Leptospirose

VINÍCIUS LEOBET LUNKES www.youtube.com

Breve Resumo

Este vídeo aborda a leptospirose, uma doença zoonótica de grande importância tanto na produção animal quanto na saúde pública. O vídeo explora os agentes causadores, os sorovares mais relevantes em diferentes espécies, os sinais clínicos em animais e humanos, a epidemiologia da doença, as formas de transmissão e as estratégias de controle, incluindo vacinação e medidas ambientais.

  • A leptospirose é causada pela bactéria espiroqueta Leptospira interrogans, com diversos sorovares que afetam diferentes espécies.
  • Ratos são os principais reservatórios, mas bovinos e cães também desempenham um papel importante na disseminação da doença.
  • Enchentes aumentam o risco de leptospirose devido à disseminação de água contaminada e ao desalojamento de roedores.
  • O controle da leptospirose envolve vacinação (com limitações devido à baixa imunidade cruzada entre sorovares) e controle ambiental, incluindo o controle de roedores.

Introdução à Leptospirose

A leptospirose, também conhecida como doença de Weil ou icterícia infecciosa, é uma doença importante tanto na produção animal quanto na saúde pública. Ratos são frequentemente associados à leptospirose, atuando como principais reservatórios da bactéria Leptospira. No entanto, bovinos em ambientes rurais e cães em ambientes urbanos também desempenham um papel significativo na disseminação da doença.

Agente Causal e Classificação

A leptospirose é causada por uma bactéria espiroqueta do gênero Leptospira, que necessita de umidade para sobreviver. Todas as leptospiras que causam doença pertencem à espécie Leptospira interrogans, que é subdividida em sorovares devido às diferenças entre as bactérias. Em bovinos, os principais sorovares são o Hardjo, associado a aborto, mastite e infertilidade, e o Pomona, que causa aborto e anemia hemolítica aguda. Em equinos, o sorovar Grippotyphosa é comum, enquanto o Canicola é importante em cães e o Icterohaemorrhagiae em humanos, causando doenças graves.

Sintomas em Humanos e Associação com Enchentes

Em humanos, os sintomas da leptospirose variam de leves a graves, surgindo de 5 a 14 dias após a infecção. Os sintomas incluem dor de cabeça, vômito, dor no corpo (principalmente nas panturrilhas), febre e diarreia, podendo evoluir para doenças do fígado, renais e vasculares, e até a morte. A leptospirose é frequentemente associada a enchentes devido ao desalojamento de roedores, disseminação de água contaminada e amolecimento da pele, o que facilita a penetração da bactéria.

Impacto das Enchentes e Casos no Rio Grande do Sul

Durante as enchentes de maio de 2024 no Rio Grande do Sul, houve um aumento na ocorrência de leptospirose, principalmente em pessoas que tiveram contato com a água. Em junho de 2024, foram registradas 20 mortes e 363 casos confirmados da doença, principalmente em cidades afetadas pelas enchentes.

Sinais Clínicos em Animais

Em cães, os sinais clínicos da leptospirose incluem febre, anorexia, vômitos, desidratação e problemas renais, como poliúria e polidipsia, que podem evoluir para oligúria e anúria, indicando falência renal. Também pode ocorrer um quadro hepático, visível pela icterícia. Em animais de produção, a leptospirose causa principalmente problemas reprodutivos, como aborto no terço final da gestação, retenção de placenta, natimortos e bezerros fracos. Em bovinos, pode ocorrer mastite com leite amarelado e presença de coágulos. Em equinos, a doença causa inflamação dos olhos (oftalmite recidivante ou uveíte) e anemia hemolítica.

