0:54 [Música]
3:55 Boa noite. Muito boa noite. Sejam todos muito bem-vindos à nossa terceira aula da semana da PBE. Hoje, sexta-feira, eu espero que vocês não me deixem aqui sozinha, porque hoje a gente tem um conteúdo imperdível, decisivo pro futuro profissional de vocês. Então, mesmo sendo sexta-feira, se você tiver alguma programação, inclua os seus amigos aí, bote a aula na televisão da sala. Chama o crush, a paquera, o paquera, o namorado, o marido, a esposa, chama todo mundo, mas não deixa de assistir essa aula. Depois você vai fazer o seu sexou, tá bom? Vou recapitular aqui brevemente
4:41 se alguém ainda não assistiu as outras duas aulas para não ficar perdido. Vocês têm o dia de amanhã, tem o dia de domingo para assistir essas aulas. Mas eu vou recapitular aqui. Na nossa primeira aula, eu expliquei qual é o impacto da inteligência artificial na prática clínica do psicólogo. Na segunda aula, eu expliquei quem são os psicólogos que podem ficar para trás nesta nova era da IA, que são aí dois conteúdos obrigatórios para todo psicólogo, todo estudante de psicologia. Então, se você ainda não assistiu, fique aqui comigo ao vivo agora, porque você vai conseguir entender essa aula tranquilamente, mas depois se programe aí, você tem um final de semana para assistir, ok? Esse é um conteúdo muito
5:26 importante e já já todas as aulas dessa semana vão sair do ar meu próximo evento gratuito de PBS, só daqui a um ano, OK? Mas hoje, na nossa terceira aula, a gente também vai discutir um tema importantíssimo. Quem serão os psicólogos insubstituíveis nessa nova era da IA? Então, vai valer muito a pena. Fique aqui comigo até o final. Antes de eu começar, eu vou dar aqueles três recadinhos muito rápidos que eu preciso dar, OK? Primeiro, se organizem para assistir as aulas ao vivo, porque quem tiver ao vivo em todas as aulas dessa semana vai ter a chance de ganhar uma bolsa de estudos ou na
6:13 minha pós-graduação ou no meu curso de formação e mais um ingresso pro meu evento presencial em São Paulo, que vai acontecer em dezembro. Como é que vai funcionar? Durante cada aula, você que tá aqui ao vivo já sabe disso. Qualquer momento da aula eu vou liberar o checkin. Você precisa preencher o checkin na hora que eu liberar, ok? E só vai funcionar para quem estiver ao vivo. Se você tiver assistindo essa aula gravada depois, não adianta ler o QR code na tela que não vai funcionar. As pessoas que fizerem o chequin todos os dias, em todas as aulas, a gente vai fazer o sorteio da bolsa de estudos e do ingresso pro evento presencial. Quem pode concorrer? Estudantes e profissionais de psicologia e de
6:59 medicina. O resultado eu vou divulgar no encontro de encerramento no domingo. E não me abandonem depois do chequin, porque no final da aula também vocês têm mais uma chance de ganhar o nosso kit especial com livros que eu selecionei para vocês e também alguns presentes. Segundo, a gente criou uma comunidade de WhatsApp da semana. É fundamental que vocês estejam lá na comunidade para garantir o acesso a todo o conteúdo e aos presentes que a gente tá dando aqui durante essa semana, OK? Isso inclui um mapa mental que tá sendo enviado para vocês todos os dias no dia seguinte de cada aula. Mas não só isso, tem outras coisas legais lá também na comunidade. Então, quem ainda não está na
7:45 comunidade, clica na descrição deste vídeo e entra, tá bom? E muito importante, fiquem atentos a golpes. Algumas pessoas podem ser abordadas no privado do WhatsApp. Verifiquem se é um número confiável, tá? Se é um número da minha equipe. Eu postei lá no meu Instagram uma foto que inclusive tá fixada lá, um post fixado com todos os números confiáveis, OK? Então confira lá. Se não for confiável não responda e bloqueie. Terceiro aviso, durante a aula eu não leio os comentários de vocês aqui no chat do YouTube. Quem me acompanha sabe, eu tenho TDH, então assim, eu não tenho nenhuma condição de dar aula e ler comentários, mas amanhã eu vou responder
8:30 as dúvidas de vocês lá no meu Instagram, na caixinha, OK? Então, foque aqui em assistir a aula, anote suas dúvidas e mande para mim amanhã lá na caixinha do Instagram. Minha equipe tá acompanhando aqui o chat e a aula ao vivo comigo. Então se tiver qualquer problema na transmissão, no áudio, eles me avisam. Beleza? Recos dados. Vamos pro nosso conteúdo de hoje. De fato, qual que é o nosso conteúdo de hoje? Eu vou te explicar quem serão os psicólogos que não vão ser substituídos nessa nova era. Os psicólogos insubstituíveis, quem são eles? Eu agrupei aqui em três características eh para falar deste psicólogo que será
9:16 insubstituível nessa era da IA, OK? Primeiro, o psicólogo que souber usar a IA do jeito certo. Segundo, o psicólogo que souber se posicionar. E terceiro, o psicólogo que entrega resultado que de fato vai conseguir ajudar os seus pacientes, ou seja, um psicólogo aí excelente ou um psicólogo de excelência, tá bom? Então, primeiro, o que que significa usar a IA do jeito certo? significa usar a inteligência artificial para otimizar seu tempo, por exemplo, para tarefas administrativas do seu consultório. Então, imagine que hoje você perde aí em torno de uma hora por semana para marcar os pacientes, para organizar a sua agenda.
10:01 Você pode, por exemplo, ter uma inteligência artificial que faz essa marcação de consultas, né, de uma forma automática. Inclusive, tem vários eh programas que fazem isso, né? Então você tem uma hora livre por semana para focar, por exemplo, em estudar mais ou em ter mais qualidade de vida, em descansar, em estar com a sua família. Inclusive na masterclass eh especial sobre inteligência artificial que vocês vão ter com eh uma pessoa que é nossa parceira aqui de inteligência artificial na empresa, ela vai explicar detalhadamente para vocês sobre isso. Ela é especialista em inteligência artificial e ela vai ajudar vocês como que a IA pode ser um apoio em tarefas administrativas no consultório do psicólogo.
10:47 Lembrando pr você que essa masterclass ela é exclusiva para quem estiver participando da nossa ação exclusiva Cinco presentes. Quem ainda não tá participando, ainda dá tempo. Eu, se fosse você, eu não perderia essa aula. Assim, eu já fiz várias reuniões com a Ana, né, que é que é essa pessoa que vai dar a masterclass para vocês. Ela tem muito conhecimento, eu mesmo assim já me aproveitei muito dela, porque realmente eu eu eh eh acredito que você vai se beneficiar muito desse conteúdo. Então, inscrições no link da descrição deste vídeo, tá? Não percam de verdade esse conteúdo, porque ela ela vai entregar aí uma aula muito boa para vocês. Mas o jeito certo usar a inteligência artificial, ela não se aplica só na
11:35 otimização do tempo ali de tarefas burocráticas. Você pode utilizar a inteligência artificial também para se tornar profissional, um profissional melhor, um profissional mais capacitado. E sobre isso, quem vai explicar para vocês sou eu mesma. Vou explicar isso no domingo, no encontro de encerramento da semana, que eu vou contar para vocês algo que eu tô muito feliz, que é o lançamento de duas inteligências artificiais que a gente concebeu aqui pros nossos alunos, pros alunos dos meus cursos deste ano, uma inteligência artificial que eu tô muito feliz e muito orgulhosa, que vai ser um apoio sensacional na prática clínica de vocês, tá? Eh, e outra que vai ajudar vocês a desenvolverem um raciocínio clínico de
12:20 uma maneira que vocês não vão acreditar. Vai ajudar vocês a se tornarem psicólogos excelentes, de fato, porque, ah, eu não posso falar, mas tá tá muito incrível. Vocês não imaginam, de verdade, a minha felicidade de lançar essas duas inteligências artificiais. Eu acho mesmo que vai ser um grande diferencial eh na prática de vocês. Eu tô muito feliz eh de ser a primeira e a pioneira que tá lançando inteligências artificiais nesse sentido de desenvolvimento de habilidades clínicas, né? Não de gestão de consultório e essas coisas que já tem aí várias no mercado, mas assim, uma inteligência artificial para desenvolver o seu raciocínio clínico, uma ferramenta para lhe ajudar na excelência profissional. Eu fico
13:06 muito feliz de estar eh sendo pioneira nesse sentido aí, tá? Então, essas duas inteligências artificiais são de fato dois presentes de mãe que vão ser bônus aí dessas novas turmas. Então, esteja ao vivo comigo no domingo que você vai saber tudo em primeira mão e eu estou me controlando para não contar. Então, resumindo, a primeira característica desse psicólogo insubstituível é ver a Iá como sua aliada e não como sua inimiga, utilizando a inteligência artificial tanto para otimizar seu tempo, facilitar ali, né, tarefas burocráticas, etc., mas também como uma ferramenta de desenvolvimento profissional. Aí a gente vai pra segunda característica, né, que são os psicólogos que souberem se posicionar.
