Aula 01 do curso de atualização: parceria SME-USP

Resumo Breve

O vídeo aborda a formação e a integração entre universidades e escolas de educação básica, focando na educação física através de um projeto internacional. Os principais objetivos incluem a formação de professores, a promoção de um currículo cultural e o fortalecimento das práticas pedagógicas. Destaca-se a colaboração entre instituições brasileiras, chilenas e europeias, visando a melhoria da educação física escolar, enfatizando o diálogo e a troca de experiências.

  • Integração entre universidades e escolas para a formação de professores de educação física.
  • Projeto internacional envolvendo instituições do Brasil, Chile e Europa.

Integração entre Universidades e Escolas

O vídeo começa com a coordenadora apresentando a missão de promover a ligação entre universidades e escolas básicas. Através de um projeto internacional, busca-se explorar a formação de professores e a questão do currículo cultural. A coordenadora menciona a importância da interação entre educadores e estudantes, convidando todos a participarem ativamente na discussão. Em seguida, ela compartilha a tela para detalhar como o programa formativo surgiu, destacando a parceria entre a Universidade de São Judas Tadeu e a Universidade de São Paulo.

Projeto Internacional de Formação

A coordenadora fala sobre as ações do projeto que visa a formação de professores de educação física na América Latina, destacando a colaboração com equipes do Chile, Espanha e Portugal. O projeto propõe uma formação que conecta a universidade com as realidades das escolas, buscando aproximar as ações pedagógicas da teoria acadêmica e da prática cotidiana dos professores.

Desenvolvimento da Parceria

A apresentação dá sequência às ações que possibilitam a conexão entre as universidades e as escolas. A coordenadora menciona que o projeto foi baseado em uma proposta que recebeu financiamento da FAPESP, com foco nos desafios enfrentados pelas escolas. E a integração com outras universidades da América Latina e da Europa também se mostra relevante para o enriquecimento dessas experiências formativas.

Desafios da Formação de Professores

A coordenadora destaca a importância de entender as dificuldades que professores enfrentam na prática e a necessidade de integrar essa formação ao currículo cultural dentro das escolas. Um dos objetivos dos encontros será refletir sobre as experiências dos professores e como essas podem influenciar futuras ações e propostas pedagógicas.

Discussão sobre Currículo Cultural

Uma das apresentadoras, Patrícia, inicia uma discussão sobre os marcadores sociais da diferença e sua relevância na educação. Ela destaca a necessidade de problematizar questões relacionadas a identidade, raça, gênero e suas interseções, para promover um currículo que seja inclusivo e formativo. Essa discussão visa valorizar diferentes visões e experiências dentro do espaço educacional, ressaltando a importância de conhecer a diversidade e integrá-la no ensino.

Atividades Pedagógicas e Cursos

O curso terá uma estrutura organizada com reuniões quinzenais e atividades assíncronas. As participantes recebem orientações sobre as expectativas do curso, horários e conteúdos que serão abordados, com o objetivo de provocar discussões sobre práticas pedagógicas efetivas nas escolas. O foco será sempre buscar fortalecer o diálogo entre teoria e prática, promovendo a educação física de maneira enriquecedora.

Fechamento e Próximas Etapas

O encontro encerra com um chamado à participação ativa de todos nos próximos encontros e atividades, enfatizando a importância do compromisso com a formação contínua. As participantes são incentivadas a refletir sobre como os temas discutidos podem ser aplicados em suas práticas educacionais, culminando em uma construção coletiva que valoriza a diversidade e a inclusão na educação física escolar.

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Transcrição

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0:00 desse projeto é promover a formação e a conexão entre as universidades, as escolas básicas. Então, eu tenho a missão aqui eh como coordenadora junto com o Marcos de apresentar um pouco como é que a gente chegou nesse curso, um pouco do contexto institucional que esse curso está e dos nossos objetivos, né, que coadunam com a ideia dessa discussão sobre o currículo cultural, mas se inserem num projeto de parceria internacional que nós estamos desenvolvendo na Universidade de São Paulo, na Universidade de São Judas Cadeu. Então, eu vou compartilhar a tela para contar um pouquinho para vocês como é que essa esse programa formativo nasce, como é que ele vai se encaminhar eh do ponto de vista institucional, tá bom? Aí em seguida a gente vai ter uma

0:47 uma primeira discussão, né, que a Patrícia daqui a pouco ela se apresenta e ela vai compartilhar com vocês algumas reflexões que vão abrir os nossos trabalhos pedagógicos, tá? Então, o nosso encontro de hoje ele tá dividido nesses dois momentos, ou na melhor, né, né? Claro que é é sempre dialogado, né? Então, eh, queria agradecer a participação de vocês e convidar a interagir levantando a mão, falando no chat, abrindo o microfone. Acho que é, todos nós aqui compartilhamos eh de uma perspectiva formativa dialógica, de estarmos aqui como um grupo de professores e professoras preocupados em refletir eh sobre a educação física na escola e garantindo a direitos de aprendizagem dos estudantes. Eh, então, agradecer o interesse e a

1:34 participação nessa parceria aí com a com a Secretaria de São Paulo que as outras redes também das pessoas que se inscreveram lá pela USP tá? Então, vou compartilhar a tela aqui para apresentar um pouco para vocês como é que esse projeto nasce, onde que ele tá situado em termos dessa parceria eh institucional que nós estamos eh o programa de pós-graduação em educação física da Universidade de São Judas Tadeu, eh, com a Universidade de São Paulo. Eh, então, ah, >> Bel, só um pouquinho. Será que começou a gravar? >> Sim, tá gravando já. Não >> começou já no comecinho da >> Já tá gravando, Sim, já tá gravando, sim, já tá gravando.

2:20 >> Muito bem. Então eu vou contar um pouquinho para vocês. Eh, esse projeto ele é uma parceria internacional, né, que ele tem essa sigla em inglês, justamente porque ele reflete essa essa parceria internacional e ele tá preocupado com a formação de professores de educação física na América Latina. Então, mesmas ações que nós estamos fazendo de formação docente em parceria com redes de educação, eh, com os professores atuantes, o pessoal do Chile, uma equipe do Chile também tá se desenvolvendo, tá desenvolvendo essa mesma parceria, claro que com os seus ajustes, né, dos seus contextos, eh, das suas dinâmicas. Então, aqui no Brasil a gente decidiu por um caminho, no Chile eles estão fazendo um caminho um pouco diferente, mas nós temos esse objetivo

3:05 eh de pensar essa formação, essa integração entre a formação universitária e os professores e professoras que estão atuando nas escolas da educação básica, trazendo eh essa colaboração mútua e também fortalecendo as nossas reflexões com os nossos estudantes de graduação, né? Então, eu vou contar um pouquinho para vocês. Eh, nós temos nesse projeto uma universidade na Espanha, uma universidade em Portugal, né? Então, a Universidade Miguel Hernandes, eh, de Elch na Espanha, Universidade de Évora em Portugal e no Brasil, a Universidade de São Judas Tadeu, no programa de pós-graduação em educação física e a Universidade de São Paulo, a a FE e a Each. E no Chile nós temos eh duas

3:51 universidades com dois colegas que também coordenam esse projeto, mas uma equipe de professores também de cada uma dessas universidades chilenas. E e por meio dessa parceria internacional, nós pensamos ações de formação de professores conectadas com as escolas, justamente pensando que as universidades elas não podem ficar alheias aos desafios, né, que as escolas vivenciam, os professores e professoras vivenciam no seu cotidiano escolar. a gente sabe que tradicionalmente a formação de professores ela eh não se conectou, né, a a uma certa separação e a gente tem feito uma série de esforços, né, nos nossos programas eh aqui no Brasil para aproximar essas duas realidades, né?