Cadeia Epidemiológica e Mecanismos de Infecção

A cadeia epidemiológica da leptospirose envolve roedores como reservatórios, que infectam cães, bovinos e outros animais de produção, além de humanos. A infecção em humanos ocorre pelo contato com água de enchente, atividade profissional ou recreacional. Bovinos, suínos e cães também podem infectar humanos. A bactéria penetra nas mucosas ou em lesões na pele, multiplicando-se e disseminando-se para órgãos como rins, fígado, baço, sistema nervoso central e olhos, causando danos aos vasos sanguíneos, derrames e trombos. A Leptospira se aloja nos rins e é excretada intermitentemente na urina, fase conhecida como leptospiúria.

Transmissão e Controle da Leptospirose

A transmissão da leptospirose para humanos ocorre principalmente pela exposição à água ou solo contaminados por animais infectados, enchentes, locais alagados e recreação. Para animais, a transmissão ocorre pela ingestão de alimentos ou água contaminados, contato direto com urina, abortos ou fluidos genitais, e contato sexual durante a cópula. O controle da leptospirose é feito por meio da vacinação e do controle ambiental. A vacinação tem limitações devido à pouca imunidade cruzada entre os sorovares e à curta duração da imunidade, exigindo revacinações frequentes. O controle ambiental consiste principalmente no controle de roedores, evitando acúmulos de água que favorecem a disseminação da bactéria.

Referências para Estudo

O vídeo sugere como referências para estudo o site da Embrapa, que contém diversas publicações sobre produção animal e outros assuntos, e os manuais de zoonoses do CRMV, que oferecem informações interessantes sobre doenças como brucelose, febre amarela, leptospirose, raiva e tuberculose.

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Transcrição

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0:06 Então, pessoal, vamos falar dessa da dessa doença que é muito importante na produção animal e na saúde pública, que é a leptospirose. A leptospirose também é conhecida como doença de veio ou cterícia infecciosa. é uma doença que quando a gente pensa em leptosperose, a primeira questão que vem à cabeça, primeiro aspecto que a gente lembra é a participação do rato, né? E o rato tem sim uma participação muito importante na na patogenia, na manutenção da leptospirose no ambiente, principalmente por quê? Porque o rato é

0:52 o principal reservatório do do da leptospira no nos ambientes. Mas é importante considerar também que o bovino nos ambientes rurais também tem uma importância, assim como o cão no ambiente urbano. Mas o que causa a leptospirose? A leptospirose é causada por uma bactéria espiroqueta, ou seja, ela tem esse formato aqui de espiral e que ela necessita de de umidade, ela ela não sobrevive fora das da água. E

1:38 isso é muito importante no ciclo epidemiológico dessa bactéria. A leptospira tem uma baixa resistência à dessecação, ou seja, ela precisa estar na água para conseguir infectar novos novos eh hospedeiros. E quais são os agentes causadores da leptospirose? essa eh essa classificação da da leptospira, ela é bem variável e muda às vezes conforme a literatura, mas via de regra a gente considera que todos os os o as leptospiras que causam doença, elas

2:24 pertencem à espécie leptospirs. espécie leospir interrogants. Por sua vez, como essas bactérias elas têm muitas diferenças entre si, elas são classificadas em sorovares. O que são sorovares? Sorovares são como se fossem bactérias de uma determinada espécie que tem diferenças entre si, mas muitas semelhanças. Então elas são ah classificadas, vamos dizer, com numa numa num subgrupo da espécie. E os principais em em bovinos são esses. A rádio é a muito importante em casos de

3:12 aborto, mastite e infertilidade. E o essa bactéria, essa esse sorovar tem uma importância especial em ruminantes. Por quê? Porque o bovino pode atuar como reservatório, ou seja, o bovino pode se infectar com essa bactéria e pode atuar como fonte de infecção pros demais animais e para as pessoas. A, o sorovar pomona, por sua vez, causa aborto e anemia hemolítica aguda, que é a a o rompimento das células, das emácias no sangue. E em equinos, essa espécie,

