1:10:26 sistema foi moldando e foi se moldando na região com a retirada das tropas dos Estados Unidos, com um olhar muito mais voltado pra Ásia, fez com que os países do Golfo, as petromarquias, observassem muito mais o, olha, é o momento de ser pragmático. Mas com a retorn com a retomada, o retorno do Trump a Casa Branca, a gente vê que ele vai fazer muita, muitos acordos comerciais, não apenas em nome do estado, dos Estados Unidos, mas também das suas próprias empresas com aquelas eh com aqueles países, com aqueles estados na região. Isso vai gerar um problema hoje que a gente vê que a eles conseguiram sair um pouco da zona deência com o pragmatismo,

1:11:12 mas também existe algumas áreas que ficaram um pouco eh ali com dificuldade um pouco de se amarrar por causa e de certas políticas que foram sendo adotadas desde o ano passado até então. eles têm eh problemas assim de preocupações, dilemas e que estão tentando resolver na questão do multilateralismo, assim como foi a ideia inicial com a criação lá em 1981 do Conselho de Recuperação do Golfo, por causa do medo que eles sentiam de uma expansão iraniana, mas também eh por mais do multilateralismo, eles têm ali uma questão de eu também vou atuar por mim mesmo. exemplo foi que ano passado alguns países começaram a adotar eh uma

1:11:59 nova quarentena. Ah, tá tendo uma questão muito séria durante a Guerra dos 12 dias nos Estados Unidos com o Irã. Países como Barém, Kuite, começa, eh Pirados Árabes Unidos, uma quarentena, vão evitar sair de casa, porque pode ter alguma ação, eh, a gente não espere. Então, a gente vê vários eh eles tentando resolver esse problema por várias vertentes. As próprias petromanarquias do Golfo entenderam os riscos de bases e instalações norte-americanas em seus territórios. Exatamente. Não sei se vocês vão lembrar, mas acredito que foi

1:12:46 assim que a guerra começou. esse essa fase atual da guerra é que o Irão virou e falou assim: "Olha, eh, queridas, queridos vizinhos, Petro Monarquias, eh, eu, se eu for atacado, eu vou atacar as bases dos Estados Unidos que estão no território de vocês." Pelo menos eu avisei, era praticamente esse o recado. Isso fez com que elas eh repensassem e fizessem ações por vários caminhos, como eu tava falando agora a pouco. Ele tá gerando um problema muito assim, é, de instabilidade, eh, de questão diplomática, como a gente, eh, viu lá a questão do Baré no Emirados Arábes Unidos, no Kuit, na própria Arábia Saudita, que eu acredito que foi que

1:13:32 mais teve ações desse tipo por causa de ter instalações dos Estados Unidos. E a gente vê como que a diplomacia funciona, como a geopolítica acontece. e a compra de armas nos Estados Unidos, pois os negócios Estados Unidos seria vender armas e passar o conflito para esses países. Por isso que os Estados Unidos estão querendo falar assim: "Ah, Petromonarquias ou Arábia Saudita, Mirad Árabes Unidos, Marém, Qatar, esse problema também de vocês. Vocês que precisam se armar melhor, ter uma melhor segurança e defesa e usam muito um

1:14:19 discurso de que assim, nossa, eu tô eh fazendo em nome da humanidade, do petróleo, do comércio e começo com várias retóricas e narrativas. mas muito bem pontuado. Eles estão com todas essas questões, nas questões anteriores, com essas eh essas premissas, por assim dizer, de ter bases nesses locais, as relações com esses países, mas também f assim, ó, você tem que melhorar sua segurança, sua defesa, é tudo um emaranhado. E por isso que a gente precisa precisa ter cada vez mais uma análise crítica, como o professor Bruno tava falando nas aulas. E eu concordo plenamente, eh, de entender a estrutura, de entender a

1:15:06 base, de não ficar com notícias rasas, tendenciosas questionar eh refletir pesquisar, entender a história, entender como tudo isso chegou por trás de todo o processo. E é interessante que a gente observe também eh muito assim, ah, eh, essa história já aconteceu, eu já vi isso em algum outro momento, porque a gente vê muitas questões cíclicas. Eh, por exemplo, os Ruts já fizeram uma ação parecida com essa, mas não com tamanha escala lá em 2023 dentro do contexto da Guerra de Gaza. Então a gente vê que existe também alguns padrões na geopolítica, principalmente na região,

1:15:52 que acabam se repetindo e e de certa maneira a gente vê também como é algo fantástico da gente ver a construção. A gente não decora, a gente compreende como que o processo eh ocorre. Eh, porque há tanta pressão e retaliação aos grupos do Oriente Médio enquanto outros não sofrem o mesmo ataque? muito também começa pela classificação, pela própria categorização do que é terrorismo. Então, é muito mais eh fácil a gente falar e usar e criticar quando vai ter um, infelizmente, um

1:16:38 interesse muito maior econômico de visibilidade e de relações internacionais. e por toda a questão de como é o Oriente Médio, a gente vem conversando. Às vezes olhar paraa Somália não vai dar tanto destaque como os Estados Unidos eh gostariam de ter agora. Não vai ser algo convertido em votação e todas as questões morais e éticas que regem as relações ou não, as relações internacionais. Então tem todas essas questões por trás. Muito se fala assim, ah, a gente fala muito e tem que ser sim falada de Ucrânia, de Oriente Médio, a gente não tá olhando a guerra do Sudão. A gente até na sala de estratégia a gente fez um episódio sobre isso. Mas por quê? porque não dá tanta

1:17:24 visibilidade, porque não são os recursos principais que estão no meio, eh, não tá afetando a cadeia de produção. E eu lembrei agora de falar que a gente falou de Real Politique, eh, indicações seria ler bastante a o momento que a Real Politic foi pensada, mas do ponto de vista científico e arquitetado. E eu vou deixar aqui a indicação de ler falas, frases, ideias do Oto Vom Bsmark, que fez toda a questão da unificação alemã. por mais que seja uma pessoa que tem quem ame quem odeie, eh ali a gente consegue muito enxergar, tirando que eh ali eh de fato é a real politique. E a

1:18:09 gente vê muito nesses conceitos eh nos dias atuais, com adaptações, com críticas, com reflexões, mas eu acho que é a grande lição que a gente tira dessa aula. A gente passou um pouquinho de tempo, mas é isso. Espero vocês na próxima aula, que amanhã a gente vai falar mais da parte tecnologia, de sanções. Lembrar que as aulas elas conversam entre si. Por isso que hoje a gente começou fazendo uma revisão. A gente explicou como tudo está relacionado para entender a posição do Irã na disputa regional para amanhã a gente falar desse elemento chave pra gente fechar quinta-feira falando com chave de hora, assim eu espero, falando

1:18:56 do momento atual. Era isso, pessoal. Obrigada. Obrigada aí a todo mundo que ficou até agora, Guilherme que ajudou aqui no backstage e a gente se vê amanhã. Obrigada e até a próxima. Ciao. Ciao.

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