13:53 Esses também não vão ser substituídos. Eu já expliquei parte desse conceito na aula um, a importância de você, psicólogo, educar inclusive o seu público leigo nessa era da IAI, mais do que nunca, né? Sobre o que é de fato a psicoterapia, porque como eu falei lá eh na primeira aula, as pessoas estão achando que conversar com chat GPT é fazer psicoterapia e a gente sabe que não é. E psicoeducar as as pessoas, inclusive sobre quais são os riscos, né? cois são as limitações do uso da inteligência artificial para isso. Então, tudo isso é fundamental, mas não é só isso. Se você tem por objetivo captar pacientes via rede social, você não vai conseguir fazer isso tendo um perfil de memes, de
14:38 frases de efeito, né, botando lá cardzinho do canvas. você vai precisar eh ter um perfil ali de um produtor de conteúdo. Você vai saber precisar saber se posicionar, né, como um psicólogo que produz conteúdo. E isso implica em compartilhar conteúdos embasados em ciência, né? Você pode aparecer, recomendo que apareça, mas assim, você precisa de fato ter ali um conteúdo que ajude as pessoas. Hoje a gente vive o boom da saúde mental e o que mais tem no Instagram hoje são pessoas sem formação nenhuma, dando dica de saúde mental, é blogueira, é extiqueita, é é nutricionista, é todo mundo hoje, né, fala sobre saúde mental, porque é o assunto do momento. Então você precisa se diferenciar nessa massa
15:26 aí de pessoas que compartilha hoje, inclusive muita bobagem sobre saúde mental nas redes sociais. Como é que você vai fazer isso? compartilhando um conteúdo embasado, digno de quem tem uma formação na área. E como eu sou a mãe de vocês, eu já vou dar um spoiler também, que um dos bônus para essas novas turmas do meu curso de formação e de pós-graduação vai te ajudar muito nisso, porque vai ser o meu time de conteúdo trabalhando para você, te ajudando aí na sua produção de conteúdo diariamente no Instagram, tá? Mas é só um spoiler, eu não vou explicar isso agora. No domingo vocês vão saber tudo. E aí agora você pode estar pensando o seguinte, tá? Então nessa nova era, eu sou obrigado a me posicionar nas redes sociais? Não,
16:13 você não é obrigado a se posicionar. Se não for em redes sociais, você pode se posicionar em palestras, em trabalhos que você faz em empresas, em escolas. você precisa eh ver ali toda a oportunidade que você tiver de mostrar o seu trabalho como uma forma de compartilhar a formação sólida que você tem. E compartilhar a formação sólida que você tem significa que você precisa, obviamente, ter essa formação sólida. você precisa ser um profissional da psicologia que de fato estuda, que de fato está atualizado. E aí você vai me perguntar: "Então, essas são as únicas formas de captar paciente hoje?" Claro que não. E a mãe que eu sou, mais uma vez, eu decidi aqui que eu vou liberar
16:59 uma aula extra para todos os novos alunos das minhas turmas também de formação e pós-graduação deste ano. E eu vou ajudar vocês a resolver uma das maiores dores de vocês e talvez uma das perguntas que eu mais receba no Instagram. Se você estivesse começando hoje, Fernanda, como você faria para captar pacientes? Eu nunca entreguei esse conteúdo em lugar nenhum e eu também nunca respondi essa pergunta de uma maneira completa. Então eu vou entregar em primeira mão pros meus novos alunos agora das turmas de formação e pós-graduação. Domingo também eu vou explicar melhor para vocês, ok? Então, resumindo essa segunda característica, psicólogos que souberem se posicionar, o que inclui aí psicólogos que conseguem
17:44 psicoeducar o público leigo, que conseguem fazer palestras, que conseguem compartilhar conteúdos embasados cientificamente, que se diferencia aí de mundo de gente que fala hoje saúde, de saúde mental em redes sociais, muitas vezes eh fala muita besteira, tá? E agora a terceira e última característica de psicólogos que vão se diferenciar nessa era da inteligência artificial são aqueles psicólogos que vão conseguir de fato entregar resultado, ajudar seus pacientes. E para conseguir isso, eu expliquei na aula de quarta-feira a importância de você trabalhar com ciência em psicologia, com a melhor ciência disponível hoje, o que inclui
18:30 trabalhar com psicologia baseada em evidências. E dentro disso, inclusive, eu desmistifiquei na aula de quarta-feira mitos sobre a psicologia baseada em evidências. Na aula de quarta-feira, o que ficou em aberto, que eu vou responder hoje foi quais são, afinal as abordagens que estão dentro do hall da PBE. E é sobre isso que a gente vai falar exatamente na aula de hoje. Na aula de hoje, eu vou te explicar quais são essas abordagens, as principais diferenças entre essas abordagens e eu vou te ajudar em qual delas você vai escolher, em que que você deve focar, quais são as opções que você tem, ok? Então, primeiro ponto aqui dessa aula é quais são as
19:16 abordagens que se encontram hoje ou que a gente costuma dizer aí e que estão aí dentro desse desse hall, né, da psicologia baseada em evidências. Lembrando que psicologia baseada em evidências, eu expliquei isso na aula de quarta também, não é uma abordagem, não tem abordagens fixas dentro dela, tá? O que eu vou te trazer aqui hoje é apenas um panorama do que nós temos agora em 2025. Pode ser que em 2026 mude, 2027 mude, ou seja, né, a prática baseada em evidências em psicologia, né, a PVE, como a gente chama, ela não é uma abordagem, ela também não é um conjunto fixo de abordagens, tá? Ela é uma lente, ela é uma lupa pela qual nós olhamos eh
20:02 para as coisas, né, paraa ciência, para as práticas dentro da psicologia. Então, as coisas não são imutáveis aqui. Mas o que que a gente tem hoje? A gente tem aí dentro desse hall da psicologia baseada em evidências a TCC clássica, a análise do comportamento, a terapia comportamental dialética, que é a DBT, a terapia da aceitação e compromisso, que é a ACT, que são abordagens inclusive que estão dentro daquilo que a gente chama de guarda-chuva das TCCs, no plural. A gente hoje entende que não tem, a gente não tem uma TCC, mas a gente tem várias TCCs, né? A gente entende hoje as terapias cognitivo comportamentais como um guarda-chuva que
20:50 abriga várias abordagens baseadas em evidências, dentre elas aquilo que a gente chama de TCC clássica ou bequiana, ACT, DBT, análise do comportamento, tá? a gente tem tanto abordagens mais cognitivas quanto abordagens comportamentais, como aquelas também que eh tem os dois componentes, tá? A gente vai entender um pouco tudo isso hoje aqui eh à luz das evidências científicas, OK? Agora eu vou te explicar resumidamente para vocês entenderem cada uma delas. A primeira dessas abordagens aí do do hall da PBE ou desse guarda-chuva da TCC que surgiu foi a análise do comportamento, tá? análise do comportamento, ela foi eh criada, digamos assim, né? O pai da análise do comportamento é o Skinner. E
21:38 a gente pode pensar hoje a análise do comportamento dentro deste guarda-chuva maior das terapias cognitivo e comportamentais. A análise do comportamento hoje, inclusive é o padrão ouro para autismo, que é o que as pessoas aqui no Brasil conhecem por ABA, né? E aba é a sigla em inglês de análise do comportamento aplicada. As pessoas aqui no Brasil acreditam que ABA é um tipo especial de tratamento para autismo, não é? Aa é análise do comportamento, OK? Eh, hoje a análise do comportamento, ela é bem utilizada dentro aí das TCCs, né? como, por exemplo, a ativação comportamental, que a gente tem ela eh dentro eh do
