O Caibalion e a Psicologia Humana: As 7 Leis Internas | Lúcia Helena Galvão – Nova Acrópole

NOVA ACRÓPOLE BRASIL www.youtube.com

Breve Resumo

Nesta palestra, o autor explora as aplicações internas das sete leis do Caibalion na psique humana, oferecendo insights sobre como essas leis podem influenciar nossos aspectos psicológicos e emocionais. Ele discute como alinhar-se com o universo através da reflexão sobre essas leis pode levar a uma vida mais harmoniosa e feliz.

  • O princípio do mentalismo e como ele afeta nossos pensamentos e emoções.
  • A importância de combater formas mentais negativas e praticar a concentração.
  • Como hábitos diários podem influenciar nossa psique e a necessidade de cultivar a ordem e a compaixão.
  • A busca por vibrações intensas e a importância de encontrar alegria nas coisas simples da vida.
  • O princípio da polaridade e a necessidade de evitar polarizações extremas, buscando um caminho do meio.
  • O princípio do ritmo e como evitar oscilações violentas em nossas emoções.
  • A lei de causa e efeito e como identificar as causas de nossas dores emocionais para corrigi-las.
  • O princípio do gênero e como equilibrar as energias masculina e feminina em nossa personalidade.

Introdução ao Caibalion e Seus Efeitos Psicológicos

A palestra aborda as aplicações internas das leis do Caibalion na psique humana, um tema inédito em relação às apresentações anteriores sobre o livro. O objetivo é examinar como essas leis afetam nossos aspectos psicológicos e como podemos nos alinhar com o universo para encontrar harmonia e felicidade. A tradição hermética, fundamentada no Egito, oferece sete leis que regem o universo manifestado, desde um grão de areia até um conjunto de galáxias.

A Tradição Hermética e o Livro do Caibalion

O livro do Caibalion, publicado em 1908, é atribuído a três iniciados, possivelmente William Walker Atkinsons, embora a autoria seja incerta. A obra se baseia em ensinamentos egípcios e nas sete leis universais. A tradição hermética é milenar, associada a Hermes Trismegisto, figura cuja existência histórica é debatida. O Corpus Herméticum e a Tábua de Esmeralda são obras importantes dessa tradição, disponíveis para estudo na Nova Acrópole, incluindo uma leitura comentada do Corpus Herméticum na plataforma Acrópole Play.

O Princípio do Mentalismo e o Autodomínio

O princípio do mentalismo afirma que "o todo é mente, o universo é mental", indicando que tudo nasce no plano mental antes de se concretizar. Emoções como tristeza, raiva e mágoa têm origem em padrões mentais. A mente é mais rápida que as emoções, permitindo cortar pensamentos negativos antes que afetem o estado emocional. Praticar a concentração, como o exercício de tratataque, ajuda a conter pensamentos invasivos e a desenvolver autodomínio.

Estratégias para Combater Formas Mentais Negativas

Para combater pensamentos negativos, é útil imaginar que eles são arremessados no espaço, substituindo-os por algo positivo. A imaginação humana é uma ferramenta poderosa nesse processo. Reflexões como a máxima estoica de Marco Aurélio ("Nada acontece ao homem que não seja próprio do homem") ajudam a reduzir o rancor e a raiva, pois reconhecemos que as experiências são necessárias para o crescimento pessoal. Fechar as contas com o passado e evitar pontas soltas também contribuem para arrefecer sentimentos negativos.

O Impacto do Ódio e a Importância de Fechar as Contas com o Passado

O ódio prejudica a capacidade de realizar atividades prazerosas e canalizar carinho, frustrando o que temos de melhor. Fechar as contas com o passado e reconhecer o aprendizado nas experiências negativas permite virar a página e evitar que formas mentais envenenem o emocional. Todas as dores emocionais são provocadas por formas mentais que permitimos entrar, e é crucial identificar e cortar essas bases para reduzir o "veneno" interno.

O Princípio da Correspondência e a Influência dos Hábitos

O princípio da correspondência ("O que está acima é como o que está abaixo") revela como hábitos de vida afetam nossa psique. Desordem e caos no ambiente físico podem gerar confusão mental e emocional. A crítica constante aos outros pode levar à insegurança e à falta de compaixão consigo mesmo. Atrasos frequentes minam a autoconfiança e o respeito próprio. A mecanicidade impede a criatividade e a renovação. Comportamentos rudes levam à sensação de não merecer nada de belo e elevado.

Vibração e a Busca por Experiências Autênticas

O princípio da vibração ("Tudo se move, tudo vibra") alerta para o vício em adrenalina e a busca por vibrações intensas, que anestesiam a capacidade de encontrar felicidade no cotidiano. É importante sacralizar a vida e valorizar as pequenas coisas, como um café da manhã em família. A alegria simples de uma boa conversa com amigos verdadeiros é mais valiosa do que a euforia artificial. A busca por novidades constantes pode levar ao tédio interno e à superficialidade.

Polaridade e a Busca pelo Caminho do Meio

O princípio da polaridade ("Tudo é duplo, tudo tem dois polos") destaca o vício contemporâneo na polarização, onde se escolhe um lado e se nega o outro. Todos os radicalismos têm uma dose de cegueira. É essencial buscar o caminho do meio, selecionando o melhor de ambos os lados e evitando fanatismos religiosos ou materialistas. A verdade absoluta é rara, e devemos buscar um equilíbrio, construindo uma visão própria a partir do melhor que cada lado tem a oferecer.

Ritmo e o Equilíbrio Emocional

O princípio do ritmo ("Tudo tem fluxo e refluxo") revela que oscilações excessivas geram compensações equivalentes. A cólera descontrolada e a euforia excessiva podem causar danos a si mesmo e aos outros. É importante moderar essas oscilações, buscando um equilíbrio e reagindo às situações com mais classe e respeito. Abandonar o hábito de perder o controle e desenvolver o requinte do prazer humano são essenciais.

Causa e Efeito e a Busca pelas Raízes da Dor

O princípio de causa e efeito ("Toda causa tem seu efeito") ensina que toda dor emocional tem uma causa. É crucial procurar essas causas em si mesmo, em vez de atribuí-las a fatores externos. O coração, símbolo da nossa essência, pode revelar momentos em que ferimos os protocolos da vida, sendo indiferentes ou egoístas. O compromisso de corrigir esses momentos pode cessar a dor.

Gênero e o Equilíbrio das Energias

O princípio do gênero ("O gênero está em tudo") explora as polaridades masculina e feminina em nossa personalidade. No corpo físico, a mulher tende ao celeste (delicadeza), enquanto o homem tende ao terrestre (força). No energético, o homem tem energia de explosão, e a mulher, perseverança. No emocional, a mulher idealiza, e o homem é mais concreto. Na mente, a mulher busca aplicações práticas, e o homem é mais metafísico. Equilibrar essas energias é essencial para a renovação e a criação.

Conclusão: A Importância da Prática e do Uso do Conhecimento

A palestra conclui com a recomendação de praticar o que se aprende, pois o conhecimento é como a riqueza, destinado ao uso. O hermetismo visa transformar a vida, não ser mero intelectualismo. Avareza mental impede a expressão em ação do que foi aprendido.

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Transcrição

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0:00 Essa nossa palestra de hoje é a primeira vez que ela está sendo dada. Vocês vão dizer: "Não, mas você já falou tantas vezes do Caibalho essa palestra de hoje não tem absolutamente nada a ver com as outras palestras de Kaibalion que eu fiz. Normalmente a gente fala a respeito dos fenômenos do Kaibalion no mundo, o que acontece à nossa volta. Aqui nós vamos falar do efeito das leis do caibum dentro de nós, na nossa psiqu, ou seja, aspectos psicológicos mesmo, como o nome diz. Portanto, é a primeira vez que a gente faz esse conteúdo. Eu espero que seja interessante para vocês. Quando eu fui analisar um pouco a respeito desse aspecto mais interno do Caibá, eu falei: "Bom, isso talvez seja até mais interessante do que as influências dele no mundo, mais interessante pra gente

0:46 perceber as coisas dentro de nós, né? Então vamos conhecer um pouquinho dessas aplicações internas do caibaro. Esse livro originalmente é um livro de 1908, publicado por um cidadão que, na verdade, no início não havia nome de ninguém, né? Eram três iniciados. E aí depois a editora Pensamento foi, investigou, disse que teria sido um cidadão, William Walker Atkinsons, mas até hoje a gente não sabe dizer com certeza se realmente é a editora Pensamento, inclusive nas suas edições mais próximas, mais recentes, ela já coloca o nome desse autor. Mas há em