3:57 ela é comumente associada a UVIT, a doença, a inflamação dos olhos. A, o sorovar canícula, por sua vez, é muito importante em cães. O sorovar hemorrag é muito importante em em humanos, principalmente causando doença eh doença eh doença grave em humanos. E o espécie a o sorovar griposa é muito comum em equínos. Em seres humanos, os casos podem tanto variar de casos mais leves, como casos mais graves. E esses sintomas, eles podem aparecer dentre 5 a 14 dias após infecção, ou

4:45 seja, o período de incubação do momento da infecção até o momento que aparecem os sintomas. E os sintomas se caracterizam principalmente em dor de cabeça, ia, vômito, dor no corpo, principalmente nas panturrilhas, febre e diarreia. E a partir disso podem evoluir a partir de formas mais graves, como doença, doença do fígado, doença renal e até doenças vasculares. E pode ser até uma doença mortal. Mas e por que que a gente associa a leptospirose? Principalmente ao quadro de enchentes? Eh, principalmente porque durante uma

5:32 enchente o que que ocorre? A gente tem o desalogiamento desses roedores. Como o ambiente onde eles ficam muitas vezes é tomado pelas águas, eles acabam se disseminando, procurando novos locais. Outro aspecto é que como tá tudo tomado por água, essa água é uma água suja, é uma água com resíduo de esgoto e urina de rato também. E isso provoca então a disseminação dessa dessa água contaminada. E outro fator muito importante é a própria o próprio efeito que a água tem na pele das pessoas, que é um efeito de

6:18 amolecimento das camadas externas da pele. Quem mexe muito com água sabe que com quando a gente mexe muito com a água, a tendência é que a nossa pele ela fique mais amolecida e isso favorece o a infecção por essa bactéria leptospira. Também a presença de pequenas lesões, abrasões de pele, cótees, isso tudo favorece a penetração da bactéria. Importante lembrar que a leptospira não sobrevive fora da água, ela necessita da humidade para sobreviver. E aí, lembrando durante o evento das

7:07 enchentes em maio de 2024 aqui no Rio Grande do Sul, nós tivemos então um aumento na ocorrência dessa da leptospirose em principalmente pessoas que tiveram contato com a água. Então, olha só, eh, aqui uma notícia de junho de 2024, a gente tem que a 20 mortes por leptospirose ocorreram principalmente em cidades que tiveram esses problemas com a enchente. 363 casos confirmados da doença e 20 óbitos. E quais são os sinais clínicos em animais? Em cães, a gente tem

7:54 principalmente febre, anorexia, que é a o animal parar de se alimentar, vômitos, desidratação e um quadro eh quadro renal com poliúria e polidipsia. Poliúria é aumento da da urina, da frequência urinária e polidipsia é aumento da sede, causado nesse caso principalmente pelo aumento da frequência urinária e relutância ao movimento. Com a evolução do quadro a gente pode surgir a oligúria e a núa. Ou seja, o animal pode urinar pouco e até parar de urinar. Isso é extremamente grave porque indica uma falência renal. também ocorre principalmente um quadro

8:40 hepático que a gente visualiza, por exemplo, por meio da dessa eterícia muito grande, esse amarelamento da pele, da das mucosas. Já em animais e produção, a gente tem um quadro um pouco diferenciado, em que nós temos principalmente um quadro reprodutivo com aborto no terço final de gestação, retenção de placenta, natimortos e bezerros fracos. Em bovinos pode ocorrer mastite em que a gente tem leite amarelado alaranjado também por causa dessa iterícia e presença de coágulos no leite. Em equín ocorre então a inflamação dos

9:26 olhos, oftalmite recidivante, o veit e anemia hemolítica, ía hemoglobinúria pela lesão nas células, nas hemácias. É o que nós vemos aqui, ó. Por exemplo, nós temos aqui um bovino com a as aqui a pele alaranjada, aqui os um órgão alaranjado. Aqui nós temos a gordura alaranjada por causa dessaícia, a urina escurecida, em que em algumas literaturas aparece como urina cor de Coca-Cola. Aqui o rim ele tá com um aspecto