22:24 tratamento da depressão, inclusive dentro do protocolo da TCC para depressão, OK? Depois eh veio a TCC clássica, tá? Então, lá na década de 70, 80, o Aron Beck, ele desenvolveu eh uma psicoterapia, inicialmente ele chamou de terapia cognitiva somente, depois os estudos foram avançando e aí se entendeu que o componente comportamental também era fundamental, então virou terapia cognitivo comportamental, tá? também chamada hoje de TCC clássica, algumas pessoas chamam de TCC bequiana. Enfim, hoje a TCC clássica é a psicoterapia que apresenta o maior nível de evidência paraa maioria dos transtornos mentais. Ela engloba, né,
23:10 ali meado da da década de 90, mais ou menos, eh ela já tinha pesquisas suficientes para permitirem eh metaanálises, né? A metanálise é quando você faz um estudo estatístico ali de vários outros ensaios de de ensaios clínicos randomizados, né, que já foram feitos. Aí você vai fazer uma revisão sistemática com metanálise ou sem metanálise, né? E nesse primeiro momento ali, 28 estudos foram incluídos. E ah, lá na década de 80 ficou claro que a TCC clássica ela ela tinha uma superioridade, vamos botar assim, entre aspas, né, significativa quando a gente comparava com outros tratamentos psicológicos disponíveis na época paraa depressão e inclusive com medicação
23:57 psiquiátrica. Então, na década de 90, a TCC se consolidou aí como tratamento padrão ouro, né? E aí foi se desenvolvendo vários tratamentos específicos para cada transtorno mental. E é o que a gente tem hoje aí, os famosos protocolos da TCC, né? Porque manuais passaram a ser organizados em função ali das diferentes técnicas que seriam eficazes eh pros diferentes transtornos mentais. E aí foram surgindo eh o que a gente conhece hoje como os protocolos da TCC. Então, a TCC ela se baseia na premissa de que nós somos influenciados pelas nossas cognições, ou seja, pela forma como a gente pensa e não pelas situações em si, tá? Eh, e
24:44 hoje a TCC ela é considerada o padrão ouro aí para diversos transtornos. Eu vou falar disso aqui pouco mais para frente na aula, mas depressão, transtornos de ansiedade, esquizofrenia, toque, eh fobias eh específicas, eh ansiedade social, bipolar, TDH, enfim. Aí passou um pouco mais de tempo, né? E lá na década de 90 veio a ACT, a terapia da aceitação e compromisso, que foi desenvolvida pelo Steven Reyes, a partir da formulação ali sobre teorias da das molduras relacionais e também eh sobre a análise do comportamento, tá? Essa teoria das molduras relacionais, ela é baseada no contextualismo funcional,
25:32 que também é considerada ali uma extensão, né, do eh behaviorismo radical que foi proposto por Skinner. Então a ACT ela vai incorporar ali princípios e técnicas como mindfulness, aceitação, ativação comportamental e o objetivo é promover uma maior flexibilidade psicológica do paciente, que é uma condição hoje que a gente sabe que está relacionada a uma melhor qualidade de vida, mais saúde mental. Quanto mais rígida é a forma de pensar do paciente, mais o paciente sofre. Quanto mais a gente consegue flexibilizar isso, mais o paciente ele eh desenvolve, não é, habilidades e consequentemente tem uma melhor saúde mental. Hoje a gente tem a ACT como uma terapia empiricamente
26:18 sustentada, mas a ACT ainda não é padrão ouro para tratamento de nenhum transtorno, OK? Ela tem boas evidências de eficácia para tratar dor crônica. Ela bateu na trave ali. Ela chegou por um breve momento, inclusive a ser padrão ouro para dor, mas depois a TCC clássica acabou tomando esse posto da ACT, né? Mas ela tem excelentes eh eh evidências de eficácia para dor crônica, fibromialgia, etc. E agora a ACT tá sendo estudada de uma maneira bem eh eh específica para luto prolongado, que é um transtorno novo aí que a gente tem no DSM desde 2013, né? transtorno aí desde 2013, não, perdão, 2013 foi o DSM5. A
27:03 gente tem desde desse DSM e 5TR, tá? Que foi lançado aí e em 2022, eu acho, 23, enfim, tem bem pouco tempo. Então, ah, eu acredito pessoalmente que a ACT tem grandes chances de se tornar um padrão ouro para luto prolongado, porque é um transtorno novo. A TC a TCC clássica não tem praticamente nada sobre isso, né? Então, é a grande chance aí do Steven Reas escrever o nome dele na história da psicologia com letras de ouro, né, como eu acho que ele quer escrever. Então ele tem essa grande chance aí com o luto prolongado. Se ele não conseguir com o luto prolongado, aí eu acho que realmente a gente vai ficar aí só com evidências de eficácia paraa ACT mesmo.
27:48 E mais ou menos no mesmo período que surgiu a ACT, surgiu também a DBT, a terapia comportamental dialética que foi criada por Mar Lineham também ali na década de 90, influenciada pela terapia cognitiva e também pela terapia comportamental. Eh, ela também se baseou em princípios de mindfulness e inicialmente ela dedicou a vida dela a criar um tratamento para o transtorno da personalidade borderline. Ela inclusive é borderline, né? Ela tá viva ainda, mas tá numa condição de saúde bem eh bem debilitada, bem ruim. Eh, a base da DBT, né, a base filosófica é a dialética, que dá ênfase ali, né, na dialética entre aceitação e mudança para que o paciente
28:34 ele tenha uma melhor qualidade de vida, uma regulação emocional, uma vida que vale a pena ser vivida, né, como a própria Mar Linerham falou. Ela disse que ela esteve no inferno, né, sendo borderline, e o objetivo da vida dela era ajudar outras pessoas a saírem do inferno. É bem bonito. Ela criou uma teoria que hoje é padrão ouro para os transtor para o transtorno de personalidade borderline, mas vem sendo estudada inclusive para várias outras condições onde a desregulação emocional se faz presente, porque a gente sabe que no border a grande questão ali, uma das grandes questões é a desregulação emocional. Então hoje a a DBT, ela vem sendo estudada para ideação e comportamento suicida, transtornos
29:19 alimentares, comportamento alto lesivo sem intenção suicida, transtorno por uso de substâncias e já temos boas evidências de eficácia, né, para vários desses transtornos aí com a DBT, OK? Ela vem se mostrando, inclusive uma abordagem muito promissora, tá? Em 2013, a Juditbeck, filha do Aronbeck, ela mencionou que a DBT, a a ativação comportamental ali, né, dentro da análise do comportamento, eh, juntamente com outras abordagens, são formas de terapia cognitivo comportamental derivadas da teoria do pai dela, do Aron Beck, mas as conceitualizações, as ênfases no tratamento variam até certo
30:04 ponto. Isso significa dizer que abordagens contextuais ou de terceira onda, elas são consideradas intervenções firmemente calcadas sobre as abordagens tradicionais que a gente tem de terapias cognitivas e terapias comportamentais. São releituras, tá? Digamos assim. Isso não é a minha opinião, OK? Eu sei que tem pessoas que discordam disso, tem pessoas que dizem que a DBT não é uma releitura da TCC, que a ACT não é uma releitura da TCC. Essa não é a minha opinião. Isso foi o que a Juditbeck disse lá em 2013. OK. Você me pode me perguntar: "Fernanda, você concorda com ela? 100%. Existem diferenças?" Sim, existem. Mas a base dessas abordagens