1:33 outros lugares do mundo, sempre falo isso quando eu dou essa palestra. Por exemplo, na Inglaterra, Mabel Collins, que era uma teósofa ligada a Helena Blavates, que ela dizia que o livro tinha sido escrito por ela, ou seja, tem outras pessoas reclamando para si a autoria desse livro. Então, a gente não pode dizer com tanta certeza assim quem é o autor, quem não é. O fato é, ele é fundamentado na obra egípcia, fundamentado no Egito e nas chamadas sete grandes leis que regem o universo manifestado. Para o Egito, o universo é regido por sete leis que se aplicam desde um grão de areia até um ninho de galáxias. E a gente ao conhecer essas leis, refletir sobre elas, pensar sobre as aplicações que elas podem ter na

2:19 nossa vida, poderíamos nos alinhar com o universo. E ao nos alinharmos com o universo, teríamos, evidentemente, muito mais facilidade de encontrarmos o nosso próprio caminho, encontrarmos o nosso lugar dentro dele e, portanto, encontrar harmonia, felicidade, tudo isso que é tão desejável, não é? Bom, a tradição hermética é milenar. Ninguém vai saber dizer, hoje há até quem negue que tem existido um mestre chamado Hermes trismegistas. Eu particularmente acredito que o impacto histórico que ele gera não poderia ter vindo de ninguém, de uma compilação de histórias populares. É muito o que ele deixa. E bom, mas a data fala-se desde 2500 a 3.500 anos antes de Cristo, que é um

3:05 desvio padrão muito grande, né? Então não há muita certeza acerca de quanto, de quando ele viveu, mas o fato é que algumas coisas estariam diretamente relacionadas a ele. algumas obras, algumas tradições egípcias, como o mito de Osires, Iris, Isesis e Orus, o livro dos mortos egípcio, que era um documento que se escrevia para cada pessoa que estava às portas da morte, e algumas obras como o Corpus Herméticum e a tábua de esmeralda, o Minerva Mund, que normalmente é mostrado também junto com o corpus hermético. Quem tem a curiosidade de conhecer melhor essas obras, ambas existem dentro de Nova Acrópole, o Corpus Hermético no Acrópole Play, não sei se vocês conhecem,

3:52 Acrópole Play é a nossa plataforma de streaming. Ela é bom, vocês depois podem se informar com os voluntários, é de onde a gente tira um pouco dos recursos que vem pros nossos trabalhos sociais e ela é sensacional. Tem muita coisa interessante lá dentro. Eu peguei esse livro, que não é um livro simples de se ler, Corpos Hermético, não é brincadeira, tá? Mas eu fiz uma leitura linha por linha, acompanhada e comentada. Então, quem queira se aventurar, aliás, quem queira, eu diria para vocês que vocês deveriam querer, porque Corpus Hermético é um dos livros mais importantes da tradição da humanidade. Portanto, deem uma forçadinha de barra para quererem, né? Porque

4:39 porque realmente é um tipo de livro que a gente não deveria deixar de ler. É, talvez o livro sagrado mais antigo de que dispomos junto com os vedas indianos e realmente sensacional. E para aqueles que queiram conhecer a tábua de esmeralda, sobre a tábua de esmeralda, eu tenho uma palestra lá no YouTube da nova Acrópole também, tá? YouTube é aberto todas as palestras com entrada franca e o Acrópoy Play é uma mensalidade que eu não sei atualmente quanto é, mas é qualquer coisa em torno de R$ 20. é muito, muito pouco peso e é uma plataforma de streaming sensacional, muito interessante. Então, quem queira conhecer em maior profundidade, eu recomendo sobretudo Corpus Hermético. Hoje ele foi publicado duas vezes no Brasil, bem recentemente. Um deles,

5:24 inclusive, foi a versão que eu utilizei para fazer esse comentário. Antes era muito difícil ler o corpus hermético, você tinha que ler em espanhol, já são disponíveis em português. Verdade. O corpus hermético, ele é complicado em qualquer língua que você possa imaginar no mundo, mas pelo menos no português é mais plausível da gente tentar se esforçar. E com o acompanhamento da leitura comentada, eu acho que vocês vão tirar muito proveito dessa leitura, tá certo? Então vamos lá. E vamos falar então desse caibalion, dessas sete leis que segundo o Egito, segundo a tradição hermética, aplicam-se ao universo como um todo, do micro até o macro. Vamos falar dentro de um campo de aplicação que é a psiqua humana, ou

6:10 seja, aspectos psicológicos do caibo, certos elementos que, claro que a gente não vai esgotar, porque tem muitas outras possibilidades à quais vocês mesmos podem chegar através de um exame, de uma imaginação sobre as leis, vocês podem encontrar muitas outras aplicações. Uma boa reflexão vai mostrar a vocês outras possibilidades. trouxe apenas algumas para que a gente conheça cada uma das sete leis, uma aplicação interna que a gente poderia ter. Trouxe para vocês esse desenho que é o caduceu de mercúrio, que segundo a tradição grega seria a demonstração greco-romana, né, do que seria o ser humano. Tem uma parte física, que eles chamam de soma, uma parte emocional e mente prática, que

6:56 é chamada de psiquê, e uma parte espiritual, que é chamada de no. Então, o homem seria uma composição desses três elementos, um elemento físico, denso, concreto, um elemento psíquico e um elemento espiritual, tá? Hoje vamos falar especificamente a respeito da psique humana. Para que que o Kaibalion pode ser útil? No que que ele pode nos ajudar? Se ele pode nos ajudar a lidar melhor com esse mundo que é tão instável e tão complicado e que é exatamente o nosso campo de batalha nesse momento. Nosso campo de batalha é saber elevar as nossas emoções a sentimentos, saber controlar os nossos pensamentos, pensar de maneira mais lúcida, mais autêntica. Nosso campo de batalha está aí dentro

7:41 desse ponto intermediário que é o psicológico. Vamos ver se o Kaibalion pode ser útil em alguma coisa. Então vamos lá, vamos falar um pouquinho a respeito das leis dele. Começando pela mais conhecida de todas, não é? Que é o mentalismo. O princípio do mentalismo diz: "O todo é mente, o universo é mental". Então o que que a gente pode deduzir quando a gente diz isso? que o nosso mundo, tudo que existe abaixo da mente é fortemente influenciado pela mente. As coisas nascem no plano mental e depois se concretizam. Ou seja, se alguém constrói uma mesa, primeiro eu tenho que ter pensado nela para depois levá-la até o plano físico e concretizá-la. Dizem

8:27 que o universo teria existido na mente divina antes de existir concretamente, tá? Então, tudo que a gente vê à nossa volta existiu primeiro no plano mental. Vocês conseguem conceber uma pessoa que fabricou uma mesa sem pensar nela? Como seria isso? Não existe. Tudo que existe à volta de vocês existiu primeiro no plano mental. Uhum. Então, nós temos que perceber que aquilo que existe dentro de nós também existiu primeiro no plano mental. Por exemplo, quando a gente trabalha com coisas difíceis, como os nossos fenômenos afetivos que eu coloquei aqui, tristeza, melancolia, raiva, mágoa, rancor, são complicados, são fenômenos complicados que a gente tem que conviver com eles e às vezes são difíceis de domar e às vezes estragam o

9:14 nosso dia e às vezes podem estragar grande parte da nossa vida. Eles nascem no plano mental. Eles nascem de uma forma mental, um padrão mental que cria um padrão emocional. Então você lembra de um fato e elecoa no mundo emocional como uma mágoa, como um rancor, como um desejo de vingança, como uma tristeza, como uma depressão, como uma melancolia. Em primeiríssimo lugar ele vem no plano mental. Agora, o que nós podemos perceber é que existe uma velocidade. Vamos falar adiante sobre isso. A mente é mais rápida do que as emoções. Existe uma velocidade do pensamento que é superior a das emoções. Se você tem um pensamento negativo e muito rapidamente

9:59 atua sobre ele, diz não e corta e coloca alguma coisa positiva no lugar, você pode cortar um pensamento negativo antes que ele derrame a sua tinta no plano emocional. Porque você cortar um pensamento é rápido. Uma vez que você já está com raiva, não é tão rápido assim limpar a raiva. você tem todo um trabalho para reverter esse esse fenômeno afetivo, né, esse fenômeno emocional que às vezes nos contamina, nos deixa mal, às vezes nos coloca inclusive em uma posição eh adversa diante dos demais, nos faz cometer erro eh atos enganosos, ou seja, faz com que a gente tenha condutas não desejáveis na vida. E é complicado.