4:36 nossos grupos de estudo, nossas pesquisas estão muito conectadas, né, tanto lá na São Judas quanto na USP, com essa integração. E aí foi uma oportunidade que surgiu de um projeto que tava sendo coordenado pelo Marcos ou pelo Mário da submetido a FAPESP, que é um projeto de pesquisa no ensino médio, também conectando aí com o currículo cultural. E a partir desse projeto da FAPESP, ensino médio, a gente submeteu num outro edital da FAPESP que chama Sprint. O Sprint ele tem o objetivo de fortalecer, é, de impulsionar essa parceria internacional. Então, a gente conseguiu fazer uma conexão com a Universidade de Miguel Hernandes e aí juntamos USP e São Judas para durante um

5:22 ano pensar nessa colaboração aí. Daí que surgiu eh a integração com Portugal e com o Chile. E aí, nesse processo, né, o Sprint, ele tem como grande objetivo fazer com que essa parceria promova novas eh participações e amplie essa rede de pesquisadores. Então, a partir dessa primeira conversa dos trabalhos desenvolvidos entre a USP, a São Judas e a Miguel Hernandes na Espanha, a gente concorreu ao edital Erasmus Plus. que é um edital. Ah, o Erasmus é um projeto bastante grande, ele é financiado pela Comissão Europeia, ele tem muitas ações de intercâmbio entre os estudantes, não sei se alguns de vocês já ouviu falar, já participou

6:08 de alguma ação nas universidades que vocês cursaram. Eh, e uma das linhas dele é a melhoria do ensino superior e da formação de professores. Então, a gente concorreu nesse edital com um projeto que unia universidades latino-americanas e universidades europeias para pensar, né, por meio do intercâmbio acadêmico, essa construção colaborativa de propostas de formação docente, integrando a escola básica e as universidades. aí que nasce essa rede aí com essas universidades aqui que eu tava conversando com vocês, né? E aí este programa de formação, né, que a gente aqui tem as equipes brasileiras, né? Então nação Judas, eu, a Val, a Grá e a Renata. E aí na na USP o Marcos, a

6:54 Mônica, a Patrícia e o e o M, tá? E aí, eh, com esse intercâmbio com Chile, a gente fez várias ações para pensar esse programa, sempre conectado a nossas linhas de pesquisa, aquilo que a gente já vinha desenvolvendo, eh, na nossa, né, no nosso metier, nas nossas eh intervenções junto às redes e todo o nosso trabalho de pesquisa que foi sendo integrado também com o pessoal do Chile. E aí, o que que nós fizemos, né, só para contar um pouquinho, nós estamos aqui nesse momento. Então, esse curso eh ele tá conectado com esse projeto porque uma das ações que nós temos que desenvolver depois de toda essa parceria são ações piloto, eh, que conectam, de fato, tanto

7:39 no Chile como aqui no Brasil, os docentes universitários com os professores e professoras da educação básica. Mas antes disso, a gente fez um levantamento das realidades no Brasil e no Chile. Fizemos intercâmbio acadêmico, né, fazendo visitas. eles vieram para cá, a gente foi para lá, enfim. E aí, por meio dessa parceria, a gente construiu essa proposta de formação, eh, que a gente fez algumas ações também com nossos estudantes nas nossas universidades e agora a gente conecta aqui com esse trabalho com as redes. E aí, então, eh, esse curso ele nasce, né, dessa história toda, desse projeto internacional. Eh, e a gente vai depois contar um pouco para vocês, né, se possível, dependendo como entra o ritmo ali do pessoal do Chile e como as coisas estão sendo

8:25 desenvolvidas lá em alguns momentos. Se vocês tiverem curiosidade, a gente vai divulgar a plataforma do projeto que a gente tem para vocês conhecerem também um pouco do que o pessoal do Chile faz, algumas diferenças e desafios que a gente encontra também na internacionalização das discussões sobre a educação física escolar, né? Então agora nessas ações piloto da qual, né, das quais fazem parte esse programa de formação, esse curso de extensão, o que que a gente pensou que um modo, uma estratégia importante pra gente conectar a universidade de escolas e formalizar institucionalmente uma parceria seria por meio de uma de um programa de extensão. Então, a gente fez essa colaboração com a Secretaria Municipal de São Paulo, né, e ao mesmo tempo abriu

9:11 também para outros professores e professoras interessados e interessadas para justamente a gente poder eh promover essas práticas universitárias conectadas com esse desenvolvimento das situações didáticas nas escolas. Então, eh a gente vai falar um pouquinho, vocês receberam, né, na inscrição, puderam ter acesso aí aos objetivos do curso, nosso programa. A gente vai falar um pouquinho mais disso, né, no decorrer dos nossos trabalhos e principalmente na parte final. A gente vai orientar também um pouco sobre as próximas etapas, as datas, tirar dúvidas de vocês em relação à dinâmica do curso, né? Eh, e nosso objetivo nesse curto espaço de tempo é que a gente consiga pensar eh as situações didáticas na prática de fato, né? fortalecendo esse diálogo entre as

9:57 universidades, as escolas, eh, e testando um pouco essa cultura de colaboração. A gente tem muito interesse em investigar, né, e produzir conhecimento sobre a colaboração entre as reflexões dos professores e professoras, desafios ali enfrentados, o modo como cada um de vocês está pensando as suas práticas em diálogo com o currículo da rede que vocês atuam e com as discussões do currículo cultural eh da educação física, tá? Então, eh, abro agora para se alguém quiser. Deixa eu parar de compartilhar aqui a tela. Acho que parou de compartilhar. >> Já, já, >> já, né? Parou sim, né?

10:44 >> Muito bem. Tentei ser breve pra gente poder entrar no nosso nossa temática. Eh, pessoal da equipe, gostaria de complementar alguma coisa que eu esqueci? Acho que complementar não, Bel, mas talvez só passar uma rodada aí para as pessoas nos conhecerem, né? Que acho que nem todo mundo conhece a equipe. Acho que era bacana. >> Ótimo. Perfeito. Mônica, você começa, então? >> Começo. Já abri aqui, né? >> É. >> Então, boa noite, pessoal. Acho que Bel já expôs. Bacana, né? Qual é a proposta? Qual é o contexto que nos traz aqui? Eu sou a professora Mônica, eu sou professora da Faculdade de Educação da

11:29 Universidade de São Paulo. Lá eu trabalho junto com meu parceiro, colega Marcos Neira, trabalhando com as disciplinas eh da educação física escolar, tanto no curso de educação física, na licenciatura, quanto no curso de pedagogia. Então esse olhar da formação de professores e educação física. Muito prazer, né? Muito bom estar com vocês numa noite fria de segunda-feira e 84 pessoas. A gente tá arrasando né? >> Vamos lá. >> Moxe. Bom, boa noite a todos, né? Todos e

12:15 todas. Eh, as pessoas me chamam de MoHe, né? É o apelido é metade do meu sobrenome, né? Meu nome é Luís Mizuk, né? Eh, eu sou da Escola de Artes, Ciências e Humanidades, né, da USP. Sou contemporâneo, né, da Tem, né, eu vi a TM, assim, a TM, a TM foi minha bichete, né? Só que na época aí a assim eu conheci a Tem porque tinha o grupo PET, né, que foi criado lá de educação física lá na EF. E aí, né, o coordenador na época da do grupo PET era o Amadiil e o Amadiil era o meu orientador, né? Então eu acabei acompanhando bastante a evolução. Eu vou est assim, a minha função é mais administrativa nesse curso,

13:01 não é? E eu vou est acompanhando com vocês, com certeza. O Marcos já comentou isso, né, que eles estão tentando me absorver paraa educação física cultural, né, e me levar da biomecânica, né, que é minha área original, né, mas eu vou estar curtindo bastante, é uma coisa que eu tô querendo aprender bastante com vocês também, né? Obrigado pela, assim pela presença de vocês e por tudo, né, por essa eh por esse essa vontade de querer aprender mais sobre essa área tão importante. >> Ah, eu vou aproveitar para me apresentar aqui. Na verdade, eh, eu e a Val, a Val tá em dupla, né, Val, aqui em secretaria e na São Judas, mas eh meu nome é Ti, né, o que Muraquer, faço parte aqui da Secretaria Municipal de Educação,

13:47 Divisão de Ensino Fundamental e Médio. Sou responsável pela formação dos professores de educação física da rede, né? E como eu disse antes, né, de começar a gravação, é um prazer ter essa parceria com vocês, né, um grupo tão potente e e isso, né, como eu tinha comentado anteriormente, a rede ela tava eh nessa expectativa, né, do curso. Então, é muito bacana tê-los aqui. Então, agradeço muito a participação, né, dessa parceria com vocês. e Moschizuk. A gente, né, do século passado, né, a gente se encontrou, né, realmente foi muito bacana a época e bacana reencontrá-lo, né? Então acho que que é isso, né? A