30:50 foi tirada de algum lugar. E de que lugar isso foi tirado? Da TCC e da AC, tá? Aliás, na minha humilde opinião, se você quiser saber também, ninguém perguntou, mas eu vou dizer. A psicologia ela tem produzido muito pouco em termos de inovação. Na minha opinião, desde que Aron Beck criou ali a TCC, na década de 70, não surgiu mais nada, realmente disruptivo, tá? De lá para cá, a gente teve algumas releituras da teoria, né, da análise do comportamento da TCC clássica, né, como a ACT, como a DBT. Depois da década de 90 acabou, nem mais releituras a gente teve. Então estamos aí parado, né? Isso é complicado, mas enfim, a gente tá seguindo aí, tá? Para piorar a nossa situação aqui no Brasil,
31:36 ainda existe uma richa absolutamente sem noção aqui no Brasil entre análise do comportamento e terapias cognitivo-comamentais. Essa divisão não faz nenhum sentido. Isso não existe fora do Brasil, né? E essa richa acirrada inclusive aqui no Brasil entre TCC e análise e análise do comportamento é uma coisa assim bem brasileira, tá? fora do Brasil, na Inglaterra, nos Estados Unidos, que são lugares, né, que eu estudei, que eu conheço, eles usam, né, essa ideia do guarda-chuva, das terapias cognitivo comportamentais no plural, como um grande guarda-chuva que engloba intervenções comportamentais, como a ativação comportamental, que eu já citei
32:21 aqui, né, como a reversão de hábitos, enfim, e também intervenções cognitivas e contextuais. Então, a a as terapias cognitivo-comamentais são um telhado e embaixo desse telhado, nesta casa, moram essas teorias, né, essas técnicas que a gente tem. E fora do Brasil, isso já é bem compreendido. Aqui no Brasil a gente segue com um debate de 1990, né, de tipo, ai, por que a teoria que embasa isso, por a filosofia, porque a ACT é TCC ou é AC? A DBT é TCC ou é AC? Esqueçam isso de uma vez por todas, né? Essa história de ecletismo teórico. E você vai misturar duas abordagens que
33:07 tem teorias. Amores, amores, nós não somos filósofos, nós somos psicólogos. A gente entrega um tratamento para as pessoas. Tudo bem discutir isso no ponto de vista acadêmico dentro da universidade, OK? dentro da universidade se discute, enfim, várias coisas, mas do ponto de vista você que tá na prática, você que tá tá tratando os seus pacientes, o seu objetivo não é pensar em ecletismo teórico, se filosofias diferentes estão sendo colocadas, não. O seu objetivo é tratar o seu paciente da forma que seja que tem a maior probabilidade de trazer resultados para ele. Só isso. Então assim, esqueçam essa discussão toda, esqueçam isso, porque
33:53 isso é improdutivo, ok? E aí essa questão, né, do ecletismo teórico, ecletismo técnico, né? Eu discordo muito disso. Eu acho que é uma discussão inútil, sabe? Tem discussões, aliás, na psicologia que elas nunca findam, né? Que elas nunca terminam. Você vai chamar o seu paciente de paciente ou de cliente, chame pelo nome, tá? Ninguém gosta de ser chamado de paciente, de cliente, não. Chame ele pelo nome. Chame João, de Maria, de Francisco, de Pedro. OK, essa é a discussão é paciente ou cliente, a gente nunca sai disso. Parece um disco arranhado aqui, né? Essa mesma história, éismo teórico, ecletismo técnico. Aí vem o povo com as discussões rebuscadas que você lê parece, parece que tá falando lacanês, né? Parece que o povo da psicologia incorporou lacan. Eu
34:38 não tô boa hoje não, viu? Já vou avisando vocês que hoje eu não tô legal. Hoje, hoje eu vou vou falar, eu vou hablar hoje, hein? Não tô boa não. Enfim, o povo vem com essas coisas, com esse lacanez, uns umas linguagem rebuscada, complicada que você lê. El falar: "Não entendi nada que essa criatura falou aqui nesse post, gente." Mas vamos lá, né? Sobre essa história aí de ecletismo técnico, ecletismo teórico, OK? Usar técnicas cognitivas e comportamentais. Você que tá falando de um guarda-chuva, você tá falando de uma raiz em comum, ok? Então, quando você faz um tratamento, por exemplo, do seu paciente eh com depressão, que você vai usar ali a TCC clássica como base, mas você acredita que o seu paciente vai se
35:24 beneficiar de alguns componentes, por exemplo, da ACT, não tem problema nenhum. Você tá dentro de um guarda-chuva, você tá dentro de eh teorias ali que t uma mesma raiz, que tem uma mesma um mesmo entendimento, vamos colocar assim, OK? O que eu considero que talvez seja complicado é você, por exemplo, ser psicanalista ou você ser logoterapeuta ou ser da Gestalt e usar técnicas soltas da TCC. Isso aí não vai funcionar, né? Porque a TCC ela tem uma lógica de tratamento, ela exige que você faça uma formulação de caso, ela exige que você tenha objetivos específicos, um plano de tratamento. Expliquei tudo isso aqui na aula de quarta-feira. Então você precisa seguir essa lógica. Não basta aplicar
36:11 técnicas soltas, tá? Como eu falei aqui na quarta-feira também, trabalhar com psicologia baseada em evidências muitas vezes exige coragem para se deixar levar para onde as evidências apontam, para onde as evidências indicam, mesmo que isso envolva abandonar suas preferências pessoais. Eu, por exemplo, posso até me usar de exemplo aqui. Eu não escondo de ninguém qual é a minha preferência pessoal. Quem me acompanha aqui há muito tempo, quem é meu aluno sabe disso. Minha preferência pessoal, qual é? É a TCC clássica. TCC clássica. Eu acho fantástica. Foi toda a minha formação foi em TCC clássica. Eu acho prática, eu acho objetiva, eu acho direta, eu acho sem esses esses lacanêis que o povo da
36:58 psicologia gosta de botar no meio. Funciona incrivelmente bem. Eu me identifico muito com a visão de homem, com a visão de mundo da TCC, que é a base filosófica ali, né? É o estoicismo. Eu me identifico demais. Eu inclusive escolhia a TCC por isso. Eu não sabia, né, que existia uma psicologia baseada em evidências, que a gente deveria escolher aquilo que tem a melhor evidência científica. Falei disso também na aula passada. Eu escolhi porque eu me identificava, aquilo fazia muito sentido para mim. Então assim, eu amo a TCC clássica, eu assumo isso, admito isso, isso me faz tratar todo e qualquer paciente com TCC clássica porque eu gosto. Não. Se chegar um paciente borderline para mim, eu vou atender esse paciente com TCC clássica? De cara não.
37:43 A princípio não. E por que eu digo a princípio não? Porque a TCC clássica, ela apresenta sim evidências de eficácia pros transtornos de personalidade, mas não é o tratamento padrão ouro, não é a primeira linha de tratamento, ok? Então, quando eu tenho um paciente e eu avalio esse paciente, esse paciente tem transtorno da personalidade borderline, ou eu tenho conhecimento na DBT e consigo ali trabalhar com a DBT para atender, para tratar esse paciente, ou a melhor alternativa é que eu encaminhe esse paciente para um colega que atenda pela DBT para que esse paciente ele possa ter o melhor tratamento disponível. No caso dele, que para border atualmente
38:30 é a DBT. Você entende isso? Então, a grande diferença do profissional que trabalha com o PBE é que ele não se apega à abordagem. Se para border o padrão ouro hoje é DBT, por exemplo, eu que gosto da TCC clássica, que prefiro a TCC clássica, que me identifico com a TCC clássica, eu não vou ficar batendo o pé, gritando nas redes sociais, dizendo que não, não é DBT não, porque na minha prática eu vejo que a TCC clássica funciona muito bem e eu já tratei não sei quantos mil pacientes e todos ficaram ótimos. Não, o profissional que trabalha com prática baseada em evidências vê a coisa de forma mais fluida, tem de bom grado, não com essa resistência.
