Eça de Queiroz - Os Maias em 13 Minutos (HISTÓRIA COMPLETA) 📚

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Breve Resumo

A história d'Os Maias acompanha a vida de Carlos da Maia e a sua família, desde a mudança para o Ramalhete até ao trágico fim do seu relacionamento incestuoso com Maria Eduarda. Aborda temas como o liberalismo versus o absolutismo, a educação, o adultério, a paixão e o destino.

  • A família Maia instala-se no Ramalhete, um palacete com um passado sombrio.
  • Carlos da Maia, neto de Afonso, apaixona-se por Maria Eduarda, sem saber que são irmãos.
  • O romance incestuoso leva a um final trágico, com a morte de Afonso e a separação dos amantes.

A Chegada ao Ramalhete e a História da Família Maia

No outono de 1875, a família Maia instala-se no Ramalhete, um palacete há muito desabitado que Monsenhor Buccarini, representante do Vaticano, tentara comprar sem sucesso devido ao preço elevado exigido por Vilaça, o procurador da família. Os Maias, uma antiga família da Beira, regressam a Lisboa após anos na Quinta de Santa Olávia, no Douro, e encarregam Vilaça de restaurar o Ramalhete, apesar da lenda que associa o palacete a desgraças familiares. Carlos supervisiona a restauração e, após formar-se em medicina, decide viajar pela Europa durante um ano.

Afonso, avô de Carlos, aguarda o seu regresso no Ramalhete. Afonso, um liberal convicto, foi expulso de casa pelo pai absolutista, Caetano, mas recebeu a Quinta de Santa Olávia. Mais tarde, Afonso viveu na Inglaterra, onde casou com Maria Eduarda Runa e teve um filho, Pedro. Devido às suas convicções políticas, o casal exilou-se em Inglaterra, onde Maria Eduarda, de saúde frágil e fervorosamente católica, não se adaptou. Preocupada com a educação de Pedro, Maria Eduarda exige que um clérigo português o eduque. Pedro cresce frágil e mimado, e Maria Eduarda acaba por morrer em Lisboa, para grande desgosto de Pedro.

O Casamento de Pedro e o Nascimento de Carlos

Após uma vida de excessos e devoção, Pedro apaixona-se por outra Maria, uma mulher forte e elegante, filha de um negreiro. Afonso opõe-se ao relacionamento, mas Pedro casa-se com Maria em segredo. O casal viaja pela Itália e vive em Paris, onde Maria engravida. Decidem então regressar a Lisboa e escrever uma carta a Afonso, na esperança de serem perdoados e anunciar o nascimento do seu primeiro neto. No entanto, ao chegarem a Lisboa, descobrem que Afonso se mudou para Santa Olávia. Pedro, destroçado, não informa o pai do nascimento da sua filha.

Pedro e Maria levam uma vida social luxuosa, mas Maria sente-se entediada. Após o nascimento do seu segundo filho, Carlos, Pedro pondera reconciliar-se com o pai e apresentar-lhe os netos. Contudo, durante uma caçada, um amigo italiano, Tancredo, fica ferido e é acolhido em casa do casal. Maria apaixona-se por Tancredo e foge com ele, levando a filha. Pedro procura ajuda junto do pai, que o acolhe juntamente com Carlos. Incapaz de suportar a dor, Pedro suicida-se. Afonso fecha a casa de Benfica e leva Carlos para Santa Olávia.

A Infância e Educação de Carlos

Carlos passa a infância em Santa Olávia, onde recebe uma educação liberal com um professor inglês, Mr. Brown, que valoriza o exercício físico e as regras rígidas. Carlos conhece Eusébiozinho, o seu oposto, frágil, tímido e estudioso. Vilaça informa Afonso sobre Maria Monforte, a mãe de Carlos, e a morte da sua filha em Londres. Pouco depois, Vilaça morre e o seu filho assume o cargo de procurador da família Maia. Carlos entra na Universidade de Coimbra.

A Vida Académica e o Regresso a Lisboa

Carlos descobre a sua vocação para a medicina e estuda em Coimbra, onde Afonso lhe oferece uma casa. Lá, Carlos vive uma vida universitária ativa, rodeado de amigos liberais, entre os quais se destaca João da Ega. Após concluir o curso, Carlos viaja pela Europa durante um ano e, ao regressar, abre um consultório e um laboratório em Lisboa, com a ajuda do avô. Carlos recebe o seu amigo Ega, que pretende publicar um livro chamado "As Memórias de um Átomo".