10:45 Quando as coisas caem no plano emocional, elas são mais densas. É como se fosse uma tinta que se derramou mesmo. Já estou com raiva para limpar tenho tempo. Já estou triste para limpar tem um tempo. Já estou melancólico para limpar tem um tempo. Antes que isso aconteça, você poderia trabalhar para que essas coisas não surgissem no plano mental ou se surgissem para que fossem imediatamente cortadas e substituídas, né? que a ideia de termos um pouquinho mais de autodomínio, domínio sobre a nossa mente. Uma coisa que hoje a gente quase não tem chamada concentração, o hábito da concentração, ou seja, pensar naquilo que eu desejo, não deixar que pensamentos invasivos entrem, muito

11:32 complicado, porque somos a geração da dispersão. Nós deveríamos praticar mais, fixar o nosso pensamento naquilo que necessitamos. Eu trouxe para vocês algo que é muito conhecido, principalmente o pessoal que é da escola conhece bastante isso, se chama tratataque. Tra-ataque nada mais é do que um exercício bobíssimo, mas que ajuda. Quando a gente diz faça- atarque, as pessoas vão dizer: "Bom, isso é uma uma tremenda uma perda de tempo." Depois que você faz um pouco, você percebe que realmente cria musculatura. você consegue conter melhor os seus pensamentos, ou seja, evitar que eles derivem para coisas que você sabe que vão te fazer mal, evitar que eles derivem para zonas que você sabe que vão te criar problemas. Então, tratar aqui é

12:18 uma coisa muito simples. Você pode ter isso aí, um pedaço de papel com ponto no meio, ou você não pode, pode não ter nada, simplesmente pegar um ponto que tá na parede e experimentar num determinado momento sentado confortavelmente, fixar esse ponto por segundos que seja, um segundo, dois, mas fixar com tanta concentração que você não veja a circunferência. Se é um ponto na parede, que você não veja mais nada em volta, só veja o ponto. Você vai perceber que tem toda uma sequência. Primeira vez que você tenta, não acontece coisíssima nenhuma. A segunda vez que você tenta, aí se você começa a forçar demais, o ponto começa a virar dois pontos e vibra e vai para lá, vai para cá, aquela confusão, mas a circunferência não some. Aí você insiste, insiste, insiste lá pelas

13:05 tantas. Cada um tem o seu tempo, né? Se não desiste no meio do caminho, sente a circunferência começar a piscar, a ficar falhada, até que num determinado momento você consegue, por segundos, só vê o ponto, não vê mais nada. Que diferença faz isso? vai tentar se concentrar na leitura de um livro que você vai ver que fez diferença. É como uma academia, você desenvolveu musculatura e você tem mais condições de se fixar naquilo que necessita se fixar e ao mesmo tempo de evitar que determinadas formas mentais que você sabe que vão gerar emoções negativas entrem na tua mente para que elas sejam cada vez mais espaçadas, porque quando elas são espaçadas elas vão perdendo força, né? Voltando aonde estávamos antes,

13:53 então, cortar pensamentos significa ter um conjunto de formas mentais que eu digo isso não. E ter força suficiente para ter um pouco mais de concentração, me fixar naquilo que eu percebo que faz bem para mim e cortar as formas mentais negativas. Isso não corta imediatamente. Surgiu uma coisa no teu plano mental que não é boa. Existe inclusive um exercício de imaginação que ajuda isso. Você imagina que pegou essa forma mental, fez uma bola com ela e vupt arremessou no espaço. O espaço é curvo, ela vai fazer a volta e vai voltar para você. Mas você já colocou outra coisa no lugar mais interessante e mais envolvente que te prenda, que quando essa forma mental voltar, você já tá pensando em alguma coisa mais interessante, algo que você

14:40 goste e que não seja negativo, que não seja mórbido, que não tenha nada de pesado. Coloca, sei lá, um esporte que você gosta, uma modalidade artística que você gosta, coloca alguma coisa interessante no lugar, ocupa aquele espaço, porque a natureza não deixa vácuos, né? Então imagina que você fez uma bolinha com essa forma mental vupt, arremessa no espaço, coloca alguma coisa no lugar. Gente, a imaginação humana é fantástica. Não pensem que isso é uma brincadeira. O que nós podemos fazer através da imaginação é incrível. E assim você vai cortando, cortando, cortando. Essa forma mental vai perdendo força e você vai evitando que ela gere determinados fenômenos emocionais que, como eu falei para vocês, depois que surgem, dá para você combatê-los, dá. Mas é muito mais complicado combater uma

15:27 emoção negativa do que um pensamento negativo. São mais pesados, são mais lentos. O plano emocional é mais lento do que o plano mental, então fica mais difícil de limpar, né? Bom, algumas outras coisas que podem ajudar também a gente a não deixar que essas formas mentais negativas nos dominem. Algumas reflexões muito boas que quando você fundamenta bem a sua vida nessas reflexões, quando as formas mentais vêm, você já não acredita muito nelas, já não dá muito retorno para elas. Primeira delas é a máxima históica que o imperador Marco Aurélio, grande filósofo histórico, costumava dizer: "Nada acontece ao homem que não seja próprio do homem". Sabe o que significa isso? Eu confio plenamente que aquilo

16:13 que acontece comigo acontece porque eu necessitava viver aquilo para crescer. Então, não é porque ninguém me perseguiu, não é porque ninguém estava querendo o meu mal, não é porque ninguém estava me visando, porque esse tipo de eh transferir os nossos problemas paraa responsabilidade de uma pessoa é a pior coisa que tem, né? Começamos a achar que fomos injustiçados por fulano, beltrano ou ciclano. Se você parar para pensar que para crescer você precisava passar ali, se não fosse aquela pessoa seria outra. Se não fosse aquela circunstância, seria outra equivalente, mas você precisava passar ali. Não é responsabilidade de fulano. Fulano simplesmente tem os seus defeitos e por acaso era ele que estava passando ali naquela hora. Mas se não fosse ele,

16:58 seria outro. Mas eu teria que passar ali por uma necessidade de experiência para crescer. Essa visão histórica é muito interessante, porque a gente para de se sentir injustiçado pela vida. Ele começa a perceber que tudo, tudo, sabe aquela coisinha lá que você não perdoa de jeito nenhum? Aquela pedrinha no sapato ainda isso foi necessário para você crescer. Portanto, não é responsabilidade de fulano. Você percebe que esse tipo de forma mental, quando você acredita nela, ela joga um banho d'água, por exemplo, no rancor, na raiva, no espírito de vingança. Você tá vai esfulando. Não, se não fosse ele seria outro. Eu precisava viver isso. Dá uma refecida no calor tremenda. Se você reflete sobre isso e

17:44 acredita nisso, ajuda muito, tá? São algumas reflexões que nos ajudam a combater essas formas mentais negativas, né? prática de fechar as contas com o passado, que isso é uma outra coisa que também eu recomendo pro pessoal todo o início de ano, tudo que aconteceu no ano passado, que não foi agradável, mas eu aprendi alguma coisa com isso, aprendi, cresci, cresci, então valeu a pena, foi bem pago. Perto do que me permitiu aprender e crescer, não foi tão caro assim, foi bom, cresci bastante, tá? Se não fosse isso, eu estaria na mesma, seria o mesmo ser humano. Ou seja, não deixar pontas soltas no passado. Isso ainda vou resolver. Não, já resolvi tudo. Agora é daqui paraa frente. Não

18:30 tem nada me prendendo ano passado. Todas as coisas que foram desagradáveis foram desagradáveis, mas também me ensinaram um bocado. Graças a elas eu sou o que sou. Então, fechei as contas. O passado não me deve nada, nem eu a ele. Acabou. Virei a página. Isso te permite crescer. E é mais uma coisa que arrefece os nossos sentimentos de ódio. Ódio então é uma coisa que às vezes contamina a nossa vida inteira. Não sei se vocês já perceberam isso. Qualquer coisa que você goste de fazer, que você faz bem, sei lá, pode ser escrever, pode ser eh pintar um quadro, pode ser cuidar de uma planta, pode até ser cuidar de uma criança. Se você tá com ódio, você percebe que a sua capacidade de fazer

19:16 isso fica muito reduzida, que você não tem inspiração, não é capaz de canalizar carinho. Vocês já experimentaram cuidar de uma criança sentindo ódio? não da criança, mas de alguma coisa que aconteceu no passado. Bom, o ódio te deixa impaciente, não te predispõe ao carinho, a compaixão, a compreensão. Qualquer coisa que você faça vai ficar pela metade. Alguém que, sei lá, componha músicas não vai ter inspiração se tiver com ódio. Alguém que queira dar carinho a alguém não vai sentir esse carinho no seu coração se estiver com ódio. Ou seja, o ódio simplesmente frustra tudo aquilo que a gente tem de melhor. Ele tira o impulso das nossas melhores coisas. Ele corta a nossa motivação, corta a nossa

20:03 inspiração. Bom, se a gente começa a fechar as contas com o passado, a gente vira a folha, não tem nada que me prenda no passado. É menos provável que venha alguma forma mental envenenar o meu emocional. Então, saibam, todas as dores que vocês já sentiram no plano emocional ou que sentem até hoje foram provocadas por uma forma mental que você deixou entrar. Localize quais são, quais são as formas mentais que estão envenenando o teu emocional e trabalhe para cortá-las. Trabalhe para tirar a fundamentação delas. Corte essas coisas que nascem no plano mental e envenenam as nossas emoções, envenenam os nossos melhores sentimentos. Dá para fazer, né, uma boa