14:33 gente sempre acaba encontrando ali eh, né, o o pessoal que isso, né, que eh se destaca, enfim. Então, eh muito bacana saber que você tá ospileste, né, se eu não me engano, noche, muito bacana. Então, bem-vindo, né? Eh, bem-vindos e bem-vindas todos. E aí, eu sou responsável mais pela parte também, como o Moiz administrativa de cuidar de certificação pela secretaria depois, enfim. Então, eh, né, o que a gente puder ajudar nisso, estou à disposição. Ótimo curso para todos. >> Acho que eu vou agora depois da TIM, né, que ela já falou. Eu sou a Val, gente. Eu sou professora da Universidade de São Judas e sou formadora também na rede

15:18 municipal de educação de São Paulo. Então eu que fiquei mandando e-mails para vocês no final de semana, me desculpem, mas é porque eu não queria que ninguém ficasse de fora, né? Então toda hora que eu via que alguém não tinha se inscrito, eu vai lá se inscreve. Mas era mais na ansiedade de que tudo desse certo e que todo mundo recebesse a certificação, tanto pela USP quanto pela Secretaria de Educação, porque a gente queria muito, né, que vocês eh pudessem ter essa dupla certificação e que e que a participação de todo mundo fosse garantida aqui. Então, espero que tenhamos um ótimo curso. Eu sou aluna, eu me matriculei, então eu ajudei no processo todo formativo, mas a partir de agora eu vou aprender aqui com as nossas professoras

16:04 e os nossos professores. Um ótimo curso para todos e obrigada. E se precisar de alguma coisa, pode mandar lá no grupo do e-mail que eu vou respondendo e eu vou ajudando a TIM nessa articulação aqui entre eh a formação e entre a secretaria pra gente fazer com que tudo ocorra bem, tá bom? Maravilha. Cadê a Patrícia? Tô por aqui. Boa noite a todas as pessoas aqui presentes virtualmente, né, os meus colegas. Meu nome é Patrícia Aparecida do Amparo. Eu sou uma estranha no ninho aqui. Eu sou pedagoga e sou docente na Faculdade de Educação da USP, onde eu ministro disciplina, as

16:51 disciplinas de didática para pedagogia e demais licenciaturas, então para a educação física também. e venho participando do trabalho com os colegas, pensando sobretudo na formação de professores. E é a partir desse olhar que eu pretendo contribuir com a nossa discussão. >> Muito bem, boa noite a todas e todos outra vez. Se o Mizuk tá se inclinando educação física escolar, a Patrícia também está. Patrícia já tá pensando até em fazer vestibular de novo, hein, Patrícia? Logo logo >> não, eu já vou querer o diploma direto porque o projeto é a minha graduação, entendeu? É diferente, Marcos. >> Você já tá, você já tá nesse caminho aí. Dizer para vocês que é uma alegria fazer

17:36 essa atividade, trabalhar com este grupo que vocês estão conhecendo, algumas pessoas estão conhecendo agora, trabalhar em parceria com a Val e com a com a TIM. Sempre que eu trabalho com a prefeitura, eu gosto de me apresentar como ex-aluno da rede municipal que eu fui, e como ex-professor da rede municipal que eu fui. que pela pela carinha de vocês na foto não tem mais ninguém da minha época, porque quando a a Ti disse século passado, eh no século passado eu era professor da rede municipal, fui professor da rede municipal até e e sigo trabalhando, como vocês já sabem, e a TIM já mencionou em parceria e fazendo pesquisas e apoiando aí meus colegas e minhas colegas sempre que a a rede demanda. E neste curso eu farei uma uma

18:24 intervenção eh no no terceiro dia, né? Então, no dia 15 de junho eu tenho aí um espaço de atuação junto com vocês, mas acompanharei o tempo inteiro à disposição também. Obrigado. Devolvo a palavra Bel. >> Obrigada, Marcos. Eh, bom, eu também já fui dando boa noite, né, falando um pouquinho dessa dessa nosso trabalho de parceria aí com o pessoal da USP. Eh, então, eu sou professora da São Judas também, né? Tô lá na no programa de pós-graduação da São Judas desde 2017, mas eu trabalhei muitos anos na Universidade de Presbiteria na Macken no curso de educação física. Fui professora da rede também durante 10 anos. Eu saí da rede em 2005, já faz, né, 20, mais de

19:10 20 anos, mas trabalhei também durante 10 anos na Prefeitura de São Paulo. Eh, e tive a oportunidade, né, de participar de algumas ações de formação, de assessoria. A última participação minha junto à prefeitura foi na discussão do currículo do ensino médio com com alguns professores, talvez alguns de vocês aqui que atuam no ensino médio. É uma é um grupo pequeno de escolas, né, que a que a Prefeitura de São Paulo tem que atendem ao ensino médio. Eh, então vamos começar os trabalhos. Hoje a gente tem, né, uma programação de três encontros. É um tiro curto, né, um é um um é um mês bastante intenso, na verdade três semanas. A gente tá falando em um mês porque na semana subsequente ao último encontro, né? Então nós temos o encontro de hoje, o encontro da próxima semana dia 8, e o

19:56 encontro da terceira semana, dia 15. Mas o curso prevê, além das 2 horas síncronas, mais 8 horas assíncronas durante essas semanas. Então é puxado, é intensivão, né? Eh, a gente vai eh tem temos algumas propostas já de atividades eh assíncronas para semana que vem. Então, espero que eh elas façam sentido para vocês, né? deixar vocês bastante à vontade aqui para estabelecer esse diálogo, pra gente pensar junto. Eh, então fiquem bem à vontade. A gente hoje vai ter o prazer de abrir essa formação com uma discussão que a Patrícia vai trazer pra gente sobre os marcadores sociais da diferença. A gente vai fazer uma conexão com o currículo cultural,

20:43 né? vai começar com uma abordagem, uma visão mais macro, uma problematização mais macro sobre a questão da diferença eh na educação e consequentemente como que ela se conecta como uma base de reflexões de e de orientação paraas nossas práticas pedagógicas. E aí depois que a gente ouvir um pouco o que a Patrícia vai trazer de problematizações, nós vamos fazer um debate, né, logicamente, eh, acho que durante todo o tempo esse diálogo. E aí ao final, mais pertinho ali da do final, uns 15, 20 minutos antes, a gente vai pensar um pouquinho nas próximas atividades, entender um pouquinho o que que a gente tá prevendo pro encontro que vem e a própria atividade assíncrona que

21:28 já está disponível na sala. Eu vou compartilhar novamente o convite para quem chegou um pouquinho. Eu já tinha compartilhado aqui no chat, mas acho que foi logo no comecinho da chamada. Então, ó, vou compartilhar aqui a sala, o link da sala Google para vocês se inscreverem, né? Então, acho que todos já estão familiarizados, né? Depois da pandemia com esses sistemas. Acho que a prefeitura usa a sala Google, então tá aí o convite para vocês se inscreverem. a atividade já tá lá, mas acho que ao finalzinho, ao finalzinho a gente tira dúvidas, pensa junto aí essa essa proposta para o encontro da semana que vem, tá bom? Eh, se alguém tiver alguma dúvida, alguma questão, pode levantar a mão ou já abrir o microfone. Não, passo a palavra paraa Patrícia.

22:17 >> Tá bem. Obrigada, Bel. Então, boa noite novamente. Eh, eu vou compartilhar o material eh que eu preparei pra gente para organizar um pouco a nossa discussão nessa noite de hoje. Então, como a Bel já adiantou, a proposta dessa dessa conversa, né, dessa primeira discussão nessa noite é promover uma certa, uma introdução às temáticas que serão discutidas ainda que brevemente no nosso curso, que é curto. Então, a partir desse olhar, né, que eu constituo, como falei anteriormente, né, a partir da formação em educação e numa perspectiva um pouco mais ampla, eh, eu gostaria de

23:05 trazer as reflexões sobre a questão dos marcadores sociais, das diferenças, porque é a partir disso que nós identificamos no escopo do nosso projeto, eh, um objeto interessante e importante de trabalho com os professores, né, da educação física, considerando as possibilidades de trabalho a partir do currículo cultural. Então, eh, o intuito dessa noite é promover essa discussão um pouco mais ampla e ela, de fato, tem mesmo esse objetivo de ser um pouquinho mais genérica na medida em que propicia, né, uma maior eh discussão, um aprofundamento maior nos próximos encontros. Eu comecei a compartilhar o