Numa noite no Ramalhete, com vários amigos presentes, o Marquês faz um comentário sobre Ega e a mulher de Cohen. Ega envolve-se com Raquel Cohen, uma mulher casada. Carlos ganha fama e prestígio ao tratar Marcelina, a mulher do padeiro. Ega convence Carlos a conhecer a família Govarinho. Carlos percebe que a Condessa de Govarinho está interessada nele, apesar de ser casada. Ega instala-se na Vila Balzac e convida Carlos a visitá-lo. Carlos revela que se sentiu atraído pela Govarinho no início, mas que agora não tem interesse.

Jantares, Bailes e o Encontro com Maria Eduarda

Num jantar no Hotel Central, estão presentes Carlos, Ega, Kraft, Alencar, Damaso e Cohen, mulher da amante de Ega. Carlos avista uma mulher linda e fica a sonhar com ela. Após o jantar, Alencar acompanha Carlos a casa e este conta-lhe a história dos seus pais e irmã. A sua mãe fugiu com um estrangeiro e levou a sua irmã, que morreu logo a seguir. Depois, o seu pai suicidou-se. Após um almoço no Ramalhete, Afonso e Kraft jogam xadrez. Carlos tem poucos doentes e trabalha num livro. Damaso torna-se íntimo da casa dos Maias, imitando Carlos em tudo.

Enquanto Ega organiza um baile de máscaras na casa dos Cohen, Carlos, acompanhado por Steinbrocken, vê Maria Eduarda, a mulher que tinha visto no hotel central, acompanhada pelo marido. A Condessa de Govarinho procura Carlos no consultório, alegando que o seu filho está doente. Durante um serão no Ramalhete, joga-se dominó, ouve-se música e conversa-se. Carlos convida Cruz para ir a Sintra no dia seguinte, pois sabe que Maria Eduarda está lá com o marido e Damaso.

Sintra, os Govarinhos e o Pedido de Ajuda de Damaso

Carlos e Cruz vão a Sintra, na esperança de encontrar Maria Eduarda. Lá, encontram Eusébiozinho e Alencar, com quem passeiam. Carlos é informado de que os Castro Gomes já regressaram a Lisboa e decide fazer o mesmo, triste por não ter visto Maria Eduarda. Carlos recebe um convite para jantar em casa dos Govarinho. Damaso pede a Carlos para ver a filha dos Castro Gomes, Rosa, que está doente. Os pais estão fora e Rosa está com Miss Sara, a governanta. Carlos constata que não é nada grave.

Quando Carlos se prepara para um baile de máscaras, Ega conta que Cohen descobriu o seu caso com a sua mulher. Cohen espancou a sua mulher e mudaram-se para a Inglaterra. Abalado, Ega deixa Lisboa. Carlos aproxima-se da Condessa de Govarinho e acabam por se envolver.

O Cansaço da Govarinho e o Reencontro com Maria Eduarda

Três semanas depois, Carlos começa a cansar-se da Govarinho e continua a pensar em Maria Eduarda. No dia da corrida de cavalos, Carlos encontra a Govarinho, que propõe um encontro em Santarém. Carlos aceita, contrariado. Damaso conta a Carlos que o marido de Maria Eduarda vai estar ausente durante três meses. Carlos recebe uma carta de Maria Eduarda a pedir que a visite para ver uma pessoa de família doente.

Carlos visita Maria Eduarda e descobre o seu nome. A doente é Miss Sara, a governanta, que tem bronquite. Carlos tinha um encontro marcado com a Govarinho em Santarém, mas ela cancela. Damaso vai para fora e, quando regressa, encontra Carlos com a cadela de Maria Eduarda. A cadela rosna para Damaso, deixando-o furioso.

O Envolvimento de Carlos e Maria Eduarda

Ega regressa a Lisboa e conta a Carlos que os Govarinho os convidaram para jantar. Nesse jantar, a Govarinho deixa claro a Carlos que sabe da sua proximidade com Maria Eduarda e beija-o. Após uma tarde com a Govarinho, Carlos vai a casa de Maria Eduarda. Enquanto conversam, Damaso aparece, mas Maria Eduarda recusa-se a recebê-lo, o que o deixa furioso. Maria revela a Carlos que quer mudar de casa, e ele decide comprar a casa de Kraft para ela. Carlos e Maria envolvem-se.