20:49 reflexão, uma boa prática de concentração, você começa a cortar as bases dessas formas mentais para que a gente tenha cada vez menos veneno dentro de nós, né? Nós às vezes nos habituamos a conviver com veneno quase que todos os dias. um pouquinho de veneno dentro de nós, um pouquinho de tristeza pelo que poderia ter sido e não foi, um pouquinho de sentimento de autocompaixão pelo que fizeram comigo, um pouquinho de rancor por aquela pessoa que que eu confiava tanto e fez tal coisa. A gente carrega isso cotidianamente. Imaginem vocês o que é tomar um pouquinho de veneno todos os dias. Todos os dias um pouquinho, né? à toa que o pobre no nosso corpo físico acaba

21:34 estourando de todas as formas. Essas coisas são realmente venenos e elas nascem no plano mental. Portanto, localizem lá o botão que aciona esses sentimentos e essas emoções. E esteja atento a ele. Corte esse botão, né? Aí passando para o princípio da correspondência, ele vai dizer: "O que está acima é como o que está abaixo e o que está abaixo é como o que está acima. Então você pode comparar coisas que estão acontecendo nos dois planos. Bom, vejam bem, a gente tá falando de aspectos psicológicos do caibo. Que que a gente tá preocupado aqui em manter a nossa psiqua melhor das melhores condições possíveis, não é isso? Nas melhores condições possíveis, perdão. Não é isso? Manter emoções

22:20 elevadas, sentimentos nobres. Nós estamos tentando ter uma vida sadia psicologicamente. É isso que estamos buscando com essa palestra. O que que o princípio da correspondência pode nos dizer a respeito disso? que tem uma série de hábitos de vida que você tem, ou seja, que acontecem lá embaixo no plano físico, que eles suscitam os piores sentimentos e emoções possíveis e que às vezes você nunca deu conta disso, você nunca se deu conta, copiou esse hábito de alguém, recebeu de família ou recebeu da sociedade comportamentos que quando você começa a repeti-los, daqui a pouco você vai ver o que está dentro de você. um sentimento péssimo, uma emoção péssima, altamente negativa, que te

23:06 atrapalha, que te boicota, não deixa você realizar os seus sonhos. Por exemplo, por exemplo, vamos pegar aqui algumas coisas. Desordem, habituar-se ao caos. Será que é fácil pensar com clareza e ter emoções elevadas no meio da desordem? Então eu tenho o hábito de viver no meio da confusão. Aquela pessoa que quando abre o armário cai tudo lá. Aí ela dá aquela empurradinha básica, faz assim na porta, né? Tranca, deixa isso lá. A casa tá sempre meio bagunçada, meio suja, aquela confusão. Que que vocês acham? O que há acima há abaixo e o que há abaixo há acima também? Que tipo de conteúdo psicológico vocês acham que isso vai evocar no ser

23:51 humano? de caos, de confusão, de desordem, de falta de capacidade de raciocinar com clareza, de falta de capacidade de poder sentir as coisas em profundidade. É um ambiente terrível. Não sei se vocês já perceberam que entrar num num ambiente desorganizado te provoca uma sensação de moleza, de perda de energia. Parece que dá sono, né? Que você fica meio cansado, porque realmente suga as nossas energias. Os japoneses tradicionalmente e eles tinham o hábito de fazer ambientes redondos, evitar cantos, que nos cantos é onde se acumula a sujeira e a sujeira suga a energia dos seres humanos. Então eles faziam ambientes que eram sempre redondos, arredondados,

24:39 evitavam cantos. Exatamente por isso, porque onde se acumula a sujeira, onde se acumula a desordem, suga a tua energia. Então tem desânimo, falta de iniciativa, falta de vontade de fazer as coisas, preguiça. Todas essas coisas que surgem no teu plano psíquico surgem muitas vezes porque existe caos fora de você e você internaliza o caos. É um hábito. De onde que eu aprendi isso? Sei lá, em algum lugar. A sociedade hoje tá na moda ser desorganizada. Aliás, hoje todo mundo acha que isso é um estilo, né? Esse é o meu jeito, esse é o meu estilo, tá? Enfim, e não se percebe o efeito psicológico que isso gera. Eu gosto muito de um autor chamado Steven Prfield, acho que alguns de vocês já devem ter conhecido através de mim

25:25 mesmo. Ele tem um livro que é como superar seus limites internos, que ele diz o seguinte, que ele tentava ser escritor a vida inteira. Ele morava dentro da caminhonete dele e lá atrás na caminhonete tinha máquina de escrever dele, porque ele nunca desistiu que uma hora ele ia conseguir escrever um livro, só que não conseguia. Aí ele disse que ele ia jogando lá atrás no bagageiro da caminhonete roupa limpa junto com roupa suja, misturava tudo, fazia aquele ninho. Aí de noite ele chegava, afofava aquilo ali e dormia em cima daquilo ali. Aí depois mais madura, chegou a conclusão, nunca que eu conseguiria produzir um livro vivendo naquelas condições. É óbvio que aquela desordem física estava no meu plano da imaginação. Não tinha ideia nenhuma, não

26:12 surgia uma ideia original na minha mente, tava no plano da minha mente, no plano das minhas emoções, o caos estava dentro de mim, assim como estava fora. Aí ele conta como é que ele faz para escrever hoje em dia, porque é um grande escritor, um escritor muito prolífico, toda hora tá lançando um livro novo. Ele disse que ele marca, digamos, 10 horas para começar a escrever. Pelo menos duas horas antes ele acorda, começa a arrumar a casa, limpar, deixar tudo organizadinho, cada coisa no seu lugar, tudo bonitinho. E por último, ele vai lá na porta e varre muito bem o capacho da porta para que as musas inspiradoras ao entrarem não surjem suas vestes. É muito bonita essa passagem. Ou seja, hábito que nós temos de desordem, vai gerar desordem mental e desordem

26:59 emocional. Aí estamos confusos, estamos instáveis e nós não sabemos que esse tipo de coisa traz essa forma mental. Não tem jeito. De muita lucidez no meio do caos, não tem jeito. Você internaliza o caos e daqui a pouco tem caos fora e caos dentro. Que o outro hábito nós podemos ver que acontece também o hábito da crítica. saímos procurando defeitos em tudo e todos e realçando os defeitos de tudo e de todos que passam por nós. É claro que o mundo é dual. Se você procurar defeito, você vai achar em qualquer coisa. Em qualquer coisa. Mas esse hábito do into, de tá sempre procurando o negativo de cada um, às vezes de uma

27:44 maneira insana, o cantinho, o Eu me lembro que uma vez uma pessoa, eu tava fazendo um comentário a respeito de um compositor clássico e eu falava da beleza da obra dele. Aí a pessoa levantou o dedo, mas ele bebia de vez em quando. Pelo amor de Deus, você vai procurar isso na vida do cidadão para poder desvalorizar. Tá bom. Ele bebia. Ele não era perfeito, mas tem uma música sensacional, né? Ou seja, perfeição é muito complicado de você achar no mundo, mas nem por isso aquilo que ele fazia de bom perdeu o seu valor. Enfim, isso é óbvio, né? Mas eu o que me marcou nessa situação foi essa pessoa procurar dentro da biografia do cidadão,

28:29 virar de cabeça para baixo, sacudir para ver se ele tinha algum defeito e se prender a isso. Vai pegar as redes sociais para você ver como é que estão procurando o defeito de tudo e todos. É um péssimo hábito. O hábito da crítica. Você pode não saber tudo que está acontecendo na vida dos artistas. Tudo que está acontecendo na vida dos cantores, porque eles escondem, mas tem a vida de uma pessoa que você sabe tudo que tá acontecendo nela, que é a sua própria. Pois é, a sua própria você sabe. Aí sabe o que que vai acontecer com esse hábito que você tem de criticar tudo e a todos? Quando essa crítica se virar contra você, vai ser demolidora

29:15 e você não vai se perdoar pelos seus erros. Quando essa crítica, quando você virar essa arma contra você mesmo, vai ser implacável, vai se destruir, não vai ter um pingo de compaixão por si próprio, pelos seus erros, porque se não tem pelos demais, quando esse hábito se vira contra você, são aquelas pessoas que são inseguras, que não conseguem realizar nada. Durante muitos anos na minha vida, dei aula de oratória e eu achava curioso que exatamente aquelas pessoas que mais apontavam defeitos dos outros na hora que iam apresentar, quando elas iam apresentar travavam que não conseguiam fazer nada. Elas não suportavam a ideia de errar. É como se elas imaginassem, estarão pensando de mim o que eu penso delas e eu não suporto isso. Então o hábito da crítica é debilitante de uma

30:01 forma tal, porque você se torna implacável em relação aos teus próprios defeitos. A falta de compaixão que você demonstra pelos demais quando vira contra você te destrói, que isso te debilita de uma maneira que você nem imagina, tá? Então um péssimo hábito com consequências psicológicas terríveis. Que mais? Aí tem muitos hábitos do dia a dia que nós costumamos ter, como o atrasado, né? Cidadão que atrasa em tudo, é quase que um estilo pessoal dele, atrasa, chega atrasado em tudo quanto é coisa. É o tipo da pessoa que ela tende a não ter muito autoconfiança e muito respeito por si próprio, porque ela sabe, no fundo, que ela é uma pessoa com quem não se pode contar,