10:12 enegrecido por causa dessa dessas lesões nas emácias e rompimento dessas emácias. E aqui um aborto também com aspecto alaranjado. E esse aqui é a cadeia epidemiológica dessa doença. Nós temos aqui os roedores. Os roedores atuam como reservatórios e eles infectam tanto os cães como os bovinos, demais animais de produção, mas podem também infectar o homem pelo contato de água com o enchente, atividade profissional ou até mesmo

10:58 atividade recreacional. Esses bovinos e suínos e cães também podem infectar o homem. E como que essa doença ela ocorre? Primeiro, a bactéria precisa penetrar nas mucosas. E a mucosa, as nossa, a nossa pele, por exemplo, em condições normais, ela é resistente à leptospira. Só que em casos de lesões, por exemplo, cortes na pele ou eh contato com prolongado com a água, provoca essa dilatação dos poros e a bactéria consegue penetrar. É importante lembrar que a bactéria não tem resistência

11:45 a à dessecação. Ela precisa est na água para conseguir se manter viável. Primeiro ocorre então a multiplicação e disseminação para diversos órgãos, rins, fígado, basso, sistema nervos central e óleos. Nesses locais, então, ocorrem danos às células dos dos vasos sanguíneos que provocam, então, derrames sanguíneos e trombos. E por sua vez, a as lepsospiras acabam se alojando no rim e são escritadas intermitentemente na urina. Essa fase nós damos o nome de leptos piúria. E é importante essa leptos piúria,

12:30 porque no caso dos bovinos, por exemplo, como eles podem atuar como reservatórios também, essa esses essas esse essa leptospira pode causar provocar então a infecção de outros animais. O bovino atua como um reservatório e infecta outros animais. para humanos é principalmente exposição à água, ao solo contaminados por animais infectados, enchentes, mas também tem a questão de locais alarados e recreação. E para animais, principalmente ingestão de alimentos ou água contaminados, contato direto com urina, deportadores ou fluídos genitais

13:16 e contato sexual durante a cópula. E como que é feito o controle? da leptospirose. O controle da leptospirose é feito principalmente de duas formas. Primeira, vacinação e o controle ambiental. Qual é o problema que a gente tem com a vacinação? Se a gente lembrar ali do slide anterior, existem inúmeros sorovares de leptospira. Esses sorvares, eles, embora eles tenham semelhanças entre si, eles têm muitas diferenças também. E isso prejudica no momento de fazer da vacinação, porque existe pouca proteção entre um sorovar e outro. Sor pode estar protegido para um

14:03 sorovar, mas aí a proteção para outro não vai ser suficiente. Isso nós damos o nome de pouca imunidade cruzada. Essa imunidade também ela tende a ser de curta duração, o que requer, então, revacinações com frequência. Já o controle ambiental, ele consiste primeiro no controle dos roedores. Então o roedor se ele é uma fonte, um reservatório, ele tem que ser controlado. Isso é muito difícil, principalmente num ambiente rural em que tu tem restos de ação, tu tem abrigo, tu tem água para esses roedores, mas é importante que a gente busque a o controle desses

14:50 roedores e principalmente em períodos chuvosos, evitar esses acúmulos de água que favorecem a disseminação da leptospira. E aqui eu deixo algumas referências de de de referências para estudo. Primeiro é o site da Embrapa, que tem inúmeras publicações interessantes, não só dos assuntos que nós vemos em aula, mas também de outros assuntos, eh, por exemplo, produção de frutas, fruti, produção animal e os manuais de zonoses da do CRMV.

15:35 Eh, embora eles tenham sido editados só lá por 2010, eles têm bastante bastante informação interessante. São dois manuais diferentes. É só largar no Google manual de zonos CRMV que a gente logo encontra esses manuais. Aqui o primeiro volume tem doenças como brucelose, febre amarela, ah, até a leptosperose, a raiva, tuberculose que nós vimos em aula. E o segundo tem outras doenças que também são muito interessantes e muito importantes também. E vale então o a consulta Так.

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