Ega percebe que Carlos está apaixonado por Maria Eduarda e que este não é um caso passageiro. Ega conta a Carlos que Damaso anda a difamá-lo a ele e a Maria Eduarda. Carlos fica furioso e ameaça-o. Maria visita a sua nova casa nos Olivais. Após o almoço, ela e Carlos fazem amor.

Aniversário de Afonso e o Fim do Caso com a Govarinho

Afonso da Maia faz anos e há um jantar com todos os amigos da casa no Ramalhete. Descobre-se que Raquel Cohen estava a trair o marido com Damaso. A Govarinho aparece para falar com Carlos e discutem, marcando o fim do seu caso. Afonso parte para Santa Olávia. Maria Eduarda instala-se nos Olivais e Carlos passa a frequentar a casa dela todos os dias. Falam sobre fugir para a Itália e casar, mas Afonso ficaria muito triste.

Carlos decide visitar o avô Afonso, mas antes leva Maria a conhecer o Ramalhete. Ela diz que Carlos a faz lembrar a sua mãe, que era da Madeira e casou com um austríaco, de quem teve uma filha que morreu em pequena.

A Carta Anónima e a Revelação sobre Maria Eduarda

Certa noite, o Sr. Castro Gomes aparece no Ramalhete e confronta Carlos com uma carta anónima que indica que Maria Eduarda tem um amante chamado Carlos da Maia. Carlos reconhece a letra da carta e percebe que foi Damaso quem a enviou. Surpreendentemente, Castro Gomes revela que não é casado com Maria Eduarda, apenas vive com ela, e que ela nem se chama Maria Eduarda, mas sim Madame McGrann. Ela era uma menina que ele pagava.

Carlos fica furioso com Maria, e ela pede perdão e conta a sua verdadeira história, com medo de que ele a deixasse. Carlos pede-a em casamento.

O Segredo Revelado e a Tragédia Final

Sabendo da história de Maria Eduarda, Ega aconselha Carlos a esperar que o avô morra antes de casar. O casal começa a dar jantares nos Olivais, e os amigos de Carlos habituam-se a Maria. Carlos descobre um artigo de um jornal a revelar a sua história com Maria Eduarda, difamando-os. Furioso, descobre que Damaso está por trás de tudo. Ega e Cruz vão ameaçá-lo, e ele escreve uma carta a pedir desculpa a Carlos. Carlos entrega a carta a Ega, que a publica no jornal, envergonhando Damaso, que foge para a Itália.

Afonso regressa de Santa Olávia e Maria deixa a sua casa nos Olivais. Ega conhece o Sr. Guimarães, um tio de Damaso que vive em Paris. Este diz-lhe que tem um cofre da mãe de Carlos para entregar à família. No meio da conversa, Ega descobre que Carlos tem uma irmã e Guimarães diz que os viu aos três numa carruagem, Ega, Carlos e a sua irmã, Maria Eduarda. Carlos e Maria, apaixonados, eram afinal irmãos.

Ega pede ajuda a Vilaça para contar a Carlos. Vilaça e Ega confrontam Carlos com a situação. Carlos fala com o avô Afonso, que lhe confirma tudo. Afonso conta a Ega que já sabia do caso de Carlos com Maria Eduarda. Carlos decide contar tudo a Maria, para terminar a relação e fugir. No entanto, fazem amor mais uma vez. Afonso percebe que os netos continuam a envolver-se sexualmente e fica desolado. Ega fica furioso com Carlos e confronta-o. Carlos parte para Santa Olávia. Na manhã seguinte, Carlos encontra o seu avô Afonso morto no quintal.

O Luto e o Fim da História

Carlos fica destroçado e culpa-se pela morte do seu avô. Depois do funeral, Carlos parte para Santa Olávia e Maria parte para Paris.

Carlos e Ega fazem uma longa viagem pelo mundo. Um ano e meio depois, Ega regressa com a intenção de escrever um livro e conta que Carlos ficou em Paris e não queria voltar a Portugal. Dez anos depois, Carlos regressa e põe a conversa em dia com Ega. Carlos conta que recebeu uma carta de Maria Eduarda, que dizia que ela ia casar com um homem francês e que comprou uma quinta em Orleans. Este casamento representava um final para Carlos. Os dois amigos constatam que não vale a pena viver, pois tudo são desilusões e poeira.