30:47 não é assim? Ela não pode esconder isso de si próprio. Ela sabe que se alguém precisar de uma pessoa séria para fazer um trabalho, não vai ser ela, porque ela nunca está a tempo e a hora nos lugares. Que que vocês acham que isso faz com a autoestima de um ser humano? Saber que ele não é aquela pessoa confiável e responsável com quem se pode contar. É um hábito que quando passa pro plano psicológico também te debilita demais. Tira a tua autoestima, tira o teu senso de de respeito por si próprio. Imagina eu me olhar no espelho e dizer: "Você não é uma pessoa com quem se possa contar". O que que isso faz com o ser humano psicologicamente? O quanto isso nos debilita e a gente acha inocente, né? Ah, eu só me atraso

31:34 porque eu sou um pouco desorganizada. Nós não sabemos o dano que isso produz em nós mesmos. A pessoa com quem você se comprometeu pode arranjar outro, mas você não pode arranjar outro. Você tem que contar consigo mesmo e por isso precisa se respeitar. E respeitar-se é a base para que você possa impulsionar pro futuro. Então, um hábitozinho bobinho desse, tô sempre atrasado, faz com que você perca o respeito por si próo, ou seja, o que acontece abaixo, refletindo acima, né? Mecanicidade é aquela pessoa que só funciona no piloto automático. Ela tem uma rotina, executa aquela rotina, nenhum momento ela para para pensar, será que não tem jeito de eu fazer isso melhor por uma outra via, de uma maneira que seja mais eficaz? Não tem jeito de

32:21 eu melhorar esse processo, não. Ela só sabe repetir. Esses são os que mais estão com medo da inteligência artificial, né? Que vão ser os primeiros que vão ser devorados, porque mecanicidade é coisa de máquina. Tá, como eu costumo falar nas minhas palestras, não são elas que estão tomando o nosso lugar, nós é que estávamos tomando o lugar delas, não é? Então, mecanicidade, eu não sou criativo, nem capaz de trazer nada de novo ao mundo. Aí você vê invenções, fulano em tal lugar, descobriu tal coisa e você olha, você tem a sensação de que você não é daquela mesma espécie humana, porque eu não consigo fazer nada de novo. Eu só consigo repetir eternamente a mesma coisa. Ou seja, eu sou uma máquina que você deu corda e sai

33:06 repetindo a mesma coisa. Nenhum momento de reflexão, nenhum momento de parar para pensar se não há algo melhor, maior do que isso para ser feito. Nada, nada, nada. Ou seja, nós começamos a achar que criar, renovar, melhorar o mundo não é coisa para nós. Nós não somos capazes disso. Isso é uma coisa que eu brigo muito com as escolas, inclusive, porque eu acho que toda vez que a gente ensina alguma coisa para um garoto na escola, devia chegar para ele e dizer: "Olha, isso foi o que a gente alcançou até agora, mas nós precisamos ir muito além e estamos contando com você". que ele confiasse que essas mentes brilhantes são equivalentes às deles. Somos todos seres humanos. Eu me recordo num episódio muito

33:52 interessante que foi de um cidadão que durante muito tempo estudou a escrita da ilha de Creta, a linear B, Arthur Evans. Ele era um arqueólogo e nunca conseguiu decifrar. Aí chamaram ele já idoso para um colégio na Inglaterra, gente, para dar aula para uma turma de garotos de 10 a 12 anos. E ele disse: "Olha aqui, eu fiz tudo isso aqui, mas não consegui decifrar essa linguagem, mas eu confio que vai ser decifrada no futuro e pode ser um de vocês." E foi e foi um menino chamado Michael Ventris, que tava naquela classe dele, que foi lá e decifrou ali a ver. Sabe o que que é você chegar pros garotos e dizer: "Não sabemos quase nada, estamos com todas as pontas do conhecimento soltas para vocês pegarem e

34:39 levarem adiante, estimular as pessoas. que elas podem pensar, que elas podem ser criativas, que elas podem renovar, que elas podem acrescentar valor ao mundo e não fazer com que a gente engula um pacote de conhecimentos que tá fechado e não tem mais nada para fazer, né? E aí caímos todos numa mecanicidade de achar que nós temos que só executar procedimentos, porque criar coisas é uma outra categoria de seres humanos, não nós. Esse tipo de pensamento é terrível, leva à mediocridade. Resultado disso é a mediocridade psicológica, tá? Comportamento rude. Aquele que é rude consigo mesmo, com os demais. Aí você mostra para ele uma coisa muito bela, uma música muito

35:25 elevada, um gesto muito nobre. A sensação que ele tem é que aquilo não foi feito para ele, que ele não é digno daquilo. Ele fica se sentindo um bruto diante das coisas belas, requintadas, nobres, de uma obra de arte, de uma bela ação, de um ato de generosidade, ele olha para aquilo, ele fica se sentindo como se ele fosse um um homem da caverna. Ele não fosse capaz dessas delicadezas. Por quê? Porque a rudeza vai embrutecendo a nossa capacidade de requente, de ver detalhes, de criar beleza e de apreciar beleza. Então é terrível, terrível. Comportamento rude faz com que nós pensemos que o nosso é um mundo rude, que nós não merecemos nada de belo, nada de requintado, nada

36:11 de elevado. Você vai internalizando essas coisas de tal maneira que depois você não acredita em si próprio. E aí eu coloquei para vocês essa história, era galinha ou ovo? Porque é lógico que na cabeça de vocês deve estar pensando isso. Bom, um mau hábito gera essa forma emocional e mental. Mas será que não foi uma forma mental, emocional que gerou esse mau hábito em algum momento? Pode ter sido ou pode ter sido copiada de alguém também mecanicamente, sem pensar. Mas o fato é que tendo vindo de um lado pro outro ou do outro pro outro, em algum ponto você vai ter que cortar. E eu te recomendo, corte os maus hábitos, que ajuda bastante a recuperar a confiança em si próprio. Corte os maus hábitos, porque isso com certeza vai

36:57 euar psicologicamente em você, naquilo que você acredita ser, no quanto você confia em si próprio, no quanto você acha que é capaz de criar coisas boas, belas, nobres. Ou seja, mude os maus hábitos, aperfeiçoe a sua vida, depure a sua vida. N terceiro princípio que é o princípio da vibração. Nada está parado, tudo se move, tudo vibra. Existe uma outra coisa no plano psicológico que também é muito comum no nosso momento histórico. Vocês já ouviram falar de uma expressão chamada adrenalina pura? Ou o cidadão tá vibrando a 1000, ou ele não acha que tá se divertindo, que tá feliz? Ele não pode ir a uma reunião social e beber moderadamente. Ele tem que se embriagar. Ele não pode pegar um

37:44 carro e andar numa velocidade normal da vida. Ele tem que correr feito um louco, tá? Ele tem que ter emoções intensas, ele tem que fazer coisas fortes, tá? Porque senão ele acha que a vida é a parte. Nós nos viciamos nisso também. O dia a dia, as coisas belas do dia a dia, o tanto que tem para você ver a sua volta, a gente não vê. Eu não posso, por exemplo, como eu coloquei aí, me sentir feliz dando uma caminhada do local onde eu moro. Eu preciso ir pra floresta. negra na Europa ou para a praia em Ibiza, né? Ou seja, o cotidiano é pouco para mim, eu preciso de vibrações intensas. Eu sempre acho muito engraçada que eles, desculpem, não tenho nada contra nenhum esporte, mas também não posso evitar de achar engraçado. Aquelas

38:30 pessoas que se amarram no elástico e se atiram e ficam fazendo to. Meu Deus, muito caro, você quer emoções fortes? Tem uma excelente ideia para você. vai abrir nova crópol lá na África. A gente tá precisando. Faça uma coisa que é útil para si própria e pro mundo. Tem to com certeza não. Ou seja, essa busca de vibrações muito intensas é um vício também, porque senão é como se nós ficássemos meio anestesiados. A vida comum, o dia a dia não é suficiente para nos trazer felicidade. Nós não vemos nada do dia a dia. Tem milhões de coisas acontecendo à nossa volta, não vemos nada. Então, um café da manhã em família é pouco. Tem

39:16 que ser o restaurante mais caro. Se você tá aí na casa, na sua mesinha de quatro lugares, sentado com mais uma pessoa ou duas, aquilo é muito pouco para te fazer feliz. Você tá sentado com a sua família, com uma pessoa ou duas na sua mesa, pode falar dos maiores mistérios do universo, pode discutir sobre essência da vida, pode tornar aquele um momento sagrado, imortal, pode fazer daquilo ali algo que vai fazer diferença pro resto da sua vida. Aquele momento quando você sentar com o familiar, procura fazer, eu pelo menos gosto de fazer isso. Meu esposo também faz, a gente adora. Dobra o guardanapinho, coloca na mesa só você e mais uma pessoa dentro de casa. Dobra o guardanapinho, coloca do lado da xícara, coloca uma musiquinha tocando. É super especial.