39:15 O Skinner, o pai da análise do comportamento, ele tem uma frase fantástica. Eu adoro essa frase do Skinner. E o Skinner diz o seguinte: "Não considere nenhuma prática como imutável. Mude eja pronto para mudar novamente. Não aceite verdade eterna. Lindo, né? Fantástico. Então, pense sempre nisso. Pense sempre nessa nessa frase de Skinner para tudo na sua vida, não só profissionalmente, mas para tudo. Mude esteja pronto para mudar novamente. É quando a gente muda, gente, que a gente evolui, inclusive como pessoa, tá? Fantástico. Muito bem. Entendido isso,
40:00 nós temos um problema. O problema disso é o seguinte: Como é que vai ser para você que é psicólogo, estudante de psicologia, profissional, tendo aí tantas linhas diferentes, né, tantas abordagens diferentes para estudar dentro dessa eh individualização aí dos tratamentos. A gente tem protocolos ali, a gente tem TCC clássica, a gente tem ACT, a gente tem DBT, né? Como é que faz aí dentro da a análise do comportamento dentro disso tudo aí? O que que eu faço na minha vida? Vou estudar tudo? Calma. E dentro desse problema ainda tem outro problema. Se todas essas abordagens são baseadas em evidências, eu posso escolher a que eu mais gosto e sair
40:46 utilizando ela com todos os meus pacientes? Eu acho que você já entendeu que não, né? você vai ter ali eh certas certos transtornos, certas demandas que você vai precisar aplicar uma ou outra, mas eu vou te explicar com calma, ok? Primeira coisa que você precisa entender, cada abordagem tem seu foco e abordagens diferentes t indicações diferentes. E aqui eu preciso te explicar dois conceitos muito importantes para você entender o que eu vou te explicar na sequência. Que conceitos são esses? padrão ouro e evidências de eficácia. O que é um tratamento padrão ouro? Tratamento padrão ouro é aquele tratamento que é para certa doença, para
41:33 certo transtorno, para certo problema. Esse tratamento ele foi comprovado cientificamente como o melhor tratamento existente, também chamado de primeira linha, OK? é aquele tratamento que tem mais chance de dar resultado para quem se submete a esse tratamento. É 100% garantido? Não, nada em ciência é 100% garantido. A gente trabalha com probabilidade, tá? Então, padrão ouro é aquele tratamento que tem maior probabilidade de dar certo pro seu paciente. Se a gente pegar, por exemplo, na oncologia, qual é o tratamento padrão ouro para a maioria dos cânceres? Claro que tem exceções, né? Tem câncer que vai ser
42:18 tratado com cirurgia de outro modo, mas assim, pra maioria é o quê? Quimioterapia. Todo paciente que faz quimioterapia fica curado do câncer? Infelizmente não, mas é o que tem mais probabilidade. OK? Um exemplo muito claro disso é o que aconteceu com Steve Jobs. Steve Jobs tinha um câncer, ele resolveu não fazer quimioterapia, fazer um tratamento alternativo. Quando ele viu que o negócio já tava muito avançado, ele tentou fazer, mas aí já era tarde demais. Realmente ele não conseguiu. Talvez se ele tivesse feito quimioterapia desde o começo, ele tivesse uma probabilidade maior de, né, ter pelo menos mais tempo de vida. enfim, escolheu um tratamento alternativo, infelizmente pagou o preço. Então, padrão ouro, ele se refere aos
43:04 critérios pelos quais as evidências científicas são avaliadas. Por exemplo, um teste hipotético, tá? Que na prática isso não existe, não existe 100%, principalmente quando a gente fala de área de saúde, mas no mundo ideal, o que que seria esse padrão ouro, né? O que que teria aí? Que características teria um um num teste hipotético o padrão ouro? Ele teria uma sensibilidade de 100% em relação à presença da doença ou do transtorno. Ou seja, identifica todos os indivíduos com um processo de doença bem definido, né? E não apresenta resultados falsos negativos. e uma especificidade também de 100%, ou seja, ele não identifica falsamente ninguém com uma condição que não possui, ou
43:50 seja, ele não apresenta falso positivo, tá? Para você entender isso rapidinho, eu vou te explicar aqui o que é sensibilidade e especificidade, que são dois conceitos aí também muito importantes. Sensibilidade é a razão entre as pessoas doentes, né, os pacientes com um transtorno mental, por exemplo, com um teste positivo e o total de doentes. Ou seja, é a probabilidade de um teste dar positivo em quem realmente tem aquele problema. E especificidade é a razão entre os pacientes sadios, os pacientes sem eh o transtorno, sem a doença, com teste negativo e o total de pessoas sadias. Ou seja, é a probabilidade de um teste dar negativo em quem realmente não tem a doença. Para que um teste ou um
44:37 tratamento seja padrão ouro, o ideal que a gente tem, pelo menos dentro da psicologia, é que a gente tenha um equilíbrio entre sensibilidade e especificidade. Ou seja, o tratamento, o teste, ele nem deve ser totalmente sensível, porque vai gerar falso, positivo, nem totalmente específico, o que na psicologia é ruim. Para outros tratamentos não, mas pra psicologia é ruim. Porque quando a gente só inclui quem realmente tem um problema, aí a gente vai deixar muita gente de fora. Porque quando a gente fala de transtorno mental, muitas pessoas ficam ali num espectro e a gente tem uma peneira tão fechada onde só passa realmente aquelas pessoas que tm um quadro grave quando a gente fala dentro da psicologia, quando
45:23 a gente fala de transtornos mentais, não é o que a gente deseja, ok? Então, um padrão ouro se refere a um método ou a uma abordagem, a um tratamento que é considerada mais confiável e eh mais precisa ali, né, para determinar a eficácia de um certo tratamento. Em psicoterapia, isso muitas vezes se refere, como eu já expliquei na aula, na aula de quarta-feira, aos ensaios clínicos randomizados, onde os pacientes eles são designados ali de maneira aleatória, de maneira randômica para diferentes grupos. Então, por exemplo, um grupo recebe terapia individual com terapeutas treinados, cada um atendendo o seu paciente, tá? Então, os estudos eles não ignoram a subjetividade. Já
46:08 expliquei isso na quarta-feira também. e o outro grupo vai receber um tratamento diferente ou não vai receber tratamento. E aí a gente vai medir esses resultados. Esse método, ele é considerado o melhor ali para avaliar se um tratamento em psicologia ele é realmente eficaz, porque a gente compara o tratamento que a gente quer avaliar com um grupo controle. Então, por exemplo, imagine um estudo que está investigando a eficácia da terapia cognitivo comportamental na depressão. Um grupo de pacientes vai ser atendido ali por 70 terapeutas, né? Cada terapeuta ali atendendo o seu paciente de maneira individual, pela TCC. E outro grupo vai receber um tratamento placebo. O que que seria um tratamento placebo na psicologia? Por
46:56 exemplo, um ator se passando por psicólogo, ele senta numa cadeira, ele fica só ouvindo o paciente, ele não fala nada, o paciente acredita que está passando por um tratamento, mas aquilo não é tratamento. OK? E aí depois a gente vai comparar os grupos e a gente vai determinar se a TCC é superior, inferior ou igual a aos resultados do grupo que foi atendido por um autor, por um ator. É óbvio que para você ter, né, um tratamento validado, esse tratamento ele precisa ser muito superior à aquele grupo que não fez nada, né? Aquele grupo que, por exemplo, tava em fila de espera ou o grupo que foi submetido a um tratamento fake, né? um tratamento que não era tratamento de fato.
47:41 Então isso é o que a gente chama de padrão ouro dentro da psicologia, OK? Já as evidências de eficácia em psicoterapia, elas se referem a dados de estudos que demonstram que determinadas abordagens terapêuticas elas são efetivas no tratamento de condições psicológicas e emocionais. Então, as evidências de eficácia, elas são, digamos assim, um corpo mais amplo de dados, de pesquisas que sustentam ali que uma determinada terapia pode ter efeitos positivos em determinadas condições psicológicas. Então, o padrão ouro é um método específico de avaliação, normalmente feito por vários ensaios clínicos randomizados que demonstram claramente a superioridade daquele tratamento.