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Transcript

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0:00 A história começa com a família Maia instalar-se no Ramalhete, no outono de 1875. O Ramalhete era um palacete que estivera muitos anos desabitado, e o Monsenhor Buccarini, um representante do Vaticano, tentara comprá-lo. Vilaça, o procurador da família Maia, pediu um valor demasiado alto, e o interesse desapareceu. Assim, o Ramalhete continua a ser um inútil pardeiro, ou seja, uma arrecadação para as tralhas da família. Os Maias eram uma antiga família da Beira, e viveram durante anos na Quinta de Santa Olávia, no Douro. Ao voltarem para Lisboa, decidiram encarregar Vilaça de restaurar o ramalhete. Este não fica feliz com a ideia e conta uma lenda, segundo a qual eram sempre fatais aos Maias as paredes do ramalhete. Carlos supervisionou este processo e no fim do mesmo, sendo já formado em medicina, decidiu fazer uma viagem durante um ano pela Europa. Se fosse hoje, diríamos que ele fez um gap year para se descobrir. Talvez até criasse um Insta chamado Carlos on Tour.

0:46 O seu avô, Afonso, espera Carlos no ramalhete. Afonso foi um jovem apoiante o liberalismo, para desgosto do seu pai Caetano, um absolutista. Assim, Afonso foi expulso de casa pelo pai. mas a sua mãe conseguiu que lhe oferecessem a Quinta de Santa Olávia. Passados alguns anos, Afonso vai para a Inglaterra e regressa a Portugal pela morte do seu pai. Nessa altura, conhece Dona Maria Eduarda Runa, mulher com quem casou e teve um filho, Pedro. As ideias políticas de Afonso levaram o casal a partir de novo para a Inglaterra, em exílio. Maria Eduarda, uma mulher de saúde frágil e católica excessivamente devota, tudo o que qualquer homem procura numa mulher, não se habitua à falta de sol nem ao protestantismo inglês. Não crendo que Pedro seja educado por ingleses, ordena que venha de Portugal um homem da igreja para o educar. Infelizmente para Afonso, Pedro cresce frágil, medroso e mimado. O sonho de qualquer pai. A saúde de Maria Eduarda piora e

1:32 a família volta para Lisboa, onde ela acaba por morrer, para grande desgosto de Pedro. Depois de uma vida repleta de lupanares e botequins, ou seja, prostitutas e bares, alternada com períodos de devoção doentia, Pedro apaixona-se por outra Maria, desta vez mão forte, uma mulher linda e elegante, filha do negreiro. o sogro de sonho para qualquer jovem. Afonso opõe-se à relação do seu filho e, com todo o respeito pela vontade do pai, Pedro casa com Maria à escondidas. Mais uma vez, o sonho de qualquer pai. Pedro e Maria viajam por Itália, tragicamente sem Instagram. No entanto, Maria sonha com Paris, para onde se viriam a mudar, mais uma vez sem Instagram. Maria engrevia e, nessa altura, o casal decide voltar para Lisboa. Antes disso, decide escrever uma carta a Afonso, pai de Pedro, para anunciar a sua partida e o nascimento do seu primeiro neto, com esperança de serem perdoados. Nas palavras de essa, foi bonita, foi eterna a carta de

2:19 Pedro ao papá. Pobre rapaz amava-o. No entanto, quando chegaram a Lisboa, perceberam que Afonso tinha mudado para Santa Olávia. Pedro fica destroçado e não informa ao seu pai do nascimento da sua filha. Pedro e Maria, ele leva a uma vida social que não era mais do que uma existência vestível e luxuosa, recebendo amigos em casa regularmente. Este estilo de vida trazia à grade a Maria e tédio a Pedro. O casal tem seu segundo filho, de nome Carlos, e desta vez Pedro considera reconciliar-se com o pai e ir apresentar-lhe os netos. Contudo, numa caçada com amigos, Pedro fé era um italiano que fazia parte do grupo, de nome Tancredo. Este ficou recuperado em casa do casal e, por isso, a visita a Afonso foi adiada. O período de Tancredo em casa do casal foi longo. longo o suficiente para Maria se apaixonar por ele e optarem por fugir os dois, levando consigo a sua filha. Moral da história, se vão ferir um gajo e deixá-lo repousar em vossa casa, que seja um gajo feio. Pedro procurou