40:03 Por quê? Se é um dia como outro qualquer, um dia como outro qualquer é super especial. Se você tivesse poucos dias de vida, você ia achar esse dia extraordinário. Você não sabe quantos dias de vida tem. Todo dia é extraordinário. Todo dia é como se fosse uma página em branco que a natureza abre diante de você e diz: "Eu confio em você". começa tudo de novo. Todos os dias são extraordinários. S uma reflexão simples, onde você tá ali delicadamente servindo o café do outro, eh, o outro te servindo, tentando ser gentis, tentando tratar de um assunto elevado. É sensacional. Você não precisa estar num restaurante cinco estrelas para estar vibrando. A vida diária tem muita coisa para nos mostrar. Pode ser sensacional.

40:49 Podemos descobrir coisas muito profundas em nós, no outro. A alegria simples de uma boa conversa não é suficiente. Preciso do tempero de uma boa dose de bebida, ou seja, euforia. Você não pode se reunir com um grupo de amigos e conversarem um bom papo daqueles que traz a alma da gente à tona, daqueles onde a gente compartilha as melhores coisas da nossa vida. Não pode. Todo mundo tem que beber até se embriagar, porque senão não tem graça. Reunião social sem bebida, que coisa chata. Não tenho nada contra a bebida, mas contra a embriaguez não precisamos chegar a isso, a euforia. Ou seja, não achamos graças uma simples conversa com amigo. Então você não tem verdadeiros amigos. Porque um verdadeiro amigo, aquele que te faz trazer a alma à tona,

41:35 é sensacional. Quando estamos com eles, não precisaria de mais nada, mas não é suficiente. A gente precisa temperar tudo na vida. vibrações extremas, não pode ter a serenidade de uma vibração harmoniosa do dia a dia. Estamos sempre buscando essas vibrações extremas que vocês vão ver que se compensam, mais adiante vamos falar sobre isso quando falávamos da polaridade com vibrações extremas do outro lado, né? Então, caminhar pelo meu quarteirão não é suficiente. Preciso estar na floresta negra ou na praia mais badalada. No meu quarteirão deve ter um milhão de coisas que eu não vi ainda, 1 milhão de elementos que eu não observei, né? Uma milhão de de pôr do sol que você ainda não olhou direito. Monte monte de coisas

42:21 a natureza à tua volta. Milhões de coisas para ver dentro e fora de você, na sua esquina. Aliás, se você for pro outro lado do mundo, você vai ver que é uma esquina como outra qualquer. Não existem esquinas tão diferentes assim no mundo. Me recordo que eu era garota e eu sonhava. Um dia vou sair do país, estudei relações internacionais por causa disso, vai haver alguma coisa extraordinária em algum lugar do mundo que eu tenho que ir lá encontrar. É sorte que eu comecei a fazer filosofia antes de fazer essas viagens, porque o que eu encontrei pelos quatro cantos do mundo foi um bando de homens angustiados que não sabiam o que estavam fazendo aqui, vestidos de um jeito, de outro, numa moda em outra, mas a mesmíssima coisa, né? E eu poderia resolver essa questão na minha esquina, não precisava ir pra esquina do outro lado do mundo,

43:08 né? Então, não precisamos de vibrações tão intensas assim. Nada contra você fazer viagens, viu? não entendam mal, mas precisarmos dessas coisas para sermos felizes, estamos reduzindo a nossa felicidade. É muito pouco. Não podemos viver assim o tempo todo, tá? Ou seja, eu tenho que estar sempre adrenalina pura, uma vibração máxima, senão a vida é apática e eu não vejo graça na vida. Hum. Eu tava lendo esses dias a respeito dessa história das 48 horas. esses dias, foi ontem que eu tava lendo essa reportagem, que eles chegaram à conclusão que a máxima felicidade nas férias é quando você tá 48 horas lá, você já desfez as suas malas, já começou a curtir. A partir daí o prazer é descendente, porque aí já é a segunda vez, já é a

43:54 terceira vez. Quando eles fizeram um questionário perguntando paraas pessoas o que foi mais divertido nas férias, teve várias vezes essa expressão. A primeira vez, a primeira vez que eu fiz o castelo de areia, a primeira vez que eu entrei na água, depois vai ficando mais monótono. Por quê? A pessoa não está acostumada a estar o tempo todo buscando algo de belo. Ela só vê alguma beleza na novidade. Então as férias são assim, tem aquele pique máximo e depois ela é assim, ó. De tal maneira que quando você chega de volta, você fica um tempão descansando das férias, porque elas ficam maçantes no final. É como se você não tivesse mais nada para ver, porque o mesmo método que você usa na sua vida, usa em qualquer lugar. Muito rapidamente acha que já viu tudo,

44:41 né? Quando não mergulhou em profundidade, em absolutamente nada. Aquilo que me serve bem não é suficiente. Preciso de tudo novo. Ou seja, é curioso, né? Porque dentro de nós tá tudo velho. Somos sempre os mesmos. Mas eu preciso do computador novo, do celular novo, da TV nova, da geladeira nova. Ou seja, tem que estar sempre renovando, como se o que estivesse faltando fosse do lado de fora. Essa compulsão por novidades que nós tanto temos. Eu recentemente vim dos Estados Unidos, isso me surpreendeu muito lá, porque ainda é pior do que aqui. A rapidez com que eles sucateiam coisas novas. É impressionante. Temos que estar mudando, mudando, mudando. E por dentro sempre os mesmos, não muda

45:27 nada. Esse tédio interno é que nos faz ter essa compulsão por mordar coisa do lado de fora. Jesus, uma coisa te serve perfeitamente bem. Não, mas é muito velho. Como é que você tem uma coisa tão velha desse jeito? Que vergonha. Olha o mundo do jeito que tá. Você é, você é sovina, hein? Por que você tem uma coisa tão velha assim? Uma coisa que te serve perfeitamente bem. Por que não tê-la? Por que não tê-la? Não vou falar para vocês que o meu carro é 2002, porque vocês vão achar engraçado e que eu adoro ele não troco por nenhum, porque ele funciona perfeitamente bem, me serve muito bem, tem nome, tem nome, tem nome. Gosto dele. Ou seja,

46:16 não precisa o carro de vocês ser 2002, mas pelo amor de Deus, não tenho compulsão por trocar coisas do lado de fora, quando na verdade o que precisa ser trocado é para lado de dentro, né? Isso é mais uma vibração intensa. Tem que tá vibrando intensamente na onda da moda e dentro sempre a mesma coisa. Dentro que as coisas fizeram a ser mudadas não muda nada. É sempre a mesma coisa. Dentro juntando poeira, não é? Sentimentos duradouros são monótonos. Então, da mesma maneira que as férias, os relacionamentos também são assim. Tem um pique de novidade, depois não começa a cair na monotonia. Por quê? Não tem vibração nas conversas, aprofundamento, crescimento juntos, desafios juntos.

47:02 Não. Aí a convivência é sempre aquela mesma coisa, vai ficando monótona, o outro vai deixando de ser novidade e eu me alimento de novidades, tá? Eu não vejo o que as coisas são. Eu não vou além da flor da pele das coisas. Eu não sei o que as pessoas são. Não vou além da flor da pele das pessoas. Portanto, as pessoas são um mistério para mim. O que eu conheço é muito superficial, mas esse superficial daqui a pouco eu estou entediado dele. É. E aí aquela pessoa que usa outras pessoas para ter sempre novidades na sua vida, é o uso do outro para ter emoções fortes, para ter novidades, tá? Então, entendia do outro, como se o outro fosse um objeto que ele usa da mesma maneira que a sua televisão, que a sua

47:47 geladeira, de vez em quando eu tenho que trocar porque aquele modelo já enjoou. Ou seja, é uma falta de motivação na vida tão tão fora, tão tão forte, uma superficialidade tão grande que ficamos a flor da pele, não só das coisas, mas de nós mesmos. Não tem nenhum aprofundamento, porque se nós encontrássemos algo de profundo em nós, a partir desse algo de profundo, encontraríamos algo de profundo nas coisas e respeitaríamos todas as coisas, pessoas que estão à nossa volta. Mas não, a flor da pele é esse homem que tá sempre vibrando ao sabor da novidade. Enjoa de tudo. Nós vivemos a sociedade dos enjoados, enjoam de tudo. Então, sempre querendo a vibração forte da novidade, do novo, da aventura, né? E a