48:27 As evidências de eficácia, elas podem incluir uma variedade de estudos, né? E aí nem sempre a gente vai ter CRs, né? Às vezes a gente vai precisar eh olhar para estudos observacionais, por exemplo. Então, essas evidências elas podem ser obtidas através de diferentes abordagens de pesquisa, né? não se limitando ali apenas ao padrão ouro, tá? Então, de maneira resumida, o padrão ouro é um método específico, geralmente vários ECRs para avaliar a eficácia de determinada terapia. As evidências de eficácia são um conjunto mais amplo de pesquisas que suportam ali a eficácia de intervenções terapêuticas, incluindo diferentes estudos, né? Não só SRs, porque às vezes não vai ter, mas na ausência de SRS a gente vai baixando ali
49:15 o nível de evidências da pirâmide, OK? Vou te dar um exemplo para você entender melhor, para ficar mais claro. Vamos pegar como exemplo aqui a DBT, a terapia comportamental dialética, que é uma abordagem psicoterapêutica que foi desenvolvida pela Mar Linerhan inicialmente para tratar o transtorno de personalidade borderline. A DBT, ela vai combinar estratégias comportamentais, cognitivas, técnicas de aceitação, princípios de mindfulness, busca ali ajudar os pacientes a, digamos assim, regular suas emoções, gerenciar as suas emoções, né, eh, contornar, né, comportamentos autodestrutivos, autolesivos, que são muito comuns também no borderline. Atualmente a DBT ela é
50:02 considerada padrão ouro no tratamento do border porque a gente tem evidências muito robustas da sua eficácia. A gente tem muitos ensaios clínicos randomizados, a gente tem e revisões Cócran, né? Então assim, a gente sabe hoje que a DBT ela é o melhor tratamento disponível pra borderline, OK? Eh, e aí o que que esses estudos, né, que tornaram a DBT o melhor tratamento para border, o que que eles mostraram? Eles mostraram que a DBT diminui comportamentos suicidas e autolesivos, diminui a desregulação emocional dos pacientes, melhora a relação interpessoal deles, aumenta a qualidade de vida e bem-estar. Mas como eu falei
50:47 aqui quando eu tava citando a DBT, ela também apresenta evidências de eficácia para outros transtornos. E aí, o que que isso significa, tá? Significa que para outros transtornos, como transtornos de ansiedade, né? Eh, por exemplo, a ADBT, ela pode ensinar para pessoas com transtorno de ansiedade habilidades de regulação emocional, técnicas de enfrentamento. Então, a gente tem hoje estudos que mostram que a DBT ela pode ser eh utilizada, ela pode ser benéfica pro TAG, auxiliando ali os pacientes a lidarem melhor com a incerteza. com ansiedade. A gente talvez de todos os transtornos aí que a DBT vem sendo estudada fora border para transtornos alimentares hoje. Então a DBT ela tem
51:33 sido eh apontada aí, né, como um tratamento de segunda linha para transtornos alimentares, principalmente bulimia e compulsão alimentar, porque são transtornos que t aí uma grande desregulação emocional e aí esses pacientes eles vão aprender habilidades de controle emocional e também de autoaceitação, né? Então, por exemplo, pesquisas indicam que a integração de técnicas da DBT em programas de tratamento para bulimia reduz episódios de compulsão alimentar, eh promove mais aceitação corporal e consequentemente diminui os episódios de eh purgação, né, onde o paciente vomita, onde o paciente toma laxante, diurético, etc. Pro TEPT, a DBT, ela vem sendo estudada em contextos de tratamento,
52:20 especialmente com indivíduos que têm dificuldades e emocionais mais significativas, tá? Então, a DBT hoje ela não é padrão ouro para nenhum desses transtornos que eu citei. Todos esses o padrão ouro segue sendo a TCC clássica. Mas a DBT, ela tem hoje um corpo já de estudos que faz com que ela não supere a TCC clássica, ou seja, a TCC clássica não perdeu a posição, né, de melhor tratamento disponível para esses transtornos, mas ela fica como um tratamento de segunda linha. Se o paciente, por acaso, não se adaptar à TCC clássica, tiver resistência, né, a TCC clássica a gente sabe que eh tem tarefas de casa, né, que a gente chama hoje de plano de ação, tem que escrever muita coisa, enfim, tem algumas questões
53:06 aí que às vezes eh dificulta, né, o tratamento para alguns pacientes. Então, a DBT pode ser uma opção ou também para pacientes que já tentaram, tá, a TCC clássica e por algum motivo não melhoraram. OK? Então, eh, você pode táar aí se perguntando, né, quando, como é que eu vou escolher entre aplicar o padrão ouro ou aplicar a evidência de eficácia? Primeira coisa, se o seu paciente tem um transtorno e esse transtorno tem um padrão ouro para esse transtorno, a sua primeira opção deve ser essa, ok? Então, por exemplo, seu paciente tem bulimia, qual é o padrão ouro paraa bulimia hoje? É TCC clássica, tá? E aí a
53:52 gente tem a DBT com evidências de eficácia, que seria aí um tratamento de segunda linha. Qual que eu escolho? Princípio, você vai aplicar a TCC clássica nesse paciente, OK? Mas aí digamos, né, que o seu paciente ele tem bulimia, mas ele também tem transtorno de personalidade borderline. Bom, aí aí já cabe um raciocínio. Talvez seja melhor começar pela DBT pelo menos, né? Escolher ali como tratamento a DBT, porque esse paciente tem uma comorbidade que interfere muito nesse transtorno alimentar. Então, vamos tratar isso. Então, sim, a DBT pode ser, nesse caso, uma primeira escolha. OK? Aí, um segundo cenário entra isso que eu acabei de falar. O paciente ele já tentou a a a TCC em algum momento, né? Ele tem bulimia há algum tempo, só bulimia, não é border. Ele já tentou, né, a a fazer
54:40 tratamento pela TCC, não se adaptou. OK? Aí entra assim por aquela questão, né? Ele não se adaptou porque a TCC não foi bem aplicada, né? Porque o profissional que estava ali conduzindo o tratamento não tinha expertise suficiente ou porque de fato o paciente não se adapta, né? Aí segundo o Juditback, não existe paciente que não se adapta a TCC. Existe um terapeuta que não é qualificado, que não foi bem treinado, mas enfim, né? Ela também defende o peixe dela. Eh, eu acho que sim, talvez existam de fato alguns pacientes ali que tenham mais dificuldade. Então, nesses casos, você também pode tentar um tratamento de segunda linha, tá? Quando o paciente ou não se adapta ou não responde ao tratamento de primeira linha, OK? Mas ainda assim é muito importante a gente
55:26 entender, na ciência a gente não trabalha com 100%, a gente não trabalha com certeza, a gente trabalha com probabilidade. A probabilidade de o tratamento que você vai aplicar dar mais resultados. E quando que a gente tem isso? Quando a gente está trabalhando com um tratamento de primeira linha, né? Ou um tratamento padrão ouro. OK? Aí você pode estar se perguntando também, mas Fernanda, é possível a gente ter tratamento padrão ouro em psicoterapia? Falei sobre isso na aula de quarta-feira. Não só é possível, como temos vários inúmeros. Só para vocês terem noção, quando foi que a gente teve o primeiro tratamento padrão ouro em