23:53 material, vocês já estão vendo? Está no chat? Sim. >> E tá em tela cheia? >> Não, ainda não. >> Ah, porque para mim tá em tela cheia. Bom, parar de compartilhar. Vou compartilhar de novo. Bom, mas já adiantando, eu também quero dizer que por ser por tratar de uma questão pouco mais ampla, um pouco mais eh geral, isso significa que para algumas pessoas a discussão talvez fique

24:38 um pouco mais superficial, já trate de questões que já conhecem, mas para outros seria uma introdução, uma apresentação nova de conceitos que estão sendo eh tomados, né, em eh encontra nessa ocasião. Então, a opção é essa mesma de fazer com que a gente encontre um espaço, né, um caminho comum de conversas, de reflexões. Eh, a partir dessas reflexões, então, eu gostaria de eh ter a participação de vocês, as intervenções ao longo da nossa conversa, de modo que a gente possa constituir, né, um uma possibilidade de trocas. Então, sintam-se à vontade para

25:24 longo da apresentação, ao longo da exposição, vocês fazerem, levantarem a mão, fazerem algumas intervenções. Em alguns casos eu mesma vou eh solicitar, né, a participação de vocês. Eu acho que ainda não tá em tela cheia para vocês. Tá, >> não, não tá. Você quer passar para mim? Eu passo para eles, Patrícia, por favor. Eu já tenho aqui, Marcos, eu posso compartilhar, posso tentar por aqui. >> Ah, então tenta, Bel, para ver se se vai. É que eu tenho uma com os meus alunos, quando eu vou fazer alguma atividade online, eu falo para eles que tem a bruxa da aula virtual. E a bruxa da aula virtual, ela ataca sempre, então

26:10 não deixa, é, ela é muito muito atacada, então ela não deixa projetar. Aí às vezes faz a imagem não aparecer. Essa bruxa, ela é muito assídua. >> Vamos ver se agora aqui vai, ó. Aí você vai me avisando. Tá bom agora? >> Ah, foi, foi. Lá. >> Bom, maravilha. Então, vamos lá. Você vai me dando um toque, eu vou passando, >> tá bom? Então, a ideia é pensar nessa a partir da educação física na área de linguagens. Então, a dimensão de do corpo, né, construído culturalmente e essa construção cultural feita a partir eh dessa desse olhar da dos marcadores

26:56 sociais, das diferenças. Então, pode passar, Bel. Aí eu vou ficar incomodando a Bel, tá vendo? é a bruxa. Então, eh, esse conceito de marcadores sociais, as diferenças é um termo que começa a ser utilizado de maneira mais frequente a partir dos anos 2000, embora e a gente vai ver que ele eh algumas questões que dão subsídio aos marcadores sociais já venham dos anos 90, mas é a partir dali que o termo passa a ser mais utilizado e ele dá conta de pensar nas diferentes características que vão eh constituir diferentes grupos

27:43 sociais. Então, a gente pode pensar nos e nos marcadores sociais como a partir das diferenças, né, de etnia, raça, gênero, geração, sexualidade. Então, a gente pode ir considerando diferentes possibilidades de configuração dessas marcas, daquilo que configura as diferentes identidades e dos sujeitos, né? Então, a gente parte dessa possibilidade, essa esse recurso aos marcadores sociais tem como objetivo considerar a percepção das relações de poder e o modo como as

28:28 relações de poder elas não são vivenciadas da mesma forma por todas as pessoas. Então, as relações de poder são constitutivas da nossa sociedade, de qualquer sociedade. No entanto, elas se expressam de maneiras diferentes, conforme a gente pense, por exemplo, na ideia de gênero. Então, eh essas essas relações de poder, elas vão tendo diferentes, eh, especificidades, né? a os marcadores sociais, eles eh favorecem a explicitação e a percepção dessas eh experiências e dessas formas também de se pensar nos direitos ou nas demandas

29:13 características das diferentes experiências sociais, né, das diferentes formas de vivenciar as relações de poder na nossa sociedade. talvez formas diferentes da gente pensar em situações de sofrimento ou de alguns constrangimentos sociais. Pode passar, Bel. Então eles eh os marcadores sociais, na medida em que passam a ser mais utilizados a partir dos anos 2000, essa utilização ela colabora para que a gente consiga pensar eh num certo campo se constituindo. Então se estabelece ali, né, um uma

30:00 fronteira ou um espaço de debate em que algumas questões ganham relevância, ganham protagonismo a partir do momento em que esses marcadores sociais passam a ser eh reconhecidos, ganham maior visibilidade. Então, um aspecto importante diz respeito aos direitos diferenciados e políticas de reconhecimento. Ou seja, é o que a gente pode pensar, por exemplo, a partir da política de cotas. A política de cotas, ela vai eh cotas raciais, né? Elas vão pensar em direitos que são diferenciados na medida em que se percebe, né? uma

30:47 política reconhece que socialmente uma determinada cultura coloca persistentemente um certo grupo social em posição de desvantagem. Então, a percepção dessa desvantagem e uma ação para que ela não persista, para que não se torne duradora, gera essas políticas, né, esses direitos diferenciados. Então essa discussão ela se torna possível e ganha relevância conforme se dá a ver e se reconhece que existem eh experiências eh marcadas, né, eh socialmente, que existem diferenças nas nossas experiências sociais.

31:32 Isso também eh coloca em jogo a questão da produção de novas sensibilidades. Então, quando a gente pensa em diferentes experiências eh sociais e diferentes formas de sentir as eh relações de poder, as diferentes formas de opressão, a gente tá pensando em dar a ver também novas formas de sensibilidade, formas de pensar e de eh ser afetado pelas relações sociais. Então, as construções, né, a visibilidade que se dá às diferenças, eh essas diferenças elas vão

32:18 possibilitando a identificação, se identificar com diferentes formas de sensibilidades, de sentir e estar no mundo. também é o caso da possibilidade de uma ressemantização de antigas formas de exclusão a partir dessa consideração das eh formas eh de exclusão interseccionadas. Então, quando a gente fala de raça e gênero, por exemplo, a gente pode pensar num feminismo negro que não se pensava, não seatizava a questão de um feminismo negro e um feminismo eh branco, mas a gente consegue ressemantizando e pensando eh

33:07 dando a ver a partir de palavras, conceitos, nomenclaturas, essas essas experiências eh diferentes. Então, a gente percebe, né, que a possibilidade de pensar com os marcadores sociais das diferenças cria uma um conjunto de possibilidades sociais, né, do campo eh do direito, eh no campo da filosofia, no campo das da da teoria social de maneira mais ampla e, portanto, formas bastante consequentes de pensarmos as questões da formação, seja a formação inicial eh dos professores, a formação continuada

33:53 também. E, evidentemente, as formas de, eh, se pensar a formação, a educação dos sujeitos, das pessoas, desde a educação básica. Então essa dimensão se torna bastante fundamental para os problemas educativos ao longo do do eh do século XX, sobretudo algo que se torna urgente, premente, né? Eu tô vendo aqui o comentário do Alan no chat falando da questão do feminismo negro e do mulherismo caribenho. Exatamente. a gente vai pensando nessas diferentes formas que vão surgindo de pensar o papel das mulheres, né, o lugar social das mulheres e sobretudo das mulheres

34:39 negras, né, que surgem de uma maneira bastante eh especial quando a gente pensa na no processo de colonização das Américas e as diferentes formas culturais que deram origem a isso. Mais adiante eu vou falar um pouquinho da Lélia Gonzales e talvez a gente possa encontrar aí pontos de conexão. Alan, conte aí com a maravilha. É, conto com a sua eh com seu auxílio aí, com seus pitacos. Pode continuar, Bel. Então, quando a gente pensa nessas diferentes sensibilidades ou diferentes eh marcadores, né, das eh sociais, né,

35:26 da das pessoas, eh, a das relações sociais, como a gente tá pensando, nós estamos tomando, né, como pressuposto o fato de que nas relações sociais as diferenças entre as pessoas, elas são tomadas como aspecto fundante de uma certa hierarquização ou de uma certa distinção das relações na nossa sociedade. E a gente pode começar a desdobrar um pouquinho esse aspecto a partir de um exemplo bem banal, né, bem trivial. E esse exemplo banal e trivial tá presente aqui nessa nesse slide, né? Então, o que

36:15 que vocês estão vendo? Eh, nesse slide, vocês podem abrir abrir o microfone ou podem escrever no chat aqui. A gente tem essas eh fotografias aí que eu fui buscando um pouco aleatoriamente. Mas o que que vocês veem nessas nessas imagens? diferentes frutas, diferenças que se encontram. Como assim, Cíntia? Explica um pouco mais. Frutas. Muito bem. Diferentes frutas. Frutas. Quais frutas vocês estão conseguindo identificar nessa imagem? Kiwi uva banana jabuticaba.