48:36 maior aventura, que é descobrir a si próprios não vivem, não mergulham em si mesmos. Como qualquer vício pode ser corrigido, porque esse vício leva a excessos em tudo, né? Tudo tem que ser excessivo, né? Aprender a sacralizar a vida e torná-la toda adotada de valor. Perceber o valor das pequenas coisas. percebeu o valor de criar laços profundos, de conhecer profundamente o outro, de você perceber que existe algo tão profundo em nós, ligados a todas as coisas, porque o sentido do universo nesse momento é esse, gente. É comunhão, é união. O universo trabalha para isso, para levar todos os seres à união. E

49:22 quando nós fazemos isso, quanto mais unidos estamos uns aos outros, todo momento é novo. Hoje eu sinto você muito mais profundamente. Hoje eu entendo muito mais profundamente a maneira como se você se posiciona no mundo. Hoje eu entendo o teu drama, as tuas alegrias. Quando eu estou crescendo em comunhão cada vez maior com o mundo, todo momento é novo. E esse exatamente é o mistério de encontrar o sagrado, o divino. A vida não é mais banal, ela é um mistério todo tempo, porque cada passo que eu dou é paraa frente e é para dentro também. Eu conheço melhor a mim mesmo. Eu conheço melhor e tenho muito mais harmonia e comunhão com tudo à minha volta. O universo caminha paraa unidade. Eu

50:08 quando desperto e faço isso voluntariamente, a vida se torna uma aventura. Ou seja, esse não é o primeiro, nem o segundo. É o 10º, é o 20º, é o 30º ano que eu estou fazendo tal coisa. Olha como agora eu entendo isso de uma maneira extraordinariamente diferente daquilo que eu entendia no passado. Hoje eu compreendo o coração disso como eu nunca tinha visto antes. É assim nós vamos caminhando e conquistando o coração das coisas e o nosso próprio coração. Uhum. Continuando, polaridade. Princípio da polaridade vai dizer: "Tudo é duplo, tudo tem dois polos. Tudo tem seu par de opostos". O semelhante e o dessemelhante

50:53 são uma só coisa. Os opostos são idênticos em natureza, mas diferentes em grau. Os extremos se tocam. Todas as verdades são meias verdades. Todos os paradoxos podem ser reconciliados. Isso aí não lembra para vocês mais um vício contemporâneo que nós temos, não. Polaridade lembra o quê? Polarização que nós tanto amamos, né? ou estamos de um lado ou estamos do outro. Quando na verdade você parar para analisar, os opostos estão bem parecidinhos. São bem parecidinhos. Eu coloquei aqui para vocês, bom, uma das coisas que todas as tradições da humanidade sempre colocaram é que a gente buscasse exatamente o caminho do meio, uma

51:39 harmonia onde saíssemos selecionando o melhor de tudo e conjugando isso num caminho do meio, né? Todos os radicalismos têm uma boa dose de cegueira. Ou seja, todas as polarizações têm uma boa dose de cegueira. Quando eu polarizo de um lado e nego o outro, é como se eu estivesse dizendo: "1% do que está desse lado está certo e 100% do que está do outro lado está errado". Você já começou errando porque não existe 100% nesse universo. Nós estamos num universo onde tudo é relativo, tudo é uma mistura de um e do outro. Portanto, nem o seu lado está totalmente certo, nem o outro lado totalmente errado. Deve haver virtudes e defeitos em ambos. Se você tivesse a maturidade de selecionar o

52:25 melhor de ambos e encontrar um caminho do meio, seria muito mais maduro, muito mais harmonioso, teria muito mais paz. Eu peguei um caso, por exemplo, que são os fanatismos materialistas e religiosos. De um lado tem o fanatismo religioso que a gente conhece bem, aquela pessoa que acha que só o caminho dela salva e quem não seguiu o caminho dela vai pro inferno, está condenado mesmo, não tem salvação. E o caminho dela é um caminho bem específico, aquele grupinho, aquela coisinha ali, aquela denominação, ou é ali ou não é em lugar nenhum. fanatismo religioso. Só que na nossa sociedade hoje em dia é muito comum ter também, cada vez mais eu encontro, acho curioso, o fanatismo materialista, que aquele cidadão que não acredita em nada, tá bom, esse é o problema dele, mas ele se acha no dever

53:13 de convencer todo mundo a não acreditar em nada, né? Tem te pessoas que chegam a pachorra de ter sites na internet pegando ex-religioso da religião A, ex-rigioso da religião B, da religião C, para dizer lá que aquela religião não prestava, para tentar convencer todo mundo que nenhuma religião presta e que tem que ser é ateu, porque a única verdade. Vai querer me dizer que esse cidadão não é tão fanático quanto o outro? Viver e deixar viver. Você não quer acreditar em nada, faça isso e viva as consequências da sua opção. Mas essa política agressiva de querer demonstrar que todo mundo que acredita em alguma coisa é burro, é doido, é alienado e que o único certo é você que não acredita em nada, isso é tão fanático quanto o outro

54:00 lado. Essas polaridades no nosso momento histórico vive o auge delas. A gente não pode parar para pensar que todo mundo tem algo de razão e todo mundo tem algo de erro. Não podemos parar para pensar nisso. Não temos essa capacidade. Aí lá vem os ódios, lá vem as divisões das famílias, divisões dos amigos, porque um tá no polo, o outro tá no outro polo. Como se alguém tivesse encontrado a verdade absoluta. Quem foi que encontrou a verdade absoluta? Ali Sócrates costumava dizer uma coisa muito interessante. Se alguém te disser que encontrou a verdade absoluta, ou ele encontrou mesmo e é um sábio ou ele não sabe nem o que que é verdade e é um total ignorante. Em nenhum dos dois casos serve para filósofo.

54:46 O filósofo não encontrou verdade absoluta nenhuma, não é um sábio, ele tá buscando, ele tá buscando. Então, em nenhum dos dois casos serve para filósofo. Essas polarizações que nós vivemos ao invés de buscarmos um caminho do meio, é um problema psicológico grave, que é uma aplicação do princípio da polaridade. Se a gente tirar todas as astraladas, vocês sabem o que que é uma astralada, né? Uma oscilação emocional, tirar todas as emotividades descontroladas e com serenidade e amor a verdade olhar para ambos os polos, você vai ver que existem qualidades e defeitos em ambos. e que se você é um amante da verdade, quer realmente a verdade, você deveria pegar como a pinça isso aqui sim, isso aqui não, isso aqui sim, dos dois lados

55:34 e provavelmente encontraria coisas boas e más na mesma proporção dos dois lados e tentaria coletar o melhor que existe, que a humanidade tem para te oferecer, para formar a si próprio da melhor maneira possível e seguir um caminho equilibrado, um caminho do meio. não cairia em polarizações de donos da verdade. Nós estamos polarizados em tudo, gente. Polarizados em termos de arte, em termos de religião, em termos de política, até em termos de ciência hoje temos polarizações. Somos polarizados em tudo. É uma quantidade de donos da verdade coitada da verdade. Coitada da verdade. É dono da verdade demais que a gente tem. Uma coisa tremenda. Eu não poderia recolher o melhor de

56:20 ambos e criar uma visão minha refletida, mas não rígida. A partir de tudo isso que eu vi dos dois lados, eu refleti, eu acho que é isso, mas eu acho, eu estou sempre buscando aperfeiçoar a minha posição. Isso é o melhor que eu tenho até esse momento. Considerando o melhor de ambos os lados, a minha posição é essa. Mas ou você está em X, ou você está em Y, ou você está em cima do muro. Não existe a possibilidade de você ter uma opção tua construída a partir de tudo de melhor que você viu. Não existe essa equção direto. Ou você se alista em X, ou se alista em Y, ou você é um alienado, está em cima do muro. Não é assim? Não pode ter ideias próprias. Quem tem ideias próprias não brinca.

57:06 Se as pessoas que eu amo são duais, as teorias que eu amo não devem ser também. Nós amamos os nossos filhos, os nossos pais, os nossos parceiros. Eles são perfeitos? Não são mesmo? Um pai muito amoroso sabe que seus filhos têm defeitos, que ainda assim amam os seus filhos, se dedicam a eles. Por que que temos que odiar tanto assim uma posição e amar tanto assim a outra? Se nós percebemos que tudo é dual na mesma proporção, por que que eu tenho que ter essa ideologia tão fechada de que isso é absoluta verdade, isso é absoluta mentira? Se nem os meus filhos, eu sei que não são absolutos, não são. Tem um monte de defeitos. são meus filhos, mas tem um monte de defeitos. Eu mesma tô cheia de defeitos. Ou seja, as coisas

57:52 que eu amo sou capaz de amá-las, mesmo sabendo que são duais.É. Portanto, para você gostar de algo, não necessita que isso seja absoluto. Não estamos no mundo de absolutos, né? Machado de Assis. Agora nessa segunda-feira, toda segunda-feira às 10 horas eu faço uma leitura no meu Instagram e ele tem uma um conto chamado Teoria do Medalhão. Vocês já ouviram isso, gente? Quem não leu a teoria do medalhão perdeu metade da sua vida. Exagerada não, né? Teoria do medalhão lhe ensina exatamente o filho dele. Isso a pensar o que já foi pensado, a não inventar nenhuma