56:11 psicoterapia em 1977, quando Aaron Beck, pai da terapia cognitiva, publicou um artigo que abalou as estruturas da psicologia e até da psiquiatria. Ele conduziu um estudo que mostrou que para transtorno depressivo leve e moderado, a psicoterapia ela é mais eficaz do que a medicação psiquiátrica. Você entendeu isso? TCC clássica paraa depressão leve e moderada é melhor, é superior à medicação, à medicação psiquiátrica para depressão. E essa é a realidade até hoje, tá? Segue sendo assim até os dias de hoje. Isso foi uma grande revolução. Isso na verdade foi uma bomba em 1977,
56:58 onde a psicoterapia foi pela primeira vez considerada padrão ouro para uma determinada condição, ou seja, o melhor tratamento disponível, a primeira linha para se tratar uma determinada coisa superior a remédio, inclusive, que no caso é a depressão. Depois disso, muitos outros tratamentos em psicoterapia foram se estabelecendo como padrão ouro. Eu vou te dar esse panorama aqui hoje, tá? Quais são os tratamentos que são superiores à medicação, quais são os tratamentos que são eh combinados ali com a medicação. Vou te passar isso hoje, OK? Mas entendendo um pouco mais o que que aconteceu, a gente vai rapidamente aqui na história. Aron Beck, eh, que é o pai, né, da TCC, ele publicou vários trabalhos fundamentais ali sobre a TCC,
57:43 foi publicando ao longo dos anos e o trabalho dele, talvez o mais influente, né, o livro, assim, do mesmo jeito que a interpretação dos sonhos, né, deu ali a origem à psicanálise, foi o pontapé inicial de Freud na psicanálise. O livro do Beck de 1979, o Cognitive Therapy of Depression, né, ou terapia cognitiva da depressão. A gente tem esse livro traduzido pro Brasil. Ele sistematizou a teoria que o Aronbeck criou, mas ele também apresentou um modelo prático que poderia ser aplicado em ambientes clínicos pro tratamento da depressão. E aí em termos de artigos que demonstravam, né, a eficácia da TCC, esse estudo que foi conduzido por Aronbeck e colaboradores constatou que a
58:29 TCC ela é mais eficaz em comparação a outros tratamentos paraa depressão. Esse estudo até hoje ele é referenciado, né, como um dos estudos mais importantes dentro da psicologia, porque foi o primeiro a demonstrar ali de forma robusta que a gente tem uma psicoterapia que é primeira linha no tratamento de alguma condição, inclusive superior à medicação. E por que que esse artigo é tão importante? Primeiro porque foi uma publicação em um jornal muito importante, né? Foi no American Journal of Psychiatry. E o artigo, né, que é o Cognitive Therapy of Depression, a treatment manual, foi um marco mesmo, onde ali foram apresentados métodos,
59:15 resultados, estudos controlados, aleatorizados que demonstravam claramente a eficácia da TCC. E aí a publicação, né, em revistas respeitadas ajudou a consolidar a TCC como a abordagem terapêutica amplamente aceita ali na prática clínica. E aí depois, na sequência disso, década de 80, década de 90, muitos estudos começaram a surgir, metanálises, inclusive em cima desses estudos, analisando, né, uma variedade aí de eh pesquisas sobre a TCC. E em 79, Beck publicou outro artigo, esse já foi de revisão, onde ele revisou estudos anteriores e novamente confirmou a eficácia da terapia cognitiva. Então
1:00:02 isso é um marco muito importante na história da TCC, porque consolidou a TCC como um tratamento de primeira linha, um tratamento padrão ouro. E aí, a partir da década de 90, a TCC, ela ganhou um outro, é, um, um outro, digamos assim, foi para um outro hall, né? Foi para uma outra categoria, porque ela passou a ser endossada por várias instituições de saúde mental, como por exemplo a APA, né, a American Psychological Association e outras associações aí ao redor do mundo que classificaram a TCC como abordagem de primeira linha pro tratamento de diversos transtornos mentais. Então eu eu eh me orgulho muito, né, de ter uma profissão onde
1:00:47 isso é possível. E eu quero muito que você entenda aqui o quanto isso é incrível, né? você você trabalhar com algo, você fazer algo na sua profissão, que é o melhor tratamento que você pode oferecer para um paciente. Então vocês sabem, né, você sabe agora que dentro da sua profissão, eh, você tem ali o melhor tratamento disponível, não só paraa depressão, né? A depressão foi o primeiro aí que se descobriu, mas depois tem vários outros. E o mais incrível que eu acho é que esses tratamentos que você pode oferecer hoje pro seu paciente, eles são superiores ao remédio. Vocês entendem a importância e a responsabilidade disso? a gente
1:01:33 realmente oferecer pro nosso paciente o que a gente tem de melhor hoje na nossa profissão. Eu tenho certeza que vocês já ouviram algumas pessoas falando, né, que psicoterapia é só conversa, que não serve para nada, que conversar com chat GPT é a mesma coisa. E claro que hoje esse discurso, né, chat GPT, infelizmente vem crescendo aí, mas que terapia não serve para nada, é um discurso cada vez menos comum, porque quando a gente teve a pandemia, né, lá em 2020, todo mundo, infelizmente sentiu na pele o impacto da saúde mental. E aí a gente teve depois disso um boom da psicologia nas redes sociais, eh, o crescente interesse das pessoas por saúde mental, eh, por eh eh psicologia, né? E a gente vê isso hoje claramente
1:02:20 nas redes sociais, né? Todo mundo eh hoje quer saber, né? Se a mãe é narcisista, se a irmã é borderline, se o irmão é psicopata, mas a própria pessoa, ela só tem ansiedade e TDAH, né? Nunca vi a pessoa dizer que tem psicopatia, não. A pessoa ela é, não, eu tenho ansiedade terd, mas minha mãe é narcisista, meu irmão é psicopata, minha irmã é borderline, né? Enfim, mas eh infelizmente a gente ainda tem uma parcela da população que tem essa percepção, né, de que terapia não resolve nada, que é só bate-papo e que se conversar com chat GPT é a mesma coisa. E o pior, até mesmo alguns profissionais muitas vezes questionam o próprio trabalho, né? Porque eles gostariam de ter um retorno financeiro
1:03:05 maior do próprio trabalho. Eles gostariam inclusive de ajudar mais os pacientes dele e eles não conseguem. Então eu recebo eventualmente nas caixinhas do Instagram as pessoas dizendo, né? Eu me sinto uma farsa. Eu não tenho o retorno que eu gostaria, né, da psicologia, nem financeiro, nem de ajuda que eu gostaria de dar pros meus pacientes. E aí, né, entenda, é esse resultado que você vai ter no seu consultório, de fato, ele vai depender de algumas coisas, como por exemplo, você está trabalhando hoje com o que a gente tem de melhor, com aquilo que é o o que de melhor a gente pode oferecer, com aquilo que tem mais chance de ajudar o seu paciente, de trazer resultados.