37:02 >> Muito bem. >> Pira. Exatamente. Frutas com cores diferentes. Ó lá, banana eh pera jabuticaba. Ótimo. Então, estamos estamos na mesma página no nosso repertório de frutas. Mas me digam, essas frutas, elas têm todas as a mesma cor? Elas têm a mesma cor? Não, não tem a mesma cor. E elas têm o mesmo formato? Não, não tem o mesmo formato. Como é o formato da perira? Como é que vocês caracterizariam o formato da perira?

37:53 Arredondado? Que mais? A a peririnha, como é que ela é? Formato violão, né? >> Nossa, Mônica, adorei essa essa metáfora. É verdade. Um formato violão, é oval. E a jabuticaba, como é que ela é? >> Bolinhas. >> Bolinhas. Muito bem. A jabuticaba é redonda e a banana ela é um pouco mais alongada, né? Então quando a gente olha para essas frutas e se a gente pensa elas têm diferentes cores, elas têm diferentes

38:38 tamanhos, elas vão ter diferentes especificidades, né? Quando a gente olha ali na na fruteira, a gente tem ali um monte, né, dessas frutas, eh, em conjunto. E a gente consegue perceber muito bem, né, as diferenças das cores e dos formatos, né, diferente dessas eh das fotografias que destacam uma das frutas. A questão, né, como é que a gente pode fazer essa, eh, aproximação com relação aos marcadores das diferenças. O fato é que a partir da, é como se a gente pensasse, né, a partir do universo das frutas, que as frutas elas poderiam começar a ter diferentes valores,

39:24 diferentes eh eh ocupar diferentes posições a partir de um atributo, como por exemplo ser amarela. Se a gente pensar que a partir de hoje, vamos imaginar que a rainha Patrícia estabeleceu uma regra e a partir de agora apenas as frutas amarelas podem ser consumidas. Quais frutas eu ia poder comer dessas aqui que aparecem na na no cesto na fruteira? A pera, banana, banana, laranja, pera. Exatamente. E o que que acontecer com a jabuticaba

40:12 excluída? Eh, o morango >> também, >> morango também ele estaria fora. Então, quando a gente eh pensa nessa questão que é é totalmente arbitrária, né, primeiro totalmente arbitrária e estabelece, escolhe um aspecto da do formato dessa dessa fruta para dizer: "Olha, a partir de agora é só a fruta eh amarela ou a partir de agora é só a fruta eh redonda." a gente pega uma característica que é distintiva, né? A pera, ela vai

40:57 ter a cor diferente da jabuticaba e estabelece arbitrariamente como um critério de valorização e de hierarquização. A gente estabelece que só as frutas amarelas é que são boas e que são valorizadas. essa esse exemplo bem banal, né, que parte das da relação com as frutas e da observação das características eh delas é um pouco o que a gente faz em termos de relações sociais. Então, nas nossas relações sociais, quando a gente pensa nos eh nos nas ações de exclusão ou de identificação, se tem algo semelhante. Então, se a

41:43 gente toma lá os marcadores sociais da diferença e pensa numa questão de raça, etnia, a gente olha para uma pessoa que tem a pele escura, que é uma característica que a pessoa tem, e passa a atribuir um determinado valor e um determinado significado que é constituído socialmente. Então, e essa característica que se destaca em relação às outras, do ponto de vista da construção dessas hierarquias, dessas possibilidades, passam a regera, eh, pessoa ou desse grupo social e estabelece uma relação que é a maneira

42:31 como os outros me vem e a maneira como eu me vejo. Então essa essa por isso que é um marcador, isso marca, fundamenta uma certa forma de relação social. Então é importante perceber esse aspecto da relação social, porque é algo que se ess as relações de diferenças elas se estabelecem no entre, na relação de um com o outro, de diferentes grupos sociais. ela não tá inerente à pessoa, ela se estabelece nessa relação social concreta. Então, a gente vai percebendo

43:17 eh a fundamentação ou a edificação de formas de se ver e de ver o outro. Você pode passar pro próximo, Bel? Aqui a Kelly fala que assim surgiu a escravidão. É mais ou menos isso. A Cíntia fala que quer ressaltar que o importante nessa fruteira é que são diferentes frutas, cada uma com valor nutricional. Refletir sobre a riqueza das relações. É sim, cada pessoa, do ponto de vista humana, né? Cada pessoa traz a sua riqueza enquanto sujeito. Mas aqui então é reforçando um pouco essa dimensão do da maneira como se

44:03 fundamenta a partir das diferenças, uma forma de se ver e uma forma de ver o outro, eu trouxe aqui um exemplo da física, né? Quando a gente pensa no olhar mesmo, na forma de visão de um objeto, então a gente tem aqui uma forma de visão oblíqua, que é uma visão assim em que a gente vê um pouquinho de cada lado, né? A visão vertical é aquela que se olha por cima e a visão frontal é aquela em que a gente olha de frente para um objeto. Então eu convido vocês a pegarem um objeto aí que vocês possam ter na mesa de vocês, né? Por exemplo, eu tenho

44:48 aqui um copo, que é o copo que eu tô usando para beber água. Então, quando eu olho para esse copo de frente, essa visão frontal, eu vejo algumas coisas. Ele tem aqui umas flores, como ele é de vidro transparente, eu vejo umas estrelinhas que tem no fundo. Mas se eu olho numa perspectiva oblíqua, aí eu já começo a ver um pouco das flores, um pouco das estrelas, tem outra visão. E se eu tenho uma visão vertical, eu olho, no caso, pro fundo desse copo. Então, eu tenho diferentes possibilidades de olhar para um determinado objeto. Se eu tenho uma forma de olhar pro

45:35 objeto, eu consigo ver algumas coisas dele, mas eu não consigo ver todas as outras porque eu não consigo olhar para tudo ao mesmo tempo. Então essa é uma outra, um outro exemplo também simples, mas pra gente pensar nessa perspectiva de observação da realidade social. Então, o sujeito inscrito socialmente, ele vai eh observar o mundo, olhar paraa realidade a partir de um ponto de vista, de uma percepção que lhe permite constituir uma forma eh muito específica de olhar o mundo e de percebê-lo, de

46:21 perceber as suas diferenças. Então, eu não posso eh eu não consigo enxergar o mundo como enxerga eh uma pessoa que tem uma experiência socialmente diferente da minha. Então, eu penso, por exemplo, nos Maori, na Nova Zelândia. Eu não tenho como olhar o mundo pelos olhos que eles vêm. Eu vejo o mundo pelos meus olhos e a partir de uma certa experiência social constituída na minha eh vida. Isso não quer dizer que eu não possa considerar os outros, as outras experiências e nem que uma experiência necessariamente seja

47:07 melhor que a outra, mas se estabelece uma forma de percepção da realidade. Essa forma de percepção da realidade é o que vai fundamentando essas diferenças, esses marcadores, né, que são formas de ver e de classificar o mundo segundo as eh percepções das diferenças ou das especificidades dos diferentes sujeitos e das suas eh especificidades, das suas características eh intrín intrínsecas, né específicas. Eh, considerando essa esse exemplo, né, e pensando nessa nessa

47:54 forma segundo a qual a gente observa, a gente percebe a realidade e tomando, né, esses exemplos muito eh específicos, características para que se constitua a partir daí relações de percepção, de classificação eh social e muitas vezes de desigualdades sociais. É interessante fazer referência a um documentário já velhinho, mas que ele ainda contribui paraa discussão, me parece, de uma forma bastante eh significativa, que é o documentário Olhos Azuis da Jane Elliot. Vocês já assistiram esse documentário?