58:38 novidade, é fugir das ideias como o diabo foge da cruz, tá? Só repetir aquilo que todo mundo pensa, não criar absolutamente nada de novo, né? Decorar uns jargões ou umas frases feitas, uns umas uns umas frases em latim para criar efeito, mas não pensar absolutamente, né? Nós parece que fomos educados na teoria do medalhão. Pensar só o pensado, criar algo novo, de jeito nenhum, totalmente proibido. Fuja das ideias, pense o que já foi pensado. É mais ou menos o que nós fazemos. Somos todos medalhões. A sociedade de X ou Y. E você não imagina que tem A, B, C, D, E, F, G, não. Só tem X ou Y. E aí você

59:23 pega, se você diz X, eu já sei o que você pensa, no que que você acredita, que que você vai fazer, porque já tá tudo pensado ali. Você se alista e executa aquele script. Não tem margem paraa individualidade nenhuma. Não existe mais nada. É a teoria do terceiro excluído. Ou é X ou é Y. Não existe outra possibilidade dessas. Eu pensar por mim mesmo e criar W, criar J, não pode. Isso tá fora do esquema. Somos todos medalhões formados para pensar no pensado, para nos alistarmos naquilo que já foi pensado, já foi feito nível de reflexão própria, de originalidade, de ter as rédias da nossa vida na mão, nenhum. Ou seja, polarização

1:00:09 é um elemento que nós podemos notar muito forte no nosso momento histórico, influenciando a nossa forma, os nossos aspectos psicológicos, a nossa forma de sentir a vida. Quinto princípio, princípio do ritmo. Tudo tem fluxo e refluxo. Tudo tem suas marés. Tudo sobe e desce. Tudo se manifesta por oscilações compensadas. A medida do movimento à direita é a medida do movimento à esquerda. O ritmo é a compensação. A medida do movimento à esquerda é a medida do movimento à direita. Se você oscila muito para um lado, a tendência será compensar oscilando muito pro outro. Isso é muito,

1:00:54 muito psicológico, né? A gente vê isso claramente dentro da nossa psique. Ou seja, um dia de euforia, o outro dia de depressão, um dia de muita expansão, um outro dia de muito recolhimento. Mas por que que precisamos oscilar tanto assim? Que precisamos nos expressar de forma tão excessiva assim, sabendo que esses excessos vão gerar uma compensação equivalente, tá? Ou seja, toda expansão excessiva gera estragos que tendem a se pagar do outro lado. Ou seja, alguém me contraria no nível em que estamos, é muito difícil que a gente não sinta um certo impulso de uma contrariedade, né? Ainda que a gente segure aquilo e aja racionalmente, a gente segue, a gente sente aquele sentimento de contrariedade quando de alguma maneira alguma coisa

1:01:41 nos fere, nos desagrada, nos ofende. Nós precisamos expressar essa cólera tão ruidosamente assim, jogando nosso ódio aos quatro cantos do mundo, agredindo verbalmente, alterando o volume da nossa voz. Precisamos que esse pêndulo vá tão longe. Você sabe que no outro dia ele vai pro lado oposto. Você vai estar deprimido, arrependido, envergonhado, não só do que você fez ao outro, mas do que fez a si próprio. Expansão excessiva da cólera. A gente vê isso todos os dias pelas ruas, no trânsito, em locais de trabalho, né? Cóera descontrolada tende a ferir um monte de gente e por último, mais fortemente a nós mesmos. ficam cicatrizes dentro de nós daqueles dias

1:02:26 que nós perdemos o controle. Carregamos isso pelo resto da vida, aquele dia que eu perdi o controle. Bom, no nosso nível, se sentir contrariado faz parte, mas eu preciso deixar esse pêndulo ir tão longe assim ou eu teria que ter um equilíbrio onde eu seguro? Pera lá, vamos responder de maneira humana. Eu sou um ser humano, pelas vossas obras vos conhecerei. Então, vou dar uma resposta humana a isso e aprendendo quando erramos, né, e moderando essascilações, né? Quantas vezes as nossas oscilações são violentas? A cólera é um exemplo disso, né? Que mais? Euforia descontrolada. Vocês percebem que às vezes num grupo de amigos, numa festa, num barzinho, seja lá onde for, o pessoal começa a beber,

1:03:12 perde controle, entra numa euforia onde todo mundo ri excessivamente, brinca excessivamente, as brincadeiras começam a ficar de mau gosto, às vezes começam a ferir alguém, a ofender alguém, né? criar um estereótipo sobre alguém, ofender, ferir. Ou seja, euforia descontrolada tende muitas vezes a ultrapassar o limite do bom gosto e do respeito ao outro e a si mesmo. E os danos a corrigir depois são sempre grandes. Dificilmente você vai ver quando uma pessoa passa dos limites, e hoje isso é considerado diversão, curtição, a gente se divertiu abessa, riu descontroladamente, falou bobagem, ou seja, foi excessivo na euforia, provavelmente perdeu respeito pelo outro

1:03:59 ou por si próprio. Isso vai cobrar um preço. Provavelmente feriu a si próprio ou feriu alguém ou ambos. Para eu me divertir, eu preciso deixar esse pêndole tão longe assim. Eu não poderia ter um humor de mais bom gosto, ter um uma risada mais equilibrada, tá mais consciente do que eu tô falando, do que eu tô fazendo e me divertir do mesmo jeito. Preciso deixar isso ir tão longe assim. Chega o ponto das pessoas serem às vezes agressivas entre si, abrirem feridas, criarem situações altamente delicadas e constrangedoras. constranger alguém. Por quê? Porque é engraçado. Quantas vezes isso acontece? Expõe uns aos outros a brincadeira de mau gosto porque é engraçado. Ou seja, nós não

1:04:46 precisamos desse excesso todo para nos divertirmos. Você pode perfeitamente se divertir com equilíbrio, consciente do que você tá fazendo. Me recordo muitos anos atrás que a gente, eu tinha uma escola Nova Acrópole em Valparaíso de Goiás, foi uma das primeiras filiais que eu fiz. E a gente tava fazendo uma festa lá acropolitana. E aí passou uma pessoa na rua e eu vi que quando ela passou, ela fez assim meio assustada quando viu as pessoas lá dentro, né? Depois ela passou, era uma vizinha, depois eu fui perguntar para ela: "Que que foi que você assustou?" É porque eu não tava ouvindo barulho nenhum. Quando eu passei ver aquele monte de gente lá dentro, falei: "Ó, esse pessoal tá se divertindo sem fazer ruído desse jeito".É né? Porque divertir tinha que ter baderna, tinha que ter gritaria, tinha que ter música mais alta

1:05:33 do que o necessário. Ou seja, divertir a gente compreende excessos, não é assim? Se eu disser para vocês, tem alguém numa praia, uma dessas praias da moda, que tá lá curtindo, se divertindo, como é que você imagina que esteja esse local? Lembrem aí do nome de uma dessas praias da moda? Não lembro de nenhuma. Maragogi. Maragogi, digamos. Tem um monte de gente de férias lá. Como é que você espera que fique quando esse pessoal sair de lá? Sujeira para todo lado, não é isso? Os moradores contrariados porque teve barulho alto, teve confusão, gente brigou, teve problema no trânsito, ou seja, nós precisamos nos exceder para nos divertirmos. Não é à toa que hoje no mundo vocês veem que que tá acontecendo. As pessoas estão

1:06:19 odiando os turistas, que a presença deles é inconveniente demais, porque você tem que ser desagradável para se divertir. Você tem que ser mal educado, você tem que ser excessivo, você tem que fazer sujeira, você tem que fazer barulho excessivo, mau hábito, excesso. Não precisamos disso para nos divertir. Podemos nos divertir sem deixar o nosso eu humano trancado dentro do apartamento, né? Não precisamos dessas vibrações excessivas. Abandonar o péssimo hábito de achar que em algumas situações é justificável ou até agradável perder o controle sobre si mesmo, como um animal desenfreado. Em

1:07:06 certas situações, é divertido perder totalmente o controle. Olha, o seu carro, você não gostaria de perder o controle, que você sabe que pode fazer um acidente sério. Não pense que em relação a você também não vão acontecer coisas desagradáveis. E nós temos esse mau hábito de achar que para curtir você tem que perder o controle. Como assim? Então você vira um bicho desenfreado, sem controle nenhum. Isso é um mau hábito, isso é um excesso, o pêndulo vai lá em cima, não é isso? Eu não posso ter uma ação equilibrada. Esse pêndulo que vai lá em cima, no dia seguinte vai compensar pro outro lado. Desenvolver o requinte do prazer humano e da reação humana a situações de respeito ou de perda. Imaginar aquele que você mais admira e procurar construir isso em si próprio.

1:07:52 Imagine você aquela pessoa que você mais admira e alguém a ofendeu. Como você imagina uma pessoa que você admira, uma pessoa respeitável se comportando diante de uma situação onde foi ofendida?

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