3:04 ajuda junto do seu pai, que finalmente o acolheu juntamente com o seu filho, Carlos. Embora grato com este ato, Pedro não aguenta a dor e suicida-se. Com isto, Afonso decide fechar a casa de Benfica e leva Carlos para Santa Olavia. Carlos passa a infância em Santa Olavia e recebe uma educação liberal com um professor inglês, o Mr. Brown. Mr. Brown dá em afanso ao exercício físico e às regras duras que Afonso impõe ao neto. Neste contexto, Carlos conhece Eusébiozinho, que é completamente o seu oposto. É frágil, tímido, medroso e estudioso. Neste capítulo, podemos ver o contraste da educação britânica de Carlos e tradicional de Eusébiozinho. Vilaça dá notícias de Maria Monforte, a mãe de Carlos, a Afonso e conta que a sua filha, a irmã de Carlos, tinha morrido em Londres. Pouco tempo depois, Vilaça morre e encarrega o seu filho de ser procuradora da

3:49 família maia. Carlos entra na Universidade de Coimbra e assim acaba o capítulo. Carlos descobriu a sua vocação para Medicina ainda novo e foi isso que decidiu estudar no futuro. Para facilitar a vida ao seu neto, Afonso ofereceu-lhe uma casa em Coimbra, onde Carlos leva uma vida de universitário, rodeado de amigos liberais com ideias formadas. Deste grupo, destaca-se João da Ega, que se tornaria um amigo de longa data. Quando acaba o curso, Carlos faz uma viagem de um ano pela Europa, como começou o livro. Quando regressa, abre um consultório e um laboratório em Lisboa, com a ajuda do avô mais uma vez. Carlos recebe o seu amigo Ega, que quer publicar um livro chamado As Memórias de um Átomo. Era uma noite no Ramalhete, com vários amigos. Dom Diogo, General Sequeira, Cruz, Eusébio Silveira, Stein Brocken, Taveira e o Marquês. O Marquês refere algo

4:38 sobre Ega e a mulher do Cohen. Ega, algo marotamente, apaixonou-se por uma mulher casada, chamada Raquel Cohen. Carlos salva uma mulher chamada Marcelina, mulher do padeiro, com os seus cuidados médicos. Assim, Ganhou fama e prestígio com o seu consultório. Ega convence Carlos a conhecer a família Govarinho. Depois deste encontro com os amigos de Ega, Carlos repara que a condensa de Govarinho está interessada em si, mesmo sendo casada. Ega instala-se na Vila Balzac, um bocado nome de medicamento, mas é o nome de uma casa que ele comprou e convida Carlos para a visitar. Carlos conta que se sentiu muito atraído pelo Govarinho no início, mas que agora não tem qualquer interesse. Carlos costumava ser assim com as mulheres e Ega critica-o por isso. Pouco depois, há um jantar no Hotel Central, que era no Caixostré, a nossa capital dos copos, em que estão presentes Carlos, Ega,

5:23 Kraft, Alencar, Damazo e Coen, mulher da amante de Ega, um bocado constrangedor. Para tornar tudo ainda mais constrangedor, Ega dedica um prato a Coen. Antes de começar o jantar, Carlos avistou uma mulher linda e ficou a sonhar com ela. Depois do jantar, Alencar acompanha Carlos a casa e este conta-lhe a história dos seus pais e irmã. A sua mãe fugiu com um estrangeiro e levou a sua irmã, que morreu logo a seguir. Depois, o seu pai matou-se. Trágico. Depois do almoço no Ramalhete, Afonso e Kraft jogam uma partida de xadrez. Carlos vai tendo poucos doentes e, portanto, vai trabalhando num livro. Damaso, à semelhança de Kraft, tornara-se íntimo da casa dos Maias, seguindo Carlos para todo o lado e procurando imitá-lo. Égando ocupado com a organização de um bale de máscaras na casa dos Coen, Carlos, na companhia de Steinbrocken, vê, pela segunda vez, Maria Eduarda, a deusa que vislumbrara no hotel central, acompanhada pelo marido. A Condessa de

6:10 Govarim, com a desculpa de que o seu filho se encontrava doente, procura Carlos no consultório, evidenciando uma audácia picante. Durante o serão, no Ramalhete, malhete, joga-se dominó, ouve-se música e conversa-se. Carlos convida Cruz para ir a Sintra no dia seguinte, pois tomara conhecimento, por intermédio de Taveira, de que Maria Eduarda aí se encontrava, na companhia do seu marido e de Damas. Carlos e Cruz vão a Sintra, na esperança de encontrar Maria Eduarda, por acaso. Em Sintra, encontram Ezebiozinho e Alenca, com quem passeiam pela zona. Carlos é informado que os Castro Gomes, Maria Eduarda e seu marido, já tinham regressado a Lisboa e decide fazer o mesmo, triste por não ter conseguido ver a sua crush. Carlos recebe um convite para jantar em casa dos Govarim. Damas pede a Carlos para ver a menina dos Castro Gomes, Rosa, que estava doente. Os pais estavam fora e