48:41 Já ouviram falar? Não. Ah, ó, a Raquel disse que fez uma dinâmica parecida. Adorei esse documentário. Ele é de 1996 e a Jane Elliot faz um uma um experimento nos Estados Unidos, é um documentário norte-americano. E ela pega um conjun assistam, gente, vale muito a pena. E ela coloca num espaço, numa sala um monte de gente, várias pessoas. E aí ela separa essas pessoas sem dizer qual é o critério que ela usa. Ela não

49:26 fala, ela separa as pessoas que têm olhos azuis de todas as outras e começa e coloca essas pessoas aqui eh nessa sala, né, as pessoas que têm olhos azuis e ela começa a tratar essas pessoas muito mal. Elas têm que fazer uma prova, elas têm que fazer várias atividades e elas começam a ser maltratadas e elas não entendem porque elas começam a ser maltratadas. é uma coisa totalmente gratuita, arbitrária, não faz sentido. E essa esse experimento e a maneira como as pessoas vão ficando bravas chateadas enraecidas eh dá ver o efeito que as formas de

50:15 tratamento eh que elas são eh a que elas são expostas a partir de um critério arbitrariamente definido, que é a cor dos olhos, dá ver o processo eh a maneira como a questão eh da, ela tá pensando principalmente das desigualdades raciais, né? O modo como as desigualdades raciais vão produzindo uma certa experiência social e como ela é vivida pelas pessoas que sofrem preconceito como algo absolutamente gratuito. Porque não tem coisa mais estranha do que ser tratado de uma maneira diferente por ter nascido com a cor da pele de uma determinada forma, com a textura do cabelo de um determinado modo. Então, vale muito a pena. Ó, Kelly já achou um link aí.

51:01 Vamos ver. Não sei se esse esse link eh tá com o documentário completo, mas vale muito a pena. Então, esse é um uma forma de pensar nesse movimento, né, de construção de relações sociais a partir dessas percepções das diferenças. A gente pode partir pro próximo. Bom, aqui a gente tem quatro pessoas, né? quatro fotografias e imagens de pessoas com eh características muito diferentes. Vocês conhecem essas pessoas?

51:57 Me aco Conceição Evaristo. Mas vamos começar então pela Não, alguns não, alguns sim. Então vamos, vamos aos poucos. Essas pessoas elas são todas iguais? Não, elas não são todas iguais. Como é que vocês caracterizam essa primeira eh pessoa que tá aqui de blusa preta à esquerda? Como é que vocês caracterizam ela? Quais são as características dessa pessoa?

52:50 Mulher. Eu identifico também uma mulher. Ah, gostei. Parece descendência japonesa indígena. Que mais? Mulher branca asiática. Como é que ela tá vestida aqui da esquerda? Tá. Como é que ela tá vestida? Ela usa acessórios. >> É, eu não iria pelo asiático pelo brinco que ela usa. Eu iria pro indígena. >> Como é que é esse brinco dela? >> É um brinco comprido, me parece colorido.

53:38 >> Um brinco de penas. É isso. Exatamente. A rima falou: "É, agora olhando tem as características". Bom, isso a gente vai, mas é muito boa, muito bom eh esse a maneira como vocês foram trazendo, porque é isso, a gente bate o olho e a gente categoriza, a gente constrói o nosso olhar a partir dessas categorias com categoria indígena, categoria, categoria asiática, povos originários, a gente vai mulher, homem, enfim, a gente vai mobilizando essas categorias. lembra o olhar que a gente tem das pessoas, das coisas, que é constitutivo a partir de um certo

54:24 posicionamento, de uma posição social. Essa mulher e à esquerda é a Joênia Oapixana. Ela é uma mulher, né, do povo apicha, ela é indígena e ela foi a é a primeira advogada indígena do Brasil e ela foi a primeira indígena que fez uma sustentação oral no STF. Então, ela é uma pessoa muito proeminente, muito importante no Brasil para pensar na questão indígena, né? E ela tem essas características do olho puxado, do cabelo liso, que a gente também pode, né, identificar com eh os amarelos. Então, achei super interessante. E essa pessoa ao lado da Joênia, o

55:13 Apicha aqui embaixo, como é que vocês caracterizam essa pessoa? O que que vocês veem? Uma mulher negra. Que mais? Mulher transexual negra. Como é que ela tá vestida? Como é que é o cabelo dela? Tem acessórios? Não tem. Ela utiliza um relógio. >> Aham. Uma blusa preta de saia, cinto,

55:58 cabelos escuros, parece ser bem sorridente. É exato. Ela tá feliz na foto, né? Cabelos alisados, a unha comprida, uma mulher transnegra. Pelo cenário parece uma escola. Vocês já vocês conheciam essa mulher, gente? Vaidosa. Também achei. Vai, também acha. Ela tá bem bonita, né? Não, não conhecem. Ah, essa mulher de fato é uma mulher trans, se chama Paula Beatriz de Souza Cruz. Ela é a primeira diretora de escola transexual. Ó lá, a Vera conhece, ela é

56:44 da região do Capão e ela é de fato uma mulher trans, uma mulher transnegra e ela é diretora de escola. Então a gente tem aqui uma outra eh experiência social e outra forma da gente categorizar, né, olhar para essa pessoa. Muito bem. E ao lado da Paula Beatriz, que que vocês veem? Quais são as características dessa pessoa ao lado, na parte superior? Um homem branco.

57:33 Como é que ele tá vestido? Homem branco, olhos claros. Camisa social, camisa polo, né? Cabelo liso. Isso. Barba grisalha. É verdade. Barba grisalha. O cabelo também é um pouco grisalho né? Mas um corte de cabelo assim despojadinho, né? Porque é um homem de meia idade e um cabelo levemente compridinho, que me dá um tom de que é um cara um tanto moderno, talvez. >> É verdade. Gostei. A Graziela falou: "Um

58:20 porte elegante, passa uma impressão de estudioso." O que que passa a impressão de estudioso, Talita? O que que você vê nele? Fala estudioso. >> Vou abrir o microfone. Boa noite. Boa noite. >> Ai, não sei. Ele tem um ar assim de intelectual, acho que é os olhos, o cabelo moderno, essa camisa mais social. Ele tem o ar de ser mais estudioso assim, né? Ser mais culto, não sei, né? Mas eu acho que é isso, >> tá? Gostei. O Alan também falou um senhor sério. Óculos, óculos intelectual. Os óculos, gente. Então, viu, Mônica, nós somos super intelectuais que a gente tá de óculos.

59:06 Então, eh, esse é o Mia Couto. Ele é um escritor eh moçambicano e ele de fato é muito conhecido, muito famoso. Ele é biólogo, o que eu acho super curioso, que ele é biólogo e ele escreve livros que tratam da sociedade moçambicana. Eu acho que que é super interessante isso. E ele tem uma outra vivência, né? Ele tá num num outro continente, numa outra realidade social. Agora, acho interessante quais são os marcadores que a gente traz para olhar para esse homem, né, para classificar. Então, a gente já traz eh um conjunto de características do que a gente tá

59:51 acostumado a atribuir a pessoas como meia culto, né? Eh, e por fim, a última pessoa aqui, né, que alguns já identificaram, mas me descrevam essa pessoa. Alan ama muito Conceição Evaristo. Uma das maiores escritoras do Brasil, desenvolveu o termo escrevivência. É minha maior referência de intelectual negra brasileira. Muito bem, Alan. Ó, a rima falou: "Mulher negra, cabelo crespo e vestimenta africana". Ah, como é que qual é a característica dessa

1:00:37 vestimenta africana? Mulher negra, idosa, cabelo branco. As cores, as cores da roupa, né? O, as cores da roupa, o estilo da estampa. Usa colar e brinco. Ela tá com os colares bonitos. E olha que interessante, né? De fato, ó, remete a ideia de ancestralidade. Mulher forte, potente, não pode dar batalha. É isso, a gente sabe da da história dela, né? Agora, uma é de fato tudo isso, né? É a Conceição Evaristo que é brasileira. Agora, olha que

1:01:23 interessante, a gente viu nelas nela traços africanos, traços de ancestralidade, embora ela seja brasileira, ela a latino-americana. E a gente olha pro meia couto e viu intelectual, estudioso, etc. E provavelmente, para quem não conhece, talvez não remetesse diretamente a o fato de que ele é africano. Então aqui quando a gente o que a gente olha, o que a gente consegue ver da imagem das pessoas e consegue atribuir, né, como característica, tem total relação com o efeito das percepções

1:02:10 sociais dessas diferenças. e como a gente constrói as hierarquias, as diferenças de percepção, né, e que se tornam diferenças concretas, porque concretizam relações sociais desiguais. Então, quando a gente pensa no nesses nos marcadores sociais e nessas diferentes percepções ou sensibilidades, experiências sociais, a gente tá pensando nessas relações, sobretudo nas relações cotidianas e na maneira como as a percep, ainda queria ficar um pouquinho no outro slide, desculpa. como essa percepção, você que é sem, >> imagina, imagina como essa percepção das das diferenças, elas vão configurando