1:03:51 algo aí que em diversos casos, né, pode ser inclusive uma opção melhor do que remédio. E isso é incrível, incrível. Eu acho assim, eh, o dia em que eu tive contato com esse artigo e eu vi ali, né, que a psicota, tem muitos anos já, mas enfim, que a psicoterapia ela é superior à medicação psiquiátrica, aquilo me surpreendeu muito. É realmente incrível. E vejam, pelo amor de Deus, eu não sou contra a medicação, tá? A medicação ela tem um benefício imenso, né? Aí ela precisa ser usada, inclusive em muitos casos, muitas vezes associada à psicoterapia para que a gente consiga eh ter ali, né, o melhor resultado pro nosso paciente, OK? Mas a gente sabe que toda medicação, até um remédio para dor, né, desses mais simples, tipo tilenol,
1:04:40 noalgina, etc., tem efeitos colaterais. Então, se a gente puder fazer um tratamento, que é o melhor tratamento disponível, e a gente não precisar usar a medicação, bom, eu acho que isso aí é o melhor dos mundos, né? Depois, se precisar, OK, né? Se se o paciente tiver que associar também, OK. Mas se eh a gente puder oferecer o melhor tratamento disponível apenas com psicoterapia, é fantástico e eu acredito que a maioria das pessoas vai preferir. Então assim, eu valorizo muito a minha profissão, porque eu sei que um trabalho bem feito dentro da psicologia, dentro do que a gente tem hoje, né, como melhor tratamento e não com base na minha opinião, no que eu gosto, no que eu acho mais legal, mas se você faz isso com
1:05:27 base no que tem de melhor hoje, eu sei que a gente consegue ajudar muito as pessoas. E aí entrando mais, né, nesse questionamento assim, eh, se é possível ou não, né, a gente ter um padrão ouro em psicologia, eu quero só reforçar alguns pontos. Acho que já ficou claro para você, mas eu acho que tem alguns pontos aqui que a gente precisa trazer, né, porque eu sei que essa história de padrão ouro hoje vem sendo muito questionada nas redes sociais e eu quero inclusive e talvez aqui dar munição até para vocês conseguirem responder isso de uma maneira mais clara, tá? Obviamente que existem desafios quando a gente fala de estudos para determinar padrão ouro dentro da psicoterapia. A gente tem alto risco de viés nesses
1:06:12 estudos, né? Muitas vezes o grupo controle que é feito nesses estudos é o que se chama de lista de espera. Ou seja, o paciente não tá recebendo tratamento nenhum, ele tá ali aguardando para ser chamado, né? E isso é um comparativo fraco. Foi aquilo que eu falei das pesquisas que estão sendo feitas hoje com IA. você comparar, conversar com o chat GPT ou conversar com o agente de a treinado e não fazer nada é ruim, né? Porque você tá comparando qualquer coisa com nada. Assim, talvez, né? Se você comparar, tomar água com limão e nada, talvez água com limão seja superior, porque a pessoa acredita que de alguma maneira aquilo ali tá fazendo alguma coisa por ela, né? Então, hoje a gente tem muitos estudos ainda dentro da psicoterapia que tem esse grupo controle que não é o melhor grupo controle do mundo. Então são
1:06:58 pontos que a gente precisa melhorar, que a gente precisa resolver. Mas entenda, o fato da gente ter desafios, o fato da gente ter problemas não significa que a gente deve trazer como alternativa algo pior. OK? Tem desafios, tem problemas. Então eu faço o quê? Eu abandono tudo e vou trabalhar com qualquer coisa da minha cabeça. Não, a gente tem desafio e a gente precisa encontrar formas de vencer os desafios, que é o quê? Fazendo estudos melhores, produzindo mais. OK? A solução não é: temos desafio na ciência, então tá bom, vamos abandonar a ciência. Ah, isso tem o menor sentido, OK? Mas voltando aí pras abordagens, tá? Eu vou
1:07:44 trazer agora para você um panorama atual do que a gente tem hoje de psicoterapia como padrão ouro, tá? Primeira coisa, infelizmente a gente não tem tratamentos de primeira linha para todos os transtornos atualmente, tá? Assim também como não se tem medicação psiquiátrica para vários transtornos, por exemplo, transtornos de personalidade, exceto borderline. OK? Borderline não tem medicação psiquiátrica, mas tem um tratamento psicoterápico de primeira linha, que é a DBT. Mas todos os outros, narcisista, antissocial, estriônica, ã, todos os do cluster, né? Esquisoide, esquisotípica, paranoide, cluster C, né? Obsessiva
1:08:30 compulsiva, dependente, nada disso. A gente tem um tratamento de primeira linha. E se a gente pegar como exemplo aqui, né, o o transtorno de personalidade narcisista e o transtorno de personalidade antissocial, eles são transtornos egocsintônicos, difíceis do paciente reconhecer o problema e, portanto, difíceis dele aderir ao tratamento, porque ele não reconhece que ele tem um problema. Então, qual que é o ponto pra gente ter um padrão ouro, a gente ter um tratamento de primeira linha para esses transtornos de personalidade? O problema é que é difícil conduzir o estudo até o final, porque como eu expliquei aqui na aula de quarta, os estudos eles não são conduzidos com ratos de laboratório, não. Não bota os ratinhos lá no laboratório e vai testar a psicoterapia, não. O estudo é conduzidos com é
1:09:16 conduzido são conduzidos com pacientes reais. Então, como é que um estudo é feito? Você pega terapeutas treinados e você coloca para atender pacientes reais e outro grupo vai receber outro tipo de tratamento. E aí depois você vai comparar os dois grupos e você vai estabelecer qual grupo você saiu melhor. Então para você ter um tratamento de um paciente real, você precisa que esse paciente comece e termine o tratamento. Porque se o paciente abandona o tratamento no meio, você não não consegue concluir o estudo. Então esse é o problema de estabelecer tratamentos de primeira linha para os transtornos de personalidade, exceto borderline, que é mais fácil porque o sofrimento do border ele é realmente fora do comum, né? Mas os outros transtornos de personalidade ele não tem esse sofrimento tão eh
1:10:02 proeminente. OK? Bom, outro ponto é o seguinte, a gente tem transtornos em que o melhor tratamento disponível é a associação entre psicoterapia e medicação psiquiátrica. OK? Eles dois juntos são as melhores evidências. Então, quais são esses transtornos que a gente precisa associar? Medicação e psicoterapia? Distimia, que hoje é chamado de eh transtorno depressivo persistente, transtorno bipolar, esquizofrenia, depressão grave, ágorafobia, transtornos de ansiedade em crianças, OK? Em adultos, não, em crianças. Só que tem um adendo aí. TC e medicação juntas associadas é a
1:10:48 melhor opção, mas se o paciente só puder fazer uma, é melhor que ele faça TCC sozinha, porque TCC sozinha tem resultados melhores do que medicação psiquiátrica sozinha. OK? toque, transtorno obsessivo compulsivo. A melhor opção também é a combinação entre medicação e eh psicoterapia, mas a medicação sozinha para toque é menos eficaz do que se o paciente fizer só TCC. Transtornos relacionados à substância. Também a melhor, o melhor tratamento é TCC e medicação. TdH, a mesma coisa, TCC e medicação. E a gente tem um terceiro grupo que são os transtornos em que só a psicoterapia
1:11:34 é a melhor condição, ou seja, é o melhor tratamento disponível. É o tratamento de primeira linha, superior inclusive à medicação psiquiátrica. Quais são esses tratamentos? Quais são esses transtornos? Transtorno de personalidade borderline, transtorno depressivo maior, leve e moderado. Ansiedade social, transtorno de ansiedade generalizada. tricotilomania, que é o transtorno onde o paciente arranca cabelo ou pelos do corpo. Escoriação, que é o transtorno onde o paciente faz machucados, né, no corpo. Pode ser na mão, pode ser assim, ó, nessa região interna da boca, pode ser feridas na cabeça, né? Isso chama-se
1:12:20 e transtorno da escoriação ou skin picking, né? O melhor tratamento que a gente tem disponível, tanto pra tricotilomania quanto pra escoriação, chama-se reversão de hábitos. Ela tá dentro aí da análise do comportamento, OK? Transtornos alimentares, anorexia, bulimia e compulsão alimentar. Melhor tratamento disponível é psicoterapia. Eh, transtorno de sintomas somáticos, principalmente o transtorno factício. Nem existe medicação para isso. A primeira linha é psicoterapia e espectro autista, tá? O TEA, a análise do comportamento conhecida como ABA aqui no Brasil é a primeira linha para espectro autista, especialmente nível um em crianças, adolescentes. A gente ainda
1:13:07 tem um transtorno que muitas pessoas não sabem, muitas pessoas acreditam que o melhor tratamento é medicação, mas não é, que é o transtorno de insônia. Hoje o melhor tratamento disponível pra insônia é o que a gente chama de TCCI, que é um protocolo da TCC paraa insônia, totalmente baseado na TCC clássica, tá? Medicação não é uma boa opção pra insônia, porque além de ser dose dependente, então o paciente ele começa a tomar medicação para dormir, ele vai tendo que aumentar a dose, né? E não resolve o problema, não trata o problema. O que trata o problema é a TCC, né? é o protocolo que a gente tem hoje eh pra insônia dentro da TCC que se chama TCCI. Então vocês viram aí quantos tratamentos
1:13:54 a psicoterapia é superior à medicação? Vocês entendem o quanto isso é incrível? O quanto é incrível a gente trabalhar com uma profissão que tem um tratamento pela fala? Mas eu expliquei já que não é qualquer fala, né? Que é superior à própria medicação em alguns casos. Eu
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