6:56 Rosa estava com Miss Sara, a governanta. Depois de a observar, Carlos constata que não é nada de grave. Mais tarde, quando Carlos se preparava para um baile de máscaras, Ega conta que Cohen descobriu o seu caso com a sua mulher. Devido a isso, Cohen espancou a sua mulher e depois mudaram-se para a Inglaterra. Abalado, Ega deixa Lisboa. Tinha feito uma bela asneira. Carlos vai ficando cada vez mais próximo da Condença de Goverim e, insensivelmente, irresistivelmente, acabam por se envolver. Três semanas depois, Carlos começa a ficar cansado da Govarim e continua com Maria Eduarda na sua cabeça. Chega o dia de corrida de cavalos, um evento que junta à elite de Lisboeta. Aí, Carlos encontra Govarim, que propõe que se encontrem em Santarém. Um pouco contrariado, Carlos acaba por aceitar. Dama-se conta a Carlos que o marido de Maria Eduarda ia para longe da mulher durante três meses. Quando Carlos chega à casa, vê

7:41 que tinha uma carta da senhora Castro Gomes, a Maria Eduarda, a pedir que a visite no dia seguinte para ver uma pessoa de família que estava doente. Carlos ficou contente com esta informação. Carlos finalmente visita a senhora Castro Gomes e descobre o seu nome, Maria Eduarda, um belo nome. A doente era Miss Sara, a governanta, que tinha bronquite. Nessa noite, Carlos tinha tal encontro em Santarém com o Gouvarinho, mas, felizmente para ele, ela cancelou. Damas vai para fora e, quando regressa, encontra Carlos com a cadela de Maria Eduarda. Ao ver Damas, a cadela rosna fervorosamente, o que o deixou furioso e ciumente. Ege regressa à Lisboa e diz a Carlos que os Gouvarinhos convidaram para jantar. Nesse jantar, a Goverin torna claro a Carlos que sabe da sua proximidade com Maria Eduarda. Ainda assim, beijo-o. Depois de uma tarde

8:26 marotices com o Goverin, Carlos vai à casa de Maria Eduarda. Enquanto estes conversavam, Damas aparece, mas Maria Eduarda recusa-se a recebê-lo, o que o deixa furioso, mais uma vez. Maria revela a Carlos que quer mudar de casa, e ele decide comprar a casa de Kraft para ela. No seguimento da conversa, Carlos e Maria envolvem-se. Embora fique magoado por não ter sabido nada até agora, Ega percebe que Carlos estava realmente apaixonado, e que isto não era um caso passageiro. mas sim um grande amor, absorvente, eterno e para bem ou para mal, tornando-se daí por diante e para sempre o seu irreparável destino. Ega conta a Carlos que Damas anda a defamá-lo a ele e a Maria Eduarda. Carlos fica furioso e ameaça-o. A Maria visita a sua nova casa nos Olivais. Depois de almoço, ela e Carlos fazem amor. Afonso da Maia faz anos e há

9:11 um jantar com todos os amigos da casa no Ramalhete. Aí se descobre que Raquel Cohen estava a trair de novo o marido. desta vez com D'Amazon. A Guavarinho aparece para falar com Carlos e discutem. Era o fim do seu caso. Afonso parte para Santa Olápia. Maria Eduarda instala-se nos Olivais e Carlos passa a frequentar a casa dela, a que chamavam Toca, todos os dias. Falam sobre fugir para a Itália e casar, mas Afonso teria um desgosto enorme. Como já não fazia algum tempo, Carlos decide visitar o seu avô Afonso, mas antes leva Maria a conhecer o Ramalhete. Ela diz que Carlos a faz lembrar a sua mãe, que era uma senhora da Madeira que casou com um austríaco e de quem teve uma filha, que morreu em pequena. Certa noite, o Sr. Castorgomes apareceu no ramalhete e confrontou Carlos com uma carta anónima que tinha recebido, que indicava que Maria Eduarda tinha um amante chamado Carlos da Maia. Ao reconhecer a letra da carta, Carlos percebeu que foi Damas o que a enviou. Surpreendentemente,