1:02:58 essas possibilidades ou impossibilidades sociais, dadas essas fricções. Essas diferenças também não são eh aspectos apaziguados nas nossas relações sociais, pelo contrário, são aspectos que causam fricção, a a aspectos que causam muitas vezes desconforto, né? A gente aqui foi, a gente tem o chat que ajuda muito nessa nossa interação, né? Mas em outras ocasiões as pessoas se sentem constrangidas, com medo de falar: "Será que eu posso falar que a que a Paula Beatriz é uma mulher trans?" Porque são questões que eh do ponto de

1:03:44 vista das relações sociais mobilizam as nossas categorias, os nossos preconceitos, os nossos pressupostos. Então, essas marcações elas configuram eh muito dessas relações sociais e das relações formativas também. das relações escolares, porque as relações pedagógicas são relações sociais. Estas imagens também dão a ver o fato de que a nossa, esses os marcadores sociais e a constituição de diferentes experiências sociais também estão inscritas e marcam o nosso corpo. A gente tem diferentes eh formas aqui de organização, de apresentar o próprio

1:04:31 corpo e de se dar a ver, né? pro outro. Então, acho que um ponto interessante quando vocês falaram da Paula Beatriz foi pensar: "Ah, ela é vaidosa, ela tá por quê? porque pela postura, pela maneira como ela se veste, eh isso traz uma certa eh experiência do corpo. Então é nessa dimensão que a gente vai pensando nas características da cultura como elementos constitutivos dessas percepções e dessas formas de estruturação do nosso corpo, da nossa experiência corporal. Aí para pensar, ah, você quer falar um pouquinho Mônica?

1:05:16 É, >> não, na verdade eu ia só fazer um parêntesezinhos, né, Pat? Você tomar água? Eh, não, porque como a gente tá num grupo da educação física, né, muitas pessoas da educação física aqui majoritariamente, eh, só para pensar um pouquinho num termo que a gente usa habitualmente, alguns termos, né, que a gente usa e que vai ao encontro do que a Patrícia tá falando, né, eh, que é ou cultura corporal ou corporalidade ou corporeidade, né, que então, para além desse corpo biológico, para além desse corpo físico, né, toda essa interação social, essa bagagem cultural, essa característica de anúncio e de denúncia ao mesmo tempo, né, que

1:06:05 nos constituem como sujeitos, como pessoas, né? Então, para além do corpo entendido de modo físico, né, mas tudo que vem imerso com esse corpo, né? Então, para algum, para algumas pessoas, para algumas teorias, cultura corporal, para outras corpore, para outras corporalidade, mas penso que todas eh eh aglutinando no que a Patrícia tá tá trazendo como como menção e já entrando um pouco nessa ideia desse desse sujeito, dessa pessoa imersa em cultura. Era isso, era só um parêntese? Não, perfeito. Nessa pessoa imersa em cultura, eh, e nessa, nesse corpo como

1:06:53 uma linguagem também, né? como uma forma de dar ver uma certa eh experiência, uma forma de ser e estar no mundo. E para pensar nessa dimensão do corpo, eu fiquei pensando na no nosso encontro e eu me lembrei de um livro que eu acabei de ler faz pouquíssimo tempo e que é uma mulher singular da Vivian Gornick. Ó, vou colocar aqui. Talvez vocês tenham lido o outro livro dela, que é o Afetos Vorazes, Afetos Ferozes, que ela fala da relação com a mãe. Nesse livro aqui, que é um uma mistura de ensaio, eh, memórias e reflexões sobre a cidade,

1:07:39 ela vai falar do trânsito dela sobre a cidade. E a cidade dela é Nova York. Ela é uma escritora bastante reconhecida, ensaísta. E nesse livro ela vai falar sobre o que é estar na cidade, né? Como é que ela circula ela, entre outras reflexões que ela faz. Quando eu li esse livro, ela escreveu já velha, ela é uma uma velha. Eu cheguei à conclusão que o meu objetivo na vida é ser velha, porque, né, que lucidez é, Mônica, eu quero ser velha porque essa lucidez, essa forma de olhar pro mundo é muito feliz, muito fértil. E ao falar sobre o trânsito pela cidade, ela fala nesse livro dos meninos, da inveja que ela

1:08:25 sentia dos meninos quando ela era criança e depois quando ela se tornou uma adulta, por conta da maneira como os meninos conseguiam circular pela cidade e ela não. Então eu vou ler um trechinho bem pequenininho que não é tão é pequeno, mas não é mínimo. E os meus alunos estão acostumados, vocês estão se acostumando agora, que eu sou a professora que fica lendo textinhos durante a aula. Então, um pouco da do aluno, da vida do aluno, é sobreviver ao professor. Então, vocês vão ter que sobreviver a isso. Ela encontra, quando ela tá eh adulta, enfim, ela encontra com um homem que é

1:09:11 homem, né, no presente da escrita, mas que foi uma criança, ela conheceu criança e ela acaba tendo um relacionamento com ele. Mas ela, a propósito dessa relação, ela fala: "Tenho uma queda pelos homens com quem cresci. Eles são como clorofórm num pano comprido contra o meu rosto. Eu os aspiro, me refugio neles, quero me enterrar neles. Quando era criança, queria ser eles, aqueles garotos escuros, magrelos, cheios de sabedoria adquirida na rua, de olhos quentes e paixões ignorantes, que subiam todos os dias pro terraço do edifício para dar risada, falar palavrões e se catapultar pra existência, dando palpite sobre as

1:09:58 coisas. Nunca me recuperei do fato de não ser um deles. Não que invejasse seu ato partilhado de imaginação, aparentemente herdado tamanho a naturalidade deles. É que tive medo quando me dei conta de que não era um deles e jamais seria. Nesse momento me senti em risco, sem mundo e sem eu. Então, eh, nesse trecho, ela traz de uma maneira muito poética e muito expressiva essa diferença e essa questão absoluta que é a experiência social dela, menina e a experiência social dos meninos e a percepção de que ela nunca vai não,

1:10:45 ainda da impossibilidade da separação dessa experiência social. nunca poderia repetir aquilo. Então, o que significa ser menina, ser mulher na cidade e o que significa ser um homem na cidade? E eu me lembrei muito de quando eu era criança, quando eu tinha uns 4 anos, patriarcado fortíssimo. Pois é. Eh, e quando eu tinha uns 4 anos, eu tava no quintal de casa, era um final de semana, um calorão e tal. E meu meu pai, meu tio, eles estavam todos sem camisa porque tava muito quente, etc. Aí eu virei para minha mãe e falei: "Mãe, eu posso ficar sem camisa?" Sem camisa também, porque todo mundo tava e tava

1:11:30 muito quente. E a minha mãe falou: "Pode, claro". Aí eu tirei a camiseta. Eu não sustentei ficar sem camiseta. Eu tirei e 5 minutos depois eu tava colocando a camiseta de novo. Ninguém tinha brigado comigo. A minha mãe falou: "Tudo bem, não tem problema". Mas eu com 4 anos já não sustentava ficar sem camiseta. Porque essa experiência no corpo das possibilidades do que significa o corpo eh feminino, né? lido a partir dessa questão de gênero da do corpo feminino e do corpo masculino e para mim foi insuportável ficar sem camiseta. Então

1:12:16 essa essa relação que é um marcador social da diferença, questão de gênero, que vai se tornando o corpo e vai configurando determinadas experiências sociais como da Vivian Gornick e assim como essa experiência social, várias outras experiências. Então, a gente vê que o o os corpos, né, as as pessoas numa sala de aula, por exemplo, o que a gente tem são várias diferenças e diferentes formas de vivenciar a cultura. E esse ponto das diferentes formas de vivência da cultura eh é importante para nós, considerando as possibilidades de construções de

1:13:01 identidades na contemporaneidade. E aí eu faço referência aqui ao que vocês vão encontrar nas videoaulas e nas próximas discussões. Eh, um autor que é o Stuart Hall. Aqui eu tenho um livrinho dele bem pititiquinho, mas muito significativo, que chama Identidade Cultural na Pós-modernidade. E nesse nesse livro ele vai tratar das da especificidade da construção das identidades, né, das individualidades nesse espaço pós-moderno. e ele vai tratar da de uma certa fragmentação ou de um mosaico das