9:59 Castorgomes revela que não é casado com Maria Eduarda, apenas vivia com ela, e que ela nem se chamava Maria Eduarda, mas sim Madame McGrann. Ela era, na realidade, uma menina que ele pagava. Carlos ficou furioso com Maria, e ela pediu perdão e disse que não contou a verdade com medo que ele a deixasse. Dito isto, contou toda a sua verdadeira história a Carlos, e este pediu em casamento depois. Sabendo da história de Maria Eduarda, Ega aconselha Carlos a esperar que o avô morra antes de casar, pois ele está velho e não aguentaria o desgosto. O casal começa a dar jantar nos olivais, de forma regular. Todos os amigos de Carlos começam-se a habituar a Maria. Carlos descobre um artigo de um jornal a revelar toda a sua história com Maria Eduarda, difamando-os. Furioso e decidido a matar o autor do artigo, Descobre que Damas está por trás de tudo. Ega e Cruz vão ameaçá-lo. Ele escreve uma

10:45 carta a pedir desculpa a Carlos, descorvendo-se como um bêbado incorrigível. Carlos fica satisfeito com a carta e entrega-a a Ega. Este, vendo Damas com Raquel Cohen, publica a carta no jornal e envergonha Damas. Este não aguenta a vergonha e acaba por partir para a Itália. Damas era um sujeito gordinho e, portanto, o facto de fugir para um sítio onde fazem muitas pizzas não é surpreendente. Afonso regressa de Santa Olávia e Maria deixa a sua casa nos Olivais. Ega conhece o Sr. Guimarães, um tio de Damas que vive em Paris. Este diz-lhe que tem um cofre, um cofre da mãe de Carlos para integrar à família. No meio da conversa, Ega descobre que Carlos tem uma irmã e Guimarães diz que os viu aos três numa carruagem, Ega, Carlos e a sua irmã, Maria e Eduarda. Carlos e Maria, perdidamente apaixonados, eram afinal irmãos, Iac. Ega ficou tão chocado como vocês que estão a ver isto

11:31 e pediu ajuda ao Vilaça para contar a Carlos. Vilaça e Ega confrontam Carlos com a situação. Carlos fica desnorteado e vai falar com o avô Afonso, que lhe confirma tudo. Em segredo, Afonso conta a Ega que já sabia que Carlos tinha um caso com Maria Eduarda. Carlos decidiu ir contar tudo a Maria, para terminar a relação e fugir. Porém, o amor é complicado. Em vez disso, os manos fizeram amor mais uma vez. Continuavam a amar-se e o facto de serem irmãos não mudava isso. Afonso da Maia percebe que os seus netos continuavam a envolver-se sexualmente e fica desolado. Ega fica furioso com Carlos e confronta-o. e Carlos decide partir para Santa Olávia. Na manhã seguinte, Carlos encontra o seu avô Afonso, deitado no quintal, e rapidamente percebeu que estava morto. Carlos fica destroçado e culpa-se pela morte do seu avô. Depois do funeral, Carlos parte

12:17 para Santa Olávia e Maria parte para Paris. Nas belas palavras de essa, Maria Eduarda, grande, muda, toda negra na claridade, à portinhola daquele vagão que para sempre a levava. Carlos e Ega fazem uma viagem longa pelo mundo. Um ano e meio depois, Ega regressa com a intenção de escrever um livro e conta que Carlos ficou em Paris e que não queria voltar a Portugal. Dez anos depois, Carlos regressa e põe a conversa em dia com Ega. Carlos conta que recebeu uma carta de Maria Eduarda, que dizia que ela ia casar com um homem francês e que comprou uma quinta em Orleans. Este casamento representava um final para Carlos. Ao nadar num mar de recordações tristes, os dois amigos constatam que não vale a pena viver. Por mais que se tente

13:02 lutar para mudar a vida, não vale a pena o esforço, pois tudo são desilusões e poeira. Falhámos a vida, menino, disse Ega, ao que Carlos respondeu. Creio que sim, mas todo mundo mais ou menos a falha. Isto é, falha-se sempre a realidade daquela vida que se planeou com a imaginação. Diz-se, vou ser assim porque a beleza está em ser assim, e nunca se é assim. É-se invariavelmente assado. Às vezes melhor, mas sempre diferente.

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