1:13:49 construções de identidade na atualidade. Então, dado, por exemplo, a nossa eh essa a internet, a possibilidade que a internet nos oferece, a gente pode ter diferentes acessos a diferentes porções da cultura que nos trazem eh possibilidades variadas de construir uma identificação. E eu gosto muito de pensar a partir da do fenômeno do K-pop. Vocês, não sei se você até que ponto vocês acompanham isso, mas eu fui eh tomada de assalto pelas guerreiras do K-pop, por exemplo. Descobri que existem

1:14:34 as guerreiras do K-pop. Quando eu fui no aniversário da filha de uma amiga e eu entrei e vi aquela decoração, vi a roupa dela e eu fiquei, nossa, que que é isso? Nunca tinha ouvido falar na minha existência. Mas para aquela criança de 5 anos, guerreiras do K-pop, que faz referência à cultura coreana, que tá geograficamente muito distante do Brasil, mas que para aquela criança isso era muito presente e constituía uma possibilidade de identificação e de construção eh da sua da sua corporidade, porque ela tinha eh tanto o que ela vestia Mas o cabelo, eh, a maquiagem,

1:15:21 tudo pensado a partir dessa referência cultural. E assim a gente tem diferentes possibilidades de construções de experiências sociais a partir dessas identificações variadas, ou seja, tem uma grande fragmentação da construção das nossas identidades. Eh, as são possibilidades quase infinitas, né, quebra-cabeças de possibilidades variadas de aproximação de referências culturais. Então, quando a gente pensa na nossa paisagem, né, da sala de aula ou do da nossa escola, da comunidade, a gente deve pensar, não de uma maneira eh universalista a partir de categorias eh

1:16:08 que aprendem grupos tomados eh supostamente como homogêneos, como a ideia de criança ou a ideia de jovem, mas a gente precisa pensar a partir dessa possibilidade de construções. variadas e, portanto, eh a necessidade de de uma aproximação, de conhecer essas referências, essas essa dimensão da cultura para pensar em quais são as a as culturas ou os aspectos da cultura em circulação nossos espaços escolares, né, nos nossos espaços sociais. Isso traz paraa gente um panorama, um conjunto bastante amplo de questões a serem eh consideradas na no planejamento das

1:16:54 aulas, na nossa responsabilidade formativa e muitos outros, né? A Bel pediu a palavra. >> Oi, Patrícia. Sim, eu queria fazer também um parêntese para ajudar na nossa reflexão, porque isso foi matutando aqui, né? que é a relação entre eh essa teorização que vai pensar o currículo como esse processo que foge a identidades, né? Porque a gente tá falando aqui eh de como ah essas diferenças elas impactam na experiência social, na experiência sociocultural dos nossos estudantes, né? Quando quando a Patrícia diz eh, que quando a gente olha paraa nossa sala de aula, a gente precisa exercitar esse olhar sobre as

1:17:40 diferenças e não sobre a universalização, me remete a as diferentes teorias curriculares que embasaram a nossa história da educação e que ainda estão presentes no nosso ideário pedagógico, né? Então, parerias tradicionais que eh procuram que o currículo é neutro, ou seja, o que eu preciso me preocupar, né, eh eh sobre a eficiência eficácia desse currículo. Lógico que uma diversidade de teorias curriculares que eh se fundamenta na ideia de que é uma neutralidade, uma homogeneidade um acesso ao conhecimento. Então não se questiona porque que determinados conteúdos eh ou objeto de conhecimento estão presentes no currículo, porque eh esse apagamento, por exemplo, de culturas indígenas ou culturas negras ou ou eh diferentes grupos ou sociais, né,

1:18:28 das próprias questões de gênero e de relações de poder, não tava posto. Então, as representações, né, das mulheres, as representações que eram inclusive apagadas, né, das diferentes práticas culturais, eram tidas porque o currículo era tido como algo neutro, né? E aí depois a gente passa para um momento de discussões, né, dos currículos críticos que vão focar especialmente nas questões de classe social e em seguida paraas teorizações pós-críticas que vão conectar com essa discussão que a Patrícia tá trazendo. cono como eh aquele que foge a subjetividade identidades e que certamente quando não enxergar esses marcadores sociais e a própria interseccionalidade, né, que a Patrícia vai trazer daqui a pouco, eh,

1:19:16 eles acabam excluindo determinados grupos sociais. Eh, e como a educação física ela carregou muitas marcas desse currículo tradicional, de um currículo eurocentrado, de um currículo extremamente machista, sectário, enfim, acho que um pouco de como que essa teorização que a Patrícia tá trazendo nos ajuda a pensar numa transformação do nosso olhar, eh, que tá muito ainda contaminado, né, que nós sofremos ainda muitas pressões, principalmente por uma uma marca, né, do processo de neoliberalismo. na educação brasileira, nos próprios currículos, da padrorização curricular, que embora tenha discursos mais humanistas, muitas vezes acaba reforçando essa ideia de uma homogeneização, essa ideia de eficácia e

1:20:04 e de resultados, né, das avaliações externas. Enfim, acho que eles estão pouco imersos nessa nessas discussões, tá? Só para fazer um parêntese aí, né, em relação a como que essa discussão que a Patrícia tá trazendo se conecta com as reflexões sobre currículo e e apelís nesses currículos escolares, quando ele olha para as diferenças e as contempla, eh, promovendo a justiça curricular, né, que é a gente vai discutindo aí ao longo do curso. >> Joia. Obrigada, Bel. E acho que também é importante eh acentuar o tanto que na pós-modernidade ou na contemporaneidade

1:20:51 as nossas a nossa questão, a nossa disputa tá muito no campo da cultura e como é que essa cultura ela vai sendo eh diferentemente apropriada e fundando novas relações ou outras relações de poder ou disputas de poder. né? Então, eh quando a gente pensa num currículo que não é neutro, né? É um currículo que participa dessas eh disputas ou da construção de diferentes valores ou de distinção na nossa sociedade. Daí o fato de pensar eh na no num currículo que pela própria legislação hoje em dia deve valorizar, né, a cultura africana, afro-brasileira, indígena. Então, a

1:21:36 gente tem um outro ponto, um outro patamar, digamos assim, dessa discussão, dessa reflexão. Vamos seguir. >> Deixa eu passar aqui. Vai, >> pode. Vou pular esse que acho que já demos conta. >> Eu só ia falar do do das diferentes experiências, né? Paulo, acho que o microfone abriu. É muito conteúdo porque é isso, são muitos elementos. Então é cansativo, é comp. >> Então aqui eu só ia exemplificar, acho que é um de colegas que tem. >> Ah, pronto, ela já já se obrigada.

1:22:21 >> Então >> quer fazer? >> Quero. Era só para exemplificar as diferenças, como a gente chega diferente diferente a a uma competição que parece a mesma, né? a Copa do Mundo, mas acho que já a gente já deu conta, eu queria avançar pra gente chegar nesse ponto, né? Então, que eh são eh algumas teóricas que nos ajudam a pensar a partir das da da percepção das diferenças, né, desses marcadores sociais. É importante dizer que os marcadores eles não, o a ideia de marcadores sociais de diferença, na verdade aglutinam a possibilidade de percepção das diferenças, mas não é uma categoria de análise, né? As categorias de análise são a interseccionalidade

1:23:10 e a raça, gênero, geração, etc., né? Então, eh isso é importante delimitar porque do ponto de vista teórico, né? aqui, eh, eu trago a fotografia e, ah, queria retomar um pouquinho a essa intelectual norte-americana que é a Patrícia Rio Collins. Ela nasceu em 1948, ela é uma socióloga e ela se notabilizou pelo pelo conceito por tratar do conceito de interseccionalidade. Ela também foi a primeira mulher negra a ser presidente da associação eh dos sociólogos norte-americanos. E ela é uma teórica do pensamento feminista negro.

1:23:56 Ela nos auxilia a pensar nessa a partir desse conceito de interseccionalidade, né? O conceito de interseccionalidade, dá a ver que as experiências sociais, né, e as experiências da diferença, elas eh muitas vezes funcionam de maneira somada, fazendo com que essas experiências sociais elas eh vão aglutinando eh a maneira como são classificados, por exemplo, as mulheres negras, que é um jeito específico de diferente da maneira como eh são classificadas ou são pensadas as mulheres brancas ou mesmo as mulheres transexuais negras.

1:24:42 Então, a gente tá pensando aqui em diferentes eh marcadores, né? A Conceição Evaristo, ela é uma